O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

De Um Pai Para Uma Adolescente


Hélio O. Silva De Um Pai Para Uma Adolescente.
1º/06/2003.

Eu não quero que você olhe para trás; não quero que olhe para baixo e desista. 
Eu quero que você aprenda a lutar e resistir. 
As pressões do mundo são perigosas e sedutoras. 
Eu não quero que aprenda a competir e destruir, mas desejo que aprenda a cooperar para construir. 
O mundo pode ser bem melhor se o amarmos como Deus ama.

Não espero de você sempre o primeiro lugar, só desejo que se esforce o suficiente, porque o suficiente não é medíocre. 
Ele é apenas o que tem que ser. 
Mais que o suficiente pode ser o resultado da cobiça; o cansaço que não conseguimos superar. 
Deus não nos criou para a fadiga, mas somente para o trabalho justo e honesto que produz sustento e felicidade.

Eu não quero que você seja mais do que é e do que chegará a ser com a graça de Deus. 
Eu não quero que caminhe nos meus sonhos, mas que construa os seus pelos mesmos caminhos e princípios que construí os meus, pois “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos os que o praticam” (Sl 111.10). 
Eu não quero te prender a mim, pelas minhas mãos; só quero não perder a sua mão e sua companhia pelo caminho, quando eu precisar que me ampare. 
E quero te conduzir livremente às mãos acolhedoras do Senhor Jesus, o nosso bom pastor.

Eu não quero diminuir você, mas apenas te ensinar o que é autoridade e respeito; coisas que você vai precisar logo mais adiante. 
Ao ensinar-lhe as regras, não construí prisões sem fim. 
Logo aprenderá que as regras são libertadoras, pois lhe permitem saber o que fazer e quando fazer. Viver sem elas é perder tempo com tudo e não ganhar nada!

Eu não quero ser melhor do que você, eu só quero ser um bom pai; e, sorrindo, te chamar de filha... Eu quero te amar agora; e quero te amar mais ainda depois. 
Porque também preciso do seu amor agora; e muito mais depois, quando envelhecer...

Com amor, Pr. Hélio O. Silva

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

O Significado do Natal (Mateus 1.18-25)


O Significado do Natal (Mateus 1.18-25)
Rev. Hélio O. Silva = 1º/12/2005

No filme “O Expresso Polar”, produzido por Tom Hanks, recém chegado às locadoras, o sentido único do Natal é a crença no Papai Noel. Um menino é levado ao Pólo Norte para ver o Papai Noel pessoalmente. O Natal só ganha significado para ele quando é levado a dizer “eu creio” no Papai Noel. Notem os irmãos que é uma proposta de fé numa lenda, numa estória com o intuito claro de substituir a história verdadeira. O homem deixa de crer na verdade para crer em fábulas COMERCIAIS como se fossem a verdade mais pura e bela.
O dia 25 de dezembro foi escolhido, no período patrístico, por pelo menos três razões: (1) Substituir o rito pagão da Saturnália. (2) Substituir as comemorações do soltíscio do inverno (entrada do verão), quando se adorava o sol, ou o Sol Invicto. (3) Era a data de aniversário do imperador Constantino.
Seria uma discussão irrelevante tentar questionar as comemorações do Natal em função dessa data; visto que John Knox e até mesmo Calvino o fizeram e nada mudou. Mas é preciso pelo menos manter fresca na memória as razões verdadeiras do Natal
O NASCIMENTO DE CRISTO É UM MILAGRE REALIZADO PELO ESPÍRITO SANTO (v. 18-20). Uma mulher grávida sem coabitação humana. Cristo nasceu de uma virgem. Esse é um ponto fundamental da nossa fé em Cristo. Nascendo de uma virgem, de modo sobrenatural, ele estaria livre das imperfeições e pecados humanos.
O NASCIMENTO DE CRISTO ACONTECEU PARA ELE REALIZAR A NOSSA SALVAÇÃO (v.21). O nosso salvador é o rei prometido da família de Davi, enviado por Deus “Porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (cf. Rm 4.25). O significado do Natal é a encarnação de Cristo. “O Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai e igual a ele, quando chegou o cumprimento do tempo, tomou sobre si a natureza humana com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns, contudo sem pecado, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da Virgem Maria e da substância dela. As duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas - a Divindade e a humanidade - foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão composição ou confusão; essa pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém, um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem. (Confissão de Fé de Westminster cap. VIII.2)
O NASCIMENTO DE CRISTO ACONTECEU PARA QUE SE CUMPRISSE AS ESCRITURAS (v.22-25), pois todos os acontecimentos da história obedecem ao desígnio de Deus. A história do Natal não é a história da maternidade de Maria, mas é a história do nascimento do nosso Salvador. Embora Jesus seja o primogênito de Maria (Lc 2.7), Ele é primeiramente o unigênito de Deus (Jo 3.16). Não só Maria, mas também José, foram pessoas agraciadas por Deus de forma especial, mas, depois do nascimento de Jesus, tiveram uma vida normal de marido e esposa, sem que isso implicasse em qualquer prejuízo da sua participação na educação de Cristo, pelo contrário, contribui para que ela fosse essencialmente normal e humana.
Assim, concluímos que:
(1) O nascimento de Cristo é um milagre no qual devemos crer! Cristo não é uma fé concorrente à fé no Papai Noel, porque Cristo nasceu e viveu, o papai Noel é uma mera ficção do mundo, uma fábula, nada mais. O Papai Noel de minhas filhas sou eu, mas Cristo é o nosso único e suficiente SALVADOR.
(2) O nascimento de Cristo cumpre os propósitos de Deus quanto a nós. O Natal é mais um dia para celebrarmos o perdão dos nossos pecados. E Não nos esqueçamos disso! E assim como Cristo nasceu e viveu para cumprir os propósitos de Deus, também assim vivamos nós.
(3) O nascimento de Cristo e sua humanidade são uma dádiva, um presente, a prova do amor de Deus por nós (Jo 3.16; Rm 5.8). É isso que nos dá um FELIZ NATAL!
Com amor, Pr Hélio.

