O Bom pastor e seus comentários

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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

13 = 2 Pedro 2.10-22 - a Nulidade dos Falsos Mestres



Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Fortalecendo a Fé dos Cristãos
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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13 = 2 Pedro 2.10-22 – A Nulidade dos Falsos Mestres.                    (21/11/2012)
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Introdução:
O Dr. Lloyd-Jones saltou esse parágrafo em sua série de exposições em 2Pedro. Esse esboço visa suprir essa lacuna deixada por ele.
Pedro abre um grande parêntesis para especificar detalhes do comportamento dos falsos mestres.

I.         os falsos mestres seguem os ditames da carne (v.10-17).
Pedro vai direto ao ponto ao colocar a carne (natureza humana pecaminosa) como a raiz motivadora das ações dos falsos mestres. No fundo, eles sempre procurarão agradar a si mesmos e não a Deus com as suas idéias e práticas. Eles são movidos por paixões carnais e não por amor ao evangelho e à igreja.

a)      Comportam-se de modo insolente para com as autoridades superiores (v.10,11).
®    Atrevidos e arrogantes.
Atrevimento é uma ousadia impensada que desafia os superiores, enquanto que a arrogância é a obstinação firme no propósito de agradar a si mesmo custe o que custar. Essa postura é baseada na falta de temor de seus corações. Essa atitude se volta contra a liderança eclesiástica fiel, que sempre é a primeira barreira contra a entrada do falso ensino na igreja,
®    Menosprezam qualquer governo.
®    Difamam autoridades superiores.
Menosprezo e difamação é a estratégia para minar a autoridade. Absalão fez isso com seu pai Davi a fim de lhe tomar o governo de Israel. Funciona até que as verdadeiras intenções são desmascaradas pela palavra de Deus.

b)     Nem os anjos fazem assim! (v.12)
®    Maiores em força e poder.
®    Não proferem juízo infamante na presença do Senhor.
Os anjos não contra as autoridades superiores a eles, ou seja, não difamam a Cristo o Seu Senhor jamais. Pode ser também que eles não difamam àqueles que Deus deu autoridade aqui na terra.

c)      Falam mal daquilo em que são ignorantes (v.12).
Eles são irracionais e confundem sua própria excitação com a plenitude do Espírito Santo. A ação do Espírito é reconhecida na renovação moral e não em manifestações exteriores de liberdade espiritual! Como a graça não alcançou o seu coração seus ensinos nunca expressão o verdadeiro significado da graça. Eles blasfemam porque não entendem; eles blasfemam o que não entendem.

d)     Praticam a injustiça (v.13).
Como não reconhecem autoridades superiores não agem com justiça.

e)      Regalam-se nas suas próprias mistificações com luxúria (v.13).
O seu prazer não está na verdade, mas nas suas criações místicas a respeito dela. Pedro interpreta essa atitude como luxúria, a busca pelo prazer próprio a todo custo. Seu prazer está somente em si mesmo, em agradar a si próprio. A palavra traduzida por mistificações é uma referência literal a “festas de amor fingido”, apontando para a deturpação da festa ágape cristã.

f)       Olhos cheios de adultério e insaciedade (v.14).
Pedro os chama de glutões e adúlteros. Têm prazer em festividades onde possam posar de sábios e ganhar homenagens. Pedro liga as questões fisiológicas às espirituais. O alvo de sua insaciedade é o estômago, mas também a capacidade de buscar seguidores que dêem ouvidos às suas inverdades. Imoralidade e gula são associadas ao culto pagão onde Cristo não é reconhecido. Um culto deformado jamais produzirá uma fé reformada! A deformidade de seu caráter é o oposto da perfeição do caráter de Cristo. “A concupiscência frequentemente deleita-se em vestir-se de roupas religiosas” (Michael Green).[1]

g)      Seguem o caminho de Balaão – amam o prêmio da injustiça (v.15,16).
O caminho de Balaão é um caminho de extravio do reto caminho. Balaão ouviu mais a sua própria cobiça que o conselho de Deus. Os falsos mestres treinam a si mesmos e seus seguidores na avareza e pelas coisas proibidas.

h)     Todos receberão a sua justa condenação (v.12).
Nenhum desses pecados ficará sem punição, pois todos estão debaixo da maldição divina.

