O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Caminho da Santidade (Aula 16)


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Na Dinâmica do Espírito
-----------------------------------------------------------------------------------
Aula 16 = O Caminho da Santidade 15/08/2010
Na Dinâmica do Espírito. J. I. Packer; Vida Nova, p. 100 – 117.
------------------------------------------------------------------------------------

INTRODUÇÃO: A maior necessidade do mundo é a santidade pessoal de cada cristão. Isso porque a imoralidade (permissividade, secularismo, mundanismo) cresce em todas as áreas e invade também as igrejas. É preciso reconsiderar nossas atitudes e voltar à prática bíblica de uma vida moral sadia. Quais os princípios básicos dessa santidade?

I) A NATUREZA DA SANTIDADE É TRANSFORMAÇÃO ATRAVÉS DE CONSAGRAÇÃO.
"Hagios" = Santo, que quer dizer “separado para Deus (serviço)” e aceito por Deus para o Seu uso. "Osiotês" = Retidão e pureza (por dentro e por fora), diante de Deus.

NA Bíblia, o conceito de santidade é relacional. Ser santo é nutrir um relacionamento de proximidade com Deus. a esse cultivo chamamos de consagração. A consagração é o elemento ativo da santificação, pois separação é EM DIREÇÃO A Deus. A consagração começa no arrependimento contínuo dos nossos pecados, e prossegue na transformação contínua do nosso viver de acordo com a imagem de Jesus Cristo (II Co 3.18 -4.4). A proposta bíblica é que quanto mais amarmos o Senhor, consequentemente amaremos mais aos outros.

II) O CONTEXTO DA SANTIDADE É JUSTIFICAÇÃO ATRAVÉS DE JESUS CRISTO.
Todo o processo de santificação se baseia no perdão e aceitação de deus, que nos foi dado em Jesus Cristo, quando morreu na cruz. A alegria do cristão é a salvação pela cruz. O mais santo, dos santos, sempre será um pecador perdoado. À medida que a santidade cresce, mais percebemos nossa indignidade diante de Deus.
Exemplo: Paulo
= I Co 15.9 (54 d.C.) - Menor dos apóstolos.
= Ef 3.8 (61 d.C.) - Último de Todos os santos.
= I Tm 1.15 (65 d.C.) - Principal dos pecadores.
Isso não implica em uma auto-estima baixa, mas num real e verdadeiro autoconhecimento (Rm 7.25). O que é santidade, senão o “aumento de sensibilidade para o que Deus é, e conseqüêntemente, uma avaliação mais clara da própria pecaminosidade e das limitações particulares, e daí um reconhecimento intensificado da constante necessidade da misericórdia perdoadora e purificadora de Deus”(p. 103). A verdadeira santidade jamais terá justiça própria, pois isso é farisaísmo. Nossa justiça é a justiça de Cristo, a nós imputada por Deus em cristo (Fp 3.9-11).

III) A RAIZ DA SANTIDADE É CO-CRUCIFICAÇÃO E CO-RESSURREIÇÃO COM JESUS CRISTO.
Romanos 6 nos ensina que todos que têm fé em Cristo foram crucificados com Ele. Isso quer dizer que foi dado um fim à vida dominada pelo pecado, e implantada uma nova vida. Fomos ressuscitados em cristo, por isso nossa vida deve ser diferente, uma novidade (v.6). Assim entendemos que o novo nascimento é uma destronação no coração para o estabelecimento de uma nova vida com Deus, seu novo Senhor.
Santidade é aprender ser na vida diária o que já somos no coração redimido por Cristo. Santidade é a marca do coração que nasceu de novo, assim como o pecado é a marca daquele que não nasceu outra vez em Cristo (II Co 5.17). Amar e querer a Deus só é possível ao coração regenerado. O pendor da carne é inimizade contra Deus (Rm 8.7).
O cristão só poderá sentir ou ter auto-realização quando a santidade for o seu desejo mais profundo, porque a sua nova natureza o incitará a buscá-la. Não querer a santidade é prova de não ter nascido de novo.

IV) O AGENTE DA SANTIDADE É O ESPÍRITO SANTO:
A habitação do Espírito Santo em nós é o requisito básico de sua atuação, pois é o selo que nos marca como salvos e pertencentes a Cristo (Ef 1.14; 4.30). O Espírito nos leva a querer e a fazer a boa vontade de Deus (Fp 4). Ele cria em nós o propósito de obediência e nos sustenta na execução do mesmo. Quando obedecemos aos seus “impulsos” criamos e desenvolvemos hábitos corretos diante de Deus, que moldam nosso novo caráter cristão. “Semeie uma ação, colha um hábito; semeie um hábito, colha um caráter”. Observe que este é o método de atuação primário do Espírito (II Co 3.18), de um estado de glória para outro. Seu objetivo é frutificar em nós e através de nós (Gl 5.22-24).

Duas observações importantes:
1ª) O Espírito opera por meios. Eles podem ser objetivos: Verdade bíblica, ceia, oração, comunhão, adoração. Eles podem ser subjetivos: Pensar, ouvir, admoestar-se, questionar-se examinar-se, compartilhar com outros o que está no coração. É preciso conscientizarmo-nos de estes meios são muito mais eficazes e duradouros que intervenções sobrenaturais (sonhos, visões, profecias). Estes últimos existem sim, mas não são tão comuns quanto desejam alguns. “A formação de hábitos é o meio normal pelo qual o Espírito nos leva para a santidade” (Packer).

2ª) Hábitos santos não são produtos naturais, mas obra do Espírito. Toda disciplina e esforço precisam ser abençoados pelo Espírito Santo, senão darão em nada. Toda tentativa de colocar em ordem a vida espiritual deve estar embebida em constante oração. A oração nos leva a reconhecer a nossa incapacidade, bem como a reconhecer a soberania do Espírito. Santidade através de formação de hábitos não é auto-santificação, mas entender como o Espírito age e entrar na sua dinâmica (andar como Ele quer).

V) A EXPERIÊNCIA DE SANTIDADE É EXPERIÊNCIA DE CONFLITO.
Do movimento de “Batalha Espiritual” podemos aprender muitas verdades importantes, mas também precisamos evitar alguns excessos perigosos a uma fé sadia. Contudo é ponto pacífico que a vida de santidade tem três inimigos reais: O mundo, a carne e o diabo. Por essa razão, a batalha espiritual tem muito a ver com a santidade, porque toda a experiência de santidade que o cristão possa viver e nutrir será vivida e realizada num contexto de muito conflito.
(1) A carne milita contra o Espírito (Gl 5.17).
(2) O diabo anda em derredor querendo nos devorar (1Pe 5.8).
(3) Não devemos amar o mundo, porque o que há no mundo não procede do Pai, e o mundo passará (1Jo 2.15-17).

Nós temos dois inimigos externos e um interno. É criança aquele cristão que pensa que não precisa tomar cuidado ao enfrentá-los, pois tem de lidar com pelo menos três implicações reais:
(1) A realidade da guerra (carne e Espírito militam).
(2) A necessidade de esforço (vigiar e orar para não cair na tentação).
(3) A vida santa nesse mundo é incompleta (enfrenta oposição).
Essa oposição produz:
(a) Tentações = oferecimento do pecado.
(b) Ilusões = erros de percepção.
(c) Distrações = aquilo que tira a atenção.

É por isso que a tese de santidade “total” ou “angélica” defendida por John Wesley só pode ser concebida para o céu. Além do mais dizer que não pecamos mais, aqui na terra, é chamar a Deus de mentiroso e negar a sua palavra (1Jo 1.10).
Isso não quer dizer que não termos vitórias duradouras ou que lutamos sozinhos. O Espírito Santo nos ajuda cotidianamente e nos dá inúmeras vitórias, contudo não podemos negligenciar a fragilidade de nossa natureza pecaminosa.
Mesmo quando Paulo declara vitórias, não deixa de mostrar a sua dificuldade (Fp 3.13,14). O prêmio da soberana vocação é para aquele que se esforça na corrida (1Co 9.23-27). Qualquer expressão de santidade em nossa vida estará debaixo de fogo cruzado intenso. Foi assim com Cristo, o qual devemos considerar atentamente (Hb 12.3,4). O autor dessa epístola nos fala para literalmente “pensem fixamente nisso”. Se foi assim com o nosso Salvador e Senhor, também o será conosco: “Vigiai e orai para que não ENTREIS em tentação” (Mt 26.41).
A saída da tentação é sempre difícil, é como se esgueirar por uma garganta apertada num desfiladeiro. “Livramento” (ekbasij) em 1 Coríntios 10.13 significa “caminho de saída”. É figura de um exército preso nas montanhas e que encontra uma saída por um desfiladeiro.

VI) A REGRA DA SANTIDADE É A LEI REVELADA DE DEUS.
O evangelho nos conclama a uma vida nova caracterizada por retidão e justiça (Ef 4.23,24). No texto a palavra grega é uma só “hesiotês”. A justiça (interna) se manifesta em retidão (externa). Significa obediência prática à lei de Deus. A Lei são os mandamentos e preceitos de Deus, que refletem o seu caráter e que Cristo praticou como homem no nosso meio. A justiça faz parte da imagem de Deus no homem, perdida na queda e restaurada na graça.
Ter a lei de Deus como regra é diferente de legalismo. O legalismo é uma suposição de que os requisitos da lei podem ser reduzidos a regras padronizadas para todas as situações indistintamente. Significa também supor que a observância formal dessas regras podem salvar ou conseguir certo grau mais elevado da graça divina. Jesus destruiu o primeiro ao mostrar que a obediência ou a desobediência à lei são questões de desejo e propósito antes mesmo de se tornarem atos práticos. O segundo é inutilizado por Paulo através do ensino da justificação pela fé somente. Os evangélicos contemporâneos têm mais êxito em lidar com o segundo e fracassam contra o primeiro (p.109).
O estabelecimento de regras rígidas reduz a liberdade cristã pessoal e não produz santidade, mas alienação. Por outro lado, negar qualquer papel à lei por medo do legalismo pode gerar outro pecado ainda mais grave, que é a licenciosidade (uma vida fora da lei e sem qualquer regra). A Lei moral, como guia para a santidade, encontrada nos 10 mandamentos e aplicada em todo o Antigo Testamento, jamais foi abolida e deve ser obedecida (Mt 5.18,19). O cristão guarda a lei por gratidão em amor (Rm 12.1). Obedecemos não como um pecador tentando ganhar a salvação, mas como filhos de Deus gratos e contentes pela salvação já recebida do Pai (I Co 9.21). O descuido moral é carnalidade espiritual que nega a santidade (I Co 3.1-3).

VII) O CERNE DA SANTIDADE É O ESPÍRITO DE AMOR.
O amor é fruto do Espírito, o resumo da lei e sem ele o cristão nada é (Gl 5.22; Mt 22.35-40; I Co 13.1-3). O amor não essencialmente um sentimento de afeição, mas uma forma de comportamento. A identidade do amor está no “dar-se” como Cristo fez por nós (I Jo 3.16-18; 4.7,10,11). Seguir o exemplo de Cristo é caminhar em santidade. Santidade dura e in sensível é uma contradição intrínseca, porque a natureza da santidade é amar a Deus e ao próximo (Mt 22.37; Dt 6.5; Sl 18; I Co 13.4-7; Lc 10.29-37). Sem amor, nada que se propõe a ser chamado de santidade será algo na presença de Deus.
Somos como um grande shopping em reforma e ampliação. Os negócios não podem parar e os transtornos das reformas são incômodos, mas temporários. O arquiteto elaborou um projeto de etapas e o mestre de obras competente vai realizando o seu trabalho. A cada etapa concluída estampa-se a satisfação e a aprovação do projeto como vai sendo realizado. É assim que Deus nos santifica.

