O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

terça-feira, 23 de maio de 2017

Atos 14 = Convertidos das Coisas Vãs

1678 - Heiss - Paulo e Barnabé em Listra

®    Atos 14: Convertidos das Coisas Vãs.

O Evangelho chega à província Romana da Galácia, atingindo quatro cidades do sul dessa região populosa e multirracial: Antioquia da Psídia, Icônio, Listra e Derbe.

A partir de Listra, o foco dos missionários se volta para os gentios, ainda que a principal estratégia continue sendo começar pela sinagoga. Assim, a pregação do Evangelho passa a lidar com um elemento novo e externo: As crendices e misticismos populares das religiões pagãs. O conteúdo da pregação continua o mesmo e também o foco. Todavia, a mensagem é apresentada indutivamente a partir da criação, dirigindo-se para o evangelho, a fim de apontar pontos comuns que possam atrair a atenção para a mensagem cristã e retirar as pessoas de seu culto a coisas vãs.

A mensagem não é diluída num sincretismo permissivo, nem mudada ao sabor das novidades, menos ainda diminuída no seu significado redentor, pelo contrário, o esforço dos missionários é apresentá-la com fidelidade, de forma relevante e contextualizada. É evidente que contextualizar a mensagem não significa mudar seu conteúdo acrescentando ou diminuindo elementos externos à sua essência.

Chama a atenção os versos 21-23. Há quatro gerúndios que nos apresentam o procedimento e as razões de se ter igrejas organizadas. As igrejas precisam ser organizadas e ter liderança capacitada:

(1º) Para que as almas dos discípulos sejam fortalecidas (v.22), confirmando a fé e dando-lhe mais firmeza.

(2º) Para que sejam estimulados a permaneceram firmes na fé (v.22). A perseverança precisa constantemente de estímulo, exortação fraternal e amistosa, incentivos baseados no companheirismo e fraternidade cristãos.

(3º) Para que vivam sua fé de forma realista (v.22). A palavra “mostrar” não aparece no original, mas foi acrescentada pelo tradutor a fim de esclarecer a presença da palavra “tribulação” no texto. A vida cristã jamais será um mar de rosas, ainda que vitoriosa, porque quem quiser viver piedosamente será perseguido por causa de sua fé (2 Tm 3.2).

(4º) E para que tenham liderança que lhes proporcione esse respaldo à sua fé (v.23). A eleição de presbíteros era necessária para que o fortalecimento, a perseverança e o realismo da fé pudessem ser implementados em cada igreja a fim de que crescessem e não se perdessem, diluindo-se nas muitas curvas, encruzilhadas e becos da secularidade cultural e pagã ao seu redor afastando-se da pureza do Evangelho. A liderança tem como tarefa dar continuidade à missão e levar cada igreja local ao compromisso missionário do Espírito Santo de levar o Evangelho até aos confins da terra!

O capítulo 14 termina com um relatório da primeira viagem missionária. Missionários não são francos atiradores independentes; eles precisam retornar à sua base de envio e prestar contas de tudo. Eles não foram enviados para pregar o seu próprio modo de entender o Evangelho, mas para pregar fielmente a Palavra da Graça de Deus em Cristo.

Fomos enviados ao mundo para anunciar o favor gracioso de Deus para com a humanidade a fim de que se converta de suas crenças vãs; de suas idolatrias pomposas e ilusórias; de sua religiosidade desfocada e sem rumo! No Evangelho, Deus nos oferece o caminho de volta para a casa do Pai que só pode ser trilhado por meio de Cristo (Jo 11.25; Jo 14.6; Jo 15.1-5).
                                                                                                        
Com amor, Pr. Helio.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Atos 13 = Enviados Pelo Espírito Santo


®   Atos 13: Enviados Pelo Espírito Santo.

A partir de Atos 13 indo até o final do capítulo 14 temos a primeira viagem Missionária de Paulo e o início da terceira e maior sessão do livro de Atos, que trata do tema da pregação do Evangelho até os confins da terra. Paulo e Barnabé foram os primeiros missionários enviados pela igreja de Antioquia.

Eles são separados pelo Espírito Santo (v.2); São enviados pelo Espírito Santo (v.4); Pregam o Evangelho cheios do Espírito Santo (v.9), e no fim, os discípulos transbordam de alegria e do Espírito Santo (v.52). 

Atos 13 é a primeira estratégia planejada de missões por parte de uma igreja local iniciada pelo próprio Espírito Santo. A igreja envia, e depois receberá de volta aos que enviou com relatório do que a graça de Deus realizou através deles. Isso acontece enquanto a igreja está servindo (leitourgia – prestando culto) ao Senhor (v.2); O Espírito escolhe (chama) dela o seu melhor (Paulo e Barnabé); a igreja jejua, ora e investe de autoridade (impondo as mãos) os escolhidos por Deus. Então envia. Deus faz através de nós, mas fica claro que é Ele quem faz.

A obra só pode progredir se a fizermos cheios do Espírito. É o Espírito quem identifica o falso e o expurga. Paulo só poderia enfrentá-lo e vencê-lo pelo poder do Espírito. O sermão de Paulo é muito parecido, em sua estrutura e conteúdo, com o sermão de Pedro no cenáculo em Jerusalém (At 2). O centro da mensagem é Cristo, as promessas do Antigo Testamento se cumprem nele e a aliança se completa nele. Serão salvos todos os que foram “destinados para a vida eterna” (v.48); quanto aos instigadores da maldade, sacudido deve ser o pó dos nossos pés a fim de prosseguirmos no caminho (v.51).

