O Bom pastor e seus comentários

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quinta-feira, 26 de março de 2015

Aprendendo Com o Sofrimento - Isaías 39.9-20



Texto: Isaías 39.9-20  (20/01/2003)
Tema: Aprendendo com o Sofrimento.
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Introdução:
         Qual seria a nossa reação ao receber a notícia segura de que morreremos amanhã?

Contexto: 
           Deus mandou esse recado para Ezequias através do profeta Isaías (38.1).
         A reação de Ezequias foi a de virar o rosto para a parede e orar ao Senhor pedindo mais tempo (v.2). Deus ouviu a sua oração por meio de um sinal. O relógio de Acaz retrocedeu dez graus (v.8). 10º corresponde a vinte minutos no relógio.
Apenas 6 anos após Ezequias começar a reinar em Judá, Israel foi levada para o cativeiro assírio (II Rs 18.1). Ezequias começou a reinar com apenas 25 anos de idade (II Rs 18.2) e reinou por 29 anos em Jerusalém. 25 + 29 = 54 anos. A Escritura nos diz que Ezequias viveu mais 15 anos após essa enfermidade. Portanto, quando Isaías foi enviado a ele para dar essa triste notícia ele tinha 39 anos!

Proposição:
         O cântico de Ezequias nos mostra o que ele aprendeu com a sua enfermidade mortal e com o livramento de Deus. vejamos isso em quatro afirmações do texto:

I.          Ezequias aprendeu a não confiar no seu próprio vigor  v.10-14.

1.     “Eu disse”.
A expressão de Ezequias reflete a nossa atitude diante da vida, de achar que nós controlamos a vida e que nós decidimos o nosso destino. Porém o oposto é que é a verdade. Não temos controle sobre o futuro. Podemos nos encontrar com a morte a qualquer instante. Seja numa enfermidade que nos acomete, como um câncer que não se manifestou e de repente aparece de uma hora para outra e nos deixa completamente fragilizados e pegos na “teia de aranha” de um tratamento médico caro e imprevisível por muitos anos, ou até mesmo por poucos meses ou dias. Quem poderia prever?
         Ou talvez um acidente de automóvel numa saída para passeio ou pescaria. De repente aparece um cidadão bêbado ou desatento ou irresponsável mesmo e choca-se contra você. Quem poderia prever a morte; ou vários ossos quebrados com seqüelas permanentes.
         Ou talvez um assalto em casa ou na rua. Um tiro disparado. A morte prematura ou uma marca dolorida no corpo pelo resto da vida estampada numa deficiência física. Quem poderia prever?
         Não estamos fazendo uma apologia da catástrofe, mas apenas colocando em evidência uma realidade possível, que ilustra de forma até mesmo trágica a verdade de que não controlamos o nosso amanhã, ele está completamente nas mãos de Deus que nos protege e que também permite a tragédia e a amargura nas nossas vidas.

2.     Pleno vigor X roubado estou.

Ezequias estava vivendo um grande momento em sua vida. Ele se rebelara contra o rei da Assíria e Deus protegera Judá da invasão de Senaqueribe. Seu exército voltou do cerco a Jerusalém sem atirar uma única flecha contra os seus muros. Cap. 37.38, nos diz que Senaqueribe foi morto por seus próprios filhos dentro da casa de seus deuses, os quais ele havia dito serem mais poderosos que o Senhor. Suas ameaças deram em nada frente à proteção maravilhosa de Deus. Ezequias estava satisfeito consigo mesmo, com Deus e com o seu reino.

Ezequias percebeu de repente, sem tempo para fazer qualquer coisa, que sua vida estava no fim. O mais desesperador de tudo isso é que fora o próprio Deus quem mandara o recado! Eu não posso acreditar nas previsões das cartomantes, mas como recusar a crer no que o próprio Deus diz?


