O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Estudo 14 = Modelos

Igreja Presbiteriana Jardim Goiás
Estudos de Quarta-Feira – 1º Semestre/2019
O DEUS QUE NOS GUIA E GUARDA - James I. Packer - Ed. Vida Nova

Rev. Hélio O. Silva - 15/05/2019



ESTUDO 14 = Modelos (p. 231 a 254)

Introdução
          Pessoas imitam pessoas de forma consciente ou inconsciente, isso é um fato. Sermos influenciados por alguém é inevitável, mas será que sabemos escolher bem a quem imitar e sob qual influência nos colocar?

     1.    Deus Como Guia
         Temos falado sobre Deus ser nosso guia por meio das Escrituras, da sabedoria e de conselhos dos amigos. Além disso, Deus nos guia também por meio de observarmos e aprendermos vendo o que os outros fazem como nossos modelos espirituais de santidade a serem imitados.

1.    O que fazem os modelos
Primeiro: os modelos ampliam nossa visão. Ideais abstratos só são transformados em realidade quando vemos alguém praticá-los. Aprendemos a amar e andar em santidade quando vemos outros fazendo isso. Aprendemos o que é humildade quando observamos como Cristo se humilhou para ser nosso Salvador.

Segundo: os modelos nos fazem ver aquilo que poderia e deveria ser a nossa vida. Eles nos fazem ver possibilidades que nunca tínhamos ou teríamos considerado para nós. Andar ao lado de um modelo nos leva à imitação como meio de aprendizado.

Terceiro: Encontrar um modelo também pode nos ajudar em termos de nossa vocação. Modelos cristãos não existem para serem cultuados como heróis da fé, mas nos são dados como indicadores do caminho ajudando-nos a ver mais claramente a grandeza e a bondade de Deus. Boa parte do que aprendemos no caminho da fé é fixado em nossas mentes e corações pelo poderoso exemplo de modelos com os quais convivemos.

2.    Imitação de Cristo
Cristo é o nosso principal modelo.
®   Devemos andar assim como Ele andou - 1 João 2.6.
®   Nós amamos (uns aos outros) porque ele nos amou primeiro - 1 João 4.19.
®   Devemos amar assim como Ele nos amou - João 15.12.
®   Devemos fazer como ele fez - João 13.14-17.
®   Devemos andar em amor, como Cristo nos amou - Efésios 5.1,2.
®   Cristo deixou exemplo para seguirmos os seus passos - 1 Pedro 2.21
®   A lista de Hebreus 11 é uma lista de modelos de fé para nós - eles são uma nuvem de testemunhas do que é viver pela fé.
®   Devemos fixar nossos olhos em Cristo, pois é o autor e consumador da fé - Hb 12.1,2.
®   Ele disse que o discípulo deve amoldar-se ao seu mestre - Mt 11.29.

3.    Imitação de Líderes
Paulo nos exorta a imitarmos a Cristo, mas também a ele, como um imitador de Cristo (Fp 2.5-11; 3.17; 1 Co 11.1). 
Os pastores não devem ser dominadores, mas modelos do rebanho (1 Pedro 5.3). Timóteo deve ser modelo de consagração para a Igreja, mesmo sendo jovem (1 Tm 4.12). 
Paulo diz aos tessalonicenses que sua equipe ministerial procurou ser dignos da imitação dos novos convertidos (1 Ts 1.6; 2.14; 2 Ts 3.7-9). 
O que aprendemos com bons líderes devemos passar à próxima geração de líderes (2 Tm 2.2).
João alerta a Gaio para não seguir o exemplo de Diótrefes, mas o de Demétrio (3 João 11).

4.    Conclusões
a)    A direção de Deus para nossas vidas não se esgota na ajuda para tomar decisões, mas vai além, provendo para a formação de nosso caráter a partir de decisões e exemplos que seguimos.

b)    A imitação é algo natural na humanidade, e Deus em sua graça, concede-nos modelos de santidade e serviço para aprendermos uns com os outros a andar com Ele. Cristo é nosso principal e perfeito modelo, e padrão para todos os outros modelos menores concedidos por Deus.

c)    Assim como devemos procurar imitar bons modelos, também devemos sinceramente e intencionalmente ser bons modelos de fé e serviço cristãos para os demais irmãos e irmãs na fé. Conhecer profundamente as Escrituras, ler biografias cristãs relevantes e honestas e servir e cooperar com irmãos dedicados, redundará em crescimento espiritual e formação de um caráter cristão amadurecido.

