O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Natal Foi Assim... (Exposições Bíblicas em Mateus 1 e 2)


Quem conhece a história do Natal?
Ela não tem nada a ver com um homem velhinho calçando botas pretas, roupas vermelhas brilhantes e um gorro com um pompom branco na ponta.

Embora ela tenha tudo a ver com presentes, na verdade conta a história de um presente só; aquele que Deus deu por nós (não para nós) que é seu filho único, Jesus Cristo. Isso porque ele já nasceu à sombra da cruz.

É claro que ele também ganhou presentes, mas todos os seus presentes tinham a ver com o propósito de seu nascimento e vinda e não eram brinquedos de criança, nem de adultos que só pensam em si mesmos e que ficam ainda mais em-si-mesmados nessa época.

O Natal verdadeiro teve promessa cumprida; aventura empolgante, drama e tragédia; fuga de um rei malvado para sobreviver e a vitória no fim.

Venha conferir essa história verdadeiraconosco! Porque o Natal foi assim...

Local: Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia
Horário: Domingo no Culto Matutino às 9 horas.

04/12/2011:
Mateus 1.18-25.
O Nascimento de Cristo Foi Assim...
Rev. Ericson Martins.

11/12/2011:
Mateus 2.1-12.
Onde está o Recém Nascido?
Rev. Hélio O. Silva.
Mensagem para as crianças.

18/12/2011:
Mateus 2.13-18.
Fujam Para o Egito!
Rev. Milton Rodrigues Jr.

25/12/2011:
Mateus 2.19-23.
E Será Chamado Nazareno
Rev. Luciano Pires.

Exposição 13 = Os Afetos da Graça Produzem Profunda Convicção Espiritual e Consciência de Nossa Insuficiência Pessoal (Distinções 5 e 6).


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Uma Fé Mais Forte Que As Emoções
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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Exposição 13 = 5ª e 6ª Distinções: Os Afetos da Graça Produzem Profunda Convicção e Consciência de Nossa Insuficiência Pessoal 30/11/2011.
Uma Fé Mais Forte Que As Emoções – Jonathan Edwards (p. 153-175)

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Introdução:
1ª Distinção: Os afetos espirituais verdadeiros são concedidos por Deus.
2ª Distinção: A Base Fundamental dos Afetos da Graça é a Excelência Transcendental e a Natureza Digna das Coisas Divinas.
3ª Distinção: Os Afetos da Graça se baseiam no deleite pela beleza moral do Próprio Deus.
4ª Distinção: Os Afetos da Graça Nascem de Uma Mente Espiritualmente Iluminada Por Deus.
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Distinção 5. Os Afetos da Graça Trazem Uma Profunda Convicção Das Verdades Divinas.
De acordo com o nosso texto (I Pe 1.8) o verdadeiro cristão tem uma convicção sólida e efetiva da verdade do evangelho. Não hesita mais entre duas opiniões. O evangelho deixa de ser duvidoso e influencia o seu coração poderosamente. O que Jesus ensina sobre Deus, a vontade de Deus, a salvação e o céu, firma-se como realidades indubitáveis, determinando de forma decisiva o seu comportamento (Mt 16.15-17; Jo 17.6-8; I Jo 4.16).

Existem muitas experiências religiosas que falham em trazer essa convicção. Muitas das chamadas revelações são emocionantes, mas não convincentes. Não produzem mudança duradoura na atitude e conduta da pessoa. Suas emoções ardem por algum tempo e depois morrem de novo, não deixando atrás de si nenhuma convicção duradoura.

Uma convicção duradoura e razoável não é fundamentada em tradição religiosa, nem em argumentos racionais. Argumentos racionais às vezes convencerão uma pessoa intelectualmente que o cristianismo é verdadeiro, mas não é isso que a salva. Simão, o mágico, cria intelectualmente, porém, continuou "em fel de amargura e laço de iniqüidade" (At 8.13,23).

Convicção espiritual da verdade surge somente numa pessoa espiritual. Somente quando o Espírito de Deus ilumina nossas mentes para entender realidades espirituais podemos ter uma convicção espiritual da verdade delas. Lembrem-se, compreensão espiritual significa uma percepção interior da beleza espiritual das coisas divinas!

Como essa convicção nos convence da verdade?
Deus é único. É totalmente diferente de outros seres e mais do que qualquer outro atributo divino, é a beleza de Deus que O distingue. Essa beleza é totalmente diversa de todas as outras belezas. Assim, quando o cristão a encontra no cristianismo, ele vê Deus aí. Isto dá ao cristão um conhecimento direto, intuitivo que o evangelho de Cristo vem de Deus. Ele não precisa ser persuadido por longos e complicados argumentos. O argumento é simples: Ele percebe a verdade do evangelho porque vê sua beleza e glória divinas.

Uma vez que o homem natural não pode ver essa beleza, não acredita nela. A não ser que vejamos a beleza da santidade estaremos cegos para a fealdade do pecado. Somente aquele a quem o Espírito Santo levar a provar a doçura da santidade e o amargor do pecado pode ver e sentir a terrível depravação de seu próprio coração (Jo 16.8-11). É dessa forma que ficamos convencidos que as Escrituras falam a verdade sobre a corrupção da natureza humana, sobre a necessidade do homem de ter um Salvador e quanto ao grandioso poder de Deus para mudar e renovar o coração humano.

Isso nos convence também que Deus é justo ao punir tão severamente o pecado e que o homem é incapaz de expiar seu próprio pecado. Esse sentido de beleza espiritual permite que a alma veja a glória de Cristo, conforme as Escrituras O revelam. Compreendemos o infinito valor de Sua expiação e a excelência do caminho da salvação no evangelho. Vemos que a felicidade do homem consiste na santidade e sentimos a glória indescritível do céu.

Muitos cristãos do passado eram iletrados, mas ainda assim creram, e creram corretamente. A fé deles não dependeu do que os estudiosos e historiadores lhes disseram. Sua convicção não vinha meramente uma opinião humana, mas da convicção dada pela Palavra de Deus (Hb 10.22; Cl 2.2). Convicções espirituais têm sua origem na ação sobrenatural de Deus em nós. Ele abre nossos olhos para vermos as indizíveis beleza e glória divinas que brilham no Seu evangelho (I Pe 1.8). O cristão espiritual vê, aprova e aprecia a maravilhosa glória divina do evangelho, que dissolve todas as suas dúvidas, convencendo-o de ser a verdade.

Isso não quer dizer que todo cristão sente o mesmo grau de certeza espiritual o tempo todo. Obtemos segurança da verdade do evangelho à medida em que vemos sua beleza divina cada vez mais clara no crescimento em santidade em que ele nos conduz pessoalmente. Os Argumentos racionais e a evidência histórica têm valor e importância à fé dos crentes, mas não podem impelir o incrédulo a levar o cristianismo a sério.

Distinção 6: Os Afetos da Graça Nos Levam à Consciência de Nossa Insuficiência Pessoal.
Insuficiência e humilhação espiritual é o sentimento que tem o cristão Diane da santidade divina. Os não cristãos conhecem outro tipo de humilhação diante de Deus: Humilhação legal: Humilhação legal é uma experiência que somente os incrédulos podem ter. A lei de Deus opera em suas consciências, fazendo com que percebam quão pecaminosos e inúteis são. Entretanto, não vêem a natureza odiosa do pecado, nem renunciam o pecado em seus corações, nem se rendem a Deus. Sentem-se como que forçados a serem humildes, mas não têm humildade. Reconhecem a Deus, mas não se rendem a ele; admitem que Deus está certo, porém continuam não convertidos.

Humilhação espiritual ou insuficiência espiritual, por outro lado, brota do sentido que o verdadeiro cristão tem da beleza e glória da santidade de Deus (Sl 34.18; 51.17; Is 66.1,2; Mt 5.3;Lc 18.9-14). Faz com que sinta quão vil e desprezível é em si mesmo devido à sua iniqüidade. Leva-o a se prostrar voluntária e alegremente perante os pés de Deus, negando a si mesmo e renunciando a seus pecados.

Humilhação espiritual é a essência da auto-negação cristã. Consiste em duas partes. Primeiro, um homem deve negar suas inclinações mundanas e renunciar a todos os prazeres pecaminosos. Segundo: Deve negar à sua natural concentração em si mesmo e auto-afirmação._Muitos fizeram a primeira sem atingir a segunda; rejeitaram os prazeres físicos, somente para sentir o prazer diabólico do orgulho.

Hipócritas orgulhosos fingem ser humildes, porém geralmente interpretam mal esse papel. Sua humildade geralmente consiste em dizer aos outros como são humildes esperando que os outros os vejam como santos notáveis.

O Orgulho espiritual pode ser disfarçado, mas não pode ficar escondido por muito tempo.
(I) O homem orgulhoso compara a si mesmo com os outros nas coisas espirituais, e tem uma opinião exaltada sobre si mesmo. Está ansioso por liderança entre o povo de Deus, e deseja que sua opinião seja lei para todos. Quer que os outros cristãos tenham-no como exemplo e o sigam.

