O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

quarta-feira, 29 de março de 2017

Atos 9 = Por Que me Persegues?


Estátua de Paulo em frente a Laura Chapel of St. Paul (Bab Kisan) em Damasco. Essa foi a rota de Paulo quando fugiu de Damasco (Atos 9.25).

®   Atos 9: Por que me persegues?

Como é possível conhecer tanto das escrituras e não conhecer o Senhor? Como é possível ser religiosamente consagrado e ainda assim permanecer na perdição? Como é possível perseguir a verdade tentando servir à própria verdade? Talvez, a pergunta do Senhor a Saulo gravite em torno dessas ponderações. Saulo respira ameaças contra o evangelho e movido por elas o persegue. Seu zelo religioso é a prova de que os méritos não só não nos salvam como podem nos afastar ainda mais dela!

Saulo não conhecia o Evangelho dentro da Lei, e, por isso, não conhecia a salvação pela graça somente. Muitos acreditam que a relação do evangelho com a Lei nas Escrituras é antagônica: Lei X Graça. Entretanto o ensino correto das escrituras é outro: Lei e Evangelho. Eles não se anulam, nem competem entre si por nossa salvação. Eles são complementares. Lei e Evangelho se completam a nosso favor. O propósito da Lei era prioritariamente apontar o evangelho e tornar clara a nossa necessidade de um mediador perfeito, sem pecado, aprovado por Deus. Esse mediador é Jesus Cristo, o único nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4.12; Jo 14.6). A salvação sempre foi pela graça somente, tanto na dispensação da Lei quanto na dispensação da graça.

Quantos andam como Saulo nas igrejas contemporâneas! Todavia, A graça quebra irresistivelmente qualquer grilhão que escraviza; qualquer um! O Evangelho faz do perseguidor, perseguido por amor a Cristo; traz ao paralítico uma nova esperança e devolve à vida quem já estava morto. A conversão do perseguidor, a cura do enfermo crônico e a ressurreição da serva, são milagres inexplicáveis, incompreensíveis, mas igualmente maravilhosos! Não posso perseguir nem negar um evangelho assim, só abraçá-lo e proclamá-lo.

O caminho de Damasco pois fim à insolência e à ignorância blasfematória de Saulo. Depois disso, por vários séculos, aquele caminho representou o caminho da mudança e da conversão. Hoje, muito tempo depois, o caminho de Damasco é a caricatura da desolação e de novo se tornou o caminho da insolência, da blasfêmia e da ignorância.

A Síria clama pela experiência da conversão e da mudança. Ela precisa de novos missionários que atravessem aquela estrada outra vez. Para levar o perdão ao coração de pessoas que nasceram e cresceram longe do evangelho e da graça; que foram educadas desde pequenas a odiar o evangelho e seus seguidores.

A Síria precisa se tornar novamente a porta pela qual o Evangelho brilhará no oriente médio outra vez. Ore por isso, viva para isso!

Oração: 
Senhor, suplicamos o teu favor pela Síria e seu povo. Rogamos que tu ponhas fim à guerra, ao ódio e à exploração do pobre e necessitado. Pedimos que teu evangelho alcance aquele povo outra vez e que o Senhor nos desperte para sermos teus instrumentos para que isso aconteça. Pedimos-lhe que a experiência de Saulo se repita naquele caminho várias vezes e com muitas pessoas que transitam por ali.
Desperta-nos como despertaste a Saulo. Converta-nos como o converteste; convença-nos como o convenceste e usa-nos como o usaste. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Atos 8 = Perseguição e Integridade



®   Atos 8: Perseguição e Integridade.

Lucas traçou um plano bem definido para organizar o seu relato da história inicial da igreja para seu amigo Teófilo (1.1). Ele subdividiu a narrativa em três partes bem distintas: O evangelho em Jerusalém (1-7); O evangelho na Judeia e Samaria (8-12) e o evangelho até aos confins da terra (13-28). Os versos um a quatro são uma conclusão necessária da primeira parte e uma transição adequada para a segunda seção de Atos (8.4-12.25). Também introduz uma personagem muito importante na história da igreja: Saulo. Saulo inicia a sua jornada como um insolente perseguidor da igreja (1 Tm 1.13), mas a terminará como uma de suas mais fiéis testemunhas.

