O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Aula 03 = O Propósito da Criação do Homem - Os Mandatos


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem É O Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.

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Aula 03 = O Propósito da Criação: Os Mandatos 27/02/2011.
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Glorificar a Deus é o propósito da criação do homem.
Qual o propósito da criação do homem? É insatisfatório dizer que Deus nos criou porque se sentia sozinho, porque as escrituras dão testemunho da unidade e comunhão perfeitas existentes na trindade divina; além disso, antes da criação do homem já existiam os anjos que adoram a Deus ininterruptamente. Também é insatisfatório dizer que Deus nos criou porque queria ter alguém que o adorasse livremente, no entanto o fato de ter havido uma queda também no mundo angelical desmonta a teoria de que os anjos amam a Deus somente por compulsão e não livremente (II Pe 2.4; Jd 6; Ap 12.7).
Toda a criação existe, inclusive o homem, por causa de Deus e não por nossa causa (Sl 104.31). Deus criou o homem para a sua própria glória (Is 43.7; Ef 1.11,12). Por isso tudo o que fazemos deve ser feito para a glória de Deus (I Co 10.31). Assim sendo devemos glorificá-lo e nos alegrarmos nele para sempre (Breve Catecismo, pergunta nº 1). Nós fomos criados para glorificarmos a Deus e nos alegrarmos nele.
O nosso grande problema não é viver no mundo e experimentar neles prazeres, o grande problema é a queda no pecado que desequilibrou nossa relação com Deus, com a criação e conosco mesmos. Todos os pecados se levantam da corrupção da criação e não da criação em si mesma. Tanto o trabalho quanto o lazer devem ser vistos e utilizados para glorificar a Deus. Deve ficar claro em nossa mente que Deus fez toda a criação para um propósito específico: Glorificá-lo como o seu criador e sustentador.

Os Mandatos
Deus idealizou para o homem três tipos de relacionamento com a criação e com o criador que são conhecidos como “mandatos”:

1. O Mandato Espiritual:
Esse mandato tem três características fundamentais: (1) O homem foi criado à imagem de Deus, logo o homem foi dotado de uma semelhança com que lhe permite relacionar-se plenamente com ele como nenhuma das outras criaturas poderia. (2) A instituição do dia de descanso. O propósito do sábado é tanto o descanso para o homem quanto um dia de relacionamento íntimo com Deus. (3) A ordem divina de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. O homem e a mulher deveriam andar em obediência a Deus a fim de manter comunhão permanente com ele. Deus sempre vinha no final da tarde (Gn 3.8 – viração do dia) para estar e andar com o casal (Adão e Eva). No Antigo Testamento Além de Adão e Eva somente de Enoque (Gn 5.24) e Noé (Gn 6.9) é dito que Deus andava com eles.
O mandato espiritual estabelece o relacionamento pessoal com Deus que deve estar em primeiro lugar na vida do homem. “O objetivo principal do mandato espiritual consiste em gradualmente conhecer, aceitar e crer na realidade da presença do nosso Deus triúno em todas as áreas da vida” (Lima, p.167).

2. O Mandato Social:
O mandato social diz respeito ao relacionamento familiar. Deus criou o primeiro casal e o abençoou com a fecundidade para povoar a terra (Gn 1.27,28). O homem deveria constituir família, ter filhos e educá-los no caminho do Senhor. Essa benção inclui o companheirismo conjugal (Gn 2.18,23); que inclui o prazer sexual, pois homem e mulher se realizam pertencendo um ao outro, e isso agrada a Deus, pois quando criou o primeiro casal disse que isso era “muito bom”.
O mandato inclui ainda a benção de gerar filhos, que implica em continuidade. Deus poderia ter deixado o primeiro casal perecer sem filhos após a queda, mas ele “mitigou” sua pena permitindo a comunhão familiar mesmo após o pecado.
Marido e esposa têm papéis definidos no cumprimento do mandato social. O homem é o cabeça que deve amar a sua esposa e a mulher é a auxiliadora idônea que deve respeitar seu marido. Essa relação dá a estabilidade necessária à família como base da vida social projetada por Deus para a humanidade. O equilíbrio familiar gera benção e crescimento; o desequilíbrio familiar sempre gera tristeza e tragédia. Veja os exemplos de Eli (I Sm 2.1-36), Samuel (I Sm 8.1-5) e Davi (II Sm 11.11; 13-16; 18).

3. O Mandato Cultural:
Esse mandato diz respeito da relação do homem com o trabalho e o resto da criação, pois determinou ao homem que enchesse a terra e a sujeitasse e dominasse (Gn 1.28). Dessa forma Deus fez do homem administrador dos bens que lhe confiou através do dom do trabalho. Isso tem implicações sociais, econômicas, culturais e ecológicas.
Deus criou o homem em relação estreita com a terra. Quando o homem pecou, a terra foi amaldiçoada “por sua causa” (Gn 3.17-19) tornando o trabalho árduo, com grande labor e não com energia criativa. Isso também pode ser visto na relação de Israel com a terra prometida. Quando Israel era livre de seus inimigos, a terra “descansava” (Jz 3.11,30; 5.31; 11.28), mas quando Israel insistia no seu pecado, “a terra se prostituia” (Os 1.2).
Deus proíbe a deificação da criação (Ex 20.4; II Rs 23.5). Nossa relação com o mundo criado é expressa em duas palavras: Domínio e mordomia. A humanidade é o ápice da criação, pois Deus ordenou-lhe dominá-la. Mas o seu domínio deve ser exercido com responsabilidade, pois o verdadeiro dono de tudo é Deus (I Cr 29.11; Sl 24.1). Deus reservou um para pedir contas ao homem de sua administração da criação (Mt 25.26ss; Lc 12.42).
Ao estabelecer esses mandatos para o homem Deus o fez em equilíbrio, de fora integral e integrada. Não podemos separar as dimensões sociais, espirituais e culturais umas das outras, porque tudo está debaixo do domínio soberano de Deus o criador.
O domínio sobre a criação implica para o homem em privilégio e responsabilidade. O homem pode fazer uso, explorar e dominar todas as coisas criadas. Todavia, quando Deus declara “eu vos tenho dado” responsabiliza ao homem como um administrador que deverá prestar contas de tudo o que fizer. Tudo pertence a Deus e ele no-las deu para que façamos bom uso, e não qualquer uso. Por isso devemos manter o nosso lar (meio ambiente) o mais limpo e saudável para a nossa própria habitação e daqueles que Deus confiou aos nossos cuidados. Embora a criação não seja deus (paganismo) Deus se agrada que cuidemos dela por amor e gratidão a ele. O objetivo dos três mandatos é tornar nossa vida completa na terra sob a graça de Deus (Ec 3.12,13; 2.24,25).

Implicações da doutrina da criação para o homem.
1. Respeito pelo semelhante. Todos devem ser tratados com respeito pelo simples fato de serem humanos. Não importa se é ou não cristão, mesmo em rebeldia contra Deus, a imagem de Deus está presente nele. Precisamos reconhecer que a vida civil tem sua origem na criação mais que na redenção. A doutrina da criação nos conscientiza de nossas responsabilidades sociais, especialmente as que implicam na defesa da vida.

2. Alegria no trabalho. O trabalho é positivo, louvável e de grande importância, independente da profissão praticada, pois o trabalho dignifica o homem e funciona como parte integrante de sua vocação para glorificar a Deus. Um bom cristo procurará ser um bom profissional em sua área e um membro produtivo em sua família.

3. Conhecer e viver o verdadeiro sentido da vida.A vida humana só pode ser compreendida quando associada à eternidade. Cada ação diária é interpretada à luz de uma longa trajetória que cumpre desígnios eternos de Deus. Cada cabelo é contado, cada palavra será pesada e cada ato será julgado por aquele que nos criou responsáveis na sua presença. O que vivemos e construímos na terra é parte de algo maior que Deus está realizando por meio de nós, para nós e que glorifique o nome de Deus eternamente.

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Bibliografia: Leandro Lima, Razão da Esperança – Teologia Para Hoje, ECC, p. 165-171. / Bruce Milne, Estudando as Doutrinas da Bíblia, ABU, p.103. / Charles Sherlock, A Doutrina da Humanidade – Série Teologia Cristã, ECC, p.115-127.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Exposições Bíblicas em Gálatas = Somente Um Caminho: Cristo!


A Mensagem da carta de Paulo aos Gálatas é muito atual, essencialmente para o nosso tempo em que muitos novos mestres têm surgido evocando e reivindicando para si o título de "apóstolos".

Em Gálatas Paulo enfrenta a acusação de que seu evangelho é inferior porque ele não é um apóstolo genuino. Por isso, para defender a mensagem do Evangelho puro, ele precisa defender a genuinidade de seu apostolado. Se ele era um apóstolo falso, então o seu evangelho também o seria.

Ao defender-se dos falsos mestres judaizantes, Paulo prescreve para nós quais são os requisitos bíblicos exigidos para que alguém pudesse ser chamado de apóstolo. Esse tópico nos interessa muito.

Nessa série, seremos guiados pelo comentário à epístola feito pelo Dr. John Stott; o famoso expositor bíblico, pastor da igreja de All Souls em Londres, e que por muitos anos foi o capelão da rainha da Inglaterra; A Mensagem de Gálatas - Somente um Caminho, publicado pela editora ABU; série: A Bíblia Fala Hoje.

Um dado curioso sobre esse livro é que o Dr. Stott o escreveu em 1966, cerca de 30 anos antes do moderno movimento apostólico surgir. Suas observações ao texto e as afirmações que faz sobre porque ninguém pode arrogar a si o título de apóstolo hoje em dia chegam a ser estonteantes, devido à precisão cirúrgica com que expõe as sagradas escrituras.

Todos que vierem estudar essa epístola conosco serão muito bem vindos.
Um forte abraço; Pr. Hélio.

Capela da PIPG: Rev. Hélio O. Silva e Maestro Edson Kriger.
Grupo Bueno I: Rev. Jonas Cândido Ferreira e Presb. Alípio Cândido.
Grupo Bueno II: Rev. Luciano Pires Silva e Dr. Miguel Rios.
Grupo Aldeia do Vale: Rev. Milton Rodrigues Jr. e Presb. Abrão Berberian.
Congregação Jd. Goiás: Rev. Dyeenmes Procópico de Carvalho e Presb. Joaquim Guilherme Reis.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Uma Adolescência Focada nas Obras do Pai (Lucas 2.41-50)


UMA ADOLESCÊNCIA FOCADA NAS OBRAS DO PAI (Lucas 2.41-50)

Jesus tinha 12 anos, a idade em que o judeu estava se preparando para o seu “Bar Mitzváh” que era o ritual em que aos 13 anos de idade deveria comparecer perante o rabino e mostrar seu conhecimento da Lei. Aprovado, seria considerado adulto perante a Lei e declarado publicamente: “Filho da Lei” ou membro completo da sinagoga. Seu treinamento na Lei era iniciado aos 5 anos e era feito na sinagoga por um hazzam (guardião dos livros sagrados e ministro da sinagoga). Aos 10 anos aprendia sobre a tradição e aos 13 deveria conhecer toda a Lei e obedecer às suas exigências. Aos 15 anos já poderia aperfeiçoar seus conhecimentos. Rito semelhante à Pública Profissão de Fé praticada por nós com os filhos dos membros da igreja batizados na infância a exemplo de Cristo.

Fica evidente que Cristo estudava o Antigo Testamento com atenção, para compreendê-lo e obedecê-lo; não superficialmente, mas a ponto de discutir com os mestres do templo, os melhores da Palestina de seu tempo!

Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai? É a completa submissão de Cristo à vontade do Pai desde menino que nos mostra que ele tinha consciência plena de quem era e qual o seu papel no plano eterno de Deus. Ele está pronto para viver sua adolescência focada nas obras do Pai! Ted Tripp chama em seu livro “Pastoreando o Coração da Criança” de influências que moldam e orientam uma vida voltada para Deus: A estrutura familiar, os valores familiares e os papéis familiares. Essa tríade é decisiva na formação do caráter de uma criança. Uma vez que nossos corações não são neutros, a quem vamos ensinar nossos filhos adorar?