Motivos de oração
1.    Ore por reconhecer e aprender com bons modelos cristãos para a sua própria vida espiritual.

2.    Ore para deus fazer de você um bom modelo espiritual para os outros.

3.    Ore para a sua igreja seja um celeiro de boa formação espiritual e discipulado cristãos.

sábado, 11 de maio de 2019

Estudo 13 = Com a Ajuda dos Amigos

Igreja Presbiteriana Jardim Goiás
Estudos de Quarta-Feira – 1º Semestre/2019
O DEUS QUE NOS GUIA E GUARDA - James I. Packer - Ed. Vida Nova

Rev. Hélio O. Silva - 08/05/2019



ESTUDO 13 = Com a Ajuda dos Amigos (p. 195 a 229)

Introdução
“Quando não há uma direção sábia, o povo cai, mas na multidão de conselheiros há sabedoria.” (Provérbios 11.14).

          O Deus que nos salvou perdoando os nossos pecados prometeu nos guiar pelas veredas da justiça por amor do seu nome, estando sempre conosco e nunca se afastando de nós (Sl 23.3). Ele nos guia através dos meios que Ele mesmo escolheu; a) pelos mandamentos diretos da Palavra (Sl 119.105); b) pela sabedoria aprendida nas Escrituras; c) pelos conselhos de outros membros do corpo de Cristo (Cl 3.16).

1.    Individualidade e individualismo
A cultura ocidental contemporânea confunde as duas coisas, mas são diferentes. O individualismo entende que a pessoa é o centro de si mesma e que quanto mais for independente dos outros, mais ela alcançou o ideal de maturidade pessoal. O individualismo é negação da participação e influência do outro nas nossas vidas. O individualismo é o isolamento do indivíduo, mas também a postura de desafiar o estabelecido. Nesse conceito, integridade significa isolamento, não receber influência de ninguém.

O Evangelho proíbe o individualismo e incentiva a individualidade.  O Evangelho nos individualiza fazendo-nos enxergar a nós mesmos, mostrando nossas fragilidades pecaminosas e a nossa necessidade de ajuda, pertencimento e comunhão em amizade com os outros no corpo de Cristo. Servir e ajudar uns aos outros em humildade é regra e meta na vida cristã.

2.    Comunhão e amizade
A comunhão bíblica é muito mais que o cafezinho descontraído e informal após o culto. Significa dar e receber para compartilhar. Cada um oferece do que tem para compartilhar com o próximo e assim ambos são enriquecidos. Comunhão é Cristo ministrando a seu povo por meio do seu povo (uns aos outros).

A forma prática da comunhão é o suprimento das necessidades de quem precisa. O modo da comunhão agir é a reciprocidade. O fruto da comunhão é o enriquecimento da própria comunhão na renovação dos vínculos de fraternidade. Isso vale para todas as áreas da vida cristã, inclusive na tomada de decisões e no guiar do Espírito conduzindo a vida do povo de Deus pelo caminho.

Nosso principal campo de comunhão é a igreja local da qual participamos. Quando Deus chamou Paulo e Barnabé para a obra missionária (At 13.1-3) toda a igreja local participou do processo de envio, sustento e relatório da obra realizada por eles (At 14.27). A comunhão da igreja local, e a partir dela, é o ambiente dentro qual Deus nos guia e guarda. Vivemos nossas tensões e decisões em comunhão com o corpo de Cristo, que se expressa na comunhão de uma igreja local.

Na igreja local conhecemos a unidade e a diversidade da vocação divina na vida das pessoas. Nesse aspecto, a diversidade das pessoas é um elemento positivo no aconselhamento e na tomada de decisões sob a orientação divina. Pessoas diferentes podem nos ajudar a ver as situações por ângulos diferentes, mesmo quando se aplica os mesmos princípios de conduta cristã. A comunhão cristã nos oferece o aprofundamento em amizade necessário para que cada um ajude ao outro com serviço espiritual relevante e abençoador.

Isso não quer dizer que todos os conselhos e conselheiros, ainda que bem-intencionados, serão bons, mas que na comunhão fraterna da Igreja encontramos o tipo de conselho e ajuda que precisamos para seguir a orientação do Espírito na caminha da cristã.

