O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A Malignidade e a Cura do Pecado


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Aula 04 = A Malignidade e a Cura do Pecado.                                (30/08/2015)
Pecados Intocáveis – Jerry Bridges – Ed. Vida Nova - págs. 23-38.
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Introdução:
Câncer é uma palavra temida, porque denota uma doença terrível, capaz de minar nossas esperanças e encher-nos de desespero. Na medicina, outro termo utilizado para descrever o câncer é “tumor maligno”, um tumor que tem potencial ilimitado de crescimento e que invade os tecidos vizinhos atingindo outras áreas do corpo por meio de metástase. Se não for impedido, alastra-se ao ponto de causar a morte.

I.  O PECADO É MALIGNO.
Pecado é malignidade moral e espiritual. Se deixado à vontade, alastra-se por todo o nosso ser, contaminando cada área de nossa vida e por metástase a vida dos outros. Nossas atitudes, palavras, ações e até pensamentos, mesmo que não verbalizados, costumam afetar as pessoas que nos cercam.
            Nossas conversas com os outros ou sobre os outros podem destruir ou edificar, corromper ou agraciar (Ef 4.29). Fofocar destrói a pessoa e perverte a mente de quem ouviu a fofoca; reclamar e murmurar sobre Deus e sua soberania instiga nosso ouvinte a fazer o mesmo. É essa forma que o pecado sai de nós e entra nos outros por metástase!

            Pecado é mais que atitudes, palavras ou pensamentos errados, é um princípio, lei ou força moral em nosso íntimo instigando-nos contra Deus e a verdade. Paulo chama isso de “carne” ou “natureza humana” (Rm 7.8-11; Gl 5.17). Apesar de nossos corações terem sido transformados, termos sido libertos do domínio absoluto do pecado, e o Espírito Santo habitar em nós, essa lei do pecado continua espreitando nosso íntimo e guerreando contra nossas almas (p.24). Não reconhecer essa verdade é providenciar para que pecados permaneçam intocáveis e aceitáveis dentro de nós!

            O pecado é pérfido (traidor, desleal, falso). Assim como o câncer não curado, ele dá a impressão de que foi vencido, mas, de repente, surge em outra parte do corpo, ou até mesmo, no mesmo lugar! Muitas vezes as manifestações do pecado são sutis, porque nos enganam e nos levam a pensar que não são tão maus assim ou simplesmente, que não são pecados. Alguns de nossos pecados são tão sutilmente requintados que os cometemos sem pensar. Negando-os inconscientemente tornamo-los “aceitáveis”, simplesmente porque nos “sentimos bem conosco mesmos”. O pecado é uma força diabólica dentro de nós.

Tolerar o pecado é tão perigoso quanto tolerar um câncer dentro de nós. Precisamos reconhecer o quanto toleramos a impaciência, o orgulho, o ressentimento, a irritação, a autocomiseração e muitos outros pecados mais sutis.

II. o pecado é transgressão contra a lei de deus.
            Lidar com a malignidade do pecado é algo deprimente e sombrio, porém, “quando percebermos como a notícia ruim é má, teremos mais capacidade de entender como a notícia boa é ótima” (p. 26). O pecado destrói nossa humanidade, mas também atinge o coração de Deus. Pecar é transgredir as leis de Deus (Lv 16.21). Transgredir é rebelar-se contra a autoridade. Deus é santo (Is 6.1-8) e o pecado é uma transgressão contra o caráter santo de Deus. Pecar é desprezar a lei de Deus e também o próprio Deus. Quando Davi pecou, Natã lhe disse que ele havia desprezado tanto a Lei de Deus quanto ao próprio Deus (2Sm 12.9,10).

Nossos pecados entristecem a Deus (Ef 4.28,29) e abusa de sua graça, pois a razão da morte de Cristo foi a condenação de nossos pecados. Tolerar o pecado é tornar aceitável as razões que levaram Cristo à cruz! Perdão não é fazer vista grossa e tolerar o pecado. Deus perdoa nosso pecado porque Cristo derramou o seu sangue por nós, mas ele não o tolera. É aqui que reside a malignidade do pecado, Cristo sofreu por causa de nossos pecados, todos eles. Isso não diz respeito apenas às pessoas não convertidas ao evangelho, mas diz respeito a todos, especialmente os cristãos convertidos pelo evangelho a Cristo.