3.     Todos os vínculos serão quebrados na morte.
·        Com os homens.
·        Com Deus.

Ezequias pensa nos relacionamentos que lhe são caros; Esposa, filhos e Amigos. A morte quebra todos esses vínculos. Mas Ezequias também pensa em todo trabalho que realizou nas reformas religiosas que estava empreendendo em Judá para agradar a Deus. Será que Deus o rejeitava? Será que temos sempre de teimar achando que tudo de ruim que nos acomete nega nosso relacionamento com Deus e seu amor por nós?

                  4.     O tecelão e a urdidura.
A mesma figura do Salmo 139.13 (tu me teceste). Deus é o tecelão que trabalha como um tapeceiro entrelaçando os pontos e formando a nossa vida como um tapete cheio de desenhos e cores e dando-lhes propósito. O tapeceiro escolhe como melhor usar os fios. Ele pode rejeitar um ou outro. Ele pode escolher um ou outro.

5.     “Ó Senhor, ando oprimido”.
Diante da amargura e o infortúnio, apenas a oração é o verdadeiro refúgio. Se Deus controla a vida, é a Ele que devemos nos dirigir para pedir mudanças.
         A resposta de Deus é decisiva. A resposta de Deus é final.

II.               Ezequias aprendeu a confiar na promessa de Deus  (v.15-16).

1.     Como prometeu, assim fez.
A promessa de Deus é fonte de consolo e segurança, pois ela nunca falha.

2.     Tranqüilidade até à morte.

Quando Deus curou a Ezequias, ele aprendeu que o resto de seus dias estavam assegurados. O medo da morte, por um lado, e a futilidade da autoconfiança, por outro lado, não eram mais o padrão pelo qual se deveria conduzir a vida, mas pela confiança na providência de Deus. A sua promessa divina é a fonte da segurança.


3.     A vontade de Deus é soberana.

Ezequias finalmente percebe a soberania da vontade de Deus. As suas “disposições” refletem os decretos de seu governo. Por meio delas os homens vivem; delas todos nós dependemos.

A dependência da vontade de Deus é a base do pedido de cura e plena restauração na convalescença. Esse cântico de Ezequias foi composto quando recebeu a promessa da cura e não depois dela efetuada por Deus. Isso demonstra a segurança de que a vontade de Deus e sua promessa produzem segurança na dependência, mesmo quando a enfermidade não foi ainda dissipada.
         É preciso sempre submetermo-nos à vontade de Deus. Pois ela é:
a)     Soberana e justa.
b)    Decretiva e distributiva.
c)     Santa e verdadeira.

III.           Ezequias aprendeu a encontrar paz na amargura  (v.17).

1.     Foi para a minha paz.

De alguma forma, Ezequias viu que o bom estava por trás do trágico e amargoso. Aprendeu que Deus transforma o mal em bem; e que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28).

         Os três verbos a seguir estão no passado, e expressam as convicções de Ezequias de que Deus o tratou por inteiro e não somente de sua enfermidade física. Preocupados como somos pelas coisas materiais e físicas, muitas vezes Deus usa desses momentos de fragilidade para se revelar a nós e nos mostrar que a vida implica em muito mais realidades do que estamos dispostos a ver e a investir.
         Deus o conduziu através da amargura à paz.
2.     Amaste a minha alma.
3.     Livraste da morte.
4.     Lançaste para trás de ti todos os meus pecados.

Deus ama, livra e perdoa. Ao tratar com nossa saúde, também trata com nossa alma e com nossos pecados.

         Não sabemos e nem podemos afirmar seguramente que a enfermidade de Ezequias era fruto de pecado, mas podemos ver que Ezequias enxergou na cura a atuação da misericórdia de Deus.

IV.       Ezequias aprendeu que o sentido da vida é viver para louvar a Deus  (v.18-20).

1.     A sepultura não louva a Deus.
·        Não louva.
·        Não adora (glorifica).
·        Não é fiel.

No texto original há um “pois” oculto na tradução.[1] O v.18 completa o sentido da razão da paz que procedeu da amargura. Ezequias aprendeu que o verdadeiro sentido da vida é viver para o louvor da glória de Deus. Deus criou o homem para o louvor de sua glória (Is 43.7).