Aos 12 anos Jesus já estava plena e conscientemente envolvido naquilo em que o coração de Deus, o Pai, estava. Ele sabia disso, e seus pais já deviam saber também. Além disso a experiência de Jesus nos acalma quanto ao fato de que embora erremos muitas vezes, mas se ensinarmos o certo do jeito certo, poderemos confiar que Deus conduzirá nossos meninos e meninas para dentro de sua casa espontaneamente. Como eu sei que um adolescente é crente mesmo? Quando ele decide ir e vai à igreja sozinho. Jesus estava lá!

Provérbios 1.7-19 propõe aos jovens três bases para uma vida equilibrada. Aprender o temor do Senhor (v. 7). Aceitar a instrução dos pais (v.8,9). Afastar-se dos ímpios (v.10-19). Segundo Ted Tripp, no livro citado acima, o que causa mais espanto não é o ceticismo dos adolescentes cristãos para com o temor do Senhor, mas a incapacidade dos pais de ensiná-los positivamente o caminho de Deus. Por causa disso, Perguntemo-nos:

Pais: NÃO SABÍEIS? – PARA QUE EDUCAMOS NOSSOS FILHOS? Acertaríamos mais vezes e de muitas maneiras como pais se levássemos em conta o propósito de Deus para a vida de nossos filhos e não os criássemos para nós mesmos e sim para Deus! Isso é algo que os pais já deviam saber. Haverá um tempo em que não mais estarão debaixo de nossa autoridade, entretanto, debaixo da autoridade de quem estarão? Hoje é uma boa ocasião para pais e filhos se reunirem em casa para uma conversa verdadeira e agradável sobre seus caminhos e decisões na vida, porque Cristo os está chamando para isso.

Jovens: É POSSÍVEL VIVER UMA ADOLESCÊNCIA E JUVENTUDE PLENAMENTE CONSAGRADA? Jesus cresceu de forma consagrada dentro de um lar consagrado. A Bíblia diz que foi assim para que ele pudesse nos socorrer tanto em nossas fraquezas quanto em nossas dúvidas (Hb 4 e 5).

Pais e filhos (adolescentes inclusive) precisam se lembrar que somos todos igualmente pecadores e que se os nossos pais erram conosco, nós também erramos muitas vezes com eles. A única coisa que é coerente em momentos de crise dentro de casa é arrependermo-nos e com humildade pedirmos perdão uns aos outros. Se alguém precisa ser o primeiro a ceder, por que não pode ser você? A Bíblia diz que Cristo era submisso porque amava e obedecia à Lei de Deus, mas também por amar os seus pais terrenos por amor a Deus, o Pai.

Conclusão: A infância, adolescência e juventude de Cristo foram períodos fundamentais de sua formação para que ele se preparasse a fim de fazer a vontade do Pai. Pais e filhos podem ignorar tudo que Lucas escreve sobre isso e perder de vista a humanidade do evangelho de Cristo, ou podem resolver continuar juntos na caminhada cristã, onde a troca de muitas experiências admiráveis nos aguarda como família cristã. Vamos nos dar as mãos e caminhar juntos?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Culto Que Agrada a Deus Segundo o Livro de Levítico (Levítico 9).


Como podemos oferecer a Deus um culto que o agrade realmente, e demonstre nossa sincera gratidão por sua obra de salvação na nossa vida? Durante toda a história da Igreja essa questão foi tratada, hora com mais hora com menos reverência. Um período em que a polêmica da forma do culto se tornou crucial foi na controvérsia do puritanismo com a igreja anglicana inglesa, no século XVII.

O Princípio Regulador do culto foi desenvolvido pelos puritanos ingleses e escoceses em oposição ao chamado Princípio Normativo defendido pelos anglicanos ingleses. O Princípio Normativo defendia que o que não for diretamente proibido nas Escrituras é permitido no culto. O Princípio Regulador estabelecia que o que não for diretamente ensinado nas Escrituras ou necessariamente inferido de seu ensino, é proibido no culto, ou melhor, só é permitido no culto aquilo que tiver real fundamentação bíblica, que é expressamente ordenado nas Escrituras ou dela depreendido (Dt 4.1,2; 12.32 (texto áureo); Mc7.6-13; Cl 2,16-23).

O objetivo do Princípio Regulador é livrar o culto cristão de todo tipo de superstições populares. Os puritanos dirigiam suas principais objeções à permanência, na liturgia eclesiástica, do ritual e das vestes sacerdotais católicas. Eles não encontravam base bíblica para a guarda de dias santos, absolvição clerical, o sinal da cruz, a presença de padrinhos no batismo, o uso de sobrepeliz e o ajoelhar-se na hora de receber a ceia.

Hoje em dia parece que o Princípio Normativo desenvolveu-se numa espécie de Princípio Intuitivo, em que as igrejas em função de seu equivocado conceito de liberdade, praticam aquilo que intuitivamente vier à mente do dirigente do culto na hora do serviço. Gesticulações mágicas, venda de bugigangas plastificadas, rituais de purificação, sacralização de móveis e utensílios etc.

Moisés escreveu o livro de Levítico para responder exatamente a essa indagação. O povo foi livre de um cativeiro que durara mais de 450 anos no Egito. Eles viram a forma maravilhosa e miraculosa como Deus realizara a sua salvação no êxodo. Mas até então, todas as formas de culto que conheciam tinham sido aprendidas no Egito e estavam contaminadas com os ritos idólatras deles.

Os ensinamentos de Levítico regulam a forma do culto de Israel no Antigo Testamento de forma a que o povo adore a Deus como ele mesmo deseja ser adorado. O tema central de Levítico é que só podemos manter comunhão com Deus mediante a santificação. A base da comunhão estava estabelecida nos sacrifícios instituídos pelo próprio Deus (todos apontando para o Cristo que viria), não inventados criativamente por Moisés.

Nas ofertas sacrificiais, o povo encontrava a absolvição dos pecados (cap. 1-7). No sacerdócio o povo tinha a mediação da adoração (cap. 8-10). O povo deveria viver em constante purificação diante de Deus (cap. 11-16). O altar simbolizava a reconciliação com Deus (cap. 17). Os capítulos 18-27 mostram que o meio de se andar com Deus e manter comunhão com ele é mediante uma vida de obediência e santidade.

A grande confusão na qual vivemos hoje em dia é que queremos fazer Deus aparecer, manifestar-se; a fim de abalizar nossas práticas cúlticas e de trabalho como verdadeiras. Assim nossos cultos vão se transformando em shows de Deus, shows da fé e shows de nós mesmos para nós mesmos. Por outro lado, o Senhor avisa que vai aparecer. Por isso o povo deve se preparar, cumprindo suas ordenanças para que quando a sua manifestação acontecer, ele aprove a obediência, e não o espetáculo (Lv 9.4). A manutenção do culto deve ser simples e funcional, a fim de que este seja centralizado em Deus e não nas ofertas e nem nos adoradores. Saul foi rejeitado por desobedecer a esse preceito (I Sm 15). Os filhos de Arão pela mesma razão ofereceram um culto personalizado a Deus, sendo interpretado como um fogo estranho em sua presença. Eles foram mortos por Deus na presença de todo o povo por sua irreverência! (Lv 10).

Purificação, consagração e dedicação obediente são os preceitos que devem nortear a organização e a realização de qualquer culto que for oferecido a Deus. Não existe um caminho de atalho. Obedecer aos mandamentos de Deus é o maior privilégio de nossas vidas. Poder entrar em sua presença; poder permanecer em sua presença, comungar com ele e agradecer tudo que fez, faz e fará por nós em Cristo. Nada mais é preciso. Isso é tudo que ele deseja.

Com amor, Rev. Hélio de O. Silva
Boletim da PIPG Ano XX, nº 03 – 18/01/2009.

As Confissões de Fe Reformadas (10/2002)

(Figura: Sínodo de Dort)

AS CONFISSÕES DE FÉ REFORMADAS
Rev. Hélio de Oliveira Silva, STM (1).

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Introdução: Conhecendo os Termos.

O termo “confissão de fé”, em seu uso mais comum, “designa as declarações formais da fé cristã escritas pelos protestantes desde os primeiros dias da Reforma”(2), assim como o termo “credo” é comumente relacionado às declarações de fé da Igreja Primitiva (Ex.: Credo de Nicéia etc). As principais distinções entre ambos têm a ver com o tamanho (as confissões são bem maiores) e sua época de composição (Reforma e Período Patrístico)(3).
Associados às confissões de fé ainda existem os “catecismos”, elaborados na forma de perguntas e respostas, que via de regra, têm o mesmo propósito das confissões.
Ainda há o uso do termo técnico “símbolo de fé”, que abarca de forma geral qualquer declaração formal de fé (credo, confissão ou catecismo), “que distingue a comunidade que a professa daqueles que não a professam”(4).
O termo “Cânones” é aplicado às “decisões oficiais de concílios que estabelecem a posição da Igreja ou de um de seus ramos, movimentos ou denominações, quanto a doutrinas específicas”(5) (Ex. Cânones de Dort).

I. A Reforma e as Confissões:

As publicações de Lutero, Zuínglio e Calvino, e outros reformadores, trouxeram à tona questões teológicas sérias e que careciam de definições mais simples e claras para que o povo pudesse compreender e acatar. As confissões escritas por eles e seus colaboradores tinham por objetivo atingir o povo comum, mais do que as lideranças intelectuais e políticas da época.
Além disso, os reformadores precisavam mostrar coerentemente e convincentemente o que seria colocado no lugar das doutrinas católicas que combatiam. Eles propunham:
 A autoridade das Escrituras em contraste com a tradição católica aceita.
 Sacerdócio dos crentes e o testemunho interno do Espírito em contraste com as declarações do infalível magisterium de Roma.
 Uma nova visão do relacionamento entre Igreja/Estado em função da influência católica sobre os reinos existentes no século XVI.
 Uma nova interpretação da história para impulsionar e apoiar a Reforma.
 A restauração da pureza da Igreja neotestamentária quanto à fé e ética cristãs.
Assim sendo, Mark Noll nos lembra que para cada ataque contra uma
crença estabelecida ou prática tradicional, era exigido dos reformadores “uma base lógica, uma declaração concisa das razões para a mudança”(6).
Por outro lado, argumenta Noll, não eram apenas os reformadores se levantavam contra a Igreja católica no século XVI. Toda uma geração de pensadores, filósofos, governantes e artistas plásticos vinham fazendo o mesmo noutras áreas que não na teologia, tornando necessárias a composição de novas declarações de fé cristãs; “não para meramente reorientar a vida cristã, mas também para reposicionar o próprio cristianismo dentro das forças da Europa moderna que nascia”(7) com a Renascença.
Noll Enumera pelos três funções das Confissões de Fé para os protestantes(8):
Eram declarações autorizadas da fé cristã que entesouravam as novas idéias dos reformadores, sem abandonar formas que também pudessem fornecer instrução regular para os fiéis mais humildes.
Erguer um estandarte em redor do qual uma comunidade local podia cerrar fileiras, tornando claras as diferenças com os oponentes.
Tornar possível uma reunificação da fé e da prática, visando a unidade e, ao mesmo tempo, estabelecer uma norma para disciplinar os desregrados. Paulo Anglada afirma que essa prática propicia um compromisso moral com o sistema de fé proposto na confissão.

