O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

03 = A GRAÇA - Ela é Realmente Maravilhosa!


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Graça Que Transforma
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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03 = Graça – Ela é Realmente Maravilhosa 22/02/2012
Graça Que Transforma – Jerry Bridges, ECC, p. 35-45.
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Introdução:
O estudo a graça é o estudo do contraste entre a terrível situação da humanidade caída no pecado e a solução abundante e graciosa de Deus por meio de Cristo.
Vimos anteriormente que todos nós somos culpados, vis, incapacitados e necessitados da graça de Deus (Rm 3.23). Agora nos concentraremos na provisão de Deus para a nossa necessidade.

I. A NOSSA FALÊNCIA, O REMÉDIO DE DEUS.
Paulo contrasta a brilhante graça de Deus contra o pano de fundo escuro do pecado na humanidade em várias passagens bíblicas onde se destaca o uso da conjunção adversativa “mas”:

1ª) Romanos 3.21-25.
Depois de apresentar nos versos 10-20 a sombria situação do homem condenado por causa do pecado ele se volta para a apresentação da graça co um “mas” no verso 21. Deus nos oferece a sua justificação sem Lei e testemunhada tanto pela própria Lei quanto pelos profetas (v.21). Os que crêem em Cristo são justificados por Deus gratuitamente por sua graça (v.24). Ser justificado é mais do que Deus nos declarar “sem culpa” é Deus imputar (creditar, colocar sobre) a culpa do nosso pecado sobre Cristo e imputar a justiça de Cristo sobre nós. Observe que a justificação é “por sua graça”. Deus não nos devia nada, mas nós lhe devíamos tudo.

O instrumento da aplicação de sua graça sobre nós foi o sangue de Cristo derramado em sacrifício por nós na cruz (v.25). Propiciar é desviar a ira de Deus por meio de um sacrifício. Cristo desviou a ira justa de Deus contra o nosso pecado tomando-a sobre si. Na cruz ele suportou todo o peso da ira de Deus contra todos os nossos pecados (I Pe 2.24; 3.18). Pela sua morte, Cristo satisfez a justiça de Deus que requeria a morte eterna como pagamento pelos pecados dos homens.

É importante salientar que não foram os homens que pediram o sacrifício de Cristo, mas foi o próprio Deus quem o indicou (v.25). Todo o plano da salvação pertencia a Deus e foi realizado por sua iniciativa. A motivação de Deus para nos salvar foi unicamente a sua graça.

2ª) Efésios 2.1-5.
Nos versos 1 a 3 Paulo apresenta a tripla escravidão dos homens: a satanás, ao mundo e à sua própria carne (natureza humana pecaminosa). Essa escravidão é definida no verso 1 como morte nos delitos e pecados. Mas Deus interveio nessa tripla escravidão com a sua graça! Por causa de sua grande misericórdia e intenso amor.

3ª) Tito 3.3-5.
Paulo descreve quem éramos e o que Deus fez. Então ele diz: “Quando, porém...” A benignidade, o amor, a misericórdia e a ação do Espírito Santo são os qualificativos da graça justificadora e Deus. Vejam como é maravilhosa a graça de Deus! Por causa de Cristo Deus estende graciosamente de forma completa o seu perdão sobre nós.

Os quatro pontos a seguir (II a V) são retratações pitorescas da graça no Antigo Testamento:

II. (1ª) QUANTO DISTA O ORIENTE DO OCIDENTE (SALMO 103.12).
O norte e o sul se encontram no Pólo Norte, mas o ocidente e o oriente nunca se encontram. Separar de nós os nossos pecados dessa forma pelo perdão significa colocá-los numa posição infinitamente longe de nós. Isso quer dizer que o perdão de Deus é extensivamente completo, incondicional e total. Nossos pecados deixam de ser contabilizados no tratamento de Deus para conosco (Sl 103.10). Como isso é possível? Pela graça mediante o sacrifício de Cristo Deus satisfez inteiramente a sua justiça, deixando totalmente livre para aplicar o seu perdão em amor por nós.

