O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

sexta-feira, 30 de março de 2012

A QUESTÃO DOS APÓCRIFOS


Jan_Steen_-_Tobias_en_Sarah_bidden_terwijl_Rafael_bindt_de_demon

A QUESTÃO DOS APÓCRIFOS

I.Definição:

O termo apócrifo quer dizer “oculto”, sendo um termo técnico aplicado à relação de um certo grupo de livros para com o Cânon do AT. Estes livros não foram aprovados, mas são importantes para auxiliar-nos na compreensão do contexto do período intertestamentário. Os apócrifos dizem respeito aos livros constantes em manuscritos da Septuaginta, bem como a outros lendários, históricos e teológicos, muitos escritos originalmente em hebraico e aramaico e posteriormente traduzidos para o grego, que é a forma nas quais chegaram até nós.

Sua posição diante da Igreja Cristã era meio ambígua, até o séc. XVI, quando o Concílio de Trento (instalado em 1545), incluiu alguns deles no cânon Católico Romano.

Os que constam nas versões católicas são:
I e II Macabeus, Baruque, Eclesiástico, Sabedoria, Judite, Tobias. Acréscimos a Daniel (Bel e o Dragão, Suzana, Cântico dos Três Jovens e a Oração de azarias), Acréscimos a Esdras (O Debate dos Três Jovens – entre 3.1 – 5.6)e Acréscimos a Ester (6 passagens).

II. Canonicidade:

Os principais argumentos em favor da inclusão dos Apócrifos no Cânon do AT estão relacionados com a autoridade atribuída aos manuscritos da LXX.

Observamos, porém, que os Targuns aramaicos e a Pesita siríaca e os grandes unciais do quarto e quinto séculos não contém os Apócrifos em seus manuscritos, mas somente a LXX. Mesmo na LXX sua presença é incerta.

Defende-se um “Cânon Alexandrino” paralelo ao “Palestiniano”, contudo é certo que nem todos os livros da LXX eram considerados canônicos entre os cristãos de fala grega. Filo de Alexandria era contrário à sua inclusão.

Apela-se às citações que o NT faz do AT, usando a LXX, mas percebe-se que nenhum Apócrifo é citado. Também é importante colocar que a mera citação não atesta a inspiração, visto que livros pagãos ( At 17.28 - Phaenomena de Arato; I Co 15.33 – Thaís de Menander) e até Pseudoepígrafos também são citados ( Jd 14,15 - I Enoque).

Códex Vaticano (B)
I Macabeus – não tem.
II Macabeus – não tem.
I Esdras – não canônico.

Códex Sinaítico (Alef)
Baruque – não tem.
IV Macabeus – não canônico

Códex Alexandrino (A)
I Esdras – não canônico.
III Macabeus – não canônico.
IV Macabeus – não canônico.

Pela LISTA acima, percebe-se que até mesmo entre os três manuscritos mais antigos da LXX há incerteza quanto à canonicidade dos Apócrifos.

Outro argumento são as citações dos Apócrifos feitas por alguns dos Pais Apostólicos. Contudo, a mera citação não garante que defendiam sua canonicidade. I Clemente, a Epístola de Barnabé e Agostinho de Hipona os defendiam. Agostinho de uma forma um tanto ambígua, ora defendendo, ora depreciando. Atanásio e o próprio Jerônimo eram contrários à inclusão.

Os Apócrifos recebem um tratamento contrário em muitos documentos importantes:
1) Contra Apionem 1.8 de Josefo:
“Desde Artaxerxes até nossos dias, tudo
tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tento crédito quanto aquilo que precedeu esta época”.

2) Prólogo Galeatus de Jerônimo:
“Este prólogo, pode ser aplicado a todos os
livro que traduzimos do Hebraico para o Latim, de tal maneira que possamos saber que tudo que é separado destes deve ser colocado entre os apócrifos. Portanto, a Sabedoria comumente chamada de Salomão, o livro de Jesus bem Siraque, e Judite e Tobias e o pastor (supõem-se ser o de Hermas) não fazem parte do Cânon... e assim, da mesma maneira pela qual a Igreja lê Judite, Tobias e Macabeus (no culto público) mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também sejam estes dois (Sabedoria e Eclesiástico {?}) úteis para a edificação do povo, mas não para estabelecer as doutrinas da Igreja”.

3) A Lista do Bispo Melito de Sardes:
Com a exceção da Sabedoria (que também pode ser Provérbios), não cita nenhum Apócrifo.

4) História Eclesiástica de Eusébio de Cesaréia:
Cita em VI.25 uma lista feita por Orígenes de Alexandria, onde com a exceção da aparente inclusão da Epístola de Jeremias é igual à de Josefo.

Um fato interessante é que a Igreja grega, em 1672, reduziu a quatro o número dos Apócrifos reconhecidos por ela ( Eclesiástico, Sabedoria, Tobias e Judite).

