O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Santos Comuns


--------------------------------------------------------------------------------------------------------
Igreja Presbiteriana Jardim Goiás - Goiânia-GO.
Aula 02 = Santos Comuns                                                          (09/08/2015)
--------------------------------------------------------------------------------------------------------

Introdução:
João 8.7 e Mateus 7.1. Quem não tem pecado atire a primeira pedra!

Nosso objetivo nesse semestre é abordar o tema da prática de pecados por nós cristãos. Não aqueles pecados mais comuns e conhecidos da sociedade, mas daqueles pecados mais sutis e menos óbvios que muitas vezes passam despercebidos e não são devidamente tratados por nós.

Tratar do tema dos pecados intocáveis não é abraçar a desesperança, mas ao contrário, é mostrar as instruções bíblicas que nos ensinarão a lidar seriamente com cada um deles. O evangelho é a boa nova de que Deus lida com a culpa do pecado e com o domínio do pecado sobre nós. Aprendemos que na justificação Deus tratou com a condenação do pecado, perdoando-nos; na santificação ele trata com o poder do pecado santificando-nos e na glorificação ele tratará com a presença do pecado lançando-o para bem longe de nós!

Entretanto, o evangelho tem sua eficácia somente sobre pecadores arrependidos e que reconhecem sua necessidade dele. O evangelho é a dádiva essencial de Deus para vencermos o pecado diariamente.

I.  CHAMADOS PARA SER SANTOS.

            Os crentes de Corinto eram orgulhosos e rebeldes; tolerantes para com a indecência; processavam publicamente uns aos outros; relapsos quanto ao casamento; vangloriavam-se de liberdade cristã; exageravam na celebração da ceia; estavam equivocados quanto aos dons espirituais e confusos quanto à ressurreição. Todavia em 1 Coríntios 1.2 e 2 Coríntios 1.1 Paulo se refere aos crentes de Corinto como “santos”. Mas eles nos parecem tão mundanos, carnais e imaturos!

            No catolicismo são chamados de santos aqueles cristãos de caráter e realizações excepcionais, e ainda assim, recebem esse título honorífico só depois de sua morte. Em contrapartida, na tradição ortodoxa grega, o termo quase não é utilizado.

            Por outro lado, Paulo usa a expressão aplicada a todos os crentes em quase todas as suas cartas: Rm 1.7; 16.15; 1 Co 1.2; 2 Co 1.1; Ef 1.1; Fp 1.1; 4.21,22; Cl 1.2. Ele aplica a palavra a todos os crentes comuns.

II. O QUE SIGNIFICA SER SANTO NAS ESCRITURAS?

            O termo grego traduzido por “santo” no Novo testamento é “hagios”, referindo-se não ao caráter da pessoa, mas ao seu estado de ser na presença de Deus. Significa literalmente “separado para Deus”. É nesse sentido que cada cristão, por mais imaturo e simples que seja, é santo.

            Os crentes, na verdade, são santificados e chamados para serem santos (1 Co 1.2). O santo é aquele que foi santificado (separado) para Deus.

            A ênfase não recai na separação em si, mas na sua separação por Deus, para ele mesmo. É Deus quem os separa, e o faz para si, para os seus propósitos. O objetivo da crucificação de Cristo foi separar para si um povo exclusivo seu (Tt 2.14). Quando Jesus se entregou à cruz, na verdade ele estava nos resgatando do pecado, comprando-nos de volta para Deus (1 Co 6.19,20). “Santo é alguém que Cristo comprou com o seu sangue na cruz e separou para si mesmo como sua propriedade” (Pecados Intocáveis; Jerry Bridge, p. 13).

            Deus nos separou para si a fim de glorificá-lo cada vez mais à medida que ele transforma nosso caráter à semelhança de Cristo.

            Antes de tudo, santidade tem a ver, não com realizações ou perfeições de caráter, mas com um novo estado de ser diante de Deus – uma condição inteiramente nova de viver gerada pelo Espírito Santo. Paulo descreve isso como “sair das trevas para a luz, e do poder de satanás para Deus” (At 26.18). Por meio de Cristo, Deus nos libertou do império das trevas e nos transportou para o seu reino (Cl 1.13).

            Não é o nosso comportamento que nos torna santos, somos feitos santos pela ação sobrenatural do Espírito Santo que nos faz ser novas criaturas (2 Co 5.17). Se Deus não nos der um novo coração, de carne ao invés de pedra, jamais nos tornaríamos santos! (Ez 36.26).

            Dar um novo coração não significa uma substituição imediata, porque isso implicaria em que não pecaríamos mais. Todavia o testemunho bíblico é que mesmo depois da conversão continuamos pecadores e continuamos a pecar por meio de palavras, pensamentos e ações; continuamos pecando por comissão e por omissão. A diferença é que agora temos uma provisão contínua da parte de Deus para as nossas lutas contra o pecado: O Espírito Santo.

III. A BATALHA ESPIRITUAL E A SANTIDADE.

            Paulo nos esclarece essa questão em Gálatas 5.16-25. Nossa natureza pecaminosa luta contra a ação santificadora do Espírito Santo em nós! Essa guerra entre Carne X Espírito acontece diariamente dentro de nós. Os desejos carnais combatem contra nossas almas (1 Pe 2.11).

            É claro nas Escrituras, que apesar de recebermos definitivamente um novo coração (Ez 36.26; 2 Co 5.17) o resultado visível disso não é instantâneo e absoluto;é progressivo e contínuo durante toda nossa vida. Esse reconhecimento não justifica a lassidez e negligência na luta contra o pecado, porque Deus nos chamou e separou para que vivêssemos em santidade.

            Paulo chama os coríntios de santos e os exorta vigorosamente a viverem como tal. Devemos viver de acordo com o que já somos. Dessa forma, fica evidente que existem formas de conduta que são impróprias a santos e também existem formas de conduta que são apropriadas a santos. O capítulo 5 de Efésios labora nessa forma de entendimento ao afirmar que devemos andar em amor (5.2), como filhos da luz (5.8) e como sábios (5.15).

            Na Bíblia, a palavra que define a conduta imprópria dos santos é “pecado”. Pecado abrange uma variedade muito grande de comportamentos inadequados à santidade de Deus. Embora possamos discernir graus de seriedade quanto aos pecados cometidos, pecado sempre será pecado; e como tal, uma conduta imprópria a santos que pertencem a Deus e devem viver para a sua glória.

CONCLUSÕES:
            Há dois problemas que precisamos lidar logo de saída ao tratar de pecados intocáveis:
   1.      Nós não nos vemos como santos, portanto, por que e para que desejar sê-lo?

   2.      Não achamos que pecados como fofoca, impaciência, mentirinha etc., sejam pecados condenáveis.
Refugiamo-nos na ideia equivocada de que pecado é o que os não salvos fazem, mas não os “pequenos deslizes aceitáveis” que cometemos uns com os outros eventualmente.

            João nos adverte do perigo de acharmos que por que somos cristãos, não cometemos mais pecados. Ter essa atitude é chamar Deus de mentiroso e não ter a sua Palavra em nós (1 Jo 1.10).


            Ao aprofundarmos nossa compreensão do pecado, também aprofundaremos nossa compreensão da graça salvadora e santificadora de Deus em nós, a nosso favor.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...