O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

quarta-feira, 29 de abril de 2015

A Segunda Vinda de Cristo


INTRODUÇÃO:
“Assim também agora vós tendes tristeza; mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar. (Jo 16.22)
A expectativa da segunda vinda de Cristo é um dos mais importantes aspectos da fé cristã e está no âmago da escatologia do Novo Testamento. Cristo veio a primeira vez para inaugurar o seu reino, porém voltará para introduzir a sua consumação.
Mateus 24.30,31 = (30) “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. (31) E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”.
Lucas 21.27,28 = (27) Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória.  (28) Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima.
São textos suficientes para demonstrar que toda a vitalidade do cristianismo está na promessa da volta de Jesus Cristo. Nós vivemos hoje pela fé em Cristo e pela esperança de sua vinda em poder e glória. Naquele dia, ninguém poderá mais tirar a nossa alegria (Jo 16.22).
Embora a doutrina da segunda vinda de Cristo às vezes é assunto de discordância, até mesmo discórdia, entre os cristãos, ela tem o propósito, como diz Paulo, de nos incentivar à esperança e ao consolo mútuo nos tempos difíceis (1 Ts 4.18).

I - A NATUREZA DA SEGUNDA VINDA.

         Não há como explicar detalhadamente como será a segunda vinda de Cristo, contudo existem algumas características que podemos ver com clareza no ensino bíblico. Ela será:

1. GLORIOSA (Mt 24.30).
“Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória”.
Será a revelação final do poder e da glória de Deus, quando todos os homens terão de se curvar diante de Deus e confessar o nome de Jesus Cristo como Senhor. (Fp. 2.11). Todos os seres celestes participarão desse evento. As leis da física cederão lugar a um ato milagroso e cheio de poder, dando passagem ao Filho de Deus! Jesus mesmo diz que ele virá com poder e “muita” glória! (Mt 24.30). A primeira vinda foi em humilhação, mas a segunda será em glória!


2. SÚBITA (Mt 24.37-44).
(37) Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. (38) Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, (39) e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem.  (40) Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro; (41) duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra. (42) Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. (43) Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. (44) Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.
Acontecerá de forma e em momento inesperado. Será como a vinda de um ladrão, e como as dores de um parto (Mt 24.37-44: I Ts 5.1-6).
Nem o próprio Jesus sabe quando será (Mc 13.22).
Isso não quer dizer que pode acontecer a qualquer momento, pois as escrituras falam de eventos que precisam acontecer antes da sua vinda. O ensino é claro, por não sabermos quando, devemos estar prontos para ela sempre.

3. VISÍVEL (Ap 1.7).
Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!
 “Todo olho o verá”. Não será um segredo ou particular, mas será pessoal e corpórea, ou seja, será perceptível e inconfundível (Mt 24.26,27). Aqueles que dizem que Cristo já retornou espiritualmente estão equivocados, pois a promessa é clara: “Todo olho o verá”. Aqueles que dizem que haverá duas ressurreições também estão equivocados, pois “todo olho o verá”, não um depois o outros, mas todos juntos: salvos e não salvos; crentes e incrédulos.
A segunda vinda também terá um alcance universal. Ninguém, de nenhuma época ou de qualquer lugar ficará de fora. Até os que participaram da crucificação de Cristo verão a sua volta em glória. Então, Ele será reconhecido como Rei e juiz do mundo. É interessante observar no discurso de Jesus em Mateus 24 e 25 que ele refere-se a si mesmo como o “Filho do Homem” somente até 25.34; após esse verso ele refere-se a si mesmo como o rei (v.34 e 40). Somente em 26.2 volta a dizer-se o Filho do homem, pois retoma o assunto da sua humilhação em Jerusalém.

4. DECISIVA (I Co 15.24-26).
(24) E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder.  (25) Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés.  (26) O último inimigo a ser destruído é a morte.
Ela marcará o fim da história humana sob o poder do pecado. Hoje “todos estão marchando para encontrar-se com o Senhor”[1] (Bruce Milne).