O homem verdadeiramente humilde é o oposto disso. Sua humildade faz com que pense que os outros são melhores do que ele mesmo (Fp 2:3). Não é normal que tome sobre si mesmo o posto do professor, pois pensa que outros estão mais preparados que ele, como fez Moisés (Ex. 3: 11-4:7). Está mais ansioso por ouvir do que por falar (Tg. 1: 19). E quando fala, não é de modo ousado e auto-confiante, e sim com temor. Não aprecia exercer poder sobre os outros, preferindo seguir a liderar.

(II) Outro sinal de orgulho espiritual é que o orgulhoso tende a pensar muito bem de sua humildade enquanto o homem verdadeiramente humilde pensa que é muito orgulhoso!
O homem orgulhoso é como o escravo cheio de si. Pensa ser um grande sinal de humildade confessar sua indignidade perante Deus. Se tivesse uma visão apropriada de si mesmo, iria se sentir admirado e envergonhado de não ser mais humilde perante Deus.

O homem verdadeiramente humilde nunca sente que se rebaixou o suficiente perante Deus. Sente que não importa quanto se prostre, poderia prostrar-se ainda mais. Sempre sente que está acima de sua posição própria perante Deus. É seu orgulho que lhe parece ser grande, não sua humildade.

Aplicações:
Não devemos esquecer de aplicar essas coisas a nós mesmos.
Acaso você fica ofendido quando alguém pensa que é um cristão melhor do que qualquer outro? Pensa que essa pessoa é orgulhosa e que você é mais humilde que ela? Então tenha cuidado consigo mesmo.
Examine a si mesmo e não tenha em alta conta a sua própria humildade. Se você pensa ser melhor do que os outros por admitir que é tão pecador, sua fé está em risco. Você pode ter orgulho de admitir quão orgulhoso você é!

sábado, 26 de novembro de 2011

Formatura SPBC 2011 - Turma: Rev. Hélio O. Silva







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Hélio O. Silva
Versão: 30/11/2011.

O Meu Verso...


O que espero de vocês é que sejam mais do que eu. Que enxerguem mais longe e voem mais alto. A mim me bastará a alegria de ser a mão que os conduziu. A mão que impulsionou o pássaro no seu primeiro vôo.

Espero de vocês que não troquem suas convicções por altos salários, por templos aconchegantes ou por férias inesquecíveis. Espero que não amem mais o conforto do que a cruz.

Espero sinceramente que se tornem pregadores, bons pregadores da Palavra. Daqueles que quando anunciam a novidade do Evangelho façam arder o coração, que despertam as paixões; que motivem as decisões.

Espero que tenham seus olhares no futuro, onde nos encontraremos finalmente com o Senhor, razão do pastorado. Por isso espero que conduzam suas ovelhas ao santo aprisco do Senhor, e que as livrem das garras dos lobos, que são tantos, e tão maus...

Espero que suas lágrimas sejam cura e que carreguem consigo um pouco do brilho apaixonado do olhar de Cristo. Tenho esperança de encontrá-los em perseverança no bom caminho do Senhor Jesus, o qual nos convidou a segui-lo; andar com Ele; estar com Ele, e a pregar...

Espero de vocês a palavra justa, equilibrada, calibrada pelas Escrituras, e não pela eqüidistância tola das comodidades eclesiásticas. A verdade não é um artigo de barganha, de compra e venda. A verdade é Cristo, o fundamento de nossas vidas e aspirações. Nada mais é necessário. Nada mais é exigido, que a fidelidade simples e o amor verdadeiro.

Espero de vocês que sejam pastores, ovelheiros mesmo, e que achem tempo para aprender a sê-lo. Espero que se deixem marcar pelas marcas do pastorado. Que se lembrem das palavras más sem deixar de amar. Que suportem a afronta sem deixar de profetizar a verdade. Que se cansem na obra, sem deixar de contemplar a aproximação do Senhor. Que tenham tempo de se assentar a seus pés, e com a mesma admiração ouvi-lo falar na voz de tantos outros pregadores seus.

Espero de vocês o que sei que Ele espera de mim, uma vida e uma pregação pura e simples. Este é o meu verso. O verso que quero escrever na vida de vocês...

Aula 28 = As Características do Pacto da Graça


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 28 = As Características do Pacto da Graça (27/11/2011).
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1. A ALIANÇA É CARACTERIZADA PELA GRAÇA.
(a) porque nela Deus permite que um Fiador cumpra as nossas obrigações:
(b) porque Ele mesmo provê o Fiador na pessoa do Seu Filho, que satisfaz as exigências da justiça; e
(c) porque é a operação graciosa do Espírito Santo, que capacita o homem a cumprir as responsabilidades da Sua aliança. A aliança origina-se na graça de Deus, é executada em virtude da graça de Deus e se concretiza na vida dos pecadores, pela graça de Deus. É graça do começo ao fim para o pecador.

2. A ALIANÇA É TRINITÁRIA.
O trino Deus age na aliança da graça. Ela tem sua origem no eletivo amor e graça do Pai, encontra seu fundamento jurídico no ofício de fiador exercido pelo Filho, e só se realiza plenamente nas vidas dos pecadores pela eficaz aplicação feita pelo Espírito Santo (Jo 1.16; Ef 1.3-14; 2.8; 1 Pe 1.2).

3. A ALIANÇA É ETERNA E, PORTANTO, INVIOLÁVEL.
A aliança é eterna, quanto ao futuro (Gn 17.19; 2 Sm 23.5; Hb 13.20). Por ser eterna implica também que é inviolável; por essa razão pode ser chamada de testamento (Hb 9.17). Deus permanecerá para sempre fiel à Sua aliança e sem sombra de variação a levará à plena realização nos eleitos. Contudo, não significa que o homem não pode romper e nunca romperá a relação pactual em que se acha.

4. A ALIANÇA É PARTICULAR, NÃO UNIVERSAL.
Significa:
(a) que ela não se realizará em todos os homens e nem que é aberta a todos os homens (universalismo e arminianismo);
(b) que, mesmo na qualidade de uma relação pactual externa, ela não se estende a todos aqueles a quem o Evangelho é pregado, pois muitos deles não querem ser incorporados na aliança;
e (c) que a oferta da aliança não chega a todos, visto que tem havido muitos indivíduos e até nações que jamais tiveram conhecimento do meio de salvação. A dispensação neotestamentária da aliança é chamada universal no sentido de que é estendida a todas as nações, não se limitando mais aos judeus, como na antiga dispensação.

5. A ALIANÇA É ESSENCIALMENTE A MESMA EM AMBAS AS DISPENSAÇÕES, EMBORA COM MUDANÇAS NA FORMA DA SUA ADMINISTRAÇÃO.
Isso quer dizer que os crentes veterotestamentários foram salvos da mesm maneira que os crentes neotestamentários Pelagianos e socinianos negam isso. No catolicismo romano se afirma que os santos do Velho Testamento ficaram no Limbus Patrum (Limbo dos Pais) até quando Cristo desceu ao hades. Os dispensacionalistas também negam essa doutrina.

A unidade da aliança em ambas as dispensações é comprovada nas Escrituras:
a. O conteúdo essencial da aliança é o mesmo sempre, tanto no Antigo como no Novo Testamento:
“Eu serei o teu Deus” é a expressão do conteúdo essencial da aliança com Abraão (Gn 17.7), da aliança davídica (2 Sm 7.14), e da nova aliança (Jr 31.33; Hb 8.10). Esta promessa é de fato um sumário totalmente abrangente, e contém uma garantia das mais perfeitas bênçãos pactuais. Do fato de que Deus é chamado Deus de Abraão, Isaque e Jacó, Cristo infere que esses patriarcas têm posse da vida eterna (Mt 22.32).

b. A Bíblia ensina que há somente um único Evangelho, por meio do qual os homens podem salvar-se.
E porque o Evangelho é a revelação da graça, segue-se que há também somente uma aliança. Este Evangelho já foi ouvido na promessa materna (Gn 3.15) foi pregado a Abraão (Gl 3.8), e não pode ser suplantado por nenhum evangelho judaizante (Gl 1.8,9).

c. A Lei não anulou nem alterou a Aliança (Rm4; Gl 3 = Hb 6.13-18).
Paulo argumenta extensamente contra os judaizantes que o modo pelo qual Abraão obteve a salvação é típico quanto aos crentes do Novo Testamento, não importando se eram judeus ou gentios (Rm 4.9-25; Gl 3.7-9,17,18). Ele fala de Abraão como o pai dos crentes e prova claramente que a aliança com Abraão continua vigente.
d. O Mediador da aliança é o mesmo ontem, hoje e para sempre, Hb 13.8. Em nenhum outro há salvação (Jo 14.6; At 4.12). A semente prometida a Abraão é Cristo (Gl 3.16) e os que se identificam com Cristo são verdadeiros herdeiros da aliança (Gl 3.16-29).

e. O meio de salvação revelado na aliança é o mesmo.
A escritura insiste nas condições idênticas em toda a linha pactual (Gn 15.6 = Rm 4.11; Hb 2.4; At 15.11; Gl 3.6,7; Hb 11.9).

f. As promessas esperadas pelos crentes são as mesmas (Gn 15.6; Sl 51.12; Mt 13.17; Jo 8.56).

g. Os sacramentos, embora diferindo na forma, têm essencialmente a mesma significação em ambas as dispensações (Rm 4.11; 1 Co 5.7; Cl 2.11,12).

h. A aliança é tanto condicional como incondicional.
Essa conclusão dependerá do ponto de vista segundo o qual se considere a aliança.

