O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

terça-feira, 19 de março de 2019

A Resposta (1 Reis 19)

Hélio O. Silva = 10/12/2003.                                



                                  A Resposta (I Reis 19)


         Ele ainda se lembrava do altar. Sentia o cheiro da oferta queimada pelo fogo que caiu do céu e que o Senhor acendeu. Ele se lembrava dos milhares de Israel prostrados diante de Deus no Carmelo. Ele ainda podia sentir em sua pele a sensação dos pingos da forte chuva que caiu logo depois, ainda no mesmo dia. Ele não esquecia do poder que veio sobre si e que o fizera correr adiante de Acabe. Todavia, o descalabro do contraste apunhalava a sua mente, pois um mensageiro do rei lhe trouxera a mensagem da morte.

        O homem que vai para o deserto não é um ingênuo que ainda não aprendeu a crer, mas é um desiludido que achava que as coisas iam mudar e agora bebe das suas dúvidas as respostas que não encontra. O que o Senhor quer fazer? O homem que vai para o deserto não é um embrutecido disposto a deixar a sua fé, mas é um crente deprimido que não sabe mais o que fazer; depois de tantos sinais e provas de que Deus é Deus! O homem que chegou ao deserto é o homem que concluiu que não há mais nada a fazer, pois se o poder não convence, o que poderá convencer? O homem do deserto é aquele que achando que conhecia a Deus descobrirá que há muito mais de Deus para se conhecer...

        Numa caverna solitário esperou pela resposta, achando que o melhor era morrer, mas não foi assim que Deus lhe falou. Ele viu o vento forte soprar e remover do lugar as pesadas pedras, mas isso não era tudo sobre Deus. Ele viu as mesmas pedras rolarem de um lado para outro num terremoto que se seguiu, mas isso não era tudo de Deus que se pode conhecer. Então se levantou um fogo, que como no Carmelo, veio de Deus, mas um fogo não é tudo de Deus que se pode aprender. Para o profeta, essas coisas não iriam impedir a sua morte pelas mãos dos incrédulos ímpios.

        Mas como Deus passava, ele ainda esperava... Veio por fim um cicio tranquilo e suave que estremeceu o profeta. O Deus do poder é o Deus de todo o poder. O que pensamos ser o poder não é o poder de Deus! A sua força de todas as formas. Os homens pensam que poder é usar a força constrangente, mas o poder de Deus é muito mais que isso. Ele faz estremecer diretamente o coração...

Estudo 06 = A Renovação da Mente

Igreja Presbiteriana Jardim Goiás
Estudos de Quarta-Feira – 1º Semestre/2019
O DEUS QUE NOS GUIA E GUARDA - James I. Packer - Ed. Vida Nova

Rev. Hélio O. Silva - 12/03/2019


ESTUDO 06 = A Renovação da Mente (p. 73 a 86)



Introdução
Romanos 12.1,2. O tema do cuidado e direção de Deus diz respeito também à saúde espiritual do cristão e da igreja. A saúde espiritual nos capacita a discernir e seguir melhor as instruções de Deus para a nossa caminhada cristã. Por isso, precisamos tomar providências para mantermos em boa forma nossa vida espiritual. 

Como isso pode ser feito? Quais armadilhas podem nos ameaçar nessa tarefa?

Diagnosticar a nossa situação atual é o primeiro passo para sabermos o que podemos enfrentar e como fazê-lo; quais nossas potencialidades e quais as nossas fraquezas nos ajudarão na busca pelo “bem-estar” espiritual de nossa relação com Deus.

O Novo Testamento retrata a vida cristã como uma corrida (1 Co 9.24; Gl 5.7; Fp 3.13,14; Hb 12.1) e pressupõe checkups regulares (2 Co 13.5 - “examinai-vos - provai a vós mesmos”).