Outro elemento importante da comunhão é a abertura e a possibilidade da formação de amizades reais e profunda entre irmãos. A amizade acrescenta ao serviço e cuidados cristãos o tom pessoal do conhecimento mútuo, confiança e transparência entre as pessoas. A convivência dentro da comunhão pode ser casual e de curto prazo, mas na amizade não. Ela se aprofunda para o campo da intimidade e do conhecimento mútuo e duradouro, porque não existe amizade sem proximidade.

Podemos ter comunhão com muitos irmãos e irmãs, mas a amizade tem a ver com escolhas pessoais e um grau de mutualidade diferenciado. Por isso é importante sabermos escolher nossas amizades, pois podemos escolher amizades que nos farão mais mal do que bem. Mas se escolhermos bem colheremos frutos “deliciosos” disso.

          Duas advertências necessárias: 1. Devemos perguntar sempre se estamos fazendo o melhor para a glória de Deus, e em alguns momentos isso pode significar fazer coisas que os outros não entenderão, até mesmo nossos melhores e mais consagrados amigos. 2. Buscar o conselho dos outros não nos isenta da ponderação e reflexão antes da tomada de decisões. Eles são nossos conselheiros, mas as decisões são nossas. A reflexão é uma disciplina espiritual tão importante como a leitura das Escrituras e da oração.
         
Aplicações práticas:
          A orientação bíblica sobre a direção divina para nossas vidas inclui três atitudes que precisamos desenvolver:

a)    Procure conselhos
Provérbios exorta repetidamente que o caminho para a sabedoria está em seguir o conselho daqueles que já são sábios (Pv 11.14; 12.15; 13.10; 15.2,22; 19.20). Ouvir bons conselhos de bons conselheiros abençoa (Ex 18.17-23 - o conselho de Jetro a Moisés).

b)   Pese os conselhos
Roboão, filho de Salomão teve a oportunidade de ouvir bons conselhos dos conselheiros de seu pai e os recusou, porque não soube pesar os conselhos que recebeu (1 Rs 12.7-11). A nossa comunhão pessoal com Deus é um fator importante na ponderação dos conselhos que recebemos. Um exemplo complexo disso é a experiência de Absalão que deixou de ouvir o conselho de Aitofel para ouvir o conselho de Husai (2 Sm 17). Do ponto de vista estratégico, Aitofel estava correto, mas a Bíblia diz que Deus tornou o seu conselho em loucura porque estava guiando e protegendo Davi de seu próprio filho. Se não temos comunhão pessoal com Deus e não andamos no seu caminho, Deus poderá nos deixar tomar decisões equivocadas.

O Novo Testamento nos mostra que a sabedoria deve consistente e coerente com a verdade, assim, Paulo repreende Pedro no caso da dissimulação que aconselha o erro diante da necessidade de se guardar e praticar corretamente a doutrina (Gl 2.11-14). Também mostra que a sabedoria precisa discernir que às vezes, mesmo os conselhos unânimes do povo de Deus, não representarão a vontade de Deus para o nosso caminho. Paulo decide ir para Jerusalém e todos dizem para não ir. Mas ele está convencido de que essa a vontade de deus para ele (Atos 21.11-14).

c)    Pratique a prudência
A prudência é o ato de refletir antes de agir com cautela e atenção. Não é nem paralisia e nem covardia, mas bom senso, ação baseado em reflexão ponderada e amadurecida. Ela requer três atitudes: a) compreensão clara do evangelho, pois não pode ser governada por legalismo ou ilegalidade, mas pelo amor de Deus; b) Uma consciência que opera de forma clara de acordo com o evangelho contracultural; c) Um realismo determinado, livre da crença em ilusões, marcado pela concretude dos fatos e da necessidade de uma ação justa e ajustada à glória de Deus para ser aplicada ao momento que requer uma decisão.

Conclusão
Há condições morais para o discernimento espiritual. Os conselhos só serão úteis se forem medidos pela decisão de servir e agradar a deus com nossas vidas.

Motivos de oração
1.    Ore por amadurecimento de seu autoconhecimento diante de Deus e sua glória e seu por nós, a fim de descobrir e colocar seus dons e talentos a serviço dele como sua resposta pessoal ao seu amor.

2.    Ore por comunhão eficiente e amizades duradouras na sua vida. Para aprender a escolhas bem e fazer bom uso delas para o seu crescimento pessoal e para o serviço ao povo de Deus.