•Por um lado, a aliança é incondicional.
(a) porque ela não é meritória. O pecador é exortado a arrepender-se e a crer, mas a sua fé e o seu arrependimento de modo nenhum merecem as bênçãos da aliança.
(b) É incondicional no sentido de que não se espera que o homem realize com as suas próprias forças o que a aliança exige dele. Ao colocá-lo diante das exigências da aliança, sempre devemos ser lembrados do fato de que somente de Deus podemos receber as forças necessárias para o cumprimento do nosso dever. Para os eleitos de Deus, as próprias condições da aliança são também promessas e, portanto, um dom de Deus.
(c) A fé é a conditio sine qua non (condição que não pode faltar) da justificação, mas o recebimento da fé propriamente dita na regeneração não depende de nenhuma condição, mas, sim, unicamente da operação da graça de Deus em Cristo.

• Por outro lado, há um sentido em que a aliança é condicional.
(a) A base da aliança é claramente condicionada pelo penhor de Jesus Cristo, o Fiador. Para introduzir a aliança da graça, Cristo teve que satisfazer, e de fato satisfez, as condições originariamente estabelecidas na aliança das obras, por Sua obediência ativa e passiva.
(b) O ingresso na vida da aliança depende da fé; fé que em si mesma é dom de Deus. Nosso conhecimento experimental da vida pactual depende inteiramente do exercício da fé. As razões bíblicas para essas afirmações são:
(1) A Bíblia mostra claramente que a entrada na vida pactual é condicionada pela fé (Jo 3.16, 36; At 8.37; Rm 10.9).
(2) A Escritura ameaça os filhos da aliança que ignoram essa condição, isto é, aos que se recusam a andar no caminho da aliança;
e (3) se não houvesse nenhuma condição, só Deus estaria obrigado à aliança, e não haveria nenhuma “disciplina” ou “vinculo do concerto” para o homem (Ez 20.37); e, assim, não haveria aliança de fato, pois em todas as alianças há duas partes.

i. Há um sentido em que a aliança pode ser chamada testamento.
Somente em Hebreus 9.16,17 justifica-se a tradução da palavra diatheke por “testamento”. Ali Cristo é apresentado como o testador, pois a disposição testamentária das bênçãos da aliança entrou em vigor pela morte de Cristo. O conceito de que os crentes recebem as bênçãos espirituais da aliança de maneira testamentária está implícita em várias passagens da escritura. Deus, e não Cristo, é o testador. tanto no Velho Testamento como no Novo, mas especialmente no Novo, os crentes são descritos como filhos de Deus, legalmente por adoção e eticamente pelo novo nascimento (Jo 1.12; Rm 8.15,16; Gl 4.4-6; 1 Jo 3.1-3,9). Os conceitos de herdeiro e herança associam-se naturalmente à filiação e se encontram freqüentemente na Escritura (Rm 8.17 = Rm 4.14; Gl 3.29; 4.1, 7; Tt 3.7; Hb 6.17; 11.7; Tg 2.5). Todavia a confirmação da aliança não implica a morte do testador. Os crentes são herdeiros de Deus (que não pode morrer) e co-herdeiros com Cristo (Rm 8.17).
Quanto ao pecador, a aliança tem um lado testamentário e pode ser considerada como uma herança. Quanto a Cristo, uma vez que somos chamados co-herdeiros com Cristo, Ele também é um herdeiro. Lucas 22.29 afirma a sua herança como a glória de Cristo como Mediador, glória que Ele recebeu como herança do pai, e que Ele, por Seu turno, entrega como herança a todos os Seus.

Pode-se chamar a aliança também de testamento porque:
(1) é toda ela um dom de Deus;
(2) a dispensação do Novo Testamento foi introduzida pela morte de Cristo;
(3) é firme e inviolável;
e (4) nela Deus mesmo dá o que Ele exige do homem.

É evidente que existem dois lados da aliança. Deus condescende em baixar ao nível do homem e, por Sua graça, habilita-o a agir como a segunda parte da aliança, dando-lhe livremente tudo quanto Ele requer, sendo o homem realmente o único beneficiado pela aliança. É essencial, porém, que o caráter duplo da aliança seja mantido, porque o homem aparece nela realmente satisfazendo as exigências da aliança na fé e na conversão, conquanto seja assim somente quando Deus opera nele tanto o querer como o efetuar (Ef 1.6).

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Bibliografia: Louis Berkhof. Teologia Sistemática, ECC, p. 276-280. / Wayne Gruden. Teologia Siatemática.Vida Nova, p.425-432.

sábado, 19 de novembro de 2011

Aula 27 - Natureza e Conteúdo do Pacto da Graça


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 27 = Natureza e Conteúdo do Pacto da Graça (20/11/2011).
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I. Comparação da Aliança da Graça com a Aliança das Obras.
1) PONTOS DE SEMELHANÇA.
As duas alianças concordam quanto
(a) ao autor: Deus é o autor de ambas; somente Ele poderia estabelecer tais alianças;
(b) às partes contratantes que, em ambos os casos, são Deus e o homem;
(c) à forma externa, a saber, a condição e promessa;
(d) ao conteúdo da promessa que, nos dois casos, é a vida eterna; e
(e) ao objetivo geral, que é a glória de Deus.

2) PONTOS DE DIFERENÇA.


II. As Partes Contratantes.
Como na aliança da obras, na aliança da graça Deus é a primeira parte contratante, a parte que toma a iniciativa, e por Sua graça determina a relação que a segunda parte manterá com Ele. Contudo, Ele comparece nesta aliança não apenas como um Deus soberano e bondoso, mas também, e especialmente, como um Pai misericordioso e perdoador, disposto a perdoar o pecado e a restaurar os pecadores à Sua bem-aventurada comunhão.

Deus entrou em relação pactual com os eleitos ou com o pecador eleito em Cristo. Bullinger afirma que “a aliança de Deus inclui a semente completa de Abraão, isto é, os crentes”. Isso está em harmonia com a interpretação que Paulo faz de “semente” em Gl 3.16,19,29. Oleviano, co-autor com Ursino do catecismo de Heidelberg, assevera que Deus estabeleceu a aliança com “todos os que Deus, da multidão de perdidos decretou adotar pela graça como filhos, e dotar de fé”.

A idéia de que a aliança só é realizada plenamente nos eleitos é uma idéia perfeitamente bíblica (Jr 31. 31-34; Hb 8.8-12). Além disso, ela está em plena harmonia com a relação da aliança da graça com a aliança da redenção. Se nesta Cristo é Fiador somente para os eleitos, então a substância real da primeira se limita necessariamente a eles também. A escritura salienta vigorosamente o fato de que a aliança da graça, em distinção da aliança das obras, é uma aliança inviolável, na qual as promessas de Deus sempre são cumpridas (Is 54.10). isto não pode ser planejado condicionalmente pois, neste caso, não seria uma característica especial da aliança da graça, mas se aplicaria à aliança das obras também. Todavia, precisamente este é um dos pontos mais importantes em que aquela difere desta, que não depende da incerta obediência do homem, mas unicamente da absoluta fidelidade de Deus. As promessas da aliança serão cumpridas com certeza, mas somente nas vidas dos eleitos.

Pode-se definir a aliança da graça como o acordo feito, com base na graça, entre o Deus ofendido e o pecador ofensor, porém eleito, no qual Deus promete a salvação mediante a fé em Cristo, e o pecador a aceita confiantemente, prometendo uma vida de fé e obediência.

III. O Conteúdo da Aliança da Graça.
Todo pacto tem dois lados; oferece certos privilégios e impõe certas obrigações. Há nele promessas e exigências.
1. AS PROMESSAS DE DEUS.
A principal promessa de Deus, que inclui todas as outras promessas, está contida nas seguintes palavras, freqüentemente repetidas: “serei Deus para ti e para a tua semente, depois de ti”, Gn 17.7. Encontra-se esta promessa em várias passagens do Velho e do Novo Testamentos que falam da introdução de uma nova fase da vida pactual, ou se referem a uma renovação da aliança, Jr 31.33; 32.38-40; Ez 34.23-25, 30, 31; 36.25-28; 37.26,27; 2 Co 6.16-18; Hb 8.10. A promessa será cumprida plenamente quando, afinal, quando a nova Jerusalém descer do céu, da parte de Deus e o tabernáculo de Deus for montado entre os homens (Ap 21.3).
Esta única promessa realmente inclui todas as outras promessas, tais como: (a) a promessa de diversas bênçãos temporais, que muitas vezes servem para simbolizar as de natureza espiritual; (b) a promessa de jurisdição, incluindo a adoção de filhos e o direito à vida eterna; (c) a promessa do Espírito de Deus para a plena e livre aplicação da obra de redenção e de todas as bênçãos da salvação; e (d) a promessa de glorificação final numa vida que jamais terá fim (Jó 19.25-27; Sl 16.11; 73.24-26; Is 43.25; Jr 31.33, 34; Ez 36.27; Dn 12.2, 3; Gl 4.5, 6; Tt 3.7; Hb 11.7; Tg 2.5).