Por que fazer checkups?
Assim como períodos de férias deixam atletas fora de forma e enfermidades nos enfraquecem, a falta de exercícios espirituais nos faz pensar que a normalidade é a falta de vigor e não oposto. A fraqueza espiritual é anormal, a consagração e o fervor espiritual é que são o status de normal para nossa vida cristã.

“Temos forte convicção de que a direção de Deus só será recebida de forma segura por aqueles cujo coração estiver bem com Deus e cuja motivação for a glória de Deus” (p.76). Se a convicção e a motivação não forem centradas em Deus, logo seremos vítimas fáceis do orgulho, expressão básica do pecado original (o que é pecado original mesmo?), que assumirá o controle de tudo!

O orgulho está na raiz de uma variedade imensa de nossos pecados pessoais e o cristão rebelde mal sabe que se encontra em situação espiritual precária, pois sempre nivela sua condição espiritual por baixo.

A biografia de Davi, nas Escrituras, nos dá dois exemplos claros dessa condição espiritual estacionária. A biografia de Davi quanto à sua consagração é tanto cativante quanto empolgante, pois se trata da história do simples pastor que se tornou o principal rei de Israel. Homem piedoso e consagrado, pronto a aprender e testemunhar Deus na sua vida. Todavia, dois episódios mancham sua reputação ante nossos olhos: O adultério com Bate Seba e o recenseamento da nação.

O adultério com Bate Seba produziu uma gravidez que tentou esconder por meio da dissimulação; depois conduziu à morte de Urias e ao esfacelamento interior de sua família. O que estava acontecendo com Davi? O quadro só mudou depois do arrependimento e da confissão, mas deixou sequelas na sua relação familiar.

O recenseamento de 2 Samuel 24 expõe novamente o orgulho e arrogância de Davi, que queria se mostrar como rei à outras nações e para si mesmo.

Nos dois casos, a restauração acontece por meio de arrependimento, confissão do pecado e mudança de comportamento.

Olhando para trás
          O que aprendemos até aqui?
1.     A guarda e a direção de Deus abrangem a nossa vida toda.
2.     A tomada de decisões está no cerne da vida.
3.     Tomar decisões equivocadas acontece por não estar atentos às orientações da Palavra de Deus, mas impressões pessoais, palpites e sentimentos subjetivos do coração.

A tomada de decisão verdadeiramente não saudável não é uma questão de pensar o que quisermos e então agirmos como se isso fosse a verdade, seguindo nossos sentimentos. O cristão sábio não começa por fantasias nem impressões subjetivas, mas busca orientação nas Escrituras sagradas que nos dá e orienta nossa sabedoria. As Escrituras nos fornecem os parâmetros e os contornos do caminho em que devemos seguir.

Retirar princípios de ação nas escrituras e aplica-los à vida é chamado de “casuística - a resolução, por meio da Palavra de Deus, de casos que envolvem decisão moral”.

Sabedoria saudável
          O caminho da saúde espiritual consiste em aprender a viver e a tomar decisões sob a orientação da Palavra, à luz da sabedoria de Deus como a própria Bíblia a apresenta.

          Um bom conselho é aprender a ler e a desfrutar dos livros poéticos e de sabedoria nas Escrituras (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares) onde encontramos máximas e afirmações sobre a vivência sob a Palavra.

         Embora sejam muito negligenciados, transmitem conselhos práticos a respeito de como evitar a insensatez, que é o oposto da sabedoria, colocados, como no caso de Provérbios, na forma de conselhos de um pai para o seu filho, retratando o tipo de intimidade Deus deseja ter com cada um de nós (Pv 1.10,11,15 - violência; 5.1,3,4,18,19,21 - sexo fora do casamento; 7.22 - tentação da prostituição).

           Negar o referencial bíblico é como contrair uma doença degenerativa, que logo nos desfigura e causa disfunções

O foco das Escrituras está no caráter prejudicial dessa conduta para as pessoas e não numa expressão legalista e “desmancha-prazeres” quanto à vida. Violência e sexualidade promíscua predominam no mundo contemporâneo com uma força extraordinária, mas Deus diz que elas são loucura que levam à ruína pessoal e ao declínio espiritual.