A grande pergunta é a seguinte: Como nossa igreja local pode fazer parte dessa dinâmica missionária operada pelo Espírito Santo na sua igreja?
1º) Servindo ao Senhor todos os dias no culto e na vida.

2º) Estando atentos ao ensino da Palavra praticado em todos os cultos e reuniões da igreja, estando prontos para obedecer à palavra de Deus acima de tudo.

3º) Estando prontos para nos oferecer a Deus completamente obedecendo ao seu chamado. Observe que o chamado do Espírito Santo acontece quando e enquanto a Igreja o serve cultuando a Deus.

Observe também a expressão “separai-me” (v.2). Quem for separado para o trabalho missionário o será para estar e servir diretamente ao Espírito Santo. A obra não é nossa, mas o privilégio de servir a Deus sempre é acompanhado por uma maior aproximação de Deus, da mesma maneira como foi com os discípulos que Jesus chamou para estarem com ele e para enviá-los a pregar (Mc 3.14).

O chamado de Deus e a intimidade com Deus é dispensada àqueles que se envolvem e trabalham na obra de Deus, mas nunca para meros assistentes e frequentadores descompromissados que só desejam ganhar e nunca contribuir (seja espiritualmente, financeiramente ou socialmente).

Por isso, envolva-se! Disponha-se! Participe! Contribua!

         Com amor, Pr. Hélio.

Plano Anual de Leitura da Bíblia - Maio e Junho/2017




sexta-feira, 5 de maio de 2017

Atos 12 - Oração Incessante




®    Atos 12: Oração Incessante.
Rev. Helio O. Silva.

Tiago é morto e Pedro é preso. Isso agrada aos que não amam a Cristo. Por isso a igreja é chamada a orar (v.5,12). A oração incessante por parte da igreja contrasta com o fato inegável de que a prisão está bem guardada. O Deus que ouve orações surpreende a fé despreparada da igreja libertando, a seu pedido, o seu pastor.

Para a igreja a oração é tanto uma dádiva como uma tarefa. Orar é ter o privilégio de aproximar-se de Deus e falar com ele; ao como o Deus distante que não nos conhece e nem a ele, mas com o Deus que inclina os seus ouvidos para nos ouvir, como o Pai atento às necessidades de seus filhos pequenos. Orar também é um mandamento, como um meio pelo qual Deus nos dispensa graça e amor. Deus nos convoca à sua presença e obedecemos à sua convocação pela oração.

A oração inclui tanto a petição quanto a adoração. A igreja suplica por suas necessidades e pela proteção divina diante da perseguição e da tribulação, mas ela também reconhece o governo soberano da vontade divina sobre todos os eventos, situações e circunstâncias.

As ações de Deus relacionadas à oração são sempre surpreendentes. Deixam-nos atônitos e como que “fora de si”; parecem-nos loucura e delírio e por fim resultam em alegria e gratidão. Quem é semelhante a deus quando ouve orações de pecadores como nós?

Chama a atenção, que Tiago, um dos companheiros mais próximos de Cristo, foi o primeiro dos apóstolos a glorificar a Cristo com sua morte! Ele era um líder, mas Deus dispõe de nós como acha melhor, e, o nosso maior privilégio, é estar no centro de sua vontade trabalhando por pouco tempo ou por muito tempo.

Achamos um desperdício enviar alguém para m campo missionário perigoso para depois recebermos a notícia de sua morte. Como podemos medir o chamado de Deus na vida de seus servos? Tiago ouviu e presenciou tantas maravilhas quando esteve com Cristo que, para nós, deveria ser poupado de uma exposição mais excessiva que o colocasse em perigo. Mas viver o evangelho não é assim. Somos um exército de iguais sem hierarquia de precaução.

Sempre estaremos na linha de frente quando Deus decidir nos colocar lá. Viver ou morrer não são variantes relevantes para quem vive ou morre pela promessa da vida eterna garantida no sangue derramado de Jesus Cristo numa cruz por nós.

Nossa vida e nossa oração será sempre viver para Deus e morrer para Deus! Confiaremos sempre no seu direcionamento para nossas vidas.
Com amor, Pr. Helio.


domingo, 30 de abril de 2017

Atos 11 = Cristãos!

Antigo Mosteiro de São Simão - Antioquia da Síria

®   Atos 11: Cristãos!
Rev. Helio de Oliveira Silva.

A igreja não está imune às influenciais culturais, raciais e econômicas de seu tempo. Ela tem de lidar com tudo isso e manter seu testemunho fiel a Cristo. A conversão da família de Cornélio narrada no capítulo anterior trouxe novamente suspeita e dificuldades dentro da igreja de Jerusalém. Havia na igreja grupos que defendiam suas ações cristãs a partir de sua raça, cultura e condição, por isso questionaram a ação de Pedro em Cesaréia. Todavia, o testemunho ordenado de Pedro apaziguou o coração da igreja em Jerusalém demonstrando que a ação de Deus por meio do Espírito Santo supera todas essas coisas. Raça, cultura, economia, status social; tudo isso deve se submeter à proclamação da boa nova salvadora do Evangelho. Sem ignorar essas coisas, o evangelho as reorganiza para o serviço cristão.