2. A RESPOSTA FAVORÁVEL DO HOMEM.
As obrigações ou exigências do pacto não têm caráter meritório porque o próprio pacto é fruto da graça de Deus. O homem nada merece por satisfazer as exigências do pacto uma vez que todas as exigências do pacto são supridas pelas promessas de Deus, ou seja, Deus promete dar ao homem tudo o que dele exige.
Naturalmente, o assentimento ou resposta favorável do homem a essas promessas de Deus aparece em várias formas:
(a) Em geral, a relação entre a aliança de Deus e o crente individual ou os crentes coletivamente considerados, é representada pela íntima relação de noivo e noiva, esposo e esposa, pai e filhos. Isto implica em um amor verdadeiro, fiel, confiante, consagrado e devotado a Deus.
(b) À promessa geral, “Eu serei o teu Deus”, o homem responde dizendo, “pertencerei ao Teu povo”.
(c) E à promessa de justificação para perdão de pecados, a adoção de filhos e a vida eterna, ele responde com a fé salvadora em Jesus Cristo, com a confiança depositada nele para o tempo e a eternidade, vivendo em uma nova obediência e consagração a Deus.

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Bibliografia: Louis Berkhof. Teologia Sistemática. ECC, p. 268-273. / Louis Berkhof, Manual de Doutrina Cristã, CEIBEL, p. 156.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

12 = 4ª Distinção: Os Afetos da Graça Nascem de Uma Mente Espiritualmente Iluminada Por Deus

Jonathan Edwards

Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Uma Fé Mais Forte Que As Emoções
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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Exposição 12 = 4ª Distinção: Os Afetos da Graça Nascem de Uma Mente Espiritualmente Iluminada Por Deus 26/10/2011.
[Uma Fé Mais Forte Que As Emoções – Jonathan Edwards (p. 141-152)]
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Introdução:

1ª Distinção: Os afetos espirituais verdadeiros são concedidos por Deus.
2ª Distinção: A Base Fundamental dos Afetos da Graça é a Excelência Transcendental e a Natureza Digna das Coisas Divinas.
3ª Distinção: Os Afetos da Graça se baseiam no deleite pela beleza moral do Próprio Deus.

4ª Distinção: Os Afetos da Graça Nascem de Uma Mente Espiritualmente Iluminada Por Deus.

Os afetos da graça não têm origem em si mesmo, mas na iluminação da mente pela graça de Deus. É essa iluminação que lhe dá a compreensão espiritual necessária para que veja e entenda as coisas divinas mais do que antes.

Conhecer as virtudes espirituais é a primeira chave para abrir o coração para elas (I Jo 4.7; Fp 1.9; Jo 6.45; Cl 3.10). O cristão sente porque vê e compreende as verdades espirituais mais do que antes. Afetos verdadeiros sempre surgem da instrução verdadeira. Quando Cristo abriu o entendimento dos dois discípulos no caminho de Emaús para o reconhecerem, ele o fez por meio da instrução da escritura (Lc 24.32).

Afetos falsos nascem da ignorância, não da instrução. Todavia, existe uma diferença entre conhecimento doutrinário e conhecimento espiritual. O conhecimento doutrinário envolve apenas o intelecto, mas o espiritual envolve o coração todo (mente, vontade e emoções). O conhecimento espiritual é um sentimento pelo qual se pode perceber a santidade de Deus nas doutrinas cristãs; entendimento espiritual consiste basicamente na sensibilidade do coração à beleza espiritual das verdades divinas. Esse conhecimento nos leva a conhecer a vontade de Deus para nós (Cl 1.9). Esse entendimento não é partilhado pelos crentes com os incrédulos (II Co 4.3,4 = II Co 3.18). No entendimento espiritual não existe especulação, mas a experiência e o sentimento real da verdade e da santidade divinas.

Glorificar a perfeição moral de Deus é a finalidade de toda a criação. Essa perfeição moral das coisas divinas nos capacita a entender a suficiência da mediação de Cristo.

É preciso relacionar essa compreensão espiritual despertada com as escrituras sagradas. Uma compreensão verdadeiramente espiritual percebe o que de fato está escrito nas escrituras; não lhes dá novo significado. Entender espiritualmente de forma correta as escrituras significa compreender o que nelas já existe e saber a intenção imediata do que ali está escrito pelo autor bíblico sem adicionar novos significados. Criar um novo significado para as escrituras é criar uma nova escritura, ou seja, uma escritura falsa, outra escritura. É acrescentar à escritura algo que Deus condena veementemente (Pv. 30.6). O verdadeiro significado espiritual das escrituras é aquele que ela sempre teve desde o princípio quando o Espírito Santo a inspirou. Esse significado todos poderiam ver se não estivessem espiritualmente cegos.

Calvino afirmou nas Institutas I.9.11:
“Não é função do Espírito que nos foi prometido fazer novas revelações inéditas, ou criar alguma nova doutrina que tenda a nos afastar da que foi recebida no Evangelho. O Espírito sela e confirma a nós a doutrina que já se encontra no Evangelho.” Ele pregava um perfeito equilíbrio entre o Espírito e a Palavra, pois é erro não conhecer as Escrituras e nem o poder de Deus (Mt 22.29).

Entender espiritualmente as escrituras implica em ter abertos os olhos da mente, contemplar a excelência espiritual contida em seu significado original. Portanto, a liderança espiritual do Espírito Santo consiste em duas coisas: (1) Instruir a pessoa em seus deveres e (2) Induzi-la poderosamente a aceitar a instrução. Alguns declaram que Deus lhes revela sua vontade gravando um texto bíblico em suas mentes e lhes mostrando uma aplicação particular dela.

Por exemplo: Alguém deseja mudar-se para outro país e as palavras de Gênesis 46.4 lhe vêm repentinamente à memória. Fazer uma aplicação descontextualizada dessa maneira é um perigo espiritual e não uma nova compreensão espiritual. Não podemos confundir compreensão e discernimento espiritual com entusiasmo que se alimenta de imaginações, visões e pretensas novas revelações. Muitas religiões não cristãs se fundamentam nesse tipo de atitude. Essas experiências de forte impressão empolgam, mas não deixam resultados espirituais duradouros na vida de seus proponentes.
Isso não quer dizer que não existam experiências espirituais verdadeiras que não contenham detalhes imaginativos. Isso deve ser creditado à fraqueza da natureza humana como um efeito acidental ou uma conseqüência colateral. Todavia deve ficar claro que idéias imaginárias podem surgir de emoções e experiências espirituais verdadeiras, mas emoções e experiências espirituais verdadeiras não surgirão de idéias imaginárias. Essa ordem nas coisas é muito importante.

Conclusão parcial:
1. A compreensão espiritual dada por Deus mediante seu Espírito sempre nos conduzirá à submissão à instrução que ele mesmo já deu nas escrituras.

2. Vejamos as afirmações da Confissão de Fé de Westminster sobre esse ponto:
Capítulo I. 9,10:

IX.
A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente.

Ref. At. 15: 15; João 5:46; II Ped. 1:20-21.

X.
O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura.

Ref. Mat. 22:29, 3 1; At. 28:25; Gal. 1: 10.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Aula 26 = Requerimentos e Promessas do Pacto da Redenção Quanto a Cristo

http://allissoncaldas.blogspot.com/2011_04_01_archive.html

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Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 26 = Requisitos e Promessas do Pacto da Redenção Quanto a Cristo(06/11/2011).
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1. OS REQUISITOS DO PACTO.
O Pai exigiu do Filho que comparecesse nesta aliança como Fiador e Chefe do Seu povo, e como último Adão, para que fizesse correções pelo pecado de Adão, e dos que o Pai Lhe dera, e fizesse o que Adão deixou de fazer, guardando a lei e, assim, garantindo a vida eterna a toda a Sua progênie espiritual. Este requisito incluía as seguintes particularidades:

a) Que Ele assumisse a natureza humana nascendo de uma mulher.
Dessa forma ele adentrou as relações humanas temporais e assumiu a natureza humana com as suas presentes fraquezas, mas sem pecado. Gálatas 4.4,5 “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. Era absolutamente essencial que Ele se tornasse membro da raça humana (Hb 2.10, 11, 14, 15; 4.15.). Somente como homem ele poderia morrer pelos homens e alcançar para eles o perdão de seus pecados.

b) Que Ele, como o Filho de Deus e superior à lei, se colocasse debaixo da lei.
Era necessário que Ele entrasse, não apenas na relação natural com a lei, mas também na relação penal e federal (representativa) com ela, a fim de pagar a penalidade pelo pecado e merecesse a vida eterna para os eleitos (Sl 40.8; Mt 5.17, 18; Jo 8.28, 29); Ele foi nascido sob a lei (Gl 4.4). Filipenses 2.6-8 (pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz).

c) Que Ele, depois de merecer o perdão dos pecados e a vida eterna para os Seus, aplicasse a estes os frutos dos Seus méritos.
Ele conseguiu o perdão completo e a renovação das suas vidas pela poderosa operação do Espírito Santo. Fazendo isto, Ele tornaria absolutamente certo e seguro que os crentes consagrariam as suas vidas a Deus (Jo 10.16; 16.14, 15; 17.12, 19-22; Hb 2.10-13; 7.25).