Conclusão
          Invista na melhoria de sua relação com Deus mudança a forma de sua relação com as Escrituras Sagradas. Adote a postura de lê-la regularmente com o propósito de aprender a andar com Deus.

Motivos de oração: “Examinai-vos... provai a vós mesmos...” (2 Co 13.5).

sábado, 16 de março de 2019

Estudo 05 = Perseverança Guiada

Igreja Presbiteriana Jardim Goiás
Estudos de Quarta-Feira – 1º Semestre/2019
O DEUS QUE NOS GUIA E GUARDA - James I. Packer - Ed. Vida Nova

Rev. Hélio O. Silva - 06/03/2019




ESTUDO 05 = Perseverança Guiada (p. 58 a 72)

Introdução:
          A ideia de que quando se segue a direção de Deus tudo se encaixa perfeitamente e não temos as dores de cabeça e as angústias que os incrédulos têm de enfrentar é um mito, uma fantasia sem base em fatos ou ensinamentos bíblicos. Se fosse assim, a vida cristã seria uma vida encantadora. Isso, na verdade, não passa de imaturidade, de uma visão ingênua da vida.
          Quem é guiado por Deus não estão protegidos de enfrentar problemas e momentos difíceis na vida.

Duas constatações bíblicas fundamentais.
1ª) O próprio Senhor Jesus enfrentou dificuldades e angústias.
2ª) Deus usa experiências dolorosas tanto para nos ensinar verdades e nos moldar, quanto para polir a nossa alma.
®   Salmo 119.65,67,71 - o castigo de Deus ensinou a obediência.
®   Hebreus 12.7,10 - Deus nos disciplina para sermos participantes de sua santidade.
®   Mateus 14.22 (Mc 6.45; Mc 4.35-41) - os discípulos passaram por dificuldades exatamente por terem obedecido um mandamento de Cristo.
®   1 Reis 22 - Micaías foi preso e tratado com desprezo por dizer a verdade sobre Acabe, contrariando 400 falsos profetas. Esbofeteado publicamente pelo falso profeta Zedequias.
®   Jeremias 19.15; 20.4-6 - Jeremias enfrentou o falso profeta Pasur quanto à duração do cativeiro babilônico. Jeremias ora dizendo a Deus que a sua Palavra se tornara para ele intimidação e insulto o dia todo! (Jr 20.8 - opróbrio e ludíbrio [ARA]). Cada palavra transmitida por Jeremias segundo a orientação de Deus aumentava seus problemas. No final do cap. 38, encontramos Jeremias jogado dentro de uma cisterna com lama até às axilas, abandonado ali para morrer de sede e fome. Quando foi regatado, a Palavra de Deus proclamada por ele havia se cumprido.
Todos os que recebem a direção de Deus e procuram viver segundo ela podem esperar passar por momentos assim, pois eles os instruem, testam, purificam, corrigem, aprofundam e fortalecem sua fé e lhes dão crescimento em Cristo.

Onde está a direção de Deus?
1.     Quando uma enfermidade progressiva nos leva a uma encruzilhada. Tomar uma medicação forte que embota os sentidos ou aceitar o avanço da enfermidade sem perder a sobriedade. O médico-missionário na África, Denys, amigo de J. I. Packer teve de tomar essa decisão.
2.     Quando se é convidada ao trabalho missionário, ter todo o seu material roubado no primeiro dia no campo; depois viver entre os índios que assassinaram seu esposo a fim de continuar o trabalho e aprender a confiar neles (atravessando troncos sobre rios); e depois passar por mais outro casamento em função da morte do segundo esposo no campo missionário. Elizabeth Elliot passou por isso.
3.     Quando se é surpreendido por achar que é cristão, não sendo ainda; e que cada escolha dirigida por Deus era carregada de um elemento surpresa não buscado e não esperado, e que no final mostrou-se ser mais do que se esperava ou desejava realmente. J. I. Packer passou por isso. Em cada decisão tomada havia um senso de responsabilidade e fracasso diante dos desafios. A percepção clara de que se tratava da vontade de Deus veio depois.