Aplicações:
1. Santificação não é um processo confortável, e não se deve esperar tranqüilidade interior enquanto ele se processa.

2. Devemos ter consciência do andamento da obra. Como se exibíssemos tabuletas dependuradas em nós com a sigla: PFTPDNTSOEMA: “Por favor, tenha paciência, Deus não terminou sua obra em mim ainda”. Cristo ESTÁ SENDO formado em nós (Gl 4.19).

3. Santificar-se é ser guiado pelo Espírito (Rm 8.14; Gl 5.18). Guiar significa “orientar”, não no sentido de revelar algo, mas no sentido de buscar, praticar e apegar-se à santidade para ser reproduzida em nosso caráter e nossas ações.

4.Santidade é prioridade para cristãos saudáveis, Deus nos escolheu para sermos santos (Ef 1.4); sem ela ninguém verá o Senhor (Hb 12.14); A santidade nos torna instrumentos úteis para a glória de Deus (II Tm 2.21).

O Espírito Santo e os Cristãos (Aula 12)


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Na Dinâmica do Espírito
------------------------------------------------------------------------------------
Aula 12 = O Espírito e os Cristãos 20/06/2010.
Na Dinâmica do Espírito. J. I. Packer; Vida Nova, p. 63-72.
------------------------------------------------------------------------------------
O papel central do Espírito Santo é mediar a presença de Cristo nos cristãos e na Igreja, ou seja, o Espírito está aqui para glorificar a Cristo para nós e em nós. Ignorar esse ponto fundamental tem resultado numa abordagem ao ministério do Espírito centralizado no cristão e não em Cristo, ou seja, no homem e não em Deus. É preciso corrigir essa abordagem começando por nossa relação com o Espírito no que diz respeito a como chegamos a conhecer a Deus.

NOVO NASCIMENTO.
A vida cristã começa com o novo nascimento (nascer de novo) que é operado pelo Espírito Santo (Jo 3.3-8; I Pe 1.23; Tg 1.18). Nascer de novo é nascer do Espírito (Jo 3.6). A menção ao “nascer da água” não é uma afirmação da regeneração batismal, mas uma ilustração do aspecto purificador e renovador do Espírito agindo no novo convertido. O novo nascimento também é chamado de regeneração (Tt 3.5) e nova criação (II Co 5.17; Gl 6.17). No novo nascimento somos unidos a Cristo em sua morte e ressurreição que transforma a vida (Rm 6.3-11; Cl 2.12-15). O processo de se tornar cristão acontece pela fé depositada no sangue de Cristo derramado na cruz (Rm 4.16-25; 10.8-13; Cl 2.12). Essa união com Cristo é retratada em termos da relação entre cabeça e membros de um corpo (I Co 12.12-27).
Isso quer dizer que viver pela fé é viver sob o poder sobrenatural de Deus. Por isso devemos evitar o erro de interpretar a experiência do novo nascimento como algo operado pela fé do crente e não pelo poder de Deus. Pensar desse modo produz dois resultados negativos:

1. A nossa mente fica possuída de uma expectativa-padrão de uma experiência emocional por ocasião da conversão (emocionalismo). Isso é deduzido das narrativas de conversões dramáticas narradas tanto nas Escrituras quanto nos livros de história da igreja (Paulo, Agostinho, Lutero, Bunyan, Wesley e a nossa). Usa-se a experiência para determinar a veracidade de uma conversão ou não. Isso é tolo e triste, pois empobrece a multiforme ação e poder do Espírito para trazer vários tipos de pessoas diferentes a Cristo. Não se pode padronizar por padrões da experiência a ação sobrenatural do Espírito. Johnathan Edwards e os puritanos já haviam entendido antes de nós que “nenhum estado emocional ou seqüência como tal, nenhuma experiência isolada considerada separadamente, pode ser um indicador iniludível do novo nascimento e cometeremos erros sem fim, se pensarmos e julgarmos de outra forma” (p.66). Somente uma vida de conversão constante pode justificar que uma pessoa se converteu no passado.

2. Tirar Cristo do centro da evangelização apresentando-o mais como uma resposta a anseios egocêntricos do que como o salvador da vida. Cristo não é somente aquele que traz paz à consciência; alívio na angústia ou tribulação; que dá alegria e felicidade ou nos carrega de poder para vencer. Ele é o Senhor e rei que resgata o seu povo. Esse erro tem a ver com um discipulado deficiente e muitas vezes infiel às escrituras; que não leva as pessoas a calcularem o preço do discipulado. O resultado imediato é uma evangelização que colhem grandes ceifas de pessoas não convertidas que não perseverarão no caminho ou que tentarão reinterpretar Jesus de acordo com suas experiências e desejos do coração. Esse erro torna atrativa a mensagem cristã para aquelas pessoas que acham que Deus sempre as protegerá de tudo.
O primeiro grupo se torna um peso morto nas igrejas e o segundo experimentará desenganos traumáticos e muitas desilusões por terem crido equivocadamente num evangelho que não era o evangelho de Cristo. Falsas expectativas é o resultado de uma evangelização também falsa, porque centralizada no homem. Evangelizar não é “vender” a Cristo como se ele fosse um produto mercadológico, mas a proclamação de sua vitória sobre a morte para tratar de nossos pecados e não de nossas expectativas quanto a sonhos e desejos particulares, exaltando benefícios e minimizando responsabilidades.

Como essa subjetividade estereotipada de nossa evangelização pode ser corrigida?
(a) Entrando NA DINÂMICA DO ESPÍRITO que focaliza a Cristo como Deus salvador, modelo de ser humano, juiz vindouro; que ama os fracos, pobres e desanimados; como nosso líder ao longo do caminho da cruz que ele mesmo já caminhou. Devemos enfatizar que a evangelização não depende de sentimentos, mas da entrega pessoal a este Cristo/Senhor; conscientes que a única prova de uma conversão passada é uma constante conversão presente e que Cristo deve ser adorado tento como palavras de louvor quanto com obras de serviço (p.67).

(b) corrigir a idéia da vida cristã como um mar de rosas (só de vitórias), sabendo que Cristo jamais nos levará por caminhos por onde ele mesmo não tenha passado, especialmente o caminho da cruz, pois nos convidou a tomarmos a nossa cruz dia a dia e segui-lo (Lc 9).

(c) Corrigir conceitos errôneos sobre a entrega a Cristo equilibrando uma leitura dos quatro evangelhos com o resto do Novo Testamento, porque os evangelhos equalizam nosso discipulado. As doutrinas do discipulado estão nas epístolas, mas a sua natureza está nos evangelhos. Esse equilíbrio é importante para que não nos mostremos mais interessados em noções teológicas que comunhão com Cristo. O papel da teologia é levar-nos a entender melhor o nosso próprio relacionamento de discípulos com Cristo.

CONHECER E AMAR A DEUS.
Todos os que crêem recebem o Espírito (At 2.39; Gl 3.2) que nos é dado como um selo que nos marca como propriedade de Deus (II Co 1.22; Ef 1.13) passando a partir desse ponto a habitar em cada cristão (Rm 8.11). Morando em nós, ele participa de tudo o que acontece conosco, não passivamente, mas ativamente transformando-nos à semelhança do caráter moral de Cristo (II Co 3.18).
Esse processo de conhecer e amar a Deus é chamado de SANTIFICAÇÃO. Esse caminho de santificação é o andar no (pelo) Espírito de Gálatas 5.16. Santificar-se é dizer não aos desejos da carne e sim à vontade do Espírito, que produz em nós o seu “fruto”, que nos é definido como um perfil de semelhança com Cristo (Gl 5.22,23). Santificar-se é imitar a Cristo em humildade, amor e justiça, evitando o pecado (Jo 13.12-15, 34,35; 15.12,13; Ef 5.1,2; Fp 2.5-8; I Pe 2.21-25; Hb 12.1-4). Santificar-se é amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo (Mc 12.29-31; Lc 10.25-37).
O que incomoda é quando e como essas verdades se tornam (ou devem se tornar) experiência pessoal. Muitas vezes os evangélicos são fortes em doutrinar e fracos em praticar. Toda a nossa compreenção dos aspectos práticos da vida cristã deve ser levantada partindo de uma compreenção bíblica, identificada segundo critérios bíblicos e interpretada por teologia bíblica.

(1) Mesmo conscientes e comprometidos com as escrituras precisamos saber que experiências com Deus são imediatas e soberanas, ou seja, não estão debaixo do nosso controle; não podem ser exigidas ou preditas, elas simplesmente acontecem como vontade de Deus para nós. O espírito dá percepção ao discípulo amoroso e obediente cumprindo uma promessa de Cristo de estar conosco sempre e se manifestar a nós (Jo 14.18, 20-23). Experiências são na verdade a forma como “percebemos” a vida cristã.
Um percepção é diferente de conhecimento, ainda que venha a nós também pela memória, porque muitas vezes são definidas por decisões imediatas que são tomadas como fruto de discernimento. Essa percepção também não pode ser confundida com auto-percepção, porque confunde intuição humana com ação divina e descamba para o misticismo (mais presente no hinduismo que no cristianismo) que não passa de ilusão do coração (Jr 17.17).
Essa confusão é mais comum do que gostaríamos de aceitar. Uma esfera do misticismo cristão que precisa ser recuperada com as devidas adequações é a descrição do amor de Deus por nós e nosso por ele em termos do casamento entre um homem e uma mulher. Esse amor apaixonado é uma analogia criativa (e bíblica) de nossa relação com Deus que torna nossa percepção de Deus intensamente aguçada. Essa linguagem não despersonaliza Deus e nem nós. O que é importante é a percepção aguçada de sermos amados por Deus e o amarmos como resposta a esse amor paterno, identificando-nos e ligando-nos com Deus eternamente.

(2) A realidade experimental da vida cristã também esbarra no problema da modernidade (urbanizada, coletivizada, mecanizada e secularizada). Falar de uma vida interior de comunhão com Deus parece ser falar de perda de tempo. Separar tempo para orar é perder tempo, meditar nas escrituras é perder tempo. O mundo corre e tenta nos levar á força com ele. Quem tentar fazer mesmo assim é considerado excêntrico até na igreja mais consagrada!

Quais as causas do novo interesse na vida piedosa?
1. A heterodoxia observável ou indiferença doutrinária dos principais proponentes modernos da vida piedosa tem levado a atitudes fanáticas e antinomistas (contrárias a regras de conduta).

2. A devoção evangélica é firmemente orientada no sentido de ouvir Deus falar nas escrituras que qualquer coisa além disso imediatamente se torna suspeita.

3. É preciso reconhecer que mesmo identificando as causas, o resultado prático é que quanto a esses aspectos práticos da ação santificadora de Deus temos muito que aprender, porque nossa experiência não atinge nem de longe a riqueza do que é prometido nas escrituras e que foi vivenciado por muitos servos e servas de Deus do passado.

Onde temos dificuldades?
a. Na definição do Espírito como “unção” através da qual os crentes recebem a certeza da realidade de Jesus Cristo (I Jo 2.20,27).
b. No papel do Espírito como testemunha interior no crente de que este é filho de Deus e herdeiro com Cristo (Rm 8.15-17; Gl 4.6).
c. Compreender em que sentido o Espírito é o “penhor” (entrada) e as primícias da vida celestial com Cristo (Ef 1.13,14; Rm 8.23; II Co 1.22).
d. No que é orar no Espírito (Ef 6.18; Jd 20) e o amor no Espírito (Cl 1.8; Rm 15.30).

