O Bom pastor e seus comentários

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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A Verdadeira Religião Consiste Em Larga Escala de Afetos - Observações 9 e 10.

Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Uma Fé Mais Forte Que As Emoções
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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Exposição 05 = A Verdadeira Religião Consiste Em Larga Escala De Afetos (Observações 9 e 10 e Conclusão). 17/08/2011
Uma Fé Mais Forte Que As Emoções – Jonathan Edwards (p. 52-59)

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Edwards definiu "afetos" ou "afeições" pelas disposições do coração que nos inclinam para certas coisas e nos afastam de outras. Todas as nossas ações derivam dos nossos desejos. A verdadeira vida cristã depende do cultivo das inclinações certas da vontade e dos afetos na direção de uma vida santa. Após essa definição, Edwards faz 10 observações que comprovam a sua tese:

9. Os decretos e deveres de Deus são meio e expressão da verdadeira religião.
Nas escrituras Deus não só nos revela a sua vontade como também nos ensina por meio de seus mandamentos como cumpri-la.
a) Devemos orar.
O chamado à oração não visa a que declaremos as perfeições de Deus, porque quem somos nós para fazê-lo em função das debilidades de nossa natureza humana pecaminosa. Por os mesmo nada merecemos de Deus e a ele nada acrescentamos. Somos chamados a orar a fim de que Deus toque nossos corações com o que expressamos e dessa forma sejamos preparados para receber as bênçãos que pedimos. A nossa postura humilde e submissa na oração e na adoração afeta tanto a nós mesmos quanto aos outros.
b) Devemos cantar Louvores.
O objetivo divino na música parece indicar tão somente nos instigar a expressar nossos afetos para com Deus e para Deus.
c) Devemos Participar dos Sacramentos.
Esse mesmo princípio é visto e aplicado aos sacramentos. Os sacramentos são representações visíveis do evangelho que tem por finalidade nos “afetar ainda mais” (Uma Fé Mais Forte Que As Emoções, p.59). Isso significa que visam produzir em nós reações positivas ao evangelho de amor e alegria.
d) Devemos ouvir a pregação da palavra.
A impressão das coisas divinas em nossos corações é a forma que Deus estabeleceu para nos transmitir a sua palavra. As escrituras não nos foram dadas para alimentar a produção de comentários, exposições ou outros livros de teologia. Estes são úteis, mas não substituem jamais o contato direto com as escrituras. A pregação das escrituras tem a finalidade específica de enfatizar a glória e a suficiência da provisão divina, provocando nossas mentes à lembrança das maravilhas da verdadeira religião e consagração a Deus (II Pe 1.12,13). Pregar a palavra é promover a expressão tanto do amor quanto da alegria entre os cristãos (I Tm 1.3-5; II Co 1.24).


10. Dureza de coração é pecado.
Santidade é a expressão externa do amor de Deus no coração. Logo a dureza de coração é uma associada do pecado nas escrituras. Cristo ficou irado com a dureza de coração das pessoas ao se redor (Mc 3.5). a teimosia do coração atrai a ira de Deus sobre os homens (Rm 2.5). A dureza de coração levou Israel à desobediência a Deus (Ez 3.7). Maldade e rebeldia de Israel no deserto é atribuída à dureza de coração (Sl 95.7-10). Zedequias não quis voltar-se para Deus durante o cerco de Jerusalém porque endureceu o seu coração (II Cr 36.13). Esse mesmo princípio foi obstáculo à pregação do evangelho em Atos (At 19.9).
Quando Deus entrega os homens ao seu próprio pecado é dito que “Deus endureceu o seu coração” (Rm 9.18; Jo 12.40). Para ouvir a Deus é preciso não endurecer o coração (Hb 3.8,12,13). A grande obra salvação é exatamente substituir o nosso coração de pedra (duro) por um coração de carne (Ez 11.19; 36.26).
O coração duro é o coração que se tornou indiferente, sem afeição pelas coisas de Deus. Ele é insensível, estúpido, intocável e difícil de convencer. É um coração que não se comove, que não tem sentimentos, e que, portanto, não se move em direção a Deus.
Por outro lado o coração sensível, de carne, se impressiona com facilidade. Deus elogiou Josias porque seu coração era sensível, estando aberto para Deus (II Rs 22.19). O homem que é constante no temor do Senhor é feliz, mas o endurecido cairá em desgraça (Pv 28.14). Se o pecado consiste basicamente na dureza de coração e ausência de afetos santos, então a santidade bíblica consiste muito na posse desses afetos.
É claro que dureza de coração não quer dizer total insensibilidade. Dureza ou sensibilidade de coração são expressões que se relacionam com as emoções e denotam o que toca o coração e o que ele ignora.

Conclusão:
A religião verdadeira é permeada por afetos, que são reações e inclinações carregadas de emoções positivas que nos inclinam para a santidade cristã. Isso não quer dizer que a santidade verdadeira seja exatamente proporcional à quantidade de nossas afeições, porque os crentes manifestam muitas afeições que não são em nada espirituais. Em nós, antes da glorificação, vivemos afeições santas e mundanas de forma misturada. Nem tudo vem da graça, pois muito vem da própria natureza humana.
Ainda que tenhamos hábitos santificados, isso não quer dizer que a força do hábito será proporcional aos efeitos e evidências práticas de uma fé verdadeira sempre. Mas, mesmo assim, a vida cristã é permeada por expressões de afetos e sentimentos sem os quais não é possível uma expressão verdadeira de uma vida santa na terra.

1. Reconheça a gravidade de descartar todos os afetos religiosos como se fossem destituídos de solidez e substância.
Essa é uma reação comum quando observando que há exageros por parte daqueles que não aparentam ter experimentado mudanças visíveis deslocamo-nos para o outro extremo. Um erro não justifica o outro. Destituir a experiência religiosa de afetos é matá-la. Uma espiritualidade religiosa sem expressões emocionais de amor e alegria intensas é uma espiritualidade morta. Ainda que seja verdade que não pode haver religião verdadeira onde há emocionalismo, também é verdade que não existirá religião verdadeira onde estes também são reprimidos ou suprimidos completamente.
É preciso que haja entendimento e fervor (Mt 21.29). Um sem o outro não terá nada divino. Desvalorizar os afetos religiosos é o caminho para endurecer o coração, abafar a graça e reduzir a vida da igreja à estagnação e apatia! Quem condena os afetos calorosos nos outros por certo não os possui, tem pouca afeição ativa no coração e tem muito pouca religião (Uma Fé Mais Forte Que As Emoções, p.64).

