O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O Justo Viverá Pela Fé - Hebreus 11


Pastoral: 24/12/2002

O Justo Viverá Pela Fé (Hebreus 11).

Quem já leu a Bíblia toda e quem já assistiu muitos filmes de histórias bíblicas, pode imaginar várias cenas e criar vários quadros da narrativa de Hebreus 11. Porém algumas conclusões são inescapáveis:
Viver pela fé é diferente da pregação moderna da riqueza da fé que enxerga apenas prosperidade e riqueza, lucro e poder, conforto e comodidade (pela fé Moisés deixou essas coisas – v. 24-26), mas nunca enxerga provação, tortura, aflição e fraqueza (v. 17, 34-37). A força da fé não está na visão de um Deus que mais parece o Papai Noel, mas na entrega de tudo de nós no serviço do seu reino e glória, mesmo que a morte vier antes da vitória final (v.13).
Viver pela fé é obter bom testemunho (v.2,4,5,39), não de homens, mas de Deus que não se envergonha daqueles que andam nos seus caminhos pela fé. É para esses que Ele preparou uma cidade (v. 16). E assim todos esses personagens se tornaram numa grande nuvem de testemunhas ao nosso redor, apontando o caminho na direção em que seus olhares sempre olharam, na direção da concretização da promessa (12. 1-4), que poderão alcançar somente junto conosco, não antes, tampouco depois (v.40). Bom testemunho é, portanto, a aprovação de Deus e não dos homens.
Logo, viver pela fé é ter os olhos e objetivos fitos na promessa (v.9,11,13,17,33,39) e não no usufruto dos prazeres transitórios do pecado (v. 25), que nada mais são do que o status de ser chamados de filhos da filha de Faraó e usufruir livremente dos tesouros do Egito (v. 24,26). Coisas que não precisam ser necessariamente pecado, mas que se tornam um peso que não nos deixam correr livremente a carreira que nos está proposta (12.1). Quem vive pela fé aprendeu a colocar essas coisas na rabeira de sua vida e não na linha do horizonte de seu olhar. A maior riqueza da fé é trocar os tesouros do Egito pelos opróbrios de Cristo (v.26)
Viver pela fé é ter a convicção da parcialidade da vida em detrimento da plenitude da promessa. Aqui somos peregrinos e estrangeiros (v.9,13,16,38). A nossa pátria é a celestial, a cidade que tem fundamentos, edificada por Deus (v.10,16). Enquanto não concluirmos como eles que nessa vida não está o galardão, não aprenderemos a caminhar pela fé, mas apenas pelo que vêem os nossos olhos (v.6,26). Pois do futuro, a única certeza que temos é que Cristo vem, e para lá caminhamos. Consideremos bem isso, para que não desmaiemos e nos fatiguemos em nossas almas (12.3).
Com amor, Rev. Hélio.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A Resposta de Deus à Depressão (I Reis 19.1-19) = 30/09/2005)


A depressão pode se desenvolver a partir de insatisfações que crescem nos nossos corações. Aquele sentimento de que tudo o que fizemos não foi ou não é suficiente para satisfazer os outros ou a nós mesmos. Elias cai em depressão, porque todos os seus esforços não foram suficientes para fazer o povo retornar para Deus. O sentimento de fracasso toma o lugar da excitação inicial.

Mas a oração e o encontro com Deus são instrumentos eficazes para curar os corações deprimidos. Deus trata com Elias, não o abandona no seu desespero. Ele deve dormir bem, alimentar-se; fazer uma boa caminhada (40 dias!) e receber novas tarefas de Deus. Tudo o que os psicólogos dizem ser bom para ajudar as pessoas a saírem da depressão!

DEUS NOS RESPONDE NÃO SOMENTE QUANDO ESTAMOS NA PLENITUDE DA FÉ, MAS TAMBÉM EM MOMENTOS DE EXTREMA DEPRESSÃO ESPIRITUAL (v.1-8).

Muitas vezes depois de grandes momentos na nossa fé, caímos em depressão. Elias é como nós e vivencia como as coisas podem mudar literalmente de um dia para o outro. No dia seguinte, Elias pediu a morte para Deus.
Irmãos, não são as grandes declarações de fé ou as grandes experiências com Deus que são a base essencial de nossa fé ou nosso relacionamento com ele. O homem e a mulher de Deus não são aqueles que só andam na plenitude, mas são os que aprendem a andar com Deus em toda e qualquer situação (Fp 4.11-14), estando conscientes de que o Deus que sabe e pode todas as coisas tem tempo para curar as suas feridas interiores. Deus deu a Elias 40 dias para viver essa experiência difícil, mas o supriu e o acompanhou durante todos eles.

DEUS NÃO NOS RESPONDE SOMENTE POR MEIOS EXTRAORDINÁRIOS, MAS TAMBÉM POR MEIOS MUITO SIMPLES, CAPAZES DE ATÉ NOS SURPREENDER (v.9-14).

Deus mostra a Elias que o extraordinário não é o essencial. Deus não estava no TERREMOTO. Deus não estava no FOGO. Deus não estava no VENTO FORTE. Mas Deus estava numa brisa suave, num CICIO tranqüilo, e, para alguns, calvinista até! Terremoto, fogo e vento forte são tudo o que a igreja moderna busca como meio de satisfazer o seu anseio pela manifestação poderosa de Deus. Queremos o poder do monte Carmelo, mas Deus nos espera mesmo é numa caverna escura no monte Horebe!
Depressão não se cura com agitação, mas com tranqüilidade. Não é a prece poderosa, mas, é a presença de Deus que faz toda diferença. No cicio suave Deus falou poderosamente ao coração e aos ouvidos de Elias. Deus nos surpreende constantemente, a fim de não nos esquecermos que a fé nele não implica necessariamente numa vida sem obstáculos e dificuldades. A vitória está muito mais na perseverança obediente do que no “show da fé” (2 Co 12.7-10).

A RESPOSTA DE DEUS VISA NÃO SOMENTE SATISFAZER NOSSAS NECESSIDADES, MAS ATÉ MESMO ANTES DISSO, DAR-NOS NOVAS TAREFAS PARA OCUPARMOS NOSSA MENTE (v.15-18).

Primeiro Deus dá novas tarefas a Elias. Ungir Hazael, rei da Síria; Jeú, rei de Israel e Eliseu, seu substituto. Por fim Deus cura a sua depressão. Sete mil joelhos que não se dobraram a Baal. O consolo que Elias esperava foi dito por último: Deus havia preservado mais pessoas da idolatria do que ele tinha imaginado. Elias não estava sozinho, assim como nós também não estamos. Nossos fracassos pessoais encontram consolo e resposta nos encontros que Deus tem conosco e que nós temos com Ele!

