O Bom pastor e seus comentários

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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Viagem Missionária A Ayacucho-Peru (Projeto Sem Fronteiras 2012)


Viagem Missionário A Ayacucho-Peru (Projeto Sem Fronteiras-2012)

Ontem visitamos a comunidade de Sta. Inês e participamos de um culto com 35 "hermanos". Fomos muito bem recebidos pelos irmãos. Ofereceram um tipo de milho tostado com sal e uma sopa de frango caipira com batatas (Eu tive dificuldades com esse prato, pois o tempero e o jeito de fazer é muito diferente do brasileiro).
Depois aconteceu o culto em que o Rev. Ericson expôs brevemente Romanos 8 com tradução para a lingua Quechua. Foi uma bela mensagem. O local fica a 3.555 mts de altitude e fazia ceca de 12 graus. Enquanto tomávamos a sopa começou a chover baixando um pouco mais a temperatura. O pôr do sol ali foi belíssimo. O que mais nos chamou a atenção foi o silêncio da entrada da noite. Certamente um lugar de descanso e repouso.

Hoje visitamos Quinua, há 32 Km de Aycaucho, e fica a 3.200 mts. De lá da pra ver Ayacucho com o zoom da câmera fotográfica ativado.Ali ocorreram duas grandes batalhas históricas. Uma no tempo dos incas e a outra da independência do Peru em 09/12/1824. Nessa batalha, 5.800 soldados peruanos derrotaram 8.200 soldados espanhóis. Era o fim do domínio espanhol na América Latina.

Ao descer para Ayacucho, paramos num sítio arqueológico do povo Wari, mais antigos que os incas e por eles dominados. Foi a primeira vez que vi e cheguei perto de uma múmia verdadeira! Ela é de mais ou menos 500 dC, ou seja da época em que Sto. Agostinho havia acabado de morrer, 100 anos depois dos grandiosos sermões de João Crisóstomo terem ecoado pela Ásia Menor; no auge do poder do Império Bizantino em Constantinopla.


À noite fomos ao culto na igreja que nos hospeda, "La Iglesia Cristiana Presbiteriana de La Liberdad", que fica no alto de um dos morros da cidade, ao lado do Bairro La Liberdad. Dá para ver toda a cidade de lá, e até a luz brilhante do monumento à vitória da batalha de Quinua, bem ao longe e ao alto, piscando como um farol na escuridão do vale de Ayacucho.
Haviam 30 pesoas no culto e eu preguei expondo brevemente o salmo 121. O pastor Josué traduziu para o castelhano e depois para o quechua. Foi a primeira vez que preguei com tradução nos meus 20 vinte anos de ministério. Mencionei as batalhas que ocorreram sobre os montes e depois mostrei que Deus é o nosso verdadeiro socorro, por 3 razões: Ele é o nosso criador; ele é soberano sobre tudo; e ele é o nosso pastor guardador. Disse-lhes que confiassem em Deus "desde agora" e para sempre.


Amanhã entraremos on line para uma conversa com os alunos do IPE/Centro por volta das 9 horas ai no Brasil e às 7:10 aqui no Peru. Depois visitaremos o seminário presbiteriano que existe aqui. À tarde trataremos com o Rev. Josué do Projeto Sem Fronteiras e à noite participaremos do "discipulado" que o pastor Josué realiza todas as sextas-feiras.

A cidade é agradável e cheia de igrejas históricas. As coisas antigas e simples se misturam com o moderno de uma forma muito estranha para mim. Casas antiquíssimas, algumas caindo aos pedaços, hospedando lojas, bancos e agências financeiras moderníssimas. A cidade muito antiga sofre com a invasão da modernidade. Pessoas com aquelas roupas típicas peruanas, grudadas em celulares do último tipo. Todavia há muita carência do evangelho assim como no Brasil.

É isso aí.

A cada conversa que temos com o Rev. Josué nos empolgamos mais com o projeto e suas possibilidades de aplicação nessa região.

Deus veio antes de nós, e está nos chamando para continuar e chegarmos até aqui. O que virá depois é de sua exclusiva autoridade...

Um forte abraço, e bom descanso essa noite.

abraços a todos.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Aula 19 = Livre Arbítrio e Livre Agência



Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 19 = LIVRE ARBÍTRIO E LIVRE AGÊNCIA (21/08/2011).
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“Enganoso é o coração mais do que todas as coisas,
e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9).


Livre Arbítrio poderia ser definido como a capacidade que o homem teve, quando criado, de escolher as coisas que combinavam com a sua natureza santa, mas que, mutavelmente, pudesse escolher aquilo que era contrário à sua natureza santa. Representa a capacidade de escolher todas as opções morais que uma situação oferece.

A Confissão de Fé de Westminster (CFW) traduz esse conceito assim:
"O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus, mas mudavelmente, de sorte que pudesse decair dessa liberdade e poder." (CFW IX, 2).

Adão possuiu essa capacidade, pois foi capaz de fazer alguma coisa que era contrária à santidade com que foi capacitado. Ele teve, nesse sentido, a capacidade para uma escolha contrária, isto é, com natureza santa, escolheu o que era mal. O pecado original nos tirou o livre arbítrio, pois perdemos a capacidade natural de escolher os caminhos de Deus, porque não temos mais uma inclinação natural que nos direciona para Deus. Hoje nosso coração é cativo do pecado e somente a graça da regeneração pode nos livrar dessa escravidão (Jo 8.32-36). Quem comete pecado é escravo do pecado, logo, não é livre para não pecar quando quiser.