III. Alguns Erros Encontrados nos Apócrifos:

1. Salvação pelas obras: Tb 4.7-12; 12.8,9.
2. Aprovação do suicídio: II Mc 14.41-46.
3. Feitiçaria: Tb 6.4-8 (Tobias e o anjo).
4. Intercessão pelos mortos: II Mc 12.39-46 (purgatório).
5. Ausência de Inspiração: II Mc 15.38,39; I Mc 9.27.
6. Mediação dos santos: Tb 12.12; II Mc 7.28; 15.14.
7. Justificação pelas obras: Tb 4.7-11; 12.8.
8. Os fins justificam os meios: Judite.
9. O corpo como prisão da alma (Pensamento grego): Sb 9.15.
10. Origem e destinos estranhos da alma: Sb 8.19,20.
11. A sabedoria salva: Sb 9.18.
12. No Livro de Sabedoria:
A) Vingança.
B) O egoísmo: 38.16-24.
C) O gozar da vida: 14.14-17.
D) Panteísmo: 43; 29.
E) Tratamento cruel dos escravos: 33.26,30; 42.1,5.
F) Ódio aos samaritanos: 50.27,28.
G) Esmolas que expiam pecados: 3.33.

quarta-feira, 28 de março de 2012

07 = A Prova do Amor


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Graça Que Transforma
Liderança: Rev. Helio O. Silva.
-----------------------------------------------------------------------------------
07 = A PROVA DO AMOR 28/03/2012
Graça Que Transforma – Jerry Bridges, ECC, p. 87-99.
----------------------------------------------------------------------------------
1. Introdução
I João 5.3: Porque este é o amor de Deus: Que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos.

É impressionante como usamos pouco as escrituras para abalizar nossas respostas às perguntas que nos são feitas a respeito do que é amar a Deus. Jesus o diz claramente em João 14.15,21 e 23: Amar a Deus é obedecer aos seus mandamentos.

Uma questão com a qual freqüentemente lutamos é: Qual a relação entre viver pela graça e obedecer aos mandamentos de Deus? Uma vez que nossas obras não interferem em nada no amor de Deus por nós somos tentados a pensar de duas coisas uma: Ou nossos pecados não interferem em nossa relação com Deus, ou realmente um “pouquinho” de mérito e desempenho deve ser levado em conta. A Resposta de Paulo para ambos os caso em Romanos 6.2 é: Não, de modo nenhum!

A nossa obediência é uma resposta amorosa ao amor de deus e não uma tentativa de tentar obter esse amor divino para nós (I Jo 4.19). Portanto, uma evidência clara de que estamos vivendo pela graça é nossa obediência amorosa aos mandamentos divinos. Acreditar que uma vez que o amor de Deus não seja condicional nos libera para vivermos como quisermos é baratear a graça e não viver por ela.

Obedecer aos mandamentos de Cristo (João 14.15,21,23) sugere duas coisas:
(a) A sua orientação é clara. Não há dúvidas quanto ao que fazer e ao que não fazer. A ética situacional vigente dirige-se pelo que “parece bom no momento” e não pela aplicação de absolutos. Todavia qualquer padrão ético subjetivo tropeça na declaração bíblica de que o coração é enganoso e corrupto (Jr 17.9). No cristianismo bíblico os mandamentos de Deus definem o seu amor e não as circunstâncias. Assim, a vontade de Deus pode ser conhecida (Ef 5.17, I Ts 4.3; 5.18). Saber qual é a vontade de Deus e provar o que lhe é agradável são a mesma coisa (Ef 5.10). Deus não nos dá mandamentos para aumentar o nosso conhecimento, mas para orientar a nossa conduta.

(b) Mandamento significa também autoridade. Mais especificamente, orientar com autoridade. Um mandamento não é apenas uma orientação que pode ser aceita ou rejeitada. Ele pressupõe que quem o determinou pode exigir sua realização e cobrá-la em seguida. Isso está implícito na escritura quando ela chama a Deus de “Senhor”.

2. Lei e Graça
No reinado da graça os mandamentos de Deus continuam tendo autoridade. Eles não são meros pedidos amorosos, mas ordenanças. Pedido = desejo. Mandamento = autoridade de exigir obediência. A resposta a um pedido é opcional, mas a resposta a um mandamento não.

Deve ficar claramente entendido que a graça de Deus não altera o caráter fundamental da Lei moral de Deus. O legalista busca a justificação de seus pecados com base nas suas obras de obediência à Lei, a vida na graça reconhece que são os méritos de Cristo que pagaram a nossa dívida de culpa perante a justiça de divina.

A salvação nos isenta da obediência da mesma forma que a filiação não isenta o filho de obedecer ao seu pai. A obediência não está baseada no amor do filho por seu pai, mas no fato sólido de que ele é filho. A resposta à graça nos leva à obediência grata e amorosa, além do fato de que concordamos com ela por ser santa, justa e boa.

A Lei Moral de Deus não foi abolida porque Cristo morreu por nós. Ela continua como mandamento claro e límpido. O seu caráter não mudou o que mudou foi a nossa razão para obedecê-la. O legalista obedece para ganhar a benção; nós obedecemos porque já a ganhamos em Cristo; não para sermos amados, mas porque já somos amados em Cristo. O amor é o cumprimento da Lei (Rm 13.10) e não o medo do castigo.