Nesse contexto acontece a plantação da igreja gentílica de Antioquia da Síria. Os plantadores dessa igreja não vieram de Jerusalém, mas de Cirene e Chipre. Logo, a proclamação do evangelho e a plantação de igrejas não é uma questão de hegemonia ou hierarquia, mas da “ocasionalidade” da graça, ou seja, nem sempre é a estratégia que determina a ocasião e o investimento, mas é a ocasião que define a oportunidade, a estratégia e o investimento! Embora uma coisa não exclua a outra, nem uma nem outra devem ser superestimadas e nem subestimadas, mas avaliadas em conjunto. O que determina o surgimento e o crescimento de uma igreja é a ação de Deus na vida daqueles que foram transformados pelo evangelho e o testemunham por passam e escolhem viver.

Os apóstolos enviaram para ver as coisas um conterrâneo dos fundadores, Barnabé, natural de Chipre (At 4.36). Ele sonda, se alegra, trabalha e busca ajuda apropriada. Interessante ele se lembrar de Saulo depois de alguns anos! (Gl 1.17-24). Como é bom saber que Deus não deixa no esquecimento aqueles que Ele quer usar, por isso, busca-os onde estiverem!

O fruto do pastoreio por meio do ensino correto produz mobilizações, ativa o testemunho e provoca reações. Agora temos alcunha, somos “cristãos”, ou melhor, “pequenos cristos”. Não importa se é pejorativo ou vise desdenhar da fé, o fato é que cai bem para aprendizes comprometidos com o seu professor. Ser chamados de cristãos nos liga diretamente àquele em quem cremos e que nos salvou perdoando os nossos pecados. Ser um “pequeno cristo” é um privilegio visto do ponto de vista de quem se rendeu ao salvador que carregou sua cruz por nós!


Lucas termina esse capítulo falando de fome e de socorro. A medida de nossa participação no socorro e na comunhão com outros cristãos são as nossas posses (11.29). E quem recebe e administra os donativos são os presbíteros da igreja (11.30). Esse evento aconteceu no tempo do imperador Cláudio (41-54 dC) e de Herodes Agripa I (41-44 dC) [11.28 e 12.1]. A igreja vive na história e participa dela ajudando como pode em obediência ao mesmo amor divino que a conquistou e lhe deu o exemplo, isso é o que nos faz ser cristãos (Jo 3.16; 1 Jo 4.19). 

Com amor, Pr. Helio.

Atos 10 = Prontos Para Obedecer

Aqueduto de Cesaréia de Filipe

®   Atos 10: Prontos para Obedecer.

Deus prepara as circunstâncias e as pessoas (v.33); ele realiza a sua própria obra a seu próprio modo. Ele prepara os que vão ouvir e os que vão falar. Na plantação de igrejas, os métodos considerados mais eficazes empalidecem quando a graça é derramada irresistivelmente. Quem conhece o Deus da Bíblia e de Jesus Cristo já aprendeu que o improvável ou o impossível são parte de uma linguagem apenas nossa, não dele. Não barreiras para o seu santo intento de salvar pecadores, pois seu evangelho penetra o impenetrável (Hb 4.12).

Pode haver confusão da nossa parte a princípio, mas Deus mesmo se encarrega de acertar as coisas e ensinar a correção de sua Palavra. Ele não faz acepção de pessoas (v.34), por isso devemos atender o seu chamado prontamente (v.29). O Evangelho não é um produto que controlamos, pois ele é que deve nos controlar; levando e trazendo; ouvindo e falando, alcançando e salvando. Critérios como fatores populacionais; densidade demográfica, índice de desenvolvimento humano (IDH), riqueza, pobreza; periferia ou centro urbano, embora possam ser considerados, não podem ser absolutamente determinantes na evangelização. A razão para isso é muito simples e biblicamente clara. Cristo não agiu assim e seus discípulos também não.

Em Cesaréia, o evangelho rompe finalmente a barreira racial entre judeus e gentios. Essa é a razão porque a experiência do dom de línguas é igual: A unidade da igreja ultrapassa toda e qualquer barreira racial. A experiência é a mesma de Atos 2 porque o evangelho é o mesmo, não foi modificado. Mais uma vez o foco é a morte e ressurreição de Cristo, que quebra as barreiras e estabelece a paz (v.36) fazendo a unidade.

O evangelho diz respeito a Jesus de Nazaré, cheio do poder do Espírito Santo, que andou por toda parte fazendo o bem e curando os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele (v.38). Nós somos suas testemunhas, para dizer ao mundo que Deus o constituiu juiz de vivos e mortos (v.42) e que, por meio dele, todo aquele que crê recebe o perdão de seus pecados (v.43). Não cabe a nós escolher nosso público, pois Deus nos mandou pregar ao povo (v.42); não cabe a nós decidir quem pode ou não pode ouvir; não cabe a nós decidir culturalmente ou estrategicamente as nossas próprias prioridades. Ele mandou pregar e nós devemos prontamente obedecer.

Com amor, Pr. Hélio O. Silva.


sexta-feira, 28 de abril de 2017

Amós



Amós.
Helio O. Silva – 28/04/2017

La vem o tosco, eles dizem,
Com suas palavras deselegantes
Com seu jeito roceiro de ser.
Vestindo roupas simples, que não gostamos.
Falando de coisas que não queremos para nós.
Por que você não vai embora,
Vá profetizar em outro lugar!