2. Se a verdadeira religião está nos afetos então deveríamos fazer o possível para estimulá-los.
Os livros, sermões e liturgias que nos ajudam a adorar a Deus expressando corretamente nossas afeições devem ser encorajados. Mas a apatia na oração e na pregação consistem em grande prejuízo para as almas dos santos e daqueles que precisam conhecer a graça do evangelho.

3. Se a verdadeira fé é permeada por afeições, então precisamos reconhecer envergonhados diante de Deus que temos sido muito pouco afetados pelas coisas da fé.
Deus nos nutriu com afetos para que possamos servir, mas as pessoas exercitando suas emoções e afeições em tudo, menos no serviço da glória de Deus! As pessoas têm ficado profundamente deprimidas com perdas materiais e altamente empolgadas com o sucesso galgado nesse mundo. O mesmo não acontece com suas necessidades e obrigações espirituais.

Não devemos usar de forma errada nossas afeições e sentimentos, mas devemos consagrá-los integralmente ao serviço de Deus. Precisamos muito mesmo nos humilharmos no pó, porque não fomos tocados de modo suficiente para ver mudanças mais aparentes na nossa experiência de fé cristã.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A Verdadeira Religião Consiste Em Larga Escala de Afetos - Observações 5 a 8.


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Uma Fé Mais Forte Que As Emoções
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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Exposição 04 = A Verdadeira Religião Consiste Em Larga Escala De Afetos (Observações 5 a 8). 17/08/2011
Uma Fé Mais Forte Que As Emoções – Jonathan Edwards (p. 52-59)

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Edwards definiu "afetos" ou "afeições" pelas disposições do coração que nos inclinam para certas coisas e nos afastam de outras. Todas as nossas ações derivam dos nossos desejos. A verdadeira vida cristã depende do cultivo das inclinações certas da vontade e dos afetos na direção de uma vida santa. Após essa definição, Edwards faz 10 observações que comprovam a sua tese:

5. O amor é o afeto principal.
O amor é a fonte e o controle de todas as virtudes e afeições cristãs. O maior mandamento da Lei é amar a Deus e ao próximo (Mt 22.37-40). Amar o próximo é cumprir a Lei (Rm 13.8,10; Gl 5.14). O amor é o centro da religião verdadeira e o melhor aspecto dela (I Co 13). O amor é a fonte de onde procede todo o bem.
Esse tipo de amor inclui o desejo perfeito e sincero da alma por Deus e pelo semelhante. Mas inclui também o seu oposto, o ódio às coisas contrárias ao que queremos amar. Todas as coisas que desejamos nascem desse amor que busca a Deus e se afasta das coisas que nos afastam de Deus. Todas as demais afeições nascem desse amor dinâmico, afetuoso e fervoroso por Deus, assim como dele também nascerá o ódio ou aversão intensa ao pecado, o temor dele e o pavor de desagradar a Deus! Desse amor profundo por Deus nascerá o nosso amor profundo pelos homens e mulheres que ele criou para a sua glória.

6. Afetos santos caracterizam os santos da Bíblia.
Isso pode ser exemplificado na vida de três homens santos nas escrituras:
a) Davi:
Ele é chamado de “o homem segundo o coração de Deus” (At 13.22). Os salmos são um retrato vivo de sua fé. Eles exemplificam para nós a expressão e o exercício da devoção cristã. Os salmos de Davi são uma celebração agradecida pelo triunfo da graça na alma no favor, suficiência e fidelidade de Deus. Os salmos também expressam o amor e devoção de Davi pelos santos (Sl 16.3). Eles são repletos de expressões de afetos santos tantos individuais como por arte do povo santo de Deus.
b) Paulo:
Ele foi o escolhido de Deus para levar o evangelho aos gentios. Foi instrumento de Deus para revelar com clareza os mistérios do evangelho para esclarecer a igreja de todos os tempos. A fé que expressa em suas cartas está repleta de afetos santos, pois considerava todas as coisas descartáveis diante da excelência do conhecimento de Deus (Fp 3.7-9). Sua santa afeição por Deus o impelia a enfrentar todos os desafios por amor a ele (II Co 5.14,15).
Expressões de afeição santa em favor do povo de Deus são abundantes em suas cartas (II Co 12.19; Fp 4.1; II Tm 1.2). Seu amor pelas igrejas é o motivo de suas preocupações e orações por elas (II Co 2.4, Cl 2.1). Ele tinha profunda afeição por todos os irmãos (Rm 1.11; Fp 1.8; 4.1; I Ts 2.8; II Tm 1.4). seus afetos pela igrejas eram fonte tanto de alegria (II Co 7.4; Fp 1.4, Fm 7) quanto de suas lágrimas (At 20.19,31; II Co 2.4).
c) João:
Ele foi o discípulo amado, mais próximo e mais querido do Mestre. Um dos três presentes à transfiguração e citado por Paulo como um três pilares da igreja de Jerusalém (Gl 2.9). Foi o escolhido para receber as revelações das últimas coisas a fim de registrá-las no seu Apocalipse. O amor cristão é um tema forte em suas cartas e no seu evangelho, onde exorta-nos a amar uns aos outros.

7. O Senhor Jesus Cristo tinha o coração extremamente sensível e afetuoso.
Ele é o pastor que atrai para si as ovelhas; suas virtudes são vistas especialmente na prática de afetos santos. Em Cristo vemos o amor funcionando na prática e sem qualquer presença de pecado. O exercício de seu amor a Deus e por nós era mais forte que a própria morte. As escrituras apontam como causa de sua morte por nós o zelo com o qual ele se dedicava a cumprir a vontade do Pai (Jo 2.17). Ele sofria com os pecados dos homens ao seu redor e mesmo assim amava (Mc 3.5). Chorou diante dos pecado de Jerusalém ao avistar a cidade do monte das Oliveiras (Mt 23.37). Ele manifestava desejo intenso por cumprir as ordens do Pai, como no caso da celebração da Ceia com os discípulos (Lc 22.15). Ele era movido por compaixão (Mt 9.36;14.14;15.32; 18.27; Mc 6.34;Lc 7.13;). Seu carinho pelas pessoas é exemplificado de forma muito clara no episódio da morte e ressurreição de Lázaro quando nos é dito que ele foi a Betânia porque o amava e às suas irmãs (Jo 11). Seu último discurso no cenáculo (Jo 14-16) e sua oração pastoral em João 17 são permeados por seu amor pela igreja a quem veio salvar. Ali ele os preparou para a sua partida como quem fala carinhosamente a um grupo de criancinhas. A provisão do Espírito é a maior prova de seu amor afetuoso por seus discípulos (Jo 14-16).