II.                Os Falsos mestres são escravos da sua própria corrupção (v.17-22).

a)      Uma fé nula – fonte sem água/ névoa impelida por temporal (v.17).
Os dois exemplos representam a improdutividade e a natureza insatisfatória da falsa doutrina. Ela não mata a sede e nem tem a estabilidade de uma nuvem carregada que rega a terra para o cultivo. O ensino falso é uma sensação nas salas de aula, mas uma decepção na vida prática.

b)     Seu ensino é vaidade e engano carnal (v.18).
Palavras jactanciosas são “palavras inchadas”, cheias de oratória, mas sem conteúdo verdadeiro. Sua isca é dupla: linguagem pomposa associada a  licenciosidade. Pregavam uma salvação desvinculada da necessidade de mudança ética. Seu alvo principal são aqueles que acabaram de romper os grilhões do pecado, ou seja, os novos convertidos à fé cristã.

c)      São escravos da corrupção (v.19).
Pedro denuncia os falsos mestres como pessoas ainda escravas do pecado. Eles não são salvos, são apenas pessoas que se uniram à igreja para tirar proveito disso.

d)     Seu último estado espiritual é pior que o anterior (v.20,21).
®    Escapado do mundo – enredados e vencidos pelo mundo.
®    Conhecer o caminho e apartar-se do santo mandamento.
A ilustração de Pedro é que eles não alcançaram a salvação pois ficaram presos nas redes do mundo e da carne, como as sementes que não caíram na terra boa (Mt 13).

e)      Apesar de estarem na igreja, não conhecem a regeneração de Cristo (v.22)
®    O cão que come o seu próprio vômito / a porca lavada que volta para o lamaçal.
Dois exemplos que causam repulsa. Pedro enfatiza a necessidade da mudança na natureza. Não adianta lavar uma porca, pois, por ser porca, naturalmente voltará para a lama após o banho. O cão que gosta de carniça como o próprio vômito! Se a natureza não muda, não houve salvação, é o argumento de Pedro.É preciso ter havido mudança de caráter a fim de a salvação tornar-se manifesta.

Conclusão: Como não cair em sua rede? Capítulo 3.
1.      Apegar-se à palavra da verdade.

2.      Não se deixar enganar pela aparência dos tempos.

3.      Aguardar o juízo divino sobre os falsos mestres e seus seguidores.

[1] Michael Green, 2 Pedro e Judas, Introdução e Comentário, Vida Nova, p.106.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Filemon 12-14 = Bondade Voluntária



Devocional da Família: Boletim da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia - ano XXII - nº 46 - 11/11/2012.

Bondade Voluntária (Filemon 12-14)

“Nada, porém, quis fazer sem o teu consentimento,
 para que a tua bondade não venha a ser como que por obrigação,
mas de livre vontade”. (Filemon 14)

1.     A comunhão abre a porta para resolvermos as coisas.
A comunhão diz que devemos voltar para resolver as coisas, acertar as diferenças, concertar o que foi estragado. Uma das coisas importantes a se levar em conta é que tudo precisa ser feito pessoalmente; olho no olho. Não podemos mandar recados ou representantes, por isso envio Onésimo de volta a Filemon. Por mais difícil que seja enfrentar ou confrontar o outro ofendido ou ofensor; é o certo a fazer.