Lá vem o homem do interior, eles comentam,
Tentando nos convencer
Com suas palavras apressadas,
Com seus gestos que nos assustam,
Colocando prumo em nossas ações.
Por que você não volta?
Vá profetizar em outro lugar!

Lá vem o homem com suas pregações,
Fazendo doer nossos ouvidos,
E tremer nossos corações;
Rugindo como um leão fora de seu lugar.
Vá embora fera desgarrada,
Vá profetizar em outro lugar!

Lá vem o trombeteiro anunciando a guerra
Como se não tivéssemos outros interesses.
Como se não buscássemos a Deus!
Como se não vivêssemos em paz.
Vá embora tosco!
Vá pastorear em outro lugar!

Lá vem o conspirador, eles murmuram,
Ele nos faz sofrer com suas palavras,
Ofendendo nossa gana e nossa prosperidade!
Acusando-nos de reter o pão do necessitado.
Foge daqui, ó vidente,
Não te serviremos nossos manjares,
Volte para o interior,
Come ali o seu pão
E ali profetiza o seu sermão!

Quem rejeita o profeta que Deus envia
Rejeita a Palavra do Senhor.
Quem constrói sua piedade sobre a areia
Não verá o edifício que Deus edifica.
Quem se ilude com seu próprio conforto e conveniência.
Não entrará no Tabernáculo que Deus reconstruirá,
Mas será cativo de suas próprias palavras e ações.
Quando rugir o leão,
Quem não estremecerá?


quarta-feira, 29 de março de 2017

Atos 9 = Por Que me Persegues?


Estátua de Paulo em frente a Laura Chapel of St. Paul (Bab Kisan) em Damasco. Essa foi a rota de Paulo quando fugiu de Damasco (Atos 9.25).

®   Atos 9: Por que me persegues?

Como é possível conhecer tanto das escrituras e não conhecer o Senhor? Como é possível ser religiosamente consagrado e ainda assim permanecer na perdição? Como é possível perseguir a verdade tentando servir à própria verdade? Talvez, a pergunta do Senhor a Saulo gravite em torno dessas ponderações. Saulo respira ameaças contra o evangelho e movido por elas o persegue. Seu zelo religioso é a prova de que os méritos não só não nos salvam como podem nos afastar ainda mais dela!

Saulo não conhecia o Evangelho dentro da Lei, e, por isso, não conhecia a salvação pela graça somente. Muitos acreditam que a relação do evangelho com a Lei nas Escrituras é antagônica: Lei X Graça. Entretanto o ensino correto das escrituras é outro: Lei e Evangelho. Eles não se anulam, nem competem entre si por nossa salvação. Eles são complementares. Lei e Evangelho se completam a nosso favor. O propósito da Lei era prioritariamente apontar o evangelho e tornar clara a nossa necessidade de um mediador perfeito, sem pecado, aprovado por Deus. Esse mediador é Jesus Cristo, o único nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4.12; Jo 14.6). A salvação sempre foi pela graça somente, tanto na dispensação da Lei quanto na dispensação da graça.

Quantos andam como Saulo nas igrejas contemporâneas! Todavia, A graça quebra irresistivelmente qualquer grilhão que escraviza; qualquer um! O Evangelho faz do perseguidor, perseguido por amor a Cristo; traz ao paralítico uma nova esperança e devolve à vida quem já estava morto. A conversão do perseguidor, a cura do enfermo crônico e a ressurreição da serva, são milagres inexplicáveis, incompreensíveis, mas igualmente maravilhosos! Não posso perseguir nem negar um evangelho assim, só abraçá-lo e proclamá-lo.

O caminho de Damasco pois fim à insolência e à ignorância blasfematória de Saulo. Depois disso, por vários séculos, aquele caminho representou o caminho da mudança e da conversão. Hoje, muito tempo depois, o caminho de Damasco é a caricatura da desolação e de novo se tornou o caminho da insolência, da blasfêmia e da ignorância.

A Síria clama pela experiência da conversão e da mudança. Ela precisa de novos missionários que atravessem aquela estrada outra vez. Para levar o perdão ao coração de pessoas que nasceram e cresceram longe do evangelho e da graça; que foram educadas desde pequenas a odiar o evangelho e seus seguidores.

A Síria precisa se tornar novamente a porta pela qual o Evangelho brilhará no oriente médio outra vez. Ore por isso, viva para isso!

Oração: 
Senhor, suplicamos o teu favor pela Síria e seu povo. Rogamos que tu ponhas fim à guerra, ao ódio e à exploração do pobre e necessitado. Pedimos que teu evangelho alcance aquele povo outra vez e que o Senhor nos desperte para sermos teus instrumentos para que isso aconteça. Pedimos-lhe que a experiência de Saulo se repita naquele caminho várias vezes e com muitas pessoas que transitam por ali.
Desperta-nos como despertaste a Saulo. Converta-nos como o converteste; convença-nos como o convenceste e usa-nos como o usaste. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Atos 8 = Perseguição e Integridade



®   Atos 8: Perseguição e Integridade.

Lucas traçou um plano bem definido para organizar o seu relato da história inicial da igreja para seu amigo Teófilo (1.1). Ele subdividiu a narrativa em três partes bem distintas: O evangelho em Jerusalém (1-7); O evangelho na Judeia e Samaria (8-12) e o evangelho até aos confins da terra (13-28). Os versos um a quatro são uma conclusão necessária da primeira parte e uma transição adequada para a segunda seção de Atos (8.4-12.25). Também introduz uma personagem muito importante na história da igreja: Saulo. Saulo inicia a sua jornada como um insolente perseguidor da igreja (1 Tm 1.13), mas a terminará como uma de suas mais fiéis testemunhas.

