O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

As Parábolas do Reino - Mateus 13

 

Classes Únicas de Verão na Escola Bíblica Dominical 
da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO -  2013/14.
Tema Geral: As Parábolas do Reino

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As parábolas do Reino em Mateus 13 constituem o terceiro discurso de Cristo nesse evangelho. Seu objetivo é mostrar o modo como as pessoas respondem, ou deixam de responder, à mensagem do evangelho de Cristo. É digno de nota que Cristo fez uso dessas parábolas segundo Mateus, somente após o início da oposição à sua mensagem. Essas 5 parábolas narram a alegria do perdão e do céu dada aos que recebem a mensagem, assim como o horror e a condenação para os que a rejeitam. A fórmula básica para a entrada no Reino é recebê-lo com humildade.

Nosso intento é levar a igreja a considerar toda a sua existência peregrina na terra à luz do reino que já chegou e que virá definitivamente na volta do nosso Salvador, e dessa forma renovar a sua alegria, a alegria de quem encontrou o tesouro escondido no campo e a pérola preciosa do evangelho redentor de Cristo!

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1. 22/12 = Mateus 13.24-30; 36-43 = Rev. Jonas Cândido Ferreira.
A Parábola do Joio.
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2. 29/12 = Mateus 13. 31,32 = Rev. Douglas Boaventura.
A Parábola do Grão de Mostarda.
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3. 05/01 = Mateus 13.33,34 = Rev. Helio O. Silva.
A Parábola do Fermento.
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4. 12/01 = Mateus 13.44,45 = Rev. Rogério Bernardes.
A parábola do Tesouro escondido.
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5. 19/01 = Mateus 13.47-52  = Rev. André Luis Marques.
A Parábola da Rede.
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6. 26/01 = Mateus 13.53-58  = Rev. Helio O. Silva.
Um Profeta Sem Honra.
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Bibliografia Sugerida:
1.      Comentários do Evangelho de Mateus: ECC, Vida Nova, etc.
2.      Teologia do Novo Testamento – I H. Marshall. ECC. Pg. 87-115.
3.      Enciclopédia  da Bíblia Cultura Cristã – Merril C. Tenney. ECC. Vol 4, pg. 770ss.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

09 = 1 Timóteo 3.14-16 - A Natureza da Igreja.


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 Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
09 = 1 Timóteo 3.14-16 – A Natureza da Igreja.           16/10/2013.
Grupo de Estudo do Centro – Agosto a Dezembro/2013
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Adair Batista.
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A Mensagem de1 Timóteo – A Vida na Igreja Local – John R. W. Stott, ABU, p.102-108.
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Introdução:
         A natureza do ministério cristão é determinada pela natureza da igreja, e por ser a igreja quem é, existe um comportamento apropriado a ela que não pode ser nem ignorado, nem corrompido pelo pecado.
Paulo usa três expressões para descrever a igreja nessa conclusão do parágrafo sobre a liderança:

1.     A Casa/Família de Deus.
A palavra oikos pode significar tanto casa, quanto família. Esse é o sentido nos versos 4, 5 e 12. Enfatiza que, como filhos de Deus, temos uma mesma dignidade perante Deus independentemente de idade, raça ou cultura e sexo. Também significa que, como irmãos em Cristo, somos chamados a amar uns aos outros com profundidade.

2.     A Igreja do Deus Vivo.
O centro da expressão está em a quem pertence a igreja e de que o dono da igreja é o Deus vivo. Ele não pode ser engaiolado num templo, mas está presente no meio de seu povo (Js 3.10; Dt 6.15). A riqueza da vida comunitária da igreja em diversidade e unidade está no conhecimento de sua presença santa em nós. O culto é para ele, a pregação vem dele e celebramos a sua presença real por meio do sacramento da ceia.
Ele não é Deus escondido, mas o Deus que se revela com vivacidade (1 Jo 1.5).