A conclusão prática de Packer é que os cristãos modernos “são fracos no que tange à vida interior”. Isso se aplica a todos os ramos do cristianismo, tanto os históricos quanto os pentecostais. Mesmo com todas as nossas dificuldades sabemos que o que abre o cofre das respostas a essas indagações é a ação do Espírito explicitada por Cristo em João 16.14, que é a sua obra de tornar Jesus Cristo, nosso Salvador crucificado, ressurreto e reinante, real e glorioso para nós, a cada momento.

A Personalidade do Espírito Santo e Sua Relação Com Cristo (aula 11)


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Na Dinâmica do Espírito
------------------------------------------------------------------------------------
A Personalidade do Espírito / O Espírito e Cristo 13/06/2010.
Na Dinâmica do Espírito. J. I. Packer; Vida Nova, p. 59-63.
------------------------------------------------------------------------------------

Introdução:
I. A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO.
a) O Espírito Como Parácleto.
O Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade, sendo da mesma essência divina do Pai e do Filho e ao mesmo tempo distinto deles. Ele é o “outro consolador”, o outro “parácleto” (Jo 14.16,25; 15.26; 16.7). Essa palavra pode ser traduzida em português por consolador (fortalecedor), conselheiro, auxiliador, sustentador, advogado, aliado, amigo mais velho. Ele é chamado de “o outro parácleto’ em relação a Jesus Cristo. Jesus sempre se refere ao Espírito usando um pronome masculino (ekeinos = aquele, ele) e não o neutro (ekeino = ele, aquele; no sentido de objeto. A mesma função do “it” no inglês). O objetivo de João é deixar muito claro que o Espírito é uma pessoa (um ser pessoal) e não uma coisa, objeto ou uma força espiritual, ainda que poderosa. Esse uso do pronome masculino é deliberado porque João havia usado o pronome neutro em sua primeira menção ao Espírito em João 14.17, onde ele tinha usado gramaticalmente o pronome na forma neutra. Mas em 14.26; 15.26; 16.8,13,14, usa o masculino.
O Espírito Santo ouve, fala, testifica, convence, glorifica a Cristo, guia, dirige, ensina, ordena, proíbe, deseja, capacita outros para falar, ajuda e intercede pelos cristãos (Jo 14.26; 15.26; 16.7-15; At 2.4; 8.29; 13.2; 16.6,7; Rm 8.14,16,26,27; Gl 4.6; 5.17,18). É possível mentir para ele, ofendê-lo, entristecê-lo e enciumá-lo (At 5.3,4; Ef 4.30; Tg 4.5). Só a respeito de uma pessoa que essas coisas podem ser feitas.

b) O Espírito Como Divindade.
O Espírito é mais que simplesmente um ser pessoal, ele é Deus. A expressão “santo” anexa ao seu nome já sugere sua divindade. O Novo Testamento é particularmente explícito nessa questão. O nome de Deus (não nomes de Deus) em que os cristãos convertidos devem ser batizados é o “nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19). A expressão sete Espíritos de Apocalipse (1.4,5; 3.1; 4.5; 5.6) é uma referência ao Espírito Santo na plenitude de seu poder e sua obra. As chamadas passagens trinitarianas do Novo Testamento são um testemunho inequívoco dessa divindade (I Co 12.4-6; II Co 13.14; Ef 1.3-13; 2.18; 3.14-19; 4.4-6; II Ts 2.13,14; I Pe 1.2). Concluindo: O Espírito não é mera criatura ou anjo poderoso. Ele é, juntamente com o Pai e o Filho, o Deus todo-poderoso. Não podemos nunca referirmo-nos ao Espírito como não sendo um ser divino pessoal.

II. O ESPÍRITO SANTO E CRISTO.
O Evangelho de João é fundamental na nossa compreensão inicial do ministério pactual do Espírito. Esse ministério é apresentado pelo próprio Cristo na noite de sua traição no desenrolar dos acontecimentos da instituição da Santa Ceia nos capítulos 13 a 16 desse evangelho.

a) A Promessa do Espírito.
Cristo se referiu ao Espírito Santo várias vezes chamando-o de Consolador (paracleto), Espírito da verdade (14.17; 15.26; 16.13) e Espírito Santo (14.26). O Espírito seria enviado pelo Pai a pedido do Filho (14.16,26) para agir no nome de ambos (15.26; 16.7) com a finalidade de estar com os discípulos para sempre (14.16). A sua vinda objetivava glorificar o nome de Cristo e do Pai (14.18-23). O espírito não viria para receber toda a atenção, mas para dirigi-la a Cristo glorificado; atraindo as pessoas a Cristo e não para si mesmo.
É por esse critério que se deve medir qualquer movimento “espiritual” moderno. Se coloca em evidência ou não esse papel do ministério do Espírito de exaltar a Cristo e não a si mesmo.

b) O Espírito e a Presença de Cristo.
Logo, o papel principal da ação do Espírito entre nós é o “de fazer da presença de Cristo e da comunhão com ele e seu Pai a realidade da experiência para aqueles que, obedecendo às suas palavras, mostrassem que o amavam” (14.21-23; I Jo 1.3) [p.61]. Ele é o mediador da presença de Cristo entre nós e em nós. Essa comunhão com Cristo é EXPERIMENTAL, e nunca apenas um dogma para se crer!

c) O Ensino do Espírito de Deus.
O Espírito veio para ensinar os discípulos. Primeiro fazendo-os lembrar de tudo o que Cristo os havia ensinado. Segundo, dando-lhes uma compreensão correta a respeito da pessoa e ministério de Cristo na terra (14.26; 16.13. Toda a verdade é a verdade sobre Cristo e não sobre todas as coisas de um modo geral).

d) O Testemunho do Espírito.
O testemunho do espírito é a comprovação dada por ele ao/no crente de que Cristo é realmente quem disse ser; e que embora tenha sido crucificado como um criminoso, ele não era um pecador e o que ele realizou na cruz foi a propiciação de nossos pecados diante de Deus. Na cruz ele destronou o diabo deste mundo e iniciou seu julgamento sobre o mundo (Jo 12.31). Não reconhecer a Cristo dessa forma é o cerne do pecado da incredulidade (Jo 15.27; 16.8-11).
Visto assim o Espírito é um promotor público da humanidade, imprimindo em coração após coração o veredicto: “Errei, sou culpado, preciso de perdão”. Ele nos leva a entender a enormidade da rejeição a Cristo e nos convence desse pecado (16.8). É assim que ele nos leva à conversão e é este decisivamente o seu papel na evangelização. É por isso que o ministério proclamador da igreja é de persuasão e não de guerra religiosa ou guerra santa. O Espírito é quem abre os ouvidos internos das pessoas e aplica-lhes à consciência individual as verdades que os cristãos testificam na pregação do Evangelho (Jo 15.27; 17.20).
O Espírito é tanto o nosso intérprete quanto o iluminador da obra de Cristo. Do princípio ao fim Cristo é o centro do ministério do Espírito Santo na terra.

e) O Ministério de Holofote.
O ministério contemporâneo do Espírito é ser um poderoso holofote posicionado em direção a Cristo. Só quando o Pai glorificou o Filho na cruz e na recepção dele na glória é que o Espírito pôde vir e realizar esse ministério seu característico. Seu papel é nos conscientizar da obra e glória de Cristo. “O Espírito é o holofote oculto que focaliza a sua luz no Salvador, fazendo-o resplandecer” (p.63). Ele está sempre dizendo atrás de nós: “Olhe para Cristo e veja a sua glória; vá até ele e receba a salvação!” Seu desejo é unir-nos a Cristo e não a si mesmo como se ele fosse o mais importante. Como o segundo parácleto, ele sempre nos leva ao primeiro parácleto (Jo 14.12). O Espírito glorifica a Cristo!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Um Convite à Alegria!


Exposições Bíblicas de Verão na
Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia
Nas Classes Únicas de Janeiro de 2012
Sempre às 9 horas.
Rua 68, esquina com 71, centro.

Um Convite à Alegria!

Dia 1º de Janeiro de 2012
Salmo 4 = A Alegria Que Me Puseste no Coração!
Rev. Helio O. Silva.

Dia 08 de Janeiro de 2012.
Neemias 8 = A Alegria do Senhor é a Nossa Força!
Rev. Hélio O. Silva.

Dia 15 de Janeiro de 2012.
Romanos 5 = A Alegria da Reconciliação!
Rev. Luciano Pires.

Dia 22 de Janeiro de 2012.
Filipenses 4 = Alegrai-vos no Senhor, Sempre!
Rev. Helio O. Silva.

Oração Consciente (Mateus 6.5-8)

Paulo orando na Prisão


“E quando orardes não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar... para serem vistos dos homens... E, orando, não useis de vãs repetições,
como os gentios; porque presumem que pelo muito falar serão ouvidos.
Não vos assemelheis, pois, a eles” (Mateus 6.5-8).

É muito importante observar e aprender com Jesus como estabelecer um equilíbrio doutrinário e prático na nossa vida diária de fé. Primeiro ele aponta os extremos; e somente depois, mostra o caminho do equilíbrio. Ele faz exatamente isso no sermão da montanha.

Ao ensinar a oração conhecida como “Oração Dominical” ou do “Pai Nosso”, parte do mesmo princípio. A oração cristã não pode ser nem egoísta quanto aos seus objetivos; e nem esvaziada de significado em repetições vazias e sem fim. Mas, devem ser orações refletidas e conscientes tanto de seu objetivo: Falar com Deus; quanto do seu significado: aprofundar a comunhão com Deus.

Os dois extremos a serem evitados na oração é a hipocrisia dos fariseus, que fazem para aparecer; e as “vãs repetições” dos gentios. Ambos não representam a verdade sobre a oração. O primeiro, porque abusa do propósito da oração, que é alcançar o coração de Deus, e não a glória dos homens. O segundo, porque abusa da própria natureza da oração, “rebaixando-a de um real e pessoal acesso a Deus a uma mera recitação de palavras” (John Stott).

Ao ensinar a oração em secreto, Jesus reprova a ostentação e o egoísmo; ao dar-nos um modelo de oração, reprova a “falação” sem significado. O modelo de Jesus aponta para uma comunhão significativa com Deus, reconhecendo-o como Deus amoroso, pessoal e poderoso.

Essa oração é para ser tanto um modelo, como Mateus fala: “Portanto, orareis assim” (Mt 6.9); como também, como ensina Lucas, deve ser uma forma de orar: “Quando orardes, dizei...” (Lc 11.2); isso quer dizer que devemos aprender essa oração e orá-la freqüentemente sem fazer dela uma “reza”; bem como aprender os seus princípios e aplicá-los às nossas orações e ações cotidianas.

Conscientes de tudo isso, seremos afetados de duas formas nas nossas orações: Reconheceremos a glória de Deus (o seu nome, reino e vontade – v.9,10) e dependeremos humildemente da graça de Deus ( o pão, o perdão e a vitória sobre a tentação – v.11-15). Orar assim muda as nossas prioridades, regula a nossa submissão a Deus e nos ensina a realmente falar com Deus quando e enquanto oramos.

Oração:
Senhor, não queremos ser nem hipócritas e nem irracionais quando orarmos a ti e enquanto estivermos orando. Queremos ser conscientes de quem Tu és e dessa forma adorar-te e servir-te. Em nome de Jesus. Amém.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Lucas 2.1-12 = Cristo Chegou! Eis As Boas Novas de Grande Alegria!


Introdução:
Os chamados cantos do Natal em Lucas são fatos e são poesia. As duas coisas! Lucas quer dar fundamento histórico para a nossa fé e quer nos encantar com a perfeita humanidade de nosso Salvador. Do mesmo modo como aconteceu com ele.
Os cantos do Natal são proféticos, pois ressaltam a maravilha da era messiânica que se inaugura com os nascimentos de João Batista (o último profeta do Antigo Testamento) e de Jesus Cristo (o Messias esperado).