A perseguição em Jerusalém propiciou a evangelização do resto da Judeia e de Samaria. A igreja sempre enfrenta dois inimigos persistentes: Perseguição e a fé hipócrita, movida por interesses, como a de Simão, o mágico. A perseguição é um inimigo externo, mas a hipocrisia é sempre um inimigo interno, a perseguição prova nosso valor, mas a hipocrisia, prova a nossa integridade.

O valor da fé é fortalecido na perseverança e na paciência com que enfrentamos o sofrimento. Atravessar provações firmes na fé aumenta nossa maturidade e esperança (Rm 5.3,4). A integridade expõe transparentemente a força vibrante da fé verdadeira. Sem integridade nosso testemunho não tem nem força e nem valor!

A integridade é espelhada no ministério cristocêntrico de Filipe. Ele é ousado, atuante, sem ser ativista; e fiel à palavra sempre. Na evangelização do Eunuco etíope, Filipe começa por Isaías e apresenta o evangelho de Cristo com segurança e precisão. Mas o contexto também mostra que o único foco de seu ministério é anunciar a Cristo.
Chama a atenção, mais uma vez, o ministério evangelístico de um diácono. Embora o ofício diaconal não tenha como exigência o ensinar, o testemunhar e o evangelizar não lhe são subtraídos. A diaconia não é apenas serviço social misericordioso, é também proeminentemente evangelístico!

Na história e na vida da igreja, todos são missionários e por isso todos devem evangelizar. A evangelização tem dois fatores básicos, a proclamação da palavra e o testemunho. Testemunhar é falar o que Cristo fez por nós e como nos conquistou pessoalmente para o Evangelho. Proclamar é ensinar e explicar a Palavra para que entendam o evangelho que salva. Testemunho e proclamação andam juntos. Experiência real com Deus associada ao conhecimento e estudo da palavra estão unidos na evangelização, no anúncio da boa nova de salvação para todo aquele que crê (Jo 3.16) e que recebeu a Cristo como Senhor de sua vida (Jo 1.12).

Com amor, Pr. Hélio.


sábado, 18 de março de 2017

Aula 6 = Entendendo a Luta do Seu Coração


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Igreja Presbiteriana Jardim Goiás – Classe de Casais – 1º Semestre-2017
Rev. Hélio O. Silva e Sem. Marcos Rosa Oliveira.
Aula 6 = Entendendo a luta do seu coração
Instrumentos Nas Mãos do Redentor – Paul David Tripp, Nutra, p.111-135 = 19/03/2017.
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Texto para leitura: Tiago 4.1-10.
Introdução:
O conflito é um dos principais efeitos da queda e não precisa muito para incitá-lo. Às vezes nos tornamos matadores profissionais dentro de nossas próprias casas. Mesmo quando nos apresentamos para conciliar conflitos na família, percebemo-nos nos tomando partido ou abrindo uma nova frente de tiro ao alvo.
         Os conflitos podem ser rixas insignificantes ou guerras declaradas. Muitas vezes se alimentam de ou alimentam amargura e ira. A verdade bíblica cristalina é a de os conflitos começam no nosso coração (Tg 4.1-10).

1. A origem dos conflitos é o coração.
Nós costumamos procurar a origem dos conflitos nos lugares errados. Como pecadores somos melhores em promover a guerra do que a paz. Tiago nos ensina que nunca entenderemos nossa ria olhando para fora e culpando os outros. Temos de olhar para dentro, para dentro de nossos corações. Para entender nossa ira temos de sondar nosso próprio coração (Lc 6.45).
As mesmas situações e os mesmos relacionamentos não deixam todas as pessoas iradas da mesma forma. O trânsito ruim ou o tagarela causam reações diferentes em diferentes pessoas. O que determina as reações diferentes e até adversas é como o coração recebe e trata dessas variadas situações que vivemos.

2. Um exército de desejos num mundo em guerra.
O foco de Tiago 4 não é apenas o coração, mas os desejos do coração. Há uma relação direta entre o conflito e o desejo do coração; entre o que queremos e o que desperta nossa ira.
Os desejos precedem, determinam e caracterizam tudo o que fazemos. Desde quando acordamos até deitarmos para dormir. No trabalho, nos relacionamentos, nas conquistas e derrotas eles estão lá. Até quando adoramos eles nos conduzem de forma falsa ou verdadeira. O desejo está na base de cada palavra, ação ou sentimento irados. Examinar nossos desejos é a única forma de entendermos nossa ira.
         Entendamos o ensino de Tiago.
a. Tiago não ensina que é errado ter desejos. Deus também deseja e o desejo molda nossos propósitos assim como molda os de Deus.
b. Tiago não coloca a palavra “mal” antes da palavra “desejo”. “Os desejos militam em nossa carne”. Tiago afirma que há uma guerra dentro de nós antes de ela existir fora de nós. A guerra que existe dentro de nós é para determinar o que controlará nosso coração. O que controlar o coração, controlará nossas vidas.

