O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Os Sons do Silêncio e a Oração


Os Sons do Silêncio e a Oração[1]

Em fevereiro de 1964 Paul Simon, da dupla Simon&Garfunkel, compôs uma das músicas mais enigmáticas e apreciadas do nosso tempo, a canção folk rockThe Sounds Of Silence” (Os Sons do Silêncio). A sua inspiração e composição foi marcada por dois eventos: O recente assassinato do John F. Kennedy e o som da água caindo de uma torneira de um banheiro quebrando o silêncio do lugar. Lançada no mesmo ano, alcançou o nº 1 no Hit Parade norte-americano no ano novo de 1966 e celebrizou-se mundialmente por compor a trilha sonora do filme “A Primeira Noite de Um Homem” (filme que lançou Dustin Hoffman no cinema em 1967).

A música fala do assombro diante do silêncio das massas em função da manipulação por não ouvir os sons que emanam do silêncio, mas se curvarem idolatricamente diante de qualquer coisa que chame a atenção, como a luz forte de um neon na escuridão. Revela a perplexidade diante do fato de que as pessoas (a opinião pública) são manipuladas o tempo todo. Na música, as palavras dos profetas estão nas pichações das paredes dos metrôs e das casas.

Ao contrário do que afirma a primeira frase da canção, não precisamos ir conversar com a escuridão, como se fosse uma velha amiga, a fim de compartilhar nossas perplexidades quanto aos absurdos da vida, como o assassinato! Mas podemos usar de um recurso muito mais antigo e eficaz. Podemos orar. Deus nos convida para fechar a porta e orar em secreto, mas não para conversar com a escuridão (Mt 6.6). O lugar secreto (grego – tameion) é simplesmente o quarto, o cômodo mais interior da casa onde geralmente se guardavam os tesouros.

No secreto e no silêncio podemos conversar com Deus de forma contínua e verdadeira. Para muitos, a escuridão tem se tornado a versão deísta ou pagã de Deus. Entretanto aprendemos nas Escrituras, que o silêncio e o secreto são formas de estar e encontrar a Deus, ou melhor, de estar com Deus e ser por ele encontrados. Vivendo as situações mais angustiantes, podemos aprender a confiar em Deus e vencer a ansiedade pelo equilíbrio e a sensatez (Salmos 54-68).

Foi assim que Moisés passou muitos momentos a sós com Deus no Monte Sinai (Ex 33,34); Ali também Elias foi surpreendido pela voz de Deus num vento suave e tranqüilo (1 Rs 19). Foi no silêncio do deserto que o Senhor Jesus foi tentado pelo diabo quarenta dias, e do qual saiu para o seu ministério no poder do Espírito (Lc 4).

Na oração não há manipulação, mas comunhão; Não é uma conversa com a escuridão, mas com o Deus que vê no secreto e do silêncio responde; Nossas perplexidades são respondidas e nosso medo acalmado. Embora o silêncio possa ser misterioso às vezes e misticamente explorado por tantas vozes; só há uma voz e um som vindo do silêncio que nos interessa: a resposta de Deus às nossas orações.

Não tenha medo, entre no quarto, feche a porta e ore em secreto, pois Deus tem tesouros secretos para te presentear. Com amor, Pr. Hélio.



[1] Gravura: Sem título - Lívia Sally F. Silva, 2010.

terça-feira, 21 de julho de 2015

O Templo de Zorobabel


O Templo Construído por Zorobabel. 

Conforme predito pelo profeta Isaías, Deus suscitou a Ciro, rei da Pérsia, como libertador de Israel do poderio de Babilônia (Is 45:1). O Senhor também estimulou seu próprio povo, sob a liderança de Zorobabel, da tribo de Judá, a retornar a Jerusalém. 

Fizeram isto em 537 a.C, depois de 70 anos de desolação, conforme Jeremias predissera, com o objetivo de reconstruir o templo. (Ed 1:1-6; 2:1, 2; Jr 29:10) Esta estrutura, embora não fosse nem de longe tão gloriosa como o templo de Salomão, durou mais tempo, permanecendo por cerca de 500 anos, de 515 a.C. até bem próximo ao fim do primeiro século a.C. (c.20 a.C), quando Herodes, o Grande, o restaurou e ampliou. O templo construído por Salomão servira por cerca de 360 anos, de 967 a 607 a.C.

No seu decreto, Ciro ordenou: “Quanto a todo aquele que restou de todos os lugares onde reside como forasteiro, auxiliem-no os homens do seu lugar com prata, e com ouro, e com bens, e com animais domésticos, junto com a oferta voluntária para a casa do verdadeiro Deus, que havia em Jerusalém.” (Ed 1:1-4) Ciro também devolveu 5.400 vasos de ouro e de prata que Nabucodonosor havia tomado do templo de Salomão. — Ed 1:7-11.

