O Bom pastor e seus comentários

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sábado, 30 de abril de 2011

Aula 10 = A Doutrina Bíblica do Pacto das Obras/Criação


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Par Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 10 – A DOUTRINA BÍBLICA DO PACTO DAS OBRAS/CRIAÇÃO 1º/05/2011.
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A. Introdução:
O estado original do homem em sua relação com Deus (vida religiosa) tinha suas raízes numa aliança, conhecida como aliança, ou pacto das obras ou pacto da criação. A Escritura apresenta claramente o caminho da salvação na forma de uma aliança no paralelo que Paulo traça entre Adão e Cristo (Rm 5), logo o estado de integridade de Adão deve ser visto também em termos de uma aliança.

Essa forma de entender a relação do homem com Deus é conhecida historicamente de teologia do pacto ou teologia federal (representativa. Do latim foedus = aliança, pacto, tratado, convenção, união). Sua sistematização final aconteceu no período da Reforma; inicialmente com Bullinger (Compêndio da Religião Cristã); depois Oleviano e finalmente Cocceio (1648). A doutrina do pacto é a espinha dorsal da Confissão de de Fé de Westminster. A doutrina do pacto das obras (da criação) teve fraca receptividade na teologia católico-romana e na luterana devido sua atitude de rejeição da doutrina da imputação imediata do pecado de Adão aos seus descendentes.

Nos EUA está presente nos escritos de Charles Hodge, Thornwell, Breckenridge e Dabney. Na Holanda foi ensinada por Abraham Kuyper e Herman Bavinck, influenciando a Teologia Sistemática de Berkhoff, que é adotada nos seminários presbiterianos brasileiros desde 1970. Por essa razão, a fé Reformada é conhecida como a teologia do Pacto.

O. Palmer Robertson define que "pacto é um vínculo de sangue administrado soberanamente" (p.8). Ele sempre contém o sentido de vínculo ou relacionamento, antes que a idéia de "obrigação" ou "compromisso". O elemento essencial de um pacto é que alguém fica vinculado a outrem pelo estabelecimento de um compromisso. O vínculo leva a obrigações graciosas da parte de Deus para com o homem, e de uma resposta obediente da parte deste último para com Deus.

B. O Fundamento Bíblico da Doutrina da Aliança das Obras.
1. OS ELEMENTOS COMPONENTES DE UMA ALIANÇA ESTÃO PRESENTES NA NARRATIVA DA CRIAÇÃO.
Gênesis 1-3 não define o tempo de duração da “aliança”, mas isto não quer dizer que os dados necessários para a formulação de uma doutrina da aliança não estejam presentes ali. Embora a palavra “trindade” não apareça nas Escrituras a doutrina da Trindade é claramente bíblica. Todos os elementos componentes de uma aliança estão indicados na Escritura, e se os elementos estão presentes, não somente temos base para relacioná-los uns com os outros, num estudo sistemático da doutrina, mas também temos o dever de fazê-lo, dando à doutrina assim elaborada um nome apropriado. Em Gênesis 1-3 são mencionadas duas partes: é estabelecida uma condição, está claramente envolvida uma promessa de recompensa pela obediência, e é feita a ameaça de uma penalidade pela transgressão. A Bíblia não descreve a instituição do pacto entre Deus e Adão, nem os termos firmados e sendo aceitos por Adão, todavia não lemos esse mesmo tipo de relato na aliança ratificada nos casos de Noé e Abrão.

Deus e o homem não comparecem como partes iguais em nenhuma destas alianças. Todas as alianças de Deus são da natureza de disposições soberanas impostas ao homem. Deus é absolutamente soberano em Seus procedimentos para com o homem, e tem todo o direito de impor as condições que o último deve cumprir, para desfrutar o Seu favor. Além disso, mesmo em virtude da sua relação natural, Adão tinha o dever de obedecer a Deus; e quando foi estabelecida a relação pactual, essa obediência tornou-se também uma questão de interesse próprio. Quando entra em relações pactuais com os homens, é sempre Deus que estabelece os termos, e estes são termos misericordiosos, provenientes da Sua graça, de modo que Ele tem, deste ponto de vista igualmente, todo o direito de esperar que o homem lhes dará assentimento. No caso da aliança das obras, Deus anunciou a aliança, e Adão, vivendo ainda sem pecado tinha garantia suficiente da sua aceitação.

2. HOUVE PROMESSA DE VIDA ETERNA.
Alguns negam a existência de qualquer prova bíblica da promessa de vida eterna feita a Adão, mas ela está claramente implícita na alternativa da morte como o resultado da desobediência. A clara implicação do castigo anunciado é que, em caso de obediência, a morte não entraria no mundo, e isto só pode significar que a vida teria continuidade. Tem-se objetado que isto significa apenas a continuação da vida natural de Adão, e não daquilo que a Escritura chama de vida eterna. Mas o conceito bíblico de vida é vida em comunhão com Deus; e esta é a vida que Adão tinha, conquanto no caso dele ainda pudesse ser perdida. Se Adão vencese o período da prova, esta vida não somente seria mantida, mas também deixaria de estar sujeita a ser perdida e, portanto, seria elevada a um plano mais alto. Paulo diz-nos expressamente em Rm 7.10 que o mandamento, que é a lei, era para a vida. Comentando este versículo, diz Hodge: “A lei foi destinada e adaptada para assegurar a vida, mas de fato veio a ser a causa da morte”. Isso está claramente indicado também em passagens como Rm 10.5 e Gl 3.13. Ora, esta gloriosa promessa de vida perene de modo nenhum estava implícita na relação natural de Adão com Deus, mas tinha base diferente. Essa base positiva e complacente de Deus era uma dádiva especial que sustenta o princípio da aliança. Pode continuar havendo alguma dúvida quanto à propriedade do nome “aliança das obras”, mas não pode haver quaisquer objeções válidas ao conceito de aliança presente no texto de Gênesis 1-3.

3. A ALIANÇA DA GRAÇA É A EXECUÇÃO SIMPLES DO ACORDO ORIGINAL, EXECUÇÃO FEITA POR CRISTO COMO O NOSSO FIADOR.
Ele se encarregou espontaneamente de cumprir a vontade de Deus. Ele se colocou sob a lei para poder redimir os que estavam sob a lei e que já não estavam em condições de obter vida mediante o seu próprio cumprimento da lei. Ele veio fazer o que Adão não conseguiu fazer, e o fez em virtude de um acordo pactual. Se assim é, se a aliança da graça é, no que se refere a Cristo, nada mais nada menos que o cumprimento do acordo original, segue-se que este deve ter sido também da natureza de uma aliança. E visto que Cristo satisfez a condição da aliança das obras, o homem pode agora colher o fruto do acordo original pela fé em Jesus Cristo. Agora há dois caminhos de vida, os quais são em si mesmos caminhos de vida; um é o caminho da lei: “o homem que praticar a justiça decorrente da lei, viverá por ela” (Rm 10.5) mas é um caminho pelo qual o homem não pode mais achar a vida; e o outro é o caminho da fé em Jesus Cristo, que satisfez as exigências da lei e pode dispensar a bênção da vida eterna.

4. O PARALELO ENTRE ADÃO E CRISTO É BASEADO NO CONCEITO DA ALIANÇA.
O paralelo que Paulo traça entre Adão e Cristo em Rm 5.12-21, no contexto da doutrina da justificação, só pode ser explicado com base no pressuposto de que Adão, à semelhança de Cristo, era o chefe de uma aliança (cabeça representante). De acordo com Paulo, o elemento essencial da justificação consiste nisto: que a justiça de Cristo é-nos imputada, sem qualquer obra pessoal da nossa parte para merecê-la. E ele considera isso um perfeito paralelo em relação à maneira pela qual a culpa de Adão nos é imputada. Isto leva naturalmente à conclusão de que Adão também estava numa relação pactual com os seus descendentes.

5. A PASSAGEM DE OS 6.7.
Em Oséias 6.7 lemos: “Mas eles transgrediram a aliança, como Adão”. Têm sido feitas tentativas para desacreditar essa tradução. Alguns têm sugerido a forma “em Adão”. O que implicaria, que alguma transgressão muito conhecida ocorreu num lugar chamado Adão. Mas a preposição proíbe essa tradução. Além disso, a Bíblia não faz menção alguma dessa tal transgressão histórica muito conhecida em Adão. A Versão Autorizada (Authorized Version) traduz “Como homens”, caso em que significaria, de maneira humana. A isto pode-se objetar que não há plural no original, e que essa declaração seria deveras fútil, pois como o homem poderia transgredir, senão à maneira humana? A tradução “como Adão” é a melhor, tendo o apoio da passagem paralela de Jó 31.33, e ajuda a esclarecer Romanos 3.23: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Todos pecaram em Adão, seu representante, e por isso são pecadores.

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Bibliografia: Louis Berkhof, Teologia Sistemática, ECC, p. 203-209 / O. Palmer Robertson, O Cristo de Pactos, LPC, p. 7-18. / Mauro F. Meister, “Uma Breve Introdução ao Estudo do Pacto”, Fides Reformata, vol. 3.I; jan-jul/1998, p.110-123. / Gleason L. Archer Jr. “Aliança”. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, vol. 1, Vida Nova, p.44-46.

sábado, 23 de abril de 2011

O Catecismo de Heidelberg - 1563.


