O Bom pastor e seus comentários

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quarta-feira, 28 de março de 2018

Levítico 23.1,2,4-8 = A Celebração da Páscoa



A Celebração da Páscoa (Levítico 23.1,2,4-8)



De acordo com Levítico 23.1,2, (1) As Festas do Senhor são fixas; ou seja, as datas são estabelecidas por Ele mesmo. Marcam eventos e reuniões solenes convocadas pelo próprio Deus. (2) As Festas do Senhor são santas convocações proclamadas pelo próprio Deus ao seu povo. (3) As Festas do Senhor pertencem a Ele! Cumprem os seus propósitos e não os dos homens.


A Páscoa aponta para o sacrifício de Cristo e sua ressurreição. Paulo liga os eventos da Páscoa diretamente à nossa justificação em Romanos 4.25: Cristo foi entregue por causa de nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação. Na Páscoa celebrava-se a libertação da escravidão do Egito. Agora celebramos a libertação do jugo de nossos pecados. Uma libertação que não é meramente política, mas espiritual e eterna. Não somos livres da opressão de regimes pecaminosos, mas da condenação dos próprios pecados! O foco da Páscoa não é a sexta-feira santa da paixão, mas o amanhecer glorioso da Páscoa. O foco não está na penitência e no sofrimento, mas na alegria do perdão por causa da ressurreição. È a ressurreição que determina a força da cruz, não somente a morte de Cristo. Se Cristo não tivesse ressuscitado, de que nos valeria a cruz? O corpo de Cristo estaria no túmulo e nós sem esperança.


Mas Cristo nos libertou dos nossos pecados, e pela ressurreição, nos transportou para o seu reino (Rm 4.25; Cl 1.13).


          Agora, é preciso perguntar com honesta sinceridade:

1º. O que nós entendemos por “Santa convocação”? Deus nos convoca para a celebração, não podemos recusar ou nos escusar!


2º. Se Deus fixou as suas próprias festas e elas lhes pertencem, será que temos autonomia para mudá-las?


          O nosso país mantém inúmeros feriados no calendário; alguns deles são religiosos. Como podemos administrar isso? Deus determinou essas festas para Israel e não lhes permitiu fazer qualquer alteração ou adaptação. Eles deveriam guardá-las e celebrá-las na sua presença. Cada israelita deveria comparecer.


          Creio que não precisamos comparecer a todas as festas religiosas que são propostas no calendário de nosso país, algumas não são celebrações que dizem respeito à nossa fé; nem o Natal é celebrado na data correta, e não recebe nas Escrituras mais atenção que os eventos finais da encarnação de Cristo relacionados à nossa salvação. Todavia, creio estarmos incorrendo em erro pecaminoso na forma como observamos a Páscoa.


          Não podemos simplesmente fazer programas de viagem e passeio para essa data. Ela representa o centro de nossa fé: O sacrifício de Cristo por nossos pecados e sua ressurreição por causa de nossa justificação. Essa data tem de ser inegociável para nós cristãos em geral e membros da nossa igreja em particular.


Não podemos simplesmente mudar as comemorações desse dia para ficarmos livres para outros afazeres! O que temos de fazer é o contrário, livrarmo-nos de todos os outros compromissos para estarmos livres para a celebração desse dia juntos, como povo de Deus, no dia designado! Precisamos voltar para casa e tomar a decisão de mudar a nossa atitude e o nosso planejamento familiar! Faça isso para a glória de Deus e o bem da fé de sua família!

Com amor, Pr. Helio.

terça-feira, 13 de março de 2018

Uma Palavra Sobre o Dízimo


Uma Palavra sobre o Dízimo

Muito tem sido falado a favor e contra a prática do dízimo na internet e na literatura cristã em geral. Geralmente, as questões gravitam ao redor da posição assumida quanto à continuidade e descontinuidade entre a Antiga e a Nova Aliança. Que existe tanto continuidade quanto descontinuidade dentro Aliança é um fato inegável por todos os estudiosos sérios das escrituras. O grau exato de como isso acontece é o que tem gerado polêmica. A questão de como praticar ou não praticar o dízimo é uma delas.

Os principais textos bíblicos que tratam da questão são: Levítico 27.30-33; Números 18.21-32; Deuteronômio 12.5-18; 14.22-29; 2 Crônicas 31.4-12; Neemias 10.34-39; 13.10-14; Malaquias 3.6-12; Mateus 23.23; Hebreus 7.1-10.

O principal ensinamento desses textos é que devemos honrar nossos compromissos com Deus e ser totalmente honestos em nosso procedimento para com ele. Nunca devemos tentar negociar um “acordo” mais vantajoso nem escapar de nossas responsabilidades. É bom e correto ofertar em dinheiro para a obra de Deus, mas isso jamais pode ser um substituto para o serviço que deveríamos estar prestando ao Senhor (1 Sm 15.22). Não dizimar porque não se concorda com o ensino da igreja sobre a matéria não justifica não contribuir de forma nenhuma! Nesse caso estaríamos realmente roubando de Deus.