II. As Confissões dos Protestantes:

As confissões de fé surgiram cedo na reforma protestante. Zuínglio, por exemplo, somente na primeira década da reforma de Zurique supervisionou a composição de não menos que quatro documentos confessionais.
 Os 67 Artigos, para levar o seu cantão suíço a romper com Roma (1523).
As 10 Teses de Berna, para consolidar a Reforma nessa cidade (1528).
A Confissão de Fé diante de Carlos V, para informar o imperador sobre as convicções protestantes (1530).
 A Exposição da Fé diante de Francisco I, rei da França, para convence-lo a adotar atitudes mais igualitárias diante dos protestantes (1531).
Lutero, ao mesmo tempo publicara o Catecismo Menor (1529) ao perceber a ignorância que havia na Saxônia com respeito aos rudimentos da Reforma e da própria Bíblia. Em 1530, Philip Melanchton escreveu a Confissão de Augsburgo, que se tornou o padrão da fé luterana.
Além disso, quando os magistrados ou o povo comum aceitavam a Reforma, eram convocados a escrever uma declaração definitiva da fé(9) . Foi assim em Basiléia, Genebra e Zurique, na França, Alemanha, Escandinávia, escócia, Holanda, Boêmia, Polônia e Inglaterra. Os próprios cânones do Concílio de Trento (1545-1563) demonstram que o catolicismo recapitulou a sua fé numa declaração breve e autorizada.
Segundo Noll foi a diversidade política do protestantismo em sua formação que impediu a formulação de uma única confissão(10) , contudo na segunda geração da Reforma já houve uma grande consolidação. Os luteranos atribuíram autoridade ao Livro da Concórdia (1580), que determinava seus símbolos de fé:
Os Credos: dos Apóstolos; de Nicéia e de Atanásio.
Os Artigos de Smalcald (1537).
A Fórmula da Concórdia (1577).
Os Catecismos Menor e Maior de Lutero (1527).
A Confissão de Augsburgo (1530).

Entre os reformados foram aceitos:
A Segunda Confissão Helvética, escrita por Bullinger para uso pessoal (Zurique - 1566).
O Catecismo de Heidelberg (Alemanha - 1563).
Os 39 Artigos (Inglaterra – 1563).
A Confissão e os Catecismos de Westminster (1640).
As confissões de fé nunca deixaram de ser escritas, especialmente nos
EUA, porém os documentos mais antigos atingiram uma posição de predominância, mantida até hoje. Noll menciona três documentos mais modernos que merecem atenção:
A Chamada à União, da Conferência de Fé e Ordem, de Lausanne (1927).
A Declaração de Barmen, composta pela Igreja Confessante alemã, diante do crescimento do Nazismo (1934).
O Pacto de Lausanne, sobre questões teológicas e sociais (1974).

III. O Lugar das Confissões nas Igrejas.

As confissões de fé refletem a etapa de desenvolvimento do grupo para o qual foram escritas.
O Catecismo Menor de Lutero (1529) tinha em vista a simplicidade da fé, pois foi publicado para uso familiar. A Confissão de Augsburgo (1530) foi preparada para ser apresentada ao imperador Carlos V. A Fórmula da Concórdia (1577), foi escrita para apaziguar uma longa série de controvérsias dentro do luteranismo.

Refletem as questões teológicas envolvidas na sua formação.
O Catecismo de Heidelberg foi escrito com propósitos pastorais e didáticos. Os Cânones de Dort são uma resposta a um conjunto de questões teológicas limitadas.

Refletem o apoio de uma comunidade inteira ou o clamor de uma minoria pressionada.
A Confissão de Westminster foi composta com o apoio do Parlamento inglês, com o tempo necessário para a sua composição, tornando-se uma “declaração abrangente e equilibrada”(11). Os Artigos de Schleitheim (1527) foram escritos por Michael Sattler debaixo de muita pressão, sendo executado três meses depois da apresentação dos mesmos.

Refletem as atitudes com respeito da autoridade ou da Igreja.
Cada denominação tem apresentado posturas internas variadas diante das confissões de fé.
No passado, as denominações de maior concentração (episcopais ou presbiterianos) tendiam a dar mais valor às confissões do que as de menor concentração (congregacionais). Agora, porém, alguns grupos historicamente confessionais estão menos apegados a declarações de fé, em comparação com igrejas e organizações independentes(12).

Havia na época da Reforma dos tipos de Confissão de Fé: as que enfatizavam o drama da redenção, destacando a pessoa de Deus e Sua bondade misericordiosa para com os pecadores e as que enfatizavam a verdade da fé, que sempre eram iniciadas com a definição da revelação nas Escrituras, para somente então passar às atividades de Deus.
No primeiro grupo figuram: Confissão de Augsburgo, Catecismo Menor de Lutero, 67 Artigos de Zuínglio, 10 Teses de Berna de Zuínglio, Catecismo de Heidelberg, Confissão Escocesa (1560), 39 Artigos.
No segundo grupo encontramos: 1ª Confissão Helvética (1536), 2ª Confissão Helvética, Confissão Francesa de Calvino (1559), Confissão Belga (1561), Artigos Irlandeses de James Ussher (1615) e a Confissão de Fé de Westminster.
Muitos desses documentos eram sustentados juntos nas igrejas. A igreja holandesa, por exemplo, fazia uso tanto do Catecismo de Heidelberg, quanto da Confissão Belga. “Mas, por terem sido estruturadas segundo linhas diferentes, estes documentos testemunharam o modo pelo qual a visão teológica formula a ênfase confessional”(13).

IV. O Valor das Confissões de Fé.

Mark Noll afirma de forma muito precisa que as confissões de fé têm servido aos protestantes “como pontes entre a revelação bíblica e culturas específicas”(14) . Elas responderam a necessidades específicas e concretas de sua época. Algumas perderam influência rapidamente, outras, no entanto, devido à sua sensatez e equilíbrio vem permanecendo como fonte de inspiração e alimento para a fé.
A autoridade das confissões de fé é relativa e limitada, submetendo-se à autoridade das Escrituras, visto que somente a Bíblia pode figurar como única regra de fé e prática para os cristãos. Cremos, contudo, que por essa razão não se deve desprezar seu papel histórico e doutrinário para as igrejas. Muitos que têm desprezado as confissões têm enveredado por caminhos que envergonham o Evangelho de Cristo e vão se desarticulando como grupos cristãos confiáveis.
Os grupos que mantêm fidelidade às confissões de fé apresentam comumente duas razões para isso(15):
Os documentos confessionais estimulam a clareza da crença e a franqueza no debate teológico, enquanto que os padrões não escritos são suscetíveis de manipulação dos detentores do poder denominacional.
Existem muitos textos nas Escrituras que se utilizam resumos formais da fé como auxílios à fé e à prática.
O que pregamos – I Co 1.21.
A verdade – II Ts 2.13.
O Evangelho – I Co 15.1-8.
A Palavra – Gl 6.6.
A doutrina de Cristo – II Jo 9,10.
A palavra certa – Tt 1.9.
O padrão de doutrina – Rm 6.17.
As tradições – I Co 11.2 e II ts 3.6.
Aquilo que confessamos – I Tm 3.16.
“Os confessionalistas protestantes reconhecem a obra do Espírito Santo no desdobramento da doutrina no decurso da história e na composição de confissões, mas consideram que tal obra é sempre uma iluminação ou uma extensão dos padrões absolutos da Escritura”(16), em contraste com o Catolicismo que supervaloriza suas promulgações doutrinárias, dando-lhes peso igual ao das Escrituras através do Magisterium.
Resumindo, o valor permanente das confissões de fé, está em sua funcionalidade como:
Introduções valiosas à fé cristã.
Resumos úteis das Escrituras.
Diretrizes fidedignas para a vida cristã.
Defender a Igreja das heresias.

V. Documentos Confessionais Reformados:

1537 = Catecismo e Confissão de Fé de Genebra.
1557 = Confissão de Fé da Guanabara.
1559 = Confissão Galicana.
1560 = Confissão Escocesa.
1561 = Confissão Belga.
1563 = Catecismo de Heidelberg.
1566 = 2ª Confissão Helvética.
1571 = 39 Artigos da Igreja Anglicana (1562 – 42 Artigos).
1619 = Cânones de Dort.
1647 = Confissão de Fé + Catecismos de Westminster (Maior e Breve).

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Notas:
(1)O autor é Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano Brasil Central (SPBC-1990). Mestre em Teologia Histórica pelo Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper (CPGAJ-2004). Pastor auxiliar da 1ª Igreja Presbiteriana de Goiânia desde 2002. É professor no SPBC desde 1999, onde leciona, dentre outras matérias, História do Pensamento Cristão.
(2)Mark A. Noll, “Confissões de Fé”, em Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã (EHTIC) vol. I, p. 336.
(3)Paulo Anglada, Sola Scriptura, A Doutrina Reformada das Escrituras, Puritanos, p.17.
(4)Mark A. Noll, “Confissões de Fé”, em EHTIC vol. I, p.336.
(5)Paulo Anglada, Sola Scriptura, p.18.
(6)Mark A. Noll, “Confissões de Fé”, EHTIC vol. I, p. 336.
(7)Ibid.,
(8)Ibid., p.337.
(9)Isso foi o que aconteceu, por exemplo, na ilha de Villegaignon, na Baía da Guanabara em 1557, quando foi composta a Confissão de Fé da Guanabara, no Brasil.
(10)Mark A. Noll, “Confissões de Fé”, EHTIC vol. I, p.337.
(11)Mark A. Noll, “Confissões de Fé”, EHTIC vol. I, p.339.
(12)Ibid., p.339.
(13)Mark A. Noll, “Confissões de Fé”, EHTIC vol. I, p.339.
(14)Ibid.
(14)Ibid., p.340.
(15)Mark A. Noll, “Confissões de Fé”, EHTIC vol. I, p.339.
(16)Paulo Anglada, Sola Scriptura, p.20.

Ulrico Zuínglio - Sinopse Histórica (08/11/2006)


Literatura Reformada
Rev. Hélio de Oliveira Silva, STM.
ULRICO ZUÍNGLIO: SINÓPSE HISTÓRICA(1)

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1º/01/1484 – Zuínglio(2) nasceu na vila de Toggenburg, em Wildaus, no cantão suíço de St. Gall, no alto dos Alpes. Membro de uma família de classe média alta; seu pai era fazendeiro e juiz da cidade(3) . Concluiu seus estudos escolares em Basel e Berna, estudando também na Universidade de Viena(4) . Transferiu-se para Viena em 1502.

1504 – Forma-se Bacharel em Artes pela Universidade de Basiléia.

1506 – Conclui o mestrado na Universidade de Basiléia e torna-se pároco em Glarus.

1515 – Testemunha a derrota dos suíços na Batalha dos Gigantes em Marignano. Escreve uma sátira da guerra de mercenários(5) , O Labirinto, conclamando ao amor e fraternidade cristãos e ao fim da violência. Conhece Erasmo de Rotherdã, o humanista holandês.

1516 - Divergindo das inclinações francesas de Glarus, muda-se para Einsiedeln (um centro de peregrinação católica); tem um caso com a filha do barbeiro local. Nesse ano e no seguinte, lê a tradução do Novo Testamento feita por Erasmo (Novum Instrumentum) publicada em 1515; a partir de então, tornou-se um expositor bíblico. Ele escreveu:
Dirigido pela palavra e pelo Espírito de Deus, vi a necessidade de deixar de lado todos esses [ensinamentos humanos] e aprender a doutrina de Deus diretamente de sua própria Palavra.(6)

1518 – É nomeado “sacerdote do povo” da Catedral de Zurique(7). Sobre o portal dessa igreja pode-se ler a seguinte frase: “A reforma de Ulrich Zuínglio começou aqui, em 1º de janeiro de 1519”(8).

1519 – Começa a pregar uma série de sermões sobre o Novo Testamento (na ordem; Mateus, Atos, Timóteo, Gálatas, 1 e 2 Pedro até terminar todo o Novo Testamento em 1525), assinalando uma nova era da pregação bíblica. Ministra às vítimas da peste bubônica em Zurique, ficando ele mesmo enfermo por três meses. A peste, associada a idéias luteranas, levaram-no a uma experiência de conversão. Leva Zurique a retirar-se da aliança com a França católica. Os mercenários de Zurique são proibidos de se venderem à França. Sua primeira bandeira reformada foi a declaração de que os dízimos pagos a Roma pelos fiéis não eram obrigações divinas, mas uma questão de voluntariedade(9).

