O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Atos 26 = Persuasão


®    Atos 26: Persuasão.

A defesa construída por Paulo é seu próprio testemunho de conversão. Deus nos fez suas testemunhas e a essência de nossa mensagem e defesa perante toda e qualquer acusação é testemunhar Cristo. Cristo é a razão de tudo. Ele nos persuadiu com seu amor e sua revelação a nós na conversão.

Paulo foi persuadido na estrada de Damasco e sua vida foi mudada de rumo completamente (v.14-16). O seu testemunho quase persuadiu o rei Agripa (v.26) e Paulo confessa seu intento de persuadir todos os seus ouvintes ali naquele momento (v.29). Seu testemunho é totalmente intencional, visa defender sua integridade, mas mais que isso apresentar Cristo e levar os ouvintes à fé cristã.

Essa é a terceira vez em Atos que Lucas narra a conversão de Paulo (caps. 9, 22 e 26). No verso 14 ele acrescenta uma frase que o Senhor disse a Paulo: “Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões”, mostrando que o condutor final de nossas vidas e da história é Deus. Ele havia conduzido Paulo até à estrada de Damasco, e dali para a concretização de seu ministério e tudo o que fez na proclamação do evangelho por toda parte que pôde ir. A soberana vocação é como um aguilhão de boiadeiro que espeta o gado que resiste em se deixar conduzir, assim como é uma mão que aperta o coração, constrangendo-o, apertando-o de todos os lados com o amor de Deus, o amor da cruz (2 Co 5.14)!


Deus é quem nos leva consigo (separai-me [separem para mim] – At 13.2). Para sermos seus e para fazermos a sua obra. Nunca nos envia sozinhos, mas sempre vai conosco como o pastor que conduz e cuida de suas ovelhas.

sábado, 26 de novembro de 2016

Russel Philip Shedd - (1929-2016)


Devo considerar o Dr. Russel Shedd meu avô espiritual no que diz respeito ao ministério da exposição bíblica. 

Eu o ouvi pela primeira vez em junho de 1982 no templo da Ig. Presbiteriana Independente de Anápolis, expondo 1 Coríntios e falando sobre dons espirituais. Comprei um Bíblia Vida Nova e de tanto citar seus comentários algumas pessoas passaram a me chamar de shedd. 

Sua piedade e seu amor pela exposição bíblica são o seu maior legado para a igreja brasileira. falo isso não de ouvir falar, mas por conviver com ele, ainda que de forma tão distante, mas nem por isso menos atenta. Eu imaginava como seria quando esse dia chegasse; quem o substituiria? Então passei a me dedicar a aprender a pregar expositivamente. 

Graças a Deus existem centenas de excelentes expositores bíblicos espalhados pelo Brasil. Penso que a maioria deles, estão se sentindo órfãos como eu. Como Deus é bom; chamou seu bom servo ao seu descanso e à sombra de suas asas eternas para repousar de todas as suas fadigas. Aleluia! Somente a Deus toda a glória.

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Russell Phillip Shedd nasceu em Aiquile, pequena cidade boliviana, no ano de 1929. Aos dez anos de idade, já falava espanhol, inglês e aprendera também o dialeto local. A semente de seu amor à Palavra germinou já na mais tenra infância, quando o menino acompanhava os pais, Leslie e Della Shedd, ambos missionários, em percursos evangelísticos pelas aldeias da Bolívia.
No início da adolescência, volta com os pais e irmãos para os Estados Unidos e cursa o segundo grau em duas instituições: Westervelt Home e Wheaton College Academy. Depois disso, a profunda sede pelo conhecimento da Palavra leva o jovem Shedd a uma intensa jornada de cursos. Primeiro, estuda Teologia no Wheaton College, onde recebe o grau de bacharel com especialização em Bíblia e Grego. Depois, decide fazer um mestrado em estudos do Novo Testamento na Wheaton College Graduate School. Muda-se então para o estado da Filadélfia e matricula-se no Faith Seminary, onde adquire o título de mestre em Teologia, em 1953. Dois anos depois, aos 25 anos de idade, conquista o grau de doutor em Filosofia (PhD) na renomada Universidade de Edimburgo, na Escócia. Em 1955, volta para os Estados Unidos e aceita o cargo de professor no Southeastern Bible College, em Birmingham, no estado do Alabama, onde conhece uma aluna, Patricia Dunn, com quem viria a se casar em 22 de junho de 1957.
Tendo os olhos e o coração voltados para a obra missionária, em 1959 o jovem casal é enviado pela Conservative Baptist Foreign Mission Society (CBFMS) para Portugal. Ali, Russell Shedd recebe com grata satisfação o encargo de acompanhar um ministério de literatura em formação. Denominado “Edições Vida Nova”, esse ministério fora fundado com o propósito de fornecer textos teológicos básicos e obras de referência bíblica para estudantes, professores e pastores.
Passados três anos, Russell Shedd e os demais missionários notaram que o programa de publicações sofria duas sérias limitações: os altos custos de impressão e a baixa e lenta demanda dos livros na minúscula comunidade evangélica portuguesa. Após muitas orações e deliberações, os olhos dos missionários voltam-se para um país do outro lado do Atlântico, com uma comunidade evangélica maior e em franco crescimento, contando ainda com a possibilidade de baixos custos na produção editorial. O plano inicial era que Russell Shedd ficasse dois anos no Brasil com o objetivo de implantar uma ação editorial em São Paulo e depois voltasse para Portugal.
Em agosto de 1962, o casal Shedd chega ao Brasil, onde permanece, sem retornar a Portugal, e onde Russell Shedd passa a ensinar e a inspirar amor à Palavra de Deus, dando continuidade ao ministério de Edições Vida Nova. Ele sempre se dedicou de corpo e alma ao estudo e ao ensino das Escrituras, seja na área do ensino teológico, seja na área de publicação de livros evangélicos que facilitassem a compreensão e o conhecimento das Escrituras, sendo mais de 25 deles de sua autoria. Por muito tempo esteve à frente do ministério de Edições Vida Nova e, embora há vários anos tivesse passado a presidente emérito, jamais deixou de amar e participar dessa obra. Também atuou como consultor da Shedd Publicações. Sua influência perdura até hoje mesmo depois de aposentado, sendo um ativo influenciador de líderes e membros da igreja brasileira.
Na Faculdade Teológica Batista de São Paulo foi professor de Novo Testamento e diretor do Departamento de Novo Testamento e Exegese. Lecionou também em outras renomadas instituições ao redor do mundo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Isaías 9.1-7 = Um Menino Nos Nasceu!