Livre Agência, por outro lado, poderia ser definida como a capacidade que todos os seres racionais têm de agir espontaneamente, sem serem coagidos de fora, a caminharem para qualquer lado, fazendo o que querem e o que lhes agrada, sendo, contudo, levados a fazer aquilo que combina com a natureza deles.

A Confissão de Fé de Westminster (CFW) traduz este pensamento nestas palavras:
"Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade, que ele nem é forçado para o bem ou para o mal, nem a isso é determinado por qualquer necessidade absoluta de sua natureza." (CFW IX,1).

A livre agência é uma característica dos seres humanos, pois todos tomam as suas próprias decisões a respeito do que devem fazer, escolhendo o que lhes agrada à luz de seu discernimento do que é certo e errado e das inclinações que sentem.
Os agentes livres agem espontaneamente, com a auto-determinação da vontade deles. Anselmo de Cantuária argumentava que "se a vontade do homem ou de um anjo é suposta ser criada num estado de indiferença, sem qualquer inclinação para nada, então, não poderia começar qualquer ato de forma alguma. Ela permaneceria indiferente para sempre, e nunca teria qualquer inclinação." (W. G. T. Shedd). Se isto é assim, nenhum homem pode ser responsabilizado por nada, porque ele não começa nenhum ato. Mas o homem é criado com disposição e com inclinação, e sua disposição ou inclinação está sempre ligada à sua condição moral.

Em certo sentido, o homem perdeu a sua liberdade; noutro sentido, não a perdeu. Há uma certa liberdade que é possessão inalienável de um agente livre, a saber, a liberdade de escolher o que lhe agrada, em pleno acordo com as disposições e tendências predominantes da sua alma. Depois da queda no pecado o homem não perdeu nenhum das faculdades constitucionais necessárias para constituí-lo um agente moral responsável. Ele ainda possui razão, consciência e a liberdade de escolha. Ele tem capacidade para adquirir conhecimento e para sentir e reconhecer distinções e obrigações morais; e os seus afetos, tendências e ações são espontâneos, de sorte que ele escolhe e recusa conforme ache que o objeto de exame lhe sirva ou não. Além disso, ele tem a capacidade de apreciar e de fazer muitas coisas que são boas e amáveis, benévolas e justas, nas relações que ele mantém com os seus semelhantes. Mas o homem perdeu a sua liberdade material, isto é, o poder racional de determinar o procedimento, rumo ao bem supremo, que esteja em harmonia com a constituição moral original da sua natureza. O homem tem, por sua natureza, uma irresistível inclinação para o mal. Ele não é capaz de compreender e de amar a excelência espiritual, de procurar e realizar coisas espirituais, as coisas de Deus, que pertencem à salvação.

Para ser responsável por seus atos, portanto, o homem tem que simplesmente agir de acordo com sua vontade, espontaneamente, sem ser forçado de fora por ninguém. Apenas ele age de acordo com as suas disposições interiores.
Por isso, para que haja responsabilidade, não é necessário que haja o poder de escolha contrária, mas sim, que haja o poder de auto-determinação, que a ação seja nascida nas inclinações do ser racional. "A fim de responsabilizar o pecador por uma inclinação pecaminosa, não é necessário que ele seja capaz de reverter sua inclinação pecaminosa. É necessário somente que ele seja capaz de originar a ação, e que ele de fato a origine".

Originalmente, antes da queda, o homem teve tanto o livre arbítrio como a livre agência. Depois da queda o homem ficou somente com a livre agência, pois perdeu tanto o desejo quanto a capacidade de fazer o bem, isto é, o poder de agir contrariamente à sua natureza.

Aplicações:
1. Arrependimento e quebrantamento pela presença do pecado em nós. Ele é um mal que habita em nós.

2. Humildade diante de Deus a fim de rogar sua graça. Confiar na libertação que Cristo nos deu do pecado por meio do seu sacrifício substitutivo na cruz (Gl 1.3-5).

3. Andar no Espírito para vencer a nossa natureza humana pecaminosa (Gl 5.16-18).

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Bibliografia: Heber Carlos de Campos. Antropologia Bíblica. Apostila usada no SPBC; p. 6,7. / James I. Packer. Teologia Concisa. ECC; p.79-80. / Louis Berkhof. Teologia Sistemática. ECC, p. 671-674. / Confissão de Fé de Westminster. Cap. IX. / W.G.T. Shedd, Dogmatic Theology, vol. 2, p. 101-105.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Aula 18 = A MORTE

(Adão, Eva e a Morte - Lívia Sally Freitas Silva - Junho/2011 - UFGO)

Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 18 = A MORTE (14/08/2011).
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1. O Conceito Bíblico de Morte
Antes de tudo, é necessário entender a idéia de morte. Morte não é extinção, não é aniquilamento, nem cessação de existência, mas separação.
O homem foi criado imortal. Quando ele pecou, ele não deixou de ser imortal, se por imortalidade entendemos a existência continuada, mas ele morreu, isto é, ele ficou separado de si mesmo e de Deus.