3.    Ore por prudência na hora de ouvir e na hora de praticar a verdade.


Estudo 12 = A Prática da Sabedoria

Igreja Presbiteriana Jardim Goiás
Estudos de Quarta-Feira – 1º Semestre/2019
O DEUS QUE NOS GUIA E GUARDA - James I. Packer - Ed. Vida Nova

Rev. Hélio O. Silva - 24/04/2019



ESTUDO 12 = A Prática da Sabedoria (p. 182 a 191)

Três passos para ajudar
          Há três passos que nos ajudam a colocar a sabedoria em prática nas decisões diárias; Pedir, pesar e agir.

1º) Pedir por sabedoria constantemente
Tiago 1.2,3 - o sofrimento por que passamos é uma forma de Deus testar a qualidade de nossa fé a fim de nos fortalecer interiormente, mesmo estando além de nossa compreensão. Se em momentos como esses faltar-nos a sabedoria, devemos pedi-la a Deus (Tg 1.5,6). O texto diz que Deus a concederá livremente, mas que devemos pedi-la com fé, sem duvidar.

A sabedoria, segundo as Escrituras, não nos conduz à soberba, mas à humildade, porque vindo de Deus, capacita-nos a depender Dele.

Tiago tem em mente a sabedoria para enfrentar as tribulações, não para exibir nossa religiosidade superior.

2º) Pesar a situação pela ótica da sabedoria
Um fato que precisamos ressaltar é que a sabedoria calcula, avaliando nossas responsabilidades a fim de assumirmos compromissos e agirmos com fidelidade durante toda e qualquer provação. “Colocamos a sabedoria em prática quando mantemos diante de nossa mente uma avaliação perspicaz e realista de nossos compromissos” (p.185).

          A avaliação sábia nos permite tomar decisões ponderadas e trarão para nós e nossa família os seus benefícios, porque nos ajuda a priorizar o mais importante em detrimento do acessório ou do passageiro. A sabedoria nos limita nas decisões porque aumenta o nosso foco naquilo que valerá mais a pena.

Por exemplo, por amor à esposa ou à família, poderíamos abrir mão de certas oportunidades pessoais (emprego melhor noutra cidade; cuidar de sua saúde, etc). nesses casos, amar a esposa e a família é um valor acima de ascensão profissional ou pessoal. Não podemos tomar boas decisões sem pesar as prioridades pela ótica da sabedoria.

           A sabedoria nos leva a olhar as questões e possibilidades pelo prisma de João 15.13, ou seja: deus em primeiro lugar, depois os outros e por último, nós mesmos.

          Pesar pela ótica da sabedoria também deve levar em conta as consequências de nossas ações e decisões. Para os cristãos, suas decisões devem colocar o amor a Deus e ao próximo como critério orientador sempre. Isso significa que amar não significa gostar. Os cristãos muitas vezes são chamados a servir com amor pessoas das quais não gostam.

          Pesar pela ótica da sabedoria também significa ter clareza quanto ao para que dizer “não” e para que dizer “sim”. Sempre que Jesus dizia sim a algo que lhe demandasse tempo, estava, ao mesmo tempo, dizendo não a outras coisas. Ele é o nosso modelo na tomada de decisões sábias. Sempre havia prioridades por detrás de suas escolhas e precisamos captá-las para construir nossa sabedoria enquanto seguimos a sua. Por exemplo, Jesus foi capaz de deixar de dar atenção aos fariseus e suas controvérsias para abençoar criancinhas que lhe foram trazidas por seus pais (Mc 10.13-16; Lc 18.15-17) não porque as crianças eram mais importantes que os adultos por si mesmas, mas para abençoá-las e ensinar princípios preciosos a respeito do reino de Deus e como participar dele.

3º) Agir com sabedoria resolutamente
O medo de tomarmos decisões erradas nos paralisa muitas vezes, e o que achamos que foi não fazer nada já foi fazer alguma coisa - fazer nada! Às vezes fazer nada é a coisa certa a fazer, mas também pode ser apenas pretexto para tentar fugir da necessária decisão a ser tomada.