Texto: Isaías 9.1-7
Tema: Um Menino Nos Nasceu!
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Introdução:
         Qual a idéia que nós temos de Natal? Aquela vendida pela televisão e nas lojas do comércio?
Ø Elas falam de guirlandas e papai Noel.
Ø Oferecem presentes e festas.
Ø Propalam a fraternidade entre os povos e as pessoas.
Ø Falam do espírito natalino e da magia do Natal.
Contudo, cada dia mais se afastam do natal de Jesus.
Isso nos leva a pensar sobre qual a importância do Natal de Jesus Cristo segundo é narrado nas primeiras páginas dos Evangelhos de Mateus e Lucas, onde o que se lê não reflete aquela piedade cheia de dó pelo pobrezinho que nasceu em Belém, mas a certeza do cumprimento de uma promessa divina a partir daquela noite.
         Ler o Natal de Jesus nos Evangelhos nos ensina sobre ter um encontro pessoal e histórico, não com uma criança simplesmente, mas com o salvador de nossas vidas. Esse encontro é o centro da mensagem do Natal. Ele não nasceu para ser o “bonitinho” bajulado por reis-magos do oriente, mas para carregar sobre si os nossos pecados, como disse Simeão: “Porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos” (Lc 2.30,31).
        
Contexto:
         O contexto de Isaías 9 fala de uma região marcada pela aflição e esquecimento. Uma região esquecida pelo mundo. Pessoas sem lugar na sociedade e na vida; uma situação social sem controle, correndo atrás de coisas sem valor e sem ter para onde ir.
         Poderíamos pensar que o texto estivesse falando da situação de muitas favelas brasileiras, mas na verdade, a profecia de Isaías é endereçada aos habitantes de Zebulom e Naftali, que mais tarde, na história de Israel, vai se tornar a “Galiléia dos gentios”, o lugar que Deus escolheu para o seu Filho crescer e viver.
Quando estamos aflitos não sabemos direito o que fazer e aceitamos qualquer coisa; colocando-nos à mercê de qualquer um!   Muita pobreza, marginalização e desespero, insegurança, vida sem razão; são algumas das características da região onde Deus escolheu que nosso salvador vivesse.
O contexto histórico do capítulo 9 é o mesmo do retratado no capítulo 7.[1] A Síria e Israel oprimem Judá tentando anexá-la às suas conquistas. O rei Acaz prefere confiar no socorro da Assíria do que em Deus. Deus envia Isaías ara dizer a Acaz que a Assíria destruirá tanto a Síria como Israel, mas que ela não será o socorro esperado, pelo contrário, será o baço do juízo de Deus sendo levantado sobre o povo da aliança vivendo em desobediência.
         A invasão assíria trará opressão, sofrimento dobrado, deixando o povo de Deus numa triste condição de subjugação político-militar e social. Isaías diz em 8.22 que Israel experimentará angústia, sombras de ansiedade temível escuridão e trevas profundas, especialmente as terras do norte, que serão invadidas primeiro.
Mas Deus não esquecerá aquela região: O caminho do Mar Mediterrâneo e do Mar da Galiléia, as margens do Rio Jordão superior será exatamente o lugar aonde a luz de Deus chegará primeiro. Porque o Messias começará o seu reinado ali, na Galiléia.

Proposição:
         Assim, propomo-nos a meditar sobre o significado do nascimento de Jesus Cristo quanto ao seu propósito, a fim de que nossas comemorações natalinas não caiam no lugar comum, e percam seu sentido de adoração ao Salvador.
         