III. (2ª) ÀS SUAS COSTAS (ISAÍAS 38.17).
Lançar algo para trás de si é colocar fora de sua visão. Deus lançou nossos pecados para fora de seu campo visual. Deus não leva mais em conta a nossa desobediência proposital ou o nosso desempenho manchado (p.40) porque em vez disso ele vê a justiça de Cristo colocada sobre nós (imputada). Deus fez isso propositadamente, pois ele os lançou ali. Isso não significa que Deus ignore nossas faltas como um pai indulgente. Ao tratar-nos como filhos em Cristo não nos pune com a condenação eterna, mas nos corrige para o nosso bem, se fosse de outra forma não seríamos filhos, mas bastardos (Rm 8.1; Hb 12.7,8).

IV. (3ª) LANÇADO NO MAR (MIQUÉIAS 7.19).
Deus quando nos perdoou lançou nossos pecados nas profundezas do mar para serem perdidos para sempre. Eles jamais serão recuperados e jamais serão usados contra nós novamente. O texto não diz que eles simplesmente caíram de um barco, mas que Deus intencionalmente os lançará nas profundezas. Ele já fez isso em Cristo na cruz. Isso significa que o perdão de Deus é total e irreversível. Não existe penitência e nem período probatório, tudo já foi pago por Cristo e em Cristo! Todo o nosso crédito diante de Deus está na mediação graciosa de Cristo, pois somente ele é justo para nos perdoar e nos purificar de nossos pecados (I Jo 1.9).

V.(4ª) APAGADO DO DOCUMENTO (ISAÍAS 43.25).
Deus apaga as nossas transgressões e não se lembra mais delas. Quando confiamos em Cristo como o nosso salvador, Deus apaga a nossa dívida do fichário e não se lembra mais deles. Na verdade ele se reconciliou conosco por meio de Cristo (Rm 5.10,11).

Essa eliminação da dívida é um ato judicial, um perdão oficial do Rei Supremo, enquanto o ato de não se lembrar é um ato relacional, a desistência de quem ofendido de cobrar a dívida. Ele promete jamais levantar essa dívida perdoada em qualquer nova pendência entre nós. Há uma diferença entre “esquecer” e “não se lembrar”. O primeiro é passivo e tem a ver com o fato de que não somos oniscientes como Deus; mas o segundo é ativo, envolve uma decisão e uma promessa de não levar em conta contra alguém.

É como um aluno rebelde que foi expulso da escola por ter agredido um professor. Ele foi legalmente expulso por sua conduta e o professor relacionalmente pode guardar profundas mágoas contra ele. Caso ele consiga retornar à escola, precisará do perdão legal da direção da escola e do perdão relacional do professor, caso contrário este poderá manter uma atitude de perseguição para com o aluno em função de sua conduta passada. Por isso o perdão gracioso de Deus a nosso favor é duplo: Ele é legal e ao mesmo tempo relacional. Ele apaga a dívida e não se lembra mais dela! Ele se reconciliou completamente conosco (2Co 5.18). Deus não nos trata mais como seus inimigos (Rm 8.31).

VI. LIVRE DE ACUSAÇÕES.
O Novo Testamento está repleto de afirmações sobre o perdão de Deus a nosso favor. Colossenses 1.21,22 afirma que Deus nos apresentará a ele mesmo irrepreensíveis e inculpáveis. Ser “irrepreensível” é ser “livre de acusações”. Para quem confia em Cristo como seu salvador, todas as expressões do perdão divino são verdadeiras para si. Os textos apontados acima são como diamantes sobre um pano de fundo escuro e profundo. Deus nos perdoa pela graça e lida conosco dia a dia por essa mesma graça. Veja como ela é maravilhosa!

VII. GRAÇA A OUTROS.
A graça que recebemos deve ser partilhada com os outros. É claro que não conseguiremos fazê-lo como Deus faz conosco, mas podemos nos relacionar mutuamente como pessoas que receberam a graça e desejam expressá-la agindo de acordo com seus princípios. A parábola do servo infiel nos ensina claramente que o perdão que recebemos de ser partilhado ao perdoarmos os outros (Mt 18.23-34). Quem vive pela graça aprende a diferenciar entre sua imensa dívida de pecados para com Deus e a dívida de pecados dos para consigo. Aprendemos a perdoar porque fomos graciosamente perdoados (Ef 4.32).