domingo, 25 de novembro de 2007

Derramar-se (I Samuel 1)



Hélio O. Silva 10/05/2007
Derramar-se. (I Samuel 1.9-18).

Ana é de longe um grande exemplo de mulher que apontamos como um referencial para todas as mães da igreja. Um dos motivos para tal é a associação bíblica de sua maternidade com a resposta de Deus a uma oração sua. Ana não vivia no nosso tempo cheio de avanços e descobertas científicas, mas as suas dores eram as mesmas de muitas mulheres que não podem ser mães.

A sua oração nos cativa pela sua simplicidade, especialmente pela objetividade dessa simplicidade. Nenhum mito resiste à força da narrativa de sua dor que foi transformada em alegria. A alma atribulada de Ana a levou à beira da anorexia. Mas a benção da resposta de Deus a levou à saúde e à maternidade feliz.

Para Ana orar é derramar-se; fazer correr de dentro para fora todas as suas mágoas, amarguras e frustrações; entornar, por outro lado, tudo aquilo que a enche por dentro e a sufoca. A linguagem piedosa de outros tempos já dizia que orar é depositar diante de Deus o que temos conosco.

Com Ana aprendemos que o “como” da oração não é determinado pelas tendências teológicas da igreja, mas pela capacidade cúbica da alma. Estando cheio o coração daquilo que o sufoca e mata, através da oração, e diante de Deus, podemos nos esvaziar e sobreviver. Há vozes que dizem que a oração deve manifestar confiança e ousadia, mas na boca de Ana ela não ultrapassa o sussurro, o mexer trêmulo de lábios e o escorrer copioso de lágrimas dos olhos, por onde a alma se derrama (v.10,12 e 13).

A oração de Ana é um vexame para os pastores da prosperidade, porque é uma petição que espera pela resposta concessiva de Deus (v.17) e não uma reivindicação de suas promessas eternas. No entanto, é a oração de Ana que está registrada na Bíblia e não as orações dos pastores da prosperidade! Que vexame! Que maravilha da graça de Deus!

A oração de Ana combate a lei do aborto que o Senado federal quer por quer aprovar no Brasil. Pois ela pede um filho... O bem estar do seu corpo era experimentar a vocação de ser mulher e assim sendo, ser mãe. A oração de Ana é a oração de uma jovem que está pronta para a maternidade.

A oração de Ana não era um descarrego de fobias, pois não evoca qualquer maldição para a ou da sua rival Penina. Suas provocações não são sequer mencionadas na oração (v.6). A oração de Ana nos ensina que a cura para os males sociais não é a aprovação de leis que limitam os outros enquanto nos libertam, mas a cura da sociedade é a cura das pessoas.