A parábola dos talentos mostra que deus não se alegra com a inércia motivada pelo medo e pela irresponsabilidade, mas deixa claro que ele se alegra com a diligência e o trabalho construtivo (Mt 25. 14-30; Lc 19.11-27). Eles receberam bens para administrar, tomaram decisões e trabalharam para que suas decisões produzissem resultados positivos. O resultado de seu trabalho laboriosos foi o elogio de seu senhor. Quem nada fez por causa do medo e da autopreservação, conseguiu a irritação de seu senhor.

Conclusão
O Espírito Santo não dá respostas prontas, mas está profundamente comprometido em nos guiar pelos caminhos que as decisões sábias nos levarem. Seu ministério consiste em guiar, não em fazer no nosso lugar ou para nós.

Tomar decisões e colocá-las em ação para a glória de Deus é o modelo de ação prático promovido por Deus para as nossas vidas. 

Por causa da queda, fugimos de tomar decisões e sermos responsabilizados por elas, mas Deus nos deu o seu Espírito para nos guiar nessa tarefa a fim de vivermos para a Sua glória.

A sabedoria é o ponto de partida para a prudência, e o conselho é o ponto de partida para a sabedoria, como veremos mais adiante.

Motivos de oração

1.    Ore para não seja negligente, mas operoso praticante da sabedoria divina.

2.    Ore pedindo sabedoria constantemente a Deus.

3.    Coloque suas decisões na presença de Deus e para que sejam sábias.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

ESTUDO 11 = O Caminho da Sabedoria

Igreja Presbiteriana Jardim Goiás
Estudos de Quarta-Feira – 1º Semestre/2019
O DEUS QUE NOS GUIA E GUARDA - James I. Packer - Ed. Vida Nova

Rev. Hélio O. Silva - 17/04/2019


ESTUDO 11 = O Caminho da Sabedoria (p. 157 a 182)

Comece por aqui
          Quem tem jogos de tabuleiro em casa já se acostumou a procurar no tabuleiro a expressão: “Start”, “início” ou “comece por aqui.

          Quando falamos sobre ser guiados por Deus o primeiro passo necessário para descobrir e seguir a vontade de Deus nas situações específicas é sempre estabelecer a obediência a Deus como ponto de partida e fundamento de nosso relacionamento com Deus para o resto de nossas vidas. Deus nunca nos guiará por/num caminho 
expressamente proibido por Ele em sua Palavra, simplesmente porque não é da sua vontade andarmos por ali! Não há sabedoria em tentar andar com Deus num caminho onde Deus não estará.
         
1º) A centralidade da sabedoria
          As Escrituras nos orientam a “caminhar com sabedoria”, ou seja, comportar-se e viver com sabedoria. A metáfora do caminhar implica em entender que a sabedoria deve permear e conduzir cada passo, cada decisão a ser tomada. “Andar nele” (Cl 2.6,7) é o correspondente neotestamentário para caminhar com sabedoria no Antigo Testamento.

          Paulo elabora detalhadamente o significado de andar em sabedoria em Efésios 4 e 5. A palavra que usa para expressar esse conceito é “andar”. Veja: “andeis de modo digno da vocação” (4.1); “seguindo a verdade em amor...” (4.15); “não andeis como andam os gentios...” (4.17); “e andai em amor” (5.2); “andai como filhos da luz” (5.8); “vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios” (5.15); o verso 17 conclui a seção: “por essa razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender  qual a vontade do Senhor”. Rejeitar a sabedoria que vem de Deus é receber o que mais se deseja, uma vida sem Deus.

          A sabedoria nos conduz a “remir o tempo” (Ef 5.16). A palavra “tempo” aqui significa “cada oportunidade”. Para nós cristãos o tempo não significa apenas a sucessão das horas, mas, oportunidades, onde as horas estão repletas de momentos que serão usados para o avanço do reino e da glória de Deus na terra. Aproveitar esses momentos só será possível se aplicarmos a sabedoria que aprendemos de Deus. Para nós esse é o significado de fazer bom uso de nosso tempo.

Compreender a vontade de Deus (Ef 5.16) está ligado a Experimentar a vontade de Deus (Rm 12.2), onde “experimentar” é tradução de “provar por meio de testes” (dokimazô). Logo, a “vontade de Deus” pretendida por Paulo não é a vontade geral ou a vontade para a vida toda. Paulo fala da vontade de Deus para cada situação específica em que nos encontrarmos. Paulo está falando de qual o melhor uso pode ser feito dessa oportunidade (tempo) para agradar a Deus e glorificar o seu nome. Como podemos usar com sabedoria essa situação para servir e agradar a Deus em nosso viver?