Homenagem ao Bispo Robinson Cavalcanti



Estive presente no VI CBM e assisti à sua impactante palestra ao final do evento. Na minha opinião, sua palavra foi a mais importante quanto ao papel estratégico do evangelicalismo brasileiro e sua necessidade de encontrar uma identidade bíblica na sua história.
abs.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

02 = Graça - Quem Precisa Dela?


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Graça Que Transforma
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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02 = Graça – Quem Precisa Dela? 15/02/2012
Graça Que Transforma – Jerry Bridges, ECC, p. 25-34.
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Introdução:
A Bíblia ensina que temos uma dívida de pecado para com Deus que não temos como pagar. Por outro lado, ensina também que o próprio Deus cancelou essa dívida, pagando-a ele mesmo por meio do sangue de Cristo (Rm 3.22-24; 6.23).

I. UMA VISÃO BÍBLICA DA GRAÇA.
A graça não é o preenchimento do que falta em nós para alcançarmos a salvação. O que a Bíblia ensina não é que não somos bons o suficiente para alcançarmos nossa própria salvação e por isso precisamos do complemento da graça. Não precisamos entender totalmente a graça para sermos salvos, mas se tivermos uma compreensão errada da graça, pode ser que nunca entendamos o evangelho.

Para vivermos pela graça é preciso saber o que é a graça salvadora. Há duas razões para isso:
(1) A graça salvadora é o pressuposto básico de toda a vida na graça.
(2) A graça é sempre a mesma na salvação e na santificação, ou seja, é um dom imerecido de Deus.

II. A OFERTA DE GRAÇA DE DEUS.
O evangelho é oferecido aos que não tem dinheiro nem boas obras (Is 55.1). O evangelho não é oferecido aos que não tem dinheiro suficiente. Fica claro que a graça não é a complementação do que falta, mas a oferta generosa de todo o custo da salvação sem qualquer distinção entre as pessoas (Rm 3.22).

Por exemplo, O Grand Canyon nos EUA tem 14 km de largura entre um penhasco e outro. Quem salta 10 mt. e quem salta apenas 2 mt. vai cair do mesmo modo. Quando Deus salva ele tira da morte e ele mesmo transporta para a vida (Jo 5.24; Cl 1.13). Segundo Paulo em Rm 3.23 ninguém consegue atravessar sozinho (por seus próprios esforços) o abismo de pecado que existe entre nós e a vida eterna com Deus. Fomos destituídos; não alcançamos e carecemos de sua glória. Estamos completamente falidos em sua presença.

Nós não encontramos as pessoas se esforçando para alcançar ávida no céu, pois presumem que o que já fazem Deus deve aceitar como suficiente. As pessoas olham para o pecado e simplesmente acham que o abismo é estreito o suficiente para que o pulem sozinhos. Essa presunção é uma ilusão. Todos acham que seus esforços são “moeda corrente” suficiente para “comprar” uma casa no céu. Como o fariseu da parábola elas confiam na sua justiça própria como base suficiente para a sua salvação (Lc 18.9-14).

As pessoas acham que são basicamente boas, mas Paulo afirma que todos somos maus (Rm 3.10-12). Tanto os judeus moralistas quanto os ímpios perversos estão debaixo da mesma condenação eterna (Rm 3.9). As pessoas acham que são boas por serem bons vizinhos, amáveis e gentis como os outros. Mas a definição de Paulo de que somos todos maus está fundamentada na alienação e rebeldia causada pelo pecado entre os homens e Deus.

III. SEGUINDO O NOSSO PRÓPRIO CAMINHO.
A essência do pecado é “seguir o próprio caminho” (Is 53.6). Isso pode significar querer comprar a salvação por meio de obras de caridade ou ofertas na igreja ou simplesmente roubar bancos para se viver bem. Ambos não pensaram em Deus, mas apenas em si mesmos. Num mundo governando por um Deus soberano, justo e santo isso significa rebeldia e pecado.

