O Bom pastor e seus comentários

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sexta-feira, 26 de março de 2010

A Sala das Penas


Hélio O. Silva (20/07/2002)

A Sala das Penas


Rasgou-se o travesseiro,
libertando as penas brancas que custavam o preço do meu perdão.
Cada pena uma ofensa proferida,
um perdão retido;
uma mágoa guardada,
inveja, cobiça, pecados; e muito mais.
Foram invocados o tempo e o vento.
Os nomes foram ditos, lavrada a sentença.
Nas mãos os panos rasgados do travesseiro.
Diante dos olhos, a sala das penas.

Eu tentei recolhe-las, mas eram muitas.
Espalhadas por toda parte, leves, soltas no ar.
Rodopiavam e riam de mim,
que inutilmente catava daqui e dali.
Quantas eu poderia alcançar antes do vento soprar?
Por isso corria apressadamente.

Estavam por toda parte,
em todo lugar,
brancas e brilhantes,
subindo e descendo.
Dançavam o balé que eu não conseguia seguir.
Quantas mais eu pegava,
tantas mais haviam para recolher.
Eu me cansava e me desesperava.
Por isso corria apressadamente.

Cada vez se espalhavam mais
e distanciavam-se umas das outras.
Elas riam suavemente de mim,
como a menininha que se alegra
com o irmãozinho que não a alcança antes do pique.
Minhas mãos deslizavam no ar,
produzindo o vento,
espantando as penas,
sentenciando-me inadvertidamente.
Chamando o meu caos.
Por isso corria apressadamente.

Eu me esforçava espavoridamente.
Era o preço do meu perdão.
Eu não podia perder,
eu não queria perder,
mas perdi.
O vento chegou e soprou para longe as penas do meu perdão
e eu só pude olhar e ver despetalar a minha esperança,
despedaçar o sonho que sonhei.
As mãos estendidas não as alcançavam mais, e pronto.

A sala se calou.
Entrou o Senhor.
No centro deixou a sua cruz.
Ele iluminou a sala com o seu olhar.
Tocou meu ombro.
Cai a seus pés prostrado.
Tomou de minhas mãos o travesseiro
e as poucas penas que apanhei.
Então estendeu a outra mão
e chamou de volta o vento,
que trouxe as penas,
cada uma delas,
que sorrindo e dançando,
novamente encheram a sala.
Mais brilhantes e mais brancas.

Cessou o vento, calou-se o burburinho.
E as penas pousaram uma a uma aos seus pés,
Ele as colocou nos restos rasgados do travesseiro.
Depois o levou consigo, e eu sai da sala com Ele.
Nunca mais retornaria lá...

A Pedra


Hélio O. Silva A Pedra.
17/02/1999 No Lugar do Esquecimento.


Ele pegou o grande martelo e começou a bater contra aquela rocha.
E Ele bateu, bateu, bateu até que cansaram seus braços.
Não desistiu e começou de novo.
E ele bateu com o martelo.
O estalido da pedra ressoava, ecoava, escoava a sua dor.
O sangue de suas mãos cansadas.
E ele continuava a bater.
Gritava e batia, batia e gritava.
O suor se misturou às suas lágrimas.
Lavou a sua dor.
Contudo, batia, e batia de novo.

A pedra era dura, grande demais para seu martelo e sua cansada força de lutar.
A pedra faiscava, mas não cedia.
Pedra dura, quando vai ceder?
Quando vai livrar a sua mão!?
Ele não queria desistir, não podia desistir; debaixo da pedra, a mais pura fonte, a água mais doce e límpida.
O fim da sede.
Por isso bateu, bateu, bateu com seu martelo.
Fez força e tentou quebrar a inquebrável pedra.

Então, parou.
Bateu a última batida e deixou cair o martelo.
Cansado, caiu de joelhos.
Era o fim.
Não tentou outra vez.
Desolado, olhou a grande pedra.
Engoliu seco a sua sede e fez a sua primeira prece sincera.
Seu pedido de socorro.

Apareceu um homem com o cajado na mão.
Um olhar sereno.
A certeza de que a pedra vai ceder.
A madeira do cajado tocou suavemente a pedra da pedra.
A água jorrou, matou a sua sede...

Amizade Pra Valer (I Samuel 18.1-5)


Hélio O. Silva = 26/03/2010.
Amizade Pra Valer! (I Samuel 18.1-5; 23.15-18)

_ Puxa vida! Davi matou o gigante filisteu; ele venceu o Golias! Foi assim que Jônatas se sentiu logo depois que Davi havia voltado do campo de batalhas. Desde aquele dia eles se tornaram grandes amigos. Sua amizade era amizade pra valer!
A amizade deles era pra valer porque eles ficaram ligados pela alma (v.1). Amizade de alma é mais forte que amizade só de brincadeira. Amizade de alma é algo que só pode existir entre um pai e um filho (Gn 44.30,31); entre um moço e uma moça quando estão apaixonados um pelo outro e querem se casar (Gn 34.3,8); entre os membros de uma igreja que devem se amar como a nossa (Fp 2.2) e entre dois amigos que aprendem a gostar um do outro pra valer como Jônatas e Davi (I Sm 18.3). Amizade assim é algo que a gente guarda dentro coração bem lá no fundo do peito onde a mão de ninguém alcança, só a de Deus!