Viver a vida da graça e escapar das armadilhas do legalismo não é tão simples. Podemos sutilmente reimplantar uma conduta baseada em méritos e condicionada por desempenho simplesmente por achar que os mandamentos de Deus são opcionais e não obrigatórios. O raciocínio é este: “Se não tenho de obedecer porque Cristo pagou minha dívida com a justiça de Deus, então a minha obediência voluntária após a salvação deve valer algum mérito”. Por outro lado, quando entendemos os mandamentos como ordenanças e percebemos que o pecado continua sendo um empecilho à obediência completa e isso nos leva ainda mais a Cristo para usufruirmos de sua graça e socorro, porque somos continuamente lembrados que somos pecadores.

Dessa forma, entendemos que a Lei é serva da graça e não sua opositora. A severidade da Lei propõe a graça como única solução à parte de qualquer obra para a nossa salvação e também para a nossa santificação.

3. Lei e Amor
Alguns interpretam equivocadamente a Paulo afirmando que a “Lei do Amor” no Novo Testamento substituiu a Lei do Antigo Testamento citando Romanos 13.8-10. Se a Lei é uma expressão do caráter moral de Deus, e Deus é amor (I Jo 4.8) então não se pode distinguir entre Lei e amor nas escrituras, pois ambos expressam o caráter de Deus. O amor é o motivo da obediência e a Lei é a orientação específica para o exercício do amor (p.93). Por exemplo: O amor não faz mal ao próximo (Rm 13.9,10).

Como saberíamos de que mal a escritura fala se a Lei não nos revelasse os pecados do verso 9? Basta comparar I Co 13.4-7 com Levítico 19.11-18 para ficar claro esse princípio. O princípio do amor não é um princípio mais alto ou importante que a Lei moral de Deus, mas o motivo da obediência enquanto que a Lei é sua orientação como guia para a santidade (Calvino e o 3º uso da Lei).

4. Lei do Antigo Testamento
Os princípios legais-morais do Antigo Testamento são válidos hoje como eram naquele tempo. Os autores do Novo testamento fazem referência a isso constantemente (Mt 5.48; Mc 12.30,31; I Pe 1.16). A aplicação dos princípios pode variar de acordo com a época. Assim como Dt 22.8 instrui sobre a construção de um parapeito como medida de segurança para evitar acidentes, as instruções nos rótulos dos produtos que compramos são aplicações modernas desse princípio.

5. Liberdade do Evangelho
Como ficam Efésios 2.14 e Gálatas 5.1, então?
(a) Paulo não está tratando da Lei moral de Deus em Efésios 2, pois no capítulo 6.1,2 ele ordena a sua obediência. O que foi abolido foi a maldição e a condenação da Lei sobre aqueles que depositaram fé nele (Gl 3.10,13).

(b) Gálatas 3.13 mostra que a liberdade da qual Paulo é não da Lei por si mesma, mas da dependência da Lei como base para a salvação Veja Atos 15.5). Cristo nos libertou da insistência judaica na obediência à Lei de Moisés como base para a salvação. Paulo não trata da liberdade como liberdade absoluta ou da Lei moral, mas da confiança na Lei como salvação meritória.

Toda liberdade deve ser qualificada para não se tornar nem anarquia (desgoverno) e nem libertinagem (vida moral sem limites). Não somos livres para não pagar impostos e nem para dirigir do lado errado da rua. Paulo não fala de libertação da Lei moral porque ela é justa, santa e boa (Rm 7.12), mas fala de libertação da Lei como caminho de salvação meritória porque ninguém conseguirá fazê-lo.

Conclusão:
A Lei não se opõe à graça e nem é sua inimiga. Também não é empecilho à vida na graça, mas a sua aliada como instrumento de santificação. Procuramos entender a vontade de Deus para obedecê-lo, não para sermos abençoados, mas porque já fomos abençoados.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Cabeça ou Cauda?


Cabeça ou Cauda!

Por que ser cabeça, quando se pode ser apenas cauda?

Ser cabeça dá muito trabalho! Tem que planejar, investir tempo e dedicação. Tem de enfrentar dificuldades e incompreensões. Tem de estar de pé para se ver melhor e mais alto. Tem que incentivar e puxar os outros para dentro, para a batalha que vale a pena! Ah nem, isso dá muito trabalho.

Ser cauda é muito mais fácil. Pega-se tudo pronto. Segue-se quem está na frente sem se preocupar com quem seja ou para onde vai. Ser cauda é um sossego. Ë ser puxado o tempo todo. É não ter preocupação, pois a cabeça sempre se preocupará por mim!

Ser cabeça é um dor de cabeça. Tem que pensar e decidir. Tem que enfrentar e realizar. Tem de prestar atenção o tempo todo. Ser cabeça cansa muito a gente, pois quem é cabeça não espera acontecer, mas faz acontecer.

Ser cauda, por outro lado, é uma tranqüilidade. Nada de dar cabeçada, só esperar para criticar ou saborear, ser cauda é uma beleza, nunca se vê problemas na redondeza, isso é para a cabeça resolver. Ser cauda é uma festa, um verdadeiro pique de esconde-esconde, quando a coisa pesa, é só esconder lá atrás.

Mas, pensando bem, quem é cabeça anda sempre na frente; vê as coisas melhor; sabe para onde vai, por onde vai e com quem vai. Sabe o que está chegando primeiro. Constrói um mundo melhor.