No sétimo mês (etanim, ou tisri = setembro/outubro) do ano 537 a.C, o altar já estava erguido; e, no ano seguinte, foi lançado o alicerce do novo templo. Como Salomão fizera, os construtores contrataram sidônios e tírios para trazer cedros do Líbano. (Ed 3:7) A oposição, principalmente da parte dos samaritanos, desencorajou os construtores, e, depois de cerca de 15 anos esses opositores até mesmo incitaram o rei da Pérsia a embargar a obra. — Ed 4.

Os judeus haviam parado a construção do templo e se voltado para outros interesses, de modo que Javé enviou seus profetas Ageu e Zacarias para incitá-los a renovar seus esforços, no segundo ano de Dario I (520 a.C), e, depois disso, expediu-se um decreto que apoiava a ordem original de Ciro e ordenava que se fornecesse dinheiro do tesouro real, para suprir as necessidades dos construtores e dos sacerdotes. (Ed 5:1, 2; 6:1-12) A construção foi reiniciada e a casa de Javé foi concluída no dia 3 de adar do sexto ano de Dario (provavelmente 5 de março de 515 a.C), após o que os judeus inauguraram o templo reconstruído e celebraram a Páscoa. — Ed 6:13-22.

Pouco se sabe dos pormenores do projeto arquitetônico deste segundo templo. O decreto de Ciro autorizava a construção de certa estrutura, “sendo sua altura de sessenta côvados (c. 27 m), sua largura sessenta côvados (c.27m.), com três camadas de pedras grandes e uma camada de madeiramento”. Não se declara o comprimento (Ed 6:3, 4). A referência a três carreiras de pedras, possivelmente seja à construção do muro ao redor do interior do átrio do templo de Salomão (1 Rs 6.36).[1] Tinha refeitórios e salas de armazenagem (Ne 13:4, 5) e, sem dúvida, tinha câmaras no teto, e, possivelmente, havia outros prédios relacionados com ele, seguindo as mesmas linhas que o templo de Salomão.

A construção foi atrasada por oposição física e legal dos adversários dos judeus (Ed 4.6). A oposição física tentou impedir o transporte dos materiais vindos das terras vizinhas (Ag 1.8), e importunação dos construtores.

Este segundo templo não continha a arca do pacto, que parece ter desaparecido antes de Nabucodonosor ter capturado e saqueado o templo de Salomão, em 607 a.C. Segundo o relato no livro apócrifo de I Macabeus 1:21-24, 57; 4:38, 44-51 havia um único candelabro nele, em vez dos dez que havia no templo de Salomão; mencionam-se o altar de ouro, a mesa dos pães da proposição e os vasos, bem como o altar da oferta queimada que, em vez de ser de cobre, como era no templo de Salomão, é descrito aqui como sendo de pedra. Este altar, depois de ser maculado pelo Rei Antíoco Epifânio (em 168 a.C), foi reconstruído com pedras novas sob a direção de Judas Macabeu.

No século I a.C., Herodes o Grande ordena uma remodelação ao templo, considerada por muitos judeus como uma profanação, com o propósito de agradar a César, tendo construído num dos vértices da muralha a Fortaleza Antônia, uma guarnição romana que dava acesso direto ao interior do pátio do templo. Certos autores designam o templo após esta intervenção por "Terceiro Templo". Não se podia mudar a arquitetura do templo, Deus havia dado o modelo a Davi, e ordenou que se seguisse o modelo pré-determinado por Ele. A mudança que Herodes fez simbolizava uma profanação para os judeus.

 Escadas do templo de Zorobabel

As afirmações da vida em aliança incluíam a construção de uma casa de adoração como afirmação e testemunho da fé do povo em Deus e como fonte de fortalecimento para a obediência.[2]  Os esforços de Ageu e Zacarias eram no sentido de despertar no povo a consciência dos deveres da vida em aliança com Deus.

A comparação entre o segundo templo e o primeiro era desnecessária e equivocada, pois a sua construção era a garantia da obra redentora de Deus entre os homens. Apesar da aparente mediocridade da obra, Deus continuava a executar o plano salvador na história da redenção. Por causa desse simbolismo e propósito redentor a obra não deveria ser paralisada e nem desprezada como medíocre e irrelevante (Zc 4.9,10). Deus consola a Zorobabel e o fortalece para compreender que seu trabalho seria um selo do triunfo da graça de Deus frente a todos os obstáculos.

O significado escatológico do templo é apresentado em Zacarias 6.12ss, o sacerdócio de Josué simbolizava o renovo, a descendência de Davi que se constituiria o templo de Yaveh, que é Cristo e que habitaria com o seu povo (Jo 2.21; Mt 16.18).

Fontes:
Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã, ECC.




[1] H. G. Stigers. Templo de Jerusalém, in: Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã, vol. 5, p.799.
[2] H. G. Stigers. Templo de Jerusalém, in: Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã, vol. 5, p.799.

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