O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Cristo: O Deus-Homem

Martírio de Inácio em Roma

Cristo: O Deus-Homem

“Há apenas um médico –
Própria carne, mas espírito também;
Não criado e, apesar disso, nascido;
Deus e Homem unidos em Um só;
De fato, a própria Vida na Morte,
Fruto de Deus e o filho de Maria;
Ao mesmo tempo, impassível e ferido
Por dor e sofrimento neste mundo;
Jesus Cristo, que conhecemos como nosso Senhor.”
(Inácio de Antioquia – Carta aos Efésios 7.2 – por volta de 110 dC).

Essa declaração de Inácio de Antioquia é uma das mais claras evidências de que a Igreja adora a Jesus Cristo como Deus desde muito cedo na sua história. As insinuações mais modernas perpetradas pelos escritores ateus de nosso tempo insinuando que foi no Concílio de Nicéia (325 dC) que a igreja declarou a divindade de Cristo como um ato político instigado por Constantino a fim de cimentar a unidade do Império Romano é pura fantasia daqueles que não sabem ler a história e a miríade de seus documentos. Um exemplo é O Código Da Vinci, de Dan Brown.

A declaração da divindade de Cristo em Nicéia, especificamente no Credo de Nicéia, serviu, ao contrário do que muitos dizem, exatamente para solidificar a independência da Igreja do Estado romano, pois afirma que para os cristãos existe apenas um Senhor, que está acima dos imperadores e governadores desse mundo. Esse único Senhor é Jesus Cristo. A finalidade da igreja não era política ou social, mas a afirmação inequívoca de sua fé fundamental perante o mundo. Cristo é quem governa, não outros. Não é à toa que a linguagem do Credo de Nicéia espelha algumas das afirmações mais contundentes de Inácio a respeito desse assunto.

Mas a divindade de Cristo não é contestada somente por escritores e filósofos de nosso tempo. Outras religiões também o fazem. Recentemente, tem crescido no Youtube, vídeos questionando a divindade de Cristo em favor do crescimento do muçulmanismo no ocidente.

É fato que o Islã sempre questionou a divindade de Cristo, ainda que o reconheça como um profeta inferior a Maomé. O que poucos cristão estão atentos, é que o cristianismo é historicamente anterior ao muçulmanismo, sendo perceptível no Alcorão, inclusive, a influencia de uma visão gnóstica sobre as crenças cristãs. Já no período Patrístico, os pais da igreja debatiam e refutavam as críticas muçulmanas à fé cristã. João de Damasco e Raimundo Lúlio são dois exemplos da atenção dadas às crenças muçulmanas que nós cristãos precisamos conhecer melhor.


Mas a plena divindade de Cristo e a sua perfeita humanidade declaradas juntas é a pérola do nosso testemunho cristão. Por ser plenamente Deus e por ser plenamente homem, foi que ele pôde e pode nos salvar. È assim que ele se revelou a nós; é assim que nós cremos nele! Amém. 
Com amor, Pr Hélio.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Medo da Morte ou Medo de Morrer? (Atos 7.55-60)



Medo da Morte ou Medo de Morrer? (Atos 7.55-60)

Nós não fomos criados por Deus para morrer; a morte é uma maldição e um inimigo que entrou no mundo através do pecado (Rm 5.12). Ela é o último inimigo que precisa ser destruído (1 Co 15.25,26). Não podemos olhar para a morte de forma simplista, nem inocente ou romântica. Entretanto, devemos crer com toda a convicção que a morte foi tragada pela vitória de Cristo na cruz e que nem ela pode nos separar do amor de Deus em Cristo por nós (1 Co 15.54-57; Rm 8.35-39).

Mesmo sabendo disso, muitos cristãos sofrem com a proximidade da morte. Sua ansiedade nem sempre tem a ver com o medo da morte, mas com o medo de morrer; sendo mais específico, com o modo como vão morrer. Os cristãos temem o sofrimento na chegada da morte.

O texto de Atos conta a história da morte de Estevão, um dos sete diáconos da igreja de Jerusalém e o primeiro mártir da igreja. Ele era um homem temente a Deus, cheio do Espírito Santo e eficiente pregador do evangelho. Sua morte aconteceu por meio do martírio; e seu martírio ocorreu em meio a grande sofrimento e dor. Ele morreu apedrejado pelos líderes religiosos do judaísmo e pelo povo (At 7.58). Ele morreu em meio a muita dor. Mas, Lucas nos informa que a sua morte glorificou o nome de Deus. Como isso foi possível?

Primeiro: Porque Estevão pode contar com a presença do Espírito Santo enchendo-o graciosamente para enfrentar esse momento (v.55). Ele estava cheio do Espírito. Enfrentar a morte, nossa última inimiga, não é uma tarefa que podemos suportar sozinhos. Por isso Deus não somente não nos abandona, como nos consola e fortalece cumprindo a promessa de estar conosco todos os dias de nossa vida.

Segundo: Porque o Espírito Santo transformou o momento da morte em uma janela para a glória de Deus e de Cristo (v.55). Diante da fúria da morte, não é a condenação que abre a sua boca feroz sobre o indefeso Estevão, mas são os céus que se abrem diante de seus olhos; Ele não vê o inferno, mas ele vê o céu, o lugar de seu descanso eterno!

Terceiro: Porque o Espírito Santo o capacitou para ver, através da morte, o lugar de comunhão com o Pai e com o Filho. Ali ele vê o trono de Deus, com o próprio Jesus Cristo, o Filho, de pé à direita do trono, pronto para recebê-lo, como havia prometido.

Quarto: Porque na hora da morte, o Espírito o capacitou a unir-se a Cristo no seu testemunho (v.60). Assim como Cristo orou na cruz em favor de seus inimigos (Lc 23.34) Estevão pôde unir-se a ele na sua intercessão em favor dos perdidos.

Quinto: Porque o Espírito Santo o capacitou a receber a morte com serenidade e confiança (v.59). Na hora da morte, não precisamos orar desesperadamente pedindo mais tempo aqui na terra. Mas podemos tranquilamente recebê-la sem temor. Porque sabemos o que vem depois; porque sabemos que não há privilégio maior do que estar com Cristo, de estar com Cristo para sempre.

Estevão pôde atravessar a morte serenamente porque o Espírito Estava com Ele; porque ele sabia quem o receberia na presença de Deus e diante de seu trono; porque perante a face reluzente de Cristo, a própria morte fica pálida sem sua medonha sombra. 
                                                                                           Com amor, Pr. Hélio.


Leia mais em: Antes de Partir; Nancy Guthrie, Ed. FIEL, p. 35-42.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...