O Catecismo de Heidelberg

O Catecismo de Heidelberg foi publicado em 19 de Janeiro de 1563 a pedido de Frederico III, eleitor da província alemã do Palatinado. Um eleitor era um dos sete príncipes que detinham o direito de voto para escolher o rei do Sacro Império Romano Germânico, nesse tempo Fernando I, irmão de Carlos V, que abdicara em 1558. Frederico III governou o Palatinado de 1559 a 1576.

Visando implementar sua reforma calvinista iniciada em 1560, Frederico III convocou a liderança reformada do Collegium Sapientiae (Colégio da Sabedoria), em Heidelberg, capital do Palatinado, para elaborarem um novo catecismo que substituísse o catecismo luterano, harmonizasse os partidos teológicos luterano e calvinista e pudesse ser usado nas escolas como manual de instrução, orientação para a pregação e confissão de fé. Essa equipe de teólogos foi conduzida pela dupla Zacarias Ursino (1534-1583) e Gaspar Oleviano (1536-1587), talentosos teólogos de orientação suíça, ambos com menos de 30 anos na época. Ursino havia estudado com Melanchton, sucessor de Lutero na reforma luterana, e depois com Calvino. Oleviano era um reformador francês que havia estudado com Calvino e apreciava os escritos de Melanchton e se tornara o pastor da principal igreja de Heidelberg.

Esse catecismo é importante por pelo menos quatro razões: (1) Foi traduzido para muitos idiomas sendo adotado por inúmeros grupos protestantes tornando-se a mais popular declaração de fé reformada. (2) Como o seu objetivo era pacificar uma controvérsia, sua linguagem é pacífica no seu espírito, de tom moderado, devocional e prático na sua atitude; sua linguagem é clara e fervorosa. Esposa uma teologia calvinista não ofensiva ao luteranismo majoritário na Alemanha pós-Lutero conciliando o melhor dessas duas tradições eclesiásticas. (3) É um manual prático da vida cristã, tanto para crianças como para jovens e adultos. (4) Sua organização diferenciada o torna agradável na leitura, pois visa demonstrar simplicidade bíblica, moderação e paz, fugindo das sutilezas do escolasticismo (escola filosófica que procurava conciliar a teologia cristã com a filosofia grega de Aristóteles, marcada por um academismo rigoroso).

Suas 129 perguntas e respostas são dispostas em três partes seguindo o padrão do livro de Romanos. As perguntas de 1-11 tratam do pecado e da miséria da humanidade vivendo nele. As perguntas 12-85 tratam da redenção em Cristo e a fé. As perguntas finais (86-129) da gratidão do homem expressas numa vida de obediência em amor ao Deus gracioso salvador.

As perguntas estão organizadas de modo a que o Catecismo todo possa ser estudado em 52 domingos (o número de domingos que tem em um ano). Outras características agradáveis do Catecismo de Heidelberg são uma exposição do Credo Apostólico e dos Dez Mandamentos, além do fato de ser todo redigido na primeira pessoa do singular tornando-o íntimo e como uma declaração de fé pessoal do cristão que dele fizer uso devocional.

Suas ênfases reformadas podem ser vistas claramente (1) na doutrina dos sacramentos, apontando para uma presença real de Cristo na celebração da ceia, onde os crentes participam verdadeiramente do corpo e do sangue de Cristo mediante a operação do Espírito Santo; (2) na centralidade das Escrituras como autoridade prática na vida de cada cristão; (3) na consagração a Deus mediante a prática de boas obras como resposta à sua graça recebida em Cristo (Ef 2.8-10); (4) Na igreja como fonte de verdadeira disciplina cristã.

Essas são algumas das razões porque desde o domingo 27 de Março próximo passado temos publicado o Catecismo de Heidelberg na página central de nosso boletim dominical. Esperamos que o espírito piedoso e ao mesmo tempo profundamente bíblico desse catecismo possa ser-lhe útil no seu crescimento espiritual e de toda a sua família.
Com amor, Pr. Hélio
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Boletim da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO, ano XXII, nº 17, de 24/04/2011.

terça-feira, 19 de abril de 2011

João 20.1-10 = O Impacto da Ressurreição de Cristo (05/04/2003)


Introdução:
Entramos no mês da Páscoa. Para nós cristãos Páscoa não tem nada a ver com coelhos e ovos de chocolate, embora os ovos de chocolate sejam realmente deliciosos e não haja problema algum se você comprar para a sua família.
Contudo, para nós, a Páscoa tem a ver realmente é com a ressurreição de Cristo e a obra da salvação realizada na cruz e concretizada na sua ressurreição.
Em Romanos 4.25, Paulo afirma claramente que Cristo morreu por causa de nossas transgressões e RESSUSCITOU por causa da nossa justificação!

Assim, propomo-nos a expor o capítulo 20 do Evangelho de João a fim de demonstrar o impacto da ressurreição de Cristo sobre os seus discípulos daquela época e depois aplicar os ensinos de Cristo deste período à vida de nossa Igreja. Como podemos participar do evento da ressurreição como crentes que não estavam lá?
O objetivo dessa exposição é demonstrar que Jesus Cristo está vivo e continua agindo sobre a vida da Igreja e através dela.
 Cristo age na Igreja. Ele encontra seus discípulos espalhados pelo caminho e vai ajuntando-os novamente em torno de Si.
 Ele age através da Igreja. Ele abençoa e comissiona a sua Igreja a anunciar o Evangelho, a boa nova da sua salvação.

A implicação mais clara de tudo isso é que seguimos ao Cristo vivo no presente e não no passado. Cristo não foi um experiência do passado, mas Ele é o nosso Senhor vivo e que nos chama a continuar seguindo-o pelo caminho até o fim.

Contexto:
Em 19.30, Jesus declarou na cruz: “Está consumado”. O preço da nossa salvação estava pago e o Filho, sepultado, aguardava somente o cumprimento das profecias. Os discípulos passaram um final de semana sem Jesus. A cena do texto que lemos acontece ao raiar do dia, do Domingo e do Domingo da Páscoa.

Proposição:
Nessa exposição desejamos demonstrar três reações iniciais (de Maria Madalena, Pedro e João) à ressurreição do Senhor e por fim apresentar a explicação da própria Escritura para o significado da ressurreição e seu impacto.

I. A RESSURREIÇÃO SURPREENDEU A MORTE V.2:

Maria Madalena foi ao túmulo para completar o sepultamento de
Cristo, que havia sido feito às pressas na sexta-feira a fim de que os judeus pudessem viver seu sábado pascal sem maiores problemas cerimoniais.
Ela trazia aromatas e bálsamos. Ela trazia a expectativa tristonha do luto, da noite mal dormida e da perda. O tempo ainda estava escuro, ainda era madrugada.
Ela e suas companheiras (Lc 24) levam um choque inesperado. A pedra está revolvida; nenhum guarda vigiando a entrada. Lá dentro, o túmulo vazio. O relato do v. 11-18, deixa-nos claro que a sua interpretação do túmulo vazio nada tinha a ver com o milagre da ressurreição, mas que se tratava de um arrombamento e de um roubo de cadáver. Para ela o que tinha acontecido é que “levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram”! (v.13).
O que foi surpreende é que a vida venceu a morte e o convite de Jesus é para que olhemos a partir de sua ressurreição para a vida e não para a morte!
Ele não foi levado, mas “da sepultura saiu”; com triunfo e glória. Cristo ressurgiu!
Quantas vezes não é essa a nossa atitude ao vir para a Igreja. Esperamos encontrar as coisas como sempre foram e nada de novo vai acontecer, porque sabemos que quem morreu está morto. A ressurreição de Cristo questiona abertamente o nosso conceito existencialista da vida e da morte. Ele ressurgiu para nos salvar e sua obra de salvação vai muito além do simples retorno à vida, Ele vai restaurar a fé de seus discípulos e ensinar-lhes que o sobrenatural governa todas as coisas. A morte não pôde reter a Cristo no túmulo.

II. A RESSURREIÇÃO DEIXOU UM ENIGMA INEXPLICÁVEL V.6,7:

Pedro correu mais do que João e chegou primeiro. Ele viu a cena, observou o quadro e testemunhou um jeito estranho na disposição dos lençóis. Não é que o corpo de Jesus atravessou o tecido, como pensam alguns. Mas é que o lenço que estava enrolando o rosto, foi dobrado e colocado de lado, como alguém que se levanta de uma cama após o sono da noite e dobra as cobertas, colocando-as num cantinho da cama, pois não precisará deles até à hora de dormir outra vez.
É possível que a referência no plural do v.9 “ainda não tinham compreendido” seja aplicada tanto a João como a Pedro; ou talvez seja uma referência a todos os discípulos que foram crendo à medida que entendiam o significado das Escrituras. O fato é que o testemunho das Escrituras sobre a disposição dos lençóis se tornou um dos mistérios da ressurreição, que por volta do século XII ou XIV vai alimentar a teoria do Santo Sudário de Turim. O túmulo vazio e a disposição dos lençóis são-nos um convite à reverência diante do mistério maravilhoso que foi e continua sendo a ressurreição de Cristo.
Diante do mistério e do milagre, A Escritura chama a Igreja à reverência e ao silêncio, à meditação, só isso, nada mais.