2.     A comunhão abre a porta para o serviço cristão.
Paulo deseja a permanência de Onésimo, mas sabe que sem o perdão de Filemon ele não lhe será verdadeiramente útil. Paulo sabe que não se brinca com essas coisas. A comunhão cristã é sagrada, porque vem de Deus, e dv ser levada a sério, sem brincadeiras e procrastinações. Paulo reconhece o valor do servo convertido, mas também reconhece o perigo do irmão enfurecido. Um e outro precisam se encontrar e retomar o relacionamento rompido a fim de que ambos possam servir ao Senhor.

3.     A comunhão abre a porta para uma bondade voluntária.
         A beleza da bondade está na sua voluntariedade. Paulo esperava que a bondade de Filemon quanto a Onésimo não fosse por obrigação, mas voluntária. Obrigação por causa de Paulo ter sido o instrumento de sua conversão. Voluntária - para exercitar livremente a sua comunhão.

         A comunhão cristã não vive de exigências, mas da voluntariedade. Exigir é querer controlar, manipular, ter domínio sobre o outro. Bondade é o desejo de repartir. Isso quer dizer que ninguém pode limitar a bondade do outro. Exigir mais para mim, porque vejo que os outros ganharam o mesmo “tanto” é forçar a comunhão e plantar a inveja no corpo de Cristo (Mt 20.1-15).

          Paulo devolveu o escravo porque era o certo, mas deixou a decisão do perdão nas mãos de seu dono. Paulo pratica uma comunhão eficiente. O único que pode promover a reconciliação é Cristo, visto ser Ele o mediador da aliança, da comunhão.

         Comunhão eficiente é aquela que não constrange um em favor de outro, não supervaloriza um e desvaloriza o outro, mas auxilia ambos na aproximação e no reatamento da comunhão pelo perdão.

         Assim sendo, é hora de abrir o coração e não reter o perdão, mas viver a comunhão. Fale com seu irmão(ã); exponha suas queixas de forma clara, mas sem novas ofensas; declare o seu perdão, mas também peça o seu perdão _ ele precisa ouvir!!! Mude suas atitudes. Não fique lamentando conflitos e as atitudes negativas dos outros. Seja positivo, vá até ele(a), converse!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Apocalipse 2.1-7 = O Processo de Revitalização de Uma Igreja


Texto: Apocalipse 2.1-7
Tema: O processo de Revitalização de Uma Igreja
Exposição bíblica proferida no 10º Encontro da Fé Reformada de Goiânia em 08/11/2012.
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Introdução:
Do que estamos tratando afinal quando falamos em revitalização de Igrejas?
ü Revitalização ou Reavivamento?
ü Oportunidades ou Oportunismos?
ü Realizações práticas ou Pragmatismo?
ü Novas estratégias ou saúde da igreja?
ü Teologia ou Metodologia?
         Precisamos nos conscientizar de que o pragmatismo metodológico é perigoso porque leva a exclusões daqueles que Deus não excluiu de seus métodos evangelísticos (o paralítico de Betesta; O leproso de Lucas 5; a viúva de Naim; a mulher hemorrágica e a mulher adúltera).

Todos que já estudaram a metodologia de Paulo sabem que:
®   Ele trabalhava em equipe, mas não aceitava corpo mole (João Marcos).
®   Ele se concentrava em localidades estratégicas, mas para facilitar a difusão da mensagem.
®   Ele procurava uma base de formação social ampla para as igrejas que plantava a fim de ter uma penetração ampla na sociedade.
Nosso texto nos coloca diante de uma igreja plantada segundo e seguindo essa metodologia.

Contexto:
Éfeso era a principal cidade da Ásia, com um porto comercial ativo.
Também era um centro religioso importante. O impacto do Evangelho ali fez com que os novos convertidos queimassem seus livros de artes mágicas.
A Igreja de Éfeso era a mais importante da província da Ásia.
è Fundada por Priscila e Áqüila.
è Tornou-se um centro de formação de liderança. A Escola de Tirano, onde Paulo ensinou por dois anos foi um grande seminário de onde saíram os pastores fundadores de várias igrejas no interior da Ásia (Epafras – Colossos); quem sabe Antipas, morto em Pérgamo não tenha sido formado em Éfeso com Paulo? É possível que Papias, bispo de Hierápolis, possa ter sido um desses também. Provavelmente as sete Igrejas tenham sua base de fundação no ministério missionário de Éfeso.
è Um centro de defesa da doutrina – Foram oponentes firmes aos Nicolaítas (2.6,15).
è Pastoreada, no decorrer dos anos, por Paulo, Timóteo, o próprio João e Onésimo.
è Uma das 5 Igrejas mais importantes da Igreja Primitiva até o quinto século (Jerusalém, Antioquia, Éfeso, Roma e Constantinopla).