As pessoas não pecadoras por causa de eventos ruins acontecidos em sua infância, mas porque já nasceram debaixo do pecado com uma natureza humana corrompida e corrupta (Sl 51.5). Ter uma natureza corrompida e perversa é o mesmo que ter uma inclinação para seguir o próprio caminho.

As pessoas estão dispostas a aceitar que não são perfeitas e que têm falhas e derrotas. Todavia as Escrituras afirmam que ser pecador é mais que apenas aceitar deslizes momentâneos. Ser é pecador é ser transgressor e iníquo (Lv 16.21); desprezar a palavra de Deus (2Sm 12.9,10); rebeldes quando se come em um lugar que Deus ordenou para não comer ali (1Rs 13.21). esses textos são suficientes para mostrar que a definição de pecado de Deus é mais profunda e séria que a da maioria das pessoas.

O pecado é rebeldia contra o Criador soberano e Rei Juiz do universo. O pecado resiste à prerrogativa divina de exigir obediência de seus súditos. Rejeita a Lei divina justa, santa e boa trocando-a pela sua própria vontade. O pecado não é apenas ato, mas também atitude que ignora a Deus e à sua lei. Ainda mais, o pecado é um estado coração, uma condição do nosso ser interior de corrupção, vileza e sujeira moral na presença de Deus (Veja Zc 3.1-4).

Por sermos pecadores somos culpados e corrompidos. A sujeira da roupa do sacerdote Josué fala da corrupção que acompanha a culpa. Porque somos culpados nossos atos são corrompidos (poluição, sujeira, vileza). Estamos sujos pelo pecado, como quem traja roupas muito sujas ou imundas. Por sermos culpados e corrompidos, precisamos de perdão e purificação (I Jo 1.9). É por essa razão que a Bíblia fala de Deus como aquele justifica ao ímpio, é achado pelos que não o buscavam e se revela a quem não pedia por ele (Rm 4.5; 10.20).

O publicano da parábola não pediu que Deus compensasse suas faltas, mas que tivesse misericórdia dele, pecador (Lc 18.9-14). Precisamos da graça divina para perdoar nossa culpa e purificar nossa poluição (corrupção). Ela provê a satisfação da justiça divina pelo cancelamento de uma dívida que não podemos pagar. A graça descrita nas escrituras pressupõe a queda, sua culpa e completa corrupção. Os homens que são salvos por meio dela são caídos, indignos e suscetíveis à ira eterna de Deus. Diante da graça não somos apenas não merecedores, mas somos maus merecedores, pois não só não merecemos a graça, mas o que merecemos mesmo é a condenação ao inferno!

IV. RESPONDENDO À GRAÇA.
Responder à graça como se ela fosse apenas um complemento ao que falta de nossas boas obras para alcançarmos o céu é uma resposta equivocada a Deus. Mas a maioria das pessoas entende e vive a sua vida cristã dessa forma, tentando garantir sua salvação por meio de suas boas obras.

Quem precisa da graça? Todos nós precisamos dela; desde o mais fraco até o cristão mais ativista. Nenhuma boa obra tem qualquer valor na presença de Deus. Nem os nossos méritos e nem os nossos deméritos determinam a atuação da graça divina em nossas vidas, porque ela não é um suplemento para nossos méritos (boas obras) e nem um complemento para os nossos desmerecimentos (obras más). Ela nos considera totalmente sem méritos e incapazes de fazer algo que possa obter a salvação e qualquer benção de Deus. A graça deixaria de ser graça se Deus fosse obrigado a concedê-la diante de qualquer mérito humano. Receber o que se merece é justiça e não graça. Ela não é dada por mérito e nem retirada em função do demérito. A medida da graça é unicamente a infinita bondade, a rica misericórdia, o intenso amor e o soberano propósito divino (Jo 3.16; Ef 2.4-8). De todos os ângulos a graça será sempre graça e sempre maravilhosa graça!