Contexto:
Lucas escreveu seu evangelho como fruto de conversas com aqueles que viram Jesus, muitos ainda vivos em sua época (I Co 15.6) e de leituras nos evangelhos já escritos como o de Marcos e provavelmente o de Mateus.
Para dar-nos “plena certeza das verdades” em que fomos instruídos fez “acurada investigação” (literalmente = “seguiu a pista”) de todos os acontecimentos da vida de Cristo entre nós “desde o começo” e “em ordem” e assim expôs (colocou diante de nossos olhos) o evangelho da maravilhosa graça de Deus.

Proposição:
A esperança encontrou o seu verdadeiro descanso. O Cristo chegou! Essa é a Boa Nova de Grande Alegria!

I. É O EVANGELHO DA VINDA DO CRISTO QUE NASCEU E VIVEU NA HISTÓRIA V.1-7

a) Herodes, o Grande. (74 aC-4 aC).
Reinou de 37 a 4 aC. Foi um rei mau e escêntrico. O prório imperador César Augusto comentou em carta ironicamente quando determinou a morte de um de seus próprios filhos: "É melhor ser um porco (hun) de Herodes que um filho (huio)".

b) No tempo de César Augusto (63 aC a 14 dC).
Um período de prosperidade e expansão depois de um período de guerra civil. De 43 aC a 31 aC = Triunvirato. Em 27 aC foi declarado máximo pontífice (pontifex maximus) e passou a reinar sozinho, tornando-se no primeiro Imperador Romano. Ele instituiu um sistema de censos periódicos a cada 14 anos para fins tributários. No entanto o registro mais antigo desses censos data de 20 dC. Uma dedução lógica é que tenha havido um 14 anos antes, ou seja, em 6 dC, o que é corroborado por Josefo em Antiguidades XVIII.26. Subtraindo mais 14 anos temos o ano de 8 a.C. para a realização de outro censo.

c) No Governo de Cirino, na Síria.
Ele a governou com certeza de 12 aC a 16 dC. Atos 5.27 fala de um censo no ano 6 d.C quando houve uma rebelião de um certo Judas. Possivelmente esse foi um segundo censo e o primeiro, poderia ter ocorrido com um atraso de 3 anos, pois a literatura atesta a ordenação de um censo por Augusto no ano 8 aC. Se se considerar a morte de Herodes até um ano após o nascimento de Cristo, então a data mais provável para o seu nascimento seria o ano 5 ou 6 aC. 8 aC. parece muito longe.
O caso é que os judeus eram avessos a censos desde 2 Samuel 24, quando Davi liderou um malogrado censo que culminou no castigo de Deus sobre a nação. É possível que Herodes, ciente disso, tenha atrasado o início, e por conseguinte a conclusão de um censo no seu reinado na Palestina.

d) Durante o primeiro Recenseamento.
Cada família devia se alistar na sua própria cidade natal. José era natural de Belém e deveria alistar-se ali. Herodes copiou o método egípcio a fim de retirar a tensão de ser o censo uma imposição estrangeira.
Lucas dá testemunho de que a história que Deus escreve não recebe a evidência e a atenção que a história que os homens escrevem recebe. Todavia é a história que Deus escreve que determina o destino de todos nós.
Enquanto as pessoas escrevem sobre César e suas conquistas, não percebe que um casal cruza as montanhas de um reino conquistado para cumprir é a vontade de Deus. Enquanto as pessoas acham que são nos palácios que se encontra o poder de decidir os rumos da história, Deus a decidiu através de um simples nascimento no oculto de uma estrebaria, onde nem sequer havia um livro de atas para se escrever um único registro! Enquanto as pessoas acham que podem obrigar as consciências através de leis e decretos e medidas provisórias, e assim tomar nas mãos o governo da vida dos outros em suas mãos. Deus usa dessas mesmas leis para deslocar os aparentemente conquistados para serem instrumentos da sua graça aos homens!
O Deus do universo resolveu soberanamente nos amar com simplicidade. A resposta, a boa nova é que o governo não está nos palácios, mas nas mãos do Deus que fez completar os dias para uma mulher grávida, mas também para a revelação do verdadeiro salvador!

e) O Unigênito de Deus e primogênito de Maria.
Cristo é o Unigênito do Pai (Jo 1.14,18; 3.16,18; Hb 11.17; I Jo 4.9) e o primogênito de Maria (Lc 2.6 = Mt 1.25). Ele é o único Filho de Deus e o primeiro filho, ou o filho mais velho, de Maria.
Os nomes de seus irmãos são: Tiago, José, Simão e Judas (Mateus 13.55 = Cf. 12.46-47; Mc 3.31,32; Lc 8.19,20). Mateus menciona que Jesus tinha irmãs (Mt 13.56). Um apócrifo do Novo Testamento diz que o nome de uma de suas irmãs era Salomé.
Outras citações com respeito à sua família estão em Jo 2.12; 7.3,5,10. Paulo fala de Tiago como “o irmão do Senhor” (Gl 1.19) e Judas chama a si mesmo de “irmão de Tiago” (Jd 1).

II. É O EVANGELHO DA BOA NOVA DE GRANDE ALEGRIA V.8-12.

a) O Salvador nasceu hoje!
Todas as profecias sobre a vinda do Messias se cumpriam a partir desse momento.
“Hoje” nas escrituras sempre é um tempo de graça, mas também de decisão. A Bíblia nos exorta a crermos hoje! A hoje não rejeitar a graça! Hoje é o tempo do livramento de Deus! Hoje é o dia da benção! Hoje é o dia do encontro com Deus!
Não há porque esperar, Deus está entre nós agora! Creia!

b) Ele nasceu na cidade de Davi.
As profecias apontavam para uma cidade e na cidade referida ele nasceu (Mq 5.2)

c) Ele é O Salvador, o Cristo, o Senhor!
 O Salvador = aquele que salvará o seu povo dos pecados deles (Mt 1.21).
 O Cristo = O ungido de Deus para cumprir a sua vontade e anunciar o ano aceitável do Senhor.
 O Senhor = aquele que governa os povos..

d) Ele pode ser encontrado numa manjedoura!
 Ele nasceu em obscuridade.
Num local desconhecido e sozinho, pois sua própria mãe o enfaixou. Não havia ajudantes ou escribas palacianos.
 Ele nasceu em pobreza.
Foi colocado numa manjedoura, local de animais se alimentarem.
 Ele nasceu em rejeição.
Não havia lugar para eles na hospedaria!
No entanto, conhecê-lo é encontrar a vida que não acaba!

Conclusão:
1. Os dias foram completados.
Gálatas 4.4 diz que a sua vinda é a plenitude dos tempos. Ele veio como homem obediente à Lei para resgatar-nos da condenação da Lei justa de Deus.

2. Hoje ele pode ser encontrado.
Ele não está oculto, mas é conhecido no evangelho que nós anunciamos ao mundo para que este creia nele!

3. Encontrar o Cristo é encontrar-se com a grande alegria!
A sua palavra e promessa não é prioritariamente de condenação, mas de salvação. Ele oferece o perdão de nossos pecados; ele oferece a vida eterna com Deus; ele oferece uma nova vida numa nova aliança!
Ao comemorar o Natal lembre-se de tudo isso e receba a Cristo como o seu salvador e Senhor!

Aula 29 = O Aspecto Duplo da Aliança da Graça.


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
------------------------------------------------------------------------------------
Aula 29 = O Aspecto Duplo da Aliança da Graça (11/12/2011).
------------------------------------------------------------------------------------

I.A Aliança como Relação Legal e como Comunhão de Vida.
É preciso distinguir na a aliança uma relação legal e uma relação vital, de cunho moral.
Na esfera legal as partes que vivem sob este acordo estão sujeitas às estipulações mútuas sobre as quais concordam. Tudo é considerado e regulado de maneira puramente objetiva. O fator determinante nessa esfera é simplesmente a relação que foi estabelecida, e não a atitude que se assume para com essa relação. A relação existe independentemente da inclinação ou falta de inclinação, gostos e aversões da pessoa quanto à aliança.
No sentido legal fazem parte da aliança da graça os crentes e seus filhos. Mas quanto ao aspecto vital (como comunhão de vida) somente os regenerados são dotados do princípio da fé.
Há na Escritura bastante evidência de que a aliança da graça é um pacto dessa natureza. Há a condição da fé (Gn 15.6, comparado com Rm 4.3ss; Hc 2.4; Gl 3.14-28; Hb 11); e há também a promessa de bênçãos espirituais e eternas (Gn 12.3; 17.7; Is 43.25; Ez 36.27; Rm 4.5ss; Gl 3.14, 18).
Mas também é evidente que a aliança, em sua plena realização, é mais que um acordo legal entre Deus e seu povo; ela é também uma comunhão de vida. Isso ficou indicado desde o estabelecimento da aliança com Abraão (Gn 15.9-17). Além disso, é indicada em passagens como Sl 25.14; 89.33, 34; 103.17, 18; Jr 31.33, 34 (Hb 8.10-12); Ez 36.25-28; 2 Co 6.16; Ap 21.2, 3.
Os aspectos legal e vital da aliança coexistem em equilíbrio e devem ser considerados como sendo intimamente relacionados um com o outro, a fim de evitar-se qualquer tipo de dualismo. Quando alguém assume a relação pactual voluntariamente, isso implica na inclusão dos dois aspectos; do contrário, o resultado será uma relação falsa numa aliança falsa.

II.Participação na Aliança como uma Relação Legal.
Ao discutir a participação como membros da aliança como uma relação legal, deve-se ter em mente que a aliança, neste sentido, não é meramente um sistema de exigências e promessas, exigências que devem ser satisfeitas e promessas que devem ser cumpridas; mas que inclui também uma razoável expectativa de que a relação legal e externa levará consigo a realidade graciosa de uma vida de crescente comunhão com o Deus da aliança. Esta é a única maneira pela qual a idéia da aliança se realiza plenamente.

1. OS ADULTOS NA ALIANÇA.
Os adultos só podem entrar nesta aliança voluntariamente, pela fé e confissão. Se a sua confissão não for falsa, a entrada na aliança como uma relação legal coincide com a entrada nela como uma comunhão de vida. Eles não assumem apenas a responsabilidade de cumprir certos deveres externos; tampouco prometem meramente exercer a fé salvadora no futuro; mas confessam que aceitam a aliança com uma fé viva, e que o seu desejo e intenção é continuar nesta fé. Portanto, eles entram imediatamente na plena vida pactual, e esta é a única maneira pela qual podem entrar na aliança.