8. A religião do céu consiste em grande parte de afetos.
A própria descrição da vida no céu nas escrituras está cheia de expressões de afetuosidade, amor, paz, alegria e gratidão. A religião praticada pelos santos no céu é da mesma natureza da religião praticada pelos santos na terra, ou seja, amor a Deus e alegria indizível e gloriosa (I Pe 1.8). Os textos bíblicos parecem mostrar haver diferença no grau de sua manifestação, mas não na sua essência (Pv 4.18; Jo 4.14; 6.40,47,50,51,58; I Jo 3.15; I Co 13.8-12). É irracional supor que o amor e alegria do céu sejam diferentes do tipo de alegria em Cristo que experimentamos antecipadamente na terra. Lá elas serão muito maiores, mas serão do mesmo tipo (Sl 16.11). A diferença é que lá todas as afeições e sentimentos serão perfeitos, porque a graça que há neles é a glória de Deus!

Conclusão Parcial:
Edwards mostrou um princípio bíblico claro quanto ao amor e as demais afeições e depois as exemplificou na vida de três homens bíblicos, em Cristo e na vida futura no céu.

A exortação de Paulo é que busquemos as coisas lá de cima e não as que são daqui da terra (Cl 3.1-5). Esse exercício não nos torna alienados do mundo, mas torna nossos pensamentos, nossos sonhos e projetos e nossas vidas mais santos.

Essas afirmações de Edwards também nos levam a refletir sobre a expressão de nossos sentimentos e afetos entre nós. Devemos orar para que o Espírito Santo que habita em nós nos santifique de tal forma que nos tornemos mais gentis, educados e afetuosos em nossa linguagem, substituindo expressões frívolas e mundanas por aqueles que sejam plenas das obras da graça (Ef 4.29,30).

Aula 23 = O Conceito Bíblico de Pacto.


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 23 = O Conceito Bíblico de Pacto ou Aliança (25/09/2011).
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1. NO VELHO TESTAMENTO a palavra hebraica para aliança é sempre berith. A opinião mais geral é que sua origem vem do verbo hebraico barah, “cortar” (Gn 15.17). Outros acreditam que deriva da palavra assíria beritu, “ligar”, “atar”. Isto levaria logo a entender a aliança como um laço. A palavra berith pode indicar um acordo mútuo voluntário (duas partes em pé de igualdade), mas também uma disposição ou um arranjo imposto por uma parte a outra (em que uma parte é subordinada à outra). Naturalmente, quando Deus estabelece uma aliança com o homem, este caráter subordinativo fica muito evidente pois Deus e o homem não são partes iguais. Deus é o Soberano que impõe as Suas ordenanças às Suas criaturas.

2. NO NOVO TESTAMENTO. Na Septuaginta a palavra berith é traduzida por diatheke em todas as passagens em que ocorre, exceto em Dt 9.15 (martyrion) e 1 Rs 11.11 (entole). Diatheke não é a palavra grega habitualmente empregada para designar aliança, mas, na verdade, indica uma disposição ou arranjo e, conseqüentemente, também um testamento. A palavra ordinariamente utilizada para aliança é syntheke. Por que os tradutores evitaram o uso de syntheke e a substituiram por outra que denota disposição e não acordo? A razão é que no mundo grego a idéia de aliança expressa por syntheke baseava-se tão amplamente na igualdade legal das partes que não podia, sem considerável modificação, ser incorporada no sistema bíblico de pensamento. O conceito de que a prioridade pertence a Deus no estabelecimento da aliança, e de que Ele impõe soberanamente a Sua aliança ao homem, estava ausente da palavra grega usual. Assim a palavra diatheke recebeu novo significado, quando se tornou veículo da revelação divina nas escrituras. Na versão de Almeida, Edição Revista e Corrigida (ARC), ora a palavra é traduzida por “pacto”, ora por “concerto”, ora por “aliança”, ora por “testamento”. Na Edição Revista e Atualizada (ARA), é normalmente traduzida por “aliança” e, em Hb 9.16, 17, por “testamento”. O fato de várias traduções do Novo Testamento usarem “testamento” em lugar de “aliança” em tantas passagens deve-se provavelmente a três causas: (a) o desejo de acentuar a prioridade de Deus na transação: (b) a suposição de que a palavra deve, quanto possível, ser traduzida em harmonia com Hb 9.16, 17; e (c) a influência da tradução da Vulgata Latina, que uniformemente verteu diatheke para “testamentum”.

O conceito de aliança desenvolveu-se na história antes de Deus fazer uso formal do conceito na revelação da redenção. Foram feitas alianças entre os homens muito tempo antes de Deus estabelecer a Sua aliança com Noé e com Abraão, e isso preparou os homens para entenderem o sentido de uma aliança num mundo dividido pelo pecado, e os ajudou a compreenderem a revelação divina, quando esta apresentou a relação do homem com Deus em termos de uma relação pactual. Deus ordenou a vida do homem de modo que o conceito de aliança se desenvolvesse como uma das colunas da vida social. A relação pactual entre Deus e o homem existe desde o princípio, muito antes do estabelecimento formal da aliança com Abraão.

Embora a palavra berith seja empregada muitas vezes com referencia a alianças entre os homens, sempre inclui um sentido religioso. Uma aliança é um pacto ou acordo entre duas partes ou mais. Na história da humanidade geralmente é um acordo em que as partes participam em igualdade, voluntariamente, depois de uma cuidadosa estipulação de seus deveres e privilégios mútuos; mas também pode ter a natureza de uma disposição ou de um arranjo imposto por uma parte superior à outra, que lhe é inferior, sendo aceito por esta (ex.: O Pacto feudal entre o suserano e o vassalo na Idade Média). Geralmente é ratificado por uma cerimônia solene, com a consciência da presença de Deus, e, com isso, obtém caráter inviolável onde cada parte se obriga ao cumprimento de certas promessas, com base nas condições estipuladas.