Há três conceitos principais quanto a essa questão:
a)  Pré-milenistas = Crêem que Cristo voltará no começo do milênio profetizado em Ap 20.4-6 a fim de arrebatar a sua igreja e reinar com ela por mil anos sobre a terra; então o mal se levantará outra vez na grande tribulação (alguns discutem se a igreja passará ou não pela tribulação) e acontecerá a ressurreição dos incrédulos e o julgamento final. Somente então é que o diabo e seus demônios serão lançados no lago de fogo juntamente com os condenados. A grande dificuldade do pré-milenismo é lidar com a necessidade de separar a ressurreição dos justos e a dos injustos por mil anos, o que não parece ser o fato nas narrativas bíblicas, enfraquecendo o conceito da vinda decisiva de Cristo. O pré-milenismo se divide principalmente em dispensacionalistas e pré-milenistas históricos.

b)  Pós-milenistas = Ensinam que o conceito do milênio é puramente simbólico. A pregação do evangelho crescerá gradualmente até que o cristianismo conquiste toda a terra e a paz mundial seja alcançada. A parábola da mostarda e a do fermento são as bases fundamentais dessa linha de pensamento. Esse conceito tropeça na parábola do joio e do trigo, onde é dito que os dois crescerão juntos até que numa ação decisiva Deus ponha fim ao joio por meio de seu julgamento.

c)   Amilenistas = Crêem numa interpretação simbólica do milênio em função de somente Ap 20.4-6 falar dele. A linguagem de Apocalipse é altamente simbólica. O reino de Cristo será implantado definitiva e decisivamente no seu retorno. Todos os verdadeiros crentes já participam do reinado de Cristo em função da segurança de sua salvação. Ademais toda a linguagem bíblica demonstra haver apenas uma única ressurreição no final seguida apenas pelo juízo e a bem-aventurança eterna, nada mais. Tanto Mateus 24-26 como 1 Tessalonicenses 4 e 5 demonstram que não haverá duas ressurreições, mas apenas uma. Compare Mateus 24.30,31 com 25.31-33. Adiar o juízo final por mil anos parece quebrar a ligação óbvia que o Novo testamento faz entre a segunda vinda de Cristo e o juízo final (Mt 16.27; 25.31,32; Jd 14,15; 2 Ts 1.7-10; Ap 22.12).[2]
Portanto, a segunda vinda será decisiva, colocando fim a toda a história humana como a conhecemos agora.

II - O PROPÓSITO DA SEGUNDA VINDA:

         O propósito da segunda vinda é o estabelecimento final e completo do reino de Deus. O reino de Deus não é caracterizado por um governo político sobre uma região geográfica, mas é exatamente o reinado de Deus sobre todas as coisas que criou. O reino está onde Deus está. Sempre que Cristo reina nos corações das pessoas, o reino de Deus está ali
Lucas 11.20 = 20 Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente, é chegado o reino de Deus sobre vós.
Lucas 17.20,21 = (20) Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência.  (21) Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós.

A vinda de Cristo e do reino significa:
1. COMPLETAR A OBRA REDENTORA.
Naquele dia, nossa salvação será completa, e todos os inimigos de Deus serão removidos (I Co 15. 22-28; 54,55; Ap 12.7-11; 20.1-10).

2. RESSUSCITAR OS MORTOS (Jo 5.28).
Todos serão ressuscitados; bons e maus. Seu propósito é o juízo (Mt 25.31-46).

3. JULGAR TODOS OS POVOS (II Tm 4.1; At 17.31).
Este é o julgamento final (Mt 16.27; I Co 4.5; II Co 5.10).

4.     LIBERTAR A IGREJA.
 Deus livrará definitivamente de seus inimigos e recolherá seus eleitos para si, de todas as épocas (I Ts 4.17; Ap 6.9-11).