III. A CURA DO PECADO É O EVANGELHO DE CRISTO.
            A cura para nossos pecados, sejam vergonhosos ou “aceitáveis”, é o evangelho em sua maior abrangência. Paulo resume o evangelho ao afirmar “Cristo veio ao mundo para salvar pecadores, dos quais eu sou o principal” (1 Tm 1.15). Paulo não diz que ele “foi”, mas ele diz que ele “é” o principal dos pecadores. Somos grandes pecadores e Cristo é o nosso grande salvador. O evangelho é a boa notícia de que na obra total de Cristo (vida, morte, ressurreição) recebemos gratuita e graciosamente o perdão para os nossos pecados. 
      
      Há três observações fundamentais sobre o evangelho:
   1.      O evangelho é só para os pecadores.
Estamos equivocados se pensamos que somente os incrédulos precisam do evangelho. Todos os mandamentos éticos e as exortações do Novo Testamento pressupõem que o pecado continua presente em nosso viver. Por isso temos de lidar com ele cotidianamente. São propósitos da Escritura corrigir e repreender o homem de Deus (2Tm 3.16). Aceitar minha condição de necessitado do evangelho cotidianamente e uma apunhalada contra o moralismo que nos ajuda a enfrentar o pecado com muito mais realismo.

   2.      O evangelho nos prepara e liberta para encarar o pecado.
Nós nos sentimos culpados porque realmente somos culpados. Reconhecer o pecado é mais que simplesmente aceitar intelectualmente que fui egoísta no dia tal, quando fiz tal coisa; é, na verdade, encarar o fato de que naquele dia tal agi com egoísmo porque eu sou egoísta por natureza. A grande verdade da cruz é que Cristo pagou os meus pecados para eu ficar livre para lidar com eles. Deus dá baixa no meu pecado porque já o creditou a Jesus pendurado na cruz.

   3.      O evangelho nos motiva e nos fortalece para lidarmos com o pecado.
Uma vez livres pelo evangelho recebemos o mandamento para “mortificarmos o pecado em nós” (Rm 8.13; Cl 3.5). O único pecado com o qual poderemos lidar com sucesso é o pecado já perdoado na cruz.

CONCLUSÕES:
Saber que Deus não nos culpa mais pelos pecados nos dá duas certezas:
   a)      Deus está conosco, e não contra nós (Rm 8.31).
Não estamos sozinhos lutando contra o pecado.

   b)      Gratidão pelo que Deus já fez e continua fazendo em nossas vidas.
O encorajamento divino e a gratidão geram em nós o desejo de lutar e vencer o pecado. Ter a obrigação de vencer o pecado, mas não ter a disposição para fazê-lo, resulta em canseira. A bondade de Deus se revela explicitamente no evangelho ao providenciar os meios para lutarmos e vencermos.
Que devemos fazer? Pregar o evangelho para nós mesmos todos os dias.

TAREFA:
Leia esses textos aplicando-os a si mesmo e decore alguns: Salmo 103.12; Isaías 43.25; Isaías 53.6; Romanos 4.7,8; Romanos 8.1; Salmo 130.3,4; Isaías 1.18; Isaías 38.17; Miquéias 7.19; Efésios 1.7; Colossenses 2.13,14; Hebreus 8.12 e 10.17,18.

Confira o que acabou de aprender com as letras dos seguintes hinos:
·         Firme nas Promessas (NC nº 177).
·         Rocha Eterna (NC nº 136)
·         Firmeza na fé (NC nº 93).


O Desaparecimento do Pecado


Aula 03 – O Desaparecimento do Pecado
Rev. Dyeenmes Procópio de Carvalho

Introdução

            Num artigo intitulado “What! Me? A Sinner?” [Como? Eu? Pecador?], há uma interessante a alarmante constatação:

“Na Inglaterra do século XX, C. S. Lewis explicou: ‘A barreira que mais encontro é a falta quase total de algum senso de pecado em meus ouvintes’. Em 2001, D. A. Carson, estudioso do Novo Testamento, afirmou que o aspecto mais frustrante de pregar o evangelho em universidades é o fato de, no geral, os alunos não terem noção de pecado. ‘Eles sabem pecar muito bem, mas não conhecem a natureza do pecado’”.