2. OS FILHOS DOS CRENTES NA ALIANÇA.
A experiência ensina que, embora entrem por nascimento na aliança como uma relação legal, não significa necessariamente que também entram imediatamente na aliança como comunhão de vida. Não pode ser afirmado com segurança que a relação pactual chegará à sua plena realização em suas vidas. Todavia, mesmo no caso deles deve haver razoável segurança de que a aliança não é ou não continuará sendo mera relação legal, com deveres e privilégios externos, apontando para aquilo que devia ser com o tempo uma realidade viva.
Sem dúvida nenhuma Deus deseja que a relação pactual redunde numa vida pactual. E Ele próprio garante, com Suas promessas ligadas à semente dos crentes, que isto se efetuará, não no caso específico de cada indivíduo, mas na semente da aliança, coletivamente. Com base na promessa de Deus, podemos crer que, sob uma fiel administração da aliança, a relação pactual, como regra geral, se concretizará plenamente numa vida pactual.
Esta segurança está baseada na promessa de Deus, que é absolutamente confiável, de que Ele agirá nos corações dos jovens ligados à aliança com a Sua graça salvadora e os transformará em membros ativos da aliança. A aliança é mais que mero oferecimento da salvação na pregação do evangelho. Ela também traz consigo a certeza, baseada nas promessas de Deus, que opera nos filhos da aliança, que a fé salvadora será produzida nos seus corações. Enquanto os filhos da aliança não revelarem o contrário, temos que partir do pressuposto de que estão de posse da vida pactual. Naturalmente, o curso dos acontecimentos poderá provar que esta vida ainda não está presente neles ou que nunca se realizou em suas vidas.
Todavia, deve ser reconhecido com humildade que as promessas de Deus são dadas à semente dos crentes coletivamente, não individualmente. A promessa de Deus, de continuar a Sua aliança e de levá-la à plena realização nos filhos dos crentes, não significa que Ele dotará da fé salvadora cada um deles, até o último. E se alguns deles permanecerem na incredulidade, deveremos ter em mente o que Paulo diz em Romanos 9.6-8: “Nem todos os de Israel são de fato israelitas”; nem todos os filhos de crentes são filhos da promessa. Daí, é necessário lembrar constantemente aos filhos da aliança da necessidade de regeneração e conversão. O simples fato de que alguém está na aliança não traz segurança automática de sua salvação. Quando os filhos dos crentes crescem e chegam à idade adulta, compete-lhes obviamente aceitar voluntariamente as suas responsabilidades pactuais com uma sincera confissão de fé. Deixar de faze-lo é uma negação da sua relação pactual.
A relação legal em que se acham os filhos dos crentes precede à relação vital (como comunhão de vida) e é um meio para se chegar à sua realização. Todavia, ao acentuar a significação da aliança como meio para um fim, não devemos frisar as exigências de Deus e o resultante dever do homem, mas especialmente a promessa da operação eficaz da graça nos corações dos filhos da aliança e sua resposta positiva a ela. Se salientarmos única ou excessivamente as responsabilidades da aliança, e deixarmos de dar a devida proeminência ao fato de que na aliança Deus dá tudo quanto requer de nós, corremos o risco de cair na armadilha de achar que não existe manifestação da graça na aliança.

3. OS NÃO REGENERADOS NA ALIANÇA.
Mesmo pessoas não regeneradas e inconversas podem estar na aliança. Ismael, Esaú, os filhos de Eli e de Samuel; e a grande maioria dos judeus dos dias de Jesus e dos apóstolos pertencia ao povo da aliança e partilhava as promessas pactuais, apesar de não seguirem a fé que caracterizara Abraão. Eles estavam na aliança (in foedere) mas não eram da aliança (de foedere).
Sobre a posição dos não regenerados na aliança, conclui-se:

a. Estão na aliança no que se refere à sua responsabilidade.
Eles estão numa relação pactual legal com Deus e têm o dever de arrepender-se e crer. Se não se converterem a Deus e não aceitarem a Cristo pela fé, quando chegarem à idade adulta, serão julgados como infratores da aliança. Portanto, estar nessa relação especial com Deus significa responsabilidade adicional.

b. Estão na aliança no sentido de que podem reivindicar as promessas que Deus lhes fez quando estabeleceu a Sua aliança com os crentes e sua semente.
Paulo chega a dizer dos seus ímpios compatriotas: “pertence-lhes a adoção, e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas” (Rm 9.4). Como regra geral, Deus reúne os Seus eleitos dentre os que se acham nesta relação pactual.

c. Estão na aliança no sentido de que estão sujeitos às ministrações da aliança. São constantemente admoestados e exortados a viverem de acordo com as exigências da aliança. A igreja visível os trata como filhos da aliança, oferece-lhes os selos da aliança, e os exorta a fazerem apropriado uso deles. São eles os primeiros convidados a serem chamados para a ceia, os Filhos do reino, aos quais a palavra deve ser pregada primeiramente (Mt 8.12; Lc 14.16-24; At 13.46).

d. Estão na aliança também na medida em que as bênçãos da aliança constituem objeto de seu interesse.
Embora não experimentem a influência regeneradora do Espírito Santo, estão mesmo assim sujeitos a certas operações e influências especiais do Espírito Santo. O Espírito peleja com eles de maneira especial, convence-os do pecado, ilumina-os em certa medida, enriquecendo-os com as bênçãos da graça comum (Gn 6.3; Mt 13.18-22; Hb 6.4-6).
Deve-se notar que, enquanto a aliança é eterna e inviolável, jamais anuada por Deus, é possível aos que se acham na aliança quebrá-la. Se alguém que se acha na relação pactual legal não ingressar na vida pactual, continuará sendo membro da aliança. O fato de não cumprir as exigências da aliança envolve culpa e faz dele um infrator da aliança (Jr 31.32; Ez 44.7).

Aplicações:
1. Devemos assumir o nosso papel ativo dentro da aliança publicamente e perseverar na nossa confissão de fé,pois quem fez a promessa é fiel (Hb 10.23).

2. Devemos cumprir nossa parte no pacto quanto à educação de nossos filhos a fim de que aprendam não só sobre o pacto da graça, mas principalmente sobre a graça do pacto e desejem participar dele junto consoco por si mesmos.

3. Devemos manter nossa esperança mesmo quando nossos filhos se afastam. O aspecto legal do pacto primeiro é uma ação graciosa de Deus chamando-os para a vida pactual, somente depois é que agirá como juízo sobre a vida dos que rejeitarem o pacto. Estando dentro do pacto, eles estarão mais frequentemente expostos à graça do pacto. Foi essa graça que trouxe o filho pródigo de volta para casa arrependido (Lc 15).

4. Devemos lembrar sempre que o que salva é a graça do pacto e não o próprio pacto da graça. Isso deve ser lembrado sempre no discipulado de nossos filhos e aos frequentadores dos cultos cristãos. também deve ser lembrado a todos os pais,para que não negligenciem as promessas do pacto ensinando-as uma a uma a seus filhos.

---------------------------------------
Bibliografia: Louis Berkhof. Teologia Sistemática, ECC, p. 280-285. / Wayne Gruden. Teologia Siatemática.Vida Nova, p.425-432.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Exposição 15: Os Afetos da Graça São Equilibrados e Dinâmicos no Crescimento.


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Uma Fé Mais Forte Que As Emoções
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
------------------------------------------------------------------------------------
Exposição 15 = 10ª e 11ª Distinções: Os Afetos da Graça São Equilibrados e Dinâmicos no Crescimento. 23/11/2011.
Uma Fé Mais Forte Que As Emoções – Jonathan Edwards (p. 193-201)
------------------------------------------------------------------------------------
Sem. Adair Batista.
Introdução:

1ª Distinção: Os afetos espirituais verdadeiros são concedidos por Deus.
2ª Distinção: A Base Fundamental dos Afetos da Graça é a Excelência Transcendental e a Natureza Digna das Coisas Divinas.
3ª Distinção: Os Afetos da Graça se baseiam no deleite pela beleza moral do Próprio Deus.
4ª Distinção: Os Afetos da Graça Nascem de Uma Mente Espiritualmente Iluminada Por Deus.
5ª Distinção: Os Afetos da Graça Trazem Uma Profunda Convicção Das Verdades Divinas.
6ª Distinção: Os Afetos da Graça Nos Levam à Consciência de Nossa Insuficiência Pessoal.
7ª Distinção: Os Afetos da Graça Dependem de Conversões Que Transformam o Nosso Caráter.
8ª Distinção: Os Afetos da Graça Possuem a Gentileza de Cristo.
9ª Distinção: Os Afetos da Graça Suavizam o coração tornando-o mais sensível.
------------------------------------------------------------

Distinção 10 - Os Afetos da graça são consistentes e constantes

Edwards nesta distinção afirma que o equilíbrio de virtudes e afetos da graça nos santos não é perfeito nesta vida, entretanto, nas pessoas santas os afetos são equilibrados, pois são a marca da santidade, marca esta, dada pela imagem de Cristo totalmente impressa nelas. Isto quer dizer que estas pessoas despojaram-se da velha criatura e revestiram-se da nova. “Ao Pai agradou que toda plenitude habitasse em Cristo, de tal forma que toda graça existe nEle, que é pleno de graça e verdade”e, segundo Jo 1:14,16 afirma que “Todos recebemos da sua plenitude, graça sobre graça”. Daí que, alguns santos possuem aparentemente a mesma proporção bela que existe na verdadeira imagem de Cristo.

Os hipócritas, os homens do mundo, não são assim. São como Efraim de quem Deus reclamou muito a ponto de dizer “Efraim é um bolo que não foi virado (Os 7:8)”, isto significa dizer que são inconsistentes nos afetos, meio cru de um lado, queimado do outro, com qualidades fortes em alguns aspectos e a ausência em outros. Demonstram deficiência essencial em vários tipos de afetos religiosos, assim como desequilíbrio e parcialidade. Podem, por exemplo, fazer grandes demonstrações de seu amor a Deus, por um lado, e, por outro, não demonstrarem espírito de benevolência para com os que contendem, invejam, se vingam e falam palavras malignas. Muitos abrigam no coração espírito de inimizade, ressentimento e amargura. Há aqueles que mostram grande generosidade e bondade para com o semelhante, mas não ama a Deus. Alguns são efusivos nos afetos com os outros, mas seu amor é restritivo, são generosos com alguns e amargos com outros.

Alguns são inconsistentes no caráter do amor pelos outros no tocante às coisas exteriores. São generosos e liberais com os deuses desse mundo, contudo, não têm a menor preocupação com as almas de seus semelhantes; outros fingem grande amor pelas almas, mas absolutamente desprovidos de compaixão frente às carências da vida diária. Há fingimento naqueles que afirmam grandes realizações religiosas e deixam de falar dos feitos menores. Outros fingem entregar a Cristo tudo o que são, entretanto, não confiam em Deus o suficiente para entregar um pouco de seu bem-estar material para fins de caridade. Isso é falsidade.

O que é verdade para os verdadeiros afetos de amor também vale para outros afetos religiosos. Os verdadeiros afetos são sempre equilibrados e proporcionais. Os verdadeiros cristãos anseiam por derramarem suas almas diante de Deus em oração secreta e fervorosa, e também desejam louvá-Lo e buscam viver mais para a glória dEle e ser mais parecidos com Ele. Ryle afirmava que os verdadeiros santos não percebem a própria santidade, no entanto, ela é visível para aqueles que olham para eles. A Escritura fala de “gemidos inexprimíveis”, anseio, sede e anelo por Deus. Enquanto os santos sofrem pelos seus pecados, os hipócritas apresentam instabilidade e inconsistência. Os santos são “seguem o Cordeiro aonde for que Ele vá”, com o coração firme, confiante em Deus (Sl 112:7), têm o coração cheio de graça (Hb 13:9) e se mantêm no caminho (Jó 17:9). Os hipócritas possuem uma religião falsa e agem por impulso. São como água de chuva torrencial que engrossam o ribeirão por algum tempo. Depois que a chuva passa o ribeirão quase seca, enquanto que o verdadeiro santo é como uma corrente alimentada por uma fonte viva que, embora seja engrossado pela chuva e diminua na seca, nunca para de correr. “A água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (Jo 4:14); “É como árvore plantada ao lado da corrente, que recebe água constantemente nas raízes, de modo que está sempre verde, mesmo na seca mais severa”(Jr17:7,8). Os verdadeiros santos são como estrelas, permanentes no céu, enquanto os hipócritas são como cometas, brilham intensamente, mas passam e desaparece.