Dons e oportunidades
Cada uma dessas situações atesta que embora os princípios da direção divina sejam universais, a vida de cada cristão guiado por Deus é tão diferente uma da outra quanto os cristãos são entre si.
Packer afirma que embora isso tudo soe maravilhoso, tem sempre o outro lado. Dons e oportunidades são dados para serem usados, e quanto mais for dado, mais será exigido, tanto em termos de qualidade quanto de quantidade. Por isso carregaremos cada um por si seus sentimentos de insuficiência e inadequação alimentados pela consciência de que mais poderia ter sido feito se houvesse mais foco e mais disciplina na dedicação. Cada um de nós deverá conviver com isso e ser perdoado por Deus.

Conclusão
          Um repórter da Revista Life perguntou a Elizabeth Elliot sobre o aparente fracasso de Deus em proteger Jim Elliot dos Waorani (Aucas) em 1956. Ela respondeu que tinha pedido a proteção física de Deus para ele, mas Deus o protegeu, na verdade, da desobediência, pois o impacto espiritual de sua vida e morte, não podem ser medidos nas vidas que foram inspiradas como resultado daquele evento. Muitos Waoroni vieram a Cristo e muitos jevens pelo mundo foram despertados para o trabalho missionário mundial (e continua sendo).
          Realmente não podemos impor limites ao significado potencial de vidas cujo coração Deus guia e guarda.

Motivos de oração:

1.     Por aprender a confiar na condução de Deus por meio de decisões dirigidas pela obediência a princípios bíblicos.
2.     Por aprender a humildade de alma para aceitar o caminho de Deus para nós e trilhá-lo valorizando com responsabilidade cada oportunidade de servi-lo.
3.     Por alguém que estão passando por dificuldades em parte porque está seguindo a direção de Deus.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Estudo 04 = Guia-me ... Por Amor do Seu Nome

Igreja Presbiteriana Jardim Goiás
Estudos de Quarta-Feira – 1º Semestre/2019
O DEUS QUE NOS GUIA E GUARDA - James I. Packer - Ed. Vida Nova

Rev. Hélio O. Silva - 27/02/2019



ESTUDO 04 = Guia-me... Por amor do Seu Nome (p. 39-58)

Introdução:
          A fonte de maior consolo quanto à direção divina para nossas vidas, é que Ele o faz “por amor do Seu nome”.  Nós carregamos o nome de Deus como parte de nossa identidade (Ap 7.3; 14.1; 22.4). O propósito da condução divina nas nossas vidas é levar seu nome conosco e nos capacitar a glorificá-lo em qualquer caso e ocasião.
A direção pessoal é um aspecto do cuidado de Deus na aliança, o qual ele exerce por meio da mediação de Cristo, o Bom Pastor (Jo.10). Caso, nos desviemos das veredas da justiça, ele mesmo nos resgatará e restaurará. O processo poderá ser doloroso dependendo de nossa atitude de rebeldia ou submissão. Ainda que tenhamos que conviver por muito tempo com as consequências de nossos, retornaremos ao caminho castigados, mas perdoados por meio do sacrifício expiatório de Cristo a nosso favor na cruz.
O Bom Pastor nos assegura de que ninguém poderá nos arrancar de suas mãos (Jo 10.27-30), pois está nos conduzindo para sua casa, onde a alegria que nos espera é indizível e eterna (Sl 16.11).
Compreender esse ponto sobre a tutela graciosa de Deus é o ponto de partida para a exploração de todas as outras realidades da direção divina.