Por fim a oração é um veículo de cura! Uma mulher que não comia ou bebia depois de orar a Deus renova as suas forças, come e bebe; e o seu semblante já não era triste (v.18). A oração de Ana não é um padrão, mas um incentivo que fala alto. Tribulações, ansiedades e aflições podem ser derramadas na presença de Deus e na casa de Deus; no culto e com a presença do pastor e tudo! E Deus que vê tudo e ouve tudo nos abraçará.
Com amor, Pr. Hélio.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Os Que se Auto-denominam "Apóstolos"


Pastorais. (28/11/00).
Rev. Hélio de Oliveira Silva, STM.

Vem tomando forma entre alguns líderes evangélicos brasileiros o assumirem o título de “apóstolos”. Miguel Ângelo, no Rio de Janeiro; Estevam Hernandes, em São Paulo; e mais recentemente, César Augusto, em Goiânia.
Do jeito que a coisa vai, logo teremos um apostolado para cada Estado brasileiro ou para cada metrópole desse país. Quando o tráfego de “apóstolos”se tornar congestionado, alguém, em algum lugar, ou estes mesmos, vão querer elevar seus títulos para “Patriarcas”.
Ora, a história da Igreja Antiga nos dá testemunho de que esta prática não é nova e de que também não é saudável para a Igreja do Senhor Jesus Cristo.
O próprio Apóstolo Paulo teve problemas com aqueles que se auto-denominavam apóstolos (II Co 11.1-15) e a Igreja de Éfeso, vários anos depois, havia colocado alguns deles à prova e os havia achado mentirosos. Jesus elogiou a atitude da Igreja de Éfeso, mesmo apesar de ela ter feito isso mecanicamente, uma vez que houvera abandonado o seu primeiro amor.
Mas, por que buscar e proclamar-se “apóstolo”?
A Escritura credita este título apenas aos doze, a Matias, a Paulo (como um nascido fora do tempo – I Co 15.8), a Tiago, o irmão do Senhor (Gl 1.19, I Co 15.7) e de uma forma bem mais limitada a Barnabé, Timóteo e Silas (At 14.4,14; I Ts 2.6).
Os apóstolos, ao lado dos profetas do AT formam o alicerce da Igreja (Ef 2.20 e 3.5). Uma das principais credenciais do apostolado era ter visto o Senhor (I Co 9.1). “Um apóstolo era alguém enviado numa missão específica, na qual age com plena autoridade em favor de quem o enviou, e que presta contas a este”[1].
Paulo, ao enfrentar o problema daqueles que se auto-intitulavam apóstolos na Igreja de Corinto (II Co 11.1-15), deixou bem claro tratar-se de um expediente fraudulento, que tinha como objetivo minar a autoridade dos verdadeiros apóstolos, especificamente a sua, a fim de serem considerados iguais a eles. “Mas o que faço e farei é para cortar ocasião àqueles que a buscam com o intuito de serem considerados iguais a nós, naquilo em que se gloriam” (v.12). O que eles buscavam? “Desejavam poder dizer que desenvolviam sua missão nas mesmas condições de Paulo, a fim de consolidar com força a sua posição em Corinto”[2].
Aqueles “apóstolos” de Corinto, queriam se igualar a Paulo em autoridade a fim de implementar seus projetos particulares sem que houvessem empecilhos. Paulo chama a Igreja a não se deixar enganar e a não aceitá-los de boa mente, pois este comportamento era fraudulento e servia somente aos propósitos de Satanás e não aos da Igreja do Senhor Jesus Cristo. Paulo chega mesmo a chamá-los de “falsos apóstolos”e “Ministros de Satanás” (v. 13,15).
Então podemos concluir que ao se auto-denominarem apóstolos, os pastores brasileiros dessas mega-Igrejas estejam correndo o risco de estarem buscando duas coisas:
1ª) Preservar sua autoridade sobre suas igrejas e implementá-la sobre as demais. Para eles ser apóstolo é ter um status superior ao de simples pastor entre os demais pastores. É ser o coordenador de um ministério eclesiástico de maior alcance e que por isso exige o reconhecimento de um grau maior de autoridade. Ora, foi assim que a Igreja marchou rumo ao Papado, e a Igreja Evangélica brasileira não está se comportando de modo diferente. César Castellanos, o líder mundial do movimento G-12, chegou mesmo a afirmar que Deus lhe deu um apostolado mundial e agora ele busca discípulos para implementar sua autoridade apostólica mundial[3], inclusive no Brasil. A própria pastora Valnice Milhomes se colocou debaixo de sua cobertura espiritual e por ele foi ungida “tornando-se um de seus três discípulos no Brasil”[4].
2ª) Uma vez que o apóstolo respondia diretamente a Deus por seu comissionamento, não haveria qualquer autoridade sobre ele. Não seria preciso se submeter à prestação de contas de seus atos e doutrinas a quem quer que seja. Mas é preciso lembrar que até mesmo entre os apóstolos isso não se aplicava, e o Concílio de Jerusalém (At 15) é uma prova cabal de que os apóstolos se reuniam para resolver diferenças de posicionamento doutrinário entre eles e resolverem em conjunto as suas questões. Paulo chega a repreender a Pedro por um comportamento apostólico inadequado em Gálatas 2.11-14.
Que Deus os livre de ser isso que esteja lhes acontecendo.
Quero concluir, observando que pessoas se auto-intitulando apóstolos sempre existiram na história da Igreja e certamente continuará existindo, e infelizmente grande parte da Igreja os aceitará de boa mente, mas nem por isso, será uma prática aprovada por Deus e Cristo. É preciso denunciá-los como Paulo e a Igreja de Éfeso fizeram e os acharam mentirosos. Somos pastores entre pastores e nossa autoridade vem de Deus e da fidelidade à sua Palavra, e não da posição que almejamos entre os irmãos, pois ao se auto-intitularem “apóstolos” agora, terão de gastar muito mais tempo defendendo o seu apostolado do que pregando a Palavra propriamente dita, e a divisão já está definitivamente declarada no meio de nós.
Em breve, colheremos os louros de nosso opróbrio, ao permitirmos ao nosso coração desejarmos aquilo que Deus não mandou que desejássemos.