Enquanto estivermos nos apegando á autojustiça e confiando nas próprias aquisições espirituais, não estaremos vivendo na graça, pela graça e da graça. Não dá para ficarmos com um pé na graça e o outro nas obras.
Abraão Booth afirmou: “as tentativas de completar o que foi iniciado pela graça revelam o nosso orgulho e ofendem ao Senhor, mas não podem promover o nosso benefício espiritual” (p.34).

Aplicação:
(1) Conhecer corretamente a doutrina da graça é muito útil usufruir de seus benefícios espirituais.
(2) Deus não se baseia em nós para aplicar a sua graça, mas somente em si mesmo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Mateus 6.10 = O Teu Reino e a Tua Vontade


O Teu Reino e a Tua Vontade

“Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu.” (Mateus 6.10).

O Sermão do Monte é a expressão da “contra-cultura” cristã. O que rege as nossas vidas é diferente daquilo que rege as vidas das pessoas do mundo e que servem aos seus próprios interesses. Nós servimos a Deus, que acima de tudo, por meio de Cristo, é o nosso Pai.

a) Venha o teu reino.
O Reino de Deus é o governo real de Deus. O reino de Deus é justiça e paz, e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17). O reino de Deus é o tesouro oculto num campo; a pérola de grande valor e a rede que pesca vários tipos de peixes (Mt 13.44-48). O reino de Deus é o seu governo real, e não uma localização geográfica com CEP e aeroporto internacional para ser visitado por turistas e curiosos. O campo do seu governo é a sua criação, a história e a sua revelação.

Orar para que o seu reino cresça nas pessoas; é orar pela evangelização, para que as pessoas se submetam a Jesus através do testemunho da Igreja, a fim de que logo esse reino seja consumado na volta de Cristo como foi prometido (I Co 15.24,25,28). Como é a igreja que proclama o reino, ela é a agente do reino na terra.

b) Seja feita a tua vontade.
Paulo fala em Romanos 12.2 que a vontade de Deus é “boa, perfeita e Agradável”, portanto, resisti-la é loucura e perda de tempo, porém amá-la, obedecê-la e propagá-la é a mais sóbria sabedoria. A vontade de Deus é soberana, por isso deve ser obedecida; ela é santa, por isso Deus deseja que nos santifiquemos (I Ts 4.8); ela também é justa; por isso não se deve brincar com os seus propósitos. A vontade de Deus precisa ser conhecida por cada um de nós (Cl 1.9-12) e, conseqüentemente, devemos orar para que ela seja feita na terra do mesmo modo como é feita no céu.

Orar pelo reino de Deus é submeter-se ao seu domínio; orar pela vontade de Deus é dizer não ao nosso egoísmo e colocar-se sob este domínio santo, justo e bom.
Assim sendo, devemos cumpri-la aqui na terra, como ela já é cumprida no céu. Não devemos ignorar a realidade de violência, insegurança e descaso ao nosso redor, mas devemos trabalhar para que essa realidade seja transformada pela contracultura cristã.

O nosso testemunho deve ser oferecido ao mundo não somente na forma de evangelização, mas também de caráter transformado e real interesse pelos outros e pela vida na terra, até que Cristo volte e restaure todas as coisas definitivamente. Até lá temos muito que fazer.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

01 = O Rolo Compressor do Desempenho


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Graça Que Transforma
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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01 = O Rolo Compressor do Desempenho 08/02/2012
Graça Que Transforma – Jerry Bridges, ECC, p. 15-24.
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Introdução:
A maioria dos cristãos tende a basear seu relacionamento com Deus no desempenho e não na sua graça. Embora saibamos que somos salvos pela graça mediante a fé, compreendemos muito mal que toda a vida cristã é mantida pela graça e vivida dentro da esfera da graça (II Tm 4.1; I Co 3.10). Compreender isso é libertador.

I. “NÃO HÁ JUSTO, NEM UM SEQUER...” (Rm 3.10-12).
Falência é uma palavra terrível que significa fracasso, insolvência, incapacidade e ruína financeira. Aplicada à vida moral de uma pessoa aponta para os mais níveis de caráter que alguém possa ter. Todavia seu uso nesse estudo é espiritual. Paulo afirma acima que todos os homens estão espiritualmente falidos (exceto Jesus Cristo).