À época em que João escreve o Apocalipse, esta Igreja já conta com 40 anos de fundação. Portanto já era uma Igreja bastante amadurecida e experiente.
Ao olharmos para o texto e seu pano de fundo, uma pergunta nos incomoda: Como uma Igreja tão bem assistida, tão madura e experiente, havia se tornado tão mecânica e fria a ponto de entristecer o seu Senhor?

O veredicto lançado por Deus é que ela abandonou o seu primeiro amor (afhkej = indicativo aoristo ativo – uma postura definitiva), iniciando um processo de afastamento contínuo. Eles amavam a Jesus sim, porém, não mais como nos primeiros anos de sua fé. Eles amavam com um amor secularizado
Ao avaliarmos a experiência de Éfeso e de muitas igrejas que chegam à maturidade perdendo o seu vigor inicial, concluímos que são igrejas que precisam de reavivamento ou revitalização!

Proposição:
         Qual a proposta bíblica para a revitalização da Igreja? João aponta três posturas que precisamos seguir.

I. RECONHECER A REALIDADE DA PRESENÇA E DA MANIFESTAÇÃO DE CRISTO EM SUAS IGREJAS (v.1):

a)    Cristo tem as suas Igrejas na mão direita.
è Ele pagou o preço de seu sangue por ela. Ele fez isso por amor, e sempre a amará e dela cuidará.
è O sustento de Cristo é a nossa segurança. Ninguém pode arrebatar-nos de suas mãos. Ninguém pode tirar as ovelhas de suas mãos (Jo 10.28).
Ilustração: Quando éramos pequenos meu pai colocava uma moeda na mão e mandava a gente tomar dele. Depois de muitas tentativas resolvíamos agir em conjunto; alguns seguravam uma mão, outros a outra, e o resto tentavam abrir a sua mão. Era então que ele levantava a mão e não podíamos alcançar mais, pois ficava muito alto para nós. É assim que Deus faz.

b)    Cristo anda no meio dos candeeiros.
Os candeeiros são as Igrejas, logo, o que Cristo diz para Éfeso, vale para todas as demais. O que vale para as igrejas de Goiânia vale também para qualquer igreja desse país!
         Esse andar de Jesus Cristo entre os candeeiros reflete pelo menos duas verdades: Conforto e advertência.
1.     Conforto:
Ele está conosco, bem perto de nós, como prometeu.
è Ele é real – está mesmo aqui, mesmo sendo invisível aos olhos.
è Ele se manifesta e se expressa às suas Igrejas. Não está inerte ou calado.
2.     Advertência:
Sua presença é protetora e também vigilante.
è Não se pode brincar com as Igrejas.  Não se pode brincar de ser membro da Igreja, menos ainda de ser liderança.
è Ele quer melhorar a chama das Igrejas. Com o tempo, os pavios dos candeeiros se consomem e diminui a sua chama. A sujeira do desgaste se acumula e é preciso limpar o pavio.
Quando a chama começa a esmorecer, Cristo se aproxima para reacendê-la, e ele não se importa com os nomes que damos para isso. A percepção da presença de Cristo fortalece a fé e revigora a chama e o trabalho.