3.     A Coluna e Fundamento da Verdade.
O fundamento ou baluarte (hedraiôma) de um prédio é o seu suporte principal, dando-lhe estabilidade. A igreja é responsável por manter a verdade firme diante dos ataques da secularidade.
A coluna (stylos) tem a finalidade de manter firme o teto, mas também de elevá-lo a uma altura que torne o edifício visível à distância. O papel da igreja é ostentar a verdade pela proclamação do evangelho de tal modo a torná-la conhecida do maior número possível de pessoas.
A responsabilidade da igreja perante a verdade é dupla, então; deve sustentá-la com firmeza defendendo-a; e também deve mantê-la bem alto, por meio da proclamação do evangelho. A igreja depende da verdade para a sua existência e a verdade depende da igreja para a sua proclamação.
Qual verdade é essa? É Jesus Cristo.
1.     Essa verdade é um mistério, ou seja, um conjunto de verdades que agora se tornaram conhecidas apenas porque Deus quis revelá-las.
2.     Essa verdade é um mistério da piedade, porque estimula nossa adoração, humildade e reverência diante de Deus.
3.     Essa verdade é inquestionavelmente grande.
4.     Essa verdade tem seu enfoque na pessoa e obra de Jesus Cristo.

Conclusão:
O hino/credo a seguir consiste de três parelhas de versos em que cada uma delas faz uso deliberado de antíteses: Carne e espírito; anjos e nações; o mundo e a glória de Deus.
1ª = Aborda a revelação de Cristo. Ele se manifestou em corpo e foi justificado em espírito; revelando-nos sua natureza divino-humana.
2ª = Refere-se ao testemunho de Cristo, visto por anjos e pregado às nações.
3ª = Como Cristo foi recebido: crido o mundo e elevado em glória.

Aplicações:
1.     Os presbíteros e diáconos servirão na igreja e à igreja à luz da verdade que ela é chamada a confessar.
2.     Um dos caminhos mais seguros para a reforma espiritual é a recuperação da compreensão da identidade da igreja.

Cantata de Natal: Glória in Excelsis Deo


08 = 1 Timóteo .8-13 - Os Diáconos

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Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
08 = 1 Timóteo 3.8-13– Os Diáconos.                                  25/09/2013
Grupo de Estudo do Centro – Agosto a Dezembro/2013
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Adair Batista.
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A Mensagem de1 Timóteo – A Vida na Igreja Local – John R. W. Stott, ABU, p.99-102.
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Introdução:
Art. 53 - O diácono é o oficial eleito pela igreja e ordenado pelo Conselho, para, sob a supervisão deste, dedicar-se especialmente:
a) à arrecadação de ofertas para fins piedosos:
b) ao cuidado dos pobres, doentes e inválidos;
c) à manutenção da ordem e reverência nos lugares reservados ao serviço divino;
d) exercer a fiscalização para que haja boa ordem na Casa de Deus e suas dependências.

O QUE É MESMO UM OFÍCIO?
Ofício = Ocupação; modo de vida; obrigação, dever; função; mister; incumbência; encargo.[1]
É o reconhecimento oficial público por parte da igreja para que o oficial aja em seu nome e a conduza na prática do serviço para o qual foi regularmente eleito. É reconhecimento porque vê no oficial todas as qualificações para o exercício da função para a qual foi regularmente eleito.
            Consiste também da autorização pública por parte da igreja para que o oficial aja em seu nome e a represente no exercício de seu ofício (presbiterato ou diaconato). Pressupõe a vocação do Espírito Santo e a ordenação e investidura pública por parte dos demais oficiais da igreja (CI/IPB art. 108 e 109).
            Oficial = Proposto, ordenado ou anunciado por autoridade reconhecida; revestido de todas as formalidades[2] (ordenação e investidura). Na IPB, são aqueles que foram regularmente eleitos, examinados e aprovados para o oficialato (pastores, presbíteros e diáconos).

O DIACONATO NA CONSTITUIÇÃO DA IPB:[3]

Art. 25 - A Igreja exerce as suas funções na esfera da doutrina, governo e beneficência, mediante oficiais que se classificam em:
a) ministros do Evangelho ou presbíteros docentes; (Doutrina)
b) presbíteros regentes; (Governo)
c) diáconos. (Beneficência)
§ 1.0 - Estes ofícios são perpétuos, mas o seu exercício é temporário.
§ 2.0 - Para o ofício de presbítero ou de diácono serão eleitos homens maiores de 18 anos e civilmente capazes.
                        Segundo Charles R. Erdman, o significado bíblico do ofício quando aplicado aos presbíteros é governo e representação.[4] No caso dos diáconos, serviço beneficente e representação.
Beneficência = ação de beneficiar; virtude de fazer bem; prática de obras de caridade ou filantropia.[5] A beneficência cristã não é praticada friamente, mas com compaixão, como expressão do fruto do Espírito Santo na vida da igreja através de seus diáconos. (Gl 5.22,23 = O fruto do Espírito é benignidade, bondade...).