A amizade deles foi pra valer porque fizeram uma aliança perante Deus (v.3 = I Sm 23.18). Amizade pra valer não é amizade secreta, escondida, mas ela acontece na presença de Deus. Não fica escondida em Orkut e nem em “site”. Deus sabe tudo dela porque ela é verdadeira e ele participa também. Uma aliança é um pacto, um acordo feito de coração que a gente resolve não quebrar nunca! Uma aliança é um compromisso que a gente faz de cuidar um do outro com carinho e defender um ao outro o tempo todo. Numa aliança feita diante de Deus ninguém passa a perna no outro, mas resolve firmemente ajudar o outro a ser uma pessoa melhor a cada dia.

A amizade deles era pra valer porque houve troca de presentes (v.4). Jônatas, que era mais rico que Davi, lhe deu alguns presentes que mostravam que os dois realmente eram amigos. Jônatas não cobrou de Davi um presente em troca dos que lhe deu. Um amigo pra valer não fica cobrando dos outros presentes. Um amigo simplesmente dá presentes porque gosta, e pronto. Quando eles cresceram mais, casaram e tiveram filhos, Jônatas morreu numa guerra. Foi então que Davi mandou buscar o filho de Jônatas, Mefibosete, que tinha cinco anos e que era paralítico, para vir morar na sua casa (II Sm 4.4). Davi cuidou dele como se fosse seu próprio filho, tudo pela amizade que tinha com Jônatas. Isso sim é amizade pra valer!

A amizade deles era pra valer porque essa amizade nunca os levou a serem filhos desobedientes a seus pais (I Sm 18 a II Sm 2). O rei Saul, pai de Jônatas, não gostava de Davi, mas nem por isso Jônatas era mal criado com ele. Davi sabia que o rei Saul não gostava dele, nem por isso ficou zombando dele ou tratava ele mal. Davi o respeitou porque ele era o rei, e também porque era o pai de seu melhor amigo. Jônatas obedecia a seu pai mesmo ele não gostando de seu melhor amigo. Seu amor e respeito por seu pai eram tão grande que ele morreu ao seu lado numa guerra contra os filisteus (II Samuel 1.23).

Jônatas era um filho obediente, amizade como a dele deixa saudade no coração de qualquer um! Sua amizade com Davi era para valer! Quem é o seu amigo(a) pra valer aqui na igreja? Com amor, Pr. Hélio.

No Deserto (Números)




Hélio O. Silva – 22/02/2010
No Deserto.

Eu andei por esse deserto quarenta anos! Conheci o calor que queima durante o dia e o frio que gela durante as noites. Tive fome e sede. Comi do maná e bebi da água tirada de uma rocha! Ela nasceu e jorrou abundantemente da pedra dura! Sempre usei as mesmas roupas e nunca troquei os meus sapatos. Experimentei o castigo severo dos meus atos e do meu lado tombaram homens e mulheres; famílias inteiras que não aprenderam a obedecer a Deus, aquele que nos guiava pelo caminho.
Em não estava na frente da multidão, mas vi a nuvem de dia e a coluna de fogo que ardia de noite. Naquele Tabernáculo ali há muito sangue de inocentes cordeiros que foi derramado por pecados que eu cometi; sangue derramado a meu favor, no meu lugar... Eu vi que ouvir sem escutar é tolice; agir sem pensar é presunção; inovar sem razão é arrogância e falsificar a verdade é loucura. Tudo isso é caminho de morte; fez para muitos o deserto não ter fim. No deserto eu conheci tanto a severidade quanto a bondade de Deus!
Aprendi o significado da humilhação e da disciplina. E no meu coração cresceu o amor e a obediência. Aprendi que há um Deus que é o único e verdadeiro; que faz das minhas provações a bondade de meu caráter. No deserto aprendi que o pouco é muito com Deus e que quem quer ter o que Deus não quer dar não tem nada, não é nada! Aprendi que Deus sonda e prova os corações, e que a forma como mastigo um pedaço de carne entre os dentes pode revelar a diferença entre o justo e o desprezível. Aprendi que não se muda a palavra de Deus; nunca! E que essa palavra alimenta mais que a mesa farta. Obedecê-la é a diferença entre viver e morrer.
Foi no deserto que aprendi que estar só é sempre estar só com Deus e que a sua vara dói; dói muito mesmo, mas cura e consola tanto o coração arrependido como o coração amargurado. Aprendi que Deus nunca está longe, mas que o fato de estar perto é o desespero do incrédulo, do falso, do cobiçoso e do impuro.
Eu andei no deserto e vi a morte, mas também conheci a vida; não a vida que vem do pão e da água, mas a que vem da palavra de Deus. Percebi que a perseverança na fé é o melhor caminho e tem galardão. Aprendi que a paciência é irmã da obediência. Esperar sem crer é morrer tristemente. Caminhar com esperança é fé. Eu me lembro de tudo que aconteceu lá e ensinarei às minhas crianças (elas também andaram comigo no deserto). Agora eu já vejo o rio Jordão; e além (hã,hã) a terra da promessa...
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