A perseguição em Jerusalém propiciou a evangelização do resto da Judeia e de Samaria. A igreja sempre enfrenta dois inimigos persistentes: Perseguição e a fé hipócrita, movida por interesses, como a de Simão, o mágico. A perseguição é um inimigo externo, mas a hipocrisia é sempre um inimigo interno, a perseguição prova nosso valor, mas a hipocrisia, prova a nossa integridade.

O valor da fé é fortalecido na perseverança e na paciência com que enfrentamos o sofrimento. Atravessar provações firmes na fé aumenta nossa maturidade e esperança (Rm 5.3,4). A integridade expõe transparentemente a força vibrante da fé verdadeira. Sem integridade nosso testemunho não tem nem força e nem valor!

A integridade é espelhada no ministério cristocêntrico de Filipe. Ele é ousado, atuante, sem ser ativista; e fiel à palavra sempre. Na evangelização do Eunuco etíope, Filipe começa por Isaías e apresenta o evangelho de Cristo com segurança e precisão. Mas o contexto também mostra que o único foco de seu ministério é anunciar a Cristo.
Chama a atenção, mais uma vez, o ministério evangelístico de um diácono. Embora o ofício diaconal não tenha como exigência o ensinar, o testemunhar e o evangelizar não lhe são subtraídos. A diaconia não é apenas serviço social misericordioso, é também proeminentemente evangelístico!

Na história e na vida da igreja, todos são missionários e por isso todos devem evangelizar. A evangelização tem dois fatores básicos, a proclamação da palavra e o testemunho. Testemunhar é falar o que Cristo fez por nós e como nos conquistou pessoalmente para o Evangelho. Proclamar é ensinar e explicar a Palavra para que entendam o evangelho que salva. Testemunho e proclamação andam juntos. Experiência real com Deus associada ao conhecimento e estudo da palavra estão unidos na evangelização, no anúncio da boa nova de salvação para todo aquele que crê (Jo 3.16) e que recebeu a Cristo como Senhor de sua vida (Jo 1.12).

Com amor, Pr. Hélio.


sábado, 18 de março de 2017

Aula 6 = Entendendo a Luta do Seu Coração


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Igreja Presbiteriana Jardim Goiás – Classe de Casais – 1º Semestre-2017
Rev. Hélio O. Silva e Sem. Marcos Rosa Oliveira.
Aula 6 = Entendendo a luta do seu coração
Instrumentos Nas Mãos do Redentor – Paul David Tripp, Nutra, p.111-135 = 19/03/2017.
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Texto para leitura: Tiago 4.1-10.
Introdução:
O conflito é um dos principais efeitos da queda e não precisa muito para incitá-lo. Às vezes nos tornamos matadores profissionais dentro de nossas próprias casas. Mesmo quando nos apresentamos para conciliar conflitos na família, percebemo-nos nos tomando partido ou abrindo uma nova frente de tiro ao alvo.
         Os conflitos podem ser rixas insignificantes ou guerras declaradas. Muitas vezes se alimentam de ou alimentam amargura e ira. A verdade bíblica cristalina é a de os conflitos começam no nosso coração (Tg 4.1-10).

1. A origem dos conflitos é o coração.
Nós costumamos procurar a origem dos conflitos nos lugares errados. Como pecadores somos melhores em promover a guerra do que a paz. Tiago nos ensina que nunca entenderemos nossa ria olhando para fora e culpando os outros. Temos de olhar para dentro, para dentro de nossos corações. Para entender nossa ira temos de sondar nosso próprio coração (Lc 6.45).
As mesmas situações e os mesmos relacionamentos não deixam todas as pessoas iradas da mesma forma. O trânsito ruim ou o tagarela causam reações diferentes em diferentes pessoas. O que determina as reações diferentes e até adversas é como o coração recebe e trata dessas variadas situações que vivemos.

2. Um exército de desejos num mundo em guerra.
O foco de Tiago 4 não é apenas o coração, mas os desejos do coração. Há uma relação direta entre o conflito e o desejo do coração; entre o que queremos e o que desperta nossa ira.
Os desejos precedem, determinam e caracterizam tudo o que fazemos. Desde quando acordamos até deitarmos para dormir. No trabalho, nos relacionamentos, nas conquistas e derrotas eles estão lá. Até quando adoramos eles nos conduzem de forma falsa ou verdadeira. O desejo está na base de cada palavra, ação ou sentimento irados. Examinar nossos desejos é a única forma de entendermos nossa ira.
         Entendamos o ensino de Tiago.
a. Tiago não ensina que é errado ter desejos. Deus também deseja e o desejo molda nossos propósitos assim como molda os de Deus.
b. Tiago não coloca a palavra “mal” antes da palavra “desejo”. “Os desejos militam em nossa carne”. Tiago afirma que há uma guerra dentro de nós antes de ela existir fora de nós. A guerra que existe dentro de nós é para determinar o que controlará nosso coração. O que controlar o coração, controlará nossas vidas.