Contexto:
A palavra diácono aparece cerca de 100 Vezes no Novo Testamento. Pouquíssimas vezes a palavra diz respeito a um cargo oficial, mas a uma função de auxílio. O diácono é “aquele que serve às mesas”, o “garçom”. O uso do termo veio a relacionar-se a qualquer tipo de ajuda e cuidados pessoais. Uma obrigação de todos os cristãos.
Os primórdios do diaconato estão em Atos 6, quando a Igreja elegeu sete homens “de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria” para o auxílio dos necessitados da igreja de Jerusalém.
            Cerca de 30 anos depois os diáconos já são mencionados por Paulo na introdução de sua carta aos Filipenses (1.1) como participantes da liderança da Igreja. As cartas pastorais, especialmente 1 Timóteo trabalham o assunto pormenorizadamente. O objetivo delas é tratar da organização das igrejas.

Proposição:
Paulo, seguindo as instruções dadas sobre as características dos presbíteros, faz o mesmo sobre os diáconos.

 I - O Diácono V. 8 - 10, 12 - 13

1)    Semelhantemente.
            Paulo não trata o diaconato como um ofício menos digno que o de presbítero ou inferior a este quanto ao ofício, pois as prerrogativas morais são praticamente as mesmas, embora as funções sejam diferentes, e hierarquicamente os diáconos sejam assistentes dos presbíteros.[6]
O exercício da diaconia é o que se pode chamar de “a liturgia após a liturgia”, visto que o serviço dos diáconos não aparece na liturgia do culto, mas tem o seu lugar na vida prática da igreja após o culto. A diaconia da igreja, liderada pelo trabalho dos diáconos é “a continuação no mundo da vida de adoração da igreja”.[7]

2)    As Exigências.
a)    Os diáconos têm de ter domínio próprio
®    Respeitáveis: Sérios, dignos, honestos. As pessoas são dignas de respeito quando vivem com respeito pelos outros. Levar em conta o valor das pessoas e não atropelar o direito dos outros.
®    De uma só palavra(mh dilogouj): “Não com palavra dupla”. Franz Rienecker[8] = “Não dizer uma coisa para uma pessoa e outra para outra pessoa.” O diácono ouve muitas “histórias” e suas “interpretações” no seu trabalho de assistência. Deve ter cuidado de ser imparcial e não acudir ao “diz-que-me-diz” tornando-se um falador ou fofoqueiro.
®    Não inclinados a muito vinho. A palavra é mais forte que no v.3: (prosecontaj) - inclinado. Ter sua mente ligada nele; viciado; alcoólatra).
®    Não cobiçoso de sórdida ganância. Não avarento (V.3). Eles eram responsáveis pelas ofertas e tesouraria das congregações.

b)    Os diáconos têm de ter convicções ortodoxas.
®    Conserva o ministério da fé com consciência limpa. O verbo conservar é um particípio presente ativo, o que indica que seu procedimento deve estar acima de qualquer suspeita. Quando não há ganância é mais fácil administrar as coisas de Deus. O mistério da fé é a soma total de todas as verdades reveladas.[9]
·       Ministério da fé - Cl 1.26,27 - aquilo que estava oculto, mas que Deus revelou para os seus.      
·       A fé = cristianismo (objetivo).
·       Consciência - o julgamento interior de si mesmo. Para que a consciência seja limpa é preciso estar sob a influência do Espírito Santo.

c)    Os diáconos devem ser primeiro testados e aprovados.
®    Experimentados. Adquiriram experiência depois de vários testes. Deus é quem testa e aprova. Somente se mostrarem irrepreensíveis poderão exercer o diaconato. Eles devem passar por um exame cuidadoso a fim de que sejam avaliadas as convicções, caráter e dons.[10]

d)    Os diáconos têm de ter uma vida familiar irrepreensível
®    Marido de uma só mulher. Mesmo que no verso 2: Casado uma só vez.
®    Governe bem seus filhos e sua própria casa. Saibam educar seus filhos e dirigir sua casa.

