O Bom pastor e seus comentários

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quarta-feira, 18 de maio de 2016

O Seminário Primitivo - História da IPB


Campo de Santana em 1818 e atualmente (pça. da República)

O Seminário Primitivo – História da IPB.

Em abril de 1867  Rev. Ashbell G. Simonton alugou uma casa grande, de três pavimentos, com sala ampla para a realização dos cultos e com instalações que pudessem abrigar também a redação do Imprensa Evangélica, apartamentos para duas famílias dos impressores mais o seminário.

Em 14 de Maio de 1867 iniciaram-se as aulas do seminário. Ele funcionava no segundo pavimento do prédio onde funcionava a própria igreja do Rio, um prédio recém alugado no Campo de Santana (hoje, Pça. da República). No térreo funcionava uma cervejaria; no primeiro pavimento ficava o salão onde se faziam os cultos; no segundo pavimento funcionava o Seminário e moravam os alunos. No pavimento superior, ficava a residência de Antônio Santos Neves.

Simonton lecionava teologia e Bíblia; Schneider, preparatórios (matérias seculares) e Wagner, um pastor luterano, grego e história eclesiástica. Os primeiros alunos foram Modesto Carvalhosa, Antônio Trajano e Miguel Torres. Antônio Cerqueira Leite viria depois, no início de 1868. Eles moravam no terceiro pavimento do prédio da igreja e serviam na escola paroquial da igreja, dirigida pela esposa de Antônio Santos Neves, D. Gervásia Modesto dava inglês; Antônio Pedro ensinava música; Trajano, geografia e aritmética; e Miguel Torres, gramática. Além de lecionar na escola, eles também colaboravam nas férias na evangelização e visitação às novas igrejas. Não é de se admirar que os quatro fossem excelentes pastores.

Com a morte de Simonton, Blackford transferiu-se imediatamente para o Rio de Janeiro e assumiu a direção do Seminário. O curso era divido assim:
1º ano: Preparatórios (álgebra, latim etc)..
2º ano: Grego e declamação.
3º ano: Teologia, História Eclesiástica e discussão de temas às sextas-feiras (“Faz a Tradição Parte de Nossa Fé?”; “A Igreja Romana é o Anticristo de que Fala Paulo em 1 Tessalonicenses?” etc).
4º ano: Homilética. Tanto professores quanto alunos e os presbíteros da igreja, participavam da crítica aos sermões, que era chamada de “ensaio”.[ii]

         Dessa primeira turma, Trajano e Modesto concluíram o curso e foram licenciados em 22 de agosto de 1870. Carvalhosa foi o primeiro deles a ser ordenado, na sexta reunião do Presbitério, no Rio de janeiro em 20/07/1871.[iii] Miguel Torres contraiu tuberculose e teve de ir para Caldas-MG, terminando o curso posteriormente. Ele é conhecido como o Apóstolo de Caldas.[iv] Trajano e Torres foram ordenados juntos em 10/08/1875 na Cidade de Rio Claro.[v] Antônio Cerqueira desistiu do curso num dia em que esqueceu o que devia dizer nas discussões de sextas-feiras, mas retornou anos depois e concluiu o curso. Foi ordenado em 08/08/1876, no Rio de Janeiro.[vi]

         Júlio A. Ferreira conclui seu capítulo sobre o seminário primitivo da seguinte maneira:

A morte de Simonton, as férias de Blackford, a necessidade de Chamberlain ir para São Paulo, a retirada de Wagner para a Suíça, onde logo depois faleceu, a transferência de Schneider para a Bahia, tudo conspirava para que o Seminário não pudesse continuar. O problema da educação teológica ficaria muito tempo aguardando solução.[vii]




[i] Júlio A. Ferreira. História da Igreja Presbiteriana do Brasil, vol.1, CEP; p. 79.
[ii] Júlio A. Ferreira. História da IPB, vol. 1; CEP, p.86.
[iii] Alderi S. Matos, Os Pioneiros, p.311.
[iv] Ibid, p.323.
[v] ibid, p.317.
[vi] ibid, p.326.
[vii] Júlio A. Ferreira, História da IPB, vol.1, p. 88.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

A Igreja Presbiteriana do Brasil e a Escravidão


A Igreja Presbiteriana do Brasil e a Escravidão

É comum encontrarmos pessoas acusando as igrejas evangélicas históricas de serem omissas quanto à questão da abolição da escravidão no Brasil imperial. O argumento comumente usado é o de que essas denominações foram capazes de fundar grandes e influentes escolas, hospitais de renome; mas não foram capazes de denunciar a escravidão. Ora, essa avaliação histórica é anacrônica, pois impõe sobre aquela época o peso do que essas mesmas instituições se tornaram no decorrer de mais de cem anos de história e desenvolvimento. As grandes escolas e hospitais de hoje, não passavam de pequenas e insignificantes instituições em seus humildes começos naquela época.

Todavia, no caso da Igreja Presbiteriana do Brasil, encontramos boa literatura a respeito da posição dos missionários da PCUSA e parte dos missionários da PCUS, vindos para o Brasil posicionando-se contrariamente à escravidão e a favor da abolição.

         Pelo menos três pastores daquele período, beligeraram a favor da abolição: Emanuel Vanorden (escrevia cartas aos governantes denunciando a escravidão; em sua igreja só eram recebidos como membros os que alforriassem seus escravos); James T. Houston (pregou um sermão contra a escravidão em 08/1884 de grande repercussão na cidade do Rio de Janeiro) e Eduardo Carlos Pereira (publicou artigos no Jornal Imprensa Evangélica e depois os transformou num livrinho de 45 páginas: “A Igreja Evangélica e Suas Relações Com a Escravidão”- 1886).