3. O duelo de reinos e o caos nos relacionamentos.
         Nossos desejos fazem guerra entre si e todos lutam contra Deus pelo controle de nosso coração. Nós desejamos estabelecer o nosso próprio reino à parte do reino de Deus.
         Os conflitos surgem entre nós dependendo de como os outros contribuem ou atrapalham a realização de nossos desejos. O problema verdadeiro não é o outro, mas como ele se encaixa em nossos desejos. Nossos desejos podem ser tanto errados quanto desordenados. Desejos desordenados que governam o coração abrem as portas para que cometamos pecados uns contra os outros. A ira não é causada pelas pessoas, mas por nossas reações aos desejos do coração que não se cumpriram. A nossa guerra contra as pessoas é almentada pela nossa guerra interior onde os desejos lutam entre si e contra Deus para governarem nosso coração.

4. O adultério espiritual e a ira contra as pessoas.
         Tiago chama essa atitude de “adultério”. Adultério é dar a outro(a) o amor prometido a alguém. Os conflitos humanos estão enraizados no adultério espiritual. Nosso principal problema não é o pecado dos outros ou as situações difíceis, mas é dar o amor prometido a Deus a outras coisas. Nós deixamos de adorar o criador para adorar a criação (Rm 1.25).
         Quando nosso coração é governado por desejos, nossa relação com Deus e com o próximo é afetada diretamente. Desejos que governam o coração afetam nossas orações e como enxergamos a Deus. Governados por desejos passamos a tratar a Deus como um garçom para nos servir e não um Pai que tem autoridade sobre nós. Como conversamos com um garçom? Como conversamos com o nosso Pai que é Deus? Se Deus é um garçom, a oração se trona um cardápio de desejos.

5. Uma graça zelosa.
         Tiago revela que não batalhamos sozinhos, mas temos o reforço da habitação do Espírito Santo em nós. Deus nos ama demais para deixar outros nos governarem e escravizarem.
A principal arma de Deus para vencer nossos desejos é a sua graça zelosa. Veja Tito 2.11-14. A graça agiu no passado, salvando-nos; age no presente, educando-nos; agirá no futuro glorificando-nos.

6. A conquista do coração.
         Nossos desejos nos aprisionam, a graça nos salva e liberta. Nossos desejos se tornam maus quando são aprisionados pelo pecado e por ele governados. Muitos desejos não são maus em si, mas governados pelo pecado eles se inclinam para o mal.
Desejos desordenados se tornam exigências e depois necessidades. Dessa forma sevem ao pecado que habita em nós. Ansiamos desesperadamente por aquilo de que não precisamos muitas vezes.
Nós confundimos desejos com necessidades. Isso gera expectativas irreais para com os outros que azedam nossos relacionamentos.

7. A humilde limpeza do coração.
         Qual a solução proposta por Tiago?
A. Humilhação na presença de Deus, ou melhor, arrependimento reverente.
B. Limpar o coração. Toda reconciliação começa com a purificação do coração.
Tiago nos mostra que não possível praticar o segundo grande mandamento sem praticar o primeiro! Sempre que tivermos que nos reconciliarmos com alguém temos de começar nos reconciliando com Deus. Problemas de relacionamento tem sua raiz em problemas de adoração. Veja Tiago 5.13-26.

Aplicações:
1. Paixões e desejos poderosos competem com a graça de Deus e a presença do Espírito Santo em nossas vidas. Quem anda no Espírito nunca satisfaz os desejos da carne.

2. As duas realidades.
®  Há uma guerra sendo travada em nosso coração, mas também Deus habita em nós por seu Espírito. O que governa o meu coração moldará minhas respostas às lutas e às bênçãos; às vitórias e às derrotas de nossas vidas.