3. O duelo de reinos e o caos nos relacionamentos.
         Nossos desejos fazem guerra entre si e todos lutam contra Deus pelo controle de nosso coração. Nós desejamos estabelecer o nosso próprio reino à parte do reino de Deus.
         Os conflitos surgem entre nós dependendo de como os outros contribuem ou atrapalham a realização de nossos desejos. O problema verdadeiro não é o outro, mas como ele se encaixa em nossos desejos. Nossos desejos podem ser tanto errados quanto desordenados. Desejos desordenados que governam o coração abrem as portas para que cometamos pecados uns contra os outros. A ira não é causada pelas pessoas, mas por nossas reações aos desejos do coração que não se cumpriram. A nossa guerra contra as pessoas é almentada pela nossa guerra interior onde os desejos lutam entre si e contra Deus para governarem nosso coração.

4. O adultério espiritual e a ira contra as pessoas.
         Tiago chama essa atitude de “adultério”. Adultério é dar a outro(a) o amor prometido a alguém. Os conflitos humanos estão enraizados no adultério espiritual. Nosso principal problema não é o pecado dos outros ou as situações difíceis, mas é dar o amor prometido a Deus a outras coisas. Nós deixamos de adorar o criador para adorar a criação (Rm 1.25).
         Quando nosso coração é governado por desejos, nossa relação com Deus e com o próximo é afetada diretamente. Desejos que governam o coração afetam nossas orações e como enxergamos a Deus. Governados por desejos passamos a tratar a Deus como um garçom para nos servir e não um Pai que tem autoridade sobre nós. Como conversamos com um garçom? Como conversamos com o nosso Pai que é Deus? Se Deus é um garçom, a oração se trona um cardápio de desejos.

5. Uma graça zelosa.
         Tiago revela que não batalhamos sozinhos, mas temos o reforço da habitação do Espírito Santo em nós. Deus nos ama demais para deixar outros nos governarem e escravizarem.
A principal arma de Deus para vencer nossos desejos é a sua graça zelosa. Veja Tito 2.11-14. A graça agiu no passado, salvando-nos; age no presente, educando-nos; agirá no futuro glorificando-nos.

6. A conquista do coração.
         Nossos desejos nos aprisionam, a graça nos salva e liberta. Nossos desejos se tornam maus quando são aprisionados pelo pecado e por ele governados. Muitos desejos não são maus em si, mas governados pelo pecado eles se inclinam para o mal.
Desejos desordenados se tornam exigências e depois necessidades. Dessa forma sevem ao pecado que habita em nós. Ansiamos desesperadamente por aquilo de que não precisamos muitas vezes.
Nós confundimos desejos com necessidades. Isso gera expectativas irreais para com os outros que azedam nossos relacionamentos.

7. A humilde limpeza do coração.
         Qual a solução proposta por Tiago?
A. Humilhação na presença de Deus, ou melhor, arrependimento reverente.
B. Limpar o coração. Toda reconciliação começa com a purificação do coração.
Tiago nos mostra que não possível praticar o segundo grande mandamento sem praticar o primeiro! Sempre que tivermos que nos reconciliarmos com alguém temos de começar nos reconciliando com Deus. Problemas de relacionamento tem sua raiz em problemas de adoração. Veja Tiago 5.13-26.

Aplicações:
1. Paixões e desejos poderosos competem com a graça de Deus e a presença do Espírito Santo em nossas vidas. Quem anda no Espírito nunca satisfaz os desejos da carne.

2. As duas realidades.
®  Há uma guerra sendo travada em nosso coração, mas também Deus habita em nós por seu Espírito. O que governa o meu coração moldará minhas respostas às lutas e às bênçãos; às vitórias e às derrotas de nossas vidas.

®  A outra realidade é nossa união com Cristo, que é vital, eterna e inquebrável. Ele é o nosso redentor, mas também é o nosso mediador e intercessor.

sábado, 11 de março de 2017

Tito 1.5 = A Necessidade de Ordem na Igreja


Introdução:
         Tenho aprendido ser importante falar sobre o governo da igreja e seus ofícios fora do período de eleições eclesiásticas e creio ser uma urgente necessidade trazermos esse assunto para os púlpitos das igrejas para ser ensinado com mais profundidade a fim de instruirmos os presbiterianos sobre o tema e as razões bíblico-teológicas e pastorais ligadas a ele, por crermos ser essa a forma bíblica do governo da igreja.
         Há um abismo de desinformação e má formação por parte da liderança da igreja que podemos colocar em risco a integridade da própria proclamação do evangelho.
         A integridade do Evangelho é a razão de Paulo ensinar tanto a Timóteo como a Tito sobre o governo da igreja e as exigências divinas para o episcopado.

Contexto:
         Paulo deixou Tito em Creta com o propósito de organizar a igreja da ilha. Paulo estava a caminho de Nicópolis, na costa da Grécia com o desejo de passar o inverno ali.
         A razão disso era que assim como advertiu a Timóteo contra os falsos mestres judaizantes na primeira epístola que lhe escreveu (1 Tm 3), também o faz a Tito (Tt 1.10-16).
Paulo mostra que a mesma graça que confere a salvação, conduz à vida piedosa e sustenta a nossa esperança na volta de Cristo. Quem é regenerado pelo Espírito Santo vive uma vida de santidade já neste mundo; “os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras” (Tt 3.5-8).
O papel dos presbíteros é ensinar pela vida e pela palavra como se deve viver a vida piedosa na igreja.
Paulo mostra na epístola a Tito que há duas razões fundamentais para a existência de presbíteros na Igreja: A primeira é a necessidade de organização (v.5). A segunda é a presença na igreja de insubordinados, falsos mestres gananciosos e impuros e descrentes (v. 10-16).