Essas afirmações simplesmente confirmam o que parece óbvio a muitos observadores: a noção geral de pecado quase desapareceu da sociedade. Vemos, então que o conceito integral de pecado praticamente sumiu da sociedade em geral, e tem sido abrandado em muitas igrejas para não ferir a consciência moderna. Na verdade, as palavras severas que a Bíblia usa em relação ao pecado foram banidas de nosso meio. As pessoas não adulteram mais; elas têm casos. Os executivos não roubam; eles comentem fraude.


1)- HIPOCRISIA CRISTIANIZADA
           
            É fácil condenarmos esses pecados óbvios (adultério, aborto, homossexualismo, assassinato e etc.) enquanto ignoramos nossos pecados da fofoca, orgulho, inveja, amargura, luxúria, ou até a nossa falta de qualidade amáveis que Paulo chama de frutos do Espírito (Gl. 5.22, 23). Parece que nos preocupamos mais com os pecados da sociedade do que com os pecados dos santos. Na verdade, muitas vezes nos esbaldamos nos pecados que podemos chamar de “intocáveis” ou até “aceitáveis” sem termos qualquer noção de pecado. As fofocas indelicadas sobre um irmão ou irmã em Cristo fluem dos nossos lábios sem que tenhamos mínima concepção de pecado. Guardamos mágoas de um passado distante sem nenhum esforço de perdoar como Deus nos perdoou. Lançamos nosso desdém religioso sobre os “pecadores” sem nos lembrar, em humildade de alma, que, se não fosse pela graça de Deus, estaríamos na mesma situação.

            É fácil livrar a própria cara dizendo que esses pecados não são tão vergonhosos quanto os cometidos pela sociedade. Acontece que Deus não nos deu autoridade para estabelecer graus de pecados. Pelo contrário, ele afirma por meio de Tiago: “Pois qualquer um que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, torna-se culpado de todos” (2.10). Temos dificuldade de entender esse versículo porque pensamos em termos de leis individuais com suas respectivas punições. Mas a lei de Deus é indivisível. A Bíblia, várias vezes, fala da lei de Deus como uma unidade. Quando alguém comete assassinato, quebra a lei de Deus. Quando um cristão deixa que palavras corruptas (ou seja, que devastam outra pessoa) saiam da sua boca (v. Ef. 4.29), ele transgride a lei de Deus.

2)- Jeitinho brasileiro: pecado?!?! Não é possível!!!