2. PROMESSAS DO PACTO.
As promessas do Pai correspondem aos requisitos exigidos para a realização da Sua grandiosa e compreensiva tarefa, excluindo com isso toda incerteza quanto ao êxito na realização prática desta aliança. Eis o que estas promessas incluíam:

a) Que Ele prepararia um corpo para o Filho.
Esse corpo seria um tabernáculo (corpo humano) próprio para Ele, um corpo em parte preparado pela ação imediata de Deus e não contaminado pelo pecado (Lc 1.35; Hb 10.5).

b) Que Ele dotaria esse corpo dos necessários dons e graças para a realização da Sua tarefa.
Esse corpo seria ungido para os ofícios messiânicos, dando-lhe o Espírito sem medida – promessa cumprida especialmente no Seu batismo (Is 42.1, 2; 61.1; Jo 3.31).

c) Que Ele O apoiaria na realização da Sua obra.
Livrá-Lo-ia do poder da morte habilitando-o, assim, a destruir os domínios de Satanás e a estabelecer o reino de Deus, Is 42.1-7; 49.8; Sl 16.8-11; At 2.25-28.

d) Que Ele O capacitaria, como recompensa por Sua obra consumada, a enviar o Espírito Santo para a formação do Seu corpo espiritual, e para a instrução, direção e proteção da igreja (Jo 14.26; 15.26; 16.13, 14; At 2.33).

e) Que Ele Lhe daria numerosa semente em recompensa por Sua obra consumada,
Sua semente seria tão numerosa que seria uma incontável multidão,
de modo que, finalmente, o reino do Messias abarcaria o povo de todas as nações e línguas, Sl 22.27; 72.17.

f) Que Ele O comissionaria, delegando-lhe todo o poder, no céu e na terra, para o governo do mundo e de Sua igreja.

 Mateus 28.18 (aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.).

 Efésios 1.20-22 (o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, 1.21 acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. 1.22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, 1.23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.).

 Fp 2.9-11 = Ele seria humilhado, mas depois glorificado eternamente e todos se curvariam diante de sua majestade.

 Hebreus 2.5-9 = Pois não foi a anjos que sujeitou o mundo que há de vir, sobre o qual estamos falando; antes, alguém, em certo lugar, deu pleno testemunho, dizendo: Que é o homem, que dele te lembres? Ou o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, por um pouco, menor que os anjos, de glória e de honra o coroaste [e o constituíste sobre as obras das tuas mãos]. Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas; vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem.).

g) e finalmente O recompensaria, como Mediador, com a glória que, como Filho de Deus, tinha com o Pai antes de existir o mundo.
“E, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jo 17.5).

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Bibliografia: Louis Berkhof. Teologia Sistemática. ECC, p. 267-268.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Gratidão = Pelo 9º Encontro da Fé Reformada de Goiânia


"Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração" Colossenses 3:16

Gratidão é um sentimento interessante, porque nos leva ao reconhecimento de uma dívida que não podendo pagar, faz-nos enaltecer em nós o respeito, carinho e apreço por aqueles que nos socorreram de tal forma, que o máximo que podemos fazer é dizer “_ Muito obrigado!”

Gratidão também faz parte do fruto do Espírito Santo em nós. Uma pessoa grata não apenas tem consciência que não pode pagar o benefício recebido, mas em seu espírito nutre uma relação de admiração que o leva a honrar o seu beneficiário publicamente. Uma pessoa grata elogia, dá atenção e prontifica-se a ser útil ao seu ajudador sempre que possa fazê-lo e muitas vezes além disso. Estamos certos que muitas situações ocorridas nos bastidores do Encontro nos aproximaram mais uns dos outros, estreitando nossa comunhão e enriquecendo nossa experiência cristã.

Somos gratos a Deus pela realização de mais um Encontro da Fé Reformada em nossa igreja. Ele nos fortaleceu; encaminhou as circunstâncias de forma favorável; chamou e trouxe um público que superou nossas expectativas. Acima de tudo, porém, ele falou conosco e nos ensinou a Sua palavra mais uma vez. Como Deus é fiel!

Somos gratos a todos os que vieram; os de longe e os de perto. Esse ano recebemos mais de 480 inscrições. Irmãos de vários Estados de nosso país participaram pela primeira vez. Outros já são freqüentadores assíduos. Mencionamos em especial os ex-alunos do SPBC que têm feito desse evento um ponto de reencontro entre eles com animadas e saudosas conversas a respeito de suas experiências passadas e presentes no campo. Também ressaltamos o bom número de líderes das diversas igrejas locais e de fora, que vêm aprofundar a sua fé e dar respaldo de credibilidade externa ao Evento. Deus os abençoe profundamente. Esperamos tê-los sempre conosco.

Agradecemos aos preletores que vieram de longe para contribuir com uma discussão bíblica ao tema proposto, aprofundando convicções e promovendo a reflexão necessária para vivermos e fazermos a vontade de Deus em primeiro lugar (Jo 7.17). O assunto é sério, rodeado de proposições teóricas e práticas, além de controverso segundo a ótica de tantos outros. Todavia a pergunta levantada também o é: Qual o lugar dado às Escrituras nas nossas estruturas de aconselhamento, ajuda diaconal e auxílio mútuo na fé? Para a fé reformada a resposta é inequívoca: seu lugar é o centro, jamais a periferia.

Nossa palavra de gratidão se estende ternamente também a todos os voluntários, colaboradores e patrocinadores; da igreja e das Congregações, que se esforçaram juntos para fazer o encontro acontecer e ser bom. Deus que nunca se esquece de nada é quem sempre os recompensará. Vocês são os construtores do encontro, a alegria e a pulsação do mesmo. Sem vocês o Encontro da Fé Reformada não passaria de um projeto, o esboço de um sonho numa folha de papel; contudo já se fazem nove (9) anos que não é assim! O fato de não mencionarmos nomes aqui, não quer dizer que não queiramos fazê-lo. É melhor que fiquem na memória e no coração. Eles serão mencionados por Deus na hora certa e no lugar apropriado, mas não por nós agora. Como somos gratos a todos vocês!

Por fim, ano que vem planejamos realizar o 10º Encontro no mês de novembro. Todos vocês são nossos convidados a fazer esse encontro acontecer e ser bom, para a glória de Deus e para o enriquecimento da nossa fé; para o fortalecimento das igrejas de nossa região e para que sejamos pastores e líderes segundo o coração de Deus! Amém.


Rev. Hélio O. Silva
www.revhelio.blogspot.com

Aula 25 = O Papel do Filho no Pacto da Redenção


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 25 = O Papel do Filho no Pacto da Redenção (23/10/2011).
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1. A POSIÇÃO OFICIAL DE CRISTO NESTA ALIANÇA.
A posição de Cristo na aliança da redenção é dupla. Em primeiro lugar, Ele é Penhor ou Fiador (grego eggyos); a palavra grega é usada somente em Hb 7.22. Penhor ou Fiador é aquele que se faz responsável pelo cumprimento das obrigações legais de outrem. Na aliança da redenção Cristo se encarregou de expiar os pecados do Seu povo, sofrendo pessoalmente a punição necessária, e de satisfazer as exigências da lei pelo mesmo povo. E, ao tomar o lugar do homem delinqüente, Ele se fez o ‘’ultimo Adão e, como tal, é o Chefe da aliança, o Representante de todos quantos o Pai Lhe deu. Então, na aliança da redenção Cristo é o Penhor ou Fiador e o Chefe. Ele tomou sobre Si as responsabilidades do Seu povo. É também o seu Fiador na aliança da graça, que desabrocha da aliança da redenção. Tem-se levantado a questão, se o ofício de Cristo como Penhor ou Fiador no conselho de paz foi condicional ou incondicional. A jurisprudência romana reconhece dois tipos de fiador, um designado fidejussor e o outro expromissor. O primeiro é condicional; o segundo é incondicional. O primeiro é um fiador que se encarrega de pagar por outra pessoa, dado que esta não paga o que deve. O peso da culpa permanece sobre os ombros da parte culpada até a hora do pagamento. O segundo, porém, é um fiador que se encarrega incondicionalmente de pagar por outrem, livrando imediatamente a parte culpada da sua responsabilidade. Coceio e sua escola sustentavam que, no conselho de paz, Cristo se fez fidejussor e que, conseqüentemente, os crentes do tempo do Velho Testamento não gozavam pleno perdão dos pecados. Inferiam de Rm 3.25 que para aqueles santos só havia uma paresis, um passar por alto o pecado, e não a aphesis, isto é, o perdão completo, enquanto Cristo não fez realmente a expiação pelo pecado. Entretanto, os seus oponentes afirmavam que Cristo encarregou-se incondicionalmente de prestar satisfação por Seu povo e, portanto, foi um fiador no sentido especifico de expromissor. Esta é a única posição sustentável, pois: (a) Os crentes veterotestamentários receberam plena justificação ou perdão, embora o seu conhecimento disto não fosse tão completo e tão claro como é na dispensação do Novo Testamento. Não há diferença essencial entre a situação dos crentes do Velho Testamento e a dos crentes do Novo, Sl 32.2, 2, 5; 51.1-3, 9-11; 103.3, 12; Is 43.25; Rm 3.3, 6-16; Gl 3.6-9. A posição de Coceio lembra uma das posições dos católicos romanos, com o seu Limbus Patrum (“Limbo dos Patriarcas” = o lugar para onde iam os mortos não salvos pela graça, mas não classificados como pagãos ou como pecadores réprobos, é o que se chama de “seio de Abraão”. Foi desfeito com a descida de Cristo ao Hades ). (b) A teoria de Coceio faz a obra de Deus, em Sua provisão para a redenção dos pecadores, depender da incerta obediência do homem, de maneira inteiramente sem base. Não há sentido em dizer que Cristo se fez fiador condicional, como se ainda fosse possível ao pecador pagar por si mesmo. A provisão para a redenção dos pecadores é absoluta e sufuciente em Cristo. Não equivale a dizer que Ele não trata o pecador como pessoalmente culpado enquanto não for justificado pela fé, pois o que Deus faz é exatamente isso. (c) Em Rm 3.25, a passagem a que Coceio recorre, o apóstolo emprega a palavra paresis (deixar de lado ou passar por alto), não porque os crentes individuais da dispensação do Velho Testamento não receberam pleno perdão do pecado, mas porque, durante o tempo daquela dispensação, o perdão do pecado tinha a forma de uma paresis, dado que o pecado não fora adequadamente punido em Cristo e a justiça absoluta de Cristo não fora revelada na cruz.