2.     Somente os vivos louvam a Deus.

Nós não sabemos com certeza como é a permanência no estado intermediário, entre esta vida e a posterior ressurreição. Contudo o ponto de vista de Ezequias é que estando na sepultura não há louvor e adoração. Não há serviço prestado a Deus. Assim entendemos que a vida é a oportunidade para vivermos para Deus. É o tempo da adoração. É o tempo do serviço. Porque antes que o dia termine há muito que pode ser feito que agrada a Deus!


3.     Viver para Deus é falar dele aos filhos.

Como no Salmo 78, não podemos encobrir a nossos filhos o entendimento correto a respeito do sentido dessa vida. As crianças precisam aprender desde cedo a colocar em Deus a sua confiança e não nas coisas passageiras.

                 4.     A gratidão é demonstrada através da música.

O próprio rei vai tocar na casa de Deus, não sozinho, mas acompanhado dos demais adoradores.

 Conclusão:

1.     Que direi? (v.15).
            Quando Deus nos livra, o que podemos dizer? Só podemos dar testemunho do que vivemos e aprendemos durante a amargura.

      2.     Foi para a minha paz (v.17).
                A paz não é um produto de mercado que se compra e que se vende, é o resultado da presença de Deus nas nossas vidas. Ele nos dá a paz, é fruto do seu Espírito Santo agindo e habitando em nós.
         Você pode sim encontrar a paz em meio à amargura, pois a paz é algo que Deus pessoalmente produz e coloca dentro de nós (Sl 4.8).

       3.     O Senhor veio salvar-me (v.20).
O Senhor o salvou, tratou pessoalmente com ele (veio) e ele não poderia mais enxergar a vida como antes. A nossa esperança repousa inteiramente nessa verdade: Deus veio até nós. Ele nos salvou!
         Deus veio até nós em Cristo e se ofereceu na cruz para a nossa cura plena. Como você pode querer enxergar a vida de outra forma que não seja para expressar gratidão pelo que fez por nós na cruz?
          Essa expressão nos convida agora a pensar em como enxergamos a nossa vida e a tomar uma decisão de mudança. É hora de decidir viver inteiramente para a glória de Deus!




[1] W. Ficth, “Isaías”, em NCB, vol. II,  p.717.

A Bíblia e As Finanças (1 Crônicas 29.11,12)


A BÍBLIA E AS FINANÇAS (1 Crônicas 29.11,12)

Quando o assunto é finanças o ensino bíblico é muito claro: Ou servimos a Deus ou servimos às riquezas. A forma como lidamos com o dinheiro é um indicativo fundamental para aquilatar o calibre de nossa consagração a Deus. A maneira como vemos a Deus, determina a forma como vivemos e administramos nossa renda. Por isso, precisamos nos conscientizar do papel de Deus em três áreas: domínio, senhorio e provisão.

            1º) Deus DOMINA todas as coisas. As Escrituras Sagradas afirmam com clareza que Deus é o único dono de tudo. (Sl 24.1).  Ele é o dono de toda a terra (Lv 25.23) das riquezas (Ag 2.8) e também dos animais: (Sl 50.10). Deus criou todas as coisas e jamais transferiu a posse de Sua criação às pessoas (Cl 1.17).  Deus tem tanto domínio quanto poder. Até os inimigos de Deus se mostram submissos a Ele, pela grandeza do seu poder (Sl 66.3). Cumpre-nos reconhecer essa verdade, pois Cristo é o Senhor de nosso dinheiro e posses (Lc 14.33).

2º) Deus tem o CONTROLE de tudo que ocorre na terra (Sl 135.6). Ninguém é capaz de resistir à sua mão (Dn 4.35). Até mesmo a circunstância que parece devastadora, é conduzida por Deus, em direção a um bem maior nas vidas de seu povo (Rm 8.28). O Senhor permite circunstâncias difíceis por três razões: a) Para realizar seus propósitos (Gn 45.5,8). b) Para desenvolver nosso caráter (Rm 5.3-4). c) Para disciplinar seus filhos (Hb 12.6,10-11). Nós fomos libertos por Deus a fim de servi-lo e não fomos de Deus para fazermos o que bem entendermos.