II – MULHERES AUXILIARES DOS DIÁCONOS. V. 11

1)    Da mesma sorte.
           A mesma expressão de 3.8. Paulo está introduzindo o papel das MULHERES na liderança da igreja.

2)    Mulheres.
           Muitos estudiosos veem nesse texto uma base bíblica para a sustentação da ordenação feminina, ao menos ao diaconato e o associam ao texto de Romanos 16.1 onde se diz que Febe estava “servindo” (diakonon = substantivo diácono) à igreja de Cencréia.
J. N. D. Kelly argumenta em seu comentário que o termo diaconisa não aprece no texto bíblico porque ainda não havia sido criado e complementa sua sustentação da proposta observando que a história relata o trabalho de diaconisas com mulheres pobres, doentes, assistência no batismo, recados oficiais etc. Em 111 d.C - Plínio torturou 2 senhoras que eram diaconisas.[11] Também há referência no Séc. III ao trabalho de diaconisas na igreja. João Crisóstomo se correspondia com Olímpia, a quem chama de diaconisa da igreja de Constantinopla. Nos séculos III e IV o cargo já era comum em muitas igrejas.
           Contudo, o ofício de diaconisas não era um ponto doutrinário pacífico nas igrejas primitivas e no decorrer dos séculos perdeu força e a argumentação contrária alcançou a primazia.
           William Hendriksen aponta dois argumentos textuais que nos levam a pensar diferentemente do exposto acima:
1º) O fato de que Paulo não abre um parágrafo especial para tratar do serviço exercido por essas mulheres sugere que não possuíam um ofício à parte dos diáconos. Paulo fala dos diáconos nos versos 8-10 e retorna para eles nos versos 12 e 13. Tudo o que é dito sobre elas está inserido dentro do ministério dos diáconos. Hendriksen argumenta: “O fato de que não se use um parágrafo especial, à parte, para analisar as qualidades necessárias, mas que são introduzidas na esfera dos requisitos estabelecidos para os diáconos, indica com igual clareza que não se deve considerar que essas mulheres constituam um terceiro ofício na igreja, o ofício das diaconisas...”[12]

2º) A falta do termo específico para as diaconisas. No verso 2 faz-se menção explícita ao bispo (presbítero). No verso 8 e 12 faz-se menção explícita ao diácono. Mas no verso 11 menciona-se as mulheres. É estranho, para quem conhece a forma tão clara de Paulo argumentar em outros assuntos; que ele fosse tão impreciso assim num assunto tão importante. O argumento de Kelly quanto a não criação do termo é irrelevante, uma vez que a igreja gastara menos de 10 anos para criar um termo técnico para os diáconos e presbíteros. Por que demoraria mais de dois séculos para cunhar um termo específico para um ofício feminino?
Essa pergunta é ainda mais importante se levarmos em conta as razões que levaram Paulo a escrever 1 Timóteo. Um de seus objetivos mais claros era dar a Timóteo instruções precisas quanto à organização da igreja a fim de corrigir conflitos graves quanto à liderança da igreja onde algumas pessoas “inchadas” queriam ditar as normas de conduta da igreja de Éfeso afastando-a da pureza do evangelho.
A conclusão de Hendriksen é que as mulheres aqui mencionadas eram um grupo de auxiliares dos diáconos na execução de seus serviços de auxílio aos necessitados da igreja local e os que dela precisassem.[13]
           É preciso afirmar, no entanto, que tal conclusão não visa diminuir ou deixar de reconhecer o ministério feminino nas igrejas. Nem que o pensamento de Paulo aponta para um papel inferior da mulher na igreja. Reconhecemos e incentivamos o seu trabalho, desde que eles sempre sejam realizados de acordo com o ensino das escrituras e não além delas ou à parte delas, porque se isso acontecer não poderá ser chamado de trabalho cristão.