Por isso, nosso conceito de sabedoria deve levar em conta a origem sobrenatural da sabedoria divina nas nossas vidas. Quando Cristo falou sobre o novo nascimento com Nicodemus (João 3) afirmou que o Espírito Santo (e o que dele é nascido - Jo 3.7,8) é como o vento. Pode ser sentido, percebe-se a sua força, mas não se pode controlá-lo. O sentido para nós não é que podemos fazer o que quisermos, mas de que a força que nos move é incontrolável e imprevisível (não domesticável) no sentido humano.

          Para quem não está dentro da dinâmica da vida no Espírito, mas observa do lado de fora, a maneira como os cristãos vivem e se comportam é desconcertante. Eles não entendem de onde o cristão vem, para onde vai e o que ele busca, porque não conhecem a Deus como o cristão conhece.

2º) A natureza da sabedoria
          O dom divino da sabedoria é para todos. Sabedoria não depende de inteligência, mas principalmente de obediência a Deus, que é o doador da sabedoria. Sabedoria é a capacidade de aplicar os princípios da verdade de maneira a levar uma vida correta. É particularmente interessante perceber que a sabedoria sobressai exatamente no trato e solução de questões bem específicas. A sabedoria nos leva a apreciarmos a Deus em tudo e a apreciarmos tudo em Deus.

O livro de Eclesiastes nos mostra que o grato contentamento foi, é e sempre será um elemento-chave na piedade bíblica, aconteça o que acontecer. Em Tiago, encontramos que a vida de sabedoria é uma vida de semelhança a Cristo. As Escrituras nos apresentam sete elementos que definem a sabedoria:

1.    A sabedoria diz respeito ao entendimento (Pv 3.13-15; 4.7,8).
Na Bíblia ela é contrastada com a insensatez. Entendimento é saber como viver em resposta à revelação de Deus (Pv 2.1-5). Sabedoria é refletir, aprender e desaprender. O sábio, ouvindo conselhos, desaprende o que está fazendo errado para aprender a sabedoria do fazer certo.

2.    A sabedoria diz respeito à adoração (Pv 1.7).
“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”, quem não começa por aqui, não aprenderá a verdadeira sabedoria. Conhecimento sem reverência a Deus não é sabedoria. A sabedoria nos leva à adoração, entrega e obediência àquele que reconhecemos como infinitamente bom e sábio (Pv 3.5-8).

3.    A sabedoria diz respeito a objetivos e alvos que deveríamos estabelecer para nossa vida.
Ela nos ensina a voltar nossos olhos para objetivos que realmente valem a pena almejar. O objetivo nº 1 é conhecer a Deus. Todos os demais derivam desse: Amar o próximo como a si mesmo e os relacionamentos pessoais; uma vida e participação comunitária abençoadora; e as escolhas particulares incluindo hobbies. A sabedoria nos permite formular e focar nossos objetivos em nossas diversas áreas de atividades (Ec 2.13,14).

4.    A sabedoria diz respeito à estratégia.
A estratégia é o que fazer para alcançar o alvo. Provérbios explora essa questão introduzindo a capacidade de ouvir conselhos de outros, o que nos ajuda a não cair em armadilhas (Pv 10.17; 12.15, 13.10; 19.20). 

5.    A sabedoria diz respeito ao relacionamento (Pv 14.21; 25.21,22).
O hábito de sempre procurar o bem do outro é prioritário na piedade cristã. O sábio piedoso procurar amar o próximo mesmo quando o próximo não age reciprocamente.

6.    A sabedoria diz respeito ao domínio próprio (Gl 5.23; Pv 25.28).
Dominar-se é não perder a cabeça quando estiver sob pressão. A figura bíblica de uma cidade destruída e sem muros é uma metáfora arrasadora para quem quer viver sem autocontrole (Pv 25.28). O domínio próprio é caracterizado por discrição (Pv 14.17); grandeza de espírito (Pv 14.29); sabedoria (Pv 29.11); comedido nas palavras (Pv 29.20).

7.    A sabedoria diz respeito à humildade (Pv 17.10).
A humildade se revela na aceitação do que você não pode mudar, na correção do que você pode mudar e nas quais você precisa mudar. A humildade se mostra importante diante da repreensão justa e sábia (Pv 15.31; 25.12). A sabedoria é humilde (Tg 3.13).