3º) Deus prometeu dar PROVISÃO a todas as nossas necessidades (Mt 6.33). Em Gênesis 22.14, Deus é chamado de “Jehovah-Jireh,” que significa “o Senhor proverá.” Deus sustentou a multidão de seu povo no deserto, com o maná, por quarenta anos (Dt 8). Ele também, através de Jesus, seu Filho, alimentou mais de cinco mil pessoas com apenas cinco pães e dois peixes (Jo 6).

            Em 1 Timóteo 6.8 lemos que nossas necessidades são alimento, roupa e abrigo, ou seja, elementos básicos da vida. Coisas que deverão fazer com que vivamos contentes. Em Filipenses 4.19, lemos: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades”. A promessa da provisão divina diz respeito a necessidades e não a desejos, vontades, sonhos ou caprichos. Todavia, como Deus é bom, a Bíblia dá testemunho de que sua providência muitas vezes vai além da mera provisão cotidiana (Pv 3.9,10).

Cristo nos disse que já havia preparado lugar para nós junto ao Pai para toda a eternidade (Jo 14.1-3), portanto, temos que interpretar nosso tempo na terra como provisório e passageiro e olhar para nós mesmos como peregrinos e estrangeiros (1 Pe 2.11). Ele cuida de pássaros e flores, cuidará também de nós. Nosso maior investimento deve ser no tesouro da vida eterna e nunca nos tesouros passageiros do nosso século!

            Conhecer a Deus como Senhor do Universo é mais que simplesmente saber que é assim. Tudo o que somos e temos precisa se curvar em reconhecimento de seu governo soberano e honrá-lo comprometidamente (Pv 3.9,10). A mente humana é incapaz de compreender o poder do Senhor. Ele criou, sustenta, ordena e coordena tudo pela força de seu poder (Is 40.26). Ele é o Senhor das nações (Is 40. 15, 17, 21-24) e também é Senhor dos indivíduos (Sl 139:3,4,16) esquadrinhando o seu andar, repousar e caminhar.

          Deus criou e mantém o mundo; tem o controle de todas as circunstâncias e provê cada uma de nossas necessidades. Ser gratos e honrar a Deus devem ser nossas atitudes; organizar nossas finanças por esses princípios deve ser nossa ação prioritária; viver para o reino e dos princípios do reino devem ser o nosso testemunho cotidiano. Deus nos abençoe. 

                                                                                                                  Com amor, Pr. Helio.


quinta-feira, 12 de março de 2015

Os Pastores de Genebra no Brasil

Os Pastores de Genebra no Brasil

Na quarta-feira, dia 10/03/1557 dois pastores enviados pessoalmente por João Calvino e acompanhados por mais 12 operários genebrinos com o objetivo de plantar a fé reformada no Brasil, aportaram na Ilha de Seregipe (hoje Ilha de Villegaignon), Rio de Janeiro e foram recebidos pessoal e calorosamente pelo vice-almirante Nicolas de Villegaignon, líder da França Antártica no Brasil. Após ler as cartas de recomendação dos pastores e acompanhantes, solicitou que os mesmos organizassem a igreja francesa no Brasil de acordo com o regulamento e a disciplina da igreja de Genebra. Ficou decidido que os pastores se revezariam nas pregações que aconteceriam diariamente e duas vezes aos domingos. À noite, numa pequena sala, foi celebrado o primeiro culto reformado das Américas, tendo como pregador, O Rev. Pierre Richier, com base no salmo 27.4. Depois do culto, todos tomaram sua primeira refeição brasileira: Farinha de mandioca, peixe moqueado e raízes assadas no borralho. Dormiram em redes, como os indígenas faziam.