®  A outra realidade é nossa união com Cristo, que é vital, eterna e inquebrável. Ele é o nosso redentor, mas também é o nosso mediador e intercessor.

sábado, 11 de março de 2017

Tito 1.5 = A Necessidade de Ordem na Igreja


Introdução:
         Tenho aprendido ser importante falar sobre o governo da igreja e seus ofícios fora do período de eleições eclesiásticas e creio ser uma urgente necessidade trazermos esse assunto para os púlpitos das igrejas para ser ensinado com mais profundidade a fim de instruirmos os presbiterianos sobre o tema e as razões bíblico-teológicas e pastorais ligadas a ele, por crermos ser essa a forma bíblica do governo da igreja.
         Há um abismo de desinformação e má formação por parte da liderança da igreja que podemos colocar em risco a integridade da própria proclamação do evangelho.
         A integridade do Evangelho é a razão de Paulo ensinar tanto a Timóteo como a Tito sobre o governo da igreja e as exigências divinas para o episcopado.

Contexto:
         Paulo deixou Tito em Creta com o propósito de organizar a igreja da ilha. Paulo estava a caminho de Nicópolis, na costa da Grécia com o desejo de passar o inverno ali.
         A razão disso era que assim como advertiu a Timóteo contra os falsos mestres judaizantes na primeira epístola que lhe escreveu (1 Tm 3), também o faz a Tito (Tt 1.10-16).
Paulo mostra que a mesma graça que confere a salvação, conduz à vida piedosa e sustenta a nossa esperança na volta de Cristo. Quem é regenerado pelo Espírito Santo vive uma vida de santidade já neste mundo; “os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras” (Tt 3.5-8).
O papel dos presbíteros é ensinar pela vida e pela palavra como se deve viver a vida piedosa na igreja.
Paulo mostra na epístola a Tito que há duas razões fundamentais para a existência de presbíteros na Igreja: A primeira é a necessidade de organização (v.5). A segunda é a presença na igreja de insubordinados, falsos mestres gananciosos e impuros e descrentes (v. 10-16).

Proposição:
         Paulo instrui a Tito quanto à necessidade de ordem nas igrejas de Creta. Há três ensinos básicos que precisamos observar quando à ordem no governo das igrejas locais:

I) Por em ordem as coisas restantes.

®   Ordem é organização.
®   Organização é tanto administração coerente com as escrituras como pastoreio sadio na fé.

Qual a base da organização do sistema presbiteriano de governo?
São seis fundamentos:
1. Cristo é a cabeça e a origem do governo da igreja (Ef 4.15; Cl 1.18).
2. O governo é constituído por meio de eleição (At 1.15-26; At 6.1-6; 14.21-23).
3. O governo é plural e representativo por meio de presbíteros qualificados (At 6.1-6; At 14.21-23; At 15; 1 Tm 3; Tt 1).
4. O governo é composto com o auxílio de diáconos (At 6.1-6; 1 Tm 3.8-13).
5. O governo é investido de autoridade através da imposição de mãos (At 6.6; At 13.3; 1 Tm 4.14; 2 Tm 1.6).
6. O governo estabelecido em concílios (At 6.2; At 15.3,6,22,23,28, 1 Co 5.4).


II. Constituir presbíteros em cada cidade.

Presbítero = ancião. Bispo (epíscopo – v.7) = superintendente, administrador.
No Judaísmo eram líderes mais idosos e experientes dentre o povo.
Na igreja = designação da liderança pastoral e administrativa da igreja.

A Igreja presbiteriana faz uma distinção entre presbíteros docentes e presbíteros regentes, não como subdivisões do ofício de presbíteros, mas como dois ofícios diferentes.
Veja como o assunto é abordado na Constituição da IPB:
Art.25 - A Igreja exerce as suas funções na esfera da
doutrina, governo e beneficência, mediante oficiais que
se classificam em:
a) ministros do Evangelho ou presbíteros docentes;
b) presbíteros regentes;
                          c) diáconos.[1]
A base bíblica para isso é encontrada em 1 Timóteo 5.17 onde é dito do presbítero que administra bem e do que se afadiga na palavra.
Calvino encontra base para essa distinção no exercício dos dons espirituais em Efésios 4.11 e Romanos 12.8ss. Ali ele define como “ofício” o exercício dos dons no ministério ordinário da igreja.[2]
Essa distinção, no entanto, não deve ser vista de modo rígido, mas fluida. Porque uma exigência para o presbiterato é a capacidade de ensinar, que deve estar presente tanto num quanto noutro. A docência também participa do governo, pois o conceito de autoridade bíblica é diferente da secular.
No conselho, não pode haver nem preeminência nem hegemonia de um ofício sobre o outro, mas ambos são iguais. Calvino alerta que o conceito de “hierarquia” não cabe nas definições dos ofícios da igreja.[3]
O que significa a representatividade dos presbíteros e pastores nas escrituras?
1. Não existe diferenciação entre clérigo e leigo – ambos foram ordenados da mesma forma para o pastoreio da igreja.
®   Não existe hegemonia.
®   Não existe hierarquia.
®   Existem dons e funções a serem exercidos como ofício.