[1] E. F. Harrinson, Apóstolo, Apostolado, em Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, Ed. Vida Nova, vol. 1, p.103.
[2] Colin Curse, II Coríntios, Introdução e Comentário, Ed. Vida Nova/Mundo Cristão, p.202.
[3] Carlos Fernandes e Francisco Brandão, Revolução ou Heresia?, Revista Eclésia, ano V, nº 57, Agosto de 2.000, p.25.
[4] Ibid, p. 19.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Vou Te Seguir


















Hélio O. Silva - 04/03/2005.
Vou te Seguir

      Eu estava assentado à beira do caminho quando o Senhor se aproximou e me disse: “_ Venha comigo e você não andará na escuridão”. Era um convite e uma promessa. Um novo estilo de vida. Ele despertou no meu coração desejos que antes eu não conhecia: mais santos, mais nobres, mais cheios de verdade. Pensar neles enchia meu coração de paz. Então, eu abracei o convite e disse”:
“_ Vou te seguir, essa é a minha decisão”.



      Andando com ele pelo caminho, observei que muitos andavam em sentido contrário, distanciando-se de nós, voltando para o lugar que eu conhecia e que agora mesmo havia abandonado para seguir o Senhor. Eram rostos conhecidos, de pessoas conhecidas. Parentes, amigos, amigas, vizinhos e colegas. Eles voltavam para onde eu não queria voltar...



      Uma antiga amiga, chamada Oportunidade, veio apressada em minha direção. Ela estava sempre com pressa e falava de coisas que eu não podia perder, porque o tempo passa e vai embora, não volta mais. Ela viu o Senhor quando tentei apresentá-lo, mas nada viu nele que lhe agradasse. E, rapidamente, me convidou a voltar com ela dizendo, apressada, que não voltava sozinha, pois tinha, também, muitos seguidores. Falou-me de tantas oportunidades... Mas, meu coração já havia tomado a decisão. Eu disse novamente ao Senhor diante de Oportunidade: “_ Vou te seguir, essa é a minha decisão”. O Senhor sorriu.