As pesquisas revelaram que a primeira menção sobre o jeito aparece no Brasil para Principiantes, de Peter Kellemen. Na edição consultada, que data de 1961, o jeito é tido como uma caricatura da cultura.
            O jeito, em outro livro, Interpretação da Realidade Brasileira de 1973, é reconhecido como um fenômeno cultural positivo e característico da vivacidade e flexibilidade do brasileiro.
            Em 1982, foi publicado um livro do sacerdote franciscano Bernardino Leers chamado Jeito brasileiro e Norma Absoluta. Segundo ele, o jeito nada mais é do que a reação ortopráxica em oposição à ortodoxia dos dogmas da Igreja Católica Romana criados ao longo da vivência real e comum do povo.
            Roberto da Matta menciona que o fenômeno do jeito pode ser encontrado já no primeiro documento do Brasil, a carta de Pedro Vaz de Caminha. O autor conclui o documento com um pedido ao Rei de Portugal para transferir o domínio da Ilha de São Tomé ao seu genro Jorge de Osório.
            O brasileiro gosta de sentir prazer no que faz. O rotineiro está relacionado ao trabalho, às obrigações e responsabilidades. O que vale a pena fazer está ligado ao prazer à realização pessoal. Sendo, a personalidade do brasileiro é mais atraída pelas diretrizes do coração do que da razão.
             Conclui-se que, mesmo sendo cristão, somos brasileiros e temos de sobreviver na sociedade do jeito, que é afinal, a moeda corrente para se “navegar na vida”. Por causa da sobrevivência, alguns cristãos brasileiros têm-se valido diariamente do jeito como “tábua de salvação”.
            Como podemos definir ou resumir o “jeitinho brasileiro”? Talvez uma tentativa fosse dizer que o “jeitinho” é encontrar uma resposta, uma saída, para uma situação que em geral não se quer ou não se pode enfrentar; é se livrar de uma situação; é fazer com que as coisas andem de acordo com os desejos de alguém; é fechar os olhos para situações que podem prejudicar o indivíduo; é contornar as normas; é tirar vantagem de uma situação; enfim, é abrir o caminho para que as coisas aconteçam como se gostaria.
            A publicitária Christina Carvalho Pinto Moy afirmou que o “jeitinho brasileiro” é uma espécie de síntese de todos os pecados. Ela acrescenta: “o brasileiro é um pecador incontrolável. Famoso pelo jeitinho com que lida com os temas delicados, pelo já crônico desrespeito às instituições e tido como ‘corpo mole’, ele comete diariamente pecados que já se tornaram folclore”.
            Embora a temática da aula seja o desaparecimento da noção de pecado da nossa cultura, é necessário que se faça justiça, pois o “jeitinho brasileiro” tem também um lado positivo. Por exemplo na Segunda Guerra Mundial, na campanha dos Apeninos, quando em pleno inverno ocorreram sucessivas baixas de soldados que tiveram os pés congelados. Feita a investigação, o serviço médico descobriu que a maior parte das baixas ocorrera, não entre os brasileiros, mas entre os soldados norte-americanos que já conheciam a neve. Analisando a causa, logo veio a resposta: ao avanço do frio, os pracinhas brasileiros cuidaram logo de enrolar seus pés em jornais, enquanto seus companheiros americanos esperavam orientação do serviço médico.
            Contudo, há também o lado negativo do jeito. Um exemplo da fuga da aplicação da lei é quando um motorista comete uma infração no trânsito e a pontuação da sua habilitação já está no limite permitido. Ele procura alguém da família habilitado que não tenha acumulado pontuação ou que seja menor que a dele e solicita que a infração seja atribuída a essa pessoa.
Outro aspecto do jeito é a sua individualidade. O antropólogo Roberto da Matta afirma que “o grande pecado do brasileiro é achar que é uma pessoa que deve ser tratada de modo especial. Essa coisa de querer levar vantagem em tudo é encarada seriamente pela maioria”. Por exemplo, foram cunhadas no Brasil a expressão “efeito Gerson” ou “lei de Gerson” que significam levar vantagem em alguma coisa.  Essa expressões surgiram a partir de 1976 devido a uma série de doze comerciais do cigarro Vila Rica, veiculada durante três anos na imprensa fala e escrita. O protagonista da série foi o então jogador brasileiro de futebol, Gérson Nunes de Oliveira. Numa reportagem (“Em nome da Lei, Certo”, Veja, 08/05/91, pp. 56-58), Gerson explicou que apenas leu o script da agência de propaganda. A ideia era vender um cigarro 100 milímetros por três cruzeiros (moeda da época), enquanto seus concorrentes custavam cinco. Essa era a vantagem. Embora a frase “Leve vantagem, leve Vila Rica” tenha aparecido num comercial anterior, foi o Gerson Nunes que passou a carregar esses estigma.
Em resumo, devido à influência da cultura da época sobre nossas preconcepções, corremos o risco de demonizar ou repudiar pecados culturalmente condenados, e abraçar outros como se fossem “legalizados”. O jeito brasileiro talvez seja uma das formas mais comuns de se pecar hoje no Brasil.

2)- O QUE É PECAR?

