O Bom pastor e seus comentários

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sábado, 28 de outubro de 2017

EFR-2017 = A Piedade Segundo João Calvino - A Vida do Homem Cristão


EFR-2017: A Piedade Segundo João Calvino - A Verdadeira Vida Cristã
Rev. Helio O. Silva = 23/10/2017.

Falar sobre a piedade de João Calvino é um tema desafiante e empolgante, pois nos surpreende o quanto conhecemos pouco esse reformador tão importante. Todo o seu labor teológico
A piedade de João Calvino deve ser vista não apenas no modo como viveu, mas também no modo como fazia teologia. Todo o seu labor teológico trafega no modo como relacionava piedade e teologia.

1.     O Título das Institutas: “Institutas da Religião Cristã, contendo virtualmente toda a soma da piedade e tudo o que necessita ser conhecido sobre a doutrina da salvação: Uma obra que vale a pena ser lida por todos os cristãos que têm zelo pela piedade”. A palavra “Institutio” significa “instrução básica”. “Para Calvino a reflexão teológica nunca é um fim em si mesma. A teologia é sempre utilizada a serviço da piedade; ela deve conduzir à piedade. Assim, a teologia de Calvino algumas vezes tem sido chamada de theologia pietatis, uma ‘teologia da piedade’”. Para ele, teologia deve levar à piedade.

2.     Como Calvino define piedade? “Eu denomino ‘piedade’ aquela reverência unida ao amor a Deus que o conhecimento dos seus benefícios induz” (Inst I.2.1). Ou então: “Aqui certamente está a religião pura e verdadeira: a fé tão unida a um sincero temor a Deus que esse temor também inclui uma reverência voluntária e leva consigo o culto legítimo que está prescrito na lei” (Inst I.2.2). 

Proposição: Nessa oficina quero mostrar como Calvino resume o seu entendimento de como deve ser a vida piedosa apresentando-lhes uma obra dele pouco conhecida entre nós.

Em 1539, João Calvino publicou a segunda edição das Institutas com vários acréscimos à edição anterior. Uma das novas seções recebeu o título de “A Vida do Homem Cristão”, que pretendida ser um guia prático para o discipulado e a vida cristã cotidiana. O resultado foi tão bom, que em 1550, essa seção foi publicada num livreto em separado, com o título Vita Hominis Christianiti (latim e francês) ainda que permanecesse sem qualquer alteração nas edições posteriores das Institutas. Posteriormente foi traduzido para o inglês (1594), alemão (1857) e para o holandês (1858). Para o português somente em 2001, pela Editora Novo Século.

Na edição definitiva de 1559, ocupa os capítulos VI a X do livro III, dentro da discussão sobre a doutrina do arrependimento. Posteriormente foi vertido para o inglês com o título “O Livro de Ouro da Vida Cristã” e no Brasil foi recentemente publicado com o título “A Verdadeira Vida Cristã”.

1.    Esboço do livro:


  
Calvino ensina que a obediência humilde é a verdadeira imitação de Cristo. Essa obediência humilde é conduzida passo a passo pelas escrituras tendo a santidade como seu princípio chave. A santificação como processo significa uma vida de total obediência a Cristo, partindo de uma mudança interior que ultrapassa um cristianismo externo, muitas vezes apenas nominal, pois o progresso espiritual contínuo é necessário.

 Depois ele trata da autonegação. Ser cristão é não pertencer a si mesmo, mas ao Senhor. Buscar a glória de Deus implica na autonegação, que significa sobriedade, justiça e devoção a Deus. Não existe humildade real sem respeito pelos outros, para quem devemos buscar o bem, inclusive dos amigos e dos inimigos. Para que isso aconteça, não basta ser bons cidadãos, pois o amor cristão deve ir além, como o amor de Deus vai. Não há felicidade sem a benção de Deus, assim como não há felicidade na obtenção de riquezas e honras somente.

O caminho da vida cristã é o da paciência que carrega a cruz, seguindo Jesus Cristo (Lc 9). Levar a cruz é mais difícil que negar-se a si mesmo. Porque a cruz nos torna humildes, esperançosos, obedientes e contribui para uma vida disciplinada que traz o arrependimento. Logo podemos enfrentar o sofrimento com contentamento, porque a perseguição traz o favor de Deus e produz regozijo espiritual. A cruz nos ensina a não sermos indiferentes, pois ela é necessária tanto para aprendermos a submissão como para recebermos a salvação.