II. NÃO PERMITIR QUE AS DIFICULDADES DO TRABALHO CRISTÃO ESFRIEM O
     NOSSO AMOR, TRANSFORMANDO-O EM MERO FORMALISMO v.2-4:

a)    O que Cristo elogia na sua Igreja.
1.     Conheço as tuas obras (erga).
Éfeso era uma Igreja trabalhadora. Havia um ministério ativo e com resultados a apresentar.
2.     O teu labor.
Kopon (Kopon) fala do cansaço do trabalho. Uma Igreja que trabalhava mesmo cansada!
3.     A tua perseverança.
Labor e perseverança estão relacionados como aquilo que qualificava as obras da igreja de Éfeso. Eles eram firmes. Suportaram durante anos provas de muita pressão e oposição ao Evangelho e não esmoreceram. O texto deixa claro que lutavam arduamente contra o ensino errado e essa luta era a fonte de suas provas e também da sua perseverança (v.3,6).
4.     Não podes suportar homens maus.
Eles se preocupavam seriamente com a conduta e o testemunho da Igreja. Tiago 3.8 usa essa palavra (kakoj) aplicada ao mal uso da língua (mal incontido). Ali não havia lugar para as fofocas e mexericos.
5.     Puseste à prova os que a si mesmo se declaram apóstolos ... e os achaste mentirosos.
Eles zelavam pela doutrina correta. No v.6, Jesus aprova seu ódio pelos nicolaítas, que também eram problemas em Pérgamo. Provavelmente se tratava de uma doutrina que envolvesse padrões morais mais liberais. A Igreja de Éfeso os derrotou. Pérgamo não teve o mesmo sucesso e foi repreendida.
         Tanto naquele tempo como hoje haviam pessoas tentando usurpar o título de apóstolos a fim de terem reconhecidas sua autoridade de liderança. Èfeso expôs a público as suas mentiras.
         Todas essas lutas de Éfeso fizeram esfriar o seu amor. A Igreja se cansava em todas as suas lutas e isso fazia com seu culto e fé cristã se tornasse mais frio e seco, mecânico e formal.

b)    O que Cristo reclama de sua Igreja?
A única reclamação de Jesus não tem nada a ver com a doutrina, o zelo, as programações e as lutas de sua Igreja. Ela tem a ver com a sua motivação. A Igreja abandonou o seu primeiro amor. Quando se perde o primeiro amor, logo se perderá também o segundo, depois, o terceiro e até que ele não apareça mais.
Deus não reclama das atividades da Igreja, Deus reclama da motivação, pois quando o amor esfria, fazemos por fazer ou fazemos mecanicamente. Achamos que o que fizemos já o suficiente.
O que significa perder o primeiro amor? Significa perder a alegria de ser crente!
   Cinco Testes Para Saber Se Perdemos o Primeiro Amor:

1º. Quando a obra do Senhor se tornou enfadonha.
2º.  Quando a Oração deixa de ser fervorosa.
3º. Quando a Palavra de Deus deixa de ter autoridade final em nossas decisões.
4º.  Quando não queremos compartilhar o Evangelho com os outros.
5º. Quando seguimos a Jesus Cristo de longe.
As Igrejas vão deixando seu amor esfriar dia a dia, pouco a pouco e nem se percebem disso.

III. LEMBRAR-SE, ARREPENDER-SE E VOLTAR ÀS PRIMEIRAS OBRAS v. 5,6:

Ilustração: Depois de 32 anos de igreja.
ü 1980ss – dons darão vigor à igreja.
ü 1990ss – Reavivamento trará nova vida às igrejas.
ü 2000ss – renovação de estruturas dará novo vigor à igreja (G-12).
ü 2010ss – revitalização renovará e remodelará as igrejas.
O que aprendi nesses 30 anos é que nosso maior inimigo e que nos desequilibra é o pragmatismo metodológico querendo sempre ditar as normas e colocar nas nossas mãos o que depende da graça soberana de Deus. Isso não é uma apologia da inércia e da acomodação, mas é a afirmação da proeminência da graça sobre o nosso jeito de projetar e conduzir a missão!