I.                  Jesus Nasceu Para Destruir a Aflição - v.1-3:

a) Transformando o desprezo e a obscuridade em glória.
Aflição, obscuridade e desprezo retratados no v. 2 são formas de mostrar o sofrimento que Israel experimentará sob a invasão assíria. Quando o Messias se manifestar essa realidade será transformada e sob o seu reinado não haverá mais opressão.
Como a Galiléia foi a primeira a ser levada cativa em 722 aC, seria a primeira a receber a revelação do Messias, da Salvação. Foi assim que Deus escolheu revelar a sua graça!

b) revelando a sua luz.
Isaías profetiza a revelação de uma grande luz, resplandecente e forte, que será vista por todos e virá sobre todos!
Ilustração: As luzes do Estádio Olímpico invadem até os cantos mais escuros de minha sala de visitas. É uma luz forte e vinda de cima.

c) Aumentando a alegria.
O resultado da salvação é alegria. Do mesmo tipo de alegria que o mundo experimentou quando a I e II Guerras Mundiais terminaram. Aquele alívio misturado com esperança. As nações do mundo ainda não aprenderam que o principal ingrediente da alegria não é a liberdade, mas é a paz; porque é da paz que vem a segurança e do abuso da liberdade que nascem as guerras!
Observe que Deus é quem dá a alegria e a faz aumentar. Nas Escrituras, alegria é fruto do Espírito Santo que nos é dado graciosamente pelo próprio Deus. Alegria nunca é alvo, mas sempre é consequência.
A revelação do Messias substituirá o desprezo, a tristeza e a dor por alegria, júbilo e felicidade.[2] Observe que essa alegria tem três características no v. 3:
®   É uma alegria diante de Deus.
®   É uma alegria como a que se experimenta numa boa colheita – fartura.
®   É uma alegria como a que se experimenta na vitória em uma guerra – repartir o lucro.
Isso tudo reflete o oposto que se vive durante a opressão da guerra ou da escassez de uma seca!
O perdão da opressão pelos nossos pecados alcançado por meio da morte de Cristo tem um efeito semelhante. Não se trata aqui de negar ou amenizar os efeitos sociais do Evangelho, mas de enfatizar as prioridades espirituais de nossa redenção. Um povo redimido do pecado, será também um povo redimido da opressão social; não automaticamente, mas pelo crescimento do compromisso com o pacto, que faz diminuir a corrupção do pecado na santificação e por consequência deve fazer a diminuir a corrupção dos pecados sociais.
O Novo Testamento enfatiza a prioridade do primeiro sobre o segundo, informando-nos, todavia, que o processo dessa mudança não acontecerá imediatamente, pois trigo e joio crescerão juntos até o dia da vitória final no dia do Juízo final. Então a aflição terminará definitivamente.
Os dois elementos estão juntos na profecia, mas eles devem ser vistos pelo prisma do “Já e ainda não” da escatologia bíblica.

II.               Jesus Nasceu Para destruir o Pecado - v.4,5:
Isaías apresenta três figuras da opressão: O Jugo, a vara e o cetro. Todos retirados do contexto da escravidão no Egito.[3]

a) Jugo – Um peso que não se pode carregar.
O jugo da servidão era o trabalho pesado diário, sem esperança de que terminasse um dia.

b) A vara que maltrata o corpo.
A vara era uma vara atravessada sobre os ombros com um peso em cada extremidade fazendo pressionar fortemente a carne e os ossos da espádua.

c) O cetro opressor – Um governo injusto.
Este cetro era uma vara usada pelos condutores de escravos empunhando uma vara ou um açoite com o qual forçava a caminhada.

Estes três instrumentos de opressão serão quebrados pela manifestação do Messias (que ele ainda não revelou quem é). Sua vitória será semelhante à vitória de Gideão que derrotou os midianitas com apenas 300 homens, surprendendo-os de tal forma que lutaram uns contra os outros. Aquela vitória de Gideão afastou o perigo causado pelos midianitas definitivamente. Assim também será a vitória do Messias, que retirará definitivamente todos os tipos de jugo das costas de seu povo.
A morte de Cristo na cruz destronou o pecado e pagou nossa dívida com Deus, libertando-nos de sua opressão. Na justificação fomos livres da condenação do pecado; na santificação somos livres do poder do pecado e na glorificação seremos livres da presença do pecado definitivamente.

III.           Jesus Nasceu Para Revelar-nos o Caráter de Deus - v.6:
Observe antes de tudo o mais, que essa criança não nascerá apenas para ser adorado, mas principalmente para o benefício do povo, ele nascerá para libertar o seu povo! Ele nasceu tanto “para nós” como “por nós”. Nós somos os beneficiários de seu nascimento. O seu nascimento real é a chave para a paz, liberdade, alegria, crescimento e luz![4]
Quem é esse salvador e libertador, então? Ele é o menino que nasceu da virgem (cap. 7.14), aquele que governará assentado no trono de Davi; Jesus Cristo! Governo aqui é uma palavra que aponta para o governo total, pleno, no qual o regente tem todo o poder, mas que também assume toda a responsabilidade.[5] Todos os nomes que ele recebe são divinos, aplicados a Deus.
Tudo isso está envolvido na questão dos seus nomes:
a) Maravilhoso Conselheiro
Maravilhoso não no sentido de “magia”, mas da surpresa frente o belo! Do extraordinário, do milagroso! De forma maravilhosa, Jesus é aquele que caminha ao nosso lado e nos aconselha (Sl 16.8) enquanto nos pastoreia e governa.

b) Deus Forte.
A força de seu poder vem da sua divindade. Na sua divindade ele é forte. Todavia, a força de Deus não está simplesmente no seu poder milagroso, operando prodígios. A Bíblia deixa claro que a maior manifestação do poder de Deus não está em seus prodígios sobrenaturais, mas na cruz; loucura para uns; escândalo para outros; sabedoria de Deus para nós.
Ilustração: Esta foi a principal lição que o profeta Elias aprendeu na caverna do monte Horebe (I Rs 19). Não são o vento, o terremoto e o fogo os sinais únicos e atestadores do poder de Deus, mas de onde menos se espera, encontramos a manifestação de seu poder.

c) Pai da Eternidade.
Sua existência é contínua; não sabemos onde começa, não sabemos onde termina. Qualquer noção temporal e atemporal procede dele.
  
d) Príncipe da Paz.
     Não da paz do mundo (Jo 14.27), mas da paz que procede de Deus e principalmente da paz como fruto da justificação de nossos pecados, da paz “com” Deus.