Nenhum que seja justo, que busque a Deus ou faça o bem de forma íntegra. Mesmo as nossas melhores obras de justiça são como trapos de imundícia na presença de Deus (Is 64.6).

Quando conhecemos a graça de Deus e o recebemos a Cristo pela fé em arrependimento declaramos a essência de nossa falência espiritual, pois reconhecemos que a salvação é um dom gratuito de Deus à parte de nossa participação (Rm 6.23; Ef 2.8,9).

II. FALÊNCIA TEMPORÁRIA OU TOTAL?
Numa empresa a falência pode ser temporária (concordata) ou permanente (liquidação). Concordamos que nossa falência espiritual é permanente, mas nos comportamos como fosse apenas uma concordata temporária. Confiamos unicamente em Cristo para a nossa salvação, mas sutil e inconscientemente nutrimos um relacionamento com Deus baseado em nossas obras. Sabemos que nossas obras não nos levam para o céu, mas deduzimos que elas merecem as bênçãos de Deus na nossa vida cotidiana. Como se a graça fosse apenas um reforço para nos ajudar a sair da concordata!

Esse raciocínio não se sustenta diante das contínuas quedas espirituais e alimenta nosso legalismo natural quanto a como nos relacionamos com Deus. Como assim legalismo? Pensamos que determinado comportamento pode fazer por merecer determinada benção de Deus.

A cultura cristã contemporânea alimenta o legalismo, pois nos induz a pensar em nossos deveres cristãos (oração; leitura bíblica, ofertas; freqüência à igreja) unicamente como desempenho que merece ser abençoado.

Jesus já pagou TUDO, “ele não só pagou o perdão dos pecados e a entrada para o céu, como também pagou por toda a benção e toda resposta de oração que se possa receber. Todas – sem exceção” (p.18). O nosso maior problema não é crer que Deus já fez tudo, mas é acreditar que não precisamos fazer mais nada! Não acreditamos estar completamente falidos e depois de entregarmos nossa vida a Cristo pela fé na sua graça, tentamos comprá-la de volta pela crença no desempenho de nossas obras!
A experiência cristã total é descrita na Bíblia muitas vezes em três fases distintas: Justificação – Santificação – Glorificação.

Na Justificação somos declarados justos diante de Deus pela fé em Jesus Cristo (Ef 2.8). Ele foi um acontecimento que já ocorreu no passado de quem crê. Na Santificação crescemos dia a dia à semelhança de Cristo. É uma experiência progressiva que ocupa toda a nossa vida até a glorificação. Na Glorificação deixamos esta vida para estar com Cristo; isso ocorrerá plenamente na ressurreição do corpo.

Nossa maior dificuldade é entender que a santificação dentro desses três estágios também é uma experiência da graça. Na melhor das hipóteses achamos que a vida cristã é uma mistura de obras (desempenho pessoal) e graça. Ilustremos:

Como vemos: ----- Justificação -------- Santificação ------ Glorificação
--------------- Baseada na graça --- Baseada nas obras -- Baseada na graça


Como é:---- Justificação ----- Santificação --------- Glorificação
---------- Baseada na graça -- Baseada na graça --- Baseada na graça

Quem acredita que a santificação é baseada nas obras se coloca debaixo do rolo compressor do desempenho. Quem reconhece a falência total não tem mais dívidas, mas quem apenas pediu concordata continua com a faca das dívidas espetando continuamente o seu pescoço.

Duas verdades maravilhosas quanto à justificação pela graça é que em Cristo todas as nossas dívidas de pecado foram pagas eternamente. Elas foram pagas totalmente e foram pagas eternamente. Tanto a Lei quanto a justiça de Deus foram plenamente satisfeitas pelo sacrifício de Cristo. Cristo se ofereceu de uma vez por todas pelos nossos pecados (Hb 7.27; 9.12,26; 10.2,10; 12.26,27). Cristo pagou a dívida de todos os nossos pecados: passados, presentes e futuros, pois cancelou o escrito de dívida que pesava sobre nós removendo-o inteiramente (Cl 2.13,14).