2. Ambos são eleitos pelo povo para representarem a Deus sobre ele e não o oposto.
®   Os pastores devem aprender a aceitar o método de eleição.
®   Os presbíteros não podem manipular as eleições conforme sua conveniência.

3. Embora haja distinção entre docência e regência ambos devem combinar no pastoreio da igreja.
®   Supervisionar, ser modelos e pastorear (1 Pe 5.1-5).
“seu ofício é supervisionar a vida de cada pessoa para admoestar amigavelmente os que eles veem que estão errando ou vivendo uma vida desordenada.”[4]
Bannerman aponta para o fato que a diferenciação entre a regência e a docência tem origem no Antigo Testamento onde a figura do ancião que governa era distinta dos presbíteros que ensinam, podendo ser inferida da distinção feita por Paulo em Romanos 12.7,8 entre o que prega e o que preside.[5]

®   Pastores não são empregados da igreja e nem os presbíteros são seus patrões. Mas ambos governam a igreja em concílio em nome de Cristo e para a sua glória somente.
®   O conselho não é formado por presbíteros presididos por um pastor. Pastores e presbíteros formam o conselho. Não existe conselho sem um ou sem os outros. Agir de forma diferente é agir de forma ilegal perante a IPB.

III. Conforme o prescrito.

Atos 14.23 :
®   Por meio de eleição.

A palavra empregada por Lucas para eleger é ceirotonhsantej (part. Aor. At.). Aparece apenas 2 vezes no Novo Testamento (At 14.23; 2 Co 8.19). Significa literalmente “eleger pelo erguer das mãos”.[6] Comentaristas episcopais insistem que essa eleição dos presbíteros não passou de uma indicação feita por Paulo e Barnabé. Mas essa interpretação não tem o apoio do significado claro da palavra em 2 Coríntios 8.19, onde significa “eleger pelo voto de todos”.
“O verbo propriamente denota "estender a mão"; E como era costume de eleger para o cargo, ou para votar, esticando ou elevando o braço. então a palavra significa simplesmente "para eleger, nomear ou designar a qualquer um”. A palavra aqui se refere simplesmente a uma "eleição" ou "nomeação" dos mais velhos. Diz-se, com efeito, que Paulo e Barnabé fizeram isso. Mas provavelmente tudo o que se quer dizer é que eles presidiram a assembleia quando a escolha foi feita. Isso não significa que eles os nomearam sem consultar a Igreja; Mas evidentemente significa que eles os nomearam da maneira de se nomear os oficiais, pelo sufrágio do povo”.[7]
Tanto os presbíteros quanto os pastores devem ser eleitos pela igreja; ainda que nossa CI/IPB[8] faculte aos Conselhos a prerrogativa de convidá-los anualmente.

®   Com oração e jejuns.
Calvino diz nas Institutas que a igreja antiga levava esse assunto da eleição tão a sério que oravam e jejuavam por isso.[9]
Por isso é ao mesmo tempo triste e vergonhoso ver a presença de menos de 50% dos membros da igreja presentes nas Assembleias convocadas para as eleições dos oficiais da igreja!

®   Encomendando-os ao Senhor.
Isso era feito com imposição de mãos dos demais presbíteros (Atos 13.3). Um rito simples e feito com muita seriedade, pois não devia haver imposição de mãos realizadas com precipitação (1 Tm 5).