            O apóstolo João escreveu: “O pecado é a transgressão da lei” (1 Jo. 3.4).  Todo pecado, até mesmo aquele que achamos insignificante, é rebeldia contra a lei. Não se trata apenas de descumprimento de um único mandamento; é total desrespeito pela lei de Deus, é rejeição deliberada ao seu padrão moral em favor dos nossos próprios desejos.
            Os pecados normalmente não resultam de fracassos em nossas tarefas, mas de um anseio de satisfazermos nossos desejos. Como disse Tiago: “Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz” (Tg. 1.14). Fofocamos ou cobiçamos por causa do prazer pecaminosos que isso nos dá. Na hora, a sedução daquele prazer momentâneo é mais forte do que o desejo de agradar a Deus.
            Pecado é pecado. Mesmo os que classifico de “pecados aceitáveis pelos santos” – aqueles que toleramos em nossa vida – são graves aos olhos de Deus. O orgulho religioso, as atitudes críticas, os mexericos, a impaciência e a ira, e até mesmo a ansiedade (Fp. 4.6), tudo isso é coisa séria aos olhos de Deus.
            Ao enfatizar a necessidade de buscarmos a justificação unicamente por meio da fé em Cristo, o apóstolo Paulo cita o Antigo Testamento: “Maldito todo aquele que não permanece na prática de todas as coisas escritas no livro da lei” (Gl. 3.10). Felizmente, Paulo nos garante que Cristo “nos resgatou da maldição da lei, tornando-se maldição em nosso favor” (Gl. 3.13). No entanto, permanece o fato de que os pecados aparentemente insignificantes que toleramos em nossa vida merecem, sim, a condenação de Deus.

3)- NATUREZA DO PECADO

O pecado não tem existência autônoma. O pecado, como já vimos, não extinguiu completamente a imagem de Deus. Contudo, mudou a direção para a qual nos movemos. Isto é, o homem usa a capacidade e habilidades de ser à imagem de Deus para pecar. O pecado é um modo perverso de usar as faculdades que Deus deu ao homem para que fosse sua imagem. O pecado, portanto, não é alguma coisa física, mas ética. Ele não foi criado com a criação, mas surgiu depois da criação; é uma deformação do que existe.

O pecado é sempre em relação a Deus e sua vontade. Muitas pessoas consideram o que os cristão chamam de pecado uma mera imperfeição – uma espécie de imperfeição que é um aspecto normal da natureza humana. De acordo com a Escritura, o pecado é sempre uma transgressão da lei de Deus. Quando dizemos “lei” queremos dizer a vontade de Deus, embora resumida, expressada nos Dez Mandamentos.
A “norma da lei gravada no seu coração” que Paulo diz em Rm. 2.14-16, isto é, das pessoas que jamais viram uma Bíblia, encontra-se especificamente exposta no Decálogo ou os Dez Mandamentos, em êxodo 20 e Deuteronômio 5. Essa lei é faz o ser humano conhecer o seu pecado. As seguintes passagens da Bíblia confirmam isso: “pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm. 3.20b); “mas eu não teria conhecido o pecado, senão pelo intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: não cobiçarás” (Rm. 7.7b); “se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo argüidos pela lei como transgressores” (Tg. 2.9); “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei; porque o pecado é a transgressão da lei” (I Jo. 3.4).

A fonte do pecado é o que a Escritura chama de “coração”. Agostinho costumava dizer que o pecado tem a sua fonte na vontade do homem. O que geralmente chamamos de “vontade”, é simplesmente outro nome para a pessoa inteira no ato de tomar decisões. A vontade, ou desejo, jamais é exercida sem a cooperação de outros aspectos da personalidade, como o intelecto e a emoção. Por detrás do desejar/querer está a pessoa que deseja/quer. Usando a linguagem da Escritura, o pecado tem sua fonte no coração. A comprovação bíblica dessa afirmação está em Pv. 4.23; Jr. 17.9; Mt. 15.19; Lc. 6.45.

     O pecado abrange pensamentos e ações.Pensamentos podem ser pecaminosos assim como palavras ou atos, como ficar claro no décimo mandamento, que proíbe a cobiça. Jesus ensina claramente que o pensamento adúltero já é pecado de adultério, mesmo quando não é levado a efeito (Mt. 5.28). Paulo, de fato, fala da “concupiscência da carne” em Gl. 5.16,17, 24.

O pecado envolve igualmente culpa e corrupção. Na exposição da aula passada sobre depravação generalizada e incapacidade espiritual, vimos que a corrupção do pecado original se faz presente também em nossos pecados atuais. O pecado atual não apenas se origina da corrupção contida no pecado original, mas também intensifica essa corrupção. Atos pecaminosos freqüentemente conduzem a hábitos pecaminosos, e hábitos pecaminosos podem finalmente produzir um tipo e vida completamente pecaminoso.