Conclusão:
1. Saiba que O QUE DÁ SENTIDO À SUA VIDA não é o que você espera de você mesmo e de Deus, mas é o que Deus espera de você! Portanto, erga os olhos e olhe para frente onde Deus está para te conduzir; não olhe para baixo, não olhe para trás! REAJA! Há esperança de mudança em Deus!

2. Saiba que os projetos de Deus ainda continuam e que Deus QUER a sua participação neles! A OBRA DE DEUS NÃO PARA PORQUE VOCÊ PAROU. Se Deus te chamou para caminhar com ele, ele caminhará com você. Por isso, não desista. PERSEVERE!

3. Saiba que A DEPRESSÃO PASSA, e que Deus substituirá lágrimas por alegria, pois “quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes (Sl126.6).

(Resumo da exposição bíblica do culto da Escola Dominical, na C. P. Balneário, em 25/09/2005).

Orar é Assim (Mateus 6.5-8)


Hélio O. Silva = 12/09/2008.
Orar é Assim... (Mateus 6.5-8).

Quando você for orar, faça assim: Não fique preocupado com o elogio dos outros, nem ore pensando nessas coisas. Por que isso é hipocrisia (fingimento), é colocar uma máscara no rosto e se esconder de Deus. Ore para que Deus te ouça e te abençoe e não para que as pessoas te vejam orando e batam palmas aplaudindo você. Quem gosta de aparecer é artista de cinema. Deus não é assim.
Quem ora esperando o elogio dos outros vai receber como recompensa somente o elogio e o aplauso deles, mas não a atenção e nem a benção de Deus. Afinal quem faz assim não falou com Deus, mas falou com quem e para quem pediu um aplauso. Orar é falar com Deus e não com os homens. Com eles falamos de forma diferente e não com uma oração. Faça a sua oração para Deus e ele te escutará, só isso.
Deus prefere a conversa reservada do silêncio de seu quarto. Olha só, ele diz que é até para fechar a porta e falar com ele em segredo. Não é para guardar segredos de Deus, mas é para falar com ele de forma sossegada. Deus é o nosso Papai do Céu. O seu carinho e atenção nunca serão falsos para nós porque ele nos ama sempre. Quando a gente fala com Deus em oração ele escuta, escuta porque é o Papai do Céu. Ele até chega mais perto para ouvir melhor quando a gente faz desse jeito. Não, não estou dizendo que o Papai do Céu escuta mal; só estou dizendo que ele chega mais perto para você se sentir melhor e não ter medo de falar tudo o que você quer falar com ele.
Orar é assim; não precisa ficar repetindo tudo de novo o tempo todo. Deus sabe nos escutar. Sua atenção não falha e presta atenção em tudo direitinho. Quando você repete demais é como se as palavras ficassem ocas, sem nada dentro. E aí a gente perde o tempo que Deus quer gastar conosco mostrando o seu amor. Deus não nos ouve porque a gente fala demais, mas porque ele nos ama. Ele é o nosso Papai do Céu. Não imite quem acha que falar demais é sinal de que sabe tudo de Deus. Não é assim. Fale somente o necessário. Dê atenção para Deus e ele dará atenção a você. É assim que devemos orar.

Com amor, Pr. Hélio

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Quem é o Seu Super Herói? = 15/08/2008






Quem é o Seu Super-Herói?

Quem é o seu super-herói? É o Super-homem? É o Homem Aranha? Quem sabe o Batman? Ou talvez a Mulher Maravilha? Os gibis e a televisão contam inúmeras estórias de sucesso dessas personagens. Eles voam pelo ar, são fortes, rápidos, espertos e sempre procuram fazer o bem às pessoas. Suas roupas são brilhantes e coloridas, ainda que a maioria deles só goste do vermelho e azul da bandeira dos Estados Unidos, mesmo assim são muito admirados e queridos aqui no nosso Brasil!
A Bíblia também conta muitas histórias de homens que foram heróis. A diferença é que eles não tinham super poderes, tudo que faziam era para agradar a Deus e ensinar a verdade para as pessoas. As suas obras poderosas eram na verdade milagres de Deus. Outra diferença era que eles existiram mesmo e nada escrito sobre eles foi inventado.
Olha só, a televisão fala que o super-homem vive voando por ai. A Bíblia conta que no dia de sua partida, Elias foi morar com Deus voando num redemoinho (II Rs 2.11). O Flash (homem veloz) corre muito rápido! Elias, uma vez, correu mais rápido que os cavalos do rei Acabe (I Rs 18.46). O Batman tira cordas finíssimas, longas e fortes de seu cinto de utilidades. Elias abriu o rio Jordão tocando nele o seu manto enrolado no braço (II Rs 2.6). O Homem Aranha sobe parades e balança de prédio em prédio lançando suas teias sem ninguém ver. Elias andou por três anos e meio por Israel e o rei Acabe nunca o encontrava.
Os super heróis da Tv e dos gibis parecem ser muito poderosos e imponentes. Eles sempre se acham capazes de resolver tudo sozinhos. Os heróis da Bíblia encontram todo o seu poder em Deus e buscam forças na sua presença através da oração. Os super heróis da TV acham que sabem de tudo e que não precisam da ajuda dos outros para serem vencedores. Os heróis da Bíblia meditavam e liam a Bíblia para aprenderem a ser sábios.
Quem é o seu super herói? Um inventado pela TV e pelo gibi? Ou os heróis da Bíblia? Será um de “mentirinha”, vestido com uma roupa brilhante, mas ridícula; ou será um de verdade, que viveu aqui na terra de verdade, com uma roupa igual à nossa? Alguns super-heróis da Tv vieram de outros planetas, de Kripton, por exemplo; ou ficaram poderosos por meio de um acidente num laboratório qualquer. Os heróis da Bíblia aprenderam a ser fortes com a suas fraquezas e todos eles nasceram e cresceram em casas com pai e mãe como nós. A Bíblia diz que eles eram como nós e que a diferença poderosa que fizeram foi porque confiavam tudo nas mãos de Deus e buscavam obedecer seus mandamentos (Tg 5.17,18). Eles aprenderam a depender de Deus em tudo e para tudo!
Por que será que a gente gosta de ler um livro de mais de 800 páginas que conta uma estória que nunca aconteceu e inventa um monte de “lorotas” pra gente acreditar e gostar? Eu prefiro ler as histórias dos heróis da Bíblia, porque todas são verdadeiras e me ensinam a conhecer e a andar com o verdadeiro Deus, o Papai do céu.
Com amor, Pr. Hélio.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Solidão (II)


