O Bom pastor e seus comentários

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segunda-feira, 27 de abril de 2015

O Batismo Infantil



O BATISMO INFANTIL
           
“Para nós o batismo é uma consagração formal e pública de nossos filhos a Deus; uma expressão de nossa fé na promessa de seu pacto; uma representação emblemática (simbólica) de necessidade de purificação de nossos filhos e da natureza da obra do Espírito Santo” (Charles Hodge, O Batismo Cristão, p. 72).[1]

I - Razões para o Batismo Infantil:

1- As crianças fazem parte da família e povo de Deus. Isto é ensino claro tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento (Gn 17.7-10; Dt 29. 10-13; At 2.39; I Co 7.14). Por estes textos percebemos que as crianças participavam da aliança; eram alvos das promessas de Deus e são considerados “santos” ou seja, separados para Deus.

2- As afirmações de Jesus sobre as crianças. Delas é o reino dos céus (Mt 19.14; Lc 18.16; Mc 10.14). Devemos ser como as crianças para podermos entrar no Reino de Deus (Mc 10.14;9.36).

3- Existe continuidade entre o povo de Deus do Antigo Testamento (Israel) e o povo de Deus no Novo Testamento (Igreja). Todas as promessas de Deus são repassadas à igreja; ela é chamada no Novo Testamento de “Israel de Deus” (Gl 6.16). As crianças no Antigo Testamento. participavam do rito da circuncisão. Circuncisão e batismo têm o mesmo significado em ambas as dispensações (purificação e introdução no povo de Deus). O batismo é chamado por Paulo, de “circuncisão de Cristo” (Cl 2.11).

4- O argumento de Pedro em Atos 2.38,39. “Pois para vós é a promessa, para vossos filhos e para todos qua ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar”. A palavra “filhos” deve ser aplicada especialmente às crianças, visto que filhos adultos não podem ser representados por seus pais quanto à fé, pois já são adultos. Filhos adultos estão incluídos na expressão “para vós”.

5- Os batismos de famílias inteiras no Novo Testamento. Cornélio (At 11); Lídia e o carcereiro (At 16); a casa de Crispo (At 18.8); Estéfanas (I Co 1.16). A mesma coisa se diz das casas de Onesíforo, Aristóbulo e Narciso. É totalmente improvável que não houvesse crianças nessas famílias. O oficial que pediu socorro a Cristo creu com toda a sua casa (Jo 4.53). Jesus curou ali uma criancinha/ paidion). A Peshita, versão siríaca do Novo Testamento, datada de cerca do 2º século depois de Cristo, registra assim o batismo de Lídia “ela foi batizada e as crianças de sua casa”.

6- A História da Igreja. O batismo infantil já era uma prática comum da igreja nos tempos de Orígenes e Tertuliano.[2] A controvérsia entre Agostinho e Pelágio (c. 400 d.C) sobre o pecado original nas crianças, fala do batismo de crianças como prática normal da igreja daquela época. Os problemas com respeito ao batismo de crianças só começaram a surgir a partir do século XII, com os Petrobusianos e depois tomou forma com os Anabatistas, no século XVI.[3] Há citações a respeito de batismo de crianças feitas por Justino Mártir por volta de 150 d.C. (fala de pessoas de 60 e 70 anos, batizadas na infância, ou seja, por volta de 80 a 90 d.C.). Irineu (180 d.C.) que era discípulo de Policarpo, discípulo direto do Apóstolo João e Origens (250 d.C.) que conhecia bem a história da Igreja de sua época também falam de pessoas batizadas na infância.


II - A Responsabilidade dos Pais:
            O batismo, para crianças, não é uma benção completa, mas um sinal de que pertencem ao povo de Deus, como seus pais pertencem. Portanto isso implica que a fé dos pais os representa diante de Deus, e seu povo. Para as crianças, o batismo é um testemunho constante da obra de Deus para chamá-los à conversão. O papel dos pais, então é o de educá-los para a salvação, conduzindo-os no ensino da palavra de Deus (Pv 22.6; Ef 6.4; II Tm 3.15). Se a profissão de fé dos pais for apenas nominal ou insincera, a aplicação do batismo à criança não terá nenhum valor abençoador, antes, pelo contrário, poderá ter um caráter condenatório. o maior problema de batismo de crianças não é sua veracidade, mas, diz respeito ao ensino e à pregação da palavra de Deus. Se os pais não cuidam de sua própria fé, certamente não cuidarão da fé dos filhos, abrindo-lhes as portas para um cristianismo apenas nominal, ou para a incredulidade e rebeldia contra Deus.
III - O Compromisso dos Pais:
1- Educar seus filhos na crença em Deus, conforme o ensino Bíblico.

2- Ensiná-los a ler a Bíblia, ler para eles e com eles. Orar por eles e com eles, servindo-lhes de
     modelos e bons exemplos na fé e piedade cristã.

3-      Levá-los à Igreja assiduamente, para que aprendam o temor a Deus, o amor e o respeito para com as coisas de Deus.

Conclusão:
O batismo de crianças tem implicações para os pais, a igreja e os próprios filhos.
Pais: a fé dos pais crentes(I Co 7.14). Portanto, sua fé é fonte de bençãos para os filhos estabelecendo o vínculo deles com a igreja.

Igreja: ela tem o compromisso indissolúvel de auxiliar os pais, dando exemplo de fé e vida para os filhos dos outros.

Filhos: pelo batismo são inclusos na família de Deus. O batismo lhes servirá sempre de incentivo para a prática do bem e para a concretização de sua confissão de fé; e de obstáculo para a prática do mal.
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[1] Charles Hodge, O Batismo Cristão, CEP.
[2] Louis Berkhoff. Teologia Sistemática, TELL, p.748.
[3] Ludgero Braga. Manual de Catecúmenos, CEP, p. 120.

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