Os santos sofrem por seus pecados longe de seus companheiros (Zc 12:12-14) e os consolos mais doces são recebidos em secreto (Sl 63:5,6). Cristo convida a Igreja a afastar-se do mundo para que possam ter comunhão mais profunda (Ct 7:11,12). Abraão firmou aliança com Deus quando estava sozinho (Gn 15); assim foi também com Isaque quando recebeu Rebeca (Gn 24); Deus se revelou a Moisés quando este se encontrava sozinho (Ex 3), outra vez no Sinai, durante quarenta dias e quarenta noites (Ex 19); assim aconteceu com Elias e Eliseu. Maria estava sozinha quando recebeu a visita do anjo Gabriel e o Espírito Santo (Lc 1:26-28). Tem sido sempre assim:m os que estão afastados e em secreto conversam com Deus e recebem bênçãos especiais.

Distinção 11 – Afetos da graça intensificam anseios espirituais

Característica distintiva dos afetos da graça: quanto mais intensos forem, maior será o apetite espiritual e o anseio pelo crescimento das bênçãos espirituais. Afetos falsos, pelo contrário, satisfazem-se com eles mesmos.

Quanto mais o verdadeiro santo amar a Deus, mais desejará amá-lo; quanto mais odiar o pecado, mais irá querer odiá-lo; quanto mais quebrantado o seu coração, mais quebrantado irá querê-lo; quanto mais sede e anseio por Deus e por Sua santidade, mais anseio terá e mais santidade irá querer.

As razões que levam a isso são que quanto mais as pessoas tiverem afetos santos, mais apreciarão o paladar espiritual. Quanto mais perceberem a excelência de Deus e apreciarem a doçura divina da santidade, quanto mais graça tiverem, mais verão que precisam da graça. Quanto mais descobertas o cristão verdadeiro fizer e quanto mais afetos possuir, mais fervoroso se tornará na súplica por mais graça e fruto espiritual.

Quatro motivos para explicar esse princípio de expansão:
1. Os deleites espirituais são de tal forma que os que os encontram entendem que nada se compara a eles. Jamais se contentam com menos;
2. Os deleites espirituais satisfazem a expectativa do apetite. Quanto mais esperados mais serão apreciados. Os prazeres mundanos causam decepção.
3. A gratificação e o prazer dos deleites espirituais são permanentes. Os prazeres mundanos saciam o apetite e acabam. Ao acabar a satisfação o coração permanece vazio e insatisfeito.
4. O bem espiritual sempre satisfaz porque sempre há o suficiente para satisfazer a alma em qualquer grau que ela for capaz de absorver.

A natureza dos bens espirituais é tal que quanto maiores forem, maiores serão o apetite e o anseio por graça e santidade, por outro lado, as alegrias e afetos falsos têm o efeito oposto. Quanto mais provocados, mais sufocam o anseio por graça e santidade e seus frutos são; arrogância, presunção e acomodação. Para o verdadeiro cristão a busca, a luta e esforços começam imediatamente após a conversão, já para o pseudocrístão as buscas e lutas não são para alcançar a santidade por ela mesma, nem a excelência moral e a ternura de Deus. Estas coisas não passam de meios para atingirem o que efetivamente querem: mais satisfação para si mesmo, gratificação na auto-descoberta e exaltação acima dos demais.

O anseio ardente do santo pela santidade é tão natural na nova criatura quanto o calor é natural para o corpo. “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e concluir a sua obra (Jo 4:34)”. Eles desejam o leite da Palavra, não para testificar o amor de Deus para com eles, mas para crescerem em santidade. O verdadeiro paladar espiritual valoriza a santidade. O hipócrita, por sua vez, não busca provar o amor de Deus, nem deseja estar no Céu, como fazem os santos que buscam a vida santa.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Exposição 14: Os Afetos da Graça Nos Tornam Mais Parecidos com Jesus Cristo


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Uma Fé Mais Forte Que As Emoções
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
-----------------------------------------------------------------------------------
Exposição 13 = 7ª, 8ª e 9ª Distinções: Os Afetos da Graça Nos Tornam Mais Parecidos Com Jesus Cristo. 30/11/2011.
Uma Fé Mais Forte Que As Emoções – Jonathan Edwards (p. 177-192)
----------------------------------------------------------------------------------

Introdução:
1ª Distinção: Os afetos espirituais verdadeiros são concedidos por Deus.
2ª Distinção: A Base Fundamental dos Afetos da Graça é a Excelência Transcendental e a Natureza Digna das Coisas Divinas.
3ª Distinção: Os Afetos da Graça se baseiam no deleite pela beleza moral do Próprio Deus. 4ª Distinção: Os Afetos da Graça Nascem de Uma Mente Espiritualmente Iluminada Por Deus.
5ª Distinção: Os Afetos da Graça Trazem Uma Profunda Convicção Das Verdades Divinas.
6ª Distinção: Os Afetos da Graça Nos Levam à Consciência de Nossa Insuficiência Pessoal.
------------------

7. Os Afetos da Graça Dependem de Conversões Que Transformam o Nosso Caráter.
Todas as virtudes espirituais surgem de uma compreensão espiritual transformadora da excelência e glória das coisas divinas (II Co 3.18). As Escrituras descrevem a conversão como uma mudança de natureza: nascer de novo, tomar-se novas criaturas, levantar-se dos mortos, ser renovado em espírito e na mente, morrer para o pecado e viver para a retidão, descartando o homem velho e vestindo o novo, partilhar da natureza divina.
A conversão é o volver do homem total do pecado para Deus de modo que a pessoa convertida se toma uma inimiga do pecado.
A conversão não destrói o temperamento natural das pessoas. Se nosso temperamento faz com que sejamos inclinados a certos pecados antes de nossa conversão, muito possivelmente tenderemos aos mesmos pecados depois dela, mas fará uma grande diferença! Embora a graça de Deus não destrua as falhas de temperamento, pode corrigi-las, de modo que mesmo presentes não dominarão sua vida como fizera antes. A conversão sincera faz-nos odiar o pecado, especialmente aqueles dos quais nos sentimos mais culpados.

8. Os Afetos da Graça Possuem a Gentileza de Cristo.
Cristo torna isso claro no Sermão do Monte, quando descreve o caráter daqueles que são verdadeiramente abençoados (Mt 5.5,7,9. Confira com Cl 3.12,13; Tg 3.14-17).
A santidade, em todos os seus aspectos, molda o caráter cristão especialmente tornando-o mais cheio de humildade, brandura, amor, clemência e misericórdia. As Escrituras apontam particularmente essas qualidades no caráter de Cristo (Mt 11.29). Ele ilustra essa verdade usando o cordeiro e a pomba (Mt 10.21,15; Lc 10.3; Ap 14.4).

Essas virtudes não anulam a ousadia cristã e nem o nosso dever de sermos bons soldados da guerra cristã, tomando posição contra os inimigos de Cristo e Seu povo, mas a ousadia não é uma espécie de uma ferocidade brutal. A ousadia cristã consiste em duas coisas:
(1) Dominar e suprimir afeições malévolas da mente;
(2) Seguir e agir resolutamente baseado nas boas emoções da mente sem ser perturbado por medo pecaminoso e hostilidade dos inimigos.
Embora essa ousadia apareça na oposição a nossos inimigos exteriores, ela aparece muito mais na resistência e conquista dos inimigos dentro de nós. A coragem e decisão do soldado cristão aparecem em sua forma mais gloriosa quando ele mantém calma, humildade e amor santos contra todas as tormentas e injúrias, todos os comportamentos estranhos e eventos perturbadores de um mundo mau e irrazoável (Pv 16.32).

Há uma falsa intrepidez que surge do orgulho, que quer se destacar dos outros; assim, muitas vezes os homens se opõem àqueles a quem chamam "carnais" simplesmente para ganhar a admiração dos outros. A verdadeira ousadia por Cristo, entretanto, eleva o crente acima do desagrado tanto de amigos como de inimigos; o crente prefere ofender a quem quer que seja, a ofender a Cristo. De fato, a intrepidez por Cristo aparece com mais clareza quando um homem está pronto a perder a admiração dos seus amigos mais do que quando se opõe aos inimigos com o apoio de seus amigos.

A gentileza cristã está presente especialmente no perdão, amor e na misericórdia.
Um espírito perdoador resulta na prontidão em perdoar os outros apesar do prejuízo que nos causaram. Por outro lado, se não temos esse espírito, é sinal que Deus não nos perdoou (Mt 6.12,14,15). Um espírito amável é um sinal do verdadeiro cristianismo (Jo 15.12; 13.35;I Jo 4.7,¬8; I Co 13.1-2). Um espírito misericordioso é uma disposição para a piedade e ajuda aos outros homens quando estão em necessidade ou sofrendo (Sl 37.21; Pv 14.31; Tg 2.15,16).
Isso não quer dizer que o cristão seja totalmente sem pecado, mas que sempre que o verdadeiro cristianismo estiver funcionando, terá essa tendência e promoverá esse espírito tipo-cordeiro, tipo-pomba de Jesus Cristo. Todas as emoções espirituais verdadeiras nutrem esse espírito.

9. Os Afetos da Graça Suavizam o coração tornando-o mais sensível.
Afeições falsas podem parecer que derretem o coração por um tempo, porém no fim endurecem-no. As pessoas sob a influência de emoções falsas, eventualmente se tornam menos preocupadas com seus pecados passados, presentes e futuros. Prestam menos atenção às advertências da Palavra de Deus e ao castigo de Sua providência. Tornam-se mais descuidados com o estado de suas almas e o modo de seu comportamento. Diminuem seu discernimento sobre o que é pecaminoso e tornam-se menos temerosos com a presença do mal naquilo que dizem e fazem. Por quê? Porque têm uma opinião muito elevada sobre si mesmos. Quando estavam sob a convicção do pecado e medo do inferno, podem ter sido muito conscienciosos de seus deveres religiosos e morais. Entretanto, depois que pensam não estar mais em perigo do inferno, abandonam o auto-controle e permitem a si mesmos entregar-se às suas várias luxúrias.

Tais pessoas não aceitam a Cristo como seu Salvador do pecado, mas apenas do castigo do pecado. Confiam nEle como o Salvador de seus pecados! Querem justificação sem santificação. Pensam que Cristo lhes permitirá tranqüilidade em seus pecados, e os protegerá do desagrado de Deus (I Jo 1.6; Jd 4; Ez 33.13).
As verdadeiras afeições espirituais fazem do coração de pedra cada vez mais um coração de carne; vivo e sensível. O verdadeiro cristão é sensível como uma criança (Mt 10.2 e 18.3; Jo 13.33). A carne de uma criancinha é tenra, assim como o coração de uma pessoa recém¬-nascida espiritualmente. A mente de uma criancinha é delicada; ela sente simpatia facilmente e não pode ver outros em dificuldades. O mesmo ocorre com um cristão. A bondade conquista facilmente a afeição de uma criancinha; assim é com um cristão. A criança se assusta facilmente com a aparência exterior do mal; da mesma forma, um cristão se alarma com a presença do mal moral.

Quando uma criancinha encontra qualquer coisa ameaçadora, não confia em sua própria força, mas corre para seus pais; do mesmo modo, um cristão não tem autoconfiança para lutar com inimigos espirituais, porém corre para Cristo. Uma criancinha longe de casa sozinha suspeita facilmente de perigo no escuro. De modo semelhante um cristão se apercebe dos perigos espirituais e se preocupa com a sua alma quando não pode ver claramente o caminho diante dele. Não quer ficar só e a alguma distância de Deus. Uma criança facilmente teme os mais velhos, teme sua ira e treme frente às suas ameaças. Do mesmo modo, um cristão teme ofender a Deus e treme diante do castigo de Deus.