Quem é cauda está sempre para trás, arrastado, escondido, perdido, pois não sabe para onde vai, por onde vai ou com quem vai.

Quem é cabeça vê e recebe a bênção primeiro. Quem é cauda não vê nada, só imagina, fica por último, e geralmente só pega o que resta, a sobra da festa...

O que você é, cabeça ou cauda?

Rev. Hélio O. Silva. 27/11/98

quarta-feira, 21 de março de 2012

06 = Compelidos Pelo Amor


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Graça Que Transforma
Liderança: Sem. Adair Batista.
-----------------------------------------------------------------------------------
06 = Compelidos Pelo Amor 22/03/2012
Graça Que Transforma – Jerry Bridges, ECC, p. 73-85.
----------------------------------------------------------------------------------
GRAÇA QUE TRANSFORMA

“Viver pela graça e não pelas obras significa que se está livre dos esforços pelo desempenho”.
Na semana passada no estudo que fizemos sobre “Os trabalhadores na vida”, ficaram definidos os seguintes pontos básicos decorrentes do ensino da parábola: a) Deus é soberano: “Ele dispõe todas as coisas conforme a sua vontade”; b) Ele exerce sua graciosa generosidade conforme o seu alvitre: “Ele abençoa quem Ele quer, quando quer e como quer”.
Aplicação do estudo: Ele espera que seus filhos vivam sob sua dependência, isto é, vivam pela graça e não dependentes dos próprios méritos. Quem tem méritos para com Deus é Cristo. Isto não quer dizer que deixemos de lado as disciplinas espirituais, a obediência e o sacrifício, por mais imperfeitos que sejam. “Se aprendêssemos a basear todos os nossos pedidos nos merecimentos de Jesus Cristo, em vez dos nossos méritos, aprenderíamos a alegria de viver pela graça e não pelo nosso esforço”.

COMPELIDOS PELO AMOR (2 Co 5.14,15)

Deus nos aceita pelos merecimentos de Cristo;
Deus nos abençoa pelos merecimentos de Cristo;
Deus nos ama estritamente por causa da sua graça, que nos foi dada mediante Jesus Cristo.

Mau entendimento da graça
- abuso da graça transformando-a em libertinagem;
- negação da soberania e senhorio de Cristo (Jd 4);
- permanecendo no pecado (Rm 6.1);
- uso da liberdade para dar lugar à natureza pecaminosa (Gl 6.13).

Paulo reconhecia os problemas do ensino da graça de Deus;
A graça não nos exime de vivermos com disciplina e obediência.

Solução para o problema: sermos dominados pela magnificência e generosidade da graça de Deus, à qual respondemos com gratidão e não por sentimento de dever. Comprometer-nos com o senhorio de Cristo em todas as áreas da vida, não por obrigação mas simplesmente por gratidão. Rm 12.1

A graça de Deus não depende do nosso suor, sangue e lágrimas.
Apresenteis vosso corpo  dedicação decisiva
Sacrifício vivo  dedicação permanente.
Obediência a Deus feita por obrigação (legalismo) não O agrada (Is 1.11-14)
Motivações orientadas por obras são essencialmente egoístas. Somos chamados a viver sob a graça de Deus e essa atitude nos liberta dessa motivação egoísta (2 Co 8.9).

Constrangidos pelo amor

“Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou (2 Co 5. 14,15)”.

Assunto principal: compromisso com o senhorio de Cristo em todas as áreas da nossa vida.
Constranger = coagir, forçar, pressionar (negativo); impelir, motivar, compelir (positivo).
Quando Paulo escreve este verso, ele quer dizer que o amor de Cristo, ao invés de coagi-lo, forçá-lo, fazia com que ele fosse motivado durante todo o tempo; ele era motivado, compelido, impelido a viver por Aquele que morreu por ele e ressuscitou.
O roubo, a imoralidade, o assassinato, a bebedeira são pecados grosseiros, enquanto a impaciência, a atitude crítica, o espírito julgador, o egoísmo, o orgulho são pecados refinados, e ao alcance de todos nós. Pensemos por um pouco. Sem o sacrifício de Cristo, esses pecados refinados poderiam nos mandar para o inferno, embora nunca tivéssemos praticado qualquer daqueles que chamamos de grosseiros. “Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado.(Rm 4.7,8).

Reverência a Deus
José deixou de cometer adultério com a mulher de Potifar por reverência a Deus. Ele se preocupou com a desobediência a um Deus santo e soberano. “[...] como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus(Gn 39.9)”. Paulo combina dois sentimentos – gratidão e reverência – para escrever à igreja de Corinto (Tendo, pois ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus(2 Co 7.1)”.
Deus é digno da minha obediência por amor por quem ele é, não pelo que faz.

Crescer na graça
Crescer na graça tem sido entendido como indicador de crescimento quanto ao caráter cristão. Esse entendimento tem os seus méritos, entretanto, um significado mais exato é o de crescer continuamente no entendimento da graça de Deus, aplicada á nós, tornando-nos mais conscientes da nossa falência espiritual e o favor imerecido de Deus. À medida que crescemos na graça, crescemos na motivação para obedecer a Deus, desenvolvemos um sentimento de gratidão a Deus e de temor reverente por Ele.