Proposição:
         Paulo instrui a Tito quanto à necessidade de ordem nas igrejas de Creta. Há três ensinos básicos que precisamos observar quando à ordem no governo das igrejas locais:

I) Por em ordem as coisas restantes.

®   Ordem é organização.
®   Organização é tanto administração coerente com as escrituras como pastoreio sadio na fé.

Qual a base da organização do sistema presbiteriano de governo?
São seis fundamentos:
1. Cristo é a cabeça e a origem do governo da igreja (Ef 4.15; Cl 1.18).
2. O governo é constituído por meio de eleição (At 1.15-26; At 6.1-6; 14.21-23).
3. O governo é plural e representativo por meio de presbíteros qualificados (At 6.1-6; At 14.21-23; At 15; 1 Tm 3; Tt 1).
4. O governo é composto com o auxílio de diáconos (At 6.1-6; 1 Tm 3.8-13).
5. O governo é investido de autoridade através da imposição de mãos (At 6.6; At 13.3; 1 Tm 4.14; 2 Tm 1.6).
6. O governo estabelecido em concílios (At 6.2; At 15.3,6,22,23,28, 1 Co 5.4).


II. Constituir presbíteros em cada cidade.

Presbítero = ancião. Bispo (epíscopo – v.7) = superintendente, administrador.
No Judaísmo eram líderes mais idosos e experientes dentre o povo.
Na igreja = designação da liderança pastoral e administrativa da igreja.

A Igreja presbiteriana faz uma distinção entre presbíteros docentes e presbíteros regentes, não como subdivisões do ofício de presbíteros, mas como dois ofícios diferentes.
Veja como o assunto é abordado na Constituição da IPB:
Art.25 - A Igreja exerce as suas funções na esfera da
doutrina, governo e beneficência, mediante oficiais que
se classificam em:
a) ministros do Evangelho ou presbíteros docentes;
b) presbíteros regentes;
                          c) diáconos.[1]
A base bíblica para isso é encontrada em 1 Timóteo 5.17 onde é dito do presbítero que administra bem e do que se afadiga na palavra.
Calvino encontra base para essa distinção no exercício dos dons espirituais em Efésios 4.11 e Romanos 12.8ss. Ali ele define como “ofício” o exercício dos dons no ministério ordinário da igreja.[2]
Essa distinção, no entanto, não deve ser vista de modo rígido, mas fluida. Porque uma exigência para o presbiterato é a capacidade de ensinar, que deve estar presente tanto num quanto noutro. A docência também participa do governo, pois o conceito de autoridade bíblica é diferente da secular.
No conselho, não pode haver nem preeminência nem hegemonia de um ofício sobre o outro, mas ambos são iguais. Calvino alerta que o conceito de “hierarquia” não cabe nas definições dos ofícios da igreja.[3]
O que significa a representatividade dos presbíteros e pastores nas escrituras?
1. Não existe diferenciação entre clérigo e leigo – ambos foram ordenados da mesma forma para o pastoreio da igreja.
®   Não existe hegemonia.
®   Não existe hierarquia.
®   Existem dons e funções a serem exercidos como ofício.

2. Ambos são eleitos pelo povo para representarem a Deus sobre ele e não o oposto.
®   Os pastores devem aprender a aceitar o método de eleição.
®   Os presbíteros não podem manipular as eleições conforme sua conveniência.

3. Embora haja distinção entre docência e regência ambos devem combinar no pastoreio da igreja.
®   Supervisionar, ser modelos e pastorear (1 Pe 5.1-5).
“seu ofício é supervisionar a vida de cada pessoa para admoestar amigavelmente os que eles veem que estão errando ou vivendo uma vida desordenada.”[4]
Bannerman aponta para o fato que a diferenciação entre a regência e a docência tem origem no Antigo Testamento onde a figura do ancião que governa era distinta dos presbíteros que ensinam, podendo ser inferida da distinção feita por Paulo em Romanos 12.7,8 entre o que prega e o que preside.[5]

®   Pastores não são empregados da igreja e nem os presbíteros são seus patrões. Mas ambos governam a igreja em concílio em nome de Cristo e para a sua glória somente.
®   O conselho não é formado por presbíteros presididos por um pastor. Pastores e presbíteros formam o conselho. Não existe conselho sem um ou sem os outros. Agir de forma diferente é agir de forma ilegal perante a IPB.

III. Conforme o prescrito.

Atos 14.23 :
®   Por meio de eleição.

A palavra empregada por Lucas para eleger é ceirotonhsantej (part. Aor. At.). Aparece apenas 2 vezes no Novo Testamento (At 14.23; 2 Co 8.19). Significa literalmente “eleger pelo erguer das mãos”.[6] Comentaristas episcopais insistem que essa eleição dos presbíteros não passou de uma indicação feita por Paulo e Barnabé. Mas essa interpretação não tem o apoio do significado claro da palavra em 2 Coríntios 8.19, onde significa “eleger pelo voto de todos”.
“O verbo propriamente denota "estender a mão"; E como era costume de eleger para o cargo, ou para votar, esticando ou elevando o braço. então a palavra significa simplesmente "para eleger, nomear ou designar a qualquer um”. A palavra aqui se refere simplesmente a uma "eleição" ou "nomeação" dos mais velhos. Diz-se, com efeito, que Paulo e Barnabé fizeram isso. Mas provavelmente tudo o que se quer dizer é que eles presidiram a assembleia quando a escolha foi feita. Isso não significa que eles os nomearam sem consultar a Igreja; Mas evidentemente significa que eles os nomearam da maneira de se nomear os oficiais, pelo sufrágio do povo”.[7]
Tanto os presbíteros quanto os pastores devem ser eleitos pela igreja; ainda que nossa CI/IPB[8] faculte aos Conselhos a prerrogativa de convidá-los anualmente.