III. A RESSURREIÇÃO DESPERTOU A FÉ V.8:

João entrou depois, embora tenha chegado primeiro e visto os lençóis. Ele fala, então, por ele mesmo ao dizer que entrou e viu e creu imediatamente. Mais uma vez, o v. 9 nos leva a pensar que uma conversa entre ele e Pedro aconteceu. Talvez uma conversa verbal. Talvez uma conversa de troca de olhares. Mas o fato é que ao verem o túmulo e os lençóis, voltaram para sua casa crendo!
A ressurreição despertou a fé. Mas não uma fé sem direção. A fé que foi despertada foi a fé nas profecias do Antigo Testamento que preanunciaram aqueles acontecimentos e falaram da ressurreição do Servo (Is 53).
A Escritura nos ensina que o modo correto de olhar para o túmulo vazio não é com a tristeza da morte no olhar, nem com a desconfiança no coração, mas com o olhar da fé que crê nas Escrituras.
Ele creu. Essa é a palavra chave do Evangelho de João, que aparece 90 vezes. Esse é o propósito do Evangelho, levar-nos a crer que Jesus Cristo é o Filho de Deus, e crendo, ter vida no seu nome (v.30,31).
O crer não será uma mera atitude de acreditar, mas corresponde a um novo estilo de vida. “Para que crendo, tenhais vida em seu nome”. O objetivo de João é despertar a fé nova, no coração de quem ainda não creu; e fortalecer a fé já presente no coração de quem já crê. “Reavivar a fé já existente” .
A ressurreição de Cristo desperta a fé.

IV. A RESSURREIÇÃO CUMPRIU AS ESCRITURAS V.9

Então, João chega ao clímax de seu testemunho. O v. 9 diz que eles não tinham compreendido as Escrituras “ainda”. O evento da ressurreição fez com que os pontos fossem ligados e o quebra-cabeça começasse a fazer sentido. Tudo o que Cristo fez e ensinou cumpria de fato as promessas do Antigo Testamento!
A frase chave do texto vem logo a seguir: “era necessário ressuscitar ele dentre os mortos”. A ressurreição era necessária por pelo menos duas razões:

1. Sem ela a redenção não estaria completa.
Se Jesus não ressuscitasse, a morte teria derrotado a vida. Jesus havia dito antes que Ele “dá a sua vida e pode reavê-la” (10.18). À luz dos eventos, somente o testemunho das Escrituras poderia fornecer-lhes a interpretação correta de tudo. Em João 5.39, Jesus afirmou que “são elas mesmas que testificam de mim”. Portanto era necessário.

2. Cumprir a obrigatoriedade do decreto divino.
A vontade de Deus sempre é cumprida.
 Atos 4.27,28 = Sem saber e sem querer, aqueles homens que crucificaram a Cristo realizaram a vontade de Deus.
 I Coríntios 15.14 = Se Cristo não ressuscitou a pregação do Evangelho é vã (vazia de significado), acabou a esperança. Para Paulo, negar a ressurreição de Jesus é negar a fé.
 I Co 15.19 = E somos os mais infelizes de todos os homens. Mas Cristo ressuscitou! (I Co 15.23). Aquele túmulo continua vazio. Nenhum arqueólogo jamais encontrará o corpo de Jesus Cristo, porque ele já ressuscitou! O enredo do filme “O Corpo” é intrigante e instigante, mas que não passa de ficção especulativa e ilusória, só isso!

Conclusão v.10:
Voltaram Pedro e João para casa levando no coração uma sensação de expectativa. Se a ressurreição aconteceu de fato, como será daqui para diante. Nos versos seguintes vemos vários encontros de Cristo com as suas ovelhas. Ele arrebanha o seu povo. Trata de suas feridas e traumas. Enche-lhes o coração de fé e esperança. Renova-lhes o compromisso. Corrige perspectivas falsas e os abençoa com sua presença reconfortante e com a promessa de sua presença todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28.20).
Não há nada nas Escrituras que nos leve a pensar que não fará desse modo conosco, pois mais bem aventurados são aqueles que não viram e creram (Jo 20.29). Somos nós!

Aplicação:
1. A maneira correta de entender a ressurreição não é a mera pesquisa histórica, mas a interpretação das Escrituras. Se você quer entender e encontrar a vida, estude as Escrituras. Elas serão a lâmpada para os seus pés (Sl 119.105).

2. As promessas de Deus sempre se cumprirão. Quem anda pela fé pode andar com segurança, pois nada escapa ao controle soberano e gracioso de Deus.

3. Leve para casa a sua expectativa da ação de Deus na sua vida e vida de sua casa, seu lar. Pois Deus te acompanha. Ele te encontrará e falará ao seu coração, arrebanhando-o na sua Igreja. Amém.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

João 20.1-10 = Resurreción y Pascua!

Dr. Carlos Del Pino e Rosa Del Pino.

Resurrección y Pascua!

¡Estamos en la semana de la Pascua! Para los cristianos conmemoramos en la Pascua la obra de salvación realizada por Jesucristo en la cruz que ha sido plenamente concretada por su resurrección. En Romanos 4.25 Pablo afirma que Cristo ha muerto por nuestras transgresiones y que ha resucitado por nuestra justificación.

Tenemos en Juan 20 un texto que nos ayuda a entender el impacto de la resurrección de Cristo en la vida de sus discípulos de entonces y buscar los sus significados a nuestras vidas hoy. ¿De qué forma podemos participar del evento de la resurrección de Cristo, nosotros que no estábamos allí?

En este capítulo del evangelio de Juan podemos ver la forma como reaccionaron María Magdalena, Pedro y Juan a la resurrección del Señor. Es lo que intentaremos ver, buscando también, el sentido que le da la propia Escritura a la resurrección.

1. La resurrección sorprende la muerte (20.2): María Magdalena ha ido al sepulcro para completar lo que habían hecho con prisas el viernes, puesto que se acercaba el sábado pascual cuando los judíos deberían guardar sus ceremonias. Además de los aromas y bálsamos, traía también la triste expectativa del luto, de la noche mal dormida y de la gran roca que tapaba la entrada de la tumba.

Sus compañeras y ella (Lucas 24) tuvieron una inesperada sorpresa. La roca había sido removida de su lugar y no había ningún guarda vigilando la entrada. Dentro, el túmulo vacío. El relato de los versos 11-18 nos deja claro que la interpretación que le dieron las mujeres nada tenía que ver con el milagro de la resurrección, más bien se trataba de un allanamiento y hurto del cadáver. Para María Magdalena lo que hubo era que “se han llevado a mi Señor y yo no sé donde lo han puesto” (20.13).

Lo sorprendente es que la vida ha vencido la muerte. Jesús, por tanto, nos invita a que, desde la perspectiva de su resurrección, miremos a la vida y no más a la muerte. No lo han llevado, sino que “de la sepultura ha salido” con triunfo y con gloria. ¡Cristo ha resucitado!

Ni siempre esta es nuestra actitud, sino más bien que esperamos encontrar las cosas tal y como las dejamos y siempre fueron. Pero la resurrección de Cristo cuestiona seriamente nuestros conceptos existencialistas de la vida y de la muerte. Cristo ha vencido la muerte para salvarnos y restaurarnos a la verdadera fe.

2. La resurrección ha dejado un enigma inexplicable (20.6-7): Juan ha corrido más rápido que Pedro y llegó antes; sin embargo, ha sido Pedro el que pasó primero al sepulcro y constató como el sudario estaba enrollado perfectamente y guardado en un lugar aparte, como si alguien le “ordenara la cama”.

Es posible que la referencia en plural que encontramos en el verso 9 - “hasta entonces no habían…” - se aplicara a Pedro y Juan, o posiblemente se refiriera también a todos los demás discípulos que a medida en que fueron creciendo en la fe pudieron entender cada vez más el sentido que tiene las Escrituras. El hecho es que el testimonio de las Escrituras sobre la disposición de las vendas y del sudario vino a ser uno de los misterios de la resurrección, a punto de alimentar, alrededor de los siglos XII o XIV, la teoría del Santo Sudario de Turín. El túmulo vacío y la disposición de las vendas y del sudario es una invitación a la reverencia ante el maravilloso misterio que ha sido y sigue siendo la resurrección de Cristo. Nos invita Cristo a la reverencia, al silencio y a la meditación.

3. La resurrección despertó a la fe (20.8): Juan ha entrado al sepulcro después de que lo hiciera Pedro, pero “vio y creyó” inmediatamente. Por el verso 9 somos llevados a pensar que tras lo que han visto, hubo una conversación entre Pedro y Juan. Puede que hayan hablado verbalmente, puede que solo haya cambiado sus impresiones por la forma en que se miraron. Pero el hecho es que ante el túmulo vacío regresaron a casa con sus corazones ardiendo en fe.
La resurrección despierta la fe, pero no una fe sin dirección. La fe que ha sido despertada ha sido la fe en las profecías del Antiguo Testamento, que preanunciaron tales acontecimientos y hablaron de la resurrección del Siervo de Dios, Cristo. Las Escrituras nos enseñan que la manera correcta de ver al túmulo vacío no es con tristeza por la muerte, tampoco con desconfianza en el corazón, más bien con fe en las palabras de la Biblia.

“Creer” es una palabra clave para el evangelio de Juan donde ocurre por 90 veces, puesto que este es el propósito del evangelio, llevarnos a creer que Jesucristo es el Hijo de Dios, y que creyendo, tengamos vida en él (20.30-31).
Creer es una actitud que corresponde a un nuevo estilo de vida: “para que al creer en su nombre tengáis vida”. El objetivo de Juan es que se despierte dentro de todos nosotros una fe renovada, y fortalecer la fe que ya la tenemos en nuestra vida, “reviviendo la fe ya existente” (F. F. BRUCE). Solo por la resurrección de Jesucristo se puede despertar esa verdadera fe en la vida humana.