III. A IGREJA DEVE SE PREPARAR PARA ELA.

1.     Vigilância.
Uma vez que não se sabe a data da volta de Cristo e que ele virá numa hora em que ninguém espera (Mt 24.42,44), devemos estar alerta.
(42) Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. (43) Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. (44) Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.
Quem supor que haverá muito tempo ainda até a sua volta e não se comportar apropriadamente será considerado um servo mau, e não poderá participar das bênçãos de sua volta (Mt 24.45-51).
Devemos vigiar exatamente para não supor que ele está demorando demais e assim relaxar na nossa vida cristã. O ato de vigiar não é apenas uma atitude intelectual, mas moral, de presteza espiritual. Vigiar não significa “buscar”, mas simplesmente “estar desperto”,[3] acordado, atento ao que está acontecendo.

2.     Esperança.
A vigilância nos livra de achar que Cristo vai demorar muito. A esperança nos livra de achar que ele já veio ou que virá cedo demais. As cinco virgens que acharam que o noivo não ia demorar não se precaveram e gastaram o seu azeite desnecessariamente (Mt 25.1-13). Os que perdem a esperança ou que não a tem perguntarão: “Onde está a promessa da sua vinda?” (2 Pe 3.3-4);
(3) tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões (4) e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação.
Por isso zombarão do evangelho e serão surpreendidos pelo retorno definitivo de Cristo, não podendo entrar no descanso eterno. Não devemos ser apenas vigilantes, mas também esperançosos diante de aspectos aparentemente negativos da nossa fé.
Por outro lado, os cristãos são aqueles que estão “aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e salvador Cristo Jesus” (Tt 2.13).

3.     Serviço.
Finalmente, quando Jesus voltar deverá encontrar a sua igreja trabalhando; servindo às pessoas. A espera vigilante não pode significar ociosidade.[4] A parábola dos talentos (Mt 25.14-30) tem a finalidade de mostrar isso.Os servos que aumentaram a quantia que receberam além de elogiados receberam maiores responsabilidades, mas o que foi negligente foi repreendido e perdeu tudo o que recebera.

CONCLUSÃO:
         Fé e esperança devem dirigir a nossa vida enquanto esperamos a vinda de nosso Senhor e Salvador. A alegria de então compensará todos os sofrimentos de agora (Jo 16.22).
O mandamento de cristo é que não desanimemos em esperar, mas que estejamos atentos. Devemos “vigiar”.(Mc 13.37). O que isso significa?
1.     Viver uma vida consagrada (Rm 13.12-14); renunciar á paixões mundanas (Tt 2.11-13); buscar diligentemente auto-domínio e santidade (1 Pe 1.13-15). Santificação (1 Jo 3.3).
2.     Fidelidade naquilo que Deus confiou a nós até o seu retorno (1 Tm 6.14; 2 Tm 2.15).
3.     Buscar as coisas lá do alto em primeiro lugar (Cl 3.1-4).
(1) Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. (2) Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; (3) porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. (4) Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.
 (5) Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; (6) por estas coisas é que vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. (7) Ora, nessas mesmas coisas andastes vós também, noutro tempo, quando vivíeis nelas.



[1] Bruce Milne, Conheça a Verdade, ABU, p.?
[2] Anthony A. Hoekema,  “Amilenismo”. Em: Milênio, LPC, p.145.
[3] Anthony A. Hoekema, La Bíblia e El Futuro,SLC, p.142.
[4] M. J. Erickson, “Segunda Vinda de Cristo”, EHTIC, vol. 3,  Vida Nova, p.370.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

O Batismo Infantil



O BATISMO INFANTIL
           
“Para nós o batismo é uma consagração formal e pública de nossos filhos a Deus; uma expressão de nossa fé na promessa de seu pacto; uma representação emblemática (simbólica) de necessidade de purificação de nossos filhos e da natureza da obra do Espírito Santo” (Charles Hodge, O Batismo Cristão, p. 72).[1]

I - Razões para o Batismo Infantil:

1- As crianças fazem parte da família e povo de Deus. Isto é ensino claro tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento (Gn 17.7-10; Dt 29. 10-13; At 2.39; I Co 7.14). Por estes textos percebemos que as crianças participavam da aliança; eram alvos das promessas de Deus e são considerados “santos” ou seja, separados para Deus.

2- As afirmações de Jesus sobre as crianças. Delas é o reino dos céus (Mt 19.14; Lc 18.16; Mc 10.14). Devemos ser como as crianças para podermos entrar no Reino de Deus (Mc 10.14;9.36).