Todavia, São três princípios bíblicos claros:
1º. Lembrar-se de onde caiu.
Ilustração: Um pastor deu um cheque sem fundos. Um presbítero ficou sabendo e espalhou a notícia. O pastor foi tirar satisfações com o presbítero e o assunto foi parar no conselho da igreja. 2 membros do conselho eram membros da Comissão Executiva do presbitério e o assunto foi parar no presbitério. 8 meses depois uma igreja de 350 membros e a mais rica da região tinha 8 pessoas frequentando seus cultos.

         Sempre que assumirmos a liderança de uma igreja é útil conhecermos a sua história para que duas coisas sejam feitas:
1.     O vínculo da igreja com o passado não seja quebrado.
2.     A igreja seja lembrada de seus erros e acertos para aprender com eles.

2º. Arrepender-se.
Não adianta lembrar se não houver arrependimento. Arrependimento é tristeza pelo pecado cometido e reconhecido; também é a decisão firme de abandonar o pecado e viver pela fé para Deus.
O arrependimento precisa ser pessoal (de cada um) e também coletivo (de todos como corpo de Cristo). João escreve ao anjo da igreja. Todos nós carregamos a igreja conosco, pois uma vez que somos corpo nos beneficiamos da santidade e da pecaminosidade uns dos outros (ex.: José e Acã).

3º. Voltar a praticar as primeiras obras.
         Quais obras são essas?
1.     O testemunho do evangelho da graça na vida e na pregação da igreja.
         O evangelho precisa ser a nossa prioridade, nosso parâmetro e o clímax único da vida de uma igreja.[1]
®   Anunciar a Cristo e sua salvação a todos.
(1) Porque somos salvos da persuasão do pecado – vocação eficaz; 
(2) Porque somos salvos do poder do pecado – regeneração; 
(3) Porque somos salvos da penalidade do pecado - justificação; 
(4) Porque somos salvos da posição do pecado – adoção; 
(5) Porque somos salvos da prática do pecado; 
(6) Porque somos salvos da presença do pecado – glorificação.
®   Focalizar a glória de Deus no evangelho.

2.     A oração perseverante.
®   A oração tem de ter prioridade.
®   A oração deve focalizar nossa dependência e confiança em Deus.
®   A oração deve priorizar o louvor antes que a petição.
®   A oração deve ser feita partindo das escrituras a fim de transformar nossa experiência e não o contrário.

3.     O ministério fiel da palavra.
®   Qualquer método de pregação para ser bíblico precisa anunciar todo desígnio de Deus.
®   A exposição sistemática das escrituras precisa ocupar o lugar de honra no calendário eclesiástico.
®   É preciso respeitar a relação bíblica entre Deus, a Palavra e o pregador.
(1) O homem de Deus vive e fala na presença de Deus. 
(2) Ele vive e fala à luz do retorno de Cristo. 
(3) Ele é diligente na preparação. 
(4) é determinado e paciente. No seu compromisso com a sã doutrina. 
(5) É sério no seu trabalho. 
(6) Seu ministério tem o foco orientado pelas escrituras e a glória de Deus.

4.     Discipulado e Formação de liderança idônea e piedosa.
Atos 14.22,23 determina o papel da boa liderança para a igreja:
(1) Fortalecer a alma dos discípulos (v.22)
(2) Exortá-los a permanecerem firmes na fé (v.22).
(3) Mostrar-lhes a realidade das tribulações na vida cristã (v.22).
(4) Promover a eleição de presbíteros e encomendá-los ao Senhor (v.23).
Somado a isso a liderança serve de modelo para os demais a fim de santificar o nome de Deus no meio do seu povo.
Ilustração: A experiência de Moisés em Números 20.7-13 fala muito alto para ser ignorada por nós. Paulo recomenda a Timóteo ainda, que ele instrua homens fiéis e idôneos para instruir a outros (2 Tm 2.2).
Ilustração: Quantas vezes você pastores e presbíteros aqui presentes já leram a Bíblia toda?