Aplicação:
Se os seus motivos têm sido em grande parte orientados pelos merecimentos, não se preocupe. Comece agora a se dirigir aos motivos de graça. Pense diariamente sobre as implicações da graça de Deus na sua vida. Ore, pedindo que Deus o motive pela sua misericórdia e pelo seu amor. Ao reconhecer motivos orientados por merecimentos em você, renuncie a eles e apegue se na graça de Deus e nos méritos de Jesus Cristo. Você verá, ao viver dessa maneira, que realmente o amor de Cristo o constrange a viver, não para si mesmo, mas por aquele que morreu e ressuscitou por nós.

05 = Deus Tem o Direito?


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Graça Que Transforma
Liderança: Sem. Adair Batista.
-----------------------------------------------------------------------------------
05 = Deus TEM O DIREITO? 14/03/2012
Graça Que Transforma – Jerry Bridges, ECC, p. 61-72.
----------------------------------------------------------------------------------
Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom? Mt 20:12-15

A parábola dos trabalhadores na vinha nos ensina uma verdade desconcertante. Ela nos ensina o princípio da graça. E o que é graça? Jesus ao contar a parábola começa a partir de uma comparação: “o reino dos céus é semelhante ...”. “O princípio operante no reino dos céus não é o merecimento, mas a graça”; essa foi a lição que Cristo ensinou a Pedro.

O que é merecimento? Como contrastá-lo com a graça?
Houaiss assim define merecimento: aquilo que torna alguém ou algo digno ou passível de receber prêmio ou castigo; caráter, qualidade de quem pelos valor; dotes morais e/ou intelectuais, é digno de apreço, de reconhecimento; capacidade, engenho, talento.

Por sua vez, graça é assim definida: dádiva, favor que, por liberalidade, se concede a um inferior, mercê; favor ou auxílio gratuito outorgado por Deus a determinados homens que a ele, por si sós, não teriam nenhum direito pessoal, e que os eleva a uma destinação sobrenatural.

Uma Atitude de Merecimento
Porque tropeçamos nesta parábola com tanta frequência? Porque achamos que merecemos algo de Deus por cumprirmos algumas de suas ordenanças? Quando nos colocamos na posição dos trabalhadores nossa atitude tenderá a ser esta. Achamos que Deus nos deve algo e O lembramos dos sacrifícios que fizemos para servi-lo. Esquecemos com facilidade o presente que Ele nos deu e Lhe cobramos nossos desejos.

Jamais Podemos Obrigar a Deus
Deus nada nos deve pela nossa obediência ou por nosso serviço sacrificial, “somos servos inúteis, porque fizemos apenas o devíamos fazer” (Lc 17.10). Não custa lembrar que Deus é o único ser absolutamente livre de qualquer obrigação (Jó 41.11). A sociedade atual incentiva a ideia do merecimento e o reclame dos “direitos” que se julga possuir, todavia, essa atitude de merecimento é negativa para a vida espiritual dos cristãos. Devemos nos aperceber que Deus é quem supre as nossas necessidades e desejos. É necessário termos em mente que ao mantermos um sentido alto de expectativas e direitos, terminaremos exigindo nossos direitos diante de Deus da mesma maneira que o faríamos diante das pessoas. Achar que o mundo nos deve algo já não é bom, agora, achar que Deus nos deve algo é perigoso para a nossa vida espiritual. Deus nos concede o que é necessário e jamais cede aos “direitos” que presumimos ter.

Dar a Deus
Não podemos dar a Deus nada que primeiro Ele não nos tenha dado. Davi teve essa atitude (1 Cr 29:14,16) nos preparativos para a construção do Templo. Isaías afirmou que “todas as nossas obras tu a fazes por nós”(26:12); Paulo diz a mesma coisa de forma conclusiva aos atenienses: “Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais”(At 17:25). Deus espera que tenhamos contentamento conforme 1 Tm 6:6: “De fato, grande fonte de lucro é piedade com o contentamento”, pois como o senhor da vinha, ele tem sido generoso e gracioso acima de toda medida.

Pessoas orientadas pelo merecimento sempre querem mais, nunca estão contentes. Creem que não estão sendo recompensadas com justiça e terminam por perder a esperança da recompensa. Por outro lado, pessoas orientadas pelo contentamento, estão sempre alegres e felizes. Sabem que não dependem de merecimento algum, mas da graça infinita e do propósito soberano de Deus. Sabem que há certas coisas na vida que simplesmente nunca irão mudar e aprendem a estar contentes e aceitam o fato de que Deus não lhes deve nada além daquilo que lhes é dado. Deus não nos deve nada e aquilo que nos foi dado, o foi somente pela graça de Deus.

O perigo da comparação
A parábola nos ensina mais uma lição valiosa: Deus não apenas é generoso, também é soberano. Essa é a sua prerrogativa. Ele tem o direito de dispensar as suas bênçãos conforme ele quer. “Porventura, não me é lícito fazer o que eu quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom?” (Mt 20.15).