3- Existe continuidade entre o povo de Deus do Antigo Testamento (Israel) e o povo de Deus no Novo Testamento (Igreja). Todas as promessas de Deus são repassadas à igreja; ela é chamada no Novo Testamento de “Israel de Deus” (Gl 6.16). As crianças no Antigo Testamento. participavam do rito da circuncisão. Circuncisão e batismo têm o mesmo significado em ambas as dispensações (purificação e introdução no povo de Deus). O batismo é chamado por Paulo, de “circuncisão de Cristo” (Cl 2.11).

4- O argumento de Pedro em Atos 2.38,39. “Pois para vós é a promessa, para vossos filhos e para todos qua ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar”. A palavra “filhos” deve ser aplicada especialmente às crianças, visto que filhos adultos não podem ser representados por seus pais quanto à fé, pois já são adultos. Filhos adultos estão incluídos na expressão “para vós”.

5- Os batismos de famílias inteiras no Novo Testamento. Cornélio (At 11); Lídia e o carcereiro (At 16); a casa de Crispo (At 18.8); Estéfanas (I Co 1.16). A mesma coisa se diz das casas de Onesíforo, Aristóbulo e Narciso. É totalmente improvável que não houvesse crianças nessas famílias. O oficial que pediu socorro a Cristo creu com toda a sua casa (Jo 4.53). Jesus curou ali uma criancinha/ paidion). A Peshita, versão siríaca do Novo Testamento, datada de cerca do 2º século depois de Cristo, registra assim o batismo de Lídia “ela foi batizada e as crianças de sua casa”.

6- A História da Igreja. O batismo infantil já era uma prática comum da igreja nos tempos de Orígenes e Tertuliano.[2] A controvérsia entre Agostinho e Pelágio (c. 400 d.C) sobre o pecado original nas crianças, fala do batismo de crianças como prática normal da igreja daquela época. Os problemas com respeito ao batismo de crianças só começaram a surgir a partir do século XII, com os Petrobusianos e depois tomou forma com os Anabatistas, no século XVI.[3] Há citações a respeito de batismo de crianças feitas por Justino Mártir por volta de 150 d.C. (fala de pessoas de 60 e 70 anos, batizadas na infância, ou seja, por volta de 80 a 90 d.C.). Irineu (180 d.C.) que era discípulo de Policarpo, discípulo direto do Apóstolo João e Origens (250 d.C.) que conhecia bem a história da Igreja de sua época também falam de pessoas batizadas na infância.


II - A Responsabilidade dos Pais:
            O batismo, para crianças, não é uma benção completa, mas um sinal de que pertencem ao povo de Deus, como seus pais pertencem. Portanto isso implica que a fé dos pais os representa diante de Deus, e seu povo. Para as crianças, o batismo é um testemunho constante da obra de Deus para chamá-los à conversão. O papel dos pais, então é o de educá-los para a salvação, conduzindo-os no ensino da palavra de Deus (Pv 22.6; Ef 6.4; II Tm 3.15). Se a profissão de fé dos pais for apenas nominal ou insincera, a aplicação do batismo à criança não terá nenhum valor abençoador, antes, pelo contrário, poderá ter um caráter condenatório. o maior problema de batismo de crianças não é sua veracidade, mas, diz respeito ao ensino e à pregação da palavra de Deus. Se os pais não cuidam de sua própria fé, certamente não cuidarão da fé dos filhos, abrindo-lhes as portas para um cristianismo apenas nominal, ou para a incredulidade e rebeldia contra Deus.
III - O Compromisso dos Pais:
1- Educar seus filhos na crença em Deus, conforme o ensino Bíblico.

2- Ensiná-los a ler a Bíblia, ler para eles e com eles. Orar por eles e com eles, servindo-lhes de
     modelos e bons exemplos na fé e piedade cristã.

3-      Levá-los à Igreja assiduamente, para que aprendam o temor a Deus, o amor e o respeito para com as coisas de Deus.