1522 – Vai a uma festa do impressor Chritopher Froschauer em que as normas da quaresma são violadas; escreve A Liberdade de Escolha dos Alimentos, opondo-se ao jejum da Quaresma. Casa-se secretamente com a viúva Ana Reinhart. Assina um memorial com dez outros sacerdotes pedindo que o bispo de Constança sancione casamentos clericais. Princípio; Tudo deve ser julgado pelas Escrituras. Forma um círculo de jovens religiosos e humanistas – Grebel, Mantz, Reublin, Brotli, Stumpf. Escreve Apologeticus Archeteles (“minha primeira e última defesa”), seu testemunho de fé. Renuncia ao cargo de “sacerdote do povo”, sendo contratado pelo Conselho Municipal como pastor evangélico no mesmo posto. O termo “reformado” aparece com Zuínglio, e posteriormente com Calvino. Início dos conflitos com os anabatistas, liderados por Grebel.

1523 – Sob os auspícios do Conselho de Zurique, convida a Europa cristã para um debate público (a Primeira Disputa de Zurique) de 67 teses (os Sessenta e Sete Artigos), em 29/01/1523; onde propõe:
 A supremacia de Cristo na Igreja.
 Salvação somente pela graça.
 Autoridade das Escrituras.
 Sacerdócio dos fiéis.
 O direito dos sacerdotes ao casamento.
 Ataque ao primado do Papa e à missa.
É autorizado pelo Conselho Municipal a continuar pregando o Evangelho. Zurique tornou-se o primeiro estado protestante por iniciativa magisterial (magistrados civis da cidade).
Após o debate:
 As taxas de batismo e sepultamento foram abolidas.
 Monges e freiras receberam permissão para se casarem.
 O uso de imagens e relíquias foi proibido.
Escreve Da Justiça Divina e Humana para defender a recusa do Conselho em modificar a legislação sobre o dízimo. Realiza um segundo debate público sobre as imagens e a missa. Recomenda que o Conselho autorize a remoção das imagens. O movimento difunde-se na Suíça de fala alemã e no sul da Alemanha.

1524 – Casa-se publicamente com a sua esposa.

1525 – Disputa pública sobre o batismo infantil traça a linha de batalha para ex-seguidores como Grebel. Zuínglio escreve dois panfletos contra os anabatistas: Sobre o Batismo e Sobre o Ofício da Pregação. Institui a Ceia do Senhor na Páscoa, depois que o Conselho ordena a suspensão das missas. Também escreveu nesse ano Da Religião Verdadeira e Falsa; considerada por alguns como “a primeira obra dogmática (teologia sistemática) reformada”(10) . A reforma zuingliana se completa com a supressão definitiva da missa em Zurique. Acontece o rompimento definitivo com os anabatistas radicais.

1526 – Em março, convence o Conselho a promulgar um edito autorizando a execução de anabatistas. Após a assembléia suíço-católica em Baden, decide que a unidade suíça deve ser mantida mesmo com o uso da força.

1527 – É formado o primeiro sínodo de igrejas evangélicas suíças. Felix Manz é executado por afogamento por causa de suas convicções anabatistas.

1528 – Aceita o convite de Baden para um debate público, que resulta na eliminação da missa, das imagens e dos altares naquela cidade. Berna aceita princípios zuinglianos de reforma.

1529 – Acompanha as tropas suíças de Zurique na Primeira Guerra de Kappel. Em outubro, encontra-se com Lutero em Marburg para quatro dias de discussões convocadas pelo landgrave Filipe de Hesse. O desacordo entre Lutero e Zuínglio quanto a presença de Cristo nos elementos da ceia ocasionou a ruptura entre os dois movimentos de reforma alemã. Ecolampádio, amigo íntimo de Zuínglio, inicia a reforma de Basiléia
1530 – Escreve Explicação da Religião de Zuínglio.

1531 – Escreve Da Providência de Deus e Exposição Breve e Clara da Fé Cristã. Buscando o apoio dos franceses para a reforma, permite a contratação de mercenários suíços. Evergando sua armadura, une-se às tropas no dia 11 de outubro e é morto em combate. É sucedido por Henrique Bullinger (1504-1575).

Conclusão:
O que podemos aprender com Zuínglio?
 Um aluno brilhante, com talento especial para a música.
 Profunda erudição e dedicação no trabalho pastoral. Isso lhe deu posição de destaque na Suíça de fala alemã. Bullinger diz em sua biografia que ele havia decorado todas as epístolas de Paulo em grego e que as havia copiado palavra por palavra(11).
 Exposição sistemática das Escrituras nos cultos públicos.
 Segundo Gerald Giving(12), sua principal característica era “firmeza de vontade”.
Cairns resume o caráter de Zuínglio como “erudito, democrático e sincero”(13).

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Notas:
(1)A maior parte desse material é colhido da apostila do curso de mestrado de História da Igreja, em seu módulo: “Reformas do Século XVI”, ministrado pelo Rev. Alderi S. Matos, em novembro de 1999 no CPPGAJ, S. Paulo. Material não publicado, p. 7-8.
(2)Ele era apenas sete semanas mais jovem que Lutero (Gerald R. Giving, Grandes Líderes da Reforma, p.10).
(3)Earlie Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, p.244.
(4)Gerald R. Giving, Grandes Lideres da Reforma, p.10.
(5)Os principais contratantes dos serviços mercenários dos suíços eram o Papa, o imperador Carlos V e o rei da França (Timothy George, Teologia dos Reformadores, p.111).
(6)Citado por Timothy George, Ibid., p.113.
(7)Zurique contava por essa época com 7.000 habitantes. 2.000 morreram de peste em 1519 (ibid, p.114).
(8)Ibid.
(9)Earlie Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, p.245.
(10)Roger Olson, História da Teologia Cristã, Vida, p.410.
(11)Timothy George, Teologia dos Reformadores, p.113.
(12)Gerald R. Giving, Grandes Lideres da Reforma, p.10.
(13)Earlie Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, p.246.

John Piper & Sovereign Grace Ministries - A Canção do Evangelho



A boa nova do Evangelho é conhecer a Cristo Ele é o único mediador entre Deus e nós; não há outro (I Tm 2.5). Ele é o único caminho para vivermos a eternidade com Deus, não há outro (Jo 14.6); Ele é a única porta de entrada no reino de Deus, não há outra (Jo 10.9-11).
Crê no Senhor Jesus e será salvo, tu e tua casa (At 16.31).
Receba e confesse a Cristo como o seu salvador e Senhor (Rm 10.9,10; Jo 1.12).

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Aula 02 = Criação ou Evolução?


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem É O Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 02 = Criação ou Evolução? 20/02/2011.
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Gênesis é antes de tudo um relato histórico.
A primeira afirmação do Credo Apostólico é: “Creio em Deus Pai Todo-poderoso, criador dos céus e da terra”. O conceito evolucionista da vida é relativamente recente em comparação à doutrina da criação (meados do século XIX - 1859).
Em Adão a humanidade rejeitou a Deus como o seu mantenedor, mas o modernismo iluminista (com sua ênfase na razão) rejeitou a Deus como criador. Condicionar a teologia e a revelação bíblica aos paradigmas da ciência moderna tem resultado no sacrifício da teologia, da revelação e da própria mensagem da igreja frente aos ditames das teorias cientificistas. A ciência não é imparcial e nem está livre de ideologias, mas em muitos casos se rege por elas.
Para a igreja o relato da criação em Gênesis é histórico e coerente com a verdade da revelação divina. Para nós a narrativa de Gênesis não é nem mito e nem saga, mas verdade histórica. O objetivo de Moisés é relatar ao povo de Israel, recém saído do Egito quais são suas verdadeiras origens e qual é a terra que Deus criou para eles herdarem.

Antes de tudo, Deus...
Há quatro teorias principais:
(1) Evolucionismo. Crê numa evolução espontânea das espécies e nega a doutrina da criação. A teoria é explicitamente contrária aos relatos bíblicos e não tem sua base de sustentação inteiramente em fatos, mas em especulação teórica.
(2) Criacionismo Direto (Fiat). Entende as narrativas bíblicas como literais e históricas. Rejeita o uniformitarismo (“o presente é a chave para o passado”) e tem na antigüidade da terra sua principal objeção.
(3) Criacionismo progressivo. Os dias da criação são literais, mas seguidos por longos intervalos entre um dia e outro, reconhecendo certos desenvolvimentos evolutivos dentro de cada espécie principal
(4) Evolucionismo Teísta. Aceita a teoria da evolução como explicação de como Deus operou a criação. No caso do homem, um antropóide teria sido separado e elevado a um novo nível de percepção e relacionamento com Deus. Entende o relato bíblico da criação do homem como alegoria poética. Sua maior dificuldade é harmonizar-se com as doutrinas bíblicas da imagem de Deus no homem; do pecado original e da relação histórica Adão-Cristo (Rm 5.12-21).
Na Bíblia não se tenta provar a existência de Deus, ela diz simplesmente que já estava lá desde o princípio (Gn 1.1). Aceitar a Deus como criador é uma questão de fé (Hb 11.3), não porque não haja evidências disso, mas porque para o incrédulo nenhuma evidência será suficiente.
Todas as coisas têm uma origem e elas certamente não surgiram espontaneamente do nada, porque é ilógico e incoerente algo surgiu daquilo que não é nada. Logo, foi necessária uma causa não causada. Por isso, por mais que neguemos, precisamos acreditar que algo existia antes que as outras coisas aparecessem. A Bíblia nos diz que esse “algo” é Deus.
Pela Bíblia o mundo não foi criado pelo nada, mas ele foi criado do nada (ex nihilo) por Deus. Deus criou o mundo do nada pela sua palavra criadora (fiat). Pela sua palavra “o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (Hb 11.3). Se Deus não existisse então a vida seria irrelevante e sem propósito.

O Evolucionismo na perspectiva bíblica.
O evolucionismo surgiu no século XIX como fruto do iluminismo, sendo popularizado por Charles Darwin na publicação de sua obra A Origem das Espécies em 1859. Essa teoria entende o mundo como estando em constante transformação, melhoramento e adaptação. Toda a vida teria surgido de uma única célula viva, que veio de alguma reação química ao acaso num processo contínuo e aleatório por milhões de anos até ser o que é hoje.
O principal motivo para o cristianismo rejeitar a teoria da evolução nem é a fé criacionista, mas a sua irracionalidade acrescida de suas incoerências internas. Uma delas é sua incapacidade de provar que a matéria é eterna (materialismo) e assim mostrar de qual ponto iniciou-se a evolução. O que se observa na verdade é a presença de um design inteligente por trás de todas as coisas, demonstrando uma mente única e inteligente organizando todas as coisas do universo.
Algumas particularidades tornam a teoria evolucionista ainda mais inaceitável. Perguntas como: (1) Como algo morto pode dar origem à vida? (2) Como o simples pode se transformar em algo mais complexo? (3) Como uma explosão como a teoria do big bang preconiza pode dar origem a um universo tão sincronizado? (4) Como superar a lei da termodinâmica que diz que as coisas tendem a se extinguir e não a evoluir? Por exemplo: Uma chama acesa queima até se apagar e não cresce mais e mais se tornando plena. Tudo no mundo precisa de um mantenedor, senão não atinge o seu ponto mais alto, algo que é mais coerente com a doutrina bíblica da providência de Deus como criador e sustentador da vida do que com a teoria evolucionista.