3)    Características:
a)    respeitáveis - vivam com respeito
b)    Não maldizentes (diabolouj) - Não fofoqueiras; falar mal dos outros
c)    Temperantes - Saibam se dominar.
d)    Fiéis em tudo - Trabalham com fé e sejam confiantes.

Conclusão:

           Para os que desempenham bem o seu ofício:
1)    Justa preeminência. Boa reputação e influência em meio dos irmãos.
Isso quer dizer que o trabalho diaconal da igreja precisa aparecer mais. A proeminência é justa quando o trabalho realizado é justo, isto é, acode aos necessitados verdadeiramente.
Ilustração: Em Genebra, no tempo de Calvino, o chamado Hospital Geral da cidade estava a cargo da Junta Diaconal da Igreja. O Consistório (conselho) havia subdividido os diáconos em dois grupos: Os diáconos procuradores e os diáconos hospitaleiros. Os primeiros arrecadavam fundos para o auxílio aos necessitados da cidade (viúvas, órfãos, pobres) e o segundo grupo era quem geria e aplicava esses fundos no cuidado dos mesmos, especialmente no hospital da cidade.
A junta de procuradores do hospital era uma das comissões que governavam a cidade. Os seus membros eram eleitos a cada ano a partir de uma lista preparada pelo Pequeno Conselho, o órgão dirigente do governo republicano que agora controlava Genebra. Um procurador do hospital podia ser reeleito para vários mandatos. Geralmente ele era um comerciante próspero ou um profissional. Mais tarde tornou-se habitual que o Conselho pedisse sugestões ao pastor da cidade ao elaborar a lista anual de procuradores. Estes se reuniam uma vez por semana, geralmente bem cedo aos domingos, para analisar o funcionamento do Hospital Geral e tomar decisões quanto a subsídios de assistência a famílias carentes específicas.
O hospitaleiro era responsável pela administração diária do Hospital Geral. Ele morava no próprio hospital com a sua esposa e supervisionava o programa de assistência aos muitos necessitados que ali também residiam, a maioria órfãos e menores abandonados, e alguns deficientes físicos ou decrépitos. O hospitaleiro organizava equipes de cozinheiros que faziam pão e vinho para os internos. Ele era auxiliado por um professor para as crianças, um barbeiro-cirurgião e um farmacêutico que ofereciam assistência médica, e serventes encarregados de tarefas mais simples. A equipe devia produzir uma boa quantidade extra de pão que era distribuído uma vez por semana a famílias pobres que necessitavam de auxílio temporário. Em sua reunião semanal os procuradores preparavam uma lista dessas famílias. Geralmente o hospitaleiro era um comerciante, muitas vezes um mercador idoso que desejava uma ocupação mais sedentária.
Em Genebra, os procuradores e o hospitaleiro do Hospital Geral, que correspondiam aos dois tipos de diáconos, ficavam sob a supervisão dos pastores e presbíteros, representando a igreja, e de um dos quatro síndicos (os magistrados governantes), representando o governo secular. Vários desses oficiais supervisores deviam visitar e inspecionar o Hospital Geral a cada três meses”.[14]

Os diáconos não são presbíteros, mas nem por isso seu trabalho deve passar despercebido ou ser inferiorizado perante os olhos da igreja. São funções diferentes prestando serviços diferentes.
Os diáconos não são presbíteros, por isso não devem agir como se fossem. A diaconia da igreja trabalha ao lado da administração e sob a sua supervisão. No entanto, o seu foco é outro.

2)    Muita intrepidez na fé em Cristo Jesus.
Coragem e confiança diante dos homens e de Deus. “Terão consciência de uma ousadia cada vez maior em proclamar o Evangelho, e também uma ousadia cada vez mais profunda na sua aproximação de Deus”.[15] Tudo isso motivado pela fé em Cristo Jesus.

Aplicação:
A Primeira Igreja de Goiânia deverá eleger alguns diáconos no próximo dia 10/11. O que ela precisa observar ao aplicar as Escrituras nesse processo?
1. A igreja deve observar os mandamentos bíblicos mais que as suas preferências pessoais. A diaconia não é um lugar para focalizarmos holofotes, mas assim como no presbiterato, é um lugar para servir e de muito serviço.