Conclusão v.7:
     A finalidade do nascimento de Jesus objetiva para Deus:
a) Aumentar, estabelecer e firmar o seu governo com juízo e justiça.
A nossa salvação é, acima de tudo, a manifestação da glória de deus e do seu reino eterno para o qual nos levará.

b) Fazer vir paz sem fim.
Suas leis justas governarão, não mais esse simulacro de ordem perpetrado pelos homens que visa sempre, no final das contas, proporcionar segurança, bem estar e perpetuidade deles mesmos no poder.
Nosso rei nos dará paz verdadeira e que não termina.

c) Deixar evidente o cumprimento certo da promessa messiânica de Deus no nascimento de Jesus Cristo.

Aplicação:
Acaz não queria confiar em Deus. Tinha a responsabilidade de governar no nome de Deus, mas não o fez, levando sua nação à bancarrota e a colocou sob o juízo de Deus.
1. Vivamos uma vida cristã mais consagrada e séria, enxergando com clareza o que Deus está fazendo no mundo a fim de participarmos e cooperarmos com sua obra redentora. Se não fizermos isso, encontraremos, como Acaz encontrou, o juízo de Deus vindo sobre si.

2. Coloquemos foco nas nossas comemorações natalinas. Não deixemos de apontar para o fato de que a criança prometida que nasceu, nasceu para nos salvar dos pecados. Fale isso para os seus familiares em torno da mesa da ceia natalina. Não abrace o luxo que nos cega, mas o Messias que nos salva.

3. Alegremo-nos debaixo da forte luz! Ser sérios e consagrados não significa que não devemos comemorar; significa trazer os outros para a nossa festa, para o nosso jeito de comemorar e não imitar o jeito do mundo de comemorar! Use enfeites que levem as pessoas a perguntarem pelo significado cristão do Natal (Ex. troque o Papai Noel pela cruz; enfeite sua árvore com motivos cristãos e não com estes expostos nas prateleiras da loja, que são inteiramente pagãos e secularizados).
Vamos nos alegrar com a sua forte luz!




[1] Gerard Van Gronigen. Revelação Messiânica no Antigo Testamento, ECC, p. 518.
[2] Gerard Van Gronigen, Revelação Messiânica no Antigo Testamento, ECC, p.520.
[3] Gerard Van Gronigen, Revelação Messiânica no Antigo Testamento, ECC, p.521.
[4] Gerard Van Gronigen, Revelação Messiânica no Antigo Testamento, ECC, p.522.
[5] Gerard Van Gronigen, Revelação Messiânica no Antigo Testamento, ECC, p.523.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Isaías 7.1-16 = Deus Conosco




Texto: Isaías 7.1-16
Tema: Deus Conosco
Rev. Helio O. Silva - 06/11/2016
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Introdução:

         O Natal está chegando! Sabemos que o ensino bíblico tem foco diferente do foco do nosso tempo. Por isso preparamos uma série expositiva sobre os textos proféticos do Antigo Testamento sobre a vinda do Messias com a finalidade de ajustar o foco das nossas comemorações natalinas às promessas e fatos da Escritura.

Contexto:
A primeira seção de Isaías abarca os capítulos 1 a 12. Trata dos pecados e do castigo de Judá como nação, incluindo promessas de redenção (duas profecias messiânicas – 7.10-16 e 9.1-7) concluindo com o belíssimo cantico de louvor e gratidão no capítulo 12.[1]
Os capítulos 1 a 27 de Isaías fazem parte do período final das guerras sírio-efraimitas quando tanto Israel quanto Judá viviam debaixo do perigo frente ao crescimento do poderio político-militar da Assíria sobre a região em detrimento da decadência da Síria após os reinados de Hazael e seus filhos.
Isaías era filho de Amoz (1.1). Uma tradição diz que Amoz era irmão do Rei Amazias (2 Rs 14.1,2), Portanto, era tio de Jotão e tio-avô do Rei Acaz. Essa é a razão porque Isaías tinha livre trânsito no palácio em Jerusalém (Is 7.3; 37.21 e 39.3); bem como a razão de seu martírio com requintes de crueldade pelas mãos de Manassés.
Isaías era casado e sua esposa era uma profetisa (8.1) com a qual teve dois filhos (7.3 e 8.3). Segundo Gerard Van Gronningen, “não há nenhuma evidência bíblica de que a primeira esposa de Isaías morreu, de que ele tornou a casar e de que seus dois filhos tinham por isso mães diferentes”.[2] Essa interpretação foi uma pressuposição para dar sustentação ao fato de que 8.3 seria um cumprimento literal de 7.13 quanto ao nascimento do Emanuel de uma virgem. Quem propôs essa interpretação foi Herbert M. Wolf em um artigo intitulado “Uma Solução para a Profecia do Emanuel em Isaías 7.14-8.22”.
A mensagem de Isaías era muito clara e única: “Yahweh é a salvação”, que é também o significado do nome de Isaías.
Os profetas eram mensageiros de Deus ao povo que proclamavam a fidelidade de Deus à aliança que havia feito com Israel desde os tempos de Abraão e que o povo havia quebrado e abandonado depois de ter-se estabelecido na terra de Canaã. Eles proclamavam que se houvesse arrependimento e volta para o Deus da aliança, deus não cumpriria as maldições da aliança (Lv 26.14-45; Dt 29.19-29), mas restauraria o seu povo.
Sem arrependimento e volta, Deus enviaria as nações do norte para serem seus instrumentos de castigo.
Todavia, haveria esperança para os que se arrependessem. O julgamento sobre os pecados cometidos não seriam suspensos, mas Deus prometia a vinda de um agente messiânico que seria o mediador da aliança e que traria todas as nações sob o governo divino.
Para o Novo Testamento, esse agente messiânico é Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Proposição:
O texto que lemos, é a primeira menção a esse Messias no livro de Isaías. Sua vinda é para mostrar que Deus está conosco, cuidando e julgando o seu povo, mas principalmente, salvando o seu povo de seus próprios pecados. Vejamos isso em
        