A natureza da justiça

a)   O que é a justiça na qual Deus nos guia?
Justiça tem o significado primário de comportamento pessoal que é verdadeiramente admirável e moralmente intencional. Em relação a Deus ou aos seres humanos é fazer o que é certo, no sentido de cumprir todas as obrigações e demonstrar todas as formas relevantes de virtude, boa vontade e iniciativas. A justiça mostra a bondade daquele que é bom perante o reconhecimento de olhares perspicazes (anjos e homens).
Em relação a Deus a justiça centra-se na sua fidelidade em manter sua Palavra, tanto nas promessas de bênçãos aos que lhe obedecem e amam, como nas advertências de que Ele tratará como merecem os que o ignoram e o desafiam.
A santidade de Deus é sua justiça em intenção, e a justiça é a sua santidade em ação (p.41).
Visto assim, a justiça do ser humano sob a direção divina, é essencialmente uma questão de honrar, obedecer e agradar a Deus, ou seja, viver em conformidade com os propósitos de Deus para a nossa criação. Isso implica em que nossas relações com os outros devem espelhar nossa relação com Deus, não em termos de “nada mal” ou “isso foi bom o bastante”, mas de o melhor que a situação permitir.
A cosmovisão cristã diz que devemos parar para ajudar alguém num acidente de automóvel, porque fomos criados para cuidar uns dos outros assim como Deus cuida de nós. Na cosmovisão budista, você não precisa parar para ajudar porque você não tem nada a ver com aquilo! Ou seja, para nós o amor a Deus e ao próximo está no centro do palco e temos de fazer algo a respeito. Justiça é amor com sabedoria, amor é justiça com boa vontade.
Ser guiados por Deus é discernir as especificidades do plano de Deus para a própria vida e as decisões de nós requeridas dentro do trajeto “da justiça” que inclui, na cosmovisão cristã, servir aos outros ao máximo e amar a Deus ao máximo. Toda justiça humana verdadeira é centrada em Deus quanto ao próximo e quanto ao próprio Deus.
Guiar é tomar pela mão e conduzir. Isso pressupõe “controle” e “hegemonia” nas decisões.

b)   Que tipo de direção é pretendida no texto? (Sl 23.3)
No texto significa todos os procedimentos para induzir as ovelhas a irem para onde ele quer que elas vão. Ao andar á frente delas, Ele estabelece o exemplo que devem seguir.
O que corresponde a essa postura no discipulado cristão? É a instrução de Deus que extraímos de sua Palavra escrita. A instrução clara da parte de Deus é encontrada nos Dez Mandamentos, nos sermões dos profetas, nas instruções da sabedoria bíblica, nos ensinos de Jesus, das Epístolas. As Escrituras foram dadas para nos instruir (1 Co 10.11).
A interpretação de J. B. Philips de Filipenses 4.6 é a seguinte: “às vezes, para ter certeza de que não esqueci os detalhes, eu faço uma lista”.
A promessa que Deus faz de nos guiar é, em primeiro lugar, uma promessa de dar discernimento (Sl 32.8,9).
Deus envia líderes para cumprir esse papel; como Moisés e Arão (Sl 77.20; 78.70-72); Neemias (Ne 2.17-20); os pastores das igrejas (Hb 13.17); Paulo (1 Co 11.1; 4.16; 1 Ts 1.6; Fp 2.12). Todavia, eles não eram líderes independentes, mas deviam guiar de acordo com a Palavra de Deus. As orações para que Deus nos guie se alimentam desse fundamento também (Sl 5.8; 25.5; 27.11; 119.35; 139.24). ser guiados pelo Espírito (Rm 8.14; Gl 5.18) se alimenta dessas mesmas promessas e orações.

