O Bom pastor e seus comentários

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domingo, 11 de dezembro de 2011

Aula 29 = O Aspecto Duplo da Aliança da Graça.


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 29 = O Aspecto Duplo da Aliança da Graça (11/12/2011).
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I.A Aliança como Relação Legal e como Comunhão de Vida.
É preciso distinguir na a aliança uma relação legal e uma relação vital, de cunho moral.
Na esfera legal as partes que vivem sob este acordo estão sujeitas às estipulações mútuas sobre as quais concordam. Tudo é considerado e regulado de maneira puramente objetiva. O fator determinante nessa esfera é simplesmente a relação que foi estabelecida, e não a atitude que se assume para com essa relação. A relação existe independentemente da inclinação ou falta de inclinação, gostos e aversões da pessoa quanto à aliança.
No sentido legal fazem parte da aliança da graça os crentes e seus filhos. Mas quanto ao aspecto vital (como comunhão de vida) somente os regenerados são dotados do princípio da fé.
Há na Escritura bastante evidência de que a aliança da graça é um pacto dessa natureza. Há a condição da fé (Gn 15.6, comparado com Rm 4.3ss; Hc 2.4; Gl 3.14-28; Hb 11); e há também a promessa de bênçãos espirituais e eternas (Gn 12.3; 17.7; Is 43.25; Ez 36.27; Rm 4.5ss; Gl 3.14, 18).
Mas também é evidente que a aliança, em sua plena realização, é mais que um acordo legal entre Deus e seu povo; ela é também uma comunhão de vida. Isso ficou indicado desde o estabelecimento da aliança com Abraão (Gn 15.9-17). Além disso, é indicada em passagens como Sl 25.14; 89.33, 34; 103.17, 18; Jr 31.33, 34 (Hb 8.10-12); Ez 36.25-28; 2 Co 6.16; Ap 21.2, 3.
Os aspectos legal e vital da aliança coexistem em equilíbrio e devem ser considerados como sendo intimamente relacionados um com o outro, a fim de evitar-se qualquer tipo de dualismo. Quando alguém assume a relação pactual voluntariamente, isso implica na inclusão dos dois aspectos; do contrário, o resultado será uma relação falsa numa aliança falsa.

II.Participação na Aliança como uma Relação Legal.
Ao discutir a participação como membros da aliança como uma relação legal, deve-se ter em mente que a aliança, neste sentido, não é meramente um sistema de exigências e promessas, exigências que devem ser satisfeitas e promessas que devem ser cumpridas; mas que inclui também uma razoável expectativa de que a relação legal e externa levará consigo a realidade graciosa de uma vida de crescente comunhão com o Deus da aliança. Esta é a única maneira pela qual a idéia da aliança se realiza plenamente.

1. OS ADULTOS NA ALIANÇA.
Os adultos só podem entrar nesta aliança voluntariamente, pela fé e confissão. Se a sua confissão não for falsa, a entrada na aliança como uma relação legal coincide com a entrada nela como uma comunhão de vida. Eles não assumem apenas a responsabilidade de cumprir certos deveres externos; tampouco prometem meramente exercer a fé salvadora no futuro; mas confessam que aceitam a aliança com uma fé viva, e que o seu desejo e intenção é continuar nesta fé. Portanto, eles entram imediatamente na plena vida pactual, e esta é a única maneira pela qual podem entrar na aliança.

2. OS FILHOS DOS CRENTES NA ALIANÇA.
A experiência ensina que, embora entrem por nascimento na aliança como uma relação legal, não significa necessariamente que também entram imediatamente na aliança como comunhão de vida. Não pode ser afirmado com segurança que a relação pactual chegará à sua plena realização em suas vidas. Todavia, mesmo no caso deles deve haver razoável segurança de que a aliança não é ou não continuará sendo mera relação legal, com deveres e privilégios externos, apontando para aquilo que devia ser com o tempo uma realidade viva.
Sem dúvida nenhuma Deus deseja que a relação pactual redunde numa vida pactual. E Ele próprio garante, com Suas promessas ligadas à semente dos crentes, que isto se efetuará, não no caso específico de cada indivíduo, mas na semente da aliança, coletivamente. Com base na promessa de Deus, podemos crer que, sob uma fiel administração da aliança, a relação pactual, como regra geral, se concretizará plenamente numa vida pactual.
Esta segurança está baseada na promessa de Deus, que é absolutamente confiável, de que Ele agirá nos corações dos jovens ligados à aliança com a Sua graça salvadora e os transformará em membros ativos da aliança. A aliança é mais que mero oferecimento da salvação na pregação do evangelho. Ela também traz consigo a certeza, baseada nas promessas de Deus, que opera nos filhos da aliança, que a fé salvadora será produzida nos seus corações. Enquanto os filhos da aliança não revelarem o contrário, temos que partir do pressuposto de que estão de posse da vida pactual. Naturalmente, o curso dos acontecimentos poderá provar que esta vida ainda não está presente neles ou que nunca se realizou em suas vidas.
Todavia, deve ser reconhecido com humildade que as promessas de Deus são dadas à semente dos crentes coletivamente, não individualmente. A promessa de Deus, de continuar a Sua aliança e de levá-la à plena realização nos filhos dos crentes, não significa que Ele dotará da fé salvadora cada um deles, até o último. E se alguns deles permanecerem na incredulidade, deveremos ter em mente o que Paulo diz em Romanos 9.6-8: “Nem todos os de Israel são de fato israelitas”; nem todos os filhos de crentes são filhos da promessa. Daí, é necessário lembrar constantemente aos filhos da aliança da necessidade de regeneração e conversão. O simples fato de que alguém está na aliança não traz segurança automática de sua salvação. Quando os filhos dos crentes crescem e chegam à idade adulta, compete-lhes obviamente aceitar voluntariamente as suas responsabilidades pactuais com uma sincera confissão de fé. Deixar de faze-lo é uma negação da sua relação pactual.
A relação legal em que se acham os filhos dos crentes precede à relação vital (como comunhão de vida) e é um meio para se chegar à sua realização. Todavia, ao acentuar a significação da aliança como meio para um fim, não devemos frisar as exigências de Deus e o resultante dever do homem, mas especialmente a promessa da operação eficaz da graça nos corações dos filhos da aliança e sua resposta positiva a ela. Se salientarmos única ou excessivamente as responsabilidades da aliança, e deixarmos de dar a devida proeminência ao fato de que na aliança Deus dá tudo quanto requer de nós, corremos o risco de cair na armadilha de achar que não existe manifestação da graça na aliança.

3. OS NÃO REGENERADOS NA ALIANÇA.
Mesmo pessoas não regeneradas e inconversas podem estar na aliança. Ismael, Esaú, os filhos de Eli e de Samuel; e a grande maioria dos judeus dos dias de Jesus e dos apóstolos pertencia ao povo da aliança e partilhava as promessas pactuais, apesar de não seguirem a fé que caracterizara Abraão. Eles estavam na aliança (in foedere) mas não eram da aliança (de foedere).
Sobre a posição dos não regenerados na aliança, conclui-se:

a. Estão na aliança no que se refere à sua responsabilidade.
Eles estão numa relação pactual legal com Deus e têm o dever de arrepender-se e crer. Se não se converterem a Deus e não aceitarem a Cristo pela fé, quando chegarem à idade adulta, serão julgados como infratores da aliança. Portanto, estar nessa relação especial com Deus significa responsabilidade adicional.

b. Estão na aliança no sentido de que podem reivindicar as promessas que Deus lhes fez quando estabeleceu a Sua aliança com os crentes e sua semente.
Paulo chega a dizer dos seus ímpios compatriotas: “pertence-lhes a adoção, e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas” (Rm 9.4). Como regra geral, Deus reúne os Seus eleitos dentre os que se acham nesta relação pactual.

c. Estão na aliança no sentido de que estão sujeitos às ministrações da aliança. São constantemente admoestados e exortados a viverem de acordo com as exigências da aliança. A igreja visível os trata como filhos da aliança, oferece-lhes os selos da aliança, e os exorta a fazerem apropriado uso deles. São eles os primeiros convidados a serem chamados para a ceia, os Filhos do reino, aos quais a palavra deve ser pregada primeiramente (Mt 8.12; Lc 14.16-24; At 13.46).

d. Estão na aliança também na medida em que as bênçãos da aliança constituem objeto de seu interesse.
Embora não experimentem a influência regeneradora do Espírito Santo, estão mesmo assim sujeitos a certas operações e influências especiais do Espírito Santo. O Espírito peleja com eles de maneira especial, convence-os do pecado, ilumina-os em certa medida, enriquecendo-os com as bênçãos da graça comum (Gn 6.3; Mt 13.18-22; Hb 6.4-6).
Deve-se notar que, enquanto a aliança é eterna e inviolável, jamais anuada por Deus, é possível aos que se acham na aliança quebrá-la. Se alguém que se acha na relação pactual legal não ingressar na vida pactual, continuará sendo membro da aliança. O fato de não cumprir as exigências da aliança envolve culpa e faz dele um infrator da aliança (Jr 31.32; Ez 44.7).

Aplicações:
1. Devemos assumir o nosso papel ativo dentro da aliança publicamente e perseverar na nossa confissão de fé,pois quem fez a promessa é fiel (Hb 10.23).

2. Devemos cumprir nossa parte no pacto quanto à educação de nossos filhos a fim de que aprendam não só sobre o pacto da graça, mas principalmente sobre a graça do pacto e desejem participar dele junto consoco por si mesmos.

3. Devemos manter nossa esperança mesmo quando nossos filhos se afastam. O aspecto legal do pacto primeiro é uma ação graciosa de Deus chamando-os para a vida pactual, somente depois é que agirá como juízo sobre a vida dos que rejeitarem o pacto. Estando dentro do pacto, eles estarão mais frequentemente expostos à graça do pacto. Foi essa graça que trouxe o filho pródigo de volta para casa arrependido (Lc 15).

4. Devemos lembrar sempre que o que salva é a graça do pacto e não o próprio pacto da graça. Isso deve ser lembrado sempre no discipulado de nossos filhos e aos frequentadores dos cultos cristãos. também deve ser lembrado a todos os pais,para que não negligenciem as promessas do pacto ensinando-as uma a uma a seus filhos.

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Bibliografia: Louis Berkhof. Teologia Sistemática, ECC, p. 280-285. / Wayne Gruden. Teologia Siatemática.Vida Nova, p.425-432.

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