Por ser nosso Criador Ele tem o direito de dar a cada um de nós diferentes capacidades físicas e mentais, temperamentos e características diferentes e diferentes talentos. Não somos iguais, não recebemos oportunidades iguais, mas, cada um tem as suas singularidades e circunstâncias próprias. Como Deus não tem obrigações para conosco, ele é livre para abençoar a alguns mais do que a outros, conforme a vontade Dele.

Ficamos felizes quando as bênçãos de Deus são dirigidas a nós, à nossa família, aos nossos amigos. E quando são dirigidas a alguém que julgamos não merecedor? Sentimos inveja. Sentimos o mesmo que os trabalhadores da vinha que trabalharam o dia inteiro, e, no entanto, outras pessoas foram mais abençoadas que eles. Todos queremos graça, mas é impossível gozá-la com uma atitude comparativa.

Se quisermos ser bem-sucedidos em viver pela graça, temos de entender o fato de que Deus é soberano ao dispensar seu gracioso favor e não nos deve explicações quando seus atos não correspondem às nossas expectativas, conforme Rm 11.33,34, a menos que queiramos ouvir dele: Amigo, não te faço injustiça (Mt 20.13).

As Promessas de Deus
Deus é gracioso e generoso para com todos os seus filhos. A parábola não ensina apenas a soberania de Deus: ela ensina mais sobre a sua graciosa generosidade. Deus promete prover tudo o que necessitamos tanto espiritual quanto material e por fim nos levará ao lar da glória. Tudo depende da graça de Deus dada mediante Jesus Cristo.
Qual é o papel da mediação de Cristo em tudo isso? Primeiro, sua missão messiânica: Cristo é o cumprimento de promessas pessoais de Deus, sobre o envio de um Salvador e Rei vindouro, feitas no AT (Lc 1.69s; Lc 24.44; Gl 3.16). Segundo, Cristo é a base merecedora sobre a qual todas as demais promessas de Deus dependem: Todas as promessas dependem exclusivamente de Cristo (II Co 1:20). Terceiro, é Ele quem supre todas as nossas necessidades, tanto temporais quanto espirituais. Essas necessidades devem ser levadas em oração a Deus para consideração para o suprimento das mesmas: suas disciplinas espirituais, sua obediência e sacrifício. Entretanto, o suprimento efetivo das nossas súplicas e necessidades é de acordo com a vontade e o propósito de Deus e nos merecimentos de Jesus Cristo e não em qualquer mérito que eventualmente tenhamos. “Se basearmos nossas súplicas em Cristo, aprenderíamos a alegria de viver pela graça e não pelo nosso esforço”.

sexta-feira, 9 de março de 2012

A Chegada da Fé Reformada ao Brasil - 1557


A Chegada da Fé Reformada ao Brasil - 1557

Eram quatorze ao todo. Partiram de Genebra no dia 10/09/1556 com destino ao Brasil movidos tanto pelo desejo de contribuir para a glória do novo mundo como pela curiosidade de conhecê-lo. Seus nomes eram: Phillipe de Corguilleray, cognominado du Pont, Pierre Richier (pastor – 50 anos), Guillaume. Chartier (pastor – 30 anos), Pierre Bourdon, Mathieu Verneuil, Jean du Bourdel, André la-Fon (os três martirizados sob o comando de Villegaignon em 09/02/1558), Nicolas Denis, Jean Gardien, Martin David, Nicolas Raviquet, Nicolas Carmeau, Jacques Rousseau e Jean de Lery.

O Camandante Nicholas Durand de Villegaignon havia escrito pessoalmente aos pastores de Genebra pedindo o envio de uma comitiva de genebrinos composta de um ou dois ministros, gente de ofícios e mulheres solteiras a fim de povoar a terra. Em contrapartida prometia tratá-los muito bem afirmando que participariam de todos os benefícios e “perdurável memória que de tal concurso adviriam”.
Na França se juntaram a um grupo maior de imigrantes. Os navios partiram do porto de Honfleur, na Normandia, com destino ao Brasil aonde chegaram quatro meses depois. A primeira impressão do Brasil foi um misto de admiração e assombro. A Baía da Guanabara era lindíssima, mas a ilha onde os franceses estavam alojados era desprovida de qualquer atrativo, fortificada de ambos os lados. O desembarque no Brasil se deu a 7/03/1557.

A recepção de Villegaignon foi das mais festivas. Os pastores apresentaram suas cartas de recomendação assinadas pelo próprio João Calvino. Eles deveriam estabelecer o regulamento e a disciplina da igreja segundo os padrões de Genebra enquanto Villegaignon presidiria um Conselho constituído de dez pessoas para exercer o governo civil. Este Conselho julgaria todas as questões religiosas e profanas. Villegaignon prometeu perante a Assembléia ali reunida submeter-se pessoalmente à disciplina da igreja bem como seus companheiros. Em contrapartida os pastores o lembraram dos sacrifícios da comitiva deixando tudo para vir para o Brasil e acrescentaram que se Deus lhes concedesse a graça de se estabelecerem definitivamente nesse lugar, prefeririam suportar todos os dissabores e sofrimentos do que esmorecer e recuar do seu posto.