Aplicações:
1. A vida cristã espelha a transformação de nosso caráter.

2. Gentileza e sensibilidade em tudo, não egoísmo e indiferença para com tudo e todos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Natal Foi Assim... (Exposições Bíblicas em Mateus 1 e 2)


Quem conhece a história do Natal?
Ela não tem nada a ver com um homem velhinho calçando botas pretas, roupas vermelhas brilhantes e um gorro com um pompom branco na ponta.

Embora ela tenha tudo a ver com presentes, na verdade conta a história de um presente só; aquele que Deus deu por nós (não para nós) que é seu filho único, Jesus Cristo. Isso porque ele já nasceu à sombra da cruz.

É claro que ele também ganhou presentes, mas todos os seus presentes tinham a ver com o propósito de seu nascimento e vinda e não eram brinquedos de criança, nem de adultos que só pensam em si mesmos e que ficam ainda mais em-si-mesmados nessa época.

O Natal verdadeiro teve promessa cumprida; aventura empolgante, drama e tragédia; fuga de um rei malvado para sobreviver e a vitória no fim.

Venha conferir essa história verdadeiraconosco! Porque o Natal foi assim...

Local: Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia
Horário: Domingo no Culto Matutino às 9 horas.

04/12/2011:
Mateus 1.18-25.
O Nascimento de Cristo Foi Assim...
Rev. Ericson Martins.

11/12/2011:
Mateus 2.1-12.
Onde está o Recém Nascido?
Rev. Hélio O. Silva.
Mensagem para as crianças.

18/12/2011:
Mateus 2.13-18.
Fujam Para o Egito!
Rev. Milton Rodrigues Jr.

25/12/2011:
Mateus 2.19-23.
E Será Chamado Nazareno
Rev. Luciano Pires.

Exposição 13 = Os Afetos da Graça Produzem Profunda Convicção Espiritual e Consciência de Nossa Insuficiência Pessoal (Distinções 5 e 6).


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Uma Fé Mais Forte Que As Emoções
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
--------------------------------------------------------------------------------
Exposição 13 = 5ª e 6ª Distinções: Os Afetos da Graça Produzem Profunda Convicção e Consciência de Nossa Insuficiência Pessoal 30/11/2011.
Uma Fé Mais Forte Que As Emoções – Jonathan Edwards (p. 153-175)

-----------------------------------------------------------------------------------
Introdução:
1ª Distinção: Os afetos espirituais verdadeiros são concedidos por Deus.
2ª Distinção: A Base Fundamental dos Afetos da Graça é a Excelência Transcendental e a Natureza Digna das Coisas Divinas.
3ª Distinção: Os Afetos da Graça se baseiam no deleite pela beleza moral do Próprio Deus.
4ª Distinção: Os Afetos da Graça Nascem de Uma Mente Espiritualmente Iluminada Por Deus.
--------------------------------
Distinção 5. Os Afetos da Graça Trazem Uma Profunda Convicção Das Verdades Divinas.
De acordo com o nosso texto (I Pe 1.8) o verdadeiro cristão tem uma convicção sólida e efetiva da verdade do evangelho. Não hesita mais entre duas opiniões. O evangelho deixa de ser duvidoso e influencia o seu coração poderosamente. O que Jesus ensina sobre Deus, a vontade de Deus, a salvação e o céu, firma-se como realidades indubitáveis, determinando de forma decisiva o seu comportamento (Mt 16.15-17; Jo 17.6-8; I Jo 4.16).

Existem muitas experiências religiosas que falham em trazer essa convicção. Muitas das chamadas revelações são emocionantes, mas não convincentes. Não produzem mudança duradoura na atitude e conduta da pessoa. Suas emoções ardem por algum tempo e depois morrem de novo, não deixando atrás de si nenhuma convicção duradoura.

Uma convicção duradoura e razoável não é fundamentada em tradição religiosa, nem em argumentos racionais. Argumentos racionais às vezes convencerão uma pessoa intelectualmente que o cristianismo é verdadeiro, mas não é isso que a salva. Simão, o mágico, cria intelectualmente, porém, continuou "em fel de amargura e laço de iniqüidade" (At 8.13,23).

Convicção espiritual da verdade surge somente numa pessoa espiritual. Somente quando o Espírito de Deus ilumina nossas mentes para entender realidades espirituais podemos ter uma convicção espiritual da verdade delas. Lembrem-se, compreensão espiritual significa uma percepção interior da beleza espiritual das coisas divinas!

Como essa convicção nos convence da verdade?
Deus é único. É totalmente diferente de outros seres e mais do que qualquer outro atributo divino, é a beleza de Deus que O distingue. Essa beleza é totalmente diversa de todas as outras belezas. Assim, quando o cristão a encontra no cristianismo, ele vê Deus aí. Isto dá ao cristão um conhecimento direto, intuitivo que o evangelho de Cristo vem de Deus. Ele não precisa ser persuadido por longos e complicados argumentos. O argumento é simples: Ele percebe a verdade do evangelho porque vê sua beleza e glória divinas.

Uma vez que o homem natural não pode ver essa beleza, não acredita nela. A não ser que vejamos a beleza da santidade estaremos cegos para a fealdade do pecado. Somente aquele a quem o Espírito Santo levar a provar a doçura da santidade e o amargor do pecado pode ver e sentir a terrível depravação de seu próprio coração (Jo 16.8-11). É dessa forma que ficamos convencidos que as Escrituras falam a verdade sobre a corrupção da natureza humana, sobre a necessidade do homem de ter um Salvador e quanto ao grandioso poder de Deus para mudar e renovar o coração humano.

Isso nos convence também que Deus é justo ao punir tão severamente o pecado e que o homem é incapaz de expiar seu próprio pecado. Esse sentido de beleza espiritual permite que a alma veja a glória de Cristo, conforme as Escrituras O revelam. Compreendemos o infinito valor de Sua expiação e a excelência do caminho da salvação no evangelho. Vemos que a felicidade do homem consiste na santidade e sentimos a glória indescritível do céu.

Muitos cristãos do passado eram iletrados, mas ainda assim creram, e creram corretamente. A fé deles não dependeu do que os estudiosos e historiadores lhes disseram. Sua convicção não vinha meramente uma opinião humana, mas da convicção dada pela Palavra de Deus (Hb 10.22; Cl 2.2). Convicções espirituais têm sua origem na ação sobrenatural de Deus em nós. Ele abre nossos olhos para vermos as indizíveis beleza e glória divinas que brilham no Seu evangelho (I Pe 1.8). O cristão espiritual vê, aprova e aprecia a maravilhosa glória divina do evangelho, que dissolve todas as suas dúvidas, convencendo-o de ser a verdade.

Isso não quer dizer que todo cristão sente o mesmo grau de certeza espiritual o tempo todo. Obtemos segurança da verdade do evangelho à medida em que vemos sua beleza divina cada vez mais clara no crescimento em santidade em que ele nos conduz pessoalmente. Os Argumentos racionais e a evidência histórica têm valor e importância à fé dos crentes, mas não podem impelir o incrédulo a levar o cristianismo a sério.

Distinção 6: Os Afetos da Graça Nos Levam à Consciência de Nossa Insuficiência Pessoal.
Insuficiência e humilhação espiritual é o sentimento que tem o cristão Diane da santidade divina. Os não cristãos conhecem outro tipo de humilhação diante de Deus: Humilhação legal: Humilhação legal é uma experiência que somente os incrédulos podem ter. A lei de Deus opera em suas consciências, fazendo com que percebam quão pecaminosos e inúteis são. Entretanto, não vêem a natureza odiosa do pecado, nem renunciam o pecado em seus corações, nem se rendem a Deus. Sentem-se como que forçados a serem humildes, mas não têm humildade. Reconhecem a Deus, mas não se rendem a ele; admitem que Deus está certo, porém continuam não convertidos.

Humilhação espiritual ou insuficiência espiritual, por outro lado, brota do sentido que o verdadeiro cristão tem da beleza e glória da santidade de Deus (Sl 34.18; 51.17; Is 66.1,2; Mt 5.3;Lc 18.9-14). Faz com que sinta quão vil e desprezível é em si mesmo devido à sua iniqüidade. Leva-o a se prostrar voluntária e alegremente perante os pés de Deus, negando a si mesmo e renunciando a seus pecados.

Humilhação espiritual é a essência da auto-negação cristã. Consiste em duas partes. Primeiro, um homem deve negar suas inclinações mundanas e renunciar a todos os prazeres pecaminosos. Segundo: Deve negar à sua natural concentração em si mesmo e auto-afirmação._Muitos fizeram a primeira sem atingir a segunda; rejeitaram os prazeres físicos, somente para sentir o prazer diabólico do orgulho.

Hipócritas orgulhosos fingem ser humildes, porém geralmente interpretam mal esse papel. Sua humildade geralmente consiste em dizer aos outros como são humildes esperando que os outros os vejam como santos notáveis.

O Orgulho espiritual pode ser disfarçado, mas não pode ficar escondido por muito tempo.
(I) O homem orgulhoso compara a si mesmo com os outros nas coisas espirituais, e tem uma opinião exaltada sobre si mesmo. Está ansioso por liderança entre o povo de Deus, e deseja que sua opinião seja lei para todos. Quer que os outros cristãos tenham-no como exemplo e o sigam.

O homem verdadeiramente humilde é o oposto disso. Sua humildade faz com que pense que os outros são melhores do que ele mesmo (Fp 2:3). Não é normal que tome sobre si mesmo o posto do professor, pois pensa que outros estão mais preparados que ele, como fez Moisés (Ex. 3: 11-4:7). Está mais ansioso por ouvir do que por falar (Tg. 1: 19). E quando fala, não é de modo ousado e auto-confiante, e sim com temor. Não aprecia exercer poder sobre os outros, preferindo seguir a liderar.

(II) Outro sinal de orgulho espiritual é que o orgulhoso tende a pensar muito bem de sua humildade enquanto o homem verdadeiramente humilde pensa que é muito orgulhoso!
O homem orgulhoso é como o escravo cheio de si. Pensa ser um grande sinal de humildade confessar sua indignidade perante Deus. Se tivesse uma visão apropriada de si mesmo, iria se sentir admirado e envergonhado de não ser mais humilde perante Deus.

O homem verdadeiramente humilde nunca sente que se rebaixou o suficiente perante Deus. Sente que não importa quanto se prostre, poderia prostrar-se ainda mais. Sempre sente que está acima de sua posição própria perante Deus. É seu orgulho que lhe parece ser grande, não sua humildade.

Aplicações:
Não devemos esquecer de aplicar essas coisas a nós mesmos.
Acaso você fica ofendido quando alguém pensa que é um cristão melhor do que qualquer outro? Pensa que essa pessoa é orgulhosa e que você é mais humilde que ela? Então tenha cuidado consigo mesmo.
Examine a si mesmo e não tenha em alta conta a sua própria humildade. Se você pensa ser melhor do que os outros por admitir que é tão pecador, sua fé está em risco. Você pode ter orgulho de admitir quão orgulhoso você é!

sábado, 26 de novembro de 2011

Formatura SPBC 2011 - Turma: Rev. Hélio O. Silva







------------------

Hélio O. Silva
Versão: 30/11/2011.

O Meu Verso...


O que espero de vocês é que sejam mais do que eu. Que enxerguem mais longe e voem mais alto. A mim me bastará a alegria de ser a mão que os conduziu. A mão que impulsionou o pássaro no seu primeiro vôo.

Espero de vocês que não troquem suas convicções por altos salários, por templos aconchegantes ou por férias inesquecíveis. Espero que não amem mais o conforto do que a cruz.