2. O CARÁTER DESTA ALIANÇA ASSUMIDA POR CRISTO.
Conquanto seja um fato que a aliança da redenção constitui a base eterna da aliança da graça e, no que interessa aos pecadores, constitui também o seu protótipo eterno, para Cristo foi uma aliança das obras, e não da graça. Para Ele a lei da aliança original estava em vigor, a saber, que a vida eterna só poderia ser obtida pelo cumprimento das exigências da lei. Como o último Adão, Cristo obtém a vida eterna para os pecadores como recompensa por Sua fiel obediência, e de modo nenhum como uma dádiva imerecida da graça. E aquilo que Ele fez, na qualidade de Representante e Fiador de todo o Seu povo, este já não tem a obrigação de fazer. A obra está realizada, a recompensa é merecida, e os crentes são feitos participantes dos frutos da obra consumada, mediante a graça.

3. A OBRA REALIZADA POR CRISTO NA ALIANÇA, LIMITADA PELO DECRETO DA ELEIÇÃO.
Alguns identificam a aliança da redenção com a eleição, mas é evidente que é um erro. A eleição faz referência à seleção das pessoas destinadas a serem herdeiras da glória eterna em Cristo. Por outro lado, o conselho de redenção se refere ao modo e aos meios pelos quais a graça e a glória são preparadas para os pecadores. Na verdade, a eleição também faz referencia a Cristo e conta com Cristo, pois se afirma que os crentes são eleitos nele. Num sentido, Cristo mesmo é objeto da eleição, mas no conselho de redenção Ele é uma das partes contratantes. O Pai trata o filho como Fiador do Seu povo. Logicamente, a eleição precede ao conselho de redenção, porquanto a obra realizada por Cristo na qualidade de Fiador, como a Sua obra expiatória, é particular. Se não houvesse uma eleição prévia, ela seria necessariamente universal. Além disso, inverter os termos seria equivalente a fazer da fiança de Cristo a base da eleição, mas a Escritura baseia a eleição inteiramente no beneplácito de Deus.

4. RELAÇÃO DOS SACRAMENTOS USADOS POR CRISTO COM A ALIANÇA.
Cristo fez uso dos sacramentos do Velho Testamento. É evidente, contudo, que eles não podiam significar para Ele o que de fato significam para os crentes. No caso dele, não podiam ser nem símbolos nem selos da graça salvadora; tampouco podiam servir de instrumentos para fortalecimento da fé salvadora. Se distinguirmos, como estamos fazendo, entre a aliança da redenção e a aliança da graça, será fácil ver que, para Cristo, os sacramentos, com toda a probabilidade, tinham que ver com aquela, e não com esta. Na aliança da redenção, Cristo se incumbiu de satisfazer as exigências da lei. Estas assumiram forma definida quando Cristo esteve na terra, e também incluíam regulamentos religiosos positivos. Os sacramentos faziam parte desta lei e, portanto, Cristo teve que sujeitar-se a eles, Mt 3.15. Ao mesmo tempo, eles puderam servir de selos das promessas que o Pai fizera ao filho. Pode-se levantar contra esta explicação a objeção de que, na verdade, os sacramentos são símbolos e selos próprios para remover o pecado e para nutrir a vida espiritual, mas, pela natureza do caso, não podiam ter este significado para Cristo, que não tinha pecado e não precisava de nutrição espiritual. Responde-se que embora não tenha nenhum pecado pessoal, e, portanto, nenhum sacramento pudesse simbolizar e selar, em favor dele, a remoção do pecado, não obstante, Ele foi feito pecado por Seu povo, 2 Co 5.21, levando sobre Si o peso da sua culpa; e, conseqüentemente, os sacramentos podiam simbolizar a remoção deste peso, de acordo com a promessa do Pai, depois que Ele completasse a Sua obra expiatória. Ainda, conquanto não possamos falar de Cristo como exercendo a fé salvadora, no sentido em que isto se requer de nós, todavia, como Mediador Ele teve que exercer a fé num sentido mais amplo, aceitando com fé as promessas do Pai, e confiando no Pai quanto ao seu suprimento. E os sacramentos podiam servir de sinais e selos para fortalecer esta fé, naquilo que era concernente à Sua natureza humana.

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Bibliografia: Louis Berkhof. Teologia Sistemática. ECC, p. 265-267. Éverton Jobim; “O Limbo dos Patriarcas”. http://www.doutrinacatolica.com/modules/news/article.php?storyid=151. Acesso em 03/10/2009.

sábado, 5 de novembro de 2011

Aula 24 = O Pacto da Redenção

http://www.google.com.br/imgres?q=papeis+de+parede+cristãos

Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 24 = O Pacto da Redenção (02/10/2011).
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A. INTRODUÇÃO
Há diferentes explanações a respeito das partes da aliança da graça. Alguns entendem que são o:
a) Deus triúno e o homem (este sem qualificação ou qualificado de algum modo, como por exemplo, “o pecador”, “o eleito” ou “o homem em Cristo”);
b) outros entendem que são Deus o Pai, representando a Trindade, e Cristo, representando os eleitos; outros ainda,
c) distinguem as duas alianças, a saber, a aliança da redenção (pactum salutis) entre o Pai e o Filho, e, baseada nesta, a aliança da graça entre o Deus triúno e os eleitos, ou entre Aquele e o “pecador eleito”. Passagens como Rm 5.12-21 e 1 Co 15.21, 22, 47-49 salientam a inseparável conexão que há entre o pactum salutis e a aliança da graça. Elas põem em relevo a unidade da aliança em Cristo.

A terceira explanação (c) é mais precisa, mais fácil de entender e, portanto, mais proveitosa numa discussão prática da doutrina da aliança. É seguida pela maioria dos teólogos reformados calvinistas. Não há diferença essencial entre essas duas explanações. “Não há diferença doutrinária entre os que preferem uma exposição à outra; entre os que encerram todos os fatos da Escritura relativos a este assunto numa só aliança entre Deus e Cristo como o representante do Seu povo, e os que os distribuem em duas alianças”. Sendo assim, está fora de dúvida que a terceira maneira (c) de apresentar a matéria merece a preferência. “Apesar desta distinção (entre a aliança da redenção e a da graça) ser favorecida pelas afirmações bíblicas, não se segue que há duas alianças separadas e independentes, em antítese à aliança das obras. A aliança da graça e a da redenção são dois modos ou duas fases da única aliança evangélica da misericórdia”.

B. Dados Bíblicos Quanto à Aliança da Redenção.
O nome “conselho de paz” é derivado de Zc 6.13 onde as palavras se referem à união dos ofícios real e sacerdotal do messias. O caráter escriturístico do nome não pode ser defendido, mas, naturalmente, isto não põe em descrédito a realidade do conselho de paz. A doutrina deste conselho eterno repousa na seguinte base escriturística:

1. O plano da redenção estava incluído no decreto ou conselho eterno de Deus, Ef 1.4ss; 3.11; 2 Ts 2.13; 2 Tm 1.9; Tg 2.5; 1 Pe 1.2 etc.
Pois bem, vemos que na economia da redenção, em certo sentido, há uma divisão de trabalho: o Pai é o originador, o Filho o executor e o Espírito Santo o aplicador. Isto só pode ser resultado de um acordo voluntário entre as pessoas da Trindade, de sorte que as Suas relações internas assumem a forma de uma vida pactual. De fato, é exatamente na vida trinitária que vemos o arquétipo das alianças históricas; vemos nela uma aliança no sentido próprio e mais completo da palavra, encontrando-se as partes num terreno de igualdade.