4. La resurrección ha cumplido con las Escrituras (20.9): Juan llega a la cumbre de su testimonio. El verso 9 nos dice que “todavía” no habían comprendido a las Escrituras. El evento de la resurrección hizo con que los puntos fueran unidos y todas las cosas empezaron a cobrar su verdadero sentido. Todo lo que hizo y enseñó Cristo cumplía, de hecho, con las promesas del Antiguo Testamento.

La expresión “Jesús tenía que resucitar” es fundamental en el texto. Nos muestra que sin la resurrección de Cristo la redención humana no sería completada, puesto que eso supondría la victoria de la muerte sobre la vida. Sin embargo, lo que dijo Cristo sobre su propia vida se ha cumplido: “nadie me la arrebata, sino que yo la entrego por mi propia voluntad. Tengo autoridad para entregarla, y tengo también autoridad para volver a recibirla” (Juan 10.18). Ante eso, solo el testimonio de las Escrituras es capaz de fornecer la correcta interpretación de todas las cosas. En Juan 5.39 confirma Cristo que son las mismas Escrituras las que testifican de él.
Por eso, era necesario que se cumpliera la obligatoriedad del decreto divino, pues su voluntad siempre se cumple (1 Corintios 15.14, 19, 23)

Vuelven Pedro y Juan a casa (20.10) llevando en sus corazones una sensación de expectativa. Con la resurrección de Cristo, ¿cómo será de ahora en adelante? En los versos siguientes leemos sobre los variados encuentros entre el Cristo resucitado y sus discípulos: reúne a su pueblo, trata de sus heridas, llénales de fe y esperanza el corazón, renuévales el compromiso, corrige sus falsas perspectivas y los bendice con su reconfortante presencia. Lo mismo pasa con nosotros hoy, porque “dichosos los que no han visto y sin embargo creen” (20.29).

Ante la resurrección de Cristo conmemorada en la Pascua, aprendemos que la manera correcta de comprenderla es por las Escrituras Sagradas (la Biblia), estudiando las Escrituras encontramos vida y luz para nuestros caminos. Así andaremos por fe y con la seguridad de que las promesas de Dios siempre se cumplirán ya que nada está fuera de su control y soberanía. ¡Que en este domingo de Pascua los efectos de la resurrección de Jesucristo llene nuestras vidas con la verdadera fe salvadora!

Rev. Hélio de Oliveira Silva
Iglesia Presbiteriana de Brasil
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Traduzido e adaptado para o espanhol por Dr. Carlos Del Pino. Publicado no Blog: http://www.vidayteologia.blogspot.com/ em 18/04/2011.
Essa é minha primeira publicação em outro idioma.

sábado, 16 de abril de 2011

Marcos 10.28-30 = Perdas e Ganhos: Uma Avaliação do Ministério Pastoral (24/09/2008).


Introdução:
“Apatia”: Essa foi a expressão usada por um pastor, que pregou recentemente aos jovens da nossa igreja, para definir os jovens presbiterianos de nosso tempo.
Às vezes eu acho que ela define também as expectativas de muitos seminaristas quanto ao campo ministerial onde vão servir. São jovens em busca mais de segurança e realizações pessoais do que propriamente pessoas que acreditam nas mudanças prometidas pelo evangelho. Para alguns, parece que o que acontecer aconteceu; tendo salário, casa e estabilidade, o resto é lucro!

Mas o chamado ministerial é um campo de provas que motivações assim não resistem por muito tempo. O ministério é de Deus tanto quanto o chamado também.
Outros são resignados e cansados de lutar com Deus dizendo não, se tornam pregadores do estilo de Jonas: Amargurados com a vida.
A Bíblia fala de muitas respostas diferentes ao chamado de Deus; qual é a sua?

Contexto:
Um jovem rico se aproxima e quer ter a segurança da vida eterna. Ele guarda os mandamentos, mas ama mais as suas riquezas do que a Deus.
O convite de Cristo era para que ele deixasse tudo e o seguisse, mas ele não quis; e Cristo o deixou ir...
Pedro (v.28) lembra ao Senhor Jesus que eles deixaram tudo para o seguir. A resposta de Cristo é o instrumento de nossa meditação nessa manhã.

Proposição:
Perdas e Ganhos: Uma Avaliação da Vocação Pastoral. Observemos por dois prismas colocados pelo Senhor Jesus.

I. A VOCAÇÃO PASTORAL REQUER DE NÓS DEIXAR TUDO V. 28,29:

a) “Deixamos (aoristo) tudo e te seguimos (perfeito)”.
 Uma decisão definitiva (uma decisão decidida).
Uma decisão para não olhar para trás.
Muitos que estão se preparando ou que já estão nos campos ainda têm dúvidas quanto à sua vocação pastoral, e isso é um laço para eles.

 Um seguir contínuo.

b)Casa, família e campos.

1. Segurança.
2. Comunhão.
3. Manutenção econômica.

c) Por amor de mim e do Evangelho.
Qual é a motivação para atender ao chamado ministerial de Cristo?
 Fama?
 Poder?
 Sucesso?
 Riquezas?
Nossa motivação só pode ser Cristo e seu evangelho!

II. ATENDER À VOCAÇÃO PASTORAL NOS DÁ O CÊNTUPLO DE TUDO QUE DEIXAMOS V. 30:


a)Quem deixa tudo por Cristo e pelo seu evangelho recebe já no presente o cêntuplo de tudo o que deixou.
O tempo do ministério não é um tempo só de lutas e dores. Há muitas e imensas alegrias.
Cada campo ministerial reservará suas alegrias inestimáveis.
Ilustrações: Peniel; Norte-Ferroviário; Abadiânia; Uruaçu; Goianésia; Rubiataba; Cidade Livre; Balneário e a Primeira Igreja e o Seminário (igrejas por passei).

b) O Cêntuplo de tudo!
 Casas. A igreja sempre me proporcionou uma boa moradia.

 Famílias. Eu tenho muitos “pais fora de casa”.

 Manutenção econômica. O salário não é tudo o que você queria, mas é digno.

c) A vida eterna no porvir.
Viver e morar com Deus são tudo que um cristão pode desejar de melhor para si e para a sua família!

CONCLUSÃO:

Há duas alertas importantes:
1º) Todas as alegrias serão vividas em meio a tribulações (Perseguições).
Romanos 8 nos diz que devemos comparar as tribulações do presente com as bênçãos da eternidade. O presente é momentâneo e passageiro frente ao tamanho da eternidade.

2º) A tentação do auto-engano baterá à nossa porta cotidianamente. (primeiros e últimos).

Quem pensa ser digno do favor de Deus porque trabalhou em sua obra não o achará. Porque o favor de Deus sempre está fundamentado na sua graça!

Aula 09 = Ser Homem e Ser Mulher


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem É O Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 09 = Ser Homem e Ser Mulher 17/04/2011.
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A criação o homem por Deus se deu em apenas dois gêneros: masculino e feminino: “Deus criou homem e mulher” (Gn 1.27, Gn 5.1,2). Esse aspecto da imagem de Deus na humanidade quer dizer que homem e mulher coexistem em unidade interpessoal, igualdade de pessoalidade e importância e consciência das diferenças de seu papel e autoridade na presença de Deus e um do outro.

A. Relacionamentos Pessoais.

Os seres humanos não foram criados como pessoas isoladas, mas para viver em sociedade. Essa unidade interpessoal atinge seu clímax no casamento e na família onde homem e mulher se tornam uma só carne (Gn 2.24). Deus pretendeu uma unidade integrada nos aspectos físicos, emocionais e espirituais de tal modo que pudessem experimentar uma unidade profunda e prazerosa.
A criação de duas pessoas distintas na Bíblia ocorre logo a seguir da indicação da pluralidade na divindade (“Façamos... homem e mulher” – Gn 1.26,27). Assim como havia amor, comunhão e compartilhamento de glória no ser de Deus antes da queda do homem, assim Deus fez Adão e Eva de modo a experimentarem um no outro (e nos filhos) o mesmo tipo de mutualidade que há na Trindade.

B.Igualdade em Termos de Pessoalidade e Importância.

Assim como na Trindade cada pessoa é igual à outra em importância, o mesmo se aplica ao homem e à mulher. Ambos foram criados à imagem de Deus. Tanto um como o outro reflete o ser divino na forma como foram constituídos na essência do seu ser. Isso quer dizer que são iguais perante Deus quanto ao seu valor, não sendo nem superior e nem inferior um ao outro. Devem honrar um ao outro para a glória de Deus.
Paulo afirmou em I Coríntios 11.11,12: “No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher. Porque como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da mulher”. Homem e mulher são iguais, interdependentes e dignos de respeito e honra. São também complementares um ao outro a fim de cooperarem no propósito de Deus para toda a criação (Gn 2.18-23).
Quando Deus promete o derramamento do Espírito na Nova Aliança, promete fazê-lo sobre filhos e filhas, servos e servas (Jl 2.28-32; At 2.17,18), de modo que no corpo de Cristo (a igreja) não pode haver “nem homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3.27,28).