Dias ou eras?
Qual a idade da terra? Quanto tempo Deus levou para criar o universo? James Ussher (1581-1656) tentou provar que a terra foi criada em 4004 aC simplesmente somando as genealogias bíblicas. As lacunas nas genealogias e forma livre como Mateus (Mt 1.1-17) se refere aos ancestrais de Cristo chamando de pai ao que na verdade seria bisavô não nos permite aceitar essa soma simples como um dado absoluto. Por outro lado, os próprios cientistas evolucionistas que absolutizavam o método do Carbono 14 para a datação de objetos antigos hoje o vêem com reservas e descrença. O fato é que o evolucionismo suscita mais dificuldades que soluções na explicação da origem humana na terra.
As tentativas de harmonizar a doutrina da criação com as afirmações científicas também não se mostram adequadas. Na Bíblia, as narrativas da criação contidas em Gênesis sempre foram tratadas como histórica não mera poesia. Jesus fala de Adão e Eva como personagens históricas (Mt 19.3-5). Abraão, Isaque e Jacó sempre são apontados como pessoas que viveram na história secular e nunca como mitos religiosos sobre a origem de Israel (Lc 13.28).
Existem 3 teorias cristãs apontando para um período maior que 7 dias para a criação: (1) Baseado em II Pedro 3.8 afirma-se que como para Deus um dia é como mil anos, os dias da criação certamente significam mais que um dia de 24 horas. (2) Outros acreditam que os dias da criação são de 24 horas seguidos por longos intervalos entre um e outro (Criacionismo progressista). (3) Outros separam o relato de Gênesis 1.1 e 2 do resto da narrativa da criação pressupondo um longo período de tempo havendo nesse ínterim, inclusive, uma pré-criação, e que a terra se tornara sem forma e vazia devido à queda dos anjos! (teoria pré-adâmica).
Não podemos afirmam que não sejam possíveis, mas, consistem muito mais de especulações do que conclusões retiradas do relato bíblico. A interpretação simples da narrativa bíblica é entender cada dia como tendo 24 horas. Um dado que corrobora para isso é como podemos entender uma tarde e uma manhã que possam ter durado milhões de anos?!
Outra explicação plausível para a idade da terra é que Deus a tenha criado com a sua aparência atual, pois ele criou Adão já adulto e não como uma criança imatura. Embora sua aparência fosse de um adulto, ele tinha alguns segundos ou minutos ou dias de criação.

Por que o homem foi criado?
Deus criou o homem para a sua própria glória (Is 43.7; Ef 1.11,12). Por isso tudo o que fazemos deve ser feito para a glória de Deus (I Co 10.31). Assim sendo devemos glorificá-lo e nos alegrarmos nele para sempre (Breve Catecismo, pergunta nº 1).

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Bibliografia:
(1) Leandro Lima; Razão da Esperança – Teologia Para Hoje, ECC, p. 147-155.
(2) Louis Berkhof; Teologia Sistemática, ECC, p. 174-178.
(3) Bruce Milne; Estudando as Doutrinas da Bíblia, ABU, p. 94-98.
(4) P.P.T.Pun; “Evolução”; Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, vol. 2, Vida Nova, p. 124-130.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Meu Dízimo "Mixuruca! (26/10/2004)


Meu Dízimo “Mixuruca”.

Deus me converteu em 1981, aos 13anos de idade, quando meu pai me deu de presente de aniversário a sua própria Bíblia. Ela ficava guardada dentro de uma caixinha e tinha as beiras douradas com as letras bem miúdas. Apesar de tê-la lido mais de dez vezes ainda a guardo com carinho. Já li a Bíblia toda umas 20 vezes.

Freqüentei a igreja por alguns meses acreditando, como alguns ainda fazem, que tornar-se membro da igreja era uma responsabilidade muito grande, com a qual eu não queria ainda me comprometer. Mas mesmo assim gostava muito das aulas de escola dominical. Meu pai nos levava na sua Kombi (7 irmãos) à igreja todos os domingos. Minha mãe era católica (continua sendo), não gostava de ir à igreja todos os domingos. Meus três irmãos menores sempre levavam para casa trabalhos manuais e brindes que as professoras da escola dominical preparavam para quem aprendesse tudo direitinho e para fixar a lição do dia.

Um dia assisti surpreso minha mãe entregar uma nota de dez cruzeiros à minha irmã como oferta para a igreja dizendo a seguinte frase: “_Entregue ao pastor, porque todos os domingos meus filhos trazem tarefas e brindes da igreja; e eu sei que isso custa dinheiro.” Naquela hora eu fiquei envergonhado e tomei uma decisão da qual até hoje não me arrependo. “_A partir desse mês serei um dizimista.” Ora o meu salário era o dinheiro que minha mãe me dava para comprar o lanche na escola. Ela nos dava dez centavos por dia, o que somando dava dois cruzeiros por mês. Meu primeiro dízimo foi a quantia “mixuruca” de CR$ 0,20. Esse valor dava para comprar dois pãezinhos do tipo francês. Essa foi a minha primeira decisão séria na vida. O valor um ano e meio depois quando me tornei membro da igreja (1983), não era muito maior. Meu dízimo era realmente um dízimo “mixuruca”, mas de todos os jovens e adolescentes batizados naquela noite, só eu era dizimista!

A igreja onde entregava meu dízimo “mixuruca” era uma igreja grande e financeiramente estável. Muitas vezes eu pensei que ela não precisava de meus vinte centavos. Mas havia uma certeza de que o mandamento era pessoal e que eu tinha que obedecer. Como eu poderia aceitar que o sustento da igreja viesse de fora dela mesma? Como eu poderia acreditar que Deus agiria mais no coração de minha mãe que no meu!? Então decidi obedecer, e aprendi que o que importava não era a quantidade, mas a fidelidade. A benção de Deus não era para quem dava mais em termos de valor financeiro, mas para quem fosse fiel.

Talvez meu dízimo “mixuruca” fosse pouco para muitos, mas nunca foi para Deus, porque Ele sempre se lembrou de cuidar de mim e de minha família. Talvez meu dízimo “mixuruca” não fizesse qualquer diferença no bolo da arrecadação, mas praticá-lo me ensinou a dar meu testemunho cristão.

Hoje meu ganho é muito mais que o valor de dois pãezinhos franceses por dia e participo da administração de uma arrecadação que é muito maior que o meu salário (Mt 25.21,23). Mas o que vale não é o valor financeiro, não é o “status”; o que vale é o princípio: Ser fiel a Deus. Talvez o seu dízimo seja tão “mixuruca” como o meu era, entretanto, você já entregou o seu dízimo esse mês?
Com amor, Pr. Hélio.

Hélio O. Silva = 26/10/2004.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Apocalipse 3.14-22 - E Cearei Com Ele E Ele Comigo (06/12/1998)


Texto: Apocalipse 3.14-22.
Tema: E Cearei Com Ele E Ele Ceará Comigo.

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Introdução:
As cartas do Apocalipse são mensagens endereçadas aos crentes em 1º lugar, somente depois aos incrédulos.
Durante muito tempo, os versos 19 e 20 foram usados evangelisticamente como uma fórmula necessária para a conversão como um abrir a porta do coração para a entrada de Cristo que estava batendo de fora. Muitos de nós aqui dirão um dia que deixarão de lado as ovelhas que não lhe querem ouvir e se dedicará àquelas que são dóceis ou à evangelização de novas ovelhas.

Contexto:
Mas Laodicéia é uma Igreja. Orgulhosa, arrogante; “em-si-mesmada” em seus dons e talentos. Feliz de sua condição social e contente com o status que adquiriu na sociedade onde vive. Se sua porta for um coração, será um coração de uma igreja cheia de cristãos mornos que precisam se arrepender de seu comodismo e voltar a viver intensamente sua fé para com Cristo. Mas, por que Cristo está à porta de uma igreja e não dentro dela? Porque Cristo é o pastor de sua igreja e ele a busca para onde se desviou.
Cristo é aquele que tem na mão as estrelas (os anjos ou pastores) e anda entre os candeeiros (as igrejas) [1.20]. Uma das oportunidades que Ele nos dá para isso acontece todos os meses no Domingo da ceia. Jesus entrará para cear com ele e ele ceará consigo.

Proposição:
O que devo fazer quando Jesus oferece a sua comunhão a mim na Ceia?

I. É PRECISO MEDIR A TEMPERENTURA DE MINHA FÉ v.15,16:

a)Frio ou quente?
Quando você serve numa igreja, logo aprende que quem está frio ou quente pode ser trabalhado. Mas com o morno é muito difícil conseguir alguma coisa.

b)Morno não pode ser.
A mornidão evidencia o comodismo ou a satisfação com aquilo que já se alcançou. O morno é aquele que responde às suas admoestações dizendo: “_ Aqui em casa todo mundo é bom”, não precisam de mudança. A fé de quem está morno morre aos poucos e ele nem percebe. Deus mesmo assumirá uma posição definitiva quanto a isso. Deus não aceita meio compromisso.

II. É PRECISO MEDIR A CONDIÇÃO DE MINHA ESPIRITUALIDADE v.17,18:

a)Não se deixar levar pelo auto-engano arrogante.
Nós podemos fazer uma avaliação enganosa e favorecedora de nós mesmos.

1. Como a Igreja se vê:
 Rica e abastada.
 Não preciso de nada.

2. Como Deus a vê:
 Infeliz, miserável, pobre, cega e nua.
A opinião de Deus sobre a arrogância da Igreja demonstra seu auto-engano. Não apenas crentes individuais que cometem esse pecado; igrejas inteiras podem nutrir de si mesmas uma visão tão míope e enganosa que será difícil ver a graça de Deus nelas!
As cartas do Apocalipse nos revelam o que Cristo pensa da Sua Igreja. A verdadeira espiritualidade não está na piedade que construímos diante dos nossos olhos e dos da Igreja, mas diante dos olhos de Deus, porque toda a nossa vida é vivida na presença de Deus.
No caso de Laodicéia fica evidente que quem se acostuma com o que tem (ou acha que tem), passa a perder o que construiu.

b)A Palavra alimenta a verdadeira Espiritualidade.
1. Ela é conselho do Senhor - “Aconselho-te”. A palavra de Cristo não é aqui impositiva, mas exortativa. A palavra que santifica é recebida como exortação, estímulo e incentivo.
2. Ela vem direto Dele - “De mim compres”.
3. Ela é valiosa - “ouro”. Riqueza.
4. Ela purifica (santifica) - “vestes brancas”.
5. Ela abre os nossos olhos - “colírio”. Abre os nossos olhos para ver as bênçãos de Deus.

III. É PRECISO ACEITAR A DISCIPLINA AMOROSA DE DEUS PELO ARREPENDIMENTO v.19:

a)O amor de Deus se manifesta também na disciplina e na repreensão.
Deus disciplina e corrige a quem ama. É interessante observar em I Co 11.32 – “disciplinados para não sermos julgados com o mundo”. A disciplina do pai mostra o seu cuidado pelo desenvolvimento do caráter correto do filho. A falta de disciplina evidencia a falta de amor verdadeiro.
O alvo da repreensão e da disciplina é o arrependimento, o retorno para o comportamento correto.

b)O arrependimento evidencia nosso zelo.
O zelo confirma a obediência à disciplina e a veracidade da confissão de arrependimento.