      Também nos encontramos com a Sra. Fortuna. Ela nunca se dirigira a mim antes. Sempre que a via, ela estava de longe, ora olhando com austeridade e escolhendo, a dedo, as suas companhias, ora retocando a sua maquiagem e colocando-se num patamar superior. Mas nesse dia, ela veio me oferecer um novo caminho. Apontou, com o dedo seguro, uma estrada não muito sinuosa que levava direto ao castelo do poderoso rei Poder. Balançou a chave do castelo para mim, a qual me daria por um certo preço. Ela tinha muitas cópias dessa chave! Eu a tinha visto dar para muitos seguidores do Senhor. Eles se afastaram e foram após a Sra. Fortuna. Alguns até olhavam para trás com cara e rosto de arrependimento. Mas quando pegavam aquela chave... Em seus olhos aparecia um brilho diferente. Parecia de fome! Parecia de sede! Era de cobiça! Então, se afastavam devagarinho. A esse convite eu também consegui resistir. “_ Vou te seguir, essa é a minha decisão” _ disse eu ao Senhor. E ele se alegrou comigo.



      Antes de passar, D. Fortuna me disse para conversar melhor com aquele casal ali que se aproximava. Era o Sr. Sucesso acompanhado da senhorita Popularidade. Contaram-me mil histórias de mil lugares onde foram para jantar. Falaram nomes de pessoas famosas que conheceram e mostraram as fotos de seus encontros. Disseram-me de novas amizades feitas e de novas experiências vividas. Falavam apaixonadamente dos aplausos que recebiam e da distinção com que os outros os tratavam. Mas nada disseram do Senhor que já ia andando logo adiante e que os dois já não me deixavam vê-lo direito. Procurei me apressar e, por isso, se zangaram comigo. Muitos resolveram voltar. Mas eu tinha tomado a minha decisão: “_ Eu vou te seguir!” – disse com dificuldade. E o Senhor me acolheu com carinho.



      Mais adiante veio uma linda moça chamada Sensualidade. Jeitosa e delicada, carinhosa e perfumada. Suas roupas eram sempre belas e mostravam ao mesmo tempo em que escondiam, seu perfeito corpo feminino. Havia sempre uma transparência que atraía os olhares masculinos. Havia sempre um olhar sedutor responsivo. Ela parecia estar atenta a tudo e a todos. Era educada e falava com doçura. Até mesmo, para mim, nunca deixara de lançar uma piscadela hipnótica. Ela não só conversava comigo, mas me puxava para si com suas mãos macias, deixando sentir o seu perfume enleante. Graciosamente, ela tentava me convencer a voltar consigo. Sua fala era constrangedora, seus gestos eram sedutores e seu olhar era cativante. Era difícil se afastar dela. Ela atraía para si muitos dos transeuntes, tumultuando o caminho, impedindo a passagem. Eu vi o Senhor andando e não conseguia me desvencilhar do tumulto ao redor de mim. Por isso me atrasei e foi difícil retomar o caminho. Cansei-me tentando vencer a multidão. Achei que não conseguiria mais e quase desisti.



      Foi nessa hora que duas grandes amigas vieram em meu socorro e me ajudaram a atravessar por aquela multidão que nos apertava. Uma, que se chamava Família, tomou firmemente o meu braço direito. Ela chorava por minhas fraquezas, mas foi compreensiva e fiel. Sempre se fez presente. A outra, se chamava Igreja: Ela me tomou pelo braço esquerdo, me olhou desconfiada, todavia, foi amiga e acolhedora. O Senhor, pacientemente, parou e nos esperou. Mesmo cansado eu lhe disse, chorando: “_ Senhor, por favor, não me deixe para trás, eu vou te seguir!”



      Ele respondeu em tom paternal: “_Eu sei, por isso ordenei que elas te ajudassem; e te esperei aqui, bem perto de você. Caminhadas longas precisam ser feitas com boas companhias”. Então, me ofereceu da água que carregava em sua bilha. Parecia um rio jorrando para dentro de mim. Dali ele nos levou para a sua casa onde pudemos descansar de toda a caminhada.

Com amor, Pr. Hélio.



quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Amor de Pai


Pastoral: Lucas15.11-32.
Amor de Pai:



Esse pai aqui é muito parecido conosco, que somos pais. Ele tinha somente dois filhos; vivia preocupado com suas descombinações e procurava criá-los no bom caminho do Senhor. Seu drama é como o nosso, nem sempre nossos filhos andam ou andarão por onde andamos. Nem sempre quererão amar a Deus como amamos. O que fazer?
Como um pai que ama, ele não criou seus filhos para si mesmo, mas repartiu com eles tudo que construiu , porque criava-os para Deus (v.12,31).

Muitos problemas de pais e filhos vêm do fato de que querermos traçar seu futuro como continuação do nosso, mas isso é querer destruir a individualidade de nossos filhos. Temos de criá-los para Deus pois Deus os guiará e protegerá mesmo quando saírem de perto de nós.