O fato da aliança entre Deus e o homem ser de decaráter desigual não anula a aliança, pois já pressupõem que a aliança da graça é a promessa de salvação na forma de uma aliança. É mais que certo que, tanto a aliança das obras (feita com Adão) como a aliança da graça (feita com Cristo), são originariamente de natureza de arranjos ordenados e instituídos unilateralmente por Deus, e Deus tem a prioridade em ambas; mas, mesmo assim, são alianças. Por Sua graça, Deus condescendeu em baixar ao nível do homem e a honrá-lo, tratando-o mais ou menos na base da igualdade. Ele estipula as Suas exigências e outorga as Suas promessas e o homem assume os seus deveres assim impostos a ele e, desta maneira, herda as bênçãos divinas.

Na aliança das obras o homem não podia satisfazer as exigências da aliança, em virtude dos seus dotes naturais, mas na aliança da graça ele é capacitado a satisfazê-las, unicamente pela influência regeneradora e santificante do Espírito Santo. Quando Adão e Eva falharam em obedecer os termos da aliança, Deus não os destruiu, mas revelou-lhes sua aliança da graça prometendo-lhes um salvador (Gn 3.6,15). Deus realiza no homem o querer e o efetuar, concedendo-lhe de graça tudo quanto dele requer. Chama-se aliança da graça porque é a revelação ímpar da graça de Deus, e porque o homem recebe todas as bênçãos prometidas na aliança como dádivas da graça divina. “Aliança é um pacto de sangue soberanamente administrado”.

A aliança é aquilo que une as pessoas como um laço inviolável. Ela é um pacto (relacionamento) entre Deus e o homem. O coração da aliança é este inter-relacionamento entre Deus e nós, o seu povo. Essa aliança estabelece um compromisso entre nós e Deus, que na Escritura é composto de: (a) Um juramento verbal (Gn 21.23,24,26,31; 31.53; Ex 6.8; 19.8; 24.3,7; Dt 7.8,12; 29.13; Ez 16.8. A estreita relação entre o juramento e a aliança enfatiza sua natureza pactual. (b) Uma ato simbólico como: A concessão de uma dádiva (Gn 21.28-32); ou o comer de uma refeição (Gn 26.28-30; 31.54; Ex 24.11); ou o erguimento de um memorial (Gn 31.44ss; Js 24.27); ou o aspergir de sangue (Ex 24.28); ou oferecimento de sacrifício (Sl 50.51); ou o passar debaixo do cajado (Ez 20.37) ou ainda o dividir animais (Gn 15.10,18). A presença desses atos simbólicos nas alianças bíblicas enfatizam o caráter de união das mesmas.

A aliança de Deus com o homem nunca é casual ou informal, mas suas implicações se estendem às últimas consequências de vida e morte. Isso fica claríssimo em Gn 15 na aliança com Abraão. A divisão do animal simboliza um “penhor de morte”. O autor da aliança invoca sobre si mesmo a maldição do descumprimento do pacto, que é a morte. A aliança é um pacto de sangue, ou seja, de vida e morte (Hb 9.22). Isso é o mesmo que dizer que o pacto exige lealdade de ambas as partes. Uma vez firmada a aliança, nada, além da morte, pode romper o pacto, a aliança. Numa aliança, a morte está no princípio da relação, simbolizando o fator maldição. No caso de um testamento, a morte está no fim da relação, efetivando uma herança. Um testamento é uma disposição de última vontade. Um aliança é um pacto estabelecido para o presente.

A aliança com Deus é soberanamente administrada por ele mesmo. Deus ofereceu e estabeleceu o pacto unilateralmente, ditando ele mesmo os termos da aliança. Nada de barganha ou troca caracteriza as alianças divinas nas Escrituras. Cada aliança descrita nas escrituras entre Deus e o homem pode ter pequenas variações no conteúdo ou nas promessas, mas a sua administração é constante: Aliança é um pacto de sangue soberanamente administrado.

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Bibliografia: O. Palmer Robertson. O Cristo dos Pactos, LPC, p.7-18. / Louis Berkhoff. Teologia Sistemática, ECC, p. 258-260. / James I. Packer. Teologia Concisa, ECC, p. 81-83. Wayne Gruden. Teologia Sistemática. Vida Nova, p. 425-432.

sábado, 24 de setembro de 2011

Aula 22 = O Poder do Pecado (II)


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 22 = O Poder do Pecado (II) (18/09/2011).
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Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto de suas ações” (Jeremias 17.9,10)

Na aula anterior vimos que o pecado que habita em nós é uma lei como a lei da gravidade, que nos permeia e perpassa, e que embora já tenha sido quebrado por Cristo como o aguilhão da morte (I Co 15.55,56) ainda assim é um inimigo perigoso para nós.
É preciso reconhecer que o pecado é:

1. Um morador inoportuno dentro de nós (Rm 7.21).
Se ele fosse como um visitante ou como um exército que ataca e depois recua, poderíamos ter descanso. Mas ele mora dentro de nós e conhece todos os cômodos da casa! Onde estivermos ele estará.

2. Como nosso inimigo, ele não guarda domingo e nem tira férias.
Ele estará presente nas nossas melhores obras e nas piores também. Paulo diz que o percebia exatamente quando estava pronto para fazer o bem. Ele não é apenas um morador permanente, mas também um intrometido miserável. Desejar ler as escrituras; separar tempo para a oração; fazer uma oferta generosa; ouvir um sermão atentamente; visitar um irmão ou ainda resistir á tentação. Lá estará ele tentando nos distrair ou impedir nossas boas ações. O desejo da carne é que não façamos a vontade do Espírito, mas a sua! (Gl 5.17,18).

3. Ele faz o seu trabalho sujo com muita persistência e facilidade, pois nos assedia constantemente (Hb 12.1).
Uma vez que habita em nós, tem livre acesso e tempo para nos assediar. Todas as nossas ações positivas serão contraditadas por ele.