I.       Uma profecia que consola os corações amedrontados.

a) A profecia é dirigida à casa de Davi – o rei Acaz..
A família de Davi e mencionada três vezes no capítulo 7: v. 2, 13 e 17.

b) Deus não esqueceu as promessas feitas a Davi em 2 Samuel 7.
Ele prometeu cuidar da casa de Davi da qual Acaz e o reino de Judá fazem parte. 

c) Deus garante a continuidade do pacto.
Deus havia mandado Isaías levar seu filho mais velho ao encontro de Acaz. O propósito era mostrar confiança quanto ao futuro (um filho fala da geração que segue depois de nós), mas também apontar para o remanescente, pois o nome do primogênito de Isaías era: “Um Resto Volverá”, ou melhor, “Um Remanescente Voltará”. O remanescente é composto dos seguidores fiéis a Deus, Deus os protegerá. Mas retornar de que?
1º) Da catástrofe política que está se desenhando em Judá e que já se configurou em Israel.
2º) Do exílio que se desenha no horizonte e que se cumprirá com o levantamento da Babilônia (que Ezequias inadvertidamente atrairá seus olhos para o sul).
3º) Do coração do povo para Deus, com um coração amoroso e sincero.
A presença de “Shear-Jashub” era uma mensagem vívida de que diante de toda e qualquer crise, o rei Acaz, e nós também, deveríamos ouvir, crer e receber confiança das promessas de Deus.

d) Acaz é admoestado a agir de acordo com a aliança (pois ele é o representante pactual da família de Davi naquele momento), portanto ele deveria vigiar a si mesmo e não se deixar levar pelo terror que a situação política ao seu redor estava desenhando (7.4 = acautela-te, aquieta-te).
Ele deveria crer e permanecer firme! (7.9): Uma tradução literal seria: “Se não estiveres firme, não ficarás firme!” pois são exatamente nessas horas que devemos crer em Deus e exercitar nossa confiança nele, para dele tirar forças e não se desviar e nem esmorecer.


II. Deus Conosco é a certeza para todas as nossas incertezas:

a) Pede um sinal.
Deus mesmo lança o desafio.

b) Não pedir para não tentar a Deus – a hipocrisia da falta de fé.
Hipocrisia por que? Porque foi o próprio Deus quem propôs o sinal.
Acaz não quis pedir o sinal porque no seu coração já havia decidido pedir socorro à Assíria, o que de fato fez e desagradou a Deus.

c) O sinal não pedido: A virgem conceberá.
Uma indicação da vinda do Messias – Mateus 1.23.
Interpretações inapropriadas:
1. A virgem é a segunda esposa de Isaías – 8.3. Não tem base na Bíblia. Isaías teve apenas uma esposa e ela lhe deu dois filhos com nomes proféticos.
2. Uma mulher jovem. O texto aponta para uma virgem não casada – uma donzela.
3. O uso do artigo definido – a virgem conceberá. Era uma mulher virgem conhecida tanto por Isaías quanto por Acaz. Não sabemos quem é.
Van Groningen dá a entender, ainda que eu não possa afirmar que seja isso que ele faz de fato, que o foco de Isaías não é o fato de que essa virgem terá um filho como Maria teve Jesus, mas que devido a situação de crise político-militar iminente, com possibilidade de invasão, a virgem que os dois conheciam se casaria e teria um filho sob os cuidados de Deus, para provar que Deus não permitiria o sucesso da tal invasão sírio-israelita, o que Acaz não consegue crer ser possível.
A interpretação seria essa:
“Considera isso: a virgem, que agora ainda não está grávida, nem mesmo casada, não obstante (como um sinal para ti), num futuro não muito distante estará grávida e no devido tempo dará à luz um filho”.[3]
         Se a virgem conceberia milagrosamente não temos como saber extamente quem era e como aconteceu.
O que está em jogo aqui não é tanto o milagre, pois esse só será visto por Mateus no Novo Testamento, mas é escolher viver pela fé ou rejeitar as promessas de Deus e viver uma vida de conchavos, manipulações e ansiedades; como todo mundo que não crê em Deus vive. Tentar fazer o próprio destino (como ensina Hollywood).

Aplicações:
1. As crises políticas do nosso país não podem determinar como eu viverei a mi há fé, mas a minha fé na palavra de Deus deve determinar como enfrentarei as crises do meu país.