2. O plano divino de salvação dos pecadores é eterno, Ef 1.4; 3.9,11, mas também indicam que esse plano é da natureza de uma aliança.
Cristo fala das promessas a Ele feitas antes do Seu advento, e repetidamente se refere a uma comissão ou delegação de poderes que recebeu do Pai, Jo 5.30, 43; 6.38-40; 17.4-12. E em Rm 5.12-21 e 1 Co 15.22, Ele é claramente considerado o chefe representativo, isto é, o chefe de uma aliança.

3. Sempre temos os elementos essenciais de uma aliança, a saber, partes contratantes, promessas e condição ou condições, temos uma aliança.
No Sl 2.7-9 mencionam-se as partes e se indica uma promessa. O caráter messiânico desta passagem é afiançado por At 13.33; Hb 1.5; 5.5. No Sl 40.7-9, também atestado como messiânico pelo Novo Testamento, (Hb 10.5-7), o Messias expressa a Sua prontidão para fazer a vontade do pai tornando-se um sacrifício pelo pecado. Cristo fala repetidamente de uma tarefa que o Pai Lhe confiou, Jo 6.38, 39; 10.18; 17.4. A declaração registrada em Lc 22.29 é particularmente significativa: “Assim como o Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio”. O verbo empregado aqui é diatithemi, do qual deriva a palavra diatheke, e cujo sentido é designar por disposição voluntária, testamento ou aliança. Além disso, em Jo 17.5 Cristo reivindica uma recompensa, em Jo 17.6, 9, 24 (cf. também Fp 2.9-11), Ele se refere ao Seu povo e à Sua glória vindoura como uma recompensa a Ele dada pelo Pai.

4. Há duas passagens veterotestamentárias que ligam diretamente o conceito da aliança ao Messias,
a saber, o Sl 89.3, que se baseia em 2 Sm 7.12-14, e que Hb 1.5 prova tratar-se de uma passagem messiânica; e Is 42.6, onde a pessoa aludida é o Servo do Senhor. O contexto mostra claramente que este Servo não é simplesmente Israel. Além disso, há passagens nas quais o Messias fala de Deus como Seu Deus, a saber, Sl 22.1, 2 e 30.8, empregando assim a linguagem pactual de hábito.

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Bibliografia: Louis Berkhof. Teologia Sistemática, ECC, p. 247-248). Catecismo Maior de Wesminster, pergunta 31.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Êxodo 20.18-21 = Um Encontro Tremendo!


Texto: Êxodo 20.18-21.
Tema: UM ENCONTRO TREMENDO!
Data: 16/04/2005.

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Introdução:
Em 1966 uma igreja pequena da África do Sul experimentou um encontro tremendo com Deus. Esse encontro está narrado no livro “Reavivamento na África do Sul”, do Rev. Erlo Stengen, traduzido pelo Rev. Augustus Nicodemus.
Durante três meses aquela igreja praticamente apenas chorava nos cultos, enquanto lhes era pregado de forma expositiva o livro de Atos e depois o Evangelho de João. Uma noite, no culto, uma jovem convertida havia apenas três meses se levantou com lágrimas descendo pela face e pediu para orar. Ela fez a seguinte oração: “_ Oh Deus... será que não podes descer para estar entre nós, como fizeste a dois mil anos atrás?”
Uma semana e meia depois, quando o pastor chegou à igreja, todos já estavam lá, ninguém havia chegado atrasado. Era um culto de oração, Erlo Stengen nos diz que Deus desceu e se colocou entre eles: “O Espírito de Deus desceu e ninguém precisou dizer ao outro que Deus estava no nosso meio. Havia plena consciência da presença de Deus entre nós. Todos sabíamos que Deus estava no nosso meio, sem dizermos uma palavra. Só pude colocar minha mão direita sobre a cabeça, curvar-me e adorar o Deus do céu.
Todos nós queremos ter um encontro assim com Deus. Mas muito do que se tem propalado como “encontros tremendos” com Deus, fogem completamente do testemunho e do ensino positivo da escritura a esse respeito.
Deus não aceita um estilo de culto construído para ele embasado no uso de artimanhas humanas que visam apenas o reconhecimento público e o aplauso dos assistentes. De fato, as pessoas estão se esquecendo que Deus é “fogo consumidor” (Hb 12.28).

Contexto:
Deus está entregando os 10 Mandamentos a Moisés. Moisés conduziu todo o povo para fora do arraial. No dia anterior lavaram todas as suas vestes como sinal de purificação (19.14) e não mantiveram relações sexuais com suas esposas (19.14,15). A reação do povo foi de medo, estremecendo de temor diante da manifestação de Deus (19.16 e 20.18).
O Monte Sinai estava recoberto de espessas nuvens negras. Havia fogo, tremor de terra, trovões e relâmpagos (19.18,19). O povo estava proibido de subir o monte para tentar ver a Deus. Quem tentasse seria morto! Somente Moisés poderia subir (19.12,20,21). Também havia um clangor de trombetas que ia aumentando cada vez mais (19.19). Moisés chama a esse espetáculo apavorante de “Encontro com Deus” (19.17) em que Deus desceu e falou a todo o povo reunido (19.20), desde o menor até o mais idoso.

Proposição:
Em tempos de propalados “encontros tremendos” com Deus, seria justo perguntar o que realmente acontece quando temos um encontro “tremendo” com Deus?

I. QUEM SE ENCONTRA COM DEUS SE ESTREMECE COM O QUE VÊ NA SUA PRESENÇA V18.

a) Todo o povo presenciou a manifestação de Deus no Monte Sinai.
As manifestações de Deus são pessoais, mas também são coletivas, pois visam a edificação de todos. Paulo ensina isso em 1 Corintios 14. A edificação da igreja é mais importante que o prazer pessoal no uso dos dons espirituais, que são manifestações de Deus na vida da igreja.

b) Todo o povo estremeceu com o que viu.
É preciso reconhecer que um “encontro tremendo” com Deus é de fato tremendo! Foi assim em todo o Antigo Testamento e também no Novo Testamento.
• Moisés e a sarça (Ex 6).
• Gideão = Jz 6.
• Israel no Monte Carmelo = 1 Rs 18.
• Isaías no templo = Is 6.
• Daniel = Dn 9.
• Pedro em Lc 5.
• João no Apocalipse (Ap 4).

c) Todo o povo ficou de longe.
O publicano de Lucas 18 também ficou de longe, porque reconheceu a distância entre a santidade de Deus e sua pecaminosidade. Ele reconheceu quem ele era e fazia e quem é Deus e faz.
Quando o encontro com Deus é tremendo somos abalados em toda a nossa estrutura. Até aí tudo bem, é como se diz. Encontrar-se com Deus é algo tremendo mesmo! Mas um encontro tremendo não é só isso.

Ilustração: Um jovem foi a um acampamento de uma igreja neopentecostal e teve uma experiência bastante mística. Durante quase duas horas ele ficou tremendo quase escandalosamente diante de todas as pessoas, balançando freneticamente os braços. Só parou quando teve câimbras. Fui visitá-lo e perguntei qual a sua interpretação do ocorrido. Sua resposta foi que não tinha entendido nada, mas que foi algo muito prazeroso; que ele queria experimentar outra vez. O moço saiu de nossa igreja e se envolveu com aquela igreja neopentecostal. A última notícia que tive dele é que estava desviado da fé.

O texto amplia o assunto mostrando as implicações práticas do que significa um encontro “tremendo” com Deus.

II. QUEM SE ENCONTRA COM DEUS TEME APROXIMAR-SE DELE LEVIANAMENTE V.19.

a) Moisés é nomeado mediador entre Deus e o povo.
Deus instruiu a Moisés de que como em qualquer pacto um mediador seria necessário, e o nomeou como “advogado” do povo perante ele. Deus não se relaciona diretamente conosco, mas ele o faz por meio de um mediador.
Moisés é um tipo de Cristo. Tudo entre nós e Deus é mediado por Cristo. Ele penetrou os céus e nos levou ao Santo dos Santos. Agora, Deus habita em nós e fez de nós em Cristo o Santo dos Santos, o lugar de sua santa habitação! Isso não muda o fato da mediação de Cristo. Sua mediação é expiatória quanto a nós e propiciatória quanto a Deus.
O resultado disso é reconciliação que possibilita verdadeira adoração. Assim como no êxodo, por meio de Moisés, em Cristo Deus nos encontrou (Ex 5.1-5; Jo 4.23,24) e nos trouxe de longe para perto (Ef 2.11,12).

b) Para que não morramos.
A adoração não será como a adoração aos ídolos do Egito! Não será um espetáculo de manipulação e preferências, mas o encontro com o único Deus vivo e verdadeiro. Esse Deus verdadeiro não aceita o pecado e não convive com ele. Ele exige que o seu povo seja santo como ele é santo (Lv 11.44). O povo entendeu: Como permanecer diante desse Deus santo?
Hoje em dia parece que seguimos o gnosticismo de Márcion do início do 2º século que dizia que um Deus que sopra fumaça e atira fogo nas pessoas não é digno de adoração!
Nós erramos quando dizemos que Deus está tão distante de nós que não podemos conhecê-lo (deísmo), mas também erramos quando dizemos que ele está tão perto de nós que tudo é deus (panteísmo). O hinduísmo ensina na sua forma de cumprimentar as pessoas assim: “o deus que está em mim saúda o deus que está em você”. Nossa busca por um Deus que a gente possa sentir, tocar, ver e ouvir à nossa própria maneira ignora a necessidade que temos da ação de nosso mediador: Jesus Cristo!
Cantamos aos gritos: “Eu quero é Deus! Não importa o que vão pensar de mim!” e nem imaginamos o terror que isso significou para os israelitas no deserto! O caso de Nadabe e Abiu (Lv 9); o sacerdote Uzá (II Sm 6); Ananias e Safira (At 5) e os coríntios adoecidos e mortos (I Co 11) gritam da escritura para não sermos levianos na presença de Deus, porque ele não faz concessões nem para a sinceridade, quanto mais para a mentira deslavada!
Precisamos aprender de vez quanto ao culto que agrada a Deus que não existe apenas um momento santo e um lugar santo, mas também um modo santo pelo qual somente podemos entrar na presença de Deus! Esse modo é a mediação de Cristo através da obediência ao mandamento revelado por Deus nas escrituras. Cristo não está fisicamente entre nós como esteve com os apóstolos, nós não o conhecemos desse modo hoje! (II Co 5.16).
Essa é uma das razões porque eu acho o estudo dos Pais apostólicos fascinante. Eles foram a primeira geração que andou pela fé sem ter andado com Cristo pessoalmente. Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna, Papias de Hierápolis e talvez Clemente de Roma foram discípulos dos apóstolos.