O pecado é, na origem, uma forma de orgulho.Já vimos isso na narrativa da Queda: a serpente despertou o orgulho no coração de Eva, dizendo: “Porque Deus sabe que no dia em que comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn. 3.5). Já mencionamos que o pecado fundamental dos anjos caídos foi o orgulho. O que aconteceu no primeiro pecado do homem e no primeiro pecado dos anjos ainda acontece em cada pecado hoje. Fundamentalmente, o pecado significa não reconhecer nossa total dependência de Deus e desejar autonomia. Em outras palavras, o pecado é basicamente interesse próprio: querer as coisas ao nosso modo e não segundo a vontade de Deus.

O pecado geralmente é dissimulado. Três observações são necessárias para explicar essa afirmação. 
1)- O pecado é sempre cometido por uma “boa razão”. Eva comeu o fruto proibido porque imaginou que fosse um modo de tornar-se mais semelhante a Deus. Uma pessoa rouba porque pensa que necessita mais do dinheiro do que o dono. Visto que somos criaturas “racionais”, sempre quere ter razões para fazer as coisas. Se as razões que damos quando pecamos são as razões reais, isto é outra história. Os psicólogos chamam esse processo de “racionalização” – as pessoas tendem a inventar razões para fazer o que sabem que não deveriam fazer, mas, apesar disso, querem fazer. 
2)- Não conseguimos muitas vezes reconhecer o nosso próprio pecado. Passagens clássicas da Bíblia como a do salmo de Davi (Sl. 19.12) e de Moisés (Sl. 90.8) mostram claramente nossa dificuldade de reconhecer nossos próprios erros (Mt. 7.3). 3)- Inclinamo-nos, freqüentemente, a encobrir os nossos pecados. O famoso episódio de Davi diante do profeta Natã (II Sm. 12.1-15) ilustra bem isso.

CONCLUSÃO

            Devemos confessar, com tristeza, o conceito de pecado entre muitos cristãos conservadores foi praticamente redefinido para abranger apenas os pecados obviamente nojentos da sociedade. Mas a questão é que todo pecado – não importa se temos ou não consciência dele – é asqueroso aos olhos de Deus e merece seu castigo.
            Na realidade, o paradoxo é que os cristãos que mais produzem o fruto do Espírito são aqueles que estão muito mais cientes desses famosos pecados aceitáveis em suas vidas e que sofrem no íntimo por causa deles.
            Deus não nos abandonou. Ele continua sendo Pai celeste de cristãos verdadeiros, e continua trabalhando entre nós e chamando-nos ao arrependimento e renovação. Oremos para que Deus se agrade de usar esse semestre para esse fim.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Sexo ou Gênero?


Sexo ou Gênero?

Temos acompanhado uma grande discussão nacional em torno da inclusão da ideologia de gênero no ensino público brasileiro. Todavia, será que estamos por dentro do verdadeiro significado dessa proposta?

No livro Sociologia em Movimento, Ed. Moderna, pags. 337ss. (distribuído pelo MEC para o ensino médio) consta que "O conceito de gênero não se fundamenta em um princípio evolutivo, biológico ou morfológico, e sim em uma construção social”, isto é, "uma construção cultural estabelecida socialmente através de símbolos e comportamentos, e não uma determinação de diferenças anatômicas entre os seres humanos" (p. 339).

Isso quer dizer que identidade de gênero é algo totalmente diferente de sexo, pois diz respeito a uma escolha do indivíduo quanto ao seu comportamento sexual e não à sua conformação sexual anatômica em si. A ideologia de gênero prega, na verdade, a formação de indivíduos sexualmente versáteis, que decidirão que tipos de comportamento sexual adotarão para a sua conduta pessoal.

Está em andamento uma apologia aberta ao fim da família como a conhecemos, com o propósito de se produzir a verdadeira igualdade e liberdade humana. Os proponentes da “identidade de gênero” acusam a sociedade patriarcal, da qual a igreja e a família estão no fundamento, como uma das principais explicações para a discriminação social, e que a forma de se reverter esse quadro social é por meio de uma reconstrução dos papéis sociais estabelecidos.

Nos escritos desses ideólogos sociais a “família burguesa” ou “família patriarcal” que precisa ser desconstruída é a família natural, formada por um pai-marido, uma mãe-esposa e por filhos, e substituída por uma “família” mais versátil, onde os papeis não sejam tão estruturalmente definidos.