Hélio O. Silva
03/01/1990 Solidão (II)


Não fique sozinho para estar sozinho. Porque a solidão é escura como a noite sem estrelas. Não tem brilho, seu encanto não existe. Os olhos procuram, mas nada encontram.
Sem companhia, estando sozinho, qual a alegria que se pode achar? Até o vento parece soprar mais frio, sem vida. A solidão não tem cor. É sempre sem sabor. Por isso a ansiedade é grande.
Não fique sozinho para estar sozinho. Isso é ilusão, não acontecerá. Haverá sempre um alguém que falará no silêncio, invadindo seu mundo solitário. Estar só é ser presa fácil. A solidão sozinha abriga o tentador, que trará suas armadilhas, revelando as coisas escondidas do seu coração.
Sozinho; é você e você; você com você, então saberá o que tantas e tantas vezes ignorou saber. Diante de você mesmo os olhos sentirão a escuridão. O mundo lá fora parecerá tão mentiroso e distante. Sem saída.
Não fique sozinho para estar sozinho. São muros construídos em redor de você. Eles te esconderão. Ninguém poderá te achar. Que fazer!? Saiba que as pedras são frias e não se importam de ser assim. Não terão sentimentos para compartilhar; ouvidos para te ouvir. Seus lábios são mudos. Não têm memória. Sozinho com elas, logo descobrirá ter-se enganado. Onde a saída?! Estando sozinho, seus olhos conhecerão a aflição. O desespero... Haverá mais uma dor para chorar. Ele esmagará suas lágrimas.
Não fique sozinho para estar sozinho. Talvez os outros se esqueçam; você os ache hipócritas, e talvez o sejam mesmo. Mas eles são outros, iguais a você. Algum dia saberão ter coragem de falar que viveram o que você vive, então será diferente. Sozinhos como são já não o serão com você, e você com eles.
Estando sozinho, não fique sozinho. Esteja sozinho com Deus. Ele te falará da solidão sem que ouça o som da Sua voz. Estará presente, sentirá Seu calor, sem vê-lo diante de você. A sós com Ele, não haverá escuridão, nem frio. O tentador terá perdido a batalha. Sua prisão será liberdade. Não perderá seu sorriso, embora possa vir a chorar. Ele te curará, embora possa quebrar seu coração. Ele te fará ver o sol, embora o terror da Sua presença invada sua alma. Quando você o encontrar, nunca mais quererá perdê-lo. Estando sozinho, sua sede será sede de Deus (Salmo 42).
Portanto, não fique sozinho só para estar sozinho. Não há futuro. Estando sozinho com Deus, a vida é eterna. Se for para estar sozinho, chame-O para junto de você. A solidão se chamará contemplação. A tristeza disciplina. A ausência saudade. O resultado aprendizado. A vida florescerá, não murchará e você será feliz...

Servindo a Deus Desde Pequeno - I Samuel 3


Servindo a Deus Desde Pequeno (I Samuel 3)
25/07/2008.

Costumamos nos impressionar com conversões espetaculares ou dramáticas. Valorizamos a conversão de quem veio do submundo em detrimento do crescimento de nossos filhos dentro da igreja. Não é raro desconfiarmos da fé daqueles que nunca se afastaram da igreja como se a sua experiência com Deus não fosse genuína ou fosse apenas “ingênua”. Mas as Escrituras nos revelam em alguns exemplos, como os de Samuel e Timóteo, o valor da fé daqueles que foram criados no evangelho desde pequenos. A história da igreja dá testemunho disso em mais dois casos famosos: A criação de John Wesley e a família de Jonathan Edwards, onde todos eram cristãos firmes e foram benção para a igreja mundial.
Samuel nasceu e cresceu no final do período dos juízes, quando retidão, justiça e santidade não estavam na moda. O texto faz intencionalmente um forte contraste entre a criação de Samuel, por seus pais Ana e Elcana e a criação dos filhos de Eli. Ana criou Samuel no caminho de Deus, mas Eli honrou mais seus filhos que a Deus (1 Sm 2.29). Os filhos de Eli desprezavam a Deus (2.12) enquanto Samuel o servia (2.18; 3.1). O veredicto de Deus sobre Eli e seus filhos é que Ele honrará aos que o honram e desmerecerá os que o desonram (2.30). O chamado de Samuel é o corolário desse princípio administrativo da graça de Deus, alertando-nos como pais para que ensinemos nossos filhos a buscar a Deus em primeiro lugar e experimentar as bênçãos de servi-lo desde pequenos.
Samuel era muito jovem (v.1,4,19). Talvez não tivesse mais que dez ou doze anos nessa época. O serviço prestado por Samuel era feito para Deus, orientado por Eli e acontecia diante dos olhos de todos os freqüentadores do Tabernáculo. Aprendemos a servir acatando as orientações da liderança que Deus coloca sobre nós. Samuel foi ensinado a respeitar a liderança do sacerdote e colheu os frutos disso na sua vida adulta. Quando os filhos não respeitam nem aos próprios pais, dificilmente aprenderão a amar a Deus e a servi-lo quando jovens e adultos.
“Veio o Senhor, e ali esteve” (v.10). A cena é bela, pois mostra Deus parado diante do menino dormindo. Como uma mãe que vigia seu filho enquanto ele dorme a admirá-lo em seu doce repouso. Note a paciência de Deus. Ele chama o menino quatro vezes antes que este o entenda. Ouvir a voz de Deus é algo que se aprende. E nisso Deus se mostra paciente e longânimo para conosco. Calvino já dizia que nas Escrituras é como se Deus nos tratasse como uma babá que balbucia palavras fáceis para a criança aprender a falar. Deus se adapta a nós a fim de tornar compreensiva a sua vontade na sua palavra. Diante de Deus sempre somos como crianças que precisam aprender. O maravilhoso é que ele não perde a paciência conosco e vem nos chamar uma, duas, três, quatro vezes!
Outra verdade maravilhosa, é que Deus fala com as nossas crianças tanto quanto fala conosco. Ele não os espera crescer; não espera que aprendam a ler e escrever; não espera eles pedirem uma Bíblia de presente. Saber disso pode ser surpreendente para alguns. Mesmo Eli custou a perceber a ação de Deus na vida de seu assistente mirim. Mas o Deus da graça já estava agindo na vida do menino desde quando sua existência na história era apenas um pedido choroso no coração de sua mãe (I Sm 1).
No momento da graça Deus se revelou ao menino. O contraste com os filhos do sacerdote Eli mais uma vez é uma alerta aos pais quanto ao fato de que serem piedosos não quer dizer que seus filhos o serão apenas pelo mero exemplo. Criar filhos piedosos envolve muito mais que simplesmente leva-los à igreja consigo. É preciso evangelizá-los e discipulá-los em casa, pois a semente do pecado habita em seus corações tanto quanto nos nossos. Todavia, por outro lado, um filho crente é fonte de uma alegria inesgotável para pais crentes.
Deus nos dá o privilégio de ensinar aos nossos filhos a ouvir a voz de Deus. Criá-los na presença de Deus não significa que se tornarão crentes automaticamente. Eles precisarão ter o seu encontro pessoal com Deus um dia. Quando os ensinamos, respondemos às suas indagações e vivemos como exemplo para eles em fé e esperança; construímos os fundamentos para que as promessas da divina aliança se cumpram para com eles como tem se cumprido para conosco. Por isso prepare o caminho para que seu filho venha a conhecer a Deus pessoalmente e lhe entregue o seu coração.
Com amor, Pr. Hélio.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