IV. É PRECISO OUVIR ATENTAMENTE À VOZ DE CRISTO QUE ME CHAMA À PORTA DA IGREJA v.20.

a)Ele chama à porta da Igreja.
Ilustração: Erlo Stengen orava por um reavivamento entre os zulus, na África do Sul, não entendia porque eles ouviam o evangelho, mas continuavam fazendo as mesmas coisas erradas de sempre. Então, um dia, numa reunião de oração, percebeu ao fechar uma janela, que tinha vergonha de ser visto entre eles por umas pessoas que jogavam tênis numa quadra vizinha; um branco no meio de negros. Ele testemunha ter ouvido uma voz que dizia; “_ Se você fechar a janela, eu fico do lado de fora”. (Reavivamento na África do Sul, Ed. Puritanos)

b)Seu chamado nos conduz a abrir a porta. Obediência.
Eu fico me perguntando diante de meus comentários de apocalipse em casa: Será que a mornidão da igreja de laodicéia faz dela uma incrédula? Será que o anjo da igreja, não é anjo afinal? Ou será que estamos diante de um texto que convida o crente a retornar novamente ao seu primeiro amor, ao primeiro compromisso.

c)A Ceia é Celebração de sua entrada (de Sua presença real).
Por que ceamos?
 Para relembrar o dogma? Sim!
 Para demonstrar nossa obediência a Cristo? Claro que sim; muito mais!
 Para celebrarmos a entrada vitoriosa de nosso redentor em nossas vidas! Isso também! Com toda a segurança da fé!!!
Ceamos hoje porque Cristo habita em nós, em nossos corações, por meio do seu Espírito; e nós todos fomos chamados a entrar em Sua comunhão (I Co 1.9).
Na Ceia celebramos a sua entrada. Anunciamos a morte de Cristo até que Ele venha definitivamente em glória e poder, trazendo consigo os novos céus e a nova terra, como nos prometeu.

Conclusão:

Quem atende ao chamado toma pose da promessa (v. 21,22).
1. A vitória advém da perseverança.

2. Quem vencer poderá assentar-se no seu trono com Ele no Seu trono.
Ele venceu, nós venceremos se permanecermos fiéis.

3. Quem tem ouvidos, para ouvir, OUÇA!!!
É hora de responder ao seu chamado e abrir mais uma vez a porta.
 Aqueles que freqüentam a igreja há muito tempo, mas que não se tornam membros. Cristo está à sua porta te chamando para entrar!
 Aqueles que foram disciplinados e não pedem o retorno à comunhão. Cristo está à sua porta te chamando para entrar!
 Aqueles que foram crentes vibrantes no trabalho, mas agora estão desanimados. Cristo está à sua porta te chamando para entrar!
 Aqueles que nutriam um conceito de espiritualidade crescente, mas agora acreditam que o atual já está bom. Cristo está à sua porta te chamando para entrar!
 Aqueles que querem fazer da ceia, sempre uma celebração viva de sua fé em Cristo. Cristo está à sua porta te chamando para entrar!
 Aqueles que estão chegando agora, Cristo está à sua porta te chamando para entrar, para nutrir consigo desde já uma fé vibrante e uma comunhão profunda e íntima.
Amém!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Eu Acredito Na Escola Dominical (25/11/2000)


Pastoral: Eu Acredito na Escola Dominical.

Eu acredito na Escola Dominical, não como uma peça de museu envelhecida, mas como um instrumento transformador de Deus para a Sua Igreja, para a minha vida e para a minha família. No domingo pela manhã faço força para que estejamos todos lá, sem exceção, sem concessões desnecessárias. A Escola Dominical não é só um programa a mais da Igreja, mas é uma forma de santificar o dia do Senhor inteiramente para Deus. Fazer da feira, da chácara, do passeio, da pescaria a regra, e não a exceção, constitui-se em grave erro e um perigo perigoso para a nossa fé e principalmente da fé de nossos filhos, que prometemos criar no caminho de Deus (Ef 6.1-4).

Eu acredito na Escola Dominical, porque o meu prazer “está na Lei do Senhor”, e quero meditar nela de dia (às 9h.) e de noite (às 19:00h.)[Sl 1.2]. Entender melhor a Bíblia é fonte de prazer para a minha alma. Não é possível acreditar que os crentes amem qualquer outra atividade mais do que essa.

Eu acredito na Escola Dominical, porque nela eu aprendo a crer em Cristo como diz a Escritura. Esse é o caminho para a plenitude espiritual que me capacitará a servir melhor e fará com que as outras pessoas tenham prazer em estar próximas de mim (Jo 7.37,38). a Palavra restaura a alma e a Escola Dominical se torna um caminho de restauração, pois a Palavra é aberta ao entendimento de quem a freqüentar.

Eu acredito na Escola Dominical, porque o estudo da Palavra me ensina a amar, conhecer e obedecer a Deus, e fazer a Sua vontade é o desejo do meu coração (Jo 7.17 e 14.21). Triste é a vida de quem escolhe outro caminho. Certamente ficará para trás, pequeno e inoperante em sua fé, míope no seu amor e instável na sua esperança (I Ts 1.3).

Eu acredito na Escola Dominical, porque absorvendo os seus ensinamentos aprendo a santificar a Cristo no meu coração e assim me preparo melhor para dar resposta a todos aqueles que não entendem a minha fé, podendo apresentar-lhes a Cristo, o Senhor e Salvador do mundo (I Pe 3.15), abrindo-lhes a porta à Sua salvação.
E você, acredita na Escola Dominical? No domingo que vem ela acontecerá de novo, você vai estar lá? Eu e a minha casa estaremos lá, porque somos crentes no Senhor Jesus, e cedo aprendemos o valor da Escola Dominical, tanto para nós, como para nossas filhas.

Com amor, Rev. Hélio O. Silva (25/11/00).

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Aula 01 = A Origem do Homem (13/02/2011)


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem É O Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.

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Aula 01 = A Origem do Homem 13/02/2011.
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A. A doutrina do Homem na Dogmática.
A transição da teologia (teontologia) para a antropologia, isto é, do estudo de Deus para o estudo do homem, é natural. O homem não é somente a coroa da criação, mas também é objeto de um especial cuidado de Deus. E a revelação de Deus na Escritura é uma revelação dada não somente ao homem, mas na qual o homem é de interesse vital. Não é uma revelação de Deus no abstrato, mas uma revelação de Deus em relação às Suas criaturas, e particularmente em relação ao homem. É um registro dos procedimentos de Deus para com a raça humana, e especialmente uma revelação da redenção que Deus preparou para o homem e para a qual Deus procura preparar o homem. Isto explica por que o homem ocupa um lugar de central de importância na escritura, e por que o conhecimento do homem em relação a Deus é essencial para entendê-la adequadamente.
A doutrina do homem deve seguir-se imediatamente à de Deus, dado que o conhecimento dela é pressuposto em todas as partes subseqüentes da dogmática.
Não confundamos a antropologia bíblica com a antropologia geral ou ciência da humanidade, que inclui todas as ciências que têm os homens como o objeto de estudo. Estas ciências ocupam-se da origem e história da humanidade, da estrutura fisiológica e das características psíquicas do homem em geral e das várias raças da humanidade em particular, com o seu desenvolvimento etnológico, lingüístico, cultural e religioso, e assim por diante. A antropologia teológica ocupa-se unicamente do que a Bíblia diz a respeito do homem e da relação em que ele está e deve estar com Deus. Ela só reconhece a Escritura como a sua fonte, e examina os ensinamentos da experiência humana à luz da palavra de Deus.

B. Relato Bíblico da Origem do Homem.
A Escritura nos oferece um duplo relato da criação do homem, um em Gn 1.26, 27, e outro em Gn 2.7, 21-23. As palavras introdutórias da narrativa que começa em Gn 2.4, “Estas são as gerações dos céus e da terra, quando foram criados”, vistas à luz do repetido uso das palavras, “estas são as gerações” (Toledoth) no Livro de Gênesis, indicam o fato de que temos aí algo completamente diverso. A expressão indica invariavelmente, não a origem ou o princípio das pessoas mencionadas, mas a sua história familial. A primeira narrativa contém o relato da criação de todas as coisas na ordem em que ocorreu, enquanto que a segunda agrupa as coisas em sua relação com o homem, sem nada implicar com respeito à ordem cronológica do aparecimento do homem na obra criadora de Deus, e indica claramente que tudo que o precedeu serviu para preparar uma adequada habitação para o homem como o rei da criação. Ela nos mostra como o homem foi colocado na criação, rodeado pelo mundo vegetal e animal, e como ele iniciou a sua história.
Há certas particularidades que fazem a criação do homem sobressair-se em distinção à dos outros seres vivos:

1. A CRIAÇÃO DO HOMEM FOI PRECEDIDA PELO CONSELHO DIVINO.
Antes de registrar a criação do homem, Moisés faz menção ao conselho de Deus, dando-nos a conhecer o decreto divino ao escrever: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”, Gn 1.26. Geralmente a igreja tem interpretado o plural com base na existência trinitária de Deus. Entretanto, alguns eruditos o consideram como plural de majestade; outros, como plural de comunicação, no qual Deus inclui os anjos juntamente com Ele; e ainda outros, como plural de auto-exortação. Destas três sugestões, a primeira é muito improvável, visto que o plural de majestade originou-se em data muito posterior; a segunda é impossível, porque implicaria que os anjos foram co-criadores com Deus, e que o homem foi criado à imagem dos anjos também, o que é uma idéia antibíblica; e a terceira é uma pressuposição inteiramente gratuita, à qual não se pode atribuir nenhuma razão. A razão da forma plural é apresentar-nos o conselho da Trindade em ação na criação do homem.

2. A CRIAÇÃO DO HOMEM FOI UM ATO IMEDIATO DE DEUS.
Algumas das expressões utilizadas na narrativa anterior à da criação do homem, indicam criação mediata (Deus utiliza algum meio). Notem-se as seguintes expressões: “Produza a terra relva, ervas que dêem semente, e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie” (Gn 1.11), “Povoem-se as águas de enxames de seres viventes” (Gn 1.20), “Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie” (Gn 1.24), e comparem-se com a simples declaração: “Criou Deus, pois o homem” (Gn 1.26). Seja qual for a indicação de mediação na obra da criação, contida nas primeiras expressões, falta por completo na última. Evidentemente, a obra de Deus na criação do homem não foi mediata, em nenhum sentido da palavra. Embora seja dito que Deus tenha feito uso de material preexistente na formação do corpo humano (Gn 2.7), isso não acontece quanto à criação de sua alma.

3. EM DISTINÇÃO DAS DEMAIS CRIATURAS O HOMEM FOI CRIADO CONFORME UM TIPO DIVINO.
No que diz respeito aos peixes, às aves e aos animais, lemos que Deus os criou segundo a sua espécie, numa forma típica da deles próprios. O homem, porém, não foi criado assim, e muito menos segundo o tipo de uma criatura inferior. Quanto a ele, disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Veremos o que isto implica quando discutirmos a condição original do homem, e aqui apenas chama-se a atenção para isso com o fim de expor o fato de que, na narrativa da criação, a criação do homem sobressai como uma coisa distintamente característica.

4. A NATUREZA HUMANA FOI CRIADA COMPONDO-SE CLARAMENTE DE DOIS ELEMENTOS DISTINTOS.
Em Gn 2.7 faz-se clara distinção entre a origem do corpo e a da alma. O corpo foi formado do pó da terra; na sua produção Deus fez uso de material preexistente. Na criação da alma, porém, não houve modelagem de materiais preexistentes, mas a produção de uma nova substância. A alma do homem foi uma nova produção de Deus, no sentido estrito da palavra, Jeová “lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”. Com estas simples palavras afirma-se a dupla natureza do homem, e o que elas nos ensinam é corroborado por outras passagens da Escritura, como Ec 12.7; Mt 10.28; Lc 8.55; 2 Co 5.1-8; Fp 1.22-24; Hb 12.9. Os dois elementos são o corpo e o sopro ou espírito de vida nele soprado por Deus, e com a combinação dos dois o homem se tornou “alma vivente”, o que neste contexto significa simplesmente “ser vivo”.

5. O HOMEM É IMEDIATAMENTE COLOCADO NUMA POSIÇÃO EXALTADA.
O homem é descrito como alguém que está no ápice de todas as ordens criadas. Foi coroado como rei da criação inferior (animais; vegetais; minerais) e recebeu domínio sobre todas as criaturas inferiores. Como tal, foi seu dever e privilégio tornar toda natureza e todos os seres criados, que foram colocados sob seu governo, subservientes à sua vontade a o seu propósito, para que ele e todos os seus gloriosos domínios magnificassem o onipotente Criador e Senhor do universo, Gn 1.28; Sl 8.4-9.