Conclusão:
O batismo de crianças tem implicações para os pais, a igreja e os próprios filhos.
Pais: a fé dos pais crentes(I Co 7.14). Portanto, sua fé é fonte de bençãos para os filhos estabelecendo o vínculo deles com a igreja.

Igreja: ela tem o compromisso indissolúvel de auxiliar os pais, dando exemplo de fé e vida para os filhos dos outros.

Filhos: pelo batismo são inclusos na família de Deus. O batismo lhes servirá sempre de incentivo para a prática do bem e para a concretização de sua confissão de fé; e de obstáculo para a prática do mal.
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[1] Charles Hodge, O Batismo Cristão, CEP.
[2] Louis Berkhoff. Teologia Sistemática, TELL, p.748.
[3] Ludgero Braga. Manual de Catecúmenos, CEP, p. 120.

O Batismo por Aspersão


O BATISMO (ASPERSÃO)

            Deus nos deu meios visíveis com os quais podemos exercitar nossa fé nele. São os meios de graça: A Palavra e os Sacramentos.
            Os sacramentos são sinais exteriores e visíveis de uma graça interior e espiritual. “...Uma santa ordenação instituída por Cristo na sua igreja, para significar, selar e conferir àqueles que estão no pacto da graça os benefícios da mediação de Cristo; para os fortalecer e lhes aumentar a fé e todas as demais graças, e os obrigar à obediência? para testemunhar e nutrir o seu amor e comunhão uns com os outros e para distinguir entre eles os que estão de fora”.(Catecismo Maior  de Westminster – Pergunta 162).

            Três observações importantes:
1- Os sacramentos não têm poder em si mesmos. Eles são símbolos ou sinais.
2- Eles constam de duas partes: um sinal sensível, uma graça invisível.
3- O Senhor Jesus instituiu apenas dois: O BATISMO e a SANTA CEIA.

I - O SIGNIFICADO DO BATISMO:
            O Batismo é o sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, significa selar a nossa união com Cristo (Gl 3.27), a remissão dos pecados pelo seu sangue (At 2.38, Ef 1.7), a regeneração pelo Espírito (Tt 3.5), a adoção e ressurreição para a vida eterna (Gl 3.26-29), bem como a admissão à igreja visível, professando publicamente pertencer inteira e unicamente ao Senhor (Catecismo Maior - Pergunta 165).

II - QUEM DEVE RECEBER O BATISMO?
            O Batismo deve ser administrado àqueles que professarem publicamente a sua fé em Cristo (Rm 10.9,10: Mt 10.32,33), visto que se eu não professar, confessar a Cristo diante dos homens, Cristo me negará conhecer diante do Pai.
            O Batismo é para os que crêem em Cristo e para seus filhos. Ele não salva ninguém, mas faz parte da salvação, como mandamento de Cristo (Ordenação) pelo qual participamos de suas bênçãos pela fé.

III - O MODO DE MINISTRAR O BATISMO:
            São três os modos de ministrar o batismo: ASPERSÃO, EFUSÃO, IMERSÃO.
            A IPB batiza por aspersão, embora reconheça a validade dos outros dois modos. Eis as nossas razões para batizar por aspersão:
1- A imersão não está estabelecida como o único modo de batismo no Novo Testamento: não há qualquer referência categórica afirmando ser o modo do batismo a imersão.

2- Batizar não significa somente submergir, mas também molhar, lavar, derramar e aspergir. A palavra BATIZAR é um termo que indentifica o sacramento, não o modo de aplicar o sacramento. Compare Mt 15.2 (nipsô) com Mc 7.3,4 (baptisontai) e Lc 11.38 (baptiste), onde batizar é sinônimo de lavar no texto grego. Confira também com o uso do verbo “baptô”, que é traduzido por “molhar” em Lc 16.24, Jo 13.26; ou “tingir” Ap 19.13 (bebamenoi).

3- Todas as cerimônias de purificação dos judeus eram feitas por aspersão e a raiz do cristianismo é judaica (Nm 8.7; 19.13, 18,19; Hb 9.13). Os batismos judaicos eram por aspersão.