C. Diferenças de Papéis e Autoridade

Enquanto pessoas, homem e mulher são iguais perante Deus, no entanto, quanto a seus papeis são diferentes. Na Trindade também é assim; Pai, Filho e Espírito Santo são iguais na sua essência e poder, mas agem diferentemente em suas funções. Na criação, o Pai fala e inicia, mas a criação é executada pelo Filho e sustentada pela presença contínua do Espírito Santo (Gn 1.1,2; Jo 1.1-3; I Co 8.6; Hb 1.2). O mesmo pode ser dito sobre a redenção (Lc 22.42; Fp 2.6-8).
Para ressaltar esse fato, Deus criou o homem e a mulher até mesmo física e visualmente diferentes. As diferenças externas são uma forma de Deus ressaltar as diferenças de papéis. Essas diferenças de papéis têm a ver com o princípio de autoridade bíblica: Deus é o cabeça de Cristo; Cristo é o cabeça do homem; o homem é o cabeça da mulher (I Co 11.3).

 Indicações das diferenças de papéis antes da queda:
1. Adão foi criado primeiro, depois Eva (Gn 2.7,18-23). Isso significa que Deus o criou para ser o líder.
2. Eva foi criada como auxiliadora de Adão (Gn 2.18). O homem foi a causa da criação da mulher; ela foi criada para ele como auxiliadora idônea.
3. Adão deu nome a Eva (Gn 2.19,20). No Antigo Testamento, o direito de dar nome a alguém implicava em ter autoridade sobre ela.
4. Deus chamou “homem” a raça humana, e não “mulher” (Gn 5.2). A raça foi nomeada pelo nome de seu cabeça.
5. A serpente se aproximou e enganou Eva primeiro (Gn 3.1). Incitar Eva a comer o fruto primeiro sugere que satanás tentou por esse expediente instituir um papel inverso no modo de liderança criado por Deus (Gruden, p.380).
6. Deus falou primeiro a Adão depois da queda (Gn 3.9). Ele chama o líder primeiro, ainda que tenha cometido o pecado depois.
7. Adão era o representante da raça humana perante Deus, não Eva. Ainda que Eva tenha pecado primeiro (Gn 3.6) todos nós somos chamados de pecadores pelo pecado de Adão (Rm 5.12-21 – especialmente o v.15; I Co 15.22,49).
8. A maldição divina contra o pecado inseriu distorções nos papéis do homem e da mulher, mas não introduziu novos papéis (Gn 3.18,19). Ao castigar o homem e a mulher Deus não fez qualquer alteração nos papéis dados a cada na criação, mas permitiu a dor e a distorção na sua realização (trataremos dessas distorções quando tratarmos especificamente da queda).
9. A redenção de Cristo reafirma a ordem da criação (Cl 3.18,19; Ef 5.22-33; Tt 2.5; I Pe 3.1-7)..

Aplicações:
1. A relação entre homem e mulher é de cooperação e não de competição.
2. A igualdade entre os sexos é para cooperação e não para competição.
3. As diferenças entre os sexos visam à cooperação e não à competição.

Conclusão:
O que é ser homem e ser mulher em sociedade? Um slogan francês já dizia: “_Viva a diferença!” Homem e mulher desempenham seus papéis no casamento, procriação, vida familiar e em muitas outras atividades mais amplas da vida. A percepção das insondáveis diferenças entre ambos devem ser destacadas como uma escola de aprendizado para a prática e satisfação da apreciação, abertura, honra, serviço e fidelidade entre ambos.

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Bibliografia: Wayne Gruden, Teologia Sistemática, Vida Nova, p.373-387. / James I. Packer, Teologia Concisa, ECC, p.71,72. / Charles Sherlock, A Doutrina da Humanidade, ECC, p. 181-211.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Exposição 09 = Gálatas 3.10-14 - Fé e Obras: Duas Alternativas


Introdução:
Você já teve de escolher entre duas opções? Você o fez sem observar as conseqüências de ambas?

Contexto:
Paulo avança no argumento comparativo entre a justificação pela Lei ou pela graça mediante a fé. No fim das contas as alternativas de justificação recaem sobre as obras ou sobre a fé.
A pergunta que Paulo continua respondendo é: Como um pode desfrutar o favor e a comunhão de Deus? Como um pecador pode ser justificado e receber a vida eterna?
Existem apenas duas alternativas. Paulo faz duas citações do Antigo Testamento; Habacuque 2.4 no verso 11 e Levítico 18.5 no verso 12. As duas declarações bíblicas, portanto inspiradas por Deus, declaram que aquele que praticar o que está escrito “viverá”. Todavia, apesar de ambas as passagens bíblicas prometerem a vida eterna, as mesmas falam de caminhos diferentes para obtê-la.

Levítico 18.5
Promete vida o praticante;
as obras são o caminho da salvação;
Nossa obediência completa pode nos justificar;
Fazendo;
Lei.

Habacuque 2.4
Promete vida ao crente;
A fé é o caminho da salvação;
Só Deus pode justificar;
Crendo;
Evangelho.

A conclusão a que Paulo nos levará é que a salvação nos dada e garantida tão somente ela livre graça de Deus.

Proposição:
Se for dessa forma, o que vem a ser essa maldição da Lei? Vejamos os dois argumentos de Paulo sobre essas duas alternativas: Fé e obras:

I. QUEM NÃO PERMANECE NA LEI ESTÁ DEBAIXO DA MALDIÇÃO DA LEI (v.10-12):

a)Quem procura a justificação nas obras da Lei está sob maldição.
 Quem não consegue praticar tudo é maldito.
Paulo abre o argumento citando Deuteronômio 27.26. Ali Moisés declarou uma solene maldição sobre quem fracassasse em guardar todos os mandamentos da Lei. Desobedecer à lei de Deus é colocar-se debaixo da maldição de Deus.
Ora, como revelação de Deus a lei expressa seu caráter e sua vontade; rebelar-se contra a Lei ou não alcançar suas exigências é afrontar a justiça de Deus. Visto que o que a Lei diz o que Deus diz, logo, o que a lei amaldiçoa, Deus amaldiçoa.
Estar debaixo da maldição da lei significa que nenhum pecado fica impune na presença de Deus. O significado de amaldiçoar é rejeitar. Se a benção de Deus produz justificação e vida, sua rejeição produz condenação e morte.
A maldição da lei é abrangente e aplicada sobre todos os que vivem debaixo do seu regime e não apenas às pessoas ignorantes de seu conteúdo. Os judeus acreditavam que somente os “am haeretz” (povo da terra, povo comum) é que experimentavam essa maldição por não conhecerem a lei com detalhes. O argumento de Paulo é que eles estavam equivocados e também estavam inclusos na universalidade do pecado (Rm 3.22,23). Somente Jesus Cristo ficou de fora da maldição da lei, porque foi único a jamais pecar.
O pecado é a transgressão da Lei (I Jo 3.4) e todos somos transgressores da Lei, pois não temos amado a Deus de todo o coração e nem ao próximo como a nós mesmos.

b)Ninguém é justificado por meio da Lei.
 Essa conclusão é evidente.
Paulo afirma que essa conclusão é evidente, porque somente quem viver inteiramente em obediência à Lei, por ela será justificado, mas ninguém jamais conseguirá viver obedientemente todos os seus preceitos.
Logo mais adiante Paulo mostrará que a função da lei era condenar e não justificar. Apesar de todo o nosso esforço em obedecer, nada nos livrará da maldição que recai sobre os desobedientes.
A estrada da obediência à lei como meio de justificação dos pecados é um beco sem saída.

c)O justo viverá pela fé.
 A verdadeira razão para o fracasso da justificação pela Lei.
Então, novamente, Paulo aponta para a justificação pela fé somente.

II. CRISTO NOS RESGATOU DA MALDIÇÃO DA LEI (v.13,14):

a)Cristo nos resgatou da maldição da Lei.
Na cruz Cristo fez por nós o que nós mesmos não poderíamos fazer, ele nos resgatou da maldição da lei, fazendo por nós e em nosso lugar o que jamais poderíamos fazer: Ele pagou a dívida de todos os nossos pecados contra a lei de Deus.

b)Cristo se fez maldição em nosso lugar.
Como ele o fez? Assumiu sobre si a nossa rejeição e condenação. Carregou nossos pecados e sua culpa sobre a cruz. A maldição foi transferida de nós para ele a fim de que ele nos libertasse dela.
É essa transferência das nossas culpas para ele que explica o seu brado de abandono e de solidão na cruz pouco antes de sua morte na cruz.
Paulo confirma essa afirmação citando Deuteronômio 21.23: “Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro”.
Na legislação mosaica a pena de morte era aplicada geralmente por apedrejamento e depois o morto era colocado pendurado numa estaca para ser visto publicamente como sinal da rejeição divina. Para Paulo, ser crucificado era o equivalente romano ao ato condenatório judeu.

c)Em Cristo a benção de Abraão chegou aos gentios.
Cristo não morreu por si mesmo, mas “por nós”. Foi em Cristo que Deus agiu para a nossa salvação, portanto é “em Cristo” que a receberemos. Quem não estiver em Cristo, não conhecerá jamais a sua salvação! (Jo 14.6).
Quem é salvo não está unido somente a Cristo em sua morte, mas também em sua ressurreição para a vida eterna. Então, o que é fé? Fé é tomar posse de Jesus Cristo pessoalmente (Stott, p.77) e encontrar-se com ele ali, na cruz.

d)O objetivo da obra de Cristo era que recebêssemos o seu Espírito.
Como vimos antes, Cristo nos justificou e se uniu a nós. Essa união é realizada na ação e presença do Espírito santo nos crentes a partir de sua conversão.