Como pai que ama, ele não deixou sua esperança morrer, mesmo quando viu seu filho mais novo desperdiçar tudo longe de casa, mas o recebeu de volta com ternura e perdão (v.13-24). Esperou pela volta do filho, e no reencontro, exerceu com alegria seu amor de Pai. Foi ele quem o viu chegar, não a mãe ou o capataz. Ele correu ao seu encontro com um abraço e não com uma vara de palavras fuziladoras. A desobediência, a mágoa, a desilusão e o passar do tempo não destruíram a saudade, a esperança e o amor paternal. Ele se alegrou com a volta do filho, porque viu nela a cor de seu arrependimento. O amor do pai pagou a desonra com o perdão generoso e restaurador.

Como pai que ama, ele não permitiu que os fatos tristes da vida doméstica dividissem a sua família, mas foi ele mesmo conciliador (v.28-32). Ele saiu pessoalmente em busca do filho mais velho ressentido. A festa e as aparências eram menos importantes que a unidade familiar. Ele mesmo se chegou para o lado de seu primogênito e reconquistou o seu coração, pastoreando sua alma ferida, desmontando com carinho a falsa acusação de nunca Ter recebido nada do pai. Ele também já tinha recebido a sua herança (v.12 - repartiu-lhes). O amor desse pai percebeu que as mágoas familiares não tratadas se tornam bombas, que um dia certamente explodirão. Por isso não transferiu sua responsabilidade pastoral, mas no momento certo curou o seu filho mais velho com o mesmo amor que dispensara ao mais novo.

Assim, compreendemos que pais que amam constróem no companheirismo familiar a sua herança. Pais que amam não deixam as desilusões matarem sua esperança, mas a guardam sempre viva para o reencontro. Pais que amam, vêem na volta do filho a vitória dos princípios bíblicos que lhes ensinou. Os princípios bíblicos hão de triunfar, é a promessa de Deus (Pv. 22.6). Pais que amam seus filhos não transferem responsabilidades que são suas para ninguém, nem para a melhor das esposas, pois o texto nem sequer a menciona.

Pais, não deixem de ser os pastores de seus lares, e Deus os abençoará.
Com amor, Pr. Hélio.27/07/01

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

O Martelo


O Martelo.

Um pregador carregou um martelo e uns pregos numa mão; na outra, um aviso que sacudiu o mundo. Ele fez algo muito comum, mas que poucos podiam entender. Ele aceitou o desafio de mudar o que não se queria mudar.

À porta de sua Capela pregou um aviso. Foram poucas as batidas do martelo, mas até hoje é possível ouvir o eco. Nos ouvidos de alguns soam como um despertamento que chamou a atenção para a verdade. Nos ouvidos de outros, como um pesadelo que já dura 482 anos, pois não conseguem esquecer... Para outros ainda, uma maliciosa oportunidade de enriquecer. Mas ninguém pode mudar o que foi escrito...

À batida de seu martelo juntaram-se outros sons: Construções, comércio nas ruas, descobertas e ideais. Contudo, o propósito daquelas batidas foi um só: Pregar e apregoar um aviso à porta da Capela. Para quem quisesse ou pudesse ler. Mas principalmente, para obedecer a Deus e à sua consciência cristã despertada pelo estudo sério e consciente da Palavra de Deus, a verdade.
Muitos se aproximaram e leram. Muitos nada entenderam. Todavia o aviso fora dado, e A Reforma irrompia ali.

Hoje, o aviso foi afixado outra vez. Está à porta de nossa Capela. Muitos lerão, eu sei; muitos passarão de largo. Quantos, meu Deus, entenderão o aviso !?


Por Cristo, com amor. Rev. Hélio (22/10/99).
Publicado no Boletim da I.P. Cidade Livre em 31/10/1999.

A Reforma e A Nova Reforma


A Reforma e a Nova Reforma

Há tempos ouvimos um clamor por uma nova reforma na vida da igreja. Dizem que a Reforma do século 16 não chegou até onde deveria chegar. No entanto, as práticas reformistas que vão sendo implantadas por ai nos mostram uma nova medievalização da vida da igreja adotando como regra as mesmas práticas que a Reforma condenou.