2. Deus está conosco em todas as crises, se vivemos dentro da aliança.
 Viver pela fé é exatamente crer na Palavra que dirige e define o nosso comportamento diante de qualquer situação e não deixar que as circunstâncias dirijam a nossa fé. Ele prometeu estar conosco todos os dias da nossa vida até a consumação dos séculos (Mt 28.18-20).

3. A salvação dos nossos pecados acontece dentro e enquanto vivemos as nossas vidas no decorrer da história do mundo.
Deus quer nos “pescar” para si no rio dos eventos e acontecimentos da história que não para, mas que ele dirige para cumprir todos os seus propósitos.

4. A vida pela fé é incompatível com uma falsa piedade.
Acaz quis parecer ser crente e fiel a Deus, mas a sua resposta teologicamente correta, foi espiritualmente equivocada.
Não estou dizendo que a fé pode ser corretamente incoerente com a doutrina correta às vezes, mas, que a resposta aparentemente correta de Acaz desconsiderou a fonte do desafio, o próprio autor da Palavra, da doutrina.
Ou seja, ou melhor: Nós só podemos desafiar a Deus, quando ele mesmo propõe o desafio (Satanás no caso de Jó). A falsa piedade nos leva para o caminho da hipocrisia, a verdadeira piedade nos leva a confiar em Deus.


[1] Gerard Van Groningen. Revelação Messiânica no Antigo Testamento, ECC, p. 493.
[2] Gerard Van Groningen. Revelação Messiânica no Antigo Testamento, ECC, p. 489.
[3] Gerard Van Groningen. Revelação Messiânica no Antigo Testamento, ECC, p. 510.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Por Que Precisamos da Reforma?


Por que Precisamos da Reforma?

A Reforma protestante foi um movimento de mudança interna numa tentativa de trazer a igreja cristã do final da Idade Média de volta aos valores bíblicos que estavam sendo paulatinamente abandonados pela sociedade.

A Reforma procurou chamar a atenção da igreja e da sociedade para a importância da supremacia das Escrituras bíblicas na condução da vida moral das pessoas como a única regra de fé e conduta moral das pessoas. Os reformadores insistiram que as Escrituras devem governar a igreja e não é igreja pode governar as Escrituras, porque a igreja existe por causa da pregação da Palavra que está escrita nas Escrituras Sagradas.

 A Reforma ensinou que somente a fé é o instrumento para a salvação do pecador quando afirmou que somos justificados pela graça mediante a fé somente e não por meio do concurso de obras meritórias que possam ser apresentadas a Deus a fim de galgar o seu favor. Somente a graça de Deus demonstrada claramente por meio do sacrifício único de Jesus Cristo em nosso lugar na cruz. A fé é o único canal por meio do qual se recebe o perdão dos pecados e a salvação.

A Reforma enfatizou que o homem afastando-se de Deus e entregue a si mesmo é incapaz de alcançar a glória de Deus porque todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3.23). Somente o sacrifício de Cristo é suficiente para nos levar ao Pai (Jo 14.6) sendo o único mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5). A Reforma levanta a bandeira de que a única forma de o pecador estar em paz com Deus é recebendo o sacrifício único e suficiente de Cristo na cruz pelos seus pecados .

A Reforma protestante continua sendo uma chamada às pessoas para reconhecerem que só Cristo é o Salvador. Ela continua sendo uma chamada aos pecadores para que eles não tentem buscar a presença de Deus por outro meio que não seja unicamente o sacrifício do Senhor Jesus Cristo.

A Reforma protestante continua sendo uma chamada para que nós vivamos pela fé e não pelo que os nossos olhos veem. Que não nos entreguemos ao materialismo que está ao nosso redor, mas vivamos o presente com os olhos no futuro porque viver pela fé é viver esperando o novo céu e a nova terra, o qual o Senhor Jesus Cristo prometeu nos dar.

A Reforma protestante continua sendo um chamado para que os homens parem de viver somente para si mesmos, mas vivam para a glória de Deus, que é o criador de tudo e governa soberanamente todas as coisas, inclusive nossas vidas. Ela é um movimento que convoca os cristãos a viverem como luz do mundo e sal da terra a fim de impedir que a corrupção da humanidade atinja patamares que a sociedade não consiga suportar, lutando para que possamos refletir a pureza moral do caráter de Cristo na terra e os valores decadentes da humanidade sejam transformados para a construção de uma qualidade de vida melhor até que Cristo volte!

Pr. Helio O. Silva.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Tito 1.3 = A Necessidade de Ordem na Igreja Local

                                                             Paulo, Timóteo e Tito

Texto: Tito 1.3.
Tema: A Necessidade de Ordem na Igreja Local.

Introdução:
         Tenho aprendido ser importante falar sobre o governo da igreja e seus ofícios fora do período de eleições eclesiásticas por pelo menos três razões:
1. A abordagem se concentra, via de regra, apenas nas características requeridas para se exercer o ofício.
2. Não há aprofundamento no tema do governo da igreja e sua relação com a saúde da igreja e sua ordem.
3. Há sempre o risco da manipulação ou do favorecimento que geram comentários equivocados nos corredores das igrejas.
      E creio, também, ser uma urgente necessidade trazermos esse assunto para os púlpitos das igrejas noutras ocasiões para ser ensinado com mais profundidade a fim de instruirmos os presbiterianos sobre o tema e as razões bíblico-teológicas e pastorais ligadas a ele, por crermos ser essa a forma bíblica do governo da igreja.
         Há um abismo de desinformação e má formação por parte da liderança da igreja que podemos colocar em risco a integridade da própria proclamação do evangelho.
         A integridade do Evangelho é a razão de Paulo ensinar tanto a Timóteo como a Tito sobre o governo da igreja e as exigências divinas para o episcopado.