2. O diaconato é muito mais que os serviços da porta e das escalas semanais. Há trabalho cristão a ser feito, e à semelhança dos diáconos de Genebra, precisamos eleger homens de caráter, zelo e disposição para o serviço.

3. Toda eleição visa o bem da igreja e seu serviço fiel. Não nos ausentemos da Assembléia.  A convocação da Assembléia da igreja não é uma oportunidade para “chacarear”; “caldasnovear”; “fazendeirar” ou simplesmente ficar em casa orando no monte (“monte de cobertas”). Votar na Assembléia é buscar a vontade de Deus para a vida da igreja; não vir votar é dar às costas o que a Bíblia ordena fazer, porque você crê.

4. Nossa esperança e expectativa é que o serviço da Junta Diaconal melhore cada dia mais, mas para que isso aconteça é necessário que os melhores homens da igreja estejam trabalhando na Junta Diaconal tanto como no Conselho, para a glória de Deus. E Deus escolheu fazer isso por meio do voto da igreja presente e devidamente instruída na Sua Palavra para votar.
            


[1] Dicionário Brasileiro Globo, “Ofício”.
[2] Dicionário Brasileiro Globo, “Oficial”.
[3] Manual Presbiteriano, 2ª ed, ECC, Constituição da IPB, p.18, 19,  25, 26, 34, 46
[4] Charles R. Erdman. O Presbítero, Antigo Ancião Governante. p.12,13.
[5] Dicionário Brasileiro Globo, “Beneficência”.
[6] John Stott. A Mensagem de 1 Timóteo – A Vida na Igreja Local. ABU, p.90.
[7] Carter Lindberg, citado por Alderi S. Matos; “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra”. Fides Reformata, vol. II, nº 2, Jul-dez/1997, p.69.
[8] Rienecker e Rogers. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. Vida Nova, p. 462.
[9] John Stott. A Mensagem de 1 Timóteo – A Vida na Igreja Local, ABU, p. 100.
[10] John Stott. A Mensagem de 1 Timóteo A Vida na Igreja Local. ABU, p. 100.
[11] J. N. D. Kelly. I e II Timóteo e Tito, Introdução e Comentário, Vida Nova/Mundo Cristão, p. 84/85.
[12] William Hendriksen, 1 Timóte, 2 Timóteo e Tito, ECC, p;168.
[13] William Hendriksen, 1 Timóte, 2 Timóteo e Tito, ECC, p;169.
[14] Alderi S. Matos; “Amando a Deus e ao Próximo: João Calvino e o Diaconato em Genebra”. Fides Reformata, vol. II, nº 2, Jul-dez/1997, p.83.
[15] J. N. D. Kelly. I e II Timóteo e Tito, Introdução e Comentário. Vida Nova, p. 86.

07 = 1 Timóteo 3.1-7 - Os Supervisores da Igreja (Presbíteros)


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Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
07 = 1 Timóteo 3.1-7– Os Supervisores da Igreja.  25/09/2013
Grupo de Estudo do Centro – Agosto a Dezembro/2013

Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Adair Batista.
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A Mensagem de1 Timóteo – A Vida na Igreja Local – John R. W. Stott, ABU, p.88-99.
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Introdução:
“A saúde da igreja depende grandemente da qualidade, da fidelidade e do ensino de seus ministros ordenados” (p.88). Duas afirmações introdutórias precisam ser feitas:
1ª) Deus deseja que sua igreja tenha pastores (At 14.23; Ef 4.11, At 20.28). Ele constituiu bispos sobre a sua igreja para pastoreá-la. Essa era a tarefa de Tito (Tt 1.5) e de Timóteo tanto em Creta quanto em Éfeso (1 Tm 3).
2ª) Deus não estabeleceu especificamente o formato da supervisão pastoral, mas estabeleceu exigências quanto às qualificações para a mesma. Bispo e presbítero são termos intercambiáveis e complementares no Novo Testamento (At 20.17,28; 1 Pe 5.1,2; Tt 1.5-7). A palavra presbítero é de origem judaica e enfatiza a maturidade enquanto eu a palavra bispo é de origem grega e aponta para o papel de supervisão da igreja.