Os apóstolos brasileiros são campeões dessa reforma irreverente e blasfema. Um diz que quem morreu na cruz não foi Cristo, mas somente Jesus, reavivando a fé docetista do primeiro século (1 Jo 2.22,23; 4.2-6). Outro toma a liberdade de corrigir o apóstolo Pedro numa pregação em Atos 2, igualando a sua autoridade, para não dizer suplantando, à autoridade apostólica do cânon bíblico (1 Co 14.36-38). Outro declara que a sua visão da igreja é a visão de Deus para o século 21, e quem não se adequar está fora dos planos de Deus (Cl 2.18,19). Uma outra recentemente ofereceu um cordeiro sobre o púlpito de uma igreja brasiliense, calcando os pés ao Filho de Deus, negando a suficiência da cruz (Hb 9.23-28).


A igreja evangélica brasileira ressuscitou a doutrina da indulgência mediante o leilão de bênçãos conjugais e financeiras seguindo tabelas de preços proclamadas por seus pastores de Bíblias na mão. O sacramentalismo ex opere operato está sendo revitalizado nas sessões de descarrego espiritual, onde os mesmos “fiéis” quebram suas maldições todas as semanas, renovando continuamente seus sacrifícios até que Deus os abençoe. Até mesmo o purgatório foi ressuscitado recentemente em um programa de rádio, quando um pregador afirmou categoricamente que há uma diferença entre “paraíso” e “céu” na Bíblia. O ladrão da cruz nunca poderia ir direto para o céu, pois não teve tempo de realizar qualquer boa obra. Mas aquele crente que serviu a Deus fielmente a sua vida toda, irá direto para o céu ao morrer. Com o ladrão da cruz, ele inaugurou o primeiro purgatório evangélico na entrada do céu. Estamos mesmo voltando para a idade média!


Povo de Deus, voltemos à fidelidade! Se é possível neutralizar esse processo que se instalou em nossas igrejas, inclusive algumas presbiterianas, temos muito o que fazer:


1. Reafirmar claramente nossa fé nas Escrituras como ÚNICA regra de fé e conduta dos cristãos. Somente quem ama e obedece ao mandamento bíblico ESCRITO goza da certeza e segurança da manifestação do poder do Espírito Santo na sua vida e através dela (Jo 7.17,37,38; 8.35;14.21).


2. Reafirmar e sustentar sem titubear o equilíbrio entre o Espírito Santo e a Palavra, pois o Espírito Santo jamais nega com seus atos aquilo que Ele mesmo DIZ nas Escrituras. O Espírito FALA HOJE nas Escrituras como NELA FALOU no passado. O céu e a terra passarão, mas a Palavra do Senhor PERMANECE para sempre (Mt 24.35; 1 Co 14.36,37).


3. Anunciar todo o desígnio de Deus ao seu povo. É preciso que nos rebelemos contra essa cultura mística de expectativa por novas revelações que se instalou nos púlpitos das igrejas, obscurecendo a exposição sistemática da Bíblia, e está levando a igreja a se afastar da obediência simples devida a Deus. É preciso devolver aos púlpitos a exposição Bíblica fiel, relevante, doutrinária, cristológica e sistemática, como TODOS os reformadores fizeram. Um sermão que não inventa o que Deus não diz. Um sermão que explica e aplica a verdade de Deus para obediência e não só para o deleite dos ouvidos. Como eu posso gritar à exaustão: “Eu quero é Deus” e rejeitar a sua Palavra ESCRITA para nós?!


Com amor, Pr. Hélio.

Anunciando Todo o Desígnio de Deus (Atos 20.17-35)


Pastoral: Anunciar Todo o Desígnio de Deus (Atos 20.17-35)