A CASA MAL ASSOMBRADA.
Nosso coração é habitado por um fantasma.
a) O coração é um labirinto que só Deus pode decifrar (Jr 17.9,10).
Não conhecemos o nosso coração de forma completa. Só Deus pode “esquadrinhar”, tirar as medidas corretas do nosso coração usando um esquadro; pesquisar miudamente, entender profundamente.

b) O coração é enganoso (Jr 17.9).
O coração é tão complicado quanto insondável (“mais do que todas as coisas” – Jr 17.9). Nosso coração não apenas peca, ele também engana, mente; trapaceia para obter os prazeres transitórios do pecado.

c) O coração é instável e inconsistente.
Sua corrupção o contamina ao ponto do desespero. Paulo chama isso de “concupiscência” em Gálatas 5.16; um desejo incontrolável, insaciável. Sua corrupção o leva a desejar e ter prazer no pecado (Jó 15.16); o coração sem Cristo está cheio de maldade e desvarios (Ec 9.3). Sua corrupção é uma doença gravíssima que só Deus pode tratar de forma apropriada e que cura.
É preciso guardar bem o coração porque dele procedem as fontes da vida (Pv 4.23) e contaminado é fonte de todas as nossas maldades (Mt 15.19) de onde do mau tesouro se tira o mal (Lc 6.45).

DEVEMOS CRUCIFICAR A CARNE V.24:
Carne e Espírito são princípios atuantes e opostos dentro de nós. O propósito básico da habitação do Espírito em nós é derrotar a carne e suas paixões.

a) Porque pertencemos a Cristo.
Ao sermos comprados pelo sangue de Cristo, e sermos selados com o Espírito Santo (Ef 1.13,14) trocamos de lealdade. A escravidão da carne se tornou na liberdade da submissão ao salvador. “Porque vós sois dele, em Cristo Jesus” (I Co 1.30).

b) Crucificar a carne significa rejeitar a velha natureza pecaminosa. (Cl 3.5ss; Ef 4.17ss)
A figura da crucificação deixa clara a visão de que a substituição das obras da carne pelo fruto do Espírito será um processo difícil e doloroso e não tão simples como desejaríamos. Não é apenas declarar, profetizar ou decretar a morte da carne; é lutar contra ela até que ela morra!
Nos tempos de Paulo, a crucificação era aplicada como pena de morte aos piores criminosos. Quem era condenado à crucificação sabia que tinha um caminho só de ida para percorrer. Carregar a cruz (Lc 9; Mc 8.34) é a figura usada por Jesus para significar a vida de arrependimento, que é vivida dia-a-dia. Assim a crucificação da carne, como processo de substituição, se dá nas lutas do dia-a-dia de cada cristão.

Essa rejeição da carne:
 É uma tarefa nossa.
A crucificação da carne não é uma coisa feita a nós, mas por nós. Nós é que crucificamos a carne. A linguagem de Paulo aqui não tem a mesma aplicação de Rm 6.6 ou Gálatas 2.20, onde nós fomos crucificados com Cristo legalmente. Paulo não está dizendo que devemos morrer, mas que devemos “matar”.

 É uma tarefa impiedosa.
Impiedosa, não no sentido religioso do termo, mas militar. A crucificação não era uma forma agradável de morrer. Poderia levar dias e até semanas, mas a morte era certa. O costume de quebrar as pernas dos crucificados era uma forma de apressar o processo.
Citação: John Stott diz: “A carne não é algo respeitável que deva ser tratado com cortesia e deferência. Mas uma coisa tão maligna que nada mais merece a não ser a crucificação”. A carne é nossa inimiga, seu fim é a pena de morte; declarada e aplicada.

 É uma tarefa dolorosa.
Quem morria crucificado, morria debaixo de intensa dor, pois a Crucificação podia se estender por vários dias. Dessa forma fica mais fácil entender a linguagem de Hebreus 12.4: “na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue”.

 É uma tarefa decisiva.
Embora a morte por crucificação fosse lenta, era uma morte certa. A morte não era súbita, porém gradual. Não havia volta, era o fim. Quando Cristo se tornou o nosso Senhor e o Espírito veio habitar em nós a carne foi crucificada.
Note o tempo do verbo “crucificaram”; Staurôsan (staurwsan) é um aoristo indicativo ativo, indicando “uma ação completa no passado”.
Citação: “Quando vamos a Jesus Cristo arrependemo-nos. “Crucificamos” tudo que sabemos que está errado” (Stott). O arrependimento da conversão é tão decisivo quanto uma crucificação. John Stott argumenta ainda que: “se pecados insistentes persistentemente nos perseguem, ou é porque não nos arrependemos verdadeiramente, ou é porque, tendo-nos arrependido, não permanecemos em nosso arrependimento”, e tentamos retirar a nossa carne da sua cruz.

c) Com as suas paixões e concupiscências.
A carne não é crucificada sozinha, mas acompanhada de seus produtos, de suas obras. Donald Guthrie afirma que o antagonismo entre as obras da carne e o fruto do Espírito só pode ser resolvido por uma atitude drástica como a crucificação.

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Bibliografia: Kris Lundgaard, O Mal Que Habita Em Mim, ECC, p.17-20./ Russel P. Shedd, O Mundo, A Carne e o Diabo, Vida Nova, 49-83. / John Stott, A Mensagem de Gálatas, ABU, p. 137,138. / Donald Guthrie, Gálatas, Introdução e Comentário, Vida Nova, p. 181. / Fritz Rienecker e Cleon Rogers, Chave Lingüística do Novo Testamento Grego, Vida Nova, p.383.

Aula 21 = O Poder do Pecado (I)


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 21 = O Poder do Pecado (I) (11/09/2011).
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Nós pecamos e dizemos que não vamos pecar mais; e no dia seguinte pecamos outra vez com uma rebeldia ainda maior!
Por que isso é assim?
Creio que poderíamos relembrar o que Kris Lundgaard nos disse em seu livro O Mal Que Habita Em Mim, logo no primeiro capítulo:

1. O fato de o pecado habitar em nós é uma lei (Rm 7.21).
Não como uma lei de trânsito ou um dos preceitos dos 10 Mandamentos como “Honrar pai e mãe” ou “Não matarás”. Mas o pecado é como a lei da gravidade. Não é uma lei de preceito, mas uma lei que nos rodeia e permeia o tempo todo e que tem a força de nos obrigar a fazer a sua vontade. Faça o que quiser a gravidade sempre estará ai. Nesse sentido, toda necessidade e inclinação em nós é uma lei. A fome é uma lei; o sono é uma lei; a sede é uma lei; a atração sexual é uma lei. Todos nos impelem numa determinada direção. O pecado é uma lei desse tipo (uma necessidade ou uma inclinação) dentro de nós que está sempre tentando a satisfazer desejos e caprichos seus. Ele nos atrai e seduz; ele nos ameaça e pune; ele nos maltrata e até nos mata se não fizermos sua vontade.
Cristo derrubou o seu domínio; enfraqueceu o seu poder; matou suas raízes de modo que a morte eterna foi arrancada de nós, mas até a sua volta, o pecado continua colocando suas mãos em nossa garganta.