Isso significa que somos salvos pela graça, somos santificados pela graça, recebemos todas as bênçãos temporais e espirituais de Deus pela graça, somos motivados à obediência pela graça, recebemos forças para suportar todas as provações pela graça e finalmente seremos glorificados pela graça. Toda a vida cristã é vivida sob a regência da graça de Deus (p.21).

III. O QUE É GRAÇA?
A graça é o favor grátis e não merecido de Deus, demonstrado a pecadores culpados que só mereciam o juízo. É Deus estendo a mão para pessoas rebeldes contra ele. A graça divina age em direta oposição a qualquer suposto merecimento da nossa parte (Rm 11.6). O nosso relacionamento com Deus ou é baseado nas obras ou na graça; não existe um meio termo. É por essa razão que Paulo ficou admirado da atitude legalista dos gálatas de após conhecerem a graça de Cristo, tentarem se aperfeiçoar nas obras (Gl 3.3).

IV. O MERECIMENTO DE CRISTO.
O merecimento de Cristo e a graça de Cristo sempre andam juntos nos escritos de Paulo (Gl 5.2-4; Ef 2.4-7). A encarnação e morte de Cristo resultaram da graça e são manifestação da mesma (Tt 2.10-14) e o sacrifício de Cristo abriu-nos o completo acesso á sua graça (Rm 5.1,2). A graça são as riquezas de Deus que nos são dadas às expensas (custo) de Cristo.

A relação entre Davi e o irmão de Jônatas (Mefibosete) ilustra isso; por amor a Jônatas, Davi cuidou de Mefibosete como a um de seus próprios filhos (II Sm 9.11). Quatro vezes é mencionado que ele comia à mesa do rei (II Sm 9.7,10,11,13), mas o relato começa e termina dizendo que ele era paralítico (II Sm 9.3,13). Mefibosete nunca deixou de ser paralítico e sempre dependeu do cuidado de Davi, o rei. É assim que Deus nos trata por amor a Cristo. Seremos sempre pecadores alcançados e amparados pela graça de Deus!

Aplicações:
1. Toda a vida cristã é vivida sob a regência da graça de Deus.
2. Quanto mais depressa entendermos e reconhecermos nossa dependência da graça mais teremos condições de lidar com os problemas e dificuldades na vida cristã.
3. Pratiquemos a graça que recebemos uns com os outros nos nossos relacionamentos como Davi fez com Mefibosete por amor a Jônatas seu amigo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Os Primeiros anos do Rev. Ashbell Green Simonton No Brasil


Os primeiros nove meses de Simonton no Brasil foram dedicados ao aprendizado da língua e a pregações a compatriotas e ingleses no porto e em residências. Em 22 de abril de 1860, Simonton finalmente conseguiu dirigir o seu primeiro trabalho em português, uma escola dominical. Três meses mais tarde, chegaram valiosos reforços na pessoa do Rev. Alexander L. Blackford e sua esposa Elizabeth, irmã de Simonton.
No início de 1861, Simonton fez uma longa viagem de reconhecimento pelo interior, passando por São Paulo, Sorocaba, Itapetininga, Itu e Campinas.

Fez várias pregações, visitou ingleses e alemães, hospedou-se com liberais e conversou com sacerdotes. Ao descrever essa viagem, Simonton deixou um curioso testemunho sobre o choque cultural que experimentava. Na região de Itapetininga, ele passou algum tempo em uma fazenda cuja hospitalidade muito apreciou. Todavia, não pode deixar de notar a casa desmazelada e suja, sem assoalhos, com falta de janelas e portas, e os porcos, galinhas, cachorros, vacas, cavalos e mulas que entravam livremente. Diz ele:

Nunca vi família tão excelente, com suficientes recursos, viver tão mal. Escravos por toda a parte, uns atrapalhando os outros; tábuas abandonadas na serraria a 100 metros de distância; não consigo entender tanto descaso e negligência. Dia após dia eu observava e me maravilhava do processo como se dirigia a empresa toda. Ao ver João Carlos [Nogueira], um dos brasileiros de coração mais bem formado, em outros aspectos um homem de bom senso, viver daquele modo, minha confiança no Brasil e nos brasileiros diminuiu.