Quais são as prioridades que realmente movem os nossos corações? Aquelas que nos fazem caminhar e fazer acontecer o que desejamos e buscamos?
Paulo afirma ousadamente que o princípio que movia a sua vida era a obediência às Escrituras. Ele as chama de “coisa proveitosa” (v.20), “Palavra de sua graça” (v.32) e de “todo o desígnio de Deus” (v.27). O desígnio de Deus era algo pelo qual Paulo dava a sua vida, por isso voltava para Jerusalém. Todos sabiam que se voltasse a Jerusalém, seria preso e encontraria a morte, o que de fato aconteceu algum tempo depois em Roma. Paulo entendia ser essa a vontade de Deus para ele, confirmada de cidade em cidade (v.22-24).
o convite que fazemos aos irmãos no início deste ano é o de aprender a anunciar todo o desígnio de Deus às pessoas. Como podemos fazê-lo?
1º) Lendo as Escrituras todos os dias para lê-la toda este ano. Josué foi instado por Deus a que meditasse nela de dia e de noite, para ter o cuidado de fazer TUDO quanto nela estava escrito (Js 1.8). Não podemos nos esquecer que Josué tinha 80 anos quando Deus lhe deu este mandamento. O que valeu para ele, também vale para nós! A graça fortalecedora que Deus dispensou a Josué, também é prometida para nós. Separe um tempo proveitoso para ficar a sós com deus e ler a sua Bíblia em casa!
2º) Assumindo uma postura de aprendizado diante de Deus e de sua Palavra. Jesus mandou-nos fazer discípulos que fossem capazes de aprender TUDO o que nos ensinou, e assim transmitir também a outros o que lhes ensinamos (Mt 28.18-20, II Tm 2.2). Por isso devemos tomar tempo para aprender. Como podemos ensinar a outros o que ainda não aprendemos? Assiduidade é a marca do verdadeiro discípulo, que encontra na obediência aos mandamentos a expressão de seu amor por Cristo (Jo 14.21). Faça da presença aos cultos e à escola Dominical a sua marca nesse ano!Entre no programa de discipulado e cresça!
3º) Trazendo para os lábios TODA a Escritura. Assim como Josué não deveria cessar de falar do livro da Lei (Js 1.8), o cristão deve professá-la e confessá-la inteira diante dos homens (Rm 10.9), de tal modo, que a graça de Deus alcance os seus eleitos e eles sejam salvos. Nossa tarefa é falar ao maior número de pessoas possível. Faça da sua amizade a sua principal estratégia evangelística!
4º) Remindo o tempo. O fato é que perdemos muito tempo com futilidades e discussões sem pé nem cabeça. Talvez façamos isso justamente para matar o tempo, mas isso não agrada a Deus e não faz uma igreja crescer. Se obedecermos às Escrituras, para a glória de Deus, procuraremos aprender mais para servir mais e melhor a Deus e ao seu povo. Invista mais tempo em leituras que te ensinem a entender e a amar a Deus e as Escrituras. Invista seu tempo, seu dinheiro e sua saúde no crescimento espiritual de sua família! E vamos juntos, anunciar TODO o desígnio de Deus! Com amor, Pr Hélio.

A Festa do Pai (Lucas 15.22-24,32)


Hélio O. Silva
05/09/2007
A Festa do Pai (Lucas 15.22-24,32).

É preciso que nos regozijemos porque o que estava morto reviveu e o que estava perdido foi achado. Nada pode ser mais importante do que isso. Pensar diferente é ignorar o caminho da graça na vida das pessoas, dos filhos de Deus que estão chegando; porque eles estão voltando ao lar.

É preciso que haja música; é preciso que se faça festa! Os instrumentos devem ser afinados para tangerem bem e com arte. É hora daquele sorriso especial estampar no rosto a alegria que durante muito tempo se apertou no coração. O Pai reencontrou o seu filho e a família se completou ao redor da mesa outra vez.

Ah! Quantas esperanças foram finalmente cumpridas e quantos olhos brilham com o brilho da satisfação pelo filho que agora está entre os seus irmãos e não mais entre os perdidos que se prostituem e entre os viciados nos sabores da noite, que rouba dos pais os corações de seus filhos, especialmente dos mais jovens.

É preciso que nos alegremos porque o motivo não é fútil. É preciso que as horas passem devagar. É preciso que o relógio pare de gritar: Atraso! Atraso! Acabe! Acabe! O momento é solene. Ele é solene porque é único e não repetível. Só se faz profissão de fé uma vez, porque só há um batismo (Ef 4.5). O que pode ser mais importante?!

Diante de Deus e na igreja, outros programas se relativizam. A igreja festeja o seu crescimento. As famílias festejam a sua fé. O Pai festeja a reunião de todos os seus filhos e conta as suas ovelhas outra vez.

Por que reclamar do tempo? Por que apertar a liturgia? Por que querer estar em outro lugar? A festa do Pai é aqui. A festa do Pai é hoje! E todos nós somos convidados para lotar o templo; não para assistir, mas em adoração exultante, participarmos da festa do Pai (Lucas 15.6, 9, 23 e 32).

Com amor, Pr. Hélio.
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