Contexto:
         Paulo deixou Tito em Creta com o propósito de organizar a igreja da ilha. Paulo estava a caminho de Nicópolis, na costa da Grécia com o desejo de passar o inverno ali.
         A razão disso era que assim como advertiu a Timóteo contra os falsos mestres judaizantes na primeira epístola que lhe escreveu (1 Tm 3), também o faz a Tito (Tt 1.10-16).
Paulo mostra que a mesma graça que confere a salvação, conduz à vida piedosa e sustenta a nossa esperança na volta de Cristo. Quem é regenerado pelo Espírito Santo vive uma vida de santidade já neste mundo; “os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras” (Tt 3.5-8).
O papel dos presbíteros é ensinar pela vida e pela palavra como se deve viver a vida piedosa na igreja ( o mesmo se aplica aos diáconos).
Paulo mostra na epístola a Tito que há duas razões fundamentais para a existência de presbíteros na Igreja: A primeira é a necessidade de organização (v.5). A segunda é a presença na igreja de insubordinados, falsos mestres gananciosos e impuros e descrentes (v. 10-16).

Proposição:
         Paulo instrui a Tito quanto à necessidade de ordem nas igrejas de Creta. Há três ensinos básicos que precisamos observar quando à ordem no governo das igrejas locais:

I) Por em ordem as coisas restantes.

®   Ordem é organização.
®   Organização é tanto administração coerente com as escrituras como pastoreio sadio na fé.

II. Constituir presbíteros em cada cidade.

Presbítero = ancião. Bispo (epíscopo – v.7) = superintendente, administrador.
No Judaísmo eram líderes mais idosos e experientes dentre o povo.
Na igreja = designação da liderança pastoral e administrativa da igreja.
            Deve ser observado que em cada igreja o governo sera exercido por presbíteros, não um presbítero auxiliado por diáconos, mas o governo deverá ser exercido por um grupo de presbíteros, pois o governo da igreja deve ser plural.
A Igreja Presbiteriana faz uma distinção entre presbíteros docentes e presbíteros regentes, não como subdivisões do ofício de presbíteros, mas como dois ofícios diferentes.
Veja como o assunto é abordado na Constituição da IPB:
Art.25 - A Igreja exerce as suas funções na esfera da
doutrina, governo e beneficência, mediante oficiais que
se classificam em:
a) ministros do Evangelho ou presbíteros docentes;
b) presbíteros regentes;
                                      c) diáconos.[1]

A base bíblica para isso é encontrada em 1 Timóteo 5.17 onde é dito do presbítero que administra bem e do que se afadiga na palavra.
Calvino encontra base para essa distinção no exercício dos dons espirituais em Efésios 4.11 e Romanos 12.8ss. Ali ele define como “ofício” o exercício dos dons no ministério ordinário da igreja.[2]
Essa distinção, no entanto, não deve ser vista de modo rígido, mas fluida. Porque uma exigência para o presbiterato é a capacidade de ensinar, que deve estar presente tanto num quanto noutro. A docência também participa do governo, pois o conceito de autoridade bíblica é diferente da secular.
No conselho, não pode haver preeminência nem hegemonia de um ofício sobre o outro, mas ambos são iguais. Calvino alerta que o conceito de “hierarquia” não cabe nas definições dos ofícios da igreja.[3], porque o governo da igreja é exercido por servos iguais vocacionados pelo próprio Deus.

III. Conforme o prescrito.

A prescrição é o que consta em Atos 14.23, repetindo Atos 13.1-3.
®   Por meio de eleição.
Tantos os presbíteros quanto os pastores devem ser eleitos pela igreja; ainda que nossa CI/IPB[4] faculte aos Conselhos a prerrogativa de convidá-los anualmente.

®   Com oração e jejuns.
Calvino diz nas Institutas que a igreja antiga levava esse assunto da eleição tão a sério que oravam e jejuavam por isso.[5] Por isso é ao mesmo tempo triste e vergonhoso ver a presença de menos de 50% dos membros da igreja presentes nas Assembleias convocadas para as eleições dos oficiais da igreja!

®   Encomendando-os ao Senhor.
Isso era feito com imposição de mãos dos demais presbíteros (Atos 13.3). Um rito simples e feito com muita seriedade, pois não devia haver imposição de mãos realizadas com precipitação (1 Tm 5).

O ensino de Calvino quanto a isso: (Institutas, Livro IV, capítulo III ).
As quatro questões ou “elementos” apresentados a seguir, definem o modo prático de reconhecer e praticar a vocação divina no governo da igreja.
1. Como devem ser os ministros.
2. Como devem ser escolhidos.
3. Quem deve escolhê-los.
4. Que rito ou cerimônias há de iniciá-los.
         A explicação de Calvino de cada uma delas é ao mesmo tempo bíblica, prática, pastoral, convincente e apologética, visto que não só estabelece uma ordem bíblica para o governo da igreja como previne e denuncia os desvios da Palavra de Deus perpetrados pela ambição, avareza e cobiça incentivando o temor a Deus e a edificação da igreja (Inst. IV.III,11).[6]
1. Como devem ser os ministros? Partindo de 1 Timóteo 3.1 e Tito 1.7 resume as exigências bíblicas a que sejam “homens de boa doutrina e vida santa”, nunca ineptos ou incapazes.
2. Como devem ser escolhidos? A escolha dos ministros (e dos presbíteros) acontecia com a prática de jejuns e orações (At 13.1-3; At 14.23). A razão disso era o fato de a escolha dos ministros ser “o mais sério dos assuntos” da igreja.