A seguir fala da esperança na vida futura. Lembra que não há coroa sem cruz. Nós superestimamos a vida presente; ao contrário, deveríamos amar a vida futura sem desprezar as bênçãos da vida presente. Que é a terra comparada às bem-aventuranças do céu? Não deveríamos temer a morte, mas diante dela erguermos nossas cabeças (At 7.54-60), pois o Senhor virá em glória: Maranata!

Finalmente, é preciso usar corretamente nosso tempo na vida presente. Evitando extremismos; conscientes de que as coisas terrenas são presentes de Deus e que recebidos com gratidão evitará que abusemos deles. Vivamos com moderação, sendo pacientes e contentes com a graça divina, mesmo sofrendo muitas privações; e sejamos fiéis ao chamado divino em todas as nossas ações.

Conclusão:

1. Precisamos perguntar a nós mesmos: Como conduzimos nossa vida piedosa. Calvino entendia que as Escrituras deveriam conduzir tudo em nossas vidas.

2. Precisamos estabelecer criteriosamente como vamos construir nossa “peregrinação” cristã na terra.
O testemunho de J. I. Packer no livro Antes de Partir.[1] O fim determina o começo.

3. Precisamos parar de separar vida de teologia, teologia de piedade.
James I. Packer: Teologia é doxologia (adoração).

Recomendo fortemente essa leitura, que inspira, consola, desafia e fortalece a nossa fé. Com amor. Pr. Helio.





[1] James I. Packer. Somente quando você sabe como morrer, você pode saber como viver. In: Nancy Guthrie, Antes de partir. FIEL, 2013, p. 19-23.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

UCP - Impactante e Importante! Como assim?

Atos 26 = Persuasão




®   Atos 26: Persuasão.

A defesa construída por Paulo é seu próprio testemunho de conversão. Deus nos fez suas testemunhas e a essência de nossa mensagem e defesa perante toda e qualquer acusação é testemunhar Cristo. Cristo é a razão de tudo. Ele nos persuadiu com seu amor e se revelou a nós na nossa conversão.

Paulo foi persuadido na estrada de Damasco e sua vida foi mudada de rumo completamente (v.14-16). O seu testemunho quase persuadiu o rei Agripa (v.26) e Paulo confessa seu intento de persuadir a todos os seus ouvintes ali naquele momento (v.29). Seu testemunho é totalmente intencional, visa defender sua integridade, mas, mais que isso, visa apresentar Cristo e levar os ouvintes à fé cristã.

Essa é a terceira vez em Atos que Lucas narra a conversão de Paulo (caps. 9, 22 e 26). No verso 14 ele acrescenta uma frase que o Senhor disse a Paulo que está ausente nos relatos anteriores: “Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões”, mostrando que o condutor final de nossas vidas e da história é Deus. Ele havia conduzido Paulo até à estrada de Damasco, e dali para a concretização de seu ministério e tudo o que fez na proclamação do evangelho por toda parte que pôde ir.

A soberana vocação é como um aguilhão de boiadeiro que espeta o gado que resiste em se deixar conduzir, assim como é uma mão que aperta o coração, constrangendo-o, apertando-o de todos os lados com o amor de Deus, o amor da cruz (2 Co 5.14)!

Deus é quem nos leva consigo (separai-me [separem para mim] – At 13.2). Para sermos seus e para fazermos a sua obra. Nunca nos envia sozinhos, mas sempre vai conosco como o pastor que conduz e cuida de suas ovelhas; como o boiadeiro que positivamente conduz seu gado pelos caminhos mais apropriados, sem deixar escapar os mais rebeldes.

O aguilhão que conduz a história não está nas mãos dos homens mais poderosos, nem dos mais sábios e muito menos dos mais ricos. Poder bélico, poder econômico e poder de persuasão humanos não são páreos para aquele que tem nas mãos todo o poder. Todos os poderes humanos quedam aos pés daquele que está acima de tudo e de todos!

Por outro lado, nosso poder de persuasão não parte da opressão que obriga os demais a curvarem-se. Nossa persuasão vem do amor que nos conquistou por sua verdade e veracidade, singeleza e simplicidade, pureza e santidade. Quando nossos olhos são abertos para o fato de Deus não é obscuro em suas ações, mas tem propósitos santos e justos a nosso respeito, quebranta-se o nosso coração; uma vez que não usa de expedientes opressivos para nos convencer, mas somente o poder constrangedor de seu obstinado amor por nós.

Nossa persuasão procede daquele que nos amou e se ofereceu graciosamente por nós sem reclamar da ignomínia que isso significaria para ele. Por seu amor, salvou-nos da escuridão. Essa é a nossa sabedoria, a nossa força e a nossa riqueza. 