Direção: extensão, forma, especificidades
A extensão da direção divina é a totalidade de nossas vidas quanto ao caráter, habilidades, relacionamentos, iniciativas, metas, problemas, uso do tempo, dinheiro, escolhas decisões, investimentos, esportes, hobbies, etc. deus nos prometeu nos guiar em tudo isso.
A forma da direção divina ocorre de várias maneiras mas sempre partindo da aceitação da vontade divina e o discernimento da mesma. Deus nos atrai a si mesmo persuadindo e tranquilizando as ovelhas pelo caminho através de sua Palavra. (1) O discernimento vem do ouvir as Escrituras pelos meios de graça disponibilizados a nós (Palavra e sacramentos). (2) O discernimento nos vem quando julgamos as alternativas, calculamos as prováveis consequências examinamos cada uma delas para encontrar a melhor opção. (3) O discernimento vem pela oração e pela súplica em esperança. (4) O discernimento vem dos alertas divinos aos nossos preconceitos, impressões pessoais, impulsos mentais, pressões externas que se apresentam como armadilhas subjetivas afastando-nos da verdade e do caminho.
É claro que deus pode nos conduzir por meio dessas coisas, como fez com alguns profetas, mas o critério de diferenciar regras e exceções é inteiramente bíblico assim como as orientações dos apóstolos do Novo Testamento.
A forma usual de orientação divina é aplicar os princípios de ação revelados, tanto positivos quanto negativos, observando parâmetros e limites de comportamentos que a Bíblia prescreve.
As especificidades da direção divina estão relacionadas à “tomada de decisões” quando precisamos excluir alternativas possíveis porque analisamos o quadro, ouvimos conselhos, ponderamos a questão, confiamos que Deus não permitirá que escolhamos errado.
A oração por direção descansa no fato de que Deus cuida de nós e está perto pacificando nossos corações (Fp 4.6,7). Deus nos guardará como quando uma cidade está sitiada, quando tudo está fechado e seguro. Mas não é o inimigo que sitia a cidade, mas o próprio Deus.

Sinais e certezas
           A Bíblia descreve uma infinidade de formas que Deus usou para guiar seu povo (Urim e Tumim, sortes, sonhos, visões, etc). A pergunta a ser feita é seguinte: Ao narrar esses acontecimentos, pode-se dizer que as escrituras nos incentivam a esperar esse tipo de ação de Deus para nos conduzir em todas as nossas decisões? Parece que não. O caso de Gideão é típico no episódio duplo da lã e na visita ao acampamento midianita. Precisamos compreender que:
1.    Na época de Gideão as escrituras não estavam prontas integralmente e certamente não haviam exemplares disponíveis em todas as casas.
2.    Antes dos pedidos de testes de Gideão, Deus já havia falado a Gideão o que deveria fazer. Os testes não são provas de sua fé, mas de sua incredulidade e falta de confiança para com a Palavra já dita de Deus quanto ao que Ele deveria fazer para livrar Israel dos midianitas.
3.    O caráter vacilante de Gideão foi suprido por uma atitude condescendente de Deus, permitindo deixar-se testar pela frágil fé de Gideão.
4.    É sempre um erro tratar um relato bíblico como regra normativa para nossa maneira de agir no presente, após a doação do Espírito Santo em Pentecostes. Os apóstolos nunca ensinaram os cristãos a buscar sinais da vontade de Deus para suas decisões ignorando suas instruções éticas. Veja a resposta de Jesus ao pedido dos fariseus quanto a sinais que os permitissem crer Nele (Mc 8.11-13). Pedir sinais é um atestado da imaturidade de nossa fé. Que Gideão era imaturo nos episódios de Juízes 6 a 8 é um fato, que nós devemos imitar seu comportamento imaturo quanto à direção divina é algo que devemos recusar para o bem da nossa fé.
5.    A busca e exigência por sinais atesta o caráter preguiçoso da fé que deseja a direção de Deus pelo meio mais fácil. Querer encurtar ou burlar os processos de maturação da fé é pura preguiça.
6.    A futura vinda do Anticristo será acompanhada pela pela força de sinais que levarão muitos a crer nele e abandonar Cristo (2 Ts 2.9,10; Mt 13.22). logo, buscar sinais é um beco sem saída e um obstáculo à maturidade espiritual da fé.