Conclusão:
1. Há dois caminhos.
Ou abraçamos o caminho da graça ou o caminho das obras. Ou vivemos pela obediência à Lei ou pela fé. Não existe nem meio termo, nem outra opção.

2. Há dois destinos.
A vida ou a morte.
O desafio de Paulo é direto. Devemos renunciar ao orgulho insensato de pressupor que podemos estabelecer nosso próprio cronograma de salvação com base na nossa própria justiça (ou justiça própria) para sermos aceitáveis a Deus. Devemos abraçar a salvação pela fé somente como nos oferecida em Cristo no evangelho da graça.

O Ofício Diaconal (09/04/2010)


O Ofício Diaconal

O exercício da diaconia é “a liturgia após a liturgia”, visto que o serviço dos diáconos não aparece na liturgia do culto, mas na vida prática da igreja após o culto como a continuação no mundo da vida de adoração da igreja.

O Ofício Diaconal é o reconhecimento público por parte da igreja para que o oficial aja representativamente em seu nome e a conduza na prática do serviço para o qual foi regularmente eleito. É reconhecimento porque vê no oficial todas as qualificações para o exercício da função para a qual foi regularmente eleito. Pressupõe a vocação do Espírito Santo, a ordenação e a investidura pública por parte dos demais oficiais da igreja (Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil - CI/IPB - Art. 108 e 109).

Segundo o Artigo 25 da CI/IPB, a Igreja exerce as suas funções na esfera da doutrina (presbíteros docentes), governo (presbíteros regentes) e beneficência (diáconos), mediante oficiais regularmente eleitos. Estes ofícios são perpétuos, mas o seu exercício é temporário (5 anos). Para o ofício de presbítero ou de diácono serão eleitos homens maiores de 18 anos e civilmente capazes. Beneficência é a virtude de fazer o bem; a prática de obras de caridade ou filantropia. A beneficência cristã não é praticada friamente, mas com compaixão, como expressão do fruto do Espírito Santo na vida da igreja.

Uma vez que desempenharão funções de responsabilidade, os diáconos não poderão ser imaturos ou inexperientes, devendo ter cuidado de ser imparciais e não acudirem ao “diz-que-me-diz” tornando-se meros “faladores”. A exigência bíblica é que “sejam respeitáveis e de uma só palavra” (1 Tm 3.8-11). Notem nesse texto bíblico que todas as características exigidas pelo Novo Testamento são morais e não técnicas ou funcionais. Não são especialistas em marketing, ou nutrição, ou assistentes sociais, mas homens comprometidos com as escrituras e a lisura do caráter divino. Qualquer profissional de qualquer área lícita poderá ser eleito diácono, todavia a base de sua escolha não são suas capacitações seculares, e sim o seu caráter cristão.

O diaconato não pode ser exercido apenas por uma questão de eleição da igreja, mas precisa-se levar em conta a vocação do Espírito Santo (Art. 28 CI/IPB). O ofício é um ministério concedido por Deus para ser exercido em seu serviço. Cremos que a eleição pela igreja é o reconhecimento da vocação do Espírito Santo para a efetivação no ofício, e não o oposto. O diácono é eleito por reunir as prerrogativas do ofício, não para que aprenda a ser um diácono no exercício dessa função.

O ofício nunca poderá ser visto como apenas um cargo, mas como serviço à igreja. Por causa disso o diaconato não pode ser visto como hierarquicamente inferior ao presbiterato ou ao pastorado. São funções diferentes para serviços diferentes. Devemos resistir à idéia comumente difundida de que os diáconos são meros assistentes pastorais, que auxiliam nas responsabilidades litúrgicas e administrativas, enquanto aguardam e/ou são treinados para a promoção ao presbiterato. Na igreja, os diáconos exercem um ministério específico de serviço aos pobres e necessitados. “O diácono é o oficial eleito pela igreja e ordenado pelo Conselho, para, sob a supervisão deste, dedicar-se especialmente: a) à arrecadação de ofertas para fins piedosos; b) ao cuidado dos pobres, doentes e inválidos; c) à manutenção da ordem e reverência nos lugares reservados ao serviço divino; d) exercer a fiscalização para que haja boa ordem na Casa de Deus e suas dependências” (Art. 53 CI/IPB).

O ministério dos diáconos inclui, além da visitação, o aconselhamento dos atribulados e necessitados (Regimento Interno da Junta Diaconal Art. 2). O conforto espiritual por meio da Junta Diaconal expressa o cuidado da igreja pelos necessitados existentes em seu meio (Gl 6.10). Essa é a razão porque o serviço voluntário é que tem valor, visto ser praticado por amor e com amor, porque, no final das contas, todos fomos e somos chamados a servir.
Com amor, Pr. Hélio.

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Boletim da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia - ano XXI nº 15 - 11/04/2010.

sábado, 9 de abril de 2011

Acampamento dos Adolescentes da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia de Goiânia-GO em JUn/Jul/2011




Vem que será muito bom!!!

Aula 08 = A Imagem de Deus no Homem (II).


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem É O Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 08 = A Imagem de Deus no Homem (II) 10/04/2011.
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Aspectos Específicos da Semelhança do Homem a Deus.

Na aula anterior foi dito que o homem criado á imagem de Deus está ligado a Deus e o representa. Isso pode ser deduzido de vários aspectos:

1. Aspectos Morais.
a) O homem é uma criatura moralmente responsável pelos seus atos perante Deus.
b) Tem um senso íntimo de certo e errado que o separa dos animais.
c) Santidade e justiça de conduta antes da queda no pecado. Sempre que o homem peca revela-se dessemelhante a Deus.

2. Aspectos Espirituais.
a) O homem é corpo e alma, portanto é um ser também espiritual.
b) Uma vida espiritual que possibilita o relacionamento pessoal com Deus por meio da oração, louvor, cânticos, ouvir a pregação da palavra.
c) Imortalidade. O homem não cessará de existir, mas viverá eternamente na presença de Deus ou existirá eternamente banido da presença de Deus (morte).

3. Aspectos Mentais.
a) A capacidade de raciocinar e pensar logicamente a fim de conhecer e/ou crescer no conhecimento. O homem é capaz de desenvolver o seu conhecimento. Os castores constroem diques do mesmo tipo a vida toda; o homem melhora e varia suas construções a cada geração; tanto em termos de criatividade como em complexidade.
b) O uso da linguagem complexa e abstrata. Por meio da escrita o homem armazena o seu conhecimento e comunica-se com outros.
c) O homem tem uma noção de tempo e espaço diferenciada do restante dos animais. Pensa no futuro e planeja sua vida a curto, médio e longo prazo. Existe no homem um senso íntimo de sobrevivência à morte física que o faz pensar na eternidade (Ec 3.11).
d) O homem é criativo. Escreve poemas e compõe músicas; constrói com engenhosidade e desenvolve-se tecnologicamente. Essa criatividade já é vista desde as crianças quando criam brincadeiras novas; na destreza de quem prepara uma refeição apetitosa; na decoração de um lar ou no cultivo de um jardim. Essa criatividade é vista também na capacidade de concertar algo que não funciona mais.
e) Nas emoções. Ainda que os animais também revelem certo grau de emoção; nunca será no mesmo grau de complexidade do homem.

4. Aspectos Relacionais.
a) A noção de comunidade. É claro que muitas espécies animais exibem certo grau de complexidade quanto à vida em comunidade, todavia nunca chegará ao relacionamento interpessoal que é experimentada pela humanidade (família, casamento, igreja). Essa relação interpessoal humana é maior que a angelical, que não se casam e nem se dão em casamento como o homem criado à imagem de Deus pode viver como remido de Deus.
b) No casamento o homem espelha a imagem de Deus na forma em que homens e mulheres, sendo iguais em importância, vivenciam papéis diferentes segundo o propósito da criação.
c) A relação com o restante da criação. Deus deu ao homem o dever de reger a criação com a autoridade inclusive, de na ressurreição, julgar os anjos (I Co 6.3; Gn 1.26,28; Sl 8.6-8).

5. Aspectos Físicos.
"Deus é Espírito” (Jo 4.24) e não pode ser representado em hipótese alguma como tendo um corpo físico (Ex 20.4; Sl 115.3-8; Rm 1.23). O corpo físico representa a imagem de Deus no homem como o meio pelo qual todos os aspectos mencionados acima possam se expressar externamente ao homem. O ponto é que o homem como um todo foi criado à imagem e semelhança de Deus e não somente o seu aspecto imaterial. Deus criou o corpo humano como instrumento adequado para representar a natureza humana, criada conforme a própria semelhança divina. Quase tudo que o homem faz, o faz por meio de seu corpo. A capacidade de gerar filhos é um reflexo da capacidade de Deus de criar seres humanos semelhantes a ele (Gn 5.3).

Aplicações e Conclusão:

1. A grande dignidade do homem como portador da imagem de Deus nele.
Essa dignidade é compartilhada por toda a humanidade e não por algumas raças enquanto que por outras não. É compartilhada por todos os seres humanos e não pela tirania dos mais aptos sobre os menos aptos (doentes mentais, doentes crônicos, idosos, crianças, fetos etc). Mesmo após a queda o homem permanece portador da imagem divina em si mesmo, desfigurada, mas presente.

2. Na queda a imagem de Deus no homem é distorcida, mas não se perde.
A primeira declaração de que o homem não perdeu completamente a imagem de Deus em si está na instrução sobre a pena de morte em Gênesis 9.6. A causa fundamental da pena de morte para o assassino é a imagem de Deus no homem, que não pode ser ultrajada. O mesmo é confirmado no Novo Testamento em Tiago 3.9.