3. Quem deve escolhê-los? Os membros da igreja por meio de eleição. Calvino afirma: “Que a vocação legítima de um bispo exija ser eleito pelos homens ninguém de bom senso contestará, posto que haja numerosos testemunhos da Escritura” (Inst. IV.III,14),[7] citando para esse fim Atos 1.23; Tito 1.5 e Atos 14.23. A forma de constituir presbíteros nas igrejas é por meio do voto; “a multidão toda, erguendo as mãos, indicou a quem queria” (Inst. IV.III,15).[8]

4. Que rito ou cerimônias há de iniciá-los? Calvino diz simplesmente que era por meio da “imposição de mãos”, realizada exclusivamente pelos pastores e nas Ordenanças Eclesiásticas acrescenta “providenciando para que ela ocorra sem superstição e sem afronta”.[9]

Aplicações:
          Muitos erros nos conselhos tem sua origem na superficialidade de nosso conhecimento da forma de governo bíblica, permitindo influências externas ao conciliarismo.


Frase Final: Tomemos a resolução de tratar essa questão mais seriedade daqui para a frente para a glória de Deus e o bem da igreja!



[1] Manual Presbiteriano. CI/IPB Art 25, p.18.
[2] Calvino. Institutas IV.III.4-7.
[3] Calvino. Institutas IV.IV.4.
[4] CI/IPB Art. 30 a 49 p.19-24.
[5] Calvino. Institutas Livro IV.III,12.
[6] Institutas  IV.III,11, 2009, p.509. UNESP.
[7] Institutas IV.III,14, 2009, p.510.
[8] Institutas IV.III,15, 2009, p. 511.
[9] CALVINO, João. Ordenanças Eclesiásticas Esboço 1541. In:  FARIA, Eduardo Galasso. João Calvino – Textos Escolhidos,  São Paulo: Ed. Pendão Real;  2008, p. 186.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

O Medo do Fracasso


O Medo do Fracasso
Helio O. Silva = 1º/11/2016

Todos nós temos medo de fracassar. Esse medo nos acompanha em todas as áreas e atividades de nossa vida. Tememos fracassar como filhos, como pais, como maridos, como esposas. O medo do fracasso profissional arrepia nossa alma e o medo do fracasso conjugal é uma sombra tenebrosa pairando sobre muitos casamentos.

Existe também o medo do fracasso espiritual que paralisa a fé de muitos crentes. Certa vez uma senhora já idosa me disse que não queria ser batizada porque temia desviar-se da fé após o batismo. Ela foi batizada após essa conversa e nunca se desviou da fé.

O fato é que o medo do fracasso muitas vezes nos paralisa e permeia nosso jeito de ser cristão, porque, para nós, o fracasso traz a disciplina e a vergonha pública. Em função disso, não nos comprometemos com nenhum projeto ou programa de crescimento espiritual que possa vir a exigir de nós alguma responsabilidade ou prestação de contas. O medo do fracasso mata nossa voluntariedade e por conseguinte nosso crescimento espiritual na fé. Há duas palavrinhas que precisamos dizer sobre isso:

Primeiro: Cristo disciplina, mas não reprova nossas imperfeições involuntárias, as quais estão sendo removidas por meio da obra de santificação do Espírito Santo em nossa vida. O que ele julga é a infidelidade, o ócio, a negligência e a ação voluntariosa que recusa a aprender, inclusive com os próprios erros; erros que nem sempre são pecados, mas, apenas inabilidades que podem ser corrigidas e amadurecidas mediante treinamento apropriado. Deus persegue o falso profeta e o profeta desobediente, como fez com Jonas, que acabou dentro do ventre de um peixe até resolver obedecer ao chamado de Deus. Mas ao obediente, prometeu capacitar e acompanhar, cumulando de bênçãos o seu trabalho (Jo 4.34-38).

Segundo: Em nada ajudará, no nosso crescimento espiritual e no dos outros, fugirmos da obra, fingindo escrúpulos ou alegando incapacidades para o trabalho. Alegar falta de capacidade para ser fiel, a fim de furtar-se ao cumprimento do dever cristão, é justificativa fraca, pois o poder sempre vem de Deus, nunca de nós mesmos. Se parássemos para pensar sobre a diferença entre as coisas temporais e as eternas, sobre perdas e ganhos, e sobre fé e obras; se possuíssemos a fé descrita como “certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11.1); se vivêssemos  pela fé e não pelos sentidos (comer e beber, cheirar, olhar, ouvir, pegar), não haveriam questões não resolvidas, nem temeridades, nem hesitações ou medos de fracassar, que impedissem nossa disposição em servir e trabalhar na obra de Deus. Todas as objeções, todos os apelos humanos pareceriam apenas futilidades e raciocínios infantis ingênuos.

Não se deixe paralisar na fé por causa do medo de fracassar; apresente-se ao trabalho, voluntarie-se. Descubra como servir te fará crescer espiritualmente, de forma mais consistente, fazendo de você uma bênção nas mãos de Deus.

Com amor, Pr. Hélio.

(Leia mais em: Richard Baxter. Manual Pastoral de Discipulado, ECC, p.195-197).
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