O ensino de Calvino quanto a isso:
As quatro questões ou “elementos” apresentados a seguir, definem o modo prático de reconhecer e praticar a vocação divina no governo da igreja.
1. Como devem ser os ministros.
2. Como devem ser escolhidos.
3. Quem deve escolhê-los.
4. Que rito ou cerimônias há de iniciá-los.
         A explicação de Calvino de cada uma delas é ao mesmo tempo bíblica, prática, pastoral, convincente e apologética, visto que não só estabelece uma ordem bíblica para o governo da igreja como previne e denuncia os desvios da Palavra de Deus perpetrados pela ambição, avareza e cobiça incentivando o temor a Deus e a edificação da igreja (Inst. IV.III,11).[10]
1. Como devem ser os ministros? Partindo de 1 Timóteo 3.1 e Tito 1.7 resume as exigências bíblicas a que sejam “homens de boa doutrina e vida santa”, nunca ineptos ou incapazes.

2. Como devem ser escolhidos? A escolha dos ministros (e dos presbíteros) acontecia com a prática de jejuns e orações (At 13.1-3; At 14.23). A razão disso era o fato de a escolha dos ministros ser “o mais sério dos assuntos” da igreja.

3. Quem deve escolhê-los? Os membros da igreja por meio de eleição. Calvino afirma: “Que a vocação legítima de um bispo exija ser eleito pelos homens ninguém de bom senso contestará, posto que haja numerosos testemunhos da Escritura” (Inst. IV.III,14),[11] citando para esse fim Atos 1.23; Tito 1.5 e Atos 14.23. A forma de constituir presbíteros nas igrejas é por meio do voto; “a multidão toda, erguendo as mãos, indicou a quem queria” (Inst. IV.III,15).[12]

4. Que rito ou cerimônias há de iniciá-los? Calvino diz simplesmente que era por meio da “imposição de mãos”, realizada exclusivamente pelos pastores e nas Ordenanças Eclesiásticas acrescenta “providenciando para que ela ocorra sem superstição e sem afronta”.[13]

Aplicações:
1. Não há nenhum motivo justo para nos envergonharmos da forma de governo adotado e praticado pela IPB. Pelo contrário, seus fundamentos são solidamente bíblicos.

2. O assunto do governo da igreja é mais amplo que o geralmente abordado nos períodos preparatórios das eleições eclesiásticas.

3. Muitos erros nos conselhos têm sua origem na superficialidade de nosso conhecimento da forma de governo bíblica, permitindo influências externas ao conciliarismo.

4. Precisamos reconhecer que temos dado mais valor às questões de conveniência que às questões bíblicas quanto ao governo da igreja.


Frase Final: Tomemos a resolução de tratar essa questão com mais seriedade daqui para a frente para a glória de Deus e para o bem da igreja!


[1] Manual Presbiteriano. CI/IPB Art 25, p.18.
[2] Calvino. Institutas IV.III.4-7.
[3] Calvino. Institutas IV.IV.4.
[4] Ordenanças Eclesiásticas, 2008,  p.190. Hélio O. Silva. Os Ofícios da Igreja, p. 24.
[5] BANNERMAN, James, A Igreja de Cristo, v. 1 e 2. São Paulo, Os Puritanos, 2014; p. 758,759. Hélio O. Silva. Os Ofícios da Igreja, p. 25.
[6] Fritz Rienecker & Cleon Rogers. Chave Linguística do Novo testamento Grego, Vida Nova, p.219.
[7]A. Barnes. Barnes’ Notes on the Bible, Vol.13 – Acts - Romans, THE AGES DIGITAL LIBRARY COMMENTARY. p. 403. (minha tradução- trad. Eletrônica).
[8] CI/IPB Art. 30 a 49 p.19-24.
[9] Calvino. Institutas Livro IV.III,12.
[10] Institutas  IV.III,11, 2009, p.509.
[11] Institutas IV.III,14, 2009, p.510.
[12] Institutas IV.III,15, 2009, p. 511.
[13] CALVINO, João. Ordenanças Eclesiásticas Esboço 1541. In:  FARIA, Eduardo Galasso. João Calvino – Textos Escolhidos,  São Paulo: Ed. Pendão Real;  2008, p. 186.

Aula 4 - Será Que Realmente Precisamos de Ajuda?


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Igreja Presbiteriana Jardim Goiás – Classe de Casais – 1º Semestre-2017
Rev. Hélio O. Silva e Sem. Marcos Rosa Oliveira.
Aula 4 = Será que realmente precisamos de ajuda?
Instrumentos Nas Mãos do Redentor – Paul David Tripp, Nutra, p.65-88 = 05/03/2017.
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Texto para leitura: Gênesis 3.1-7.