Conclusão
          Quando Deus der sinais para ajudar a discernirmos sua vontade, devemos entende-los como um bônus, não como a regra da fé saudável.

Motivos de oração:
1.    Oremos para não sermos preguiçosos quanto à direção divina e como devemos discerni-la.
2.    Oremos para não nos tornarmos imediatistas quanto nossas expectativas da direção divina, pois poderemos ser vítimas dos enganos de satanás que explorará esse imediatismo contra nós.
3.    Oremos para que abracemos o caminho da disciplina que amadurece a vida piedosa.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Jó 42.1-6 - Conhecendo a Deus Através das Tribulações e Enfermidades

O Primeiro Culto Calvinista nas Américas - 10/03/1557


Pastoral:                           O Primeiro Culto Calvinista nas Américas

Hélio O. Silva = 06/03/2019                   
        

         “Em ti exultarão os justos, rejubilando em tua paz. De todo o mal os guardarás, pois tua lei, ó Deus conhecem e te obedecem”. Esse foi o coro final do primeiro hino evangélico cantado nas Américas, no dia 10 de março de 1557, num pequeno salão do Forte Coligny, no centro da ilha conhecida hoje pelo nome de Ilha de Villegaignon. Sendo baseado no Salmo 5, uma versão mais moderna desse hino é o número 122 do Hinário Novo Cântico. 

           O pequenino grupo de 14 irmãos depositava no cântico do Saltério de Genebra as suas esperanças de terem encontrado uma terra boa e de que vinham trazendo consigo uma nova fé, livre de perseguições estatais e católicas, como acontecia na França.

Naquela noite de quarta-feira, Villeigagnon reuniu todos os habitantes do local e o Rev. Pierre Richier, enviado ao Brasil pelo próprio João Calvino, abriu o culto com uma oração. O seu sermão fora despretensioso, mas muito acolhedor, pois expressava uma esperança comum, completamente voltada para Deus, do qual esperava uma resposta de benção. Ele pregou baseado no Salmo 27.4. Apenas uma coisa era pedida a Deus, que aquele pequenino rebanho pudesse habitar em sua santa casa, contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo. As palavras do Salmo afirmavam a segurança e o descanso merecido de uma viagem tão longa atravessando o oceano até chegarem ao Brasil. 

Terminado o culto, o povo dispersou-se e os recém-chegados permaneceram juntos na mesma sala, onde fizeram sua primeira refeição brasileira : Farinha feita de raízes, peixe moqueado (assado à moda indígena) e outras raízes assadas no borralho, acompanhados por água colhida de chuva por meio de uma calha (de aparência esverdinhada e de odor malcheiroso), pois não havia fonte, rio ou cisterna na ilha, mas que mesmo assim, parecia-lhes melhor que a água do navio!

O sr. Du Pont (líder da expedição) e os dois pastores (Pierre Richier e Guillaume Chartier) foram hospedados numa sala semelhante no Forte, e os demais, num casebre coberto de palha à beira mar, onde dormiram em redes.

Esse episódio faz parte da primeira tentativa de implantar a fé reformada no Brasil e deve nos fazer lembrar que nunca alcançaremos vitória se não aprendermos com os nossos fracassos e que sempre pregamos o Evangelho como ovelhas no meio de lobos, sempre movidos pela fé e pela esperança. 
                                                                      Com amor, Pr. Hélio.


Fonte: Jean de Léry - Viagem à Terra do Brasil, Ed. Itatiaia, Belo Horizonte, 2007, p. 85,86.

sexta-feira, 1 de março de 2019

1 Samuel 18.1-4 = Amizade de Alma







Exposição de 1 Samuel 18.1-4 = Amizade de Alma
Dia 27/02/2019 no SPBC-Goiânia-GO
Lançamento do livro: Jônatas, O Amigo de Davi
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