Nas Escrituras, especialmente em Paulo, quando os problemas de relações humanas e familiares são tratados, os autores bíblicos remetem a base das relações para a criação (1 Co 7; Ef 5). Os papéis são definidos por Deus e organizados segundo o critério da ordem da criação.

As acusações de que todos os males sociais têm seu fundamento nessa ordem são falaciosas e grosseiras, pois o evangelho cristão sempre teve uma conotação libertadora dos indivíduos. Os erros apontados pelos críticos do modelo cristão ignoram que sua causa advém exatamente do pecado e suas conseqüências nefastas na vida das sociedades. Essa ousadia perniciosa em desobedecer e declarar maliciosamente a sua liberdade perante Deus.

A ideologia de gênero navega pelas mesmas águas que sempre navegaram as ideologias que negam a soberania divina sobre a criação. É um equívoco crer que a libertação dos sistemas cristãos promoverá mais igualdade entre as pessoas, pois a história sempre mostrou que o oposto é o que acontece: Mais opressão e mais totalitarismo.
                                                                       Com amor, Pr. Hélio.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Santos Comuns


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Igreja Presbiteriana Jardim Goiás - Goiânia-GO.
Aula 02 = Santos Comuns                                                          (09/08/2015)
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Introdução:
João 8.7 e Mateus 7.1. Quem não tem pecado atire a primeira pedra!

Nosso objetivo nesse semestre é abordar o tema da prática de pecados por nós cristãos. Não aqueles pecados mais comuns e conhecidos da sociedade, mas daqueles pecados mais sutis e menos óbvios que muitas vezes passam despercebidos e não são devidamente tratados por nós.

Tratar do tema dos pecados intocáveis não é abraçar a desesperança, mas ao contrário, é mostrar as instruções bíblicas que nos ensinarão a lidar seriamente com cada um deles. O evangelho é a boa nova de que Deus lida com a culpa do pecado e com o domínio do pecado sobre nós. Aprendemos que na justificação Deus tratou com a condenação do pecado, perdoando-nos; na santificação ele trata com o poder do pecado santificando-nos e na glorificação ele tratará com a presença do pecado lançando-o para bem longe de nós!

Entretanto, o evangelho tem sua eficácia somente sobre pecadores arrependidos e que reconhecem sua necessidade dele. O evangelho é a dádiva essencial de Deus para vencermos o pecado diariamente.

I.  CHAMADOS PARA SER SANTOS.

            Os crentes de Corinto eram orgulhosos e rebeldes; tolerantes para com a indecência; processavam publicamente uns aos outros; relapsos quanto ao casamento; vangloriavam-se de liberdade cristã; exageravam na celebração da ceia; estavam equivocados quanto aos dons espirituais e confusos quanto à ressurreição. Todavia em 1 Coríntios 1.2 e 2 Coríntios 1.1 Paulo se refere aos crentes de Corinto como “santos”. Mas eles nos parecem tão mundanos, carnais e imaturos!

            No catolicismo são chamados de santos aqueles cristãos de caráter e realizações excepcionais, e ainda assim, recebem esse título honorífico só depois de sua morte. Em contrapartida, na tradição ortodoxa grega, o termo quase não é utilizado.

            Por outro lado, Paulo usa a expressão aplicada a todos os crentes em quase todas as suas cartas: Rm 1.7; 16.15; 1 Co 1.2; 2 Co 1.1; Ef 1.1; Fp 1.1; 4.21,22; Cl 1.2. Ele aplica a palavra a todos os crentes comuns.

II. O QUE SIGNIFICA SER SANTO NAS ESCRITURAS?

            O termo grego traduzido por “santo” no Novo testamento é “hagios”, referindo-se não ao caráter da pessoa, mas ao seu estado de ser na presença de Deus. Significa literalmente “separado para Deus”. É nesse sentido que cada cristão, por mais imaturo e simples que seja, é santo.

            Os crentes, na verdade, são santificados e chamados para serem santos (1 Co 1.2). O santo é aquele que foi santificado (separado) para Deus.