Villegaignon reafirmou sua intenção e promessa de que a igreja que fundariam no Brasil tivesse a forma da igreja de Genebra. Então ficou decidido que os pastores se revezariam todas as semanas no exercício de seu ministério pregando uma vez por dia e duas vezes aos domingos, celebrando a santa ceia uma vez por mês.
Em função disso, mas não sem dificuldades, celebrou-se o primeiro culto protestante nas Américas no dia 10 de Março e a primeira ceia foi celebrada segundo os ritos de Genebra no dia 21 do mesmo mês.

------------
Fonte: A Tragédia da Guanabara, Jean Crespin, ECC, p.29-34.

04 = O Proprietário Generoso (Sem. Rogério Bernardes)


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Graça Que Transforma
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
------------------------------------------------------------------------------------
04 = O Proprietário Generoso. 29/02/2012
Graça Que Transforma – Jerry Bridges, ECC, p. 47-60.
-----------------------------------------------------------------------------------
Introdução:
A parábola dos trabalhadores na vinha (Mt 20:1-16).
Na cultura trabalhista da época, os trabalhadores precisavam do dinheiro do dia para alimentar a família. Por isso, os proprietários eram instruídos a pagar ao jornaleiro o seu salário no dia (Dt 24:15).

O trabalhador precisava trabalhar todos os dias para que sua família fosse suprida e ele pudesse cumprir com suas obrigações. Os trabalhadores da undécima hora receberam o tanto que eles precisavam para suprir as suas necessidades, não somente o tanto que eles haviam trabalhado. O proprietário pagou de acordo com a sua graça e não de acordo com o trabalho deles. Ele os contratou, não porque ele precisasse, mas por causa das necessidades deles. Deus nos chama para servi-lo, não porque ele precise de nós, mas porque nós precisamos dele. A sua recompensa pelo nosso trabalho sempre é desproporcional aos nossos esforços.

Isso retrata bem o nosso Deus, como diz Paulo: “aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?” (Rm 8:32). Nenhuma benção que recebemos se compara ao dom do filho de Deus que veio morrer por nós. Na cruz, Deus demonstrou a sua graciosa generosidade até as últimas conseqüências. Isso nos alegra o coração para esperar de Deus qualquer outra coisa, pois se ele nos deu o que é de mais precioso, certamente não nos negará outras menores.

I. DEUS É GRACIOSO E GENEROSO.
A Bíblia nos retrata um Deus gracioso e generoso que não vincula o seu favor àquilo que merecemos. Isso fica claro, pois essa graciosidade e essa generosidade existiam antes da queda bem como depois dela.

Quando Deus criou o homem, fez para ele coisas maravilhosas (Gn 2:9,18). Isso foi antes de o homem pecar. Mas, mesmo depois de pecar, o homem continuou sendo agraciado por Deus (Gn 3:21; 4:1).

Deus age dessa maneira porque a sua bondade não depende de nada além dele mesmo. Bondade, não é simplesmente aquilo que ele faz, mas sim, aquilo que ele é. Por isso Jesus disse ao jovem rico: “Ninguém é bom senão um, que é Deus” (Mc 10:18).

II. DEUS SE DELEITA EM FAZER O BEM.
No capítulo anterior foi mencionada a atitude de Deus lançar o nosso pecado para trás de si, ou seja, colocar fora de sua visão. Deus lançou nossos pecados para fora de seu campo visual. Deus não leva mais em conta a nossa desobediência proposital ou o nosso desempenho manchado (p.40) porque em vez disso ele vê a justiça de Cristo colocada sobre nós (imputada). Isso não significa que Deus ignore nossas faltas como um pai indulgente. Ao tratar-nos como filhos em Cristo não nos pune com a condenação eterna, mas nos corrige para o nosso bem, por isso somos filhos e não bastardos (Rm 8.1; Hb 12.7,8).

O fato de passarmos por situações de sofrimento, não significa que Deus seja ruim, ou vingador. Tudo o que Deus faz é para o bem (Rm 8:28).
Em Jeremias 32:38-41, chama-nos atenção um palavra, “bem”. Deus diz que o propósito dele é fazer-nos bem, para seu bem e o bem de seus filhos. Ele não deixará de fazer o bem (e isso não depende de nós, mas unicamente e exclusivamente dele, ou mais especificamente, da aliança que ele fez com o seu povo). A segurança de recebermos bênçãos de Deus está na aliança.

É maravilhoso pensar que Deus faz o bem para o seu povo, depois olha pra ele e se alegra e por isso lhe continua a fazer o bem, “Alegrar-me-ei por causa deles e lhes farei bem...”
Outro aspecto da boa disposição de Deus é a abundância da sua bondade (Jl 2:25). É surpreendente a generosidade de Deus neste texto, pois ele não limita a sua promessa à mera restauração da produtividade anterior da terra, pelo contrário, ele diz que restituirá os anos devorados pelo gafanhoto, anos que eles mesmos haviam entregado ao juízo de Deus.