3. A redenção em Cristo propicia a recuperação gradual da imagem de Deus.
Quando alguém recebe a Cristo, ele recebe uma nova natureza que se refaz para o pleno conhecimento de Deus segundo a sua imagem (Cl 3.10), sendo transformado de glória em glória pelo padrão da imagem de Cristo (II Co 3.18, Rm 8.29).

4. Na volta de Cristo a imagem de Deus no homem será plenamente restaurada.
A plena medida da criação do homem à sua imagem não é visto nem em Adão e nem na experiência cristã presente, mas na pessoa de Jesus Cristo (II Co 4.4; Cl 1.15) pois deveremos ser conformes à sua imagem (Rm 8.29; I Co 15.49; I Jo 3.2).

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Bibliografia: Wayne Gruden, Teologia Sistemática, Hagnos, p.364-372. / Louis Berkhof, Teologia Sistemática, ECC, p. 195-204.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Exposição 08 = Gálatas 3.1-9 - A Loucura dos Gálatas


Introdução:
O que é fascinação? É como se alguém jogasse um feitiço ou um encantamento mágico em você, e você ficasse tão encantado que não conseguiria nem pensar e nem agir corretamente, mas apenas motivado pelo tema do feitiço.
O falso esse tem esse poder, o poder de nos enfeitiçar, encantar de tal modo que não vemos o que precisa ser visto e vemos o que não está ali, bem diante dos olhos!.

Contexto:
Nos capítulos 1 e 2 Paulo apresentou uma defesa vigorosa da origem divina de sua missão e mensagem apostólica. Ela não veio de homens e não foi dada por intermédio de homens. Também não é diferente e nem inferior ao evangelho pregado pelos demais apóstolos, mas era o mesmo evangelho apostólico de Pedro, João, Tiago e os demais que tinham estado com Cristo pessoalmente.
Agora, capítulos 3 e 4 Paulo passa a defender o próprio evangelho de Cristo. Ele mesclará argumentos teológicos e históricos nesse propósito

Proposição:
Abandonar o evangelho de Cristo não é apenas uma traição espiritual, mas é também uma grande insensatez, uma grande loucura. Paulo nos mostra isso de duas formas:

I. A PRÓPRIA EXPERIÊNCIA DOS GÁLATAS: É LOUCURA COMEÇAR NO EVANGELHO E APERFEIÇOAR-SE NA CARNE - V.1-5.

a) A fascinação dos judaizantes X a verdade da cruz (v.1).
Como foi dito, fascinar é enfeitiçar, jogar um “mal olhado”! Os gálatas, após terem aceito o evangelho da graça e terem caminhado um tempo nele, deram ouvidos à doutrina judaizante da salvação pelas obras da lei.
Cristo fora exposto publicamente aos gálatas como crucificado; tendo oferecido um sacrifício perfeito e definitivo por seus pecados e agora eles retrocedem para a escravidão das obrigações da lei! É por isso que Paulo fica perplexo! “Quanto mais Cristo era conhecido, mais grave era o crime de esquecê-lo” (Gálatas, Calvino, p.81).
Aqui nós temos a definição Paulina de evangelho: O Cristo crucificado proclamado às pessoas para que creiam nele, e não uma apresentação meramente intelectual de uma mensagem (I Co 2.2; 11.23). A expressão “crucificado” é um particípio perfeito (staurõmenos) significando “que a obra de Cristo foi completada na cruz, e que os benefícios de sua crucificação serão sempre atuais, válidos e disponíveis” (Stott, p. 66) aos pecadores por ela alcançados. A justificação dos pecados não é pelo que nós fazemos, mas pelo que Cristo fez. A cruz é central da teologia da justificação de Paulo. (Guthrie, Gálatas, Vida Nova, p.114).
 Ela é um sacrifício expiatório e não uma obediência meritória!
 É a boa nova a respeito de Cristo e não uma enciclopédia de bons conselhos!
 É a declaração judicial do que Deus já fez a nosso favor e não um convite par se fazer algo novo!
 É uma oferta graciosa da parte de Deus e não uma exigência!

b) A recepção do Espírito é uma dádiva graciosa e não uma conquista meritória (v. 2-4).
Note que Paulo não pergunta se receberam o Espírito, mas como ele foi recebido? Paulo faz aqui um contraste entre Lei e Evangelho. A lei diz: “Faça isso”. O Evangelho diz: “Cristo fez tudo”. A lei exige obras humanas, o evangelho a fé na obra de Cristo. A lei faz exigências e cobra obediência; o evangelho faz promessas e nos incita a crer! (Stott, p.67).

c) A pregação da fé implicou na recepção do Espírito e na operação de milagres entre os salvos (V.5).
Paulo muda a perspectiva da doação do Espírito, para o doador do Espírito. Ele os faz recordar de sua conversão e questiona-os sobre a sua própria experiência. Como Deus operou milagres entre eles? Pela operação da graça e não pela imposição da lei. Eles receberam o Espírito por terem crido no evangelho da graça e não por terem obedecido alguma exigência da lei!
Por isso, além de loucura, era ridículo que tinham começado no Espírito e agora esperassem, ou desejassem completar a obra de Deus pelas “obras da carne”. Fazer isso não melhorava a sua fé como prometiam os judaizantes, mas a degradava.

II. A HISTÓRIA DE ABRAÃO NO ANTIGO TESTAMENTO: ELE FOI JUSTIFICADO PELA FÉ E NÃO POR OBRAS -V.6-9.

a) Abraão creu e isso lhe foi imputado para justiça = Citação de Gênesis 15.6.
Paulo dá um golpe de mestre e retira da discussão da lei de Moisés e a leva para a experiência do próprio Abraão. Citando Gn 15.6 relembra que que a justificação de Abraão, que viveu antes do período da Lei, foi justificado pela fé e não por obras de obediência à Lei, que sequer existia ainda!
Deus fez uma promessa a Abrão; ele creu na promessa e partiu em obediência a ela; a sua fé foi reconhecida como justiça diante de Deus. A circuncisão e a Lei só viriam depois. Ele justificado pela fé e não por obras.

b) Os filhos da promessa são os que creram à semelhança de Abraão = Citação de Gênesis 12.3.
Paulo reverte a o argumento a favor do evangelho da graça a firmando categoricamente que os filhos de Abraão são os que crêem à semelhança de sua fé e não de sua circuncisão que veio a ser praticada anos depois de ter crido na promessa.
A benção que herdariam os descendentes de Abraão era a benção da justificação pela fé. Esses descendentes são os descendentes espirituais e não os descendentes físicos.

c) A benção de Abraão é a benção da fé e não das obras. (v.9).
Os gálatas já deveriam saber disso e dessa forma jamais poderiam dar ouvidos à dissimulação judaizante, assim como não podemos dar ouvidos à dissimulação neo-apostólica: Um evangelho totalmente baseado em obras e conquistas meritórias.

Conclusão:
1. O que o Evangelho é?
Ele é a pregação de Cristo e sua cruz. Veja I Coríntios 2.1-5. O verdadeiro evangelho só é pregado quando Cristo é “publicamente exposto na sua cruz”! O evangelho trata de um evento histórico público e de uma resposta histórica pública de nossa parte.

2. O que o Evangelho oferece?
O evangelho oferece uma benção dupla: A justificação pela fé somente e a recepção do Espírito Santo pelo crente. O perdão legal e a união vital. Cristo vive em nós por meio do Espírito que nos concedeu na pregação do evangelho. Observe que a justificação e habitação do Espírito são integradas. Quem crê recebe o Espírito e quem recebe o Espírito é porque creu. Não são duas bençãos separadas e conseguintes; mas são duas bênçãos integradas simultaneamente!

3. O que o evangelho exige para a nossa salvação?
Crer em Cristo somente e nada mais! Não tem nem méritos e nem obras, apenas a graça abundante de Cristo sendo derramada sobre nós! (Ef 1.7).

domingo, 3 de abril de 2011

Meu Querido Filho? - Abril de 1998.


MEU QUERIDO FILHO ?

Meu Querido Filho...
Quando você nasceu, eu não te levei à Escola Dominical. Você daria trabalho demais no berçário. Não te apresentei ao batismo, pois achei pesado o compromisso, e talvez você não assumiria a minha fé. Também achava que você era pequeno demais para entender.

Quando você fez dois anos, eu não te levei à Escola Dominical. Você era muito sapeca; às vezes dormia no colo e eu ficava cansado. Como você não entendia, achei melhor te deixar em casa com alguém.

Quando você fez quatro anos, eu não te levei à Escola Dominical. Você ficaria correndo para todos os lados; daria muito trabalho para a professora, e como eu ficaria envergonhado e teria de usar a vara da disciplina, achei melhor te deixar em casa vendo televisão.

Quando você fez seis anos eu não te levei à Escola Dominical. Você tinha a mim como herói e eu me orgulhava de ouvir seus elogios diante das pessoas. Aprender aquelas histórias bíblicas não parecia ser muito útil para a formação do seu caráter. Você era tão engraçadinho e nos divertíamos tanto! Quando você crescesse mais entenderia.

Quando você fez oito anos, eu não te levei à Escola Dominical. Eu trabalhava a semana toda, só tinha o fim de semana para te “curtir”, achei melhor te levar para passeios. Quando você crescesse você entenderia.