2. A Causa Judicial da Morte
"A morte é o salário do pecado" (Rm 6.23). “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4).
A morte é o resultado óbvio do pecado, mas não é o resultado natural do pecado do homem, nem podemos crer que o homem morreria de qualquer maneira. A morte não é parte da natureza humana. O homem não foi criado no estado de morte e nem para a morte. O homem foi criado para viver com Deus, glorificando-o como seu criador e gozando alegria nele.
A doutrina pelagiana afirma que o homem morreria de qualquer forma. Mesmo que o homem não houvesse pecado, a morte já fazia parte da criação. Para eles a morte é o seguimento natural na vida do ser humano não tem nada a ver com a punição do pecado. Eles separam o conceito de morte física e morte espiritual, no entanto, essa separação não está nas escrituras. Uma é conseqüência da outra e ambas não foram programadas para ser a experiência natural da vida humana.
Alguns discípulos de Barth diriam que o problema da morte está vinculado ao fato do homem ser finito. O pecado apenas complica o problema da finitude do homem.
Os Calvinistas, contudo, entendem que a morte é uma imposição penal de Deus sobre o homem pecador. A morte é algo passivo. Não escolhemos morrer, simplesmente morremos. É algo que sofremos, uma execução com base na violação da lei estabelecida.
Desde os primeiros concílio regionais da igreja Cristã se tem defendido que a morte é castigo, não natural à existência humana original. Num dos Concílios de Cartago, foi dito: "Se alguém disser que Adão foi criado mortal de tal forma que ele teria morrido no corpo se tivesse pecado ou não, seja anátema." Portanto, não podemos aceitar a morte como natural, mas como uma imposição judicial de Deus por causa do pecado.
Lutero foi veemente na sua idéia da causa da morte: "A morte dos seres humanos é, portanto, diferente da morte dos animais. Este morrem por causa da lei da natureza. Nem é a morte do homem um evento que ocorre acidentalmente ou que tenha meramente um aspecto de temporalidade. Ao contrário, a morte do homem, se assim posso falar, foi ameaçada por Deus e é causada por um Deus encolerizado e estranho. Se Adão não houvesse comido da árvore proibida, ele teria permanecido imortal. Mas porque ele pecou pela desobediência, ele sucumbe à morte como os animais que estão sujeitos a ele. Originalmente, a morte não foi parte de sua natureza. Ele morre porque provoca a ira de Deus. A morte é, em seu caso, a consequência merecida inevitável de seu pecado e desobediência."
A morte do homem, portanto, tem conexão com a justiça divina. Não somente é uma trajédia, mas uma penalidade, uma imposição judicial da qual nenhum pecador foge. Em Apocalipse, a morte como penalidade divina sobre o pecado é chamada de “segunda morte” (Ap 2.11; 20.6,14; 21.8).

3. A Morte e o Evangelho de Cristo.
As boas novas segundo o Novo Testamento são que Cristo, que era impecável, e que por isso não precisava morrer, experimentou a morte em nosso lugar (substitutiva, vicária) e a nosso favor (propiciatória, expiatória) a fim de pagar o preço da culpa de nossos pecados (remição, redenção). A sua morte foi um sacrifício pelos nossos pecados visando livrar-nos da morte e da sua punição (Fp 2.7; I Co 5.7; Gl 1.3-5; II Co 5.21; I Pd 3.18). Ele morreu por nós (Mc 10.45; Rm 5.6; I Ts 5.10; Hb 2.9), venceu a morte e o diabo, possuindo poder sobre eles (Hb 2.14,15). Cristo é aquele que possui as chaves da morte (Ap. 1.17,18).
Cristo quebrou o poder da morte sobre os seus seguidores. Cristo e seus discípulos foram unidos pelo sacrifico da cruz de tal modo que depois da cruz, os que são de Cristo crucificaram a carne e seus apetites (Gl 5.24) sendo separado a partir de então do mundo e não mais de Deus, pelo qual se tronaram filhos adotivos em Cristo. Ao livrar-nos da morte, Cristo passou a viver em nós por meio de seu Espírito Santo (Gl 2.20; Cl 3.3).
Por isso, os que se entregam a Cristo passam da morte para a vida (Jo 5.24) e nunca verão a morte verdadeira (Jo 8.51,52). Quem crê em Cristo, ainda que morra viverá (Jo 11.25,26) e jamais experimentará a segunda morte (Ap.20.14).
Os cristãos continuam sendo mortais. Os q morrem, “morrem em Cristo” (I Ts 4.16) ou adormecem (Jo 11.11-14; At 7.60; I Co 7.39; 15.6,18,20,51; I Ts 4.13-15). Embora a morte física ainda esteja presente, seu ferrão foi quebrado na ressurreição de Cristo, de modo que ela não pode mais nos separar de Cristo. O contrário é o que acontece, a morte nos aproxima ainda mais de Cristo, porque quem morre passa a estar com o Senhor imediatamente (Rm 8.38,39; II Co 5.1-10; Fp 1.20,21). No último dia, quando Cristo voltar, ele ressuscitará a todos que lhe pertencem pela fé, para uma vida transformada a fim de vivermos com ele na eternidade (I Co 15.20; Cl 1.12).

4. O último inimigo ( I Co 15.25,26)
Não é Satanás, mas a morte. Satanás não tem domínio sobre a vida e a morte, mas somente Deus o tem. A morte de Adão foi decretada por Deus quando ele pecou contra o mandamento de Deus. Ela foi uma punição de Deus, não de Satanás.
No fim, Deus a tirará, pois ela foi vencida pela ressurreição de Cristo. A morte perderá finalmente o seu cruel aguilhão (v.54,55). Ela perderá o seu poder, ele será destruído. Ela foi derrotada na cruz de Cristo (Hb 2.15); texto que fala do pavor da morte, o qual Cristo também venceu.
A morte será a última conseqüência do pecado a ser retirada do mundo. Essa promessa da vitória pessoal de cada cristão sobre a morte descansa sobre a vitória de Cristo na cruz.

Aplicações:
1. A morte física é o último inimigo a ser derrotado por nós.
2. A morte não é o fim.
3. A morte para o cristão deixou de ser punição e foi transformada em repouso (cessação de fadigas).
4. Podemos enfrentar a morte e o luto com esperança. Podemos oferecer consolo aos que sofrem por causa de pessoas queridas que morreram.
5. Devemos viver todos os nossos dias antes da morte na presença de Deus e para a glória de Deus.
6. Cristo vem nos despertar no último dia, se morrermos (Jo 11.25-27).