João Calvino: 499 Anos


Pastoral: Rev. Hélio O. Silva = 23/06/2008.

João Calvino 499 anos: (10/07/1509-27/05/1564).

No próximo dia 10 de Julho João Calvino completaria 499 anos. Ele é o nosso mais ilustre desconhecido. Ouvimos falar dele e de sua obra, mas sempre em citações passageiras e que muitas vezes desconsideram-no como a pessoa que foi. Minha primeira impressão sobre ele era que fosse um homem brilhante, mas inflexível e rígido demais quanto a seus princípios; um professor muito inteligente, porém de difícil relacionamento. Contudo, ao vê-lo mais de perto, descobri que foi tanto brilhante como piedoso. Calvino é um exemplo de fé cristã para nós. Ele nos dá um exemplo que precisamos aprender a seguir. O período que viveu como exilado em Estrasburgo (1538-41) retrata bem para nós quem foi João Calvino.
Calvino foi um pastor: Pastoreou refugiados franceses na pequena igreja de S. Nicolas, situada junto ao muro sul da cidade. Celebrava o sacramento da Ceia, dedicava-se à visitação pastoral e pregava quatro sermões semanais. Traduziu vários salmos para a métrica francesa para serem usados no canto congregacional. A igreja era pequena, mas cantava alegremente sob o seu pastorado.
Calvino foi um professor. Tornou-se conferencista das Sagradas Escrituras na escola secundária local, onde dava palestras três vezes por semana. Além disso, dava aulas particulares e advogava nas horas vagas. Seu salário era de um florim semanal, que recebeu a primeira vez com seis meses de atraso, o que também o forçava a vender parte de seus livros para sobreviver.
Calvino foi um escritor. Reeditou e ampliou as Institutas em agosto de 1539, e em 1541 editou a sua primeira tradução francesa. Publicou o Comentário aos Romanos (1539). Outros três trabalhos desse período são muito importantes: A Resposta a Sadoleto, o primeiro tratado apologético da Reforma Protestante, que foi responsável por sua volta a Genebra em 1541. A Forma das Orações e Hinos Eclesiásticos (13 hinos), direcionados à liturgia, constava da metrificação de Salmos. Calvino acreditava que acima de tudo era importante cantar a Palavra. O Pequeno Tratado Sobre a Ceia, como o seu primeiro esforço por chegar a uma posição intermediária entre a posição memorial de Zuínglio e a consubstanciação de Lutero quanto à presença de Cristo na Ceia.
Calvino foi um estadista da Igreja. Participou junto com Bucer e Capito, (reformadores contemporâneos) de várias tentativas para unificar os protestantes alemães e suiços, inclusive encontros entre católicos e protestantes, visando a unidade em Frankfurt, Hagenau e Worms. Desses encontros nasceram sua amizade com Filipe Melanchthon (luterano) e suas inúmeras correspondências com Bullinger (zuingliano). Desistiu de encontros com católicos após 1541 quando percebeu a inflexibilidade católica quanto a seus dogmas e doutrinas não fundamentados nas escrituras.
Calvino foi marido e hospitaleiro pai de família. Casou-se com Idelete de Bure, uma holandesa, viúva de um anabatista convertidos à fé reformada por intermédio do próprio Calvino. Ela tinha dois filhos de seu primeiro casamento. Era graciosa, porém de uma saúde muito precária, assim como Calvino também o era. Dessa união nasceu Jacques, nascido prematuro e morto ainda antes de completar um mês de vida. Idelete faleceu prematuramente em 1546. Calvino nunca se casou novamente.
O que precisamos aprender com Calvino?
1. Fidelidade às Escrituras. Deixou claro que a teologia não pode e não deve ser especulativa, mas submissa ao texto bíblico. O que o texto bíblico diz está acima de qualquer interesse pessoal.
2. Amor para com a Igreja. Dedicou-se à unidade da Igreja enquanto via que era possível. Era amigo íntimo e conselheiro de vários reformadores, reis, nobres e membros perseguidos de várias igrejas.
3. Teologia engajada. A teologia de Calvino não era uma teologia de gabinete, mas de um trabalho pastoral intenso. As Institutas não são apenas um manual de teologia, mas um manual para a igreja viver e de uma igreja viva que busca se expressar. A boa teologia é um guia para a vida!
4. Glória só a Deus. Não se sabe com certeza onde foi sepultado, pois pediu sigilo, a fim de que o seu nome não fosse exaltado, mas o de Deus, que fizera toda a obra por seu intermédio.
Com amor, Pr. Hélio.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Há Um Refúgio