Conclusão
          O Senhor Jesus é o nosso modelo de sabedoria, pois ele é a sabedoria encarnada, em pessoa (1 Co 1.30). Nele estão ocultos todos os tesouros da sabedoria (Cl 2.2,3).

Motivos de oração
1.    Ore para que você não ignore onde deve lançar os fundamentos de uma vida sábia na presença de Deus e começar por ali.

2.    Ore para que Deus oriente sua busca por sabedoria e para que ele mesmo seja a sua sabedoria.

3.    Ore para que Deus te faça sábio(a) quanto a seu comportamento, palavras e objetivos de vida.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Estudo 10 = Guiados Pela Mente de Deus

Igreja Presbiteriana Jardim Goiás
Estudos de Quarta-Feira – 1º Semestre/2019
O DEUS QUE NOS GUIA E GUARDA - James I. Packer - Ed. Vida Nova

Rev. Hélio O. Silva - 10/04/2019


ESTUDO 10 = Guiados Pela Mente de Deus (p. 139 a 153)

Introdução
Oque significa ser guiados pela vontade revelada de Deus? Dirigir-se pelos comandos de Deus, pelo Livro de Deus, pela Lei de Deus e pela mente de Deus. Trataremos do último ponto nesse estudo.

1º) Sim e não
          Embora a Lei de Deus seja uma expressão fiel da mente de Deus, temos de reconhecer que a revelação verbal nas Escrituras não abarca TODA a mente de Deus. Deus não cabe dentro de todas as palavras das Escrituras. A revelação verbal é suficiente para nos revelar a Deus, mas não o revela completamente a nós. A revelação especial é composta das escrituras inspiradas e da revelação do Filho de Deus na encarnação. 

Isso significa que embora as Escrituras sejam nossa única regra de fé e conduta nós adoramos o Deus das Escrituras e não as próprias Escrituras sagradas (Bibliolatria). Nós obedecemos às Escrituras para aprender a andar com Deus, glorificando-o e apreciando-o por toda a nossa vida.

2º) Situações mais complexas ou “belas confusões”
          Na vida cristã enfrentaremos situações mais complexas que exigirão mais que apenas saber textos bíblicos de cor para aplica-los a elas. Nesses momentos será preciso praticar um tipo de reflexão, alicerçada na oração e unida ao raciocínio iluminado por princípios bíblicos a fim de escolhermos o que promete trazer mais bem e menos mal.

          Esse tipo de discernimento complexo é orientado pelo grau de maturidade e profundidade de nosso relacionamento com Deus e com a Sua Palavra.


3º) Equilíbrio na distinção de princípios de conduta
1.     Entender a tradicional distinção entre lei moral e lei positiva.
A lei positiva é a lei promulgada como meio para atingir um fim, cuja força vinculativa provém inteiramente da decisão do legislador e que pode ser alterada por ele quando as circunstâncias favorecerem (Exemplos: limite de velocidade; alíquotas de imposto; poderes políticos). Essas leis preveem sanções inerentes a elas mesmas válidos pelo tempo em que estiverem em vigor.

Existem leis positivas na Bíblia, como as que Israel deveria praticar assim que entrasse na Terra Prometida, as leis civis, as leis referentes ao Tabernáculo, o sacerdócio e os rituais de sacrifício. Hebreus explica que todas essas coisas eram “tipos” (padrões antecipados e sombras que viria depois), pois apontavam para Cristo e foram todas substituídas por seu ministério quando inaugurou o verdadeiro relacionamento de fé, do qual é o mediador (p.141).

Packer situa como lei positiva tipológica os rituais de purificação de Levítico. Essa impureza ritual tipificava a contaminação espiritual causada por todas as violações da Lei de Deus, que tornavam os infratores abomináveis aos olhos de Deus. Essa foi a estratégia pedagógica de Deus para deixar evidente a presença do pecado e a abrangência de sua contaminação na vida de seu povo. Jesus insistiu que é o pecado e somente o pecado que nos contamina, e por isso cancelou a categoria de alimentos impuros (Mc 7.19). O Novo Testamento é inteiramente desprovido da ideia de algumas coisas criadas podem contaminar enquanto outras não (1 Tm 4.3,4). Logo, a lei positiva (ritual e política) instituída por Deus é cumprida e revogada pelo próprio Deus pois tinha, na mente de Deus um caráter temporário.