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Bibliografia: Martin Luther, Luther's Works - Selected Psalms II, vol. 13, p. 94-95, 96. / P. H. Davis. “Morte”. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, vol.2; Vida Nova, p.558. / Leandro Lima. Razão da Esperança. ECC, p. 209-216. Louis Berkhof. Teologia Sistemática. ECC, p. 671-674.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Em Nenhum Outro Lugar (29/07/2004)


Em Nenhum Outro Lugar.

“Agradeço a Deus todos os caminhos por onde me levou e gostaria de estar exatamente onde estou, em nenhum outro lugar, pois este é, creio, meu campo de trabalho”. (Diário de Simonton, 31/12/1859).

Quando vemos pela TV americanos fazendo gestos obscenos para as câmaras dos aeroportos brasileiros externando todo o seu desprezo por este país e pelo seu povo, num ar de vitimada superioridade, é confortante saber que no passado este outro americano descobria ser a mais abençoada vontade de Deus ele viver entre nós gastando a sua vida pelo evangelho aqui.

O americano que disse essa frase não era um surfista encantado com as praias brasileiras, tampouco um homem de negócio atrás de uma mina de ouro. Ele era um missionário, que como tantos outros vieram trazer a palavra de Deus ao Brasil. No seu país havia recebido vários e insistentes convites de boas igrejas a fim de por lá permanecer e fazer brilhante carreira pastoral; visto que era bom e fiel pregador, formado sob a disciplina de renomada escola teológica e familiarmente ligado à tradição de gente consagrada ao evangelho. Mas ele escolheu mesmo assim vir para o Brasil.

Aqui chegando em 12 de agosto de 1859, ainda gastou mais oito meses para conseguir falar a nossa língua. Seu primeiro trabalho em português foi uma aula de Escola Dominical (22/04/1860).

Quando outros achavam que a missão deveria mudar de cidade, com perseverança e dificuldades fundou a primeira Igreja Presbiteriana do Brasil no Rio de Janeiro (12/01/1862).

Crendo que a palavra escrita caminha mais rápido que a pregação nos templos, criou o primeiro jornal evangélico do país batizando-o com o nome de “Imprensa Evangélica” (10/1864).

Ciente de que sem educação não se aprende a ler para ler a Bíblia, fundou uma escola paroquial. Auxiliado por outros que chegaram, viu nascer não só mais uma igreja em São Paulo, mas também arquitetou a organização do primeiro presbitério e participou da ordenação do primeiro pastor genuinamente brasileiro, José Manoel da Conceição (16/12/1865).

Crendo na verdade do seu chamado e na potencialidade de crescimento da igreja brasileira, fundou o nosso primeiro Seminário (1867).

Mesmo sabendo das obstruções legais ao avanço da obra protestante no Brasil, sonhou e começou a preparar a construção de um templo, que não viu acontecer, pois o Senhor o chamou à sua presença antes. Ele faleceu em 09/12/1867, vítima de febre amarela em São Paulo, e o templo só começou a ser erguido em 1873, por uma intervenção especial do Imperador D. Pedro II..

Esse americano que cedo aprendeu a amar o Brasil é Ashbel Green Simonton. O Brasil daquele tempo não era melhor que o Brasil de hoje. As lutas da igreja daquele tempo não eram mais fáceis que as de hoje. Resta saber se o amor dos crentes de hoje pelo Brasil é do mesmo calibre do amor dos crentes daquela época.

Para Simonton, estar no Brasil era motivo de gratidão. Estar no Brasil era certeza da vontade de Deus para a sua vida. Estar no Brasil era estar no seu campo de trabalho. Às vezes, nós presbiterianos desprezamos o gênio de Simonton, achando que a nossa história é uma história de pequenos vultos. Não é bem assim, Simonton era um homem dotado de maturidade, talento, excelente preparo acadêmico e consagrado a Deus e à causa do evangelho. Ao comemorarmos mais um aniversário da IPB, não nos esqueçamos de que Deus nos colocou como missionários extamente onde estamos (aqui no Brasil ou noutro país), e não precisamos querer estar em nenhum outro lugar.
Com amor, Pr. Hélio.

Lares Estáveis Também Precisam de Cristo (Marcos 5.21-24, 35-43)


Lares Estáveis Também Precisam de Cristo (Marcos 5.21-24; 35.43).

“... Tua filha já morreu; por que incomodas o Mestre? Mas Jesus, sem acudir a tais palavras, disse ao chefe da sinagoga: Não Temas, crê somente” (Marcos 5.35b,36).

Eu gosto de Jairo porque seu encontro com Cristo depõe contra a acusação de que maridos geralmente não têm iniciativa quando o assunto é a saúde da família ou as coisas domésticas, ou que eles só se importam com filhos e nunca com as filhas.

Jairo era o (1) Maioral da sinagoga. Responsável pelo serviço religioso no sábado e pela escola e o tribunal de justiça durante a semana. Portanto era um líder religioso, que conhecia bem as Escrituras e se dedicava ao seu estudo. (2) Homem respeitado e líder do povo. Certamente não teria galgado posição entre os judeus se não demonstrasse as qualificações técnicas e morais para ocupar tal posição. Era visto como um exemplo para os demais. (3) Pai carinhoso e marido presente. O v. 23 denuncia seu carinho afetivo por sua filha única de uns 12 anos (Lc 8.42) ao chamá-la de “filhinha" no diminutivo. Ele arriscou sua posição social ao tomar a iniciativa de procurar a Cristo, não delegando à esposa tal tarefa. Seu cargo não era mais importante que seu amor por sua família, por sua filhinha!