Há Um Refúgio

Quando o rosto enrubescer, e a vergonha tornar a expectativa em frustração. Há um refúgio para se refazer. Quando o olhar se perder na imensidão da noite tentando contar as estrelas faiscantes. Há um refúgio seguro como um porto para se ancorar no inverno. Quando as lágrimas se secarem nas faces tristes que abraçaram a solidão. Há um refúgio para oferecer o afago que consola. Quando todas as esperanças desvanecerem, pedindo o golpe de misericórdia que põe fim ao sofrimento. Há um refúgio que renova as forças e torna os punhos fortes para lutar.
O refúgio não é secreto e nem fica distante. Basta abrir e fechar após si uma porta. Porta que aberta chama para a luz, e que fechada abre as cortinas da paz como um sol brilhante depois de uma manhã chuvosa e fria. A paz que aquece sem queimar. Nesse lugar todos os sons se calam, pois é tempo de orar.
O segredo não está nas mãos postas ou nos joelhos dobrados. Está no coração quebrantado que se deixa derramar diante do Pai que vê no secreto e enxerga no meio da escuridão. Diante de quem nada fica de pé. Diante de quem tudo se encurva para adorar. Diante de quem se deve retirar as sandálias dos pés.
Ele vem com o seu olhar e seu abraço. Sua luz dissipa toda escuridão, até mesmo a escuridão do coração. Diante daquele que se ajoelhou ele exercita sua majestade diferente e aceita a dura confissão. Ah! Quem pode medir o seu amor! Quem pode descrever o seu calor! Quem ficará de pé diante do Filho do Homem!
Então a escuridão revelará o brilho oculto da sua luz que ele só revela a quem quiser revelar. Incontrolável poder que arrasa o pecado e que destrói todas as fortalezas da alma que aflita se rende. Ah! Eu vou morrer se ele não me salvar! Estou perdido! Caído diante de uma presença santa, bela, insondável e indescritível. Estou totalmente em suas mãos. Que bom que é assim, pois ele é a própria bondade, a justiça que não erra; o perdão que não acaba. O pastor que toma a ovelha perdida nos seus braços e a carrega para casa, a sua casa.
No silêncio e do silêncio ouço a sua voz. Escrita nas palavras do livro sagrado. Escrita nos meus ouvidos e na minha memória. A sua presença percorre livremente os caminhos secretos de minha alma. Ele me busca e me encontra e eu me rendo e me deixo levar. Ele me conduz ao rio e me dá de beber. Lava meus machucados e cuida de mim sem eu merecer.
Depois ele fica por ali, olhando para mim. Olhando com amor, sem parar, sem mudar a direção do olhar. Ele para e me escuta. Nada diz, mas o seu silêncio fala tudo! Não vai embora, mas não me condena. Não me deixa, mas me liberta. Eu fico confuso e o amo. Eu não entendo, mas retribuo. Nada pergunto, mas a tudo entendo, pois ele responde e fala no meu coração. Dentro de mim. E eu me lembro das palavras escritas no livro que eu li e que foram guardadas na mais profunda gruta de minha memória. Elas ressoam com o vento. Elas me saciam com a água do rio que corre sem parar, e que vai para um imenso mar azul que se abre numa enseada cercada de montanhas e árvores coloridas, de um outono calmo, sereno e tranqüilo no entardecer.

Hélio O. Silva (27/06/2005)

terça-feira, 1 de abril de 2008

Sobre o Primeiro de Abril


Hélio O. Silva = 1º/04/2008.

Sobre o Primeiro de Abril.


Dizem que Tomás de Aquino, o grande autor da Suma Teológica, estava na sala de aula do seminário católico onde estudava, quando alguns de seus colegas entraram apressadamente dizendo:
_ Olha, olha Tomás, tem uma vaca voando lá fora.
E Tomás saiu correndo para ver essa maravilha da criação.
Acontece que Tomás de Aquino era meio bobalhão e lento para entender certas coisas.
Quando ele retornou desapontado, seus colegas rindo dele a valer falaram-lhe:
_ Como você pôde cair numa brincadeira boba dessas Tomás?
Tomás respondeu fazendo cara de não sei o quê:
_ Eu prefiro acreditar que tem uma vaca voando lá fora que um cristão mentindo aqui dentro.
Sua frase entrou para a história...
Primeiro de abril não é um bom divertimento para cristãos. Veja algumas afirmações bíblicas sobre isso:
"Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem." (Efésios 4.25,29).
"Como o louco que lança fogo, flechas e morte, assim é o homem que engana a seu próximo e diz: Fiz isso por brincadeira." (Provérbios 26.18,19).
"SENHOR, livra-me dos lábios mentirosos, da língua enganadora. Que te será dado ou que te será acrescentado, ó língua enganadora? Setas agudas do valente e brasas vivas de zimbro." (Salmo 120.2-4).
"Os lábios mentirosos são abomináveis ao SENHOR, mas os que agem fielmente são o seu prazer." (Provérbios 12.22).
"Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, diz o SENHOR, e os contam, e com as suas mentiras e leviandades fazem errar o meu povo; pois eu não os enviei, nem lhes dei ordem; e também proveito nenhum trouxeram a este povo, diz o SENHOR." (Jeremias 23.32).
"Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte." (Apocalipse 21.8).
"Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança e não pende para os arrogantes, nem para os afeiçoados à mentira." (Salmo 40.4).
"Abomino e detesto a mentira; porém amo a tua lei." (Salmo 119.163).
"O ancião, o homem de respeito, é a cabeça; o profeta que ensina a mentira é a cauda." (Isaías 9.15).
"Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira." (João 8.44).
"Não vos escrevi porque não saibais a verdade; antes, porque a sabeis, e porque mentira alguma jamais procede da verdade." (I João 2.21).
Com amor. Pr. Hélio.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Evangelizando O Zé


Evangelizando o Zé (Mateus 10.1-4)

Zé é um apelido comum que damos para aqueles que não sabemos o nome. Um jeito amistoso, às vezes até carinhoso, de chamar a outra pessoa. 
Eu já conheci muitos “Zés” na minha vida. 
Como o Zé Carlos, torcedor do Flamengo. Dizia que “Deus é coisa pra Mulher”; e nem sei por onde anda. 
Ou a extrovertida e bonita Maria José: “_Você tem é que viver o seu momento o que pintou, pintou”. Soube que caiu no mundo das drogas, destruiu a sua vida. 
Tem, por exemplo, o Zezé; de nariz remelento, baguncento, briguento, ladrão de “mixirica” e comilão de açúcar. Não andava com Deus. 
Tem o outro; o Zé Mário - Alto, magricela, inteligente (bom de matemática), brincalhão, fala de mineiro; mas que não queria Deus. 
Tem também o outro Zé, rico e bebedor de cerveja, pançudo; boa praça, gente fina, trabalhador. Ele me falou: “_ Sei que tem Deus, mas eu preciso ganhar dinheiro!”. Ele se batizou na igreja para se casar com a moça mais bonita. Depois sumiu e pronto.