Simonton pôde realizar o primeiro culto regular no Rio de Janeiro em 19 de maio de 1861; nessa oportunidade constituiu diácono um dos dois assistentes. O melhor domínio da língua permitiu que Simonton tivesse mais êxito em atrair interessados e ele manifestou a satisfação de finalmente poder anunciar a sua mensagem aos brasileiros (e portugueses) e ver os primeiros frutos.

Finalmente, a 12 de janeiro de 1862 concretizou-se a primeira grande realização de Simonton, que foi a fundação da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Naquele dia, estando presente um novo missionário recém-chegado, Francis J. C. Schneider, Simonton admitiu formalmente à igreja os seus dois primeiros membros, curiosamente ambos estrangeiros – um americano (Henry E. Milford), agente da Companhia Singer de máquinas de costura, e um português (Cardoso Camilo de Jesus). Simonton registrou o fato em seu Diário:

Domingo, dia 12 [de janeiro de 1862], celebramos a Ceia do Senhor, recebendo por profissão de fé Henry E. Milford e Cardoso Camilo de Jesus. Organizamo-nos assim em Igreja de Jesus Cristo no Brasil. Foi um momento de alegria e satisfação. Multo mais cedo que esperava minha pouca fé, Deus nos permitiu os primeiros frutos da missão. Senti-me até certo ponto agradecido, mas não como devia. A comunhão foi dirigida por Mr. [Francis Joseph Christopher] Schneider e por mim, em inglês e português. O Sr. Cardoso, a seu pedido e de acordo com o que consideramos melhor, depois de muito estudo e certa hesitação, foi batizado. Prestou um exame que satisfez completamente a Mr. Schneider e a mim, sem deixar dúvida em nossas mentes com respeito à realidade de sua conversão. Graças sejam dadas a Deus pela confirmação de nossa fraca fé, por vermos que não pregamos em vão o Evangelho.

Os principais colaboradores de Simonton nesse período foram seu cunhado Alexander L. Blackford, que em 1865 organizou as Igrejas de São Paulo e Brotas; Francis J. C. Schneider, que trabalhou entre os imigrantes alemães em Rio Claro, lecionou no seminário do Rio e foi missionário na Bahia; e George W. Chamberlain, grande evangelista e operoso pastor da Igreja de São Paulo. Os quatro únicos estudantes do “seminário primitivo” foram eficientes pastores: Antonio Bandeira Trajano, Miguel Gonçalves Torres, Modesto Perestrelo Barros de Carvalhosa e Antonio Pedro de Cerqueira Leite.

Outras poucas igrejas organizadas no primeiro decênio foram as de Lorena, Borda da Mata (Pouso Alegre) e Sorocaba. O homem que mais contribuiu para a criação dessas e outras igrejas foi o notável Rev. José Manoel da Conceição (1822-1873). Conceição visitou incansavelmente dezenas de vilas e cidades no interior de São Paulo, Vale do Paraíba e sul de Minas, pregando o evangelho da graça.

De fato, Simonton e seus colegas conseguiram uma lista impressionante de realizações durante os oito anos de seu trabalho no Brasil:
A fundação de uma igreja no Rio de Janeiro (12/01/1862);
a fundação do primeiro jornal evangélico no Brasil, a Imprensa Evangélica (05/11/1864);
a organização do primeiro presbitério, o do Rio de Janeiro (16/12/1865);
e ainda a fundação do primeiro seminário teológico, no Rio de Janeiro (14/05/1867).

Em julho de 1867, na reunião do Presbitério do Rio, Simonton propôs a seguinte estratégia missionária para a igreja presbiteriana brasileira:

1. A santidade da igreja deve ser ciosamente mantida no testemunho de cada crente.
2. É preciso inundar o Brasil de Bíblias, livros e folhetos.
3. Cada crente deve comunicar o evangelho a outra pessoa.
4. É necessário formar um ministério nacional idôneo.
5. Escolas paroquiais para os filhos dos crentes devem ser estabelecidas.
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