Apesar de serem contrários à escravidão no Brasil, parece-nos que a Igreja adotou uma postura mais cautelosa quanto à questão, visto haverem vários e complexos empecilhos ao seu estabelecimento no Brasil, que lhe chamavam mais a atenção e lhe cobravam esforços de “sobrevivência” até então. A Constituição de 1824 proibia a pregação do evangelho a portugueses e a brasileiros, sob pena de expulsão do país; os templos protestantes não podiam ter aparência externa de templos; estrangeiros não podiam se envolver com questões do império.

Mesmo assim, o Presbitério do Rio de Janeiro, único existente no país à época, deliberou afirmar a sua posição abolicionista em 1886. Entristece-nos o fato de que essa decisão viesse tão tarde, visto que várias leis anti-escravistas já vinham sendo aprovadas desde 1850 e o movimento abolicionista ganhara mais força no Brasil desde o fim da Guerra do Paraguai em 1870. Mas vale lembrar, que o primeiro missionário presbiteriano só chegou ao Brasil em agosto de 1859 e o Mackenzie só foi fundado em outubro de 1870! Em 13 de Maio de 1888 a Igreja Presbiteriana do Brasil possuía menos de 40 igrejas implantadas, espalhadas em todo o território nacional, com pouquíssimos membros ativos.

         A Igreja foi aberta à participação dos escravos desde o princípio, simpática ao movimento abolicionista e manifestou o seu regozijo publicamente e documentalmente quando a abolição veio. Preocupou-se não somente com a abolição, mas também com a educação dos negros após a mesma procurando evitar o segregacionismo racial. Na formação de seu primeiro Sínodo em setembro de 1888, quatro meses após a abolição, um dos presbíteros delegados à reunião era o negro Antônio da Silva Rangel, representante da Igreja de Mogi-Mirim (veja na foto acima, à direita).

         Essa tem sido a nossa postura desde o princípio e nossa oração é para que a Igreja Presbiteriana do Brasil se mantenha firme na luta contra os pecados sociais e no anúncio do evangelho redentor a todas as etnias.

_____________
Leia mais em: FIDES REFORMATA XV, Nº 2 (2010): p.43-66. "A Igreja Presbiteriana do Brasil e a Escravidão - Breve Análise Documental (1859-1888). Por Helio O. Silva.


segunda-feira, 2 de maio de 2016

A Necessidade Mais Imediata da Igreja


A Necessidade Mais Imediata da Igreja

Qual a necessidade mais urgente na igreja do mundo ocidental hoje? Essa pergunta poderia receber inúmeros enfoques e ser tratada de várias perspectivas:

1.      Precisamos de maior pureza quanto às questões sexuais.
A celebração tecnológica da lascívia invade nossas casas via meios de comunicação e da Internet. O advento da TV a cabo, do DVD e do computador pessoal expõe milhões de pessoas anualmente a todo tipo de pornografia e o adultério virtual tem estremecido e posto fim a inúmeros casamentos cristãos.

2.      Precisamos de mais integridade e generosidade na área financeira.
A trapaça e corrupção se tornaram a marca D’água de muitas pessoas inclusive instituições. Muitos sonegam impostos enquanto outros manipulam e maquiam resultados financeiros de suas empresas. As técnicas de marketing focalizam o presente e o imediatismo materialista. Isso acontece por causa da ganância. Cada um corre atrás do que é seu ou do que deseja desesperadamente, esquecendo-se de quem é a fonte de todas as bênçãos, inclusive as materiais.

3.      Precisamos de mais evangelismo e plantação de igrejas.
Para muitos Cristo é apenas mais um quesito acrescentado à nossa vida tão atarefada, e não Aquele que deve controlar,  refrear e modelar a nossa visão da vida e objetivos pessoais. Muitos frequentadores das igrejas acreditam não haver qualquer relação entre Cristianismo e moralidade. O mundo vai retornando a passos largos ao paganismo e os cristãos se tornam cada vez mais pluralistas acompanhando tendências, perdendo o foco e não assumindo compromissos a médio e longo prazo com o crescimento de sua própria igreja local!

4.      Precisamos de mais conhecimento bíblico.
Necessitamos de disciplina e estudo bíblico relevante e com profundidade. Todavia, podemos dedicar horas ao estudo da Bíblia e não demonstrar um conhecimento de Deus relevante ou genuíno. Nosso conhecimento bíblico pode ser rigoroso e acadêmico, mas não edificante, não doador de vida, não devoto e até mesmo insincero!

5.      Precisamos de conhecimento mais profundo de Deus.
Há um sentido em que essas necessidades urgentes são apenas sintomas de uma carência muito mais séria: Um conhecimento mais profundo de Deus. Um fato grosseiro diante de nossos olhos é que grande parte da nossa religião visa atender às nossas necessidades imediatas e facilitar ou agilizar a nossa busca por felicidade e realização. Na visão bíblica, um conhecimento mais profundo de Deus traz consigo um progresso enorme nas áreas mencionadas acima. Não podemos nos quedar tranquilos diante do fato de que nossa geração egoísta corre mais atrás das bênçãos de Deus do que do próprio Deus!

   A oração é uma pequena, mas vital, parte do desafio de conhecer e continuar conhecendo a Deus. Nossa oração deve ser espiritual, persistente e biblicamente direcionada. Robert Murray MCheyne disse: “O homem é o que ele é quando está de joelhos, sozinho diante de Deus, nada mais”.

Leia mais em: Um Chamado à Reforma Espiritual – D. A. Carson, ECC, p.11-18.



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