O Bom pastor e seus comentários

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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Isaías 7.1-16 = Deus Conosco




Texto: Isaías 7.1-16
Tema: Deus Conosco
Rev. Helio O. Silva - 06/11/2016
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Introdução:

         O Natal está chegando! Sabemos que o ensino bíblico tem foco diferente do foco do nosso tempo. Por isso preparamos uma série expositiva sobre os textos proféticos do Antigo Testamento sobre a vinda do Messias com a finalidade de ajustar o foco das nossas comemorações natalinas às promessas e fatos da Escritura.

Contexto:
A primeira seção de Isaías abarca os capítulos 1 a 12. Trata dos pecados e do castigo de Judá como nação, incluindo promessas de redenção (duas profecias messiânicas – 7.10-16 e 9.1-7) concluindo com o belíssimo cantico de louvor e gratidão no capítulo 12.[1]
Os capítulos 1 a 27 de Isaías fazem parte do período final das guerras sírio-efraimitas quando tanto Israel quanto Judá viviam debaixo do perigo frente ao crescimento do poderio político-militar da Assíria sobre a região em detrimento da decadência da Síria após os reinados de Hazael e seus filhos.
Isaías era filho de Amoz (1.1). Uma tradição diz que Amoz era irmão do Rei Amazias (2 Rs 14.1,2), Portanto, era tio de Jotão e tio-avô do Rei Acaz. Essa é a razão porque Isaías tinha livre trânsito no palácio em Jerusalém (Is 7.3; 37.21 e 39.3); bem como a razão de seu martírio com requintes de crueldade pelas mãos de Manassés.
Isaías era casado e sua esposa era uma profetisa (8.1) com a qual teve dois filhos (7.3 e 8.3). Segundo Gerard Van Gronningen, “não há nenhuma evidência bíblica de que a primeira esposa de Isaías morreu, de que ele tornou a casar e de que seus dois filhos tinham por isso mães diferentes”.[2] Essa interpretação foi uma pressuposição para dar sustentação ao fato de que 8.3 seria um cumprimento literal de 7.13 quanto ao nascimento do Emanuel de uma virgem. Quem propôs essa interpretação foi Herbert M. Wolf em um artigo intitulado “Uma Solução para a Profecia do Emanuel em Isaías 7.14-8.22”.
A mensagem de Isaías era muito clara e única: “Yahweh é a salvação”, que é também o significado do nome de Isaías.
Os profetas eram mensageiros de Deus ao povo que proclamavam a fidelidade de Deus à aliança que havia feito com Israel desde os tempos de Abraão e que o povo havia quebrado e abandonado depois de ter-se estabelecido na terra de Canaã. Eles proclamavam que se houvesse arrependimento e volta para o Deus da aliança, deus não cumpriria as maldições da aliança (Lv 26.14-45; Dt 29.19-29), mas restauraria o seu povo.
Sem arrependimento e volta, Deus enviaria as nações do norte para serem seus instrumentos de castigo.
Todavia, haveria esperança para os que se arrependessem. O julgamento sobre os pecados cometidos não seriam suspensos, mas Deus prometia a vinda de um agente messiânico que seria o mediador da aliança e que traria todas as nações sob o governo divino.
Para o Novo Testamento, esse agente messiânico é Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Proposição:
O texto que lemos, é a primeira menção a esse Messias no livro de Isaías. Sua vinda é para mostrar que Deus está conosco, cuidando e julgando o seu povo, mas principalmente, salvando o seu povo de seus próprios pecados. Vejamos isso em
        
I.       Uma profecia que consola os corações amedrontados.

a) A profecia é dirigida à casa de Davi – o rei Acaz..
A família de Davi e mencionada três vezes no capítulo 7: v. 2, 13 e 17.

b) Deus não esqueceu as promessas feitas a Davi em 2 Samuel 7.
Ele prometeu cuidar da casa de Davi da qual Acaz e o reino de Judá fazem parte. 

c) Deus garante a continuidade do pacto.
Deus havia mandado Isaías levar seu filho mais velho ao encontro de Acaz. O propósito era mostrar confiança quanto ao futuro (um filho fala da geração que segue depois de nós), mas também apontar para o remanescente, pois o nome do primogênito de Isaías era: “Um Resto Volverá”, ou melhor, “Um Remanescente Voltará”. O remanescente é composto dos seguidores fiéis a Deus, Deus os protegerá. Mas retornar de que?
1º) Da catástrofe política que está se desenhando em Judá e que já se configurou em Israel.
2º) Do exílio que se desenha no horizonte e que se cumprirá com o levantamento da Babilônia (que Ezequias inadvertidamente atrairá seus olhos para o sul).
3º) Do coração do povo para Deus, com um coração amoroso e sincero.
A presença de “Shear-Jashub” era uma mensagem vívida de que diante de toda e qualquer crise, o rei Acaz, e nós também, deveríamos ouvir, crer e receber confiança das promessas de Deus.