5.     Compromisso com a Missão.
Devemos pregar o evangelho Tanto... Como... E até (At 1.8). Deus não nos deu a opção de fazer só uma coisa e chamar isso de pregar o evangelho. Nosso envolvimento pode maior ou menor, mas não podemos criticar aquilo que não gostamos de fazer por não se acomodar ao nosso pragmatismo eclesiástico!
Todos nós devemos cumprir a grande comissão e levar nossas igrejas a se comprometerem integralmente com elas.
Igrejas murcham e morrem porque perdem de vista a obra para a qual foram chamadas a participar, esquecendo que Deus não deixará faltar o necessário para fazê-lo, esquecendo que ele requererá de nossas mãos os talentos que nos deu!

O primeiro amor pode ser recuperado, se o nosso orgulho tolo de nunca aceitar que erramos, e que não nos deixa voltar, for quebrado pelo arrependimento. Muitas vezes, nós até olhamos para trás, mas tornamos a engolir seco nossas amarguras e mágoas e o pecado permanece intocado e entocado! Assim, o amor esfriará mais e mais!

è Lembra!
O que foi que te afastou de Deus e esfriou o seu amor por Deus e pela Igreja. Que fez com que perdesse o ânimo de trabalhar para Jesus!?
Þ   Foi um pecado.
Þ   Um casamento destruído pelo divórcio.
Þ   Uma decepção com a liderança ou consigo mesmo.
Þ   Uma cobiça não controlada por status ou reconhecimento.
Þ   Um namoro promíscuo que redundou num casamento desequilibrado.
Þ   A inveja do novo convertido.
Responda isso para Deus, onde foi que você caiu?!

è Arrependa-se!
Deixa a tristeza de Deus que não produz pesar (II Co 7.10) invadir o seu coração. Deixa Ele te enternecer por dentro e lavar a sua alma!

è Volta!
Volta a ser como era antes, nos dias da sua conversão a Cristo. Tome uma decisão que vai modificar sua vida e reaquecer sua fé e seu amor por Deus, fazendo brilhar nitidamente a sua luz!
         As primeiras obras são obras expontâneas, voluntárias; aquelas que você faz por amor.

Conclusão: v.6 e 7:
         Se não nos arrependermos, Deus removerá o candeeiro. A Igreja fechará as portas.
Ilustração: A Igreja Presbiteriana de Valdelândia (homenagem ao Ev. Presbiteriano Waldemar Rose).
è Um templo para 200 pessoas, com uma torre vista de longe.
è As pessoas começaram a se mudar de lá.
è Em 1984, a Igreja de Rubiataba, não tendo condições de manter o trabalho, vendeu para a Ig. Assembléia de Deus, que vendeu para uma cerealista, que vendeu para a Igreja Católica.
è No dia 21/11/1995, o templo foi reconsagrado a São Sebastião e várias imagens da Via Crucis foram colocadas lá dentro.
è Quisemos reabrir o trabalho lá em 1995. Havia duas famílias que ainda moravam lá. No dia do culto de reinicio dos cultos, a irmã nos comunicou que estava se mudando de lá. Cancelamos definitivamente o projeto. O candeeiro havia sido retirado!!!

Por outro lado, se vencermos essa dura prova, essa luta! O vencedor irá se alimentar da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus.
Em Apocalipse 22.14, essa é uma das 7 bem-aventuranças. Vamos poder comer da árvore que Adão não pôde comer logo após ter pecado. Quem vencer vai participar do reino de Deus. Amém!




[1] Harry L. Reeder III, A Revitalização de Sua Igreja Segundo Deus, ECC, p.45.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Filemon 8-11 = Antes Inútil, Agora, Útil.



Devocional da Família = 11/10/2012.