4- O batismo com o Espírito Santo, no pentecostes, aconteceu por derramamento, e não por imersão. Línguas de fogo parecem simbolizar mais a aspersão do que a imersão. Veja também Joel 2.28: “DERRAMAREI O MEU ESPÍRITO SOBRE TODA A CARNE” (cf Atos 2.17).

5- As referências ao batismo de Jesus não ensinam a imersão. As preposições gregas ali usadas (dois casos dos quatro) não demonstram claramente a imersão. “eis” e “en”; “ir para dentro” e “estar dentro” não implicam necessariamente em estar imerso ou mergulhar. Em outros dois casos a expressão usada é APÒ, que quer dizer “partindo de” ou “desde”, que deixa claro ser a imersão somente uma possibilidade remota. No Novo Testamento há casos de “ek” ser usada com o sentido de APÒ, e não o contrário (ex. Mt 7.4,5 – argueiro e trave dos olhos; Mt 22.35 – à direita, Mt 26.27 – bebei dele todos; Jo 1.31 – o que vem da terra é terreno [literalmente: da terra]).

6- Existem referências bíblicas que apontam para o simbolismo do batismo com água na forma de aspersão (Ez 36.25; Hb 9.13,14; 19-22; I Pe 1.2; I Co 10.1,2; Hb 12.24).

7- A Escritura demonstra que o elemento do batismo (água) deve ser aplicado ao sujeito (pessoa), e não o sujeito (pessoa) ao elemento (água). Somos batizados “com” água e não “na” água (Lc 3,16; Jo 1.26,33b; At 1.5; At 10.47). A água é o instrumento do batismo e não o local do batismo.

8- Muitas das referências a batismos no Novo Testamento favorecem a aspersão como modo utilizado pelos apóstolos, visto que o contexto e as circunstâncias demonstram a impossibilidade da imersão:
®    Atos 2; no Pentecostes foram batizados 3.000 pessoas em um só dia, numa cidade que não tinha um local apropriado e que estava cheia de peregrinos.
®    Atos 9.17,18; Paulo é batizado de pé, dentro de uma casa. At 10, Cornélio e sua família são batizados em casa.
®    Atos 16; a família de Lídia foi batizada em casa; e famíliaa do carcereiro de Filipos próxima à prisão altas horas da noite (v. 25,33,35).
Será que haviam tanques apropriados ou piscinas em suas casas ou nos arredores da prisão de Filipos? Difícil de comprovar. Os batismos na época do Novo Testamento geralmente eram feitos no local onde as pessoas confessavam a Cristo sendo batizadas imediatamente, sem demora. Os catecúmenos (cursos de preparação para o batismo) surgiram bem depois para evitar as heresias que estavam entrando na igreja (segundo século).

9- As pinturas mais antigas que se têm notícias, que retratam batismos cristãos (catacumbas de Roma), fazem-no com gravuras de batismos ou por efusão ou aspersão, mas raramente por imersão. A imersão foi popularizada com o movimento radical anabatista, no sec. XVI (a partir de 1525, em Zurique, na Suíça).

Conclusão:
1- O Batismo deve ser recebido por fé. Não espere um efeito mágico em sua vida, porque ele não existe. Ele é um ato de obediência a Cristo.

2- Lembre-se que o Batismo é um sinal inicial e selador de seu compromisso com Cristo, portanto deve ser tomado com temor e amor.

3- A questão do modo da ministração do Batismo é Secundária, mas a I.P.B crê ser a aspersão mais bíblica. Nenhum membro batizado em uma igreja reconhecidamente evangélica será batizado outra vez pela IPB. Embora a igreja católica batize por aspersão (Efusão), nós não concordamos com o significado da salvação batismal usado por eles (ensinam que o batismo apaga a mancha do pecado original e nos faz cristãos). O modo é secundário, mas o significado bíblico não é, por isso rebatizamos católicos. 


4- O Batismo é uma obrigação, não uma opção. Lembre-se que o próprio Jesus Cristo foi batizado, “para cumprir toda justiça” (Mt 3.15). O batismo não salva, mas faz parte da nossa salvação como um ato de obediência a um mandamento direto de Cristo. 
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