®   Com oração e jejuns.
Calvino diz nas Institutas que a igreja antiga levava esse assunto da eleição tão a sério que oravam e jejuavam por isso.[9]
Por isso é ao mesmo tempo triste e vergonhoso ver a presença de menos de 50% dos membros da igreja presentes nas Assembleias convocadas para as eleições dos oficiais da igreja!

®   Encomendando-os ao Senhor.
Isso era feito com imposição de mãos dos demais presbíteros (Atos 13.3). Um rito simples e feito com muita seriedade, pois não devia haver imposição de mãos realizadas com precipitação (1 Tm 5).

O ensino de Calvino quanto a isso:
As quatro questões ou “elementos” apresentados a seguir, definem o modo prático de reconhecer e praticar a vocação divina no governo da igreja.
1. Como devem ser os ministros.
2. Como devem ser escolhidos.
3. Quem deve escolhê-los.
4. Que rito ou cerimônias há de iniciá-los.
         A explicação de Calvino de cada uma delas é ao mesmo tempo bíblica, prática, pastoral, convincente e apologética, visto que não só estabelece uma ordem bíblica para o governo da igreja como previne e denuncia os desvios da Palavra de Deus perpetrados pela ambição, avareza e cobiça incentivando o temor a Deus e a edificação da igreja (Inst. IV.III,11).[10]
1. Como devem ser os ministros? Partindo de 1 Timóteo 3.1 e Tito 1.7 resume as exigências bíblicas a que sejam “homens de boa doutrina e vida santa”, nunca ineptos ou incapazes.

2. Como devem ser escolhidos? A escolha dos ministros (e dos presbíteros) acontecia com a prática de jejuns e orações (At 13.1-3; At 14.23). A razão disso era o fato de a escolha dos ministros ser “o mais sério dos assuntos” da igreja.

3. Quem deve escolhê-los? Os membros da igreja por meio de eleição. Calvino afirma: “Que a vocação legítima de um bispo exija ser eleito pelos homens ninguém de bom senso contestará, posto que haja numerosos testemunhos da Escritura” (Inst. IV.III,14),[11] citando para esse fim Atos 1.23; Tito 1.5 e Atos 14.23. A forma de constituir presbíteros nas igrejas é por meio do voto; “a multidão toda, erguendo as mãos, indicou a quem queria” (Inst. IV.III,15).[12]

4. Que rito ou cerimônias há de iniciá-los? Calvino diz simplesmente que era por meio da “imposição de mãos”, realizada exclusivamente pelos pastores e nas Ordenanças Eclesiásticas acrescenta “providenciando para que ela ocorra sem superstição e sem afronta”.[13]

Aplicações:
1. Não há nenhum motivo justo para nos envergonharmos da forma de governo adotado e praticado pela IPB. Pelo contrário, seus fundamentos são solidamente bíblicos.

2. O assunto do governo da igreja é mais amplo que o geralmente abordado nos períodos preparatórios das eleições eclesiásticas.

3. Muitos erros nos conselhos têm sua origem na superficialidade de nosso conhecimento da forma de governo bíblica, permitindo influências externas ao conciliarismo.

4. Precisamos reconhecer que temos dado mais valor às questões de conveniência que às questões bíblicas quanto ao governo da igreja.


Frase Final: Tomemos a resolução de tratar essa questão com mais seriedade daqui para a frente para a glória de Deus e para o bem da igreja!


[1] Manual Presbiteriano. CI/IPB Art 25, p.18.
[2] Calvino. Institutas IV.III.4-7.
[3] Calvino. Institutas IV.IV.4.
[4] Ordenanças Eclesiásticas, 2008,  p.190. Hélio O. Silva. Os Ofícios da Igreja, p. 24.
[5] BANNERMAN, James, A Igreja de Cristo, v. 1 e 2. São Paulo, Os Puritanos, 2014; p. 758,759. Hélio O. Silva. Os Ofícios da Igreja, p. 25.
[6] Fritz Rienecker & Cleon Rogers. Chave Linguística do Novo testamento Grego, Vida Nova, p.219.
[7]A. Barnes. Barnes’ Notes on the Bible, Vol.13 – Acts - Romans, THE AGES DIGITAL LIBRARY COMMENTARY. p. 403. (minha tradução- trad. Eletrônica).
[8] CI/IPB Art. 30 a 49 p.19-24.
[9] Calvino. Institutas Livro IV.III,12.
[10] Institutas  IV.III,11, 2009, p.509.
[11] Institutas IV.III,14, 2009, p.510.
[12] Institutas IV.III,15, 2009, p. 511.
[13] CALVINO, João. Ordenanças Eclesiásticas Esboço 1541. In:  FARIA, Eduardo Galasso. João Calvino – Textos Escolhidos,  São Paulo: Ed. Pendão Real;  2008, p. 186.
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