Tem tantos Zés. Se você e eu repararmos bem, vamos descobrir que nós também somos uns “Zes” ou “Marias José”. E todos precisamos de Deus. Jesus escolheu doze do meio de uma multidão que o seguia; Ele chamou pessoas totalmente diferentes umas das outras, cheias de defeitos e qualidades; limitações e projetos; sonhos para o futuro! Eram todos pessoas comuns como qualquer “Zé”. Jesus veio justamente para encontrar os Zés que tem nesta vida e lhes dar a bênção da vida eterna e uma vida com mais propósitos.

Ele Chamou Simão Pedro. Fala uma coisa e faz outra. Diz que ama e depois nega, mente e depois chora. Pedro é um Zé. Jesus, que sabe como ninguém lidar com as pessoas inconstantes vai fazer dele um grande pescador de homens.

Ele Chamou André. É daqueles que logo se tornam um amigo do peito. André é pau pra toda obra, “o pé de boi” que não rejeita nenhum desafio. Jesus sempre reconhece o valor das pessoas e vai fazer dele um grande pescador de homens.

Ele Chamou Tiago e João, Filhos de Zebedeu. Como irmãos são pão e manteiga, café com leite, unha e carne. Eram os filhinhos da mamãe, dotados de um instinto de auto-proteção à flor da pele, mas que também sabiam oferecer boa amizade. Jesus, que muda a natureza difícil das pessoas, vai fazer deles grandes pescadores de homens.

Ele chamou Filipe. Era um líder por natureza e sua maior vontade era a de ver o Pai. Mas às vezes, buscando a Deus, esquecia de vê-lo nos outros e no rosto de Jesus! Jesus, que é o único caminho ao Pai, vai fazer dele um grande pescador de homens.

Ele Chamou Bartolomeu. É daqueles de poucos amigos, pouco participativo, que tem medo e vergonha de aparecer; Pessoa que vive sempre pelos cantos e que não gosta de chamar atenção sobre si. Jesus, que sabe buscar nos esconderijos mais secretos da alma o que as pessoas têm de melhor, vai fazer dele um grande pescador de homens.

Ele Chamou Tomé. Quer por o dedo em tudo para saber se acredita mesmo, porque não tomava decisões para voltar atrás. Lento para crer, lento para deixar de crer. Ele é um Zé. Jesus vai lhe mostrar e convencer que é o seu Senhor e seu Deus, e vai fazer dele um grande pescador de homens até na Índia.

Ele chamou Mateus. Publicano (cobrador de impostos) um cara de má fama. Jesus o convida a mudar de mister para poder ser feliz. Ele será um grande pescador de homens.

Ele Chamou a Tiago, filho de Alfeu. Este é um verdadeiro Zé mesmo. Sua mãe até se chamava Maria! Talvez porque fosse o mais baixo, talvez o mais novo. Talvez nunca fosse o primeiro da turma! Jesus, que não se preocupa com preconceitos, rótulos e apelidos, vai fazer dele um grande pescador de homens.

Ele Chamou Tadeu. Seu primeiro nome é Judas, mas como este nome não tinha boa fama, gostava mais do Tadeu mesmo. Assim tentava superar seus próprios complexos com atitudes que desviassem a atenção daquilo que ele mesmo achava ser um de seus defeitos. Como Jesus vê muito mais em nós do que nós mesmos, Ele fará de Tadeu um grande pescador de homens.

Ele Chamou Simão. Um patriota decidido e “xiita”; um dia até comprou uma faca para matar representantes do governo. Seu coração cheio de mágoas azedou a sua vida. Mas como Jesus é capaz de curar todas as feridas e traumas da nossa vida, vai fazer dele um grande pescador de homens.

Ele Chamou Também a Judas Iscariotes. Aproveitador, nunca aproveitou as oportunidades de mudança que Deus lhe deu. Apesar de Jesus querer fazer dele um grande pescador de homens, preferiu ser ladrão, traidor e por fim enforcou-se antes de conhecer o amor perdoador de Jesus. 

É hora do Zé ou da Maria José, que você é, entregar sua vida a Jesus. Vem!!!
Com amor, Pr. Hélio.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Reverência e Alegria - II Samuel 6 (09/04/2001) - revisado em 13/11/2010.



Introdução:
Reverência = Respeito.
Quando aplicada a Deus, é uma soma de Medo + Amor = Temor (reverência).
Precisamos reconhecer que não gostamos de falar em reverência.
1º. Por causa de nossa rebeldia natural e pecaminosa contra Deus.
2º. Por causa de um mal entendimento do uso do termo nas Escrituras e sua aplicação na vida litúrgica da Igreja.
Para nós, “reverência” evoca:
 Silêncio. Quando alguém faz um barulho no culto, colocamos o dedo entre os lábios e dizemos: _ Psiu! Reverência.
 Compenetração e seriedade. O culto reverente é o culto sério, sem expressões externas de alegria, mas feito numa postura austera; solene!.
 Frieza. Nada onde se possa mostrar calor humano, mas apenas contemplação.
Para nós, reverência e alegria são termos excludentes, mas para Deus, na Bíblia não.

Contexto:
Davi acaba um ciclo de vitórias importantes sobre os inimigos de Israel, onde se demonstra sua obediência à vontade de Deus. O verso anterior diz que ele fora bem sucedido em tudo porque “fez Davi como o Senhor lhe ordenara”.
Agora é seu desejo levar a Arca da Aliança para Jerusalém, a fim de que ela fique próxima a ele.
O trajeto é a subida de Quiriate-Jearim para Jerusalém, a cidade de Davi.
Sem mencionar uma fonte bíblica específica, o A. M. Renwick menciona que a Arca estivera cerca de 70 a 80 anos sob os cuidados da família sacerdotal de Abinadabe. Todavia desde a vitória de Samuel sobre os filisteus, narrada em I Sm 6 e 7, em Mispa, no episódio conhecido como Ebenézer, ela tinha ficado aos cuidados de Eleazar, filho de Abinadabe (I Sm 7.1). Atualmente, cerca de 20 anos depois, os filhos de Abinadabe, Uzá e Aiô cuidam da Arca (ou netos; Uzá era filho de Eleazar, filho de Abinadabe). São eles mesmos quem conduzem a comitiva festiva e pomposa após o rei Davi.
Embora houvesse muitas boas intenções, o projeto de Davi fracassa. Uzá morre, e o texto nos diz que a causa foi sua irreverência.
Davi desgostou-se, porque Deus se desagradara de suas boas intenções.
O contexto nos mostra que o desagrado de Deus não estava na alegria, mas no modo desobediente como a Arca estava sendo levada.
O texto de 2 Samuel 6 tem duas divisões claras: V. 1-11, marcado pela desaprovação de Deus à festividade patrocinada por Davi; 12-19, onde Deus aprova a festividade. É fácil ver que a irreverência não estava no modo festivo e alegre da celebração, mas na desobediência a um mandamento explícito da lei em Levítico.