A família de Jairo preenche todos os requisitos para aquilo que chamamos de lar estável. Contudo, a estabilidade de um lar, não nos garante que não passará por tribulações. A tribulação de Jairo é a tribulação de muitos hoje: Uma enfermidade que não se cura.

O texto põe em evidência duas ações e uma reação de Jairo no seu encontro com Cristo. Assim como evidencia uma reação e duas ações de Cristo a favor da fé de Jairo.

I. Jairo Adora a Cristo v.22.
Ele se prostrou aos pés de Cristo. O ato de prostrar-se era um ato de adoração, que o judeu não faria de forma leviana, principalmente um líder religioso com as responsabilidades de Jairo. Ele o fez pelo tamanho de seu desespero, ou ele o fez por já estar convencido de que Cristo era mais que um simples profeta. É possível que o tenha feito por uma mistura dos dois.

II. Jairo Suplica Insistentemente a Cristo Por Sua Filha v.23.
Jairo não somente o adora, como também lhe dirige sua súplica. A súplica é a oração da extrema necessidade. Suplicamos quando não temos mais esperança de encontrar socorro de outra forma. Sua súplica é intercessora. Ele pede em favor de sua filhinha doente. Note que ele não profetiza diante de Cristo; não decreta; não ordena; não proclama e não libera a fé. Ele simplesmente pede suplica. A oração não pode ser substituída por qualquer demonstração dos méritos da condição humana perante Deus, mas ela é somente o lançar-se à graça e à misericórdia de Deus, dependendo da sua vontade em atender.

III. Jairo é tomado de grande admiração por Cristo v.42
Jairo ficou atônito, desnorteado, quando viu a sua filhinha querida caminhando pela casa normalmente. A admiração de Jairo redundou das ações e reações de Cristo quanto a ele.

1. Jesus foi com ele (v.24).
Ele atendeu ao apelo de Jairo. Ir com ele é mais do que simplesmente acompanhá-lo. Para nós é a segurança de que ele vai realizar o milagre.

2. Jesus não o deixou desistir (v.36).
Após a intrusão do encontro de Jesus com a mulher enferma, a aflição de Jairo ainda foi aumentada com a notícia da morte de sua filha. Cristo veio ao seu socorro dizendo-lhe que ela não estava morta, mas apenas dormia. A morte é um estado que não escapa à autoridade de Cristo. Ele a vê como “um sono” do qual ele pode despertar as pessoas.

As palavras de Cristo são importantes, porque elas tratam com o medo e com a fé. “Não temas, crê somente”. Cristo afasta o medo, pois sua presença é o que dá segurança, por isso nos consola. Mas também ele não o deixa desistir de sua fé e de seu pedido. Ele precisa “crer somente”.

3. Jesus curou a filha de Jairo (v.41,42).

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Oração: Senhor, sabemos que lares estáveis também precisam conhecer a Cristo. Por isso, atende-nos nas nossas necessidades e faz a nossa fé crescer como fizeste com a fé de Jairo. Não nos deixe enxergar teus milagres apenas como um espetáculo, mas como uma ação graciosa especial de Ti a nosso favor. Em nome de Cristo. Amém.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Os Afetos Como Evidência da Verdadeira Religião (1)


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Uma Fé Mais Forte Que As Emoções
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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Exposição 02 = Os Afetos Como Evidência da Verdadeira Religião 10/08/2011
Uma Fé Mais Forte Que As Emoções – Jonathan Edwards (p. 41-46)
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“Mesmo não o tendo visto, vocês o amam; e apesar de não o verem agora, crêem nele e exultam com alegria indizível e gloriosa” (I Pedro 1.8).
Essas palavras descrevem o estado mental dos cristãos a quem Pedro escreveu sua epístola. Eles experimentavam essa alegria peculiar em meio a perseguições. Nos dois versos anteriores a perseguição é descrita como provação que entristece.

As provações acarretam três benefícios espirituais para a fé verdadeira:
1. Mostram o que é a verdadeira religião.
As provações tendem a fazer distinção entre o falso e o verdadeiro testando a fé autêntica do mesmo modo que o fogo testa o ouro. A fé testada e aprovada “resultará em louvor, glória e honra” (v.7).
2. Destacam a beleza e a atração dessa fé genuína.
A virtude fica mais bonita quando é oprimida. Isso quer dizer que as provações vencidas colocam em relevo as excelências divinas do cristianismo.
3. As provações purificam e intensificam a fé verdadeira.
O resultado das provações não se limita a mostrar que a fé de alguém é verdadeira, mas também a libertam de influências falsas. O real é separado do ilusório.