Antes Inútil, Agora Útil (Filemon 8-11)

“Ele, antes, te foi inútil, agora, porém, é útil a ti e a mim”
Filemon 11

            Paulo não acreditava numa comunhão que acontecesse de forma contínua por causa do nosso relacionamento contínuo com Cristo. Portanto, uma das maiores imaturidades da Igreja hoje é achar que pode ter ou viver comunhão com os irmãos somente nestes pequenos espaços de tempo que chamamos de culto ou reuniões de seus departamentos internos. Comunhão verdadeira é algo maior e mais profundo; que revela envolvimentos pessoais duradouros e abençoadores entre os irmãos.

I – Dentro da Comunhão em amizade existe liberdade. (v.8).

“Plena liberdade” significa a segurança de poder confiar, aproximar-se e abrir o coração em conversas de qualquer natureza. O sangue de Cristo nos fez ser irmãos que podem se conhecer em profundidade sem ter o medo de perder o respeito. Todavia, o limitador de nossa liberdade é a experiência redentora comum que obtivemos “em Cristo”. Estar em Cristo é estar debaixo da proteção e da provisão de seu sacrifício na cruz (Rm 8.1). O sangue de Cristo nos livrou da morte e nos ligou uns aos outros numa comunhão imperdível, visto que é eterna. Só é possível ter liberdade para pedir quando há confiança. O Relacionamento entre Paulo e Filemon era cheio de liberdade e não, carregado de desconfiança.

A liberdade envolve o direito de abrir mão do direito de ordenar por causa do amor. Paulo é consciente de sua função de liderança sobre Filemon, é consciente daquilo que é conveniente no trato delicado da questão de Onésimo, mas a comunhão o liberta para tratar de tudo de forma carinhosa e amistosa, pois sabe da confiança mútua que existe entre ambos.

II – Dentro da Comunhão em Amizade abre-se a porta para solicitações amistosas (v.9).
“Solicito – te”. A expressão que Paulo usa aqui é “parakaleô”, que tem o sentido de “colocar-se do lado e clamar”. Paulo queria falar ao coração de Filemon, pedir um favor. O amor introduz o direito a um pedido. O pedido de Paulo é uma intercessão em favor de Onésimo. No Império Romano, um escravo fugitivo podia ser duramente castigado, sem piedade; havia penas severas para quem escondesse escravos fugitivos.
            
          Fico pensando... Quanto limitamos nossa comunhão! Nossa amizade deve ser canal para novas amizades. Quando Deus converte uma pessoa, acontece a introdução de um novo filho no relacionamento. A conversão é um nascer de novo (Jo 3.3-8). Paulo não pede exclusivismo, mas uma abertura ainda maior, capaz de ver e se alegrar com mais um escravo livre. Um escravo que se tornou irmão!   

II – Dentro da comunhão em amizade o inútil se torna útil (V.11).

O nome Onésimo significa “útil”. Tudo o que Onésimo não era para Filemon naquele momento, pois se tornara um escravo fugitivo. A fuga e o prejuízo haviam criado a inutilidade. Não é assim quando nos desentendemos? O irmão se torna inútil para nós. Dele não virá crescimento ou alegria, mas tristeza. Sem o perdão nosso olhar passa a ser acusador.

O perdão, entretanto, divide as coisas em Antes e agora. Paulo é enfático ao contrastar, não, entre “antes” e “depois”; mas entre “antes” e “agora”. Ele lança a ênfase no agora porque a transformação pelo perdão tem caráter imediato. Ficar esperando para depois perdoar é acreditar na hipótese furada de que o tempo é que cura as feridas. Mas se perdoamos logo, o ofensor é transformado pelo perdão de Cristo através de nós, de inútil para útil.       Não perdoar é privar-se da bênção presente da comunhão! Comunhão sem perdão é egoísmo disfarçado, é viver do desejo e da mentira, longe da verdade.

Dentro da comunhão, todos nós fomos transformados por Deus em agentes de transformação por meio do perdão. Quem foi perdoado é chamado a viver e a praticar o perdão.
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