A adoração só é aceitável quando nos aproximamos de Deus com mãos e coração purificados pela confissão dos nossos pecados através da mediação de Jesus Cristo (1 Jo 1.9), visto que a Lei moral, que reflete o caráter moral de Deus é permanente e nunca muda.

2.     Entender a verdadeira extensão e a unidade interna da lei moral.
Temos muita facilidade em praticar uma virtude ou imperativo em detrimento de outro, mas Jesus Cristo, que é o nosso modelo de obediência a Deus, personifica todas as virtudes divinas. O cumprimento da lei de Deus é a imitação de Cristo e vice-versa. Entendemos, por meio de Cristo, que a lei não está nos dizendo simplesmente para fazer isso ou aquilo, mas sim para procurarmos ser certo tipo de pessoa que se comporta de determinada maneira.

Para isso precisamos adotar um forte senso de quem somos em Cristo, uma forte consciência da grandeza da graça de Deus em nos salvar e de uma ardente paixão em honrá-lo, sabedores de que o cumprimento da lei pelo cristão também não é uma questão individual, pois precisamos ajudar uns aos outros a discernir o melhor curso de ação para uma vida piedosa e consagrada.

3.     Entender o princípio do ajuste cultural em contraste com adaptação cultural.
Uma adaptação normalmente envolve mudar a substância de alguma coisa para encaixá-la em um novo cenário. Um ajuste pode mudar a forma de fazer sem alterar a substância em sua essência. A substância do ensino bíblico é transcultural, contudo, sua forma é situacional e culturalmente condicionada.

Exemplo: a prática do ósculo santo (beijo) - Rm 16.16; 1 Co 16.20; 2 Co 13.12; 1 Ts 5.26; 1 Pe 5.14. O beijo entre pessoas do mesmo sexo em várias culturas é um cumprimento respeitável, comum e expressão de amizade. Noutras culturas o beijo é carregado de conotações sexuais que o afastam de ser uma expressão de amizade. Logo, J. B. Philips em suas cartas às Igrejas Jovens, uma paráfrase do Novo Testamento mudou a tradução para manter o significado pretendido; “cumprimentem-se com um caloroso aperto de mão”. No Brasil poderíamos parafrasear com “um afetuoso abraço”.

Outro exemplo seria o caso da idolatria. Embora muitas pessoas não se curvem em adoração a imagens de metal, fazem-no diante de imagens mentais (p.147). Calvino já dizia que nosso coração é uma fábrica de ídolos, para os chamados “ídolos do coração”. Todos aqueles que dizem “Minha concepção de Deus é...” ou “Eu prefiro pensar em Deus como...” já estão quebrando o segundo mandamento antes de chegar ao final de sua frase, pois rejeitam a revelação que Deus faz de si mesmo nas Escrituras, substituindo-a por uma particular.

4.     Compreender o duplo efeito ou as consequências não pretendidas e indesejáveis.
Nossas decisões, ainda que baseadas em discernimento baseado em critérios bíblicos, podem causar efeitos colaterais não pretendidos. Fazer o que é certo em algumas situações implicará em ter de fazer o que causará o menor mal possível. Sempre que algum mal for inevitável, escolher o mal menor é sempre a coisa certa a fazer (p.149).

Conclusão
          Seguir a direção de Deus com leal perseverança mais cedo ou mais tarde nos levará a problemas, tristezas e mágoas que, se tivéssemos seguido por outro caminho (não aprovado por Deus) poderíamos ter evitado. Consola-nos muito o fato de que a decisão por nossa redenção custou tão caro em sofrimento ao nosso Salvador, mas que depois de ver o fruto do penoso trabalho de sua alma, ficou satisfeito (Is 53.11,12). Nós também teremos de passar pelo Jardim do Getsêmani (Mt 26.36-46) algumas vezes, ou teremos de atravessar o vale da sombra da morte (Sl 23.4). Mas a verdade que não muda, é que se seguimos o caminho do nosso pastor, “não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo” (Sl 23.4).
  
Motivos de oração
1.     Ore por aprofundamento no conhecimento de Deus.

2.     Ore por despertamento no estudo das Escrituras.

3.     Ore por aprender a compartilhar seu crescimento e dificuldades com irmãos confiáveis dentro a família cristã.
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