Com base nos textos bíblicos acima, concluímos:
          1ª) Praticar o dízimo não fere os ensinos bíblicos. Ele não foi estabelecido pela lei cerimonial, pois tinha implicações morais (sustento do sacerdócio e auxílio aos necessitados). Nem tudo do Antigo Testamento foi abolido no Novo Testamento (Mt 23.23).

          2ª) praticar o dízimo obedece ao princípio da proporcionalidade. Dizimamos segundo a prosperidade de cada um (lembre-se que os sistemas econômicos da época do Antigo Testamento e do Novo Testamento não eram os mesmos de hoje em dia). O dízimo também é sistemático, ou seja, segue um padrão. Para uns pode ser mensal, por causa do salário; para outros pode ser diário, semanal ou sazonal, devido o tipo de sua profissão. Cada um deve contribuir em conformidade com o modo que recebe seus rendimentos. Os ensinos quanto às ofertas alçadas no Novo Testamento falam de práticas semanais (I Co 16.1,2).

          3ª) Existem promessas claras para quem pratica o dízimo na Bíblia (Ml 3.10-12). Deus derramará Suas bênçãos (sem medida); Deus dará prosperidade material (Pv 3.9,10) e Seremos um povo feliz (Pv 11.24,25).

          Muitos dos que têm praticado voluntariamente o dízimo com fidelidade têm testemunhado do cuidado providente de Deus nas suas vidas. Por isso me pergunto se vale mesmo a pena omitir-se e não contribuir?
Com amor, Pr. Hélio.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Efésios 4.1-6 = A Unidade do Espírito. Culto de 04/03/2018 na Igreja Presbiteriana Mosaico

O Catolicismo Colonial - Os Primeiros Missionários Católicos no Brasil


Seminário Presbiteriano Brasil Central – SPBC

História da Igreja Brasileira – 2018

Rev. Helio de Oliveira Silva

Unidade 1 – Catolicismo Colonial  • A Presença Portuguesa e o Padroado  • Missões Católicas

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Primeira Missa no Brasil
  


O CATOLICISMO NO BRASIL COLONIAL[1]



A Primeira Missa

No dia 26 de abril de 1500, num banco de coral na praia da Coroa Vermelha no litoral sul da Bahia, foi rezada uma missa de Páscoa. Uma cruz foi fincada num banco de areia na região de Porto Seguro-BA. Pero Vaz de Caminha escreveu na sua carta ao rei de Portugal:

"E quando veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles (os índios) se levantaram conosco e alçaram as mãos, ficando assim, até ser acabado: e então tornaram-se a assentar como nós... e em tal maneira sossegados, que, certifico a Vossa Alteza, nos fez muita devoção."[2].

Os nativos, dóceis, se portaram de tal modo que Caminha convenceu-se da fácil conversão deles no futuro, solicitando também o envio de um par de padres, “dos bons”, para iniciar o trabalho da evangelização católica no Brasil.



A decisão de vir ocupar o Brasil

A Coroa Portuguesa demorou quase meio século para enviar os primeiros missionários jesuítas ao Brasil para fins de catequese. As políticas anteriores de ocupação da nova terra (o arrendamento ao consórcio de cristãos-novos de Fernão de Noronha, e, depois, a doação de capitanias), redundaram em fracasso. Foi o acirramento do combate teológico contra os protestantes, e as visitas das naus bretãs e flamengas atrás do pau-brasil, quem fez o rei retomar o interesse pela colonização do Brasil. Tinha urgentemente que ocupar os pontos estratégicos da costa e por os “hereges” para correr. Ou tomava conta de vez, ou perdia tudo.



Os primeiros seis missionários

O catolicismo trazido por eles foi o da Contra-Reforma. Os três instrumentos da Contra-Reforma para barrar o crescimento do protestantismo foram: A Sociedade de Jesus (1540), a Inquisição Romana (1542) e o Concílio de Trento (1545-1563).[3]

Nos barcos de Tomé de Souza, o fundador de Salvador, vieram junto, em 29 de março de 1549, os soldados de Cristo, os homens-de-preto, os jesuítas da recém fundada ordem de Inácio de Loyola – a Companhia de Jesus. Eram apenas quatro. O Padre Manoel da Nóbrega e o Padre Aspicuelta Navarro foram os mais famosos. Depois, veio também o Padre José de Anchieta que chegaria ao Brasil em. A eles juntaram-se mais dois: Antônio Rodrigues, um ex-soldado mestre nos idiomas nativos, e Pêro Correia, um ricaço que decidira-se pelo hábito talar. O trabalho era imenso. Evangelizar aquela massa de gentios, com mil falas, que se espalhava por aquele mundão todo, era tarefa de gigantes.