O sofrimento revelava dois exercícios da verdadeira religião:
1. Amor a Cristo.
“Mesmo não o tendo visto vocês o amam”. Embora não consiga ver, o mundo quer saber que princípio estranho é esse que leva os cristãos a se desprenderem de seu amor pelas coisas materiais do mundo e suportarem sofrimento por causa dele. O evangelho da cruz é loucura para os que se perdem, mas é sabedoria para os que estão sendo salvos (I Co 1.18ss).
O que sustentava os cristãos durante as perseguições era o seu amor por Cristo. Eles não podem vê-lo fisicamente, mas espiritualmente pela fé. Esse amor era contínuo, ou seja, praticado todos os dias por eles.
2. Alegria em Cristo.
Embora os sofrimentos externos fossem intensos, os cristãos possuíam uma alegria interior que os sustentava e os capacitava a sofrer com alegria.
Pedro fala dessa alegria de duas formas:
a) Como a alegria aparece?
Cristo é o fundamento de toda alegria. A fé verdadeira descansa em Cristo como o fundamento que lhe dá sustento e força diante de todas as provações, ainda que sejam perseguições. Embora Cristo não possa ser visto agora (momentaneamente) mesmo assim a fé depositada nele é verdadeira.
b) Qual a natureza dessa alegria?
A alegria era “indizível e gloriosa”. Indizível porque é muito diferente da alegria mundana e carnal. Essa alegria é inefável, inexprimível. Significa que tem um sentido de mistério divino que excede os poderes da linguagem e dos pensamentos.
A natureza dessa alegria é sublime, celestial, porque ela é sobrenatural, ela vem de Deus aos corações dos crentes. Por isso está acima de qualquer descrição. Ela é sublime também porque Deus a distribui com liberalidade, em grande medida quando os cristãos sofrem perseguições.
A alegria deles era repleta de glória. Enquanto se regozijavam suas mentes eram tomadas do brilho da presença de Deus e suas naturezas pecaminosas eram aperfeiçoadas em santidade. O brilho da glória de Deus não corrompe e nem perverte a mente, antes a santifica. Debaixo da graça de Deus nossas mentes e naturezas recebem beleza e dignidade.
Essa alegria antecipava de certa forma a alegria do céu elevando suas mentes a um êxtase celestial, preenchendo-os com a manifestação da glória de Deus.
A proposição: “A verdadeira religião consiste, em grande parte, de afetos santos”. Os dois afetos a serem exercitados segundo Pedro são: Amor e alegria. Amor a Cristo e alegria em Cristo.

O que significa “afetos”?
Afetos são exercícios mais vigorosos e práticos da inclinação e da vontade da alma (p.43). Deus dotou a alma de duas habilidades:
1ª) Entendimento: O entendimento é a capacidade de percepção e especulação para discernir, ver e julgar.
2ª) Inclinação (vontade): É a habilidade que governa nossas decisões de aceitar ou rejeitar algo que avaliamos. As inclinações nos transformam de espectadores indiferentes e impassíveis a agentes. Quando a inclinação determina ações, se chama vontade. Quando a mente participa do processo, chama-se coração.
Há duas formas de exercitar a inclinação: Aprovação ou reprovação. Os exercícios da inclinação podem variar de intensidade tanto negativamente quanto positivamente em termos de aprovação e desagrado. Podem ir positivamente da aprovação à aceitação; e negativamente da reprovação à rejeição.
Uma vez que Deus, o criador, ligou o corpo à alma as reações mais vigorosas podem ser ainda mais intensas afetando o corpo físico. Esses exercícios vigorosos e intensos são as afeições, os afetos. Vontade e afetos não são essencialmente elementos distintos da vontade, mas distinguem-se dela apenas por na vivacidade e sensibilidade do exercício, não na sua expressão.
Nossa inclinação dirige nossos atos, mas nem todos os atos de inclinação e vontade são chamados de afetos. A diferença entre o que é afeto e o que não é reside apenas na intensidade e na forma de ação. O que cria um afeto é o grau de atividade da vontade aprovando ou rejeitando algo.
Uma inclinação vigorosa da alma afeta também o corpo, porém a mente, não o corpo, é o local adequado dos afetos. O corpo humano sozinho não tem a capacidade de entender e pensar. Isso acontece na alma. Os efeitos das emoções no corpo não são os afetos e por isso não são essenciais para a sua existência, porque afetos não são paixões. Afeições são sentimentos superiores às paixões, porque nas paixões a mente fica subjugada às emoções e perde o controle.

Conclusão parcial:
Nossos próximos três estudos mostrarão que a verdadeira religião consiste em larga escala de afetos. São 10 observações subdivididas em 3 etapas (1-4;5-7;8-10):
1. A verdadeira religião consiste, em larga escala, de fortes inclinações e vontade.
2. Os afetos motivam os atos humanos.
3. Questões religiosas só nos interessam até o ponto em que nos afetam.
4. As sagradas escrituras enfatizam os afetos.
5. O amor é o afeto principal.
6. Afetos santos caracterizam os santos da Bíblia.
7. O Senhor Jesus Cristo tinha o coração extremamente sensível e afetuoso.
8. A religião do céu consiste em grande parte de afeto.
9. Os decretos e deveres de Deus são meio e expressão da verdadeira religião.
10. Dureza de coração é pecado.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Uma Fé Mais Forte Que As Emoções - Livro de Jonathan Edwards


Uma Fé Mais Forte Que As Emoções.

“Uma Fé Mais Forte Que as Emoções” é o novo título do livro do Rev. Jonathan Edwards “O Tratado Sobre As Afeições Religiosas” publicado em originalmente em 1746. É a sua obra mais amadurecida sobre o tema dos Reavivamentos. Resultou de uma série de sermões pregados em 1742/3 sobre 1 Pedro 1:8, nos quais argumentou que o cristianismo verdadeiro não se evidencia pela quantidade ou intensidade das emoções religiosas, mas por um coração transformado que ama a Deus e busca o seu prazer. Ele faz uma análise rigorosa das diferenças entre a religiosidade carnal, que produz muita comoção, e a verdadeira espiritualidade, que toca o coração com a visão da excelência de Deus e o liberta do egocentrismo.

O critério principal é este: Se quem está no centro das atenções é Deus ou o ser humano. Para que Deus esteja no centro é necessário que haja nos corações um profundo senso de incapacidade, de dependência de Deus, e de convicção da nossa pecaminosidade. Além disso, é preciso que haja a consciência de que toda genuína experiência religiosa é fruto da atuação do Espírito de Deus, que transforma e santifica os pecadores, capacitando-os a amar e honrar a Deus em suas vidas.