Espero sinceramente que se tornem pregadores, bons pregadores da Palavra. Daqueles que quando anunciam a novidade do Evangelho façam arder o coração, que despertam as paixões; que motivem as decisões.

Espero que tenham seus olhares no futuro, onde nos encontraremos finalmente com o Senhor, razão do pastorado. Por isso espero que conduzam suas ovelhas ao santo aprisco do Senhor, e que as livrem das garras dos lobos, que são tantos, e tão maus...

Espero que suas lágrimas sejam cura e que carreguem consigo um pouco do brilho apaixonado do olhar de Cristo. Tenho esperança de encontrá-los em perseverança no bom caminho do Senhor Jesus, o qual nos convidou a segui-lo; andar com Ele; estar com Ele, e a pregar...

Espero de vocês a palavra justa, equilibrada, calibrada pelas Escrituras, e não pela eqüidistância tola das comodidades eclesiásticas. A verdade não é um artigo de barganha, de compra e venda. A verdade é Cristo, o fundamento de nossas vidas e aspirações. Nada mais é necessário. Nada mais é exigido, que a fidelidade simples e o amor verdadeiro.

Espero de vocês que sejam pastores, ovelheiros mesmo, e que achem tempo para aprender a sê-lo. Espero que se deixem marcar pelas marcas do pastorado. Que se lembrem das palavras más sem deixar de amar. Que suportem a afronta sem deixar de profetizar a verdade. Que se cansem na obra, sem deixar de contemplar a aproximação do Senhor. Que tenham tempo de se assentar a seus pés, e com a mesma admiração ouvi-lo falar na voz de tantos outros pregadores seus.

Espero de vocês o que sei que Ele espera de mim, uma vida e uma pregação pura e simples. Este é o meu verso. O verso que quero escrever na vida de vocês...

Aula 28 = As Características do Pacto da Graça


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
------------------------------------------------------------------------------------
Aula 28 = As Características do Pacto da Graça (27/11/2011).
-----------------------------------------------------------------------------------
1. A ALIANÇA É CARACTERIZADA PELA GRAÇA.
(a) porque nela Deus permite que um Fiador cumpra as nossas obrigações:
(b) porque Ele mesmo provê o Fiador na pessoa do Seu Filho, que satisfaz as exigências da justiça; e
(c) porque é a operação graciosa do Espírito Santo, que capacita o homem a cumprir as responsabilidades da Sua aliança. A aliança origina-se na graça de Deus, é executada em virtude da graça de Deus e se concretiza na vida dos pecadores, pela graça de Deus. É graça do começo ao fim para o pecador.

2. A ALIANÇA É TRINITÁRIA.
O trino Deus age na aliança da graça. Ela tem sua origem no eletivo amor e graça do Pai, encontra seu fundamento jurídico no ofício de fiador exercido pelo Filho, e só se realiza plenamente nas vidas dos pecadores pela eficaz aplicação feita pelo Espírito Santo (Jo 1.16; Ef 1.3-14; 2.8; 1 Pe 1.2).

3. A ALIANÇA É ETERNA E, PORTANTO, INVIOLÁVEL.
A aliança é eterna, quanto ao futuro (Gn 17.19; 2 Sm 23.5; Hb 13.20). Por ser eterna implica também que é inviolável; por essa razão pode ser chamada de testamento (Hb 9.17). Deus permanecerá para sempre fiel à Sua aliança e sem sombra de variação a levará à plena realização nos eleitos. Contudo, não significa que o homem não pode romper e nunca romperá a relação pactual em que se acha.

4. A ALIANÇA É PARTICULAR, NÃO UNIVERSAL.
Significa:
(a) que ela não se realizará em todos os homens e nem que é aberta a todos os homens (universalismo e arminianismo);
(b) que, mesmo na qualidade de uma relação pactual externa, ela não se estende a todos aqueles a quem o Evangelho é pregado, pois muitos deles não querem ser incorporados na aliança;
e (c) que a oferta da aliança não chega a todos, visto que tem havido muitos indivíduos e até nações que jamais tiveram conhecimento do meio de salvação. A dispensação neotestamentária da aliança é chamada universal no sentido de que é estendida a todas as nações, não se limitando mais aos judeus, como na antiga dispensação.

5. A ALIANÇA É ESSENCIALMENTE A MESMA EM AMBAS AS DISPENSAÇÕES, EMBORA COM MUDANÇAS NA FORMA DA SUA ADMINISTRAÇÃO.
Isso quer dizer que os crentes veterotestamentários foram salvos da mesm maneira que os crentes neotestamentários Pelagianos e socinianos negam isso. No catolicismo romano se afirma que os santos do Velho Testamento ficaram no Limbus Patrum (Limbo dos Pais) até quando Cristo desceu ao hades. Os dispensacionalistas também negam essa doutrina.

A unidade da aliança em ambas as dispensações é comprovada nas Escrituras:
a. O conteúdo essencial da aliança é o mesmo sempre, tanto no Antigo como no Novo Testamento:
“Eu serei o teu Deus” é a expressão do conteúdo essencial da aliança com Abraão (Gn 17.7), da aliança davídica (2 Sm 7.14), e da nova aliança (Jr 31.33; Hb 8.10). Esta promessa é de fato um sumário totalmente abrangente, e contém uma garantia das mais perfeitas bênçãos pactuais. Do fato de que Deus é chamado Deus de Abraão, Isaque e Jacó, Cristo infere que esses patriarcas têm posse da vida eterna (Mt 22.32).

b. A Bíblia ensina que há somente um único Evangelho, por meio do qual os homens podem salvar-se.
E porque o Evangelho é a revelação da graça, segue-se que há também somente uma aliança. Este Evangelho já foi ouvido na promessa materna (Gn 3.15) foi pregado a Abraão (Gl 3.8), e não pode ser suplantado por nenhum evangelho judaizante (Gl 1.8,9).

c. A Lei não anulou nem alterou a Aliança (Rm4; Gl 3 = Hb 6.13-18).
Paulo argumenta extensamente contra os judaizantes que o modo pelo qual Abraão obteve a salvação é típico quanto aos crentes do Novo Testamento, não importando se eram judeus ou gentios (Rm 4.9-25; Gl 3.7-9,17,18). Ele fala de Abraão como o pai dos crentes e prova claramente que a aliança com Abraão continua vigente.
d. O Mediador da aliança é o mesmo ontem, hoje e para sempre, Hb 13.8. Em nenhum outro há salvação (Jo 14.6; At 4.12). A semente prometida a Abraão é Cristo (Gl 3.16) e os que se identificam com Cristo são verdadeiros herdeiros da aliança (Gl 3.16-29).

e. O meio de salvação revelado na aliança é o mesmo.
A escritura insiste nas condições idênticas em toda a linha pactual (Gn 15.6 = Rm 4.11; Hb 2.4; At 15.11; Gl 3.6,7; Hb 11.9).

f. As promessas esperadas pelos crentes são as mesmas (Gn 15.6; Sl 51.12; Mt 13.17; Jo 8.56).

g. Os sacramentos, embora diferindo na forma, têm essencialmente a mesma significação em ambas as dispensações (Rm 4.11; 1 Co 5.7; Cl 2.11,12).

h. A aliança é tanto condicional como incondicional.
Essa conclusão dependerá do ponto de vista segundo o qual se considere a aliança.

•Por um lado, a aliança é incondicional.
(a) porque ela não é meritória. O pecador é exortado a arrepender-se e a crer, mas a sua fé e o seu arrependimento de modo nenhum merecem as bênçãos da aliança.
(b) É incondicional no sentido de que não se espera que o homem realize com as suas próprias forças o que a aliança exige dele. Ao colocá-lo diante das exigências da aliança, sempre devemos ser lembrados do fato de que somente de Deus podemos receber as forças necessárias para o cumprimento do nosso dever. Para os eleitos de Deus, as próprias condições da aliança são também promessas e, portanto, um dom de Deus.
(c) A fé é a conditio sine qua non (condição que não pode faltar) da justificação, mas o recebimento da fé propriamente dita na regeneração não depende de nenhuma condição, mas, sim, unicamente da operação da graça de Deus em Cristo.

• Por outro lado, há um sentido em que a aliança é condicional.
(a) A base da aliança é claramente condicionada pelo penhor de Jesus Cristo, o Fiador. Para introduzir a aliança da graça, Cristo teve que satisfazer, e de fato satisfez, as condições originariamente estabelecidas na aliança das obras, por Sua obediência ativa e passiva.
(b) O ingresso na vida da aliança depende da fé; fé que em si mesma é dom de Deus. Nosso conhecimento experimental da vida pactual depende inteiramente do exercício da fé. As razões bíblicas para essas afirmações são:
(1) A Bíblia mostra claramente que a entrada na vida pactual é condicionada pela fé (Jo 3.16, 36; At 8.37; Rm 10.9).
(2) A Escritura ameaça os filhos da aliança que ignoram essa condição, isto é, aos que se recusam a andar no caminho da aliança;
e (3) se não houvesse nenhuma condição, só Deus estaria obrigado à aliança, e não haveria nenhuma “disciplina” ou “vinculo do concerto” para o homem (Ez 20.37); e, assim, não haveria aliança de fato, pois em todas as alianças há duas partes.

i. Há um sentido em que a aliança pode ser chamada testamento.
Somente em Hebreus 9.16,17 justifica-se a tradução da palavra diatheke por “testamento”. Ali Cristo é apresentado como o testador, pois a disposição testamentária das bênçãos da aliança entrou em vigor pela morte de Cristo. O conceito de que os crentes recebem as bênçãos espirituais da aliança de maneira testamentária está implícita em várias passagens da escritura. Deus, e não Cristo, é o testador. tanto no Velho Testamento como no Novo, mas especialmente no Novo, os crentes são descritos como filhos de Deus, legalmente por adoção e eticamente pelo novo nascimento (Jo 1.12; Rm 8.15,16; Gl 4.4-6; 1 Jo 3.1-3,9). Os conceitos de herdeiro e herança associam-se naturalmente à filiação e se encontram freqüentemente na Escritura (Rm 8.17 = Rm 4.14; Gl 3.29; 4.1, 7; Tt 3.7; Hb 6.17; 11.7; Tg 2.5). Todavia a confirmação da aliança não implica a morte do testador. Os crentes são herdeiros de Deus (que não pode morrer) e co-herdeiros com Cristo (Rm 8.17).
Quanto ao pecador, a aliança tem um lado testamentário e pode ser considerada como uma herança. Quanto a Cristo, uma vez que somos chamados co-herdeiros com Cristo, Ele também é um herdeiro. Lucas 22.29 afirma a sua herança como a glória de Cristo como Mediador, glória que Ele recebeu como herança do pai, e que Ele, por Seu turno, entrega como herança a todos os Seus.

Pode-se chamar a aliança também de testamento porque:
(1) é toda ela um dom de Deus;
(2) a dispensação do Novo Testamento foi introduzida pela morte de Cristo;
(3) é firme e inviolável;
e (4) nela Deus mesmo dá o que Ele exige do homem.

É evidente que existem dois lados da aliança. Deus condescende em baixar ao nível do homem e, por Sua graça, habilita-o a agir como a segunda parte da aliança, dando-lhe livremente tudo quanto Ele requer, sendo o homem realmente o único beneficiado pela aliança. É essencial, porém, que o caráter duplo da aliança seja mantido, porque o homem aparece nela realmente satisfazendo as exigências da aliança na fé e na conversão, conquanto seja assim somente quando Deus opera nele tanto o querer como o efetuar (Ef 1.6).

---------------------------------------
Bibliografia: Louis Berkhof. Teologia Sistemática, ECC, p. 276-280. / Wayne Gruden. Teologia Siatemática.Vida Nova, p.425-432.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...