2. Essa lei está dentro de nós.
Essa lei está dentro de nós lutando e resistindo à ação do Espírito Santo, guerreando contra ele a cada momento (Gl 5.16), sempre tentando abrir a porta para ação do mundo e do diabo em nossas vidas, além de dar vazão às suas próprias cobiças e crimes. Paulo pergunta: “Quem me livrará” dessa lei interna e maligna? A Bíblia chama essa lei de “Carne”

 O que é a Carne?
• Não é a carne física - criada por Deus.
• Não é a carne como descendência ou relacionamento.
A carne é a natureza humana pecaminosa de cada um de nós; aquela inclinação para o pecado dentro de nós que nos faz ser sujeitos às tentações e quedas.
Tem uma conotação ativa - é inimiga da presença de Deus em nós. (1) Está sempre se auto justificando, “cobrindo o mau cheiro dos pecados com o desodorante das desculpas” (Russel P. Shedd). Tem prazer nas falhas dos irmãos para se fazer sobressair. (2) Sempre buscando a independência, o individualismo e a presunção, fazendo-se superior e auto-suficiente. (3) Sempre fugindo da culpa, lançando-a sobre os outros, fugindo de confessar os pecados a Deus. (4) Sempre se rebelando contra Deus. Somos carnais, vendidos à escravidão do pecado (Rm. 7.14). (5) Ela é uma lei nos nossos membros que nos escraviza (Rm 7.20). Como a Lei da gravidade (Kris Lundgaard).
A carne é corrupta e sujeita à podridão (Gl. 6.8 - quem semear para a carne - colherá corrupção). Ela é um princípio de oposição a Deus dentro de nós.

 A Carne Busca a Satisfação de Seus Desejos V. 16
a) Satisfação: Satisfazer é completar o desejo, cumprir, atender a finalidades. Ela jamais se satisfaz, quer sempre mais.
b) Concupiscências - Desejos fortes - Aquilo que você quer demais ao ponto de ficar desesperado (paixão) desejos da vaidade dos olhos (I Jo 2.16).

 A Carne Milita Contra o Espírito V. 17:
Os desejos da carne se opõem aos desejos do Espírito.
a) Eles são opostos. A palavra tem o sentido de uma guerra de trincheiras. São inimigos declarados. Uma guerra de trincheiras é uma estratégia para ver quem resiste mais tempo.
b) A guerra - “militam”. Mesma palavra para concupiscência. “A carne deseja fortemente contra o Espírito (kata- para baixo). A idéia é de suprimir, subjugar e apagar o Espírito.

 Sempre que a nossa natureza pecaminosa reina, o Espírito está sendo apagado.
Como podemos perceber isso? Quando temos:
1) Maior alegria nas obras da carne do que no fruto do Espírito.
2) Relaxo no trato com os pecados. Não querer confessá-los logo.
3) Desânimo para com a oração e o estudo da Bíblia.
4) Insatisfação quanto às coisas de Deus. Não ter desejo de freqüentar a igreja. Fugir do serviço cristão. Vergonha em testemunhar (etc).
Satisfazer a carne é perder-se em desejos, visto que a carne não quer o nosso querer verdadeiro.
Em Mateus 13.20,21 - A semente que caiu em terreno rochoso, não cresceu, porque não suportou angústia e perseguição. A carne não deseja o sofrimento. Quantos não são aqueles que se enveredaram para o mundo outra vez, após terem descoberto que ser cristão é mais difícil do que imaginavam. Que tinham de viver para Deus e não mais para si mesmos! (II Co 5.14). Que a liberdade que Deus dá não é liberdade para fazer o que quiser (II Co 3.18).

3.Essa lei pecaminosa se manifesta até mesmo em nossos melhores momentos.
O próprio apóstolo João nos diz que “se dissermos que não temos cometido pecado” (I Jo 1.10) fazemos a Deus mentiroso, porque ele diz em sua palavra que somos todos, sem exceção, pecadores na sua presença.

4. Essa lei nunca descansa.
Ela faz guerra contra o Espírito todos os dias no nosso presente (Gl 5.16-18).

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Bibliografia: Kris Lundgaard, O Mal Que Habita Em Mim, ECC, p.17-20./ Russel P. Shedd, O Mundo, A Carne e o Diabo, Vida Nova, 49-83.

sábado, 17 de setembro de 2011

A Verdadeira Religião Consiste Largamente de Afetos (Observações 1 a 4)


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Uma Fé Mais Forte Que As Emoções
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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Exposição 03 = A Verdadeira Religião Consiste Em Larga Escala De Afetos (Observações 1 a 4). 10/08/2011
Uma Fé Mais Forte Que As Emoções – Jonathan Edwards (p. 46-52)
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Edwards definiu "afetos" ou "afeições" pelas disposições do coração que nos inclinam para certas coisas e nos afastam de outras. Todas as nossas ações derivam dos nossos desejos. A verdadeira vida cristã depende do cultivo das inclinações certas da vontade e dos afetos na direção de uma vida santa. Após essa definição, Edwards faz 10 observações que comprovam a sua tese:

1. A verdadeira religião consiste, em larga escala, de fortes inclinações e vontade.
A força de nossa consagração é determinada em grande parte pelo exercício fervoroso do coração e atos vívidos. Deus não aceita e não quer uma religião de desejos fracos, insípidos e sem vida. A mornidão espiritual não tem a sua aprovação (Ap 3.15,16).
Deus insiste que sejamos “fervorosos de espírito” (Rm 12.11) e que toda a nossa alma e força sejam empregados no seu serviço (Dt 10.12). Não devemos viver daaparência da santidade, mas do seu poder (II Tm 3.5). O Espírito Santo faz arder o coração de quem ouve e entende a sua palavra (Lc 24.32). Paulo compara a vida espiritual a uma corrida e a uma luta que exige de nós esforço e dedicação (I Co 9; II Tm 2). A verdadeira religião exercita intensamente a vontade.