Bibliografia: Teologia Sistemática, Louis Bekhof, ECC, p. 172 a 174.

A Fé Frajola (24/04/2008)


Pastoral: A Fé Frajola

Frajola é aquele gato da TV que vive tentando devorar o passarinho Piu-Piu e nunca consegue. O problema do Frajola é que embora ele queira as coisas fáceis demais sempre complica e usa de métodos errados para isso. Assim parece ser a fé de muitos cristãos.
Desejam a benção, mas nunca a alcançam, porque agem mal com Deus (Tg 4.3).
Desejam conhecer a Bíblia toda, sem, contudo aceitar o sacrifício da tarefa de sua leitura diária. Afinal, o livro é muito grosso e tem as letras miúdas demais!
Desejam maior comunhão com Deus, sem, contudo ter de enfrentar a disciplina da oração e da perseverança diante do pecado (Hb 12.4).
Desejam o poder de Deus, sem, contudo, aceitar a máxima bíblica que diz que o poder se aperfeiçoa na fraqueza ( II Co 12.9). A fé Frajola, embora seja frágil, nunca reconhece suas fraquezas diante Deus, assim como o Frajola também não. Por isso sempre tenta apanhar o Piu-Piu, erra e apanha de novo!
Desejam a benção de Deus, mas teimam em não aprender, pelo verdadeiro discipulado, o que significa obedecer e servir ao Deus que abençoa. A fé Frajola quer a benção, mas parece não querer o Deus da Benção. Quer receber o prêmio sem se sacrificar na corrida.
Assim como o Frajola, que às vezes acha que engoliu o Piu-Piu, mas não engoliu, a fé Frajola às vezes acha que recebeu a benção que não recebeu, pois iludiu-se com suas próprias expectativas enganosas e com as aparências passageiras de um breve vento de doutrina.
Por outro lado, para que uma fé não seja Frajola, ela precisa procurar o alimento certo, que é a Palavra de Deus (Sl 119.105; Cl 3.16), e dele se alimentar, pois quem obedece às Escrituras certamente terá muitos encontros reais com Deus e experimentará sua santa, boa e agradável vontade (Rm 12.2); sendo um vencedor.
A fé que não é Frajola, se liberta progressivamente daquela mania de perseguição que leva as pessoas a competirem umas com as outras, porque entende que a benção de Deus também está nos outros, também é e são os outros. Ninguém gosta do Frajola sem o Piu-Piu. Que graça tem o Piu-Piu sem o Frajola?
A fé que não é Frajola tem sua força em Deus; vive para Deus e serve ao próximo por causa de Deus.

Com amor, Pr. Hélio (24/04/2008).

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Quem Vai Ajudar? (Estorieta com dedoches) = 12/10/2003


Quem vai ajudar?

Era uma vez...
Uma Patinha, que estava brincando no quintal de sua casa, quando a mamãe pata a chamou e lhe deu uma tarefa.
Mamãe pata lhe disse para levar as flores para enfeitar a casa das criancinhas.
Enquanto caminhava, encontrou seus amiguinhos pelo caminho e perguntava:
_ Você pode me ajudar? Esta cesta de flores está muito pesada!

A Ursinha gorda respondeu:
_ Será que vai ter bolo lá? Senão eu não vou.
A pata lhe disse: _ Cuidado com as coisas feitas somente por interesse, isso nunca deixará você conhecer a Deus.

O Menino que tinha uma melancia na mão respondeu:
_ Eu tô ocupado agora, não está vendo?
A pata lhe disse: _Cuidado com as coisas que você coloca no lugar de Deus. Elas podem encher o seu coração e te esvaziarem de Deus.

O Gato vaidoso disse:
Desatento, e lambendo seu pelo.
_O que? Quando? Onde? Pra quê? Como é que é?
Ele estava assistindo a si mesmo no espelho.
_ Cuidado com o lambe–lambe da vaidade, ela pode te fazer derreter. Quem busca agradar somente a si mesmo, nunca vai conseguir agradar a Deus.

A Ursinha da colher de pau remendou rapidinho:
Foi correndo e pegou uma colher de pau e seu caderninho de receitas.
_ Sabe o que é, mamãe me pediu pra fazer um bolo.
_ Mas você tem de fazer agora? Perguntou a pata.
_ Não! é mais tarde, mas é que eu não posso ficar cansada, senão me dá uma preguicinha!
_ Cuidado com as desculpas esfarrapadas, Deus não gosta de mentiras.

O jabuti vagaroso apareceu finalmente.
A pata achou que o jabuti seria mais difícil de convencer que os outros.
_ Puxa! Ele é tão lento e vagaroso! Tornará meu trabalho muito mais moroso. Mas mesmo assim pediu a sua ajuda.
_ Se você tiver um pouquinho de paciência, eu te ajudo. Coloque a cesta nas minhas costas, que eu te acompanho.

Então, de quem menos se esperava, a ajuda veio! E as flores enfeitaram a casa das criancinhas por muitos dias.

Tudo quanto te vier ás mãos para fazer faze-o conforme as tuas forças (Eclesiastes 9.10a).

Hélio O. Silva = 12/10/2003

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Cego - (Hélio O. Silva = 30/03/2004)


O cego estendeu a mão, mendigando o pão,
esperando a compreensão,
gritando por compaixão.
A sua mão procurava
a dádiva graciosa da moeda atirada na escuridão.
Mas ele esperou em vão.
Porque a multidão que a tudo via,
não viu o cego perdido na sua escuridão.
E passou esbarrando no amor,
Tropeçando no perdão.

O cego que nada via,
Sentiu as lágrimas frias perdidas na escuridão.
E recolheu a sua mão.
Sujo, de cabelos desgrenhados e manco,
Voltou-se para a fria parede acolhedora
E ali se encolheu, junto ao chão.
Ah tolice de cegueira que nada vê e compreende,
Por que tentar impedir a multidão?
Que sempre vai passar
Esbarrando no amor
E tropeçando no perdão...

Uma voz rasgou o véu da escuridão,
e trouxe como luz na escuridão
o estender de uma outra mão.
Acolhedora e carinhosa,
repleta de manso amor e perdão.
Ao estender a mão
Esperando uma moeda ser lançada na escuridão,
o cego sentiu o calor da outra mão.
Que não passou com a multidão.

A mão estendida na escuridão,
Endireitou-o sobre os pés.
Ouviu-se o barulho da vara caída,
Jogada para o lado.
Deixou-se para trás a capa
E o estigma da multidão.
A mão alcançou o rosto,
Aqueceu o coração,
Pousando nos olhos,
Beijou-os, nada mais.
O cego reencontrou-se com a luz...
A luz (que é Jesus) dissipou a escuridão.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Cordeiro (08/07/1999)


Hélio O. Silva

Levarei o meu cordeiro ao Tabernáculo e o oferecerei em holocausto por mim, pelo pecado que eu tentei esconder de Ti.

Eu o tirarei do aprisco seguro, do lado de sua mãe e o amarrarei com cordas que o prendam a mim. Então caminharemos juntos até o Tabernáculo, onde o oferecerei por mim.

Daqui eu o vejo longe. A coluna de nuvem se levanta no meio do arraial. Deus está aqui e eu devo me achegar até Ele; limpar meu coração...

Enlacei o nó; _ Vamos cordeiro! Dei duas voltas em torno da mão; e olhei para ele, que me fitou obediente, que me obedeceu inocente. Deixou-se conduzir por mim. Mudo, meu cordeiro caminha comigo. Eu o oferecerei por mim lá no Tabernáculo.

O sol da manhã ilumina o nosso caminho, que busca o perdão; não para ele, mas para mim. As pessoas nos vêem; comentam; alguns se enternecem. Há silêncio no seu olhar. Pelas mesmas culpas? Talvez. Outros levantam o olhar para o Tabernáculo. Medindo a distância. Intercedendo? Talvez. A nuvem se avoluma. O sol da manhã ressalta a brancura das cortinas. Já escuto o barulho do pano bater, resistindo ao vento do deserto. Eu caminho e meu cordeiro me acompanha solidário. Eu vou oferecê-lo por mim ao Senhor.

Eis o Tabernáculo. Ao entrar eu vejo o altar. O cheiro de outros cordeiros que queimam ali. Eu não sou o único pecador a pecar. Não sou apenas eu a confessar. A garganta seca, o sacerdote se aproxima. Ele aguarda a minha confissão serenamente. Em silêncio...

Trago meu cordeiro para mais perto de mim. O sacerdote me oferece o cutelo. Então imponho minhas mãos sobre a cabeça do meu cordeiro. A garganta engasga; eu tenho de confessar! Quebranta-se o coração. Pela vergonha ou pela convicção? Talvez pelos dois.

Confessado o pecado; num só golpe, morreu o cordeiro. Sua vida se esvaiu; ele sofreu por mim. Minhas mãos estão manchadas com o seu sangue inocente, o sangue do cordeiro que eu amava e que ofereci por mim. Ele morreu a minha morte! O sacerdote o queimou em holocausto. O cheiro forte da gordura se espalhou juntamente com o da carne queimada. Eu sinto o calor do braseiro. O seu couro foi retirado para secar. O sacerdote derramou o sangue ao redor do altar, depois se dirigiu para o Santo Lugar. Eu o vi lavar as mãos e os pés no lavatório, antes de entrar. Agora é esperar e orar. Outro morreu em meu lugar. Eu vou voltar para casa.
Jesus Cristo é o meu cordeiro, que tirou o meu pecado, que me deixou viver. Eu vou voltar pra casa...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A Mudança no Cenário Missionário Global e Implicações Para a Igreja Brasileira


Depressão (02/01/1990)

“Depressão”


Não fique sozinho para estar sozinho. Não há espelho, e a solidão é maior. O coração ouve seu próprio eco no caminho que faz sua batida. Cada espaço guarda seu silêncio e sua lágrima, porque não há ninguém que a vendo possa enxugá-la, mas ela cai sozinha.
Não fique sozinho para estar sozinho. As perguntas são tão maiores do que parecem. O tempo se faz elástico. A ansiedade mente. Os sentimentos fogem por tantos caminhos, querendo encontrar o que foi perdido. O sol se esconde detrás de uma nuvem de imagens mal formadas e dúvidas sem solução. Não há voz que responda. Tudo é tão escuro. Estar sozinho, um resumo cruel de um caminho mal escolhido.
Não fique sozinho para estar sozinho. Fechar os olhos, como se bastasse, e entrar para dentro de si mesmo. A resposta não está ali. O silêncio é enganoso, pois nos faz ouvir o que não está ali, sem que o percebamos. Faz calar tantas esperanças. Desmancha tantos caminhos!
Não fique sozinho para estar sozinho. É construir paredes para os outros como fortalezas sem porta. Sem saída. Quantos passos mais até que o muro te faça parar!? Os pensamentos se tornarão monstruosos quando encontrar o muro. Suas mãos o tocarão frio, sem um olhar que te diga o porquê. O desespero... a depressão!
Não fique sozinho para estar sozinho. Lembre-se que lá é frio. Sem vento, sem vida. Você sabe que não é bom. Não suportará estar só consigo mesmo. Só chorará o vazio que descobrir. Não há nada lá.
Se for para estar sozinho, não vá sozinho. Leve Aquele que no seu silêncio te fala. Na Sua presença invisível te aquece. Nas suas lágrimas te abraça e faz a luz brilhar no seu coração. Vá com Aquele que é vento, que é vida, que é a porta de saída e de entrada, o bom pastor das suas ovelhas. Então você verá a diferença.
Se for para estar sozinho, fique sozinho com Ele, que embora não O veja, estará lá, sem muros, mas cheio de liberdade. Assim, não haverá lugar para o desespero e você voltará em paz para o meio dos outros.
Se for para estar sozinho, esteja sozinho com Jesus.