Ilustração: Estudando Inácio, por exemplo, ele tentou recolocar a presença física de Cristo entre nós pela participação nos sacramentos e abriu a porta para o desenvolvimento da transubstanciação da ceia! Policarpo seu amigo, enfrentando um problema semelhante em Esmirna disse que de forma nenhuma poderíamos mudar o que os discípulos disseram e apelou para uma citação de I João que fala sobre a obediência aos mandamentos. Somos levianos quando substituímos a escritura pela nossa experiência cristã como resposta às indagações do mundo sobre a nossa fé.

Como que a Igreja solucionou esse problema? Entendendo que a nossa relação com o nosso mediador se baseia nos seus ofícios para conosco:
 Ele é o profeta que nos ensina. A sua palavra nos vivifica!
 Ele é o sacerdote que fez expiação por nós e intercede presentemente por nós na presença de Deus. O seu sacrifico expiatório é a nossa reconciliação!
 Ele é o rei que nos liberta, governa e protege. O evangelho é o seu cetro!

III. QUEM SE ENCONTRA COM DEUS APRENDE O QUE SIGNIFICA TEMER A DEUS V.20.

a) Não temais
Parece ser justa a distinção comumente feita entre temer a Deus e ter medo de Deus. Devemos temer a Deus, não ter medo de Deus. O temor nos aproxima de Deus, mas o medo nos afasta dele.

Ilustração: Adão teve medo de Deus e se afastou quando pecou contra ele. O pecado nos faz ter medo de Deus, porque causa separação entre nós e ele. A religião que Adão escolheu praticar sem o mandamento de Deus o levou a um caminho de criatividade, mas também de medo. Porque ao ver quem realmente era através dos olhos do pecado viu também quem Deus realmente era justo e santo e agora ele não mais poderia estar na sua presença!

b) Deus veio vos provar:
Cada encontro com Deus é uma prova. O que Deus quer encontrar em nós? O que ele quer nos ensinar? Duas coisas:
1. Temor = “E para que o seu temor esteja diante de vós”.
Estar “diante de” é estar na memória continuamente, como eles estavam vendo tudo aquilo acontecer. Aquilo iria ficar na memória deles por muito tempo, por toda aquela geração!
Milagres não são para todo dia. Não é incredulidade afirmar isso, mas é apenas o reconhecimento da realidade de como Deus nos ensina a conhecê-lo e como age entre nós. Não se pode negar a validade de milagres contemporâneos e os instrumentos humanos ou não de que Deus se utiliza para realizá-los, mas uma pregação ingênua a respeito disso tem sido um completo vexame para a igreja. Imaturidade e frustração, partidarismo e divisão; decepção e afastamento é o que a igreja tem colhido, não um crescimento para a maturidade.

Ilustração: O slogan de uma igreja diz: “Igreja tal, a igreja que ama você” e de repente nós temos que acolher seus membros batendo em nossas portas pedindo alimentos dizendo que a sua igreja não pôde ajudá-los, mesmo tendo uma arrecadação de mais de 5 vezes maior que a nossa por mês por mês. Irmãos! Temos de ser uma igreja para os outros, não para nós mesmos, porque Cristo foi assim quando veio até nós! (Mc 10.45).

2.Santidade = “a fim de que não pequeis”.
Quando o encontro com Deus é tremendo, devemos entender que Deus tem propósitos santificadores para com a nossa vida na sua presença. Todo encontro com Deus é uma prova para a nossa fé. Como dissemos, não devemos ter medo de Deus, devemos temê-lo. Não devemos ter medo de Deus, devemos ter medo de nós mesmos na sua presença. Não devemos ter medo de Deus, devemos ter medo de não conhecê-lo apropriadamente, como ele deseja, e assim desagradá-lo com a nossa irreverência!
O evangelho é uma dádiva completa. Ele nos trás o perdão de Deus, mas também nos livra do poder do pecado. Gostamos de 1 João 2.1, quando ele fala do perdão de Cristo, mas não gostamos muito da primeira parte quando fala que tudo foi escrito “para que não pequeis”.
Deus nos santifica para podermos andar com ele e ele andar em nosso meio conosco! Estar na presença santa de Deus é algo que devemos ansiar como o maior objetivo de nossas vidas! (Ex 33.12-29).

IV. QUEM SE ENCONTRA COM DEUS APRENDE QUE SOMENTE DEUS ESCOLHE QUEM PODE ENTRAR NA SUA PRESENÇA V.21.

a) Somente Moisés pôde adentrar a nuvem espessa.
Êxodo 19.20 diz que Deus chamou somente a Moisés para subir ao monte. Ele o fez nominalmente. Numa outra ocasião Moisés pediu para ver a glória de Deus, mas o Senhor respondeu que ninguém poderia ver a sua glória e viveria. Portanto, Deus permitiu a Moisés ver apenas a sua bondade (Ex 33.19) que nos versos 21 a 23 significou uma permissão a Moisés de vê-lo pelas costas, escondido numa penha e com a mão de Deus sobre os seus olhos! Ninguém jamais viu ou verá a Deus diretamente, somente Cristo pode revelá-lo para nós (Jo 1.18). Nosso relacionamento com Deus é sempre mediado pelo mediador por ele indicado.

b) “Onde Deus estava”.
Quando o encontro é tremendo, reconhecemos o mistério da adoração. A justiça soberana escolhe a quem se dará a conhecer a intimidade de Deus (Sl 33.25). Não somos nós que escolhemos a Deus para adorá-lo, mas é ele mesmo quem escolhe os seus adoradores. A verdadeira espiritualidade não é definida pelo que fazemos e o que oferecemos, mas ela é marcada pela escolha de Deus (Jo 4.23,24).
João 15.16 = Não fomos nós que o escolhemos, mas ele nos escolheu, e nos designou para dar frutos permanentes!

CONCLUSÃO:
É uma regra saudável de hermenêutica procurarmos nas Escrituras onde se faz menção desse acontecimento e como a escritura o interpreta.
Além de Deuteronômio 5, há mais duas referências a esse encontro e seus desdobramentos na progressão da revelação.

1. I Reis 19.1-19 = Elias no Monte Horebe.
Deus não estava no trovão, nem no fogo e nem no terremoto, mas falou com Elias de um cicio suave e tranqüilo, aparentemente “calvinista”. Será que este não foi um encontro tremendo?!
Ilustração: Erlo Stengen diz que foi assim que Deus trabalhou com eles na África do Sul.

2. Hebreus 12.18-28 = A conclusão do livro aos Hebreus.
O autor de Hebreus diz que não temos chegado a esse tipo de experiência com Deus, mas a algo superior em virtude da mediação de Cristo a nosso favor. A graça estabelece um novo tipo de vida na aliança com Deus, mas a exigência de uma vida cheia de reverência e santo temor não foi diminuída nem um metro! (v.28).
Mas o autor de Hebreus vai adiante e aplica o significado de uma vida assim à prática de uma vida social ativa e centrada na piedade (13.1-17).
• Amor fraternal constante v.1.
• Hospitalidade v.2.
• Cuidado com os presos e os que sofrem maus tratos v.3.
• Pureza no matrimônio v.4.
• Vida sem avareza v.5.
• Apreço pelos nossos guias espirituais como modelos de vida cristã v.7.
• Não se deixar levar por doutrinas várias e estranhas v.9.
• Oferecer a Deus sacrifícios de louvor, que são fruto de lábios que CONFESSAM o seu nome v.18.
• Obedecer aos guias espirituais com submissão, porque eles velam por nós e prestarão contas a Deus de seu trabalho na igreja v.17.

O que determina se tivemos ou não um encontro tremendo com Deus não são os seus resultados imediatos e de curto prazo ou de curta duração, mas os resultados a longo prazo, aqueles que moldarão de forma definitiva o nosso estilo de vida transformando-o em vida segundo o coração de Deus.
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