Introdução:
         O drama do pecado e do sofrimento se manifesta na vida de cada um de nós. Somos pessoas que precisam de ajuda rodeadas de pessoas na mesma situação.
®  Como tratar com o medo da filha pré-adolescente que não quer ir à escola?
®  Como resolver os constantes conflitos com o marido (esposa)?
®  Como lidar com os vizinhos com seus filhos que dão mau exemplo aos nossos?
®  Como vencer a impureza e a pornografia?
®  Como ajudar irmãos da igreja que pedem oração por seus problemas?
®  Como auxiliar amigos na resolução de seus conflitos interpessoais?
®  Como Deus nos ajuda e nos usa para ajudarmos outras pessoas?

1. Precisamos de ajuda por causa da Criação (Gn 1).
As Escrituras veem os seres humanos por três ângulos: Criação, Queda e Redenção (Glorificação).
a. Fomos criados para mantermos comunhão e dependermos de Deus. Nossa necessidade de ajuda precede o pecado. Fomos criados para sermos dependentes.
b. Fomos criados com a capacidade de pensar e interpretar o mundo à nossa volta. Nossas interpretações dos acontecimentos dão forma à nossa visão da vida, dos outros e de nós mesmos; condiciona nossas emoções, nosso senso de identidade, nossa visão dos outros e seus papéis, nossos planos para a solução de problemas e nossa disposição para receber conselhos dos outros (p.73).
c. Fomos criados como adoradores. A adoração não é somente algo que fazemos, ela define quem somos. O mundo não é dividido entre os que adoram e os que não adoram. Todos são adoradores; ou adoram a Deus, ou outra coisa ou a si mesmos. Deus nos criou teoreferentes, a queda nos separou desse propósito.

Juntando tudo.
Nossa necessidade de ajuda é parte de nossa estrutura básica, não um fruto da queda.
Essa percepção faz de todos nós conselheiros e aconselhados ao mesmo tempo. Somos pessoas que compartilham interpretações da vida uns com os outros cotidianamente. Nosso grande problema é não reconhecer o potencial de serviço cristão em nossos encontros e conversas diários.
O livro de Provérbios é um livro de conselhos e de aconselhamento. O que ele nos ensina é que podemos dar e receber bons conselhos; ou dar e receber maus conselhos. Existe o conselho do sábio e o conselho do “tolo” (insensato). Muitos sabem o que estão fazendo, outros não. Nosso papel é oferecer o bom conselho de Deus às pessoas e nos precaver contra os conselhos equivocados que nos afastam de Deus!

2. Precisamos de ajuda por causa da Queda (Gn 3).
Satanás entrou na história humana como um segundo conselheiro (Gn 3.1-7). Ele distorceu e reinterpretou a palavra de Deus dada ao primeiro casal. Seu objetivo era afastar o homem de Deus.
A queda do homem no pecado foi construída em cima da falsa promessa de sabedoria pessoal e autonomia sem a necessidade de Deus. Essa é a grande falácia da história: Negar a Deus o que lhe pertence por direito! Ainda que Deus exista, ele não é necessário.
A grande questão de Gênesis 3 é qual conselheiro nós ouviremos? Deus ou satanás? Para dar ouvidos a Satanás é necessário rejeitar a Deus. Foi o que aconteceu. Segundo o Salmo 14, a insensatez é a combinação de ignorância e arrogância (p.79). Quando se nega a Deus, nega-se a si mesmo, pois fomos criados à sua imagem e semelhança.

Como isso se aplica ao ministério pessoal?
Nossos conselhos advém de qual conselheiro seguimos.
a. Todos somos e agimos como conselheiros, mesmo sem perceber.
b. Todo conselho é moralmente condicionado. Têm a ver com o certo e com o errado.
c. Precisamos nos comprometer com o conselho da palavra de Deus.
d. Precisamos de conselheiros e de ser conselheiros que chamem uns aos outros de volta para Deus e sua palavra.
e. Precisamos das palavras de Deus para que nossa vida tenha sentido (Cl 3.16).

Por que precisamos de conselheiros e de ser conselheiros?
         Porque somos salvos, mas ainda necessitados de ajuda (da graça) (Hb 3.12,13).
®  Hb 3.12,13 diz que precisamos uns dos outros.
®  Hb 3.12,13 diz que a incredulidade é um mal que nos ronda cotidianamente.
®  Hb 3.12,13 diz que o pecado endurece o coração com o seu engano.
®  Hb 3.12,13 diz que todos precisam de todos (uns dos outros).
Tudo começa com a pessoa cedendo aos desejos pecaminosos de seu coração e se afastando da autoridade esclarecedora da palavra de Deus.
A cruz quebrou a condenação do pecado, mas o poder e a presença do pecado em nós ainda é viva e perigosa!
O pecado não age de forma honesta, mas enganosa. Ele nos cega enquanto achamos que estamos enxergando tudo corretamente.