III. DEUS CONCEDE TODA GRAÇA.
Nós já falamos sobre Deus recompensar o nosso trabalho, não de forma proporcional, mas sim desproporcional, pois não é segundo o nosso trabalho, mas segundo a sua graça, que ele nos recompensa. Isso não é só em relação ao que fazemos de bom, mas também ao que fazemos de mal. Jerry Bridges mostra como Pedro era um homem falho e quantos erros cometera. O mesmo Pedro que foi o principal porta-voz dos apóstolos no dia de Pentecostes, o mesmo a quem Deus escolheu para pregar quando abriu a porta de salvação para os gentios (At 10:34-44), o mesmo que fez a declaração decisiva no concílio de Jerusalém que mudou a maré contra os crentes fariseus (At 15:6-11). É por ter vivido tudo isso que Pedro declara em sua primeira carta “O Deus de toda graça” (1Pe 5:10). E exorta em sua segunda carta “crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador...” (2Pe 3:18). Pedro tinha experiência do que Paulo escreveu em Rm 5:20 “onde abundou o pecado, superabundou a graça”.

Deus abençoou a Pedro, não apesar dos seus pecados, mas sem levar em conta os seus pecados. É desse modo que opera a graça de Deus. Ela não olha para nossas obras, nem positivas nem negativas, mas somente para os méritos de Cristo.

IV. DEUS DERRAMA BENÇÃO SOBRE BENÇÃO.
É como se as bênçãos de Deus fossem as ondas do mar quebrando na praia. Uma onda mal acaba de desaparecer quando outra se aproxima.

Às vezes, depois de passarmos por um longo período de satisfação pessoal, com grandes motivos visíveis para sorrir, pensamos que Deus deixou de nos abençoar porque não conseguimos perceber a graça sendo derramada mesmo em momentos obscuros. Mas Deus diz que...

CONCLUSÃO
Tudo quanto pedimos a Deus nunca será demais! Podemos pedir errado (Tg 4:3), mas se pedirmos corretamente (Jo 14:13,14; 16:24) jamais pediremos demais. O apóstolo Paulo disse que Deus “nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” e “o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (Ef 1:3; Fp 4:19). O que precisamos fazer não é trabalhar para recebermos proporcionalmente o que supomos merecermos, mas sim, sabermos receber de Deus, com gratidão, aquilo que ele bondosamente está nos dando desproporcionalmente ao que temos feito.

domingo, 4 de março de 2012

Mateus 6.11 = A Provisão do Pai


A Provisão do Pai
“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mateus 6.11).


George Muller fundou e administrou um orfanato em Bristol, na Inglaterra. Em uma ocasião, não havia comida para o café da manhã. As crianças tomaram seus lugares à mesa com as canecas e pratos vazios à sua frente. Então agradeceram, como de costume, o alimento que Deus ia providenciar. Pouco depois um padeiro bateu à porta do orfanato com uma carroça cheia de pães para doar. Quem governa o mundo não é o acaso, o destino ou a fatalidade, mas a mão graciosa e providente de Deus.

Na oração do Pai Nosso Jesus nos ensina que devemos pedir ao Pai que nos dê o necessário, não o luxo; e que o faça para todos nós, pois a frase “o pão nosso” é uma intercessão: “Nosso” quer dizer: De todos nós; para todos nós, e, para cada um de nós. Os cristãos não sabem lidar direito com a ostentação porque Jesus lhes ordenou que vivessem e orassem por uma vida mais simples. O apego a coisas materiais tem arruinado a fé de muitos exatamente porque colocam seu amor mais nessas coisas que em Deus e no próximo.

Jesus ensina também que peçamos o sustento para cada dia. Ele está falando do futuro imediato, próximo. Ele quer dizer literalmente: “deste dia de hoje”. Se a oração fosse feita de manhã, o pedido era para o dia que se inicia. Se a oração fosse feita à noite, referia-se ao dia seguinte. Ele não condena aqui nem a poupança e nem o alegrar-se com festividades. Ele ensina na verdade que devemos ter ciência de que quem controla o futuro distante não é a poupança e que o imediatismo também é um risco. Devemos confiar que ao dirigir nossas vidas, Deus nos pastoreia e alimenta com amor e cuidados de um pai responsável e presente.

E, por último, o pão deve ser pedido, como a expressão da nossa dependência da graça de Deus. Isso quer dizer também, que devemos ter uma atitude de humildade diante do valor do nosso trabalho. Tudo o que temos vem de Deus que nos dá saúde e boas condições de trabalho. Se ele não mandar chuva, não há colheita; se ele não providenciar o sol, tudo apodrece. Ele controla as estações que regulam as condições de todo o nosso trabalho.

Ao orar assim aprendemos:
1º) Ter confiança na providência de Deus.
Sempre dependemos de Deus porque ele é o nosso criador e sustentador. A lei da gravidade não alijou de suas mãos o seu cuidado por nós. Foi ele quem criou a lei da gravidade para dar limites a muitas coisas. Porém, a lei da gravidade não limita as suas ações, porque ele é Deus.

2º) Manter preocupação equilibrada com as nossas necessidades materiais.
Depois da glória de Deus, nossa principal preocupação é o nosso sustento diário.

3º) Contentamento que controla a cobiça.
Aprendemos a não pedir mais do que precisamos. A cobiça é um mal que habita o nosso coração sendo nossa inimiga (Tg 1.13,14). Pedir o necessário a Deus nos ensina a cobiçar menos.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...