Edwards crê na necessidade de transformação do ser humano. Uma fé simplesmente racional ou intelectual não basta. É preciso que a pessoa se aproxime de Deus não só com o entendimento, mas com os sentimentos. Cabeça e coração devem funcionar juntos na vida conduzida pelo Espírito.

Edwards insistiu na importância dos afetos profundos na vida espiritual. Por "afetos" ou "afeições" ele se referia às disposições do coração que nos inclinam para certas coisas e nos afastam de outras. Todas as nossas ações derivam dos nossos desejos: Ou nos comprazemos no Deus vivo e buscamos servi-lo e honrá-lo, ou somos cativos de desejos voltados para alvos menores prontos a fazer concessões “pecaminosamente vantajosas” ao pecado.

Jonathan Edwards avaliou a experiência religiosa à luz das Escrituras e das suas convicções reformadas advertindo contra dois grandes erros no reavivamento de sua época. Primeiro, o mero emocionalismo: Os avivalistas podem simplesmente excitar as emoções das pessoas e produzir falsas conversões. Emoções intensas não são uma evidência clara acerca de uma experiência religiosa genuína. Uma experiência religiosa genuína inclui uma ênfase central na obra graciosa de Deus, doutrinas consistentes com a revelação bíblica, e uma vida marcada pela manifestação do fruto do Espírito.

O segundo erro é dar ênfase não a Deus, mas às respostas humanas a Ele, algo muito comum hoje com toda a celebração do eu; às experiências pessoais, aos testemunhos auto-congratulatórios. Edwards insistiu em que a essência da verdadeira espiritualidade é ser dominado pela visão da beleza de Deus, ser atraído para a glória das suas perfeições, sentir o seu amor irresistível.

Portanto, na verdadeira experiência cristã, o conhecimento de Deus é algo sensível, experimental. A verdadeira experiência cristã consiste não somente em conhecer e afirmar doutrinas cristãs verdadeiras, mas é um conhecimento afetivo, ou a consciência das verdades que a doutrina descreve. O cristão, diz Edwards, "não apenas crê racionalmente que Deus é glorioso, mas tem em seu coração o senso da majestade de Deus." Se nossos corações são transformados pelo amor de Deus, assim devem ser transformadas as nossas ações. Se somos mudados ao contemplarmos a beleza do amor de Deus, então amaremos de maneira especial todo ato de virtude que reflete o caráter amoroso de Deus.

Os critérios que realmente indicam se as conversões e o despertamento eram genuínos ou não são os frutos visíveis tais como:
(a) Convicção de pecado,
(b) Seriedade nas coisas espirituais,
(c) Preocupação suprema com a glória de Deus,
(d) Apego profundo às Escrituras,
(e) Mudanças no comportamento ético,
(f) Relacionamentos pessoais transformados e
(g) Influência transformadora na comunidade.
Esse será o tema de nossos estudos bíblicos nos grupos de quarta-feira a partir desse mês. Venha conferir e participar conosco!
Com amor, Rev. Hélio O. Silva

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Boletim da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO. Nº 32, ano XXII. 07/08/2011.

Exposição de Lucas 5.33-39 = A Alegria do Novo (www.ipb.org.br/tv28)

(Centro de Goiânia - Rua 68 - 1ª Igreja Presbiteriana ao fundo - lado direito)


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sábado, 6 de agosto de 2011

Aula 17 = O Pecado na Experiência Masculina e Feminina


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 17= O PECADO NA EXPERIÊNCIA MASCULINA E FEMININA. (06/08/2011).
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“Todos Pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). Isso quer dizer que homens e mulheres são pecadores e que pecam indistintamente. Contudo, será que existem pecados que são mais comuns entre os homens e outros mais comuns entre as mulheres?
Nesse estudo vamos tratar dessa questão olhando para os pecados peculiares a homens e mulheres quanto à sua relação com o sexo oposto. Isso porque muito pecados mais cometidos por mulheres tem a ver com a sua relação com os homens. Pecados comumente mais cometidos por homens tem a ver com a sua relação com as mulheres. Isso acontece especialmente dentro do casamento. Isso porque, basicamente, o pecado, como transgressão da Lei de Deus, se manifesta exatamente na “distorção” mais do que na anulação da Lei.

1. O Homem e o Pecado.
Ser independente, superior e dominador (I Pedro 3.7).
Se olharmos de forma invertida para as três palavras chaves no texto de I Pe 3.7 captaremos a força sinistra dessa forma de pecar. “Discernimento, consideração e dignidade” reflete a postura cristã do homem em relação à mulher, especialmentea sua esposa. Todavia a falta dessas virtudes redundará em independência, superioridade e dominação.

Enquanto na mulher a independência pecaminosa é vista na sua insubmissão à liderança masculina, no homem ela tem mais a ver com a sua irresponsabilidade no trato com as mulheres. O homem tende a ver o mundo à sua volta como um instrumento que ele pode usar a seu favor e isso muitas vezes inclui sua relação com o sexo oposto. Daí o apleo da pornografia masculina que trata o feminino apenas como objeto de prazer dos homens.

A base do conceito de masculinidade na sociedade secular é a virilidade, a força física; o que possibilidade a conquista no jogo do poder. Galgar o poder é ser superior. Superior sobre os demais e especialmente sobre s muleres. Ser superior é ser conquistador, e por conseguinte, ter domínio total sobre os outros. As mulheres tendem a usar da sensualidade para exercer poder sobre os homens, os homens tendem a usar da força física para alcançar o poder. O pecado de Davi no seu adultério com Bate Seba ganha requintes de crueldade na forma sinistra como Davi usou de seu poder político de governo contra seu “rival” Urias. Em Gênesis 3.16, quando Deus afirma à mulher que o homem a governará, usa uma palavra aplicada ao governo monárquico, despótico. O homem, por causa do pecado governará ilegitimamente a mulher de forma não participativa, mas despótica, ou seja, Adão abusaria de ua autoridade, dada por Deus, no seu trato com a mulher (Gruden, p. 381). Dessa maneira o pecado introduz na relação dos sexos a competição pelo poder.