d) Acaz é admoestado a agir de acordo com a aliança (pois ele é o representante pactual da família de Davi naquele momento), portanto ele deveria vigiar a si mesmo e não se deixar levar pelo terror que a situação política ao seu redor estava desenhando (7.4 = acautela-te, aquieta-te).
Ele deveria crer e permanecer firme! (7.9): Uma tradução literal seria: “Se não estiveres firme, não ficarás firme!” pois são exatamente nessas horas que devemos crer em Deus e exercitar nossa confiança nele, para dele tirar forças e não se desviar e nem esmorecer.


II. Deus Conosco é a certeza para todas as nossas incertezas:

a) Pede um sinal.
Deus mesmo lança o desafio.

b) Não pedir para não tentar a Deus – a hipocrisia da falta de fé.
Hipocrisia por que? Porque foi o próprio Deus quem propôs o sinal.
Acaz não quis pedir o sinal porque no seu coração já havia decidido pedir socorro à Assíria, o que de fato fez e desagradou a Deus.

c) O sinal não pedido: A virgem conceberá.
Uma indicação da vinda do Messias – Mateus 1.23.
Interpretações inapropriadas:
1. A virgem é a segunda esposa de Isaías – 8.3. Não tem base na Bíblia. Isaías teve apenas uma esposa e ela lhe deu dois filhos com nomes proféticos.
2. Uma mulher jovem. O texto aponta para uma virgem não casada – uma donzela.
3. O uso do artigo definido – a virgem conceberá. Era uma mulher virgem conhecida tanto por Isaías quanto por Acaz. Não sabemos quem é.
Van Groningen dá a entender, ainda que eu não possa afirmar que seja isso que ele faz de fato, que o foco de Isaías não é o fato de que essa virgem terá um filho como Maria teve Jesus, mas que devido a situação de crise político-militar iminente, com possibilidade de invasão, a virgem que os dois conheciam se casaria e teria um filho sob os cuidados de Deus, para provar que Deus não permitiria o sucesso da tal invasão sírio-israelita, o que Acaz não consegue crer ser possível.
A interpretação seria essa:
“Considera isso: a virgem, que agora ainda não está grávida, nem mesmo casada, não obstante (como um sinal para ti), num futuro não muito distante estará grávida e no devido tempo dará à luz um filho”.[3]
         Se a virgem conceberia milagrosamente não temos como saber extamente quem era e como aconteceu.
O que está em jogo aqui não é tanto o milagre, pois esse só será visto por Mateus no Novo Testamento, mas é escolher viver pela fé ou rejeitar as promessas de Deus e viver uma vida de conchavos, manipulações e ansiedades; como todo mundo que não crê em Deus vive. Tentar fazer o próprio destino (como ensina Hollywood).

Aplicações:
1. As crises políticas do nosso país não podem determinar como eu viverei a mi há fé, mas a minha fé na palavra de Deus deve determinar como enfrentarei as crises do meu país.

2. Deus está conosco em todas as crises, se vivemos dentro da aliança.
 Viver pela fé é exatamente crer na Palavra que dirige e define o nosso comportamento diante de qualquer situação e não deixar que as circunstâncias dirijam a nossa fé. Ele prometeu estar conosco todos os dias da nossa vida até a consumação dos séculos (Mt 28.18-20).

3. A salvação dos nossos pecados acontece dentro e enquanto vivemos as nossas vidas no decorrer da história do mundo.
Deus quer nos “pescar” para si no rio dos eventos e acontecimentos da história que não para, mas que ele dirige para cumprir todos os seus propósitos.

4. A vida pela fé é incompatível com uma falsa piedade.
Acaz quis parecer ser crente e fiel a Deus, mas a sua resposta teologicamente correta, foi espiritualmente equivocada.
Não estou dizendo que a fé pode ser corretamente incoerente com a doutrina correta às vezes, mas, que a resposta aparentemente correta de Acaz desconsiderou a fonte do desafio, o próprio autor da Palavra, da doutrina.
Ou seja, ou melhor: Nós só podemos desafiar a Deus, quando ele mesmo propõe o desafio (Satanás no caso de Jó). A falsa piedade nos leva para o caminho da hipocrisia, a verdadeira piedade nos leva a confiar em Deus.


[1] Gerard Van Groningen. Revelação Messiânica no Antigo Testamento, ECC, p. 493.
[2] Gerard Van Groningen. Revelação Messiânica no Antigo Testamento, ECC, p. 489.
[3] Gerard Van Groningen. Revelação Messiânica no Antigo Testamento, ECC, p. 510.

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