O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

domingo, 30 de abril de 2017

Atos 11 = Cristãos!

Antigo Mosteiro de São Simão - Antioquia da Síria

®   Atos 11: Cristãos!
Rev. Helio de Oliveira Silva.

A igreja não está imune às influenciais culturais, raciais e econômicas de seu tempo. Ela tem de lidar com tudo isso e manter seu testemunho fiel a Cristo. A conversão da família de Cornélio narrada no capítulo anterior trouxe novamente suspeita e dificuldades dentro da igreja de Jerusalém. Havia na igreja grupos que defendiam suas ações cristãs a partir de sua raça, cultura e condição, por isso questionaram a ação de Pedro em Cesaréia. Todavia, o testemunho ordenado de Pedro apaziguou o coração da igreja em Jerusalém demonstrando que a ação de Deus por meio do Espírito Santo supera todas essas coisas. Raça, cultura, economia, status social; tudo isso deve se submeter à proclamação da boa nova salvadora do Evangelho. Sem ignorar essas coisas, o evangelho as reorganiza para o serviço cristão.

Nesse contexto acontece a plantação da igreja gentílica de Antioquia da Síria. Os plantadores dessa igreja não vieram de Jerusalém, mas de Cirene e Chipre. Logo, a proclamação do evangelho e a plantação de igrejas não é uma questão de hegemonia ou hierarquia, mas da “ocasionalidade” da graça, ou seja, nem sempre é a estratégia que determina a ocasião e o investimento, mas é a ocasião que define a oportunidade, a estratégia e o investimento! Embora uma coisa não exclua a outra, nem uma nem outra devem ser superestimadas e nem subestimadas, mas avaliadas em conjunto. O que determina o surgimento e o crescimento de uma igreja é a ação de Deus na vida daqueles que foram transformados pelo evangelho e o testemunham por passam e escolhem viver.

Os apóstolos enviaram para ver as coisas um conterrâneo dos fundadores, Barnabé, natural de Chipre (At 4.36). Ele sonda, se alegra, trabalha e busca ajuda apropriada. Interessante ele se lembrar de Saulo depois de alguns anos! (Gl 1.17-24). Como é bom saber que Deus não deixa no esquecimento aqueles que Ele quer usar, por isso, busca-os onde estiverem!

O fruto do pastoreio por meio do ensino correto produz mobilizações, ativa o testemunho e provoca reações. Agora temos alcunha, somos “cristãos”, ou melhor, “pequenos cristos”. Não importa se é pejorativo ou vise desdenhar da fé, o fato é que cai bem para aprendizes comprometidos com o seu professor. Ser chamados de cristãos nos liga diretamente àquele em quem cremos e que nos salvou perdoando os nossos pecados. Ser um “pequeno cristo” é um privilegio visto do ponto de vista de quem se rendeu ao salvador que carregou sua cruz por nós!


Lucas termina esse capítulo falando de fome e de socorro. A medida de nossa participação no socorro e na comunhão com outros cristãos são as nossas posses (11.29). E quem recebe e administra os donativos são os presbíteros da igreja (11.30). Esse evento aconteceu no tempo do imperador Cláudio (41-54 dC) e de Herodes Agripa I (41-44 dC) [11.28 e 12.1]. A igreja vive na história e participa dela ajudando como pode em obediência ao mesmo amor divino que a conquistou e lhe deu o exemplo, isso é o que nos faz ser cristãos (Jo 3.16; 1 Jo 4.19). 

Com amor, Pr. Helio.

Atos 10 = Prontos Para Obedecer

Aqueduto de Cesaréia de Filipe

®   Atos 10: Prontos para Obedecer.

Deus prepara as circunstâncias e as pessoas (v.33); ele realiza a sua própria obra a seu próprio modo. Ele prepara os que vão ouvir e os que vão falar. Na plantação de igrejas, os métodos considerados mais eficazes empalidecem quando a graça é derramada irresistivelmente. Quem conhece o Deus da Bíblia e de Jesus Cristo já aprendeu que o improvável ou o impossível são parte de uma linguagem apenas nossa, não dele. Não barreiras para o seu santo intento de salvar pecadores, pois seu evangelho penetra o impenetrável (Hb 4.12).

Pode haver confusão da nossa parte a princípio, mas Deus mesmo se encarrega de acertar as coisas e ensinar a correção de sua Palavra. Ele não faz acepção de pessoas (v.34), por isso devemos atender o seu chamado prontamente (v.29). O Evangelho não é um produto que controlamos, pois ele é que deve nos controlar; levando e trazendo; ouvindo e falando, alcançando e salvando. Critérios como fatores populacionais; densidade demográfica, índice de desenvolvimento humano (IDH), riqueza, pobreza; periferia ou centro urbano, embora possam ser considerados, não podem ser absolutamente determinantes na evangelização. A razão para isso é muito simples e biblicamente clara. Cristo não agiu assim e seus discípulos também não.

Em Cesaréia, o evangelho rompe finalmente a barreira racial entre judeus e gentios. Essa é a razão porque a experiência do dom de línguas é igual: A unidade da igreja ultrapassa toda e qualquer barreira racial. A experiência é a mesma de Atos 2 porque o evangelho é o mesmo, não foi modificado. Mais uma vez o foco é a morte e ressurreição de Cristo, que quebra as barreiras e estabelece a paz (v.36) fazendo a unidade.

O evangelho diz respeito a Jesus de Nazaré, cheio do poder do Espírito Santo, que andou por toda parte fazendo o bem e curando os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele (v.38). Nós somos suas testemunhas, para dizer ao mundo que Deus o constituiu juiz de vivos e mortos (v.42) e que, por meio dele, todo aquele que crê recebe o perdão de seus pecados (v.43). Não cabe a nós escolher nosso público, pois Deus nos mandou pregar ao povo (v.42); não cabe a nós decidir quem pode ou não pode ouvir; não cabe a nós decidir culturalmente ou estrategicamente as nossas próprias prioridades. Ele mandou pregar e nós devemos prontamente obedecer.

Com amor, Pr. Hélio O. Silva.


sexta-feira, 28 de abril de 2017

Amós



Amós.
Helio O. Silva – 28/04/2017

La vem o tosco, eles dizem,
Com suas palavras deselegantes
Com seu jeito roceiro de ser.
Vestindo roupas simples, que não gostamos.
Falando de coisas que não queremos para nós.
Por que você não vai embora,
Vá profetizar em outro lugar!

Lá vem o homem do interior, eles comentam,
Tentando nos convencer
Com suas palavras apressadas,
Com seus gestos que nos assustam,
Colocando prumo em nossas ações.
Por que você não volta?
Vá profetizar em outro lugar!

Lá vem o homem com suas pregações,
Fazendo doer nossos ouvidos,
E tremer nossos corações;
Rugindo como um leão fora de seu lugar.
Vá embora fera desgarrada,
Vá profetizar em outro lugar!

Lá vem o trombeteiro anunciando a guerra
Como se não tivéssemos outros interesses.
Como se não buscássemos a Deus!
Como se não vivêssemos em paz.
Vá embora tosco!
Vá pastorear em outro lugar!

Lá vem o conspirador, eles murmuram,
Ele nos faz sofrer com suas palavras,
Ofendendo nossa gana e nossa prosperidade!
Acusando-nos de reter o pão do necessitado.
Foge daqui, ó vidente,
Não te serviremos nossos manjares,
Volte para o interior,
Come ali o seu pão
E ali profetiza o seu sermão!

Quem rejeita o profeta que Deus envia
Rejeita a Palavra do Senhor.
Quem constrói sua piedade sobre a areia
Não verá o edifício que Deus edifica.
Quem se ilude com seu próprio conforto e conveniência.
Não entrará no Tabernáculo que Deus reconstruirá,
Mas será cativo de suas próprias palavras e ações.
Quando rugir o leão,
Quem não estremecerá?


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