Tratar com dignidade é valorizar, reconhecer o valor que o outro tem. A dominação é a diminição do outro a favor de si próprio. As guerras acontecem em função da cobiça pelo poder e a dominação. Tentamos dominar àqueles que consideramos inferiores a nós, seja fisicamente ou intelectualmente, seja moralmente. O fato é que o desejo egoista pelo domínio arruina o homem no pecado. A própria infidelidade conjugal se baseia no fato de não se lavar em conta a dignidade do outro e por isso desconsiderá-la. Maridos com dificuldade nesse ponto perdem de vista seu dever de valorizar, compreender e por fim manter-se fiel à sua esposa e tê-la como única.

Na Escritura o homem encontra sua masculinidade não na força bruta e na imposição de seu poder sobre os demais, mas na sua capacidade de aprender a amar como Deus ama; ao ponto do sacrifício de sua própria vida. Em Efésios 5.18-33, a palavra que caracteriza o papel do marido não é autoridade, mas AMOR. Há cinco verbos que demonstram o seu papel no lar como líder amoroso: (1) Amar. (2) Entregar. (3) Santificar. (4) Purificar. (5) Apresentar (a Deus). Os cristãos no geral (homens e muleres) e o homem cristão no particular devem se entregar na mesma medida do amor de Cristo. No casamento, diz John Stott: “Dar-se-á por ela, a fim de que ela desenvolva seu pleno potencial debaixo de Deus e assim fique sendo mais completamente ela mesma”.

Dominar na linguagem de Gênesis 1 não significa explorar à exaustão, mas cuidar. Isso vale para o mandato divino do domínio do homem sobre toda a criação e da liderança do marido sobre a sua esposa. Amor é uma escolha e serviço ao outro.

2. A Mulher e o Pecado.
 Ser independente, bela e sedutora (I Pedro 3.1-6).
A independência da mulher, segundo Gênesis 3.16, significa o “desejo de governar” o marido e conseqüentemente, os homens. Representa o desejo ilegítimo de usurpar a autoridade do marido (Gruden p.381).

Na nossa sociedade, ser feminina é ser “produzida, maquiada”, esbelta (manequim 38) e sedutora. Valorizar-se como mulher significa manter esse padrão de conduta: Ser independente, bela e sedutora. Nas Escrituras, ser feminina é aprender a ser dependente, equilibrada e exemplo de santidade para os demais. Esse é o caminho que você mulher, esposa e mãe cristã vai aprender a percorrer.
O desejo de se apresentar bem e estar sempre bonitas são marcas peculiares às mulheres. A moda sempre fala mais alto às mulheres. Como vivemos numa época de extremo sensualismo, a supervalorização da beleza e do prazer no/do corpo atinge extremos perniciosos à fé cristã.

Uma diferença básica entre homens e mulheres quanto à busca do prazer é manipulada à exaustão pela mídia. O homem se excita pelo que vê e a mulher pelo que sente, pelo toque. Foi assim que Deus equilibrou a relação da sexualidade humana. Uma vez que o pecado é transgressão dos padrões de Deus indo além deles, a televisão e todas as mídias colocam lenha na fogueira por meio da pornografia para os homens e do sensualismo para as mulheres. Todavia, o ensino bíblico para a mulher cristã é que elas não devem se deixar levar pelo brilho, glamour e o caminho da moda, que ela deva buscar a beleza no lugar certo.

O texto de Pedro não proíbe o cuidado com a beleza exterior e com o corpo; ela condena é o seu exagero, sua confiança nela. Frisado de cabelos = “tranças nos cabelos”; adereços de ouro = “jóias” e aparato de vestuário = vestidos luxuosos (BLH. A tradução literal é: “vestidos mundanos”).

Precisamos nos conscientizar que a beleza exterior passa, por mais que o mundo dos cosméticos e das plásticas a retardem. Na verdade a Bíblia ensina que cada época, cada idade tem sua beleza peculiar e própria, que pode ser vivida com simplicidade e elegância.

Aplicações:
(1) Masculinidae e feminilidade devem ser definidas em função dos objetivos de Deus ao criar homens e mulheres para viverem e cuidadrem do mundo juntos. Portanto, reconstrua sua masculinidade e sua feminilidade a partir da palavra de Deus e não dos conceitos sociais seculares.

(2) A única forma de lidar com os pecados dos homens e os pecados das mulheres ainda é o arrependimento, a conversão de nossas atitudes em atitudes cristãs bíblicas e a submissão uns aos outros pelo perdão.

(3) Fujamos das generalizações, dos estereótipos e das rotulações. Homens e mulheres pecam indistamente (Rm 3.23). Os pecados de uns não escondem e nem anulam os pecados de outros. Muitas vezes o que acontece é a soma dos pecados dos dois para que as relações entre ambos sejam arruinadas. Melhor é a proposta bíblica em que um ajuda ao outro crescendo juntos em santidade, de tal forma que os homens sejam mais homens com a ajuda das muleres e as mulheres sejam mais muleres com a ajuda dos homens.

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Bibliografia: Charles Sherlock. A Doutrina da Humanidade, ECC, p.187-190; 209-210. / John Stott. A Mensagem de Efésios. ABU, p.158-177. / Wayne Gruden. Teologia Sistemática. Vida Nova, p.378-384.
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