Proposição:
Se não há dissociação entre alegria e reverência, como podemos associar, seguindo critérios bíblicos, esses dois elementos em nossos cultos?

I. EVITANDO COLOCAR A NOSSA VONTADE ADIANTE DA VONTADE DE DEUS, REVELADA NA SUA LEI:

Há três exemplos de irreverência aqui no texto. De Uzá, de Davi e de Mical.

a) Uzá: Achar que a FAMILIARIDADE com as coisas de Deus permite trata-las com liberdade (v. 6,7).
Ora a família de Uzá vinha cuidando da Arca há cerca de pelo menos 20 anos. Quem mais indicado e zeloso que Uzá para tentar resolver qualquer problema ou imprevisto?
Esse é o risco daqueles irmãos que já estão há muitos anos na Igreja. Eles correm o risco de tratar as coisas de Deus como se fossem suas. E nisso consiste sua irreverência. O culto não é para agradar a nós, mas a Deus.
Além disso, Uzá, como guardador da Arca, devia conhecer bem a Lei a fim de cumprir os regulamentos a seu respeito. A familiaridade muitas vezes nos leva à frouxidão e ao conformismo.
Ele deveria ter se interposto contra Davi, juntamente com os levitas que auxiliavam a Davi, e lhe mostrado que na Lei estava prescrita a forma correta de transportar a Arca, que deveria ser transportada por meio de varais e argolas (Ex 25.14; Nm 4.15,20), pelas mãos dos levitas, a fim de não ser tocada; e não puxada por bois num carro novo e à mostra do público.

b) Davi: Achar que o PODER e as EXPERIÊNCIAS VITORIOSAS com Deus permitem tratar com as coisas de Deus com liberdade (v. 1, 2, 5, 8-11).
Podemos ver a irreverência de Davi de duas formas.
 A confiança no poder pode nos levar a cometer atos de irreverência.
Davi era o rei, e tinha poder para determinar que a Arca fosse conduzida para Jerusalém. Sua intenção era boa, porém a metodologia foi errada. Nenhuma reforma religiosa produzirá frutos espirituais duradouros se vier de cima para baixo por decreto.
Ilustração: As reformas de Asa, Ezequias e Josias também foram assim, por isso só duraram enquanto viveram e depois foram abandonadas por seus filhos. A reforma anglicana também foi assim, e a Igreja inglesa sempre foi dominada pelo Estado.
Ora, Deus é maior que o poder temporal. A sua palavra tem que ser cumprida por todos, como Ele mesmo a prescreveu, independente de quem seja e do poder que possua.

 A confiança nas nossas experiências com Deus pode nos levar a cometer atos de irreverência.
Davi vinha de grandes vitórias. O capítulo cinco registra a aprovação de Deus para tudo quanto Davi fizera. Ele estava empolgado com Deus que o abençoara tanto. Quando agimos debaixo de empolgação corremos o risco de olhar mais para a aparência, e nos esquecemos de detalhes importantes. A empolgação tem pressa. Ela quer ver resultados, pois é extremamente pragmática. Ela quer ver Deus abençoar de novo, e de novo, e outra vez! A empolgação, se não for controlada pela obediência, faz diminuir o compromisso, e abre a porta para o abuso. E isso é irreverência.
Muitas Igrejas que estão crescendo muito por ai, têm caído na irreverência que a empolgação produz. Para crescer, têm aberto mão de seus compromissos com o que está prescrito na Palavra. Por isso estão desagradando a Deus.
Quando Deus demonstra a sua irritação, a empolgação do rei vira desgosto, desgosto com Deus. A palavra traduzida por desgosto também pode significar “ira ou irritação”. Davi ficou irritado e irado com Deus por não ter abençoado seu projeto espiritual e assim colocado em descrédito sua realeza e mesmo a sua intimidade com Deus!
A benção de Deus não é um artigo que se adquire como fruto de uma demonstração de empolgação com o próprio Deus, mas como fruto de um relacionamento criado no dia-a-dia, sob a direção das Escrituras (Jo 7.17 e 7.37-39).

c) Mical: Achar que a POSIÇÃO que se ocupa diante de Deus e de seu povo não permitem nenhum tipo de liberdade (v. 16-20, 23).
Mical, como esposa do rei e filha de Saul, o rei anterior, não participara da Festa. Viu tudo de longe de uma posição austera e soberana.
Ela reprovou Davi, não porque ficou com ciúme, mas porque nunca aceitara o fato de que Deus colocara Davi no lugar de seu pai e de eu irmão Jônatas. O texto dá a entender que Davi matou a charada da primeira, pois lhe disse claramente que o que estava em jogo não era a realeza em si, mas a escolha soberana de Deus.
Ela achou indigno o que Davi fizera, interpretando como motivo de vergonha e baixaria. Ela estava preocupada com as aparências da realeza _ O que os outros vão dizer? O que vão pensar de nós?
Quando nos preocupamos mais com a nossa posição social do que com o que Deus está fazendo no meio do seu povo, tornamo-nos irreverentes. Porque não participamos da alegria que Deus participa abençoando.
Por que ao invés de criticarmos outros das janelas de nossas Igrejas, não nos alegramos com eles? O que estava acontecendo lá fora era alegria e cânticos por causa da benção de Deus e não leviandade irreverente. Irreverentes são os que se omitem de se alegrar com as bênçãos de Deus, que é o nosso Pai Celeste, e por ser bom, gosta de nos dar presentes. Deus nos dá bênçãos espirituais em Cristo (Ef 1.3).
Ilustração: Um aviso para as esposas de líderes que não aceitam a sua vocação espiritual e se irritam com o que na verdade é a expressão da vontade de Deus.
A alegria da segunda tentativa era a mesma da primeira, só que levava em conta a obediência às Escrituras. A Arca era levada corretamente. O pecado estava sendo tratado nos holocaustos oferecidos (ofertas pelo pecado), a cada seis passos e a gratidão se expressava nas ofertas pacíficas. A benção de Deus estava ali.
Irreverência nesse caso de Mical é nutrir um coração azedo por não aceitar a vontade de deus e não participar das bênçãos de Deus.