2. Os afetos motivam os atos humanos.
A natureza humana decaída é preguiçosa. As nossas afeições (emoções, inclinações, sentimentos) nos colocam em movimento na tomada de decisões. Quem possui conhecimento doutrinário mas sem disposição para agir não sairá do lugar para crescer na fé.

3. Questões religiosas só nos interessam até o ponto em que nos afetam.
Podemos ouvir a pregação e o ensino da palavra de Deus constantemente e encher nossa mente de conhecimento doutrinário, mas se tudo isso não mexer com nossas afeições e sentimentos, pouco faremos de positivo para mudar nossa posição. Tudo o que ouvimos sobre Deus e seu poder, amor, compaixão, maravilhas e tudo mais; precisa tomar assento seguro nosso coração, porque se não, permaneceremos indiferentes. Se nossas afeições não forem tocadas, não haverá mudança espiritual em nós.

4. As sagradas escrituras enfatizam os afetos como expressão de nossa consagração a Deus.
Alguns exemplos são mais que suficientes para mostrar esse ponto:
a) Temor:
A verdadeira santidade consiste no temor do Senhor, que é o princípio da sabedoria (Sl 111.10).

b) Esperança:
A esperança compõe a tríade das virtudes permanentes na eternidade (I Co 13.13). Ela é fonte de nossa alegria (Sl 146.5; 147.11). Ter esperança em Deus faz-nos benditos diante dele (Jr 17.7). Está associada ao temor (Sl 33.18). Ela é o capacete do soldado cristão (Ef 5.8) e sua âncora da alma (Hb 6.19).

c) Amor a Deus e ódio ao pecado:
(O amor será tratado no ponto 5 exclusivamente). O cristão deve praticar o seu oposto (o ódio) para com o pecado. Deve-se temer ao Senhor e odiar o mal (Sl 97.10; Pv 8.13). Odiar o mal é prova de sinceridade de nossa fé para com Deus (Sl 101.2,3; 119.104).

d) Desejo:
Nosso desejo ser santo e deve expressar nosso anseio, sede, fome e busca por Deus (Is 26.8; Sl 27.4; 42.1,2; 63.1,2; 73.25; 84.1,2; 119.20; 143.6,7). Ter fome e sede por Deus é uma bem aventurança (Mt 5.6; Ap 21.6).

e) Alegria:
Devemos exercitar nossa alegria em Deus constantemente (Fp 3.1; 4.4). Ela faz parte do fruto do Espírito (Gl 5.22).

f) Pesar:
Edwards chama de “contrição” (p.51). o Senhor está perto de quem tem o coração quebrantado e contrito (Sl 34.18). Esse tipo de quebrantamento agrada a Deus (Sl 51.17; Is 57.15; 66.2).

g) Gratidão:
A gratidão está relacionada ao reconhecimento e louvor a Deus (Cl 3.16,17).

h) Misericórdia:
Também chamada de compaixão. O justo é compassivo e por isso tem o coração bondoso para fazer donativos a quem precisa (Sl 37.21). Quem é compassivo honra a Deus (Pv 14.31). Como povo escolhido de Deus devemos nos revestir de compaixão pelas pessoas (Cl 3.12).

i) Zelo:
O zelo é o que nos tira da mornidão espiritual e somos censurados por Cristo pela falta de zelo (Ap 3.15,16,19). Cristo nos salvou para sermos zelosos de boas obras (Tt 2.14).

Conclusão Parcial:
Esses exemplos acima são apenas uma amostra da veracidade de que a nossa consagração a Cristo está intimamente ligada às nossas afeições e inclinações. Devemos zelar por conhecer as escrituras e atentamente praticar seus preceitos e orientações.

sábado, 10 de setembro de 2011

Aula 20: A Depravação Total: A Incapacidade Total do Homem Redimir-se.


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 20 = A Depravação Total: A Incapacidade Total do Homem Redimir-se (28/08/2011)
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Os Vários Nomes para Depravação na Escritura
(1) Corrupção do Coração (Gn 6.1; Jr 17.9).
O coração é o centro da personalidade humana de onde todas as coisas procedem (Pv 27.19). Pv 4.23 diz: "Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida."

(2) Cegueira do Coração (Mt 6.22-23; Jó 5.14; Sl 82.5; Pv.4.19).
A depravação moral resulta numa escuridão moral. Por isso "os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más" (Jo 3.19).

(3) Dureza de Coração (Ez 3.7; 11.19; 36.26; Zc 7.11,12).

(4) Consciência Corrompida (fraca =I Co 8.12; corrupta = Tt 1.15; Cauterizada = I Tm 4.2 e má = Hb 10.22).
A consciência corrupta não é capaz de dar ao pecador uma atitude positiva para com Deus, nem conduzi-lo ao arrependimento.

(5) Escravidão do Pecado (Jo 8.34; Rm 6.16).
O domínio do pecado vem de dentro do próprio homem. Este controle poderoso sobre todas as faculdades da alma humana é vencido somente quando a obra regeneradora do Espírito Santo pára os efeitos da morte no homem.

(6) Escravidão da Corrupção (Rm 8.20,21; II Pe 2.19). (7). Escravidão de Satanás (Jo 8.44; I Jo 1.10; II Tm 2.26).

Há, todavia, algumas outras verdades a respeito da depravação total do homem que precisam ser estudadas à luz da Escritura:
1. É comum a todos desde o Ventre Materno.
Toda criança já é nascida culpada neste mundo e, como consequência, corrupta e com uma completa incapacidade de alma para mudarem a situação com a qual nasceram (Sl 51.5; 58.3; Is 48.8). É só deixá-las entregues a si mesmas, porque a malignidade está atada ao coração da criança, evidenciando a sua corrupção (Pv 22.15). Nno Livro de Provérbios, o "tolo" não é um idiota, mas um pecador.