            A ênfase não recai na separação em si, mas na sua separação por Deus, para ele mesmo. É Deus quem os separa, e o faz para si, para os seus propósitos. O objetivo da crucificação de Cristo foi separar para si um povo exclusivo seu (Tt 2.14). Quando Jesus se entregou à cruz, na verdade ele estava nos resgatando do pecado, comprando-nos de volta para Deus (1 Co 6.19,20). “Santo é alguém que Cristo comprou com o seu sangue na cruz e separou para si mesmo como sua propriedade” (Pecados Intocáveis; Jerry Bridge, p. 13).

            Deus nos separou para si a fim de glorificá-lo cada vez mais à medida que ele transforma nosso caráter à semelhança de Cristo.

            Antes de tudo, santidade tem a ver, não com realizações ou perfeições de caráter, mas com um novo estado de ser diante de Deus – uma condição inteiramente nova de viver gerada pelo Espírito Santo. Paulo descreve isso como “sair das trevas para a luz, e do poder de satanás para Deus” (At 26.18). Por meio de Cristo, Deus nos libertou do império das trevas e nos transportou para o seu reino (Cl 1.13).

            Não é o nosso comportamento que nos torna santos, somos feitos santos pela ação sobrenatural do Espírito Santo que nos faz ser novas criaturas (2 Co 5.17). Se Deus não nos der um novo coração, de carne ao invés de pedra, jamais nos tornaríamos santos! (Ez 36.26).

            Dar um novo coração não significa uma substituição imediata, porque isso implicaria em que não pecaríamos mais. Todavia o testemunho bíblico é que mesmo depois da conversão continuamos pecadores e continuamos a pecar por meio de palavras, pensamentos e ações; continuamos pecando por comissão e por omissão. A diferença é que agora temos uma provisão contínua da parte de Deus para as nossas lutas contra o pecado: O Espírito Santo.

III. A BATALHA ESPIRITUAL E A SANTIDADE.

            Paulo nos esclarece essa questão em Gálatas 5.16-25. Nossa natureza pecaminosa luta contra a ação santificadora do Espírito Santo em nós! Essa guerra entre Carne X Espírito acontece diariamente dentro de nós. Os desejos carnais combatem contra nossas almas (1 Pe 2.11).

            É claro nas Escrituras, que apesar de recebermos definitivamente um novo coração (Ez 36.26; 2 Co 5.17) o resultado visível disso não é instantâneo e absoluto;é progressivo e contínuo durante toda nossa vida. Esse reconhecimento não justifica a lassidez e negligência na luta contra o pecado, porque Deus nos chamou e separou para que vivêssemos em santidade.

            Paulo chama os coríntios de santos e os exorta vigorosamente a viverem como tal. Devemos viver de acordo com o que já somos. Dessa forma, fica evidente que existem formas de conduta que são impróprias a santos e também existem formas de conduta que são apropriadas a santos. O capítulo 5 de Efésios labora nessa forma de entendimento ao afirmar que devemos andar em amor (5.2), como filhos da luz (5.8) e como sábios (5.15).

            Na Bíblia, a palavra que define a conduta imprópria dos santos é “pecado”. Pecado abrange uma variedade muito grande de comportamentos inadequados à santidade de Deus. Embora possamos discernir graus de seriedade quanto aos pecados cometidos, pecado sempre será pecado; e como tal, uma conduta imprópria a santos que pertencem a Deus e devem viver para a sua glória.

CONCLUSÕES:
            Há dois problemas que precisamos lidar logo de saída ao tratar de pecados intocáveis:
   1.      Nós não nos vemos como santos, portanto, por que e para que desejar sê-lo?

   2.      Não achamos que pecados como fofoca, impaciência, mentirinha etc., sejam pecados condenáveis.
Refugiamo-nos na ideia equivocada de que pecado é o que os não salvos fazem, mas não os “pequenos deslizes aceitáveis” que cometemos uns com os outros eventualmente.

            João nos adverte do perigo de acharmos que por que somos cristãos, não cometemos mais pecados. Ter essa atitude é chamar Deus de mentiroso e não ter a sua Palavra em nós (1 Jo 1.10).


            Ao aprofundarmos nossa compreensão do pecado, também aprofundaremos nossa compreensão da graça salvadora e santificadora de Deus em nós, a nosso favor.
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