No domingo, 21/03/1557 houve a celebração da primeira ceia conforme a liturgia reformada no Brasil. O próprio Villegaignon participou da celebração e fez uma das orações no culto. Todavia, após a celebração, Villegaignon, antes favorável à liturgia reformada voltou-se contra os pastores calvinistas questionando o sentido espiritual da presença de Cristo na ceia bem como a simplicidade do rito de celebração. Richier foi injuriado publicamente e seus sermões criticados veementemente. Por causa disso, no início de Junho, o Rev. Chartier foi enviado de volta à França para colher opiniões dos teólogos e de Calvino sobre a questão. Não retornou mais ao Brasil. Em outubro, Villegaignon expulsou definitivamente os huguenotes reformados do Brasil, pedindo aos magistrados franceses que processassem os demais, queimando-os na fogueira como hereges e martirizando três deles (09/02/1558).

Quem foram esses pastores que pregaram a fé reformada no Brasil?
Pierre Richier, doutor em teologia e ex-frade carmelita, convertera-se ao protestantismo e, após haver feito seus estudos em Genebra, foi enviado ao Brasil em 1556 com 50 anos de idade. Expulso, retornou no ano seguinte, sendo então enviado a Rochelle, onde organizou a Igreja e Ali publicou, primeiro em latim (1561) e depois em francês (1562), A Regulação às Loucas Fantasias, às Execrareis Blasfêmias, Aos Erros e às Mentiras de Nicolas Durand de Villegaignon. Morreu a 8 de março de 1580.

Guillaume Chartier, natural de Vitré – Bretanha, estudou em Genebra e aceitou com muito ardor o cargo de missionário da Reforma da América. Tinha 30 anos quando embarcou para o Brasil. Nicolas des Gallars, tendo-o visto e ao seu companheiro na ocasião de embarque, escreveu a Calvino que eles “partiam animados com toda avidez”. Posteriormente ao insucesso desta expedição, nada mais se sabe de Chartier senão que foi capelão de Jeanne d’Albret.

No final de Março de 1557, Richier escreveu uma carta a Calvino, na qual descreve a missão de evangelizar os indígenas brasileiros da seguinte forma: “...E o que é a mais perniciosa de todas as coisas, não sabem se Deus existe. Estão muito longe de observar a Sua lei ou admirar o Seu poder e vontade, por isso não temos esperança de ganhá-los inteiramente para Cristo, embora seja realmente a coisa mais importante de todas... Mas o grande obstáculo é a diversidade de idiomas. Acrescente-se que não temos Intérpretes fiéis a Deus. O mérito de nossa obra consiste para nós em refrear o passo e esperar pacientemente que os adolescentes aprendam a língua dos índios. E já alguns vivem entre eles. Praza a Deus que fique aquém deles qualquer perigo para as suas almas. Desde que o Altíssimo nos impôs esta tarefa, devemos esperar que esta terra se torne a futura possessão de Cristo.”

Senhor! Usa-nos, para fazer o Brasil pertencer inteiramente a Cristo! Amém.
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Fontes: A Tragédia da Guanabara, Jean Crespin, ECC, p. 9-15,20,29-36. / Carta de Richier a Calvino; Viagem à Terra do Brasil, Jean de Léry, nota134, Itatiaia.

sábado, 7 de março de 2015

Nota Biográfica Sobre Abraham Kuyper

Nota Biográfica Sobre Abraham Kuyper.

Abraham Kuyper, nasceu em Maassluis29/10/1837 e morreu em Haia8/11/1920. Foi um pastor, político, jornalista, estadista e teólogo holandês. Ele fundou o Partido Anti-Revolucionário e foi Primeiro-Ministro dos Países Baixos entre 1901 e 1905.
Kuyper foi educado em casa por seu pai, Jan Frederik Kuyper, que foi ministro da Igreja Reformada Holandesa.    
Não teve educação formal primária, mas recebeu o ensino secundário no ginásio de Leiden.
Em 1855 terminou o ensino secundário e começou a  estudar literaturafilosofia e teologia na Universidade de Leiden. Ele recebeu seu propedeuse na literatura em 1857, summa cum laude, e em Filosofia em 1858, Ele também teve aulas de árabearmênio e física.

Em 1862 recebeu o grau de doutor em Teologia na base de uma dissertação comparativa entre o trabalho reformador de João de Lasco e João Calvino, posicionando-se teologicamente entre os modernistas de seu tempo. 

Em 1863, aceitou um convite para se tornar ministro da Igreja Reformada Holandesa da cidade de Beesd. No mesmo ano, casou-se com Johanna Hendrika Schaay (1842-1899). Eles tiveram cinco filhos e três filhas.

Seu retorno à ortodoxia se deu por meio de três fatores: Sua pesquisa sobre a vida do reformador polonês João de Lasco; a leitura da novela britânica “O Herdeiro de Redcliffe” escrito por CharlotteYonge e a vida piedosa da Igreja Reformada de Beesd.
Um testemunho marcante nesse retorno foi a fé reformada simples de Pietje Balthus, a esposa de um fazendeiro. Ele começou a opor-se à centralização na igreja, ao papel do rei e a defender a separação de igreja e estado.

Em 1867 Kuyper foi convidado para ser ministro da paróquia em Utrecht e ele deixou Beesd.

Em 1870 foi convidado a pastorear em Amsterdã, a capital holandesa.

Em 1871 começou a escrever para o "De Heraut" ("O arauto"). Em 1872, fundou seu próprio jornal "De Standaard" ("o padrão").

Em 1874 foi eleito para o parlamento pelo recém formado Partido Antirrevolucionário, o primeiro partido político moderno da Holanda. A partir de 1876, tornou-se o seu principal lider.

Em 1880 fundou a Universidade Livre de Amsterdã. Edificada sobre o fundamento de que as Escrituras devem orientar todas as áreas do saber humano e cristão.

Em 1886 liderou o cisma que deu origem à Igreja Independne Reformada.

Em 1898 visitou os EUA, quando proferiu as “Palestras Stone” sobre o Calvinismo no seminário de Princeton. Essas palestras visavam mostrar que a abrangência do Calvinismo ultrapassava o que é proposto pelos Cinco Pontos do Calvinismo nos Cânones de Dort, pois estes tratam apenas da soteriologia Calvinista.

De 1900 a 1904 foi primeiro ministro da Holanda no reinado da rainha Wilhelmina. A partir de 1908 militou como delegado na Segunda Câmara do Parlamento Holandês.

Legado:
Suas maiores contribuições teológcas estão no campo da doutrina da graça comum e da importância do Reino de Deus no pensamento cristão.
No campo da política defendeu a teoria da soberania sobre esferas diferentes, uma tentativa de justificar o pluralismo e limitar o poder do Estado. Consciente dos perigos do totalitarismo chamava a atenção para o fato de que interesses comerciais podem oprimir os pobres tanto quanto interesses governamentais. Para ele a função do Estado é preservar na sociedade a justiça divina.
Publicou mais de 200 obras sobre teologia, filosofia, política, artes e questões sociais. Sua obra devocional mais importante é “Para Estar Perto de Deus”, onde defende que um teólogo profundo pode ser um cristão afetuoso. Suas obras traduzidas para o português são: Calvinismo e A Obra do Espírito Santo.

O que podemos aprender com Abraam Kuyper?

1. O caminho de volta do erro doutrinário tem três elementos:
     (1) A história de personagens fiéis da Igreja 
     (2) Leituras que testemunham e estimulam a vida correta no Evangelho. 
  (3) O testemunho pessoal simples e desinteressado encontrado na convivência com pessoas piedosas.

2. É possível e desejável ter conhecimento profundo das doutrinas bíblicas e ser um cristão afetuoso, amável e piedoso.

3. Servir a Deus é uma tarefa para a vida toda e não apenas para os nossos melhores anos. Quem se aproxima de Deus, andará na sombra Dele e sempre saberá disso!

4. Nosso legado não é somente o que escrevemos ou fazemos, mas é o que nós somos.
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Bibliografia: Prefácio de Calvinismo, ECC, p. 9-15; I. Hexham  – Abraham Kuyper; Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, vol. 2, Vida Nova, p. 406,407. Abraham Kuyper, Wikipédia;


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