2. Afeta a Totalidade do Ser Humano.
Por “depravação total”
(a) não se quer dizer que o ser humano não possa fazer nada que não seja reconhecidamente entre os homens considerado como bom;
(b) não quer dizer que o pecador não tenha qualquer conhecimento inato daquilo que é bom e do que não é bom;
(c) não quer dizer que ele não saiba distinguir o que convém e o que não convém;
(d) não quer dizer que o homem não seja capaz de admirar as virtudes e ações virtuosas em outras pessoas;
(e) ou que ele não tenha afeições desinteressadas com relação a outras pessoas;
(f) nem quer dizer que o homem não-regenerado, em virtude de sua pecaminosidade inerente, tenha que suportar ou dar apoio a toda espécie de pecado,
(g) ou que não tenha nenhum código ético. A depravação está intimamente ligada à tendência para o mal, uma pré-indisposição contra as coisas das quais Deus se agrada. O adjetivo "total" tem a ver com a extensão da corrupção. Ele significa que o ser humano por completo foi afetado pela queda. Nada do seu ser escapou dos efeitos do pecado. O pecado atingiu todas as faculdades da personalidade humana, inclusive o seu corpo (Is 1.5,6; 2 Co 7.1). Essa poluição moral estende-se aos pensamentos e imaginações, assim como às palavras e às ações.

• O CORPO.
A queda do homem trouxe consequências sérias para o nosso organismo físico. A vida física do homem é cheia de fraquezas e enfermidades (Gn 3.16-19). Jesus Cristo morreu para levar sobre si as nossas enfermidades (Is 53.).
• ALMA.
Todas as faculdades da alma (ou espírito) humana foram afetadas pela queda.
A Mente tem seus sentidos embotados (2 Co 3.13); entendimento obscurecido = Ef 4.17,18; mente corrompida = Tt 1.15; raciocínio nulo = Rm 1.22,23). A sabedoria dos homens incrédulos é "terrena, animal e demoníaca" (Tg 3.15). O entendimento dos homens precisa ser aberto para que a luz entre. Essa é uma obra divina no pecador. Mesmo para o entendimento da Escritura, é necessária uma obra graciosa do Pai das luzes (Lc 24.45; Ef 4.24).
• Emoções.
As afeições são a capacidade de fascinar e dispor a alma a favor ou contra qualquer atitude ou pessoa. O homem caído tem afeições pela riqueza, pelo prazer sensual, pelo poder, pela honra, mas nunca no evangelho, porque este não lhe oferece estas coisas. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele" ( 1 Jo 2.15). Jesus dá uma lista enorme dos pecados que vem da imaginação, das afeições desordenadas do coração (Mt 15.19).
• Vontade.
A vontade não tem controle sobre o homem. Ao contrário, ela é a serva das outras faculdades da personalidade humana. Ela executa as convicções da mente ou as imperiosas ordens de nossas concupiscências. A vontade é sempre influenciada por algo no homem, sendo sempre serva das disposições interiores, do coração. A vontade é aquilo que a mente pensa, aquilo que as afeições desejam, e é a pura expressão do que o homem é interiormente. A vontade do homem é determinada pela razão e pelas afeições. Ela é uma espécie de serva das outras faculdades porque ela executa as convicções da mente dos homens ou as ordens imperiosas dos desejos concupiscentes, ou ainda, aos "motivos mais fortes" das afeições.

INCAPACIDADE TOTAL
A doutrina da incapacidade total é o resultado da depravação total. Afirmar isso não elimina nem contradiz a doutrina da responsabilidade humana. A fim de que o homem possa apresentar atos divinamente aceitáveis, é necessário que uma força externa que venha operar internamente, no coração do homem, para implantar ali o princípio da nova vida. Esta força vem somente de Deus. Jesus disse: "Em verdade, em verdade vos digo, se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode ver o reino de Deus" (Jo 3.5).
Pink comenta:
É um grande engano supor que os homens caídos possuem faculdades adequadas para tal percepção moral, e que falta somente a luz moral necessária. O oposto é que é verdadeiro neste caso. A luz moral brilha ao redor dele, mas seus poderes de visão se foram. Ele anda em trevas enquanto os explendores do Sol da Justiça do meio-dia brilham ao redor dele."
O que é incapacidade moral? Incapacidade moral é a falta de poderes adequados de percepção moral. Causa no homem uma indisposição para com os padrões de Deus para si próprio, mesmo embora ele seja capaz de admirar as qualidades boas em outros homens (Mc 6.20). Em que sentido é o homem natural moralmente incapaz?
1. O Homem é Incapaz de Sensibilidade Moral.
Ele não tem senso de pecado, nem sente o peso dele. A insensibilidade deles está ligada à dureza de seus próprios corações (Ef 4.19; MT 13.14,15).
2. O Homem é Incapaz de Obediência Moral.
Os homens estão "obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza dos seus corações" (Ef 4.18).
3. O Homem é Incapaz de Amar a Deus.
Esta é a mais importante lei moral que está afirmada na Escritura (Mt 22.34-40). Porque o pendor da carne dá para a morte... o pendor da carne é inimizade contra Deus (Rm 8.6-7).
4. O Homem é Incapaz de Amar Aqueles que são de Deus (Jo 15.20,21; II Ts 3.1,2).
5. O Homem é Incapaz de Perceber e Fazer as Coisas Santas (Dt 5.28,29; 29.2-4; Jo 8.42; I Co 2.12-14).
6. O Homem é Incapaz de Vir a Cristo.
"Ninguém pode vir a Mim se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6.44). "A alma do perverso deseja o mal"( Pv 21.10).
Por esta razão, na fé Reformada a concepção de salvação está ligada intimamente à doutrina do pecado do homem. É impossível entender a assim chamada "tão grande salvação" a menos que se entenda a doutrina da "tão grande perdição".

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Bibliografia: Louis Berkhof. Teologia Sistemática. ECC, p. 243-245.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Publicação na Fides Reformata.


"A Igreja Presbiteriana do Brasil e a Escravidão: Breve Análise Documental".
Revista FIDES REFORMATA VOLUME XV - Nº 2 - 2010.

Veja o conteúdo completo das Revistas I á XV/1 no endereço abaixo.
Vale a pena conferir!

http://www.mackenzie.br/artigos.html#xiv_ii
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