Com Amor, Pr. Hélio.

domingo, 1 de outubro de 2017

Os Caminhos Para Goiás

1965 - Viação Férrea Centro Oeste

Os Caminhos Para Goiás

A inserção definitiva do protestantismo em Goiás seguiu o processo modernizador possibilitado pela construção das estradas de ferro na região centro-sul do estado indo na direção centro-oeste do mesmo,[1] voltando-se posteriormente para o norte goiano e Tocantins.

No final do século XIX haviam apenas três caminhos para Goiás:
1. Via ferroviária Mojiana sentido São Paulo-Goiás. Era a rota primitiva dos descobridores e menos percorrida em virtude de fiscalização mais rígida.

2. A rota-mineira ou via-Paracatu. Era a mais usada pois facilitava a comunicação direta com o Rio de Janeiro. Entrava em Goiás pelas gargantas do divisor de águas do São Francisco e Tocantins via São Marcos e Arrependidos.

3. Via baiana. Entrava em Goiás pelo mesmo caminho da anterior, todavia mais ao norte, oriunda do encontro da bifurcação de dois caminhos para o Piauí e um para a Bahia conectando-se com a estrada de Paracatu.

A partir de 1910 aconteceu a ocupação do sul do Estado, possibilitado pela construção dos primeiros trechos da ferrovia. Na década de 1930 ocorreu um novo ciclo de ocupação com a construção de Goiânia (1933) e a chegada da ferrovia a Anápolis (1935), favorecendo a ocupação da região central do Estado, o chamado Mato Grosso de Goiás. Na década de 1940 ocorreu um novo impulso colonizador com a instalação da CANG (Colônia Agrícola Nacional de Goiás) na cidade de Ceres e a abertura de estradas de rodagem rumo ao norte do Estado, como a Rodovia Belém-Brasília (BR 153).

Em dezembro de 1943 foram iniciadas as obras da Belém-Brasília, que deveria ligar Anápolis à Colônia Agrícola (Ceres), às matas do Vale do São Patrício, indo até Sant’Ana (Uruaçu) e por fim, até Carolina, no Maranhão, onde havia uma balsa para atravessar o Rio Tocantins.

Nesse período, a população goiana aumentou significativamente; 61,4% entre 1920-1940 e 57,6% entre 1950-1960.[2] No caso de Anápolis, “só a possibilidade de a Estrada de Ferro Goiás prolongar-se até a cidade já atraía as pessoas, inclusive os protestantes, pois a ferrovia significaria para a cidade o desenvolvimento.” Foi assim que o Dr. James Fanstone acabou se fixando nessa cidade em 1924. Segundo Sandra Abreu, “O capitalismo trouxe a estrada de ferro e, por ela, chegou grande parte dos protestantes.”[3]

Em Goiás, a marcha para o oeste ganhou o tom de uma cruzada pela brasilidade a partir do Congresso de Brasilidade, realizado em Goiânia em 10-19/11/1941, para discutir os problemas da atualidade brasileira e divulgar o programa do Estado Novo para a ocupação do restante de Goiás para além de Jaraguá e realizar a integração nacional.[4]

A Missão Oeste do Brasil (WBM), que era sediada em Campinas, foi a única, dentre as Missões norte americanas, a se movimentar pelas regiões do Brasil seguindo para o oeste, estrategicamente seguia os pontos terminais das estradas de ferro mais importantes que penetravam no interior do Brasil. Deslocando-se de São Paulo a partir de Campinas, daí para Minas Gerais: Triângulo Mineiro (1890), Alto Paranaíba (1930), região de Goiânia (1930), Vale do São Patrício (1940), Noroeste Mineiro (1950) e médio Norte Goiano e Tocantins (1950). A partir do Noroeste Mineiro (Araguari) fundou igrejas e escolas em Brasília, interior do estado de Goiás, atual estado do Tocantins indo até o Pará acompanhando a BR Belém- Brasília e na maioria dos casos, antes dela.[5]




[1] Ordália, Ibid, p.88.
[2] Sandro Dutra e Silva. Os Estigmatizados: Distinções Urbanas às Margens do Rio das Almas em Goiás (1941-1959). Tese de Doutorado apresentada à UNB-Brasília, 2008, p. 53.
[3] Abreu SEA de, 2000. Faculdade de Filosofia “BERNARDO SAYÃO”: Fundação e História. Número 05/06 – Janeiro / Dezembro, p. 3.
[4] Ibid, p.58.
[5] Viviane Ribeiro e Cristiane Silva Costa. Métodos de Alfabetização das Escolas paroquiais Presbiterianas: escola Simonton, Unaí-Minas Gerais (1956-1976). Instituto de Ensino Superior Cenecista – INESC, p.4.
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