Quando você fez dez anos, eu não levei à Escola Dominical. Não te enviei para o Acampamento. Você ficaria longe de mim. Eu te dei brinquedos eletrônicos e livros com gravuras bonitas. Não te dei uma Bíblia, porque embora você soubesse ler, aquelas letras miúdas ia forçar demais a sua visão, e eu detesto óculos.

Quando você fez treze anos, eu pensei que você iria comigo à Escola Dominical, mas você saia com o amigo que conhecera em nossos passeios. Você não me ouvia mais. Você não me obedecia mais. Nem comigo falava mais. Foi quando soube que seus colegas te apresentaram ao álcool e às drogas...
Ah meu querido filho... Por onde anda você agora aos dezoito anos? Aonde foi que eu errei?

(Queridos pais:: Não deixem de trazer seus filhos à Escola Dominical).

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Rev. Hélio O. Silva = Abril de 1998 (Revisão ampliada de 03/04/2011).

sábado, 2 de abril de 2011

Aula 07 = A Imagem de Deus no Homem (I)


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem É O Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 07 = A Imagem de Deus no Homem (I) 03/04/2011.
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1.DEFINIÇÃO:
A imagem de Deus no homem é a expressão daquilo que é mais distinto no homem e em sua relação com Deus, distinguindo-o dos animais e de todas as outras criaturas. “A imagem de Deus abrange tudo que na natureza do homem sobrepuja à de todas as outras espécies de animais” (Calvino, Institutas I.15.308). Significa qe o homem é semelhante a Deus e o representa. Nem os anjos compartilham com os homens essa honra e jamais são apresentados como participantes de sua criação. Eles são espíritos ministradores enviados para servir aos herdeiros da salvação (Hb 1.14).
Os termos imagem e semelhança (Gn 1.26,27) se referem a algo similar, porém não idêntico (igual) a Deus. A palavra imagem pode ser usada para exprimir algo que representa outra coisa. De forma simples, ser criado à imagem de Deus liga a existência do homem completamente a Deus e seus propósitos. Daí, quanto mais o homem conhecer a Deus, mais conhecerá a si mesmo e quanto mais conhecer a si mesmo, poderá conhecer a Deus.
A imagem de Deus (Imago Dei) consiste especialmente naquela integridade original (justiça original) da natureza do homem, perdida por causa do pecado, integridade que se revelava no verdadeiro conhecimento, justiça e santidade. A justiça original é a perfeição moral da imagem de Deus que podia ser perdida por causa do pecado, e foi exatamente isso que aconteceu na queda do homem no pecado (Gn 3).
A imagem de Deus constitui a essência do homem. Todavia, precisa-se fazer uma distinção entre os elementos da imagem de Deus que o homem não pode perder sem deixar de ser homem, os elementos que consistem das qualidades e poderes da alma humana, e aqueles elementos que o homem pode perder e continuar sendo homem, a saber, as boas qualidades éticas da alma e seus poderes. Em resumo, pode-se dizer que a imagem de Deus consiste:
(a) Da alma ou do espírito do homem (as qualidades de simplicidade, espiritualidade, invisibilidade e imortalidade).
(b) Dos poderes ou faculdades psíquicas do homem como um ser racional e moral (o intelecto e a vontade com as suas funções).
(c) Da integridade moral e intelectual da natureza do homem, que se revela no verdadeiro conhecimento, justiça e santidade (justiça original = Ef 4.24; Cl 3.10).
(d) Do corpo, não como substância material (I Co 15.35-49), mas como o apto órgão da alma, e que participa da imortalidade desta; e como o instrumento por meio do qual o homem pode exercer domínio sobre a criação inferior.
(e) Do domínio do homem sobre a terra como uma concessão especial de Deus (Gn 1.26; Sl 8.5,6).
É muito estreita a CONEXÃO EXISTENTE ENTRE A IMAGEM DE DEUS E O ESTADO ORIGINAL DO HOMEM e, por isso ambos são geralmente considerados juntos.

2. O CONCEITO CATÓLICO ROMANO
Afirma que a justiça original não pertencia à natureza humana em sua integridade, mas foi algo acrescentado sobrenaturalmente. Na criação o homem foi simplesmente revestido de todos os poderes e faculdades naturais da natureza humana como tal e, pela justitia naturalis, esses poderes foram muito bem ajustados uns aos outros. Ele estava sem pecado e vivia num estado de inocência perfeita. Havia, porém em sua natureza uma tendência dos apetites e paixões inferiores para rebelar-se contra os poderes superiores da razão e da consciência. Essa tendência, denominada concupiscência, não era pecado em si mesma, porém facilmente podia vir a ser ocasião e combustível para o pecado (conceito contraditado por Rm 7.8; Cl 3.5; 1 Ts 4.5). Então, o homem, como originariamente constituído, estava sem santidade positiva, mas também sem pecado, embora levando o fardo de uma tendência que facilmente poderia redundar em pecado (uma neutralidade relativa). Mas agora Deus acrescentou à constituição natural do homem o dom sobrenatural da justiça original pela qual ele foi habilitado a manter na devida sujeição as propensões e os desejos inferiores. Quando o homem caiu, perdeu aquela justiça original, mas a constituição original da natureza humana permaneceu intacta. O homem natural está agora exatamente onde Adão estava antes de ser dotado da justiça original, embora com uma inclinação um tanto mais forte para o mal.

3. CONCEITOS RACIONALISTAS
Lançam em total descrédito o conceito de um estado primitivo de santidade. (a) Alguns pelagianos e arminianos definem o estado de inocência no qual o homem fora criado como de neutralidade moral e religiosa, mas dotado de livre arbítrio, de modo que podia seguir esta ou aquela direção. (b) Os evolucionistas afirmam que o homem começou a sua carreira num estado de barbárie, apenas ligeiramente diferente dos animais irracionais. (c) Os racionalistas acreditam que um estado original de justiça e santidade é uma contradição de termos. O homem determina o seu caráter por sua própria e livre escolha, e a santidade só pode resultar de sua vitoriosa luta contra o mal e não por Adão ter sido criado num estado de santidade. (d) Além disso, os pelagianos, os socinianos (radicais da época da Reforma) e os racionalistas sustentam que o homem foi criado mortal. A morte não resultou da entrada do pecado no mundo, mas simplesmente com o término natural da vida humana. Adão teria morrido de qualquer modo, mesmo se não houvesse a queda no pecado.

4. O ESTADO ORIGINAL DO HOMEM.
O homem foi criado originalmente num estado de relativa perfeição, um estado de justiça e santidade. Não significa que ele já tinha alcançado o mais elevado estado de excelência de que era suscetível. Admite-se que ele estava destinado a alcançar um grau mais elevado de perfeição pela obediência. Um tanto semelhante a uma criança, era perfeito em suas partes, não porém em grau. Sua condição era preliminar e temporária, podendo ser elevado a uma maior perfeição e glória ou acabar numa queda. Foi por natureza dotado daquela justiça original (verdadeiro conhecimento, justiça e santidade) que é a glória máxima da imagem de Deus e, conseqüentemente, vivia num estado de santidade positiva.
A perda daquela justiça significaria a perda de uma coisa que pertencia à própria natureza do homem em seu estado ideal. O homem podia perdê-la e ainda continuar sendo homem, mas podia não perdê-la e continuar sendo o homem no sentido ideal da palavra. Noutras palavras, sua perda significaria realmente uma deterioração e um enfraquecimento da sua natureza humana.
Além disso, o homem foi criado imortal, no sentido de que depois de sua concepção jamais deixará de existir novamente. Tanto sua alma quanto o seu corpo estão destinados a ter existência permanente. Isso não significa, porém, que o homem foi elevado acima da possibilidade de ser presa de morte; isto só se pode afirmar sobre os anjos e os santos que estão no céu. Significa, porém, que o homem, como criado por Deus, não levava dentro de si as sementes da morte e não teria morrido necessariamente em virtude da constituição original da sua natureza.
Embora não estivesse excluída a possibilidade de vir a ser vítima da morte, não estava sujeito à morte, enquanto não pecasse. Deve-se ter em mente que a imortalidade original do homem não era uma coisa puramente negativa e física, mas era também uma coisa positiva e espiritual. A imortalidade original do homem significava vida em comunhão com Deus e o gozo do favor do Altíssimo. Esta é a concepção fundamental da vida, segundo a Escritura, assim como a morte é primariamente a separação de Deus e a sujeição à Sua ira, vida eterna é comunhão imperdível com Deus. A perda dessa vida espiritual daria lugar à morte, e redundaria também na morte física.

5. APLICAÇÕES:
(1ª) Ser criado à imagem de Deus dignifica o homem e o responsabiliza perante si mesmo. As insatisfações que temos conosco mesmos são frutos do pecado. Existem deficiências verdadeiras, que podem ser mudadas; mas quando queremos mudar o que é natural incorremos no erro de rebelião pecaminosa.
(2ª) Ser criado à imagem de Deus dignifica e responsabiliza o homem perante Deus. O homem deve culto e serviço ao seu criador.
(3ª) Ser criado à imagem de Deus dignifica e responsabiliza o homem perante o seu semelhante e perante toda a criação. O homem é o mordono cuidador da criação como representante de Deus.

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Bibliografia: Louis Berkhof, Teologia Sistemática, ECC, p. 195-204./ Wayne Gruden, Teologia Sistemática, Hagnos, p.364-372.
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