I - O Desejo Pelo Episcopado é Legítimo (V.1)

 1) Está em consonância com a fidelidade da Palavra de Deus.
A prescrição é bíblica, ou revelatória. Faz parte da vontade de Deus.

2) É uma excelente obra.
O desejo pelo cargo não é crime, mas um direito legítimo. O direito, porém, tem responsabilidades correspondentes, porque Paulo não está se referindo a uma ambição pessoal de prestígio e poder, mas ao reconhecimento de que o pastorado é uma tarefa nobre,pois envolve o cuidado do povo de Deus.
Todavia, como foi dito sobre 1.19, o ministério pastoral implica em três pontos: (1) O chamado de Deus, (2) a aspiração pessoal e a convicção do coração e (3) o exame criterioso e a aprovação pública por parte da igreja e sua consequente ordenação através do presbitério.

II – As exigências para o Presbiterato (V.2-7).

1)    É Necessário:
Aparece 2 vezes (v. 2 e 7). Uma vida digna não é uma opção ou um ideal, mas uma exigência. As circunstâncias da vida da Igreja as exigem, não o cargo em si.

2)    As Exigências Bíblicas:
São todas morais, exceto uma (“ser apto para ensinar”).
a)    Conduta Irrepreensível.
         Alguém que está além da reprovação, não só dos olhos humanos. (Ef 1.4 - 6 - perante ele). Não significa imune a erros, mas alguém que não apresente defeitos de caráter notáveis quanto à sua reputação. Uma reputação que possa ser publicamente verificada. John Stott coloca essa exigência como geral e as demais como 10 áreas em que essa irrepreensibilidade deve ser verificada antes da eleição.

b)    Fidelidade no casamento
®  Esposo de uma só mulher.  Traduções alternativas = “Casado uma só vez” ou “casado com uma mulher de cada vez”. O texto é enfático “uma só”. Quatro observações se tornam necessárias:
(1)                       Paulo não está excluindo os celibatários (que nunca se casaram), mas deixa claro que o casamento não só está aberto como é altamente recomendável aos presbíteros.
(2)                       Paulo exclui os polígamos. Não podem exercer o presbiterato os que mantêm mais de uma esposa simultaneamente.
(3)                       Paulo exclui os divorciados, que se casaram novamente. Existem inúmeros preceitos bíblicos contrários ao divórcio, portanto é razoável e correto esperar que um nível mais elevado seja prescrito para os pastores/presbíteros, que são chamados a ensinar através do exemplo de sua vida, tanto como pelas suas palavras (p.93).
(4)                       Paulo não exclui os que tendo se enviuvado, casam-se novamente. Embora os sacerdotes do Antigo Testamento não pudessem desposar viúvas (Lv 21.14; Ez 44.22) no Novo Testamento viúvos de ambos os sexos são permitidos casarem-se novamente com outro crente (Rm 7.1ss; 1 Co 7.39).
(5)                       Paulo exclui os infiéis no casamento (adúlteros). O pastorado deve ser exercido por aqueles que forem fiéis e devotados unicamente à sua mulher.

c)    Domínio Próprio
®  Temperante. O ponto certo do aço - têmpera. Equilibrado, moderado e vigilante quanto a si mesmo - com a mente limpa. Sóbrio
®  Sóbrio e auto-controlado. Sensato e disciplinado. Que sabe ordenar sua vida interior
®  Modesto.  Ordeiro. Que sabe ordenar sua vida pública (exterior).

d)    Hospitaleiro
         Literalmente = “amor pelos estranhos”. Ter sua casa franqueada aos viajantes (cristãos) e aos membros da Igreja em necessidade.

e)    Apto para ensinar. Única exigência funcional.
         Tenha capacidade de ensinar. Não quer dizer que deva ser um pregador de púlpito. Capacidade para ensinar implica em quatro procedimentos básicos:
·       Conhecimento da Palavra.
·       Lealdade à Palavra
·       Disposição para instruir
·       Vigilância contra o erro
5.17 - os que se afadigam na Palavra são dignos de dobrada honra (salários).
“O fato de que os que supervisionam a igreja têm de ter um dom de ensino demonstra que a igreja não tem a liberdade de ordenar quem quer que seja que Deus não tenha chamado e a quem Deus não tenha dado s dons necessários” (p.95).