Hélio O. Silva = 02/01/1990

Amor Constrangente (21/08/2003)


Amor Constrangente

Encontras-me assim como estou;
Sondas meu coração sujo e pecador,
Mas não desistes de me amar eternamente.
Enxugas as minhas lágrimas
E lavas os meus pés.
Vês como sou
E mesmo vendo-me assim,
Não deixas de me amar eternamente.
Oh! Supremo mistério!
Vida que eu não posso conseguir,
Mas apenas ganhar graciosamente
De suas mãos, meu pastor.

Por que me amas se te nego?
Por que me abraças se te traio?
Por que me acolhes se me rebelo?
Por que te aproximas se constantemente te ofendo?
E me olhas docemente
Penetrantemente.
Pacientemente.

Ah! Que amor constrangente;
Reluzente
Transcendente
Fonte de toda a minha paz....
Queria eu poder penetrar,
Mas só me cabe receber e aceitar.

Tiras-me do tremedal de lama
Onde por mim mesmo precipitei a entrar.
Lavas-me com as próprias mãos,
Que meus pecados fizeram machucar.
E ainda me perdoas eternamente.
Concedes-me dons e privilégios.
Graça sobre graça
E as riquezas da cruz!
E ainda me perdoas eternamente.

Ah! Impenetrável amor que me perdoa.
Pois que caí tantas e tantas vezes,
E tantas e tantas outras vieste me buscar.
Que mais fazer senão agradecer,
E curvado sobre mim mesmo
Adorar o meu benfeitor,
Meu eterno Senhor...

Hélio O. Silva = 21/08/2003.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Lamentações 3.40-51 = Arrependimento Para Restauração (22/08/1992)


Introdução:
Como!!!
Esta é a palavra chave de Lamentações (1.1; 2.1 e 4.1). Demonstra a perplexidade do profeta em face da calamidade que o pecado pode produzir onde não há arrependimento.
 O povo não atendeu ao aviso e deliberadamente prosseguiu no caminho do pecado.
 Jerusalém foi destruída. O que se vê agora é fumaça, cinza e desolação.
Um texto que abre os nossos olhos para o pecado.
 Mostra-o como ele é.

Deveríamos lê-lo de joelhos, porque muitas e tantas vezes nos fazemos cegos para o pecado, depois nos queixamos do castigo de Deus
O v.39 declara: “Queixe-se cada um dos seus próprios pecados!!!”.
Quantas queixas mal direcionadas!
 Da vida cristã;
 Do tempo que Deus exige de nós;
 Do quanto gastamos com a igreja (um aparente retorno);
 Da comunhão inóspita dos irmãos;
 Da não atuação de Deus em nossas vidas!
Quantas vezes nos queixamos do nosso pecado? Falta a experiência do arrependimento verdadeiro em nosso coração.
Ilustração: (Pedro) - arrependimento. (Judas) - de remorso.
II Co. 7: 10 - A tristeza segundo Deus não traz pesar, mas arrependimento para salvação, para restauração, para vida!

Quando, então, experimentamos este tipo de arrependimento?

Proposição:
Quero tratar do tema: Arrependimento Para Restauração. Há três argumentos no texto para fundamentar essa proposição e ensinar como experimentá-lo:

I - Quando Examinamos Nossos Caminhos e Voltamos Para Deus V. 40.

a) Esquadrinhar o coração.
Como? “provando”. Colocar no esquadro, no ângulo reto com Deus. Fazer medidas corretas, proporcionais e equilibradas.
Como? “Provemo-los” – Aqui há a figura de um teste. A palavra de Deus é o manual do teste. Jo 14.21 - o que me ama guarda meus mandamentos.

b) Voltar para o Senhor.
O auto - exame deve conduzir a uma decisão.
Ilustração: Um jovem membro de uma igreja onde trabalhei enquanto seminarista. Reconhecia todas as suas deficiências com a igreja, mas nunca se corrigia. Faltava decisão. A volta deve ser para um relacionamento de obediência - Para o Senhor.
V. 31 - 33 - Deus, não tem alegria no castigo, mas no perdão (Is. 55.6,7).
 Deixe o caminho mal.
 A iniqüidade.
Volte - se para o Senhor – Ele “... se compadecerá... é rico em perdoar”.

II - Quando Confessamos os Pecados Com Sinceridade V. 41 - 47.

a) Levantar as mãos junto com o coração.
Muitas vezes vivemos de um aparência de Arrependimento; uma impressão de arrependimento. A falsa espiritualidade vive do “mostrar-se”, de uma aparência de piedade, mas que não é piedade, mas apenas exibição, aparência.
Ilustração: O fariseu de Lucas 17 voltou para casa sem o perdão, enquanto que o publicano voltou perdoado por Deus.
Deus não condena as expressões externas. Só que elas não tem sentido sem a mudança interna. As duas coisas devem ser feitas.
 Coração e mãos devem ser levantados, pois Deus é o Juiz (Am 5.21–23).
Ilustração: Em Lucas 17, o publicano batia a mão no peito constantemente enquanto orava: “Sê propício a mim, pecador!”.

b) O sentido de prevaricação.
É a mesma expressão de Josué 7.1. O pecado de Acã trouxe castigo sobre o povo. Em 587 a.C. a prevaricação foi generalizada. Prevaricar é viver para o que não fomos feitos. Escolher deliberadamente o caminho errado. Trair ou fugir ao dever. Traição - rebelar-se.

c) As conseqüências da rebeldia.
Talvez nenhuma confissão seja tão forte como a dos v. 42-47. Ela revela toda a sujeira que o nosso pecado acalenta e a distância que nos lança de Deus.
Confissão como esta é para quem tem seus olhos abertos por Deus para ver quem e o que é o seu próprio pecado. Ela nos faz perceber como somos cegos!!!

1) Deus não perdoa. V. 42.
Posso perceber lágrimas nos olhos do profeta. Deus não abençoa pecado, mas somente a fidelidade.

2) Deus se torna nosso inimigo V. 43
• Cobre - nos de ira.
• Persegue - nos (Erlo Stengen no livro Reavivamento na África do Sul diz que a causa disso é a nossa soberba).
• Mata.
Talvez pareça que Deus seja mal, mas é justamente o oposto. Ele é justo; e não podemos brincar com sua santidade.
I Co 11 - Mortos - muitos que dormem.
At 5 - Ananias e Safira.
Is 63. 10 - A rebeldia entristece o Espírito Santo, que se torna nosso inimigo. Deus castiga. Ele sabe usar a vara.

3) Deus não ouve nossas orações. V. 44.
Citação:
“Tu te envolveste com tua nuvem” (Bíblia de Jerusalém). Deus se escondeu de nós. A imagem de um céu nublado com nuvens negras e pesadas.
Is. 59.2 - O pecado não deixa Ele nos ouvir.
Ilustração: Eu já passei por isso. Você só ouve o silêncio. Os pés ficam pesados como se usassem sapatos de ferro e a cabeça pesa te empurrando para o chão. Deus não ouvirá enquanto o pecado não for confessado.
Ilustração: Davi fala no Salmo 32 em “sequidão de estio”; e “Tua mão pesava dia e noite sobre mim”.

4)Deus nos expõe à humilhação pública. V. 45.47.
 Acusações dos inimigos.
 Temor – medo
 Cova – armadilha
 Assolação - arrasados.
Quantos não estão arrasados, deprimidos: completamente destruídos pelo pecado.
 Ruína - destruição completa.
Ruínas falam de um passado que foi perdido.
Deus nos expõe publicamente à vergonha: “No meio dos povos”.

III - Quando Somos Quebrantados na Presença de Deus. V. 48 - 51

a) O significado das emoções.

Quebrantamento - característica do arrependimento e da consagração que tem estado longe da experiência de muitos crentes.
 O pecado não lhes comove mais.
A tristeza pelo pecado abandonou seus olhos e suas orações ao ponto de não terem mais coragem de se aproximar de Deus num relacionamento genuíno. Por isso oram como oram; vivem a vida miserável diante de Deus que vivem e se arrastam para a igreja como se arrastam.
Ilustração: George Whitefield fala de ter ficado 54 dias sob convicção de pecado, referindo-se a isso como uma “sequidão de estio” à semelhança de Davi no Salmo 32. Testemunho semelhante nos é dado por Jonathan Edwards quando escreveu a biografia de David Brainerd. Ele passava horas e às vezes dias sob convicção de pecados(1).
Não são tocados em sua vida integral. No Antigo Testamento, mente - vontade – emoções são chamados de “o seu coração”.
Quando Deus pesa sua mão (com força) sobre o nosso pecado, revelando-nos toda a sua podridão e engano é difícil não chorar.

 Jeremias intercede por seu povo
• Com lágrimas em abundância V. 48, 49, 51.
Ilustração: No seu livro Avivamento Urgente, o Rev. Hernandes Dias Lopes nos conta que no avivamento entre os zulus de Mapumulo, na África do Sul, nos últimos 6 meses antes da chegada do avivamento os cultos praticamente eram só lágrimas(2).

b) A identificação com os outros.
Quando nos vemos diante de nossos pecados não há mais as comparações e críticas - somos iguais perante Deus.
A razão da tristeza foi a certeza de que tudo poderia ter sido evitado, bem como a força do castigo.
 Deus disciplinou com rigor!

c) A insistência na oração.
“Não cessam... até que.”
Ilustração: Uma senhora carismática. Joelhos roxos de tanto orar. “_Enquanto eu viver eu vou orar e agradecer o que Deus fez por mim”.
Essa insistência é para que Deus atenda e veja “lá do céu” uma expressão de distância. A expressão aparece duas vezes no texto – “Para Deus nos céus” (v. 41). – “(Deus)... Veja lá do céu” (v. 49).
Demonstra a clara distância entre nós. Ë a esperança (V.21) quem nos motiva a orar.
Porém, conforme comenta R. K. Harrinson, “antes que Deus possa restaurar a sorte do seu povo, tem de haver evidências de arrependimento”(3). E mais: “O povo tem de fazer mais do que chorar como lamentadores profissionais em um funeral, mostrando que as lágrimas indicam mudanças profundas, emocionais e espirituais”(4).
Deus precisa nos quebrar primeiro, antes que possa nos restaurar (II Ts 7.14)
Notem que os verbos estão no plural. A acusação recai sobre todos e não sobre aqueles que não estão aqui agora para ouvir.
 Nós!!!

Conclusão:
Deus precisa nos quebrantar integralmente.
Coração = Mente - vontade - emoções.

1) Não podemos mais ser relapsos na observação dos nossos caminhos.
Precisamos levar a sério a questão do pecado e do desejo de prevaricar contra o Senhor.

2) Não podemos mais nos calar na presença de Deus sucumbindo aos nossos pecados.
 Abandonar as orações é o primeiro sinal da derrota sob o pecado.
I Jo 1. 9 - Ele é fiel e justo para nos perdoar e purificar.

3) Não podemos mais ser insensíveis diante daquilo que nossos olhos vêem em nossas experiências com Deus.
A frieza da experiência religiosa pode ser sinal de coração endurecido. Levantar as mãos é mero formalismo se o coração não for oferecido a Deus; contudo acusar os que o fazem não é sinal de maior espiritualidade como se eles fossem os errados e não nós (os quietinhos).
Quando Deus mexe com nossas emoções tomamos as decisões mais depressa e agimos com maior paixão.
O equilíbrio só é atingido quando voltamos nossas vidas para uma vida fiel a Deus. Por isso arrependimento que leva à restauração é quando Deus nos abala integralmente.

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(1) Jonathan Edwards, A Vida de David Brainerd, PES, p. ?
(2) Hernandes Dias Lopes, Avivamento Urgente, p.?
(3) R. K. Harrison, Jeremias e Lamentações, Introdução e Comentário, Vida Nova/Mundo Cristão, p.?
(4) Ibid.
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