II. COLOCANDO A VONTADE DE DEUS REVELADA NAS ESCRITURAS, ADIANTE DA NOSSA VONTADE v. 13-22:

Essa ênfase redundante de nosso argumento é proposital. Há duas atitudes de reverência no texto:

a) Obede Edom: Guardou a Arca com reverência.
A Arca ficou na sua casa apenas três (3) meses e toda a sua família foi Abençoada, de tal maneira que todo o Israel ficou sabendo. Quem era esse Obede Edom?
J. D. Douglas diz que era simplesmente um filisteu que Davi designou para cuidar da Arca da Aliança após essa desastrosa tentativa, e não associa os textos de I Cr. 26.4-8 com essa referência. Isso porque a expressão “geteu” que aparece no texto simplesmente significa “o que é de Gate”. Gate era uma das 5 cidades filistéias. Todavia, Se associarmos o texto de I Cr 26.4-8 como um evento posterior a esse, e entendermos que o fato de Deus ter abençoado Obede Edom, fez com que Davi promovesse a sua família, então Obede Edom nos dois textos se referem à mesma pessoa. Nesse caso Obede Edom seria um descendente de Coré, um levita da tribo de Coate. No deserto, eram os coatitas quem transportavam os móveis e utensílios do Tabernáculo (Nm 4.15). Nos tempos de Davi membros de sua família eram porteiros da tenda provisória construída por Davi. 3 cidades em Israel tinham nomes compostos com Gate e possivelmente trata-se de Gate-Rimom mencionada em Josué 21.24, cidade da tribo de Dã cedida aos levitas e fronteira aos filisteus.
A Arca ficara os últimos 20 anos com a família de Abinadabe e não há qualquer referência a Deus tê-los abençoado.
Certamente, o incidente trágico com Uzá, levou Obede-Edom, que possivelmente era levita, a buscar na Lei respostas que o ajudariam a não se expor a um mesmo fim. Aprendeu que “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e revelam prudência todos os que o praticam” (Sl 111.10).
Reverência implica em buscar entender e cumprir os limites do nosso comportamento com Deus e diante de Deus. Deus não aceita tudo. Deus não aceita qualquer coisa. Deus aceita somente o culto que Ele mesmo nos prescreveu.
 Ele mostrou isso na morte de Nadabe e Abiú, filhos mais velhos de Arão (Lv 10).
 Ele mostrou isso na desaprovação a Saul (I Sm 15).
 Ele acabou de mostrar isso de novo na morte de Uzá (II Sm 6).

b) Davi: Reencontrou na obediência a alegria que não acaba.
 Trocou o carro novo pelas mãos e costas dos levitas.
A beleza do culto nem sempre está na pompa, mas na simplicidade. Mas principalmente, a beleza e a força do culto estão na obediência à Palavra de Deus. Nenhuma experiência, ainda que seja mesmo com Deus, pode assumir o lugar da obediência às Escrituras reveladas. Experiências são testemunhos e não regras de conduta para os cristãos.
 Reconheceu a soberania de Deus.
- “Perante o SENHOR”.
- “Que me escolheu”.
- “Mais desprezível me farei e me humilharei aos meus olhos”.
 Alegrou-se perante o Senhor, com a mesma alegria do v.5.
Claramente no texto, a reprovação não está na forma festiva da ocasião, mas no descaso para com a Lei. A alegria é o corolário de nossa experiência com Deus em razão da obediência ao preceito divino.
 Ofereceu holocaustos e ofertas pacíficas, para cumprir o prescrito e expressar publicamente sua obediência à Lei maior de Deus.
 Abençoou e presenteou o povo no nome de Deus, inclusive sua família. As bênçãos de Deus são para serem vividas com a nossa família.

CONCLUSÃO:

O que é um culto reverente?
1º. É aquele que não busca na inovação a sua alegria, mas na Palavra de Deus, o Senhor.
O princípio regulador do culto, formulado pelos puritanos do século XVII e XVIII, na Inglaterra, colocava a Escritura como o centro regulador do culto. Só deveria ser praticado no culto o que estava prescrito nas Escrituras. O resto deveria ser considerado desnecessário. Esse princípio foi formulado em contraposição aos luteranos e anglicanos, que criam que o que as Escrituras não proibiam poderia ser utilizado.
A experiência contemporânea tem provado que esse segundo princípio é pernicioso, pois abre as portas da liturgia do culto para a inclusão de excentricidades e até mesmo banalidades. Se somos conduzidos pelo Espírito Santo no culto, não somos senhores do culto, mas ele o é.

2º. É aquele que está disposto a reencontrar o caminho da benção, se a perdeu, trocando o desgosto pela alegria renovada na obediência ao Senhor e à Sua Palavra já revelada; fazendo tudo perante o Senhor e para a glória do Senhor.
Davi nos mostra muitas vezes que é possível aprender com os erros, pois todos nós somos pecadores.
A família de Uzá teve 20 anos para aprender a ler na Lei como cuidar da Arca e não o fez corretamente, pois não impediu o conseqüente erro irreverente do rei. Quando somos irreverentes, os outros aprendem a ser irreverentes conosco.
Mical nunca aprovara a escolha de Davi como rei em lugar de seu pai, ou de seu irmão Jônatas. Ela o achava indigno. Ao julgar Davi, ela julgara a Deus, pois Deus escolheu a Davi. Por isso, cuidado com o julgamento, pois ele nos torna infrutíferos e amargos com os outros. Davi aprendeu bem rápido essa lição.
Negligência, empolgação e ressentimento são pecados que se escondem e se manifestam em nossos cultos expondo vários tipos de irreverência a Deus.

3º. Reverência não é uma questão de Sisudez ou leviandade. Reverência é uma questão de obediência e amor.
Obede-Edom guardou a Arca reverentemente e em três (3) meses se viu e ouviu dos resultados, influenciando a mudança de atitude do rei Davi e de toda uma nação.
Precisamos obedecer a João 14.21 (“quem me ama guardará os meus mandamentos”) levando mais a sério o preceito bíblico, para sermos agraciados com a manifestação de Cristo, por meio de seu Espírito Santo em nosso meio. Devemos demonstrar o nosso amor por meio de nossa obediência, e testemunharmos a alegria resultante de nossa dedicação. Os mais idosos e conservadores precisam parar de temer as expressões de alegrias dos mais novos e fervorosos. Os mais novos e fervorosos precisam aprender a obedecer mais e pular menos, a fim de que a sua obediência apareça mais que a sua empolgação presunçosa.
Você quer ver mudanças; todos nós queremos! Então: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia Nele, e o mais Ele fará” (Sl 37.5); e daqui três meses essa igreja não será mais a mesma.

Aleluia, amém...
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