f)     Não dado ao vinho (paroinoj - ao lado do vinho, escravo da bebida).       
Não é o uso do vinho em si, mas a bebedice que é proibida (3.8 = Diáconos e Tito 1.7). Ensinar a palavra e consumir bebidas alcoólicas são duas coisas que não andam juntas (p.95). O Antigo Testamento trás instruções restringentes quanto ao uso da bebida por líderes do povo de Deus para os sacerdotes (Lv 10.1ss (?)), os reis (Pv 31.4ss), os magistrados (Is 5.22,23) e os profetas (Is 28.7ss).
Embora hajam fortes argumentos sociais em favor da abstinência às bêbedas alcoólicas, a recomendação de Paulo aqui é a do uso moderado, como resultado do domínio próprio.

g)    O grau de autocontrole frente a provocações
®  Não violento, porém cordato. “Alguém que dá murros”. Brutalidade. Deve ser antes, cordato - longânimo, paciente, gentil, amável (2 Co 10.1 - como Jesus Cristo).
®  Inimigo de contendas. Sem lutas, não contencioso – trata-se de brigas de palavras. Pessoas exigentes e irritantes são verdadeiros desafios à temperança dos lideres da igreja, mas deve-se seguir o exemplo de Cristo e ser amável com todos.

h)    Atitude diante do dinheiro.
®  Não avarento. Não se dirige pelo amor ao dinheiro. Saber guardar o dinheiro (a bolsa) do povo de Deus. Miquéias profetizou contra os que oprimem religiosamente o povo de Deus por causa de dinheiro (Mq 3.11). Os pastores devem ser pagos de forma adequada (5.17), mas não devem por causa disso agir como mercenários!

i)      Disciplina no lar:
®  Governe bem sua casa. Criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (dignidade). Se não sabe cuidar dos seus não pode cuidar do povo de Deus. “Governar” significa dirigir e cuidar. Os filhos lhe obedecem e são crentes (Tt 1.6). Eli é um exemplo de como a falha nesse ponto pode ser desastrosa para uma família pastoral (1 Sm 2 e 3).

j)     Maturidade Espiritual:
®  Não neófito. Novo convertido - “uma árvore recém-plantada”. Os perigos são óbvios.
®  Soberba - Esta foi a causa da condenação do diabo. (2 Tm 2.26). tufwqeij - “estar cheio ou envolvido de fumaça”. Resultado do orgulho engendrado pela promoção rápida” (Kelly).[1]

k)    (Reputação) Bom testemunho dos de fora.
         Dos não cristãos. Não é só na igreja e entre os crentes que precisamos dar testemunho de vida transformada. É pelo caráter do pastor/presbítero que o  mundo tende a julgar a Igreja. Os de fora têm antipatia natural pela igreja, a não ser quando o seu testemunho é coerente com a sua fé. - “Cair no opróbrio” é cair na boca do povo.          Cair no laço do diabo é cair em suas armadilhas. Por isso o bom testemunho é uma necessidade.

Aplicações:
1.    Essas exigências têm longo alcance no cristianismo, pois elevam os padrões morais de nossa sociedade religiosa e secular.

2.    Revelam o equilíbrio das escrituras, pois servem tanto de estímulo para os fiéis quanto de desestímulo para os interesseiros. Desestimulam porque os padrões requeridos são elevados para o nosso tempo e a tarefa é árdua. A responsabilidade atemoriza aé mesmo os mais bem dotados e aos melhores cristãos! Estimulam porque o pastorado é uma função nobre, um belo encargo e ma ambição louvável.

3.    Exigências bíblicas são inegociáveis. Não podem ser subestimados e nem menosprezadas. Precisam ser cumpridas.

4.    Uma chamada à responsabilidade da liderança aos homens. Deus não abriu os ofícios da igreja às mulheres, embora as tenha cumulado de dons e serem muito úteis à igreja. Negligenciar o chamado de Deus e o preparo para desempenhar a tarefa é um grave pecado masculino e um perigoso rebaixamento nos padrões morais do cristianismo.

[1] J. N. d. Kelly, 1 e 2 Timóteo e Tito, Introdução e Comentário, Vida Nova/Mundo Cristão, p.?
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