Manoel de Nóbrega
O líder da comissão de missionários jesuítas foi Manoel de Nóbrega (18/10/1517-18/10/1570). Tinha 32 anos e fazia parte dos jesuítas desde 1544. No primeiro ano no Brasil eles moraram com indígenas. Nóbrega ficou pouco tempo na Bahia e depois se transferiu para a capitania de São Vicente, onde fundou em 1554 a aldeia e o Colégio de São Paulo. Além disso, participou da fundação de Salvador e do Rio de Janeiro e na luta contra os franceses como conselheiro de Mem de Sá. Juntou-se (1563) a Anchieta e iniciaram o trabalho de pacificação dos índios tamoios, que retiraram seu apoio aos invasores franceses, sendo estes finalmente derrotados.[4]

Foi provincial da ordem jesuíta no Brasil de 1553-1560. Escreveu a primeira obra literária produzida no país: Diálogo Sobre a Conversão dos Gentios (1557), e Cartas do Brasil, que servem como documentos históricos sobre o Brasil colonial e a ação jesuítica no século XVI. Faleceu aos 53 anos no Rio de Janeiro, no dia de seu aniversário.
José de Anchieta

José de Anchieta (1534-1597). Em 1553, com 19 anos, vem ao Brasil em missão jesuítica pela catequese dos nativos chefiada pelo Padre Luís de Grã, integrando a frota do governador-geral Duarte da Costa. A ação catequética, com a meta de catequizar os índios Carijós. Participou ativamente das lutas dos portugueses para a expulsão dos franceses da Baía da Guanabara. Aprendeu a língua tupi, o que mais tarde lhe permitiu escrever a Gramática tupi, que seria usada em todas as missões dos jesuítas. Em 1597, aos 63 anos e já doente, o padre dirige-se a Reritiba (atual Anchieta), aldeia que fundara no Espírito Santo, onde passa seus últimos dias. Seu falecimento viria a ocorrer no dia 9 de junho do mesmo. José de Anchieta passou à História da Colônia como exemplo de vida espiritual notável, dadas as condições adversas em que foram exercidas, destacando-se pelo zelo religioso e a sensibilidade humana. Em 3 de abril 2014, foi canonizado pelo Papa Francisco.[5]

Os jesuítas trabalham no Brasil por 208 anos, 1549-1757, tendo enviado 474 missionários, entre estrangeiros e formados aqui mesmo no Brasil.



A expansão do Catolicismo[6]

Os carmelitas chegaram em 1580, as missões dos beneditinos tiveram início em 1581, as dos franciscanos em 1584, as dos oratorianos em 1611, as dos mercedários em 1640, as dos capuchinhos em 1642.

Apesar da aliança entre a Igreja Católica e o Estado português, o rei nunca permitiu à igreja liberdade suficiente para crescer e realizar sua tarefa evangelizadora no Brasil. Comparando-se o desenvolvimento da igreja católica no Brasil e nos EUA pode-se concluir que depois de 100 anos presente nos EUA, a Igreja Católica tinha ali 84 bispos e arcebispos, enquanto que em igual período no Brasil havia apenas uma diocese, a de Salvador-BA. Depois de 200 anos, sete; e após 300 anos, apenas 10.[7]




100 anos
200 anos
300 anos
EUA
84 bispos e arcebispos


Brasil
1 diocese
7 dioceses
10 dioceses



Três fatores causaram essa situação no Brasil. O Padroado, o Recurso e o Beneplácito.[8]

“O Padroado foi uma concessão feita pela Igreja Católica a determinados governantes civis, oferecendo-lhes um certo controle sobre a igreja em seus respectivos territórios como um reconhecimento por serviços prestados à causa católica e um incentivo a futuras ações em benefício da igreja”.[9] A coroa portuguesa se comprometia a fornecer os navios para o transporte dos religiosos, financiar o empreendimento missionário católico, construir igrejas e outros edifícios eclesiásticos e pagar o salário dos sacerdotes. Em contrapartida poderia nomear os bispos, recolher os dízimos dos fiéis, aprovar os documentos eclesiásticos, e interferir em quase todas as áreas da vida da igreja. Nem sempre a coroa portuguesa cumpriu suas obrigações, mas foi zelosa no uso de suas prerrogativas. D. Pedro II fez uso eficaz desse expediente.

O Recurso era o direito de recurso à coroa em casos de disciplina eclesiástica.

O Beneplácito ou “placet” era o direito de censura de todas as bulas, cartas e outros documentos eclesiásticos antes de sua publicação no império brasileiro.





[2] Carta de Caminha a El-Rei, 1º de maio de 1500.
[3] Elben Lenz César. História da Evangelização do Brasil, Ultimato, p.26.
[4] COSTA, Keilla Renata. "Manuel da Nóbrega"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/biografia/manuel-da-nobrega.htm>. Acesso em 05 de marco de 2018.
[6] Wikipédia: Catolicismo no Brasil: https://pt.wikipedia.org/wiki/Catolicismo_no_Brasil. Acesso em 16/02/2018.
[7] Earlie E. Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, p.303.
[8] Helio O. Silva. Apostila de História da IPB. SPBC, 2015, p.21,22. Trabