O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A Arte de Envelhecer Feliz! (Filpenses 4.11)


A Arte de Envelhecer Feliz (Filipenses 4.11)
Helio O. Silva.

Uma velhice feliz! Isso é possível? Podemos preservar uma calma alegria interior ou uma paz serena que o tempo nunca poderá consumir? São perguntas justas.

Às vezes somos tentados a olhar para certas verdades reais e testemunhadas pelas Escrituras como motivos e motivações para desenvolvermos uma postura negativista quanto ao envelhecimento. Eclesiastes 12.1-8 e o Salmo 90.10 parecem empurrar-nos para uma conformação ao cansaço e à inutilidade na velhice.

Todavia, É nas Escrituras que encontramos relatos surpreendentes de que a velhice pode ser frutífera, como profetizou Joel 2.28 (os velhos sonharão) e o Salmo 92.14 – “na velhice darão ainda frutos e serão cheios de seiva e verdor”.

Abraão e Sara – Qual a idade deles quando a promessa se cumpriu para eles? Moisés e Arão – quando lideraram o êxodo? Josué e Calebe – quando herdaram a terra? Zacarias e Isabel – quando foram pais? Simeão e Ana – quando conheceram pessoalmente a Cristo? Paulo e Pedro – como terminaram seus ministérios? João – em que circunstâncias recebeu as revelações do Apocalipse?

Como é possível aprendermos a viver contentes em toda e qualquer situação, inclusive na velhice?

Primeiro: Não buscar nossa alegria nas coisas desse mundo, mas em Deus – Filipenses 4.11. 2. Onde temos buscado o nosso refugio comumente? Dinheiro e bens materiais; saúde; família e status social. No entanto, Cristo disse que a paz que ele dá, o mundo não dá (Jo 14.27).

Segundo: Manter uma atitude positiva sobre tudo.
Ashton Oxenden dá os seguintes conselhos aos idosos sobre esse assunto em seu livro, O Segredo de Envelhecer Feliz
(1) Empenhar-se por ser mais paciente e gentil. 
(2) Tentar ser mais alegre e atencioso com os outros. 
(3) Manter-se firme na palavra e na oração. 
(4) Desapegar-se de coisas que você não levará consigo para a eternidade. 
(5) Ter uma conversação celestial – Pensar nas coisas do céu e falar sobre elas como quem as conhece (1 João 2.13,14 – “pais eu vos escrevo [escrevi] porque conheceis aquele que existe desde o princípio”). João evoca a maturidade espiritual dos pais. Eles têm experiência e falam do que conhecem pessoalmente. 
(6) Tente dar bom exemplo aos outros.

Terceiro: Testemunhar as obras de Deus com gratidão.
Moisés testemunha no Salmo 90 – “Senhor, tu tens sido nosso auxílio de geração a geração...” Como seria ler o Salmo 23 na perspectiva de um idoso? Como foi lê-lo na perspectiva de um jovem?
O Rev. Antônio Elias defendeu certa vez, que achava que Davi o compôs mais tarde, já idoso, não como um jovem intrépido, mas como um experiente senhor.
Paulo determina a Timóteo a exortar às mulheres mais idosas a serem bons exemplos para as mulheres cristãs mais jovens (1 Timóteo

Conclusão
A velhice tem seu lado belo, mas traz consigo os seus males. Não se pode negar que a velhice é bela, mas é bela como um ocaso.

Mas veja essa promessa de Deus para os idosos em Isaias 46.4:
Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei”.



quarta-feira, 22 de junho de 2016

Crescimento Consistente - 2 Pedro 3.15,16


Rev. Helio O. Silva = Crescimento Consistente (2 Pedro 3.15,16)

         É um fato da vida cristã que cresceremos na fé se praticarmos uma leitura mais consistente das Escrituras. Vez por outra, os autores bíblicos nos alertam para mantermos uma postura mais ativa no estudo das Escrituras (Mt 22.29; Jo 5.39; Jo 7.17; 1 Co 3.1,2; Hb 5.11-14). Pedro alerta seus leitores a não serem ingênuos na sua leitura da Bíblia, pois os falsos mestres deturpam o seu ensino buscando tirar vantagens pessoais dela e que cristãos instáveis a aplicam mal decisões erradas baseados em interpretações ingênuas, incompletas e equivocadas mesmo (2 Pe 3.15).

PRECISAMOS TER TODO O CUIDADO AO ABORDAR AS ESCRITURAS DE FORMA CORRETA. Paulo fala em Romanos de deturpadores da doutrina da justificação. Em 1 Coríntios denuncia os que deturpavam a doutrina da ressurreição. Em 2 Tessalonicenses desmascara os que ensinavam que a ressurreição já havia ocorrido. 
Qual é a maneira correta de lermos a Bíblia?

a)    Ler a Bíblia cuidadosa e aplicadamente.
Não devemos ser apressados ou desatentos; nem torcer os ensinos bíblicos. Lucas disse que para testemunhar corretamente o evangelho às pessoas ele fez uma “acurada investigação” a fim de que elas tivessem “plena certeza das verdades” bíblicas (Lc 1.3,4).

b)    Ler a Bíblia como um todo.
Não ler apenas pequenas porções ou textos preferidos, mas ler a Bíblia toda, em sua inteireza. Procure compreender a mensagem de cada livro e por que é assim.

c)     Ler a Bíblia com honestidade e mente aberta.
Não podemos ler a Bíblia para conformá-la a nós, mas para nos conformarmos a ela. É muito perigoso vir às Escrituras tomados de pressupostos, ideias e intenções particulares.

d)    Ler a Bíblia com espírito humilde e prontidão para aprender.
Pedro é um exemplo disso. Foi confrontado por Paulo publicamente em Antioquia e desmascarado em seu erro (Gl 2). Agora reconhece a utilidade e biblicidade dos escritos e ensinos de Paulo. Devemos ir à Bíblia com a simplicidade de uma criança dispostos a reformar nossas vidas e escolhas pelo seu ensino divino.

e)     Ler a Bíblia com atitude de oração.
Essa atitude nos dá conta de nossa fragilidade intelectual e da grandiosidade da revelação divina e da nossa tendência de não se deixar governar por Deus. Devemos orar ao iniciar nossa leitura cotidiana e depois de terminar. Nossa oração deve ser súplice e reverente a fim de recebermos unção e conhecimento da santidade divina.

Crentes que conhecem a Bíblia não vivem caindo, vacilando e debandando da fé. Crentes que conhecem a Bíblia enfrentam com maturidade o sarcasmo e a hipocrisia dos falsos mestres e falsos cristãos. Crentes que amam e conhecem a Bíblia são tanto reverentes quanto diligentes no seu estudo, na pregação e no testemunho pessoal do evangelho.

Um cântico que aprendi no passado ilustra isso magistralmente: “O bom cristão tem a Bíblia na mão; tem a Bíblia na mente e no coração”. Com amor, Pr. Helio.


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Desafio Missionário Para Igrejas Presbiterianas de Goiás

Levítico 23.1-8 = O Sábado e a Páscoa


Introdução:
A vida cristã não é fome e nem funeral, ela é uma festa” (Warren Wirsbe).[1] Por isso Deus instituiu uma forma ao mesmo tempo alegre e solene para celebrarmos as manifestações de sua graça em nossas vidas.

Contexto:
         O capítulo 23 de Levítico estabelece as três festas judaicas mais importantes, das quais duas delas, o cristianismo participa: A Páscoa e o Pentecostes.
As festas sagradas e as épocas determinadas são assim estabelecidas:
1. O sábado (23.3).
2. A Páscoa (23.4,5).
3. A Festa dos Pães Asmos (23.6-8).
4. As Primícias (23.9-14).
5. O Pentecostes (23.15-22).
6. O Toque das Trombetas (23.23-25).
7. O Dia da Expiação (23.26-32).
8. A Festa dos Tabernáculos (23.33-44).
9. O Ano Sabático (cap. 25.1-7).
10. O Ano do Jubileu (cap. 25.8-34).
         
          Seu objetivo era triplo:
1º) Fazer Israel lembrar dos feitos graciosos de Deus a favor de seu povo.
2º) Unir o povo na celebração comunitária de sua unidade como povo exclusivo de Deus.
3º) Ensinar e testemunhar a santidade de Deus e do seu povo.

Proposição:
Nessa ocasião quero tratar do caráter dessas festas e de duas delas: O Sábado e a Páscoa:

I.                  O caráter das festas de israel era normativo (v.1,2):

a)    As Festas do Senhor são fixas.
As datas são estabelecidas por Ele mesmo. Marcam eventos e reuniões solenes convocadas pelo próprio Deus.

b)    As Festas do Senhor são santas convocações proclamadas ao seu povo.
A palavra “moadim” reflete o caráter comunitário e convocatório das festas. É a mesma raiz da palavra usada para compor a expressão “tenda da congregação” ou “tenda do encontro”.

c)     As Festas do Senhor pertencem a Ele!
O Senhor é o proprietário e o instituidor dessas festas religiosas. Elas não provém da criatividade ou da disposição ou disponibilidade das pessoas.

II.               O SÁBADO: O SENHOR GOVERNA O NOSSO TEMPO (V.3):

a)    O homem deve trabalhar seis dias e descansar um.
A grande diferença entre o sábado e as outras santa convocações, é que o sábado era semanal e as outras esporádicas.[2]
Há duas observações mais importantes a fazer aqui:

Primeira: O descanso semanal era estabelecido para todos, inclusive os estrangeiros (Ex 20.10). Não era uma opção, mas uma determinação divina. A punição para a não observância do sábado era a morte! (Ex 31.14; 35.2).

Segunda: A doação do Maná ressaltou a importância do sábado no Antigo Testamento.
         No sexto dia Deus dava porção dupla do maná (Ex 16.29ss). Quem colhesse mais que o necessário nos outros dias veria o maná apodrecido no outro dia, mas no sábado o maná não perdia; podia ser usado sem problemas.
         Deus enfatiza a sua providência para nós e sua soberania sobre o tempo simultaneamente. Guardar o sábado significava reconhecer o governo de Deus sobre o nosso tempo.
Deus criou o sábado porque ele seria para o bem do homem e de toda a criação. Também Deus estava estabelecendo o modelo de como ele deveria ser honrado por seu povo como o criador – SEMANALMENTE.
Deus está dizendo claramente ao homem: “_ Separe tempo para o culto a Deus.” Ao mesmo tempo Deus dá descanso ao homem e à terra, da exploração do homem. O homem não deveria ser cativo da criação, mas essa também não poderia receber abusos gananciosos por parte do homem.

b)    As características do sábado:
®   Descanso solene.
®   Santa convocação.
®   Nenhuma obra deveria ser feita. Nas demais festas acrescenta-se a expressão “obra servil”, ou seja, nenhum tipo de negócio ou negociação deveria ser feita no sábado.
®   É sábado do Senhor em todas as moradas.

c)     O Sábado judeu e o domingo cristão.
A guarda do sábado tem a ver tanto com a criação, quanto com a redenção.
A guarda do sábado apontava para frente, para a esperança do que viria. Trabalha-se seis dias e espera-se o descanso. O sábado nos ensina a olhar para frente, para a redenção que vem.
Após a ressurreição de Cristo essa estrutura mudou radicalmente. Agora, o domingo nos ensina a olhar agradecidamente para trás, para a redenção que já veio.
Os cristãos não seguem o modelo sabático, mas o da ressurreição, ou seja, não trabalhamos seis dias olhando com esperança para o descanso. Agora, começamos a semana nos regozijando no descanso já cumprido por Cristo na cruz e na ressurreição (Hb 4); e então trabalhamos os demais seis dias confiados e confiantes no sucesso da obra de Cristo a nosso favor, na vitória que ele já alcançou para nós.
Na nova aliança, a obrigatoriedade do descanso semanal permanece, mas a sua perspectiva mudou radicalmente: descansamos primeiro e trabalhamos depois, assim como fomos salvos primeiro, e depois aprendemos a servir de forma santa ao nosso Deus.[3]

III.           A PÁSCOA: CRISTO MORREU POR NOSSOS PECADOS (V.4-8):

a) Celebrada no 14º dia do primeiro mês (29 de Março).
®   O cordeiro deveria ser separado no dia 10 e morto e comido assado sem tempero no crepúsculo do dia 14
A Páscoa aponta para o sacrifício de Cristo e sua ressurreição. Paulo liga os eventos da Páscoa diretamente à nossa justificação em Romanos 4.25: Cristo foi entregue por causa de nossas transgressões e ressuscitou por causa de nossa justificação.
Na Páscoa celebrava-se a libertação da escravidão do Egito. Agora celebramos a libertação do jugo de nossos pecados. Uma libertação que não é meramente política, mas espiritual e eterna. Não somos livres da opressão de regimes pecaminosos, mas da condenação dos próprios pecados!
O foco da Páscoa não é a sexta-feira santa da paixão, mas o amanhecer glorioso da Páscoa, no domingo da ressurreição! O foco não está na penitência e no sofrimento, mas na alegria do perdão por causa da ressurreição. É a ressurreição que determina a força da cruz, não somente a morte sacrificial de Cristo. Se Cristo não tivesse ressuscitado, de que nos valeria a cruz? O corpo de Cristo estaria no túmulo e nós sem esperança. Mas Cristo nos libertou dos nossos pecados, e pela ressurreição, nos transportou para o seu reino (Cl 1.13).
Ilustração: O filme “O Corpo”, com Antônio Bandeiras, é uma especulação hipotética sobre a possibilidade de o corpo de Jesus Cristo ser encontrado em Jerusalém e que impacto produziria na fé cristã. Todavia, o corpo de Cristo jamais será encontrado, porque ele ressuscitou dentre os mortos! (1 Co 15.23ss).

b) De 15 a 21 de abib – Festa dos Pães Asmos.
®   Uma semana sem fermento.
®   No primeiro e no sétimo dia da celebração haveria santa convocação.
®   Segundo Warren Wiersbe, essa festa representa a nossa separação do pecado, a santificação.[4]

Aplicações e Conclusão:
A própria introdução contém a aplicação:

1. O que nós entendemos por “Santa convocação”?
         Deus nos convoca para a celebração, não podemos recusar ou nos escusar!

2. Qual a melhor maneira de guardarmos o domingo?
O que responde a Confissão de Fé de Westminster e os Catecismos?

Confissão de Fé de Westminster cap. XXI.7b e 8.
VII. “...desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado Domingo, ou dia do Senhor, e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão. (Ref. Ex. 20:8-11; Gn. 2:3; I Co. 16:1-2; At. 20:7; Ap.1:10; Mt. 5: 17-18).
VIII. Este sábado é santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os seus corações e de antemão ordenado os seus negócios ordinários, não só guardam, durante todo o dia, um santo descanso das suas próprias obras, palavras e pensamentos a respeito dos seus empregos seculares e das suas recreações, mas também ocupam todo o tempo em exercícios públicos e particulares de culto e nos deveres de necessidade e misericórdia.” (Ref. Ex. 16:23-26,29:30, e 31:15-16; Is.58:13).

O Catecismo Maior
As perguntas 115 a 121 tratam da guarda do domingo. Ressalto a pergunta nº 117:
“Pergunta 117. Como deve ser santificado o Sábado ou Dia do Senhor (= Domingo)?
R: O Sábado, ou Dia do Senhor (=Domingo), deve ser santificado por meio de um santo descanso por todo aquele dia, não somente de tudo quanto é sempre pecaminoso, mas até de todas as ocupações e recreios seculares que são lícitos em outros dias; e em fazê-lo o nosso deleite, passando todo o tempo (exceto aquela parte que se deve empregar em obras de necessidade e misericórdia) nos exercícios públicos e particulares do culto de Deus. Para este fim havemos de preparar os nossos corações, e, com toda previsão, diligência e moderação, dispor e convenientemente arranjar os nossos negócios seculares, para que sejamos mais livres e mais prontos para os deveres desse dia.
Ref.: Ex 20.8,10; Ex 16.25,26; Jr 17.21,22; Mt 12.1-14; Lv 23.3; Lc 4.16; Lc 23.54-56.)
         Devemos preparar os nossos corações com previsão, diligência e moderação para estarmos livres nesse dia!

3. Se Deus fixou as festas e elas lhes pertencem, será que temos autonomia para mudá-las?
         O nosso país mantém inúmeros feriados no calendário; alguns deles são religiosos. Como podemos administrar isso?
Deus determinou essas festas para Israel e não lhes permitiu fazer qualquer alteração ou adaptação. Eles deveriam guardá-las e celebrá-las na sua presença. Cada israelita deveria comparecer.
         Creio que não precisamos comparecer a todas as festas religiosas que são propostas no calendário de nosso país (ex.: Festas de Padroeiras), sabemos que nem mesmo o Natal que celebramos aconteceu exatamente em Dezembro; mas creio estarmos incorrendo em grave erro na forma como observamos a Páscoa.
         Não podemos simplesmente fazer programas de viagem e passeios para essa data. Ela representa o centro de nossa fé: O sacrifício de Cristo por nossos pecados e sua ressurreição. Essa data tem de ser inegociável para nós cristãos em geral e também para os membros da IPJG em particular.
Não podemos simplesmente mudar as comemorações desse dia para ficarmos livres para outros afazeres! Temos de fazer é o contrário, livrarmo-nos de todos os outros compromissos para estarmos livres para a celebração desse dia, no dia designado!
         Precisamos voltar para casa e tomar a decisão de mudar a nossa atitude e o nosso planejamento familiar!
E precisamos orar para não sermos negligentes e indulgentes com o secularismo que nos cerca e cega!
Quando prepararmos os programas da próxima Páscoa, os irmãos vão comparecer?!




[1] Warren W. Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo – Levítico. Vol. 1, p.380.
[2] Oswald T. Allis. NCB, vol. 1 – Levítico; Vida Nova. p.178.
[3] O Palmer Robertson. Cristo dos Pactos. LPC, p. 62-68.
[4] Warren Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo – Levítico. Vol. 1, p.379.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...