Aplicações:

1. Deus nos criou como seres dependentes dele e de sua palavra orientadora.

2. A queda trouxe para junto de nós outro conselheiro que nos convenceu a abraçar a liderança do pecado.

3. A condenação do pecado foi quebrada, mas a sua presença enganosa permanece com o um inimigo interno que abre a porta para outros entrarem.

Precisamos viver em comunhão humilde e honesta uns com os outros onde o ministério pessoal tem o seu papel de auxílio, socorro e crescimento espiritual.


Plano Anual de Leitura da Bíblia - Março e Abril 2017



Atos 7 - Martírio


®   Atos 7: Martírio.

O primeiro mártir da igreja não foi nem um apóstolo e nem um presbítero, foi um diácono. O ofício diaconal não é um estágio preparatório para o presbiterato ou pastorado; nem um berçário onde estes são formados, já dizia Calvino nas Institutas. A diaconia é, antes de tudo, o ofício do cuidado fraternal da igreja para com os necessitados, doentes, carentes e marginalizados. A diaconia da igreja são os seus braços amorosos cuidando do povo de Deus. Os diáconos existem na igreja como líderes que atuam no governo da igreja no que diz respeito ao suprimento de necessidades emergentes que atentam contra a integridade do testemunho cristão. Por isso o ofício diaconal precisa ser considerado em alta conta por todos nós, e desempenhado com criterioso zelo pelos que foram eleitos pela igreja!

O testemunho e a defesa de Estevão são cristocêntricos e cristológicos. Não importam reputação e protocolos. Diante da imperiosa tarefa de sermos testemunhas de Cristo a única alternativa é anunciá-lo, testemunhá-lo e colocá-lo no centro.

As falsas acusações contra Estevão eram as mesmas levantadas contra Jesus Cristo perante o mesmo Sinédrio. A resposta à capciosa pergunta do sumo sacerdote “porventura, é isto assim?” (v.1) só poderia ser a reafirmação da história da redenção centralizada no cumprimento das profecias bíblicas em Jesus Cristo.

Diante da morte iminente apenas uma atitude: Testemunho firme. Note-se que dessa vez o Sinédrio nem se preocupou em buscar a permissão de Pilatos para executar esse diácono da igreja.

Em meio à dor excruciante do apedrejamento Estevão recebe de Deus uma visão consoladora: Ele vê a Cristo de pé ao lado trono de Deus. Consola-nos saber que o Espírito nos encherá diante da morte e que atrás e acima dela estará o Salvador de pé nos esperando para nos receber. Na hora da morte o Salvador nos capacitará a enfrentá-la sem medo, porque nossa esperança de salvação é garantida por ele, e ele pessoalmente cuida de todos os que confiam nele e nas suas promessas que não falham.

Estevão não buscou o martírio, mas com ele testemunhou a sua fé! Na história posterior do cristianismo, o martírio tornou-se um valor e uma virtude que podiam expressar tanto a consagração quanto o oportunismo de muitos. Por isso a igreja entendeu que o martírio digno não é aquele que é buscado, mas aquele que nos alcança. A igreja entendeu que morrer por causa da fé não é vergonha, mas privilégio; e que o sofrimento por causa do nome de Jesus sempre acompanhará a igreja enquanto formos fiéis no testemunho cristão.

Tertuliano, no segundo século, cunhou uma frase que define o valor do martírio para a igreja: “O sangue dos cristãos derramado nas arenas é a semente do evangelho. Quantos mais cristãos forem mortos nas arenas, mais pessoas serão convertidas nas arquibancadas”. Foi o que aconteceu.

Paulo disse que os diáconos que desempenarem bem o seu ministério são dignos de receber a honra e a justa proeminência e muita intrepidez na fé em Cristo (1 Tm 3.13), porque os diáconos sempre comporão a linha de frente do testemunho cristão. Honremos adequadamente os nossos diáconos, eles cuidam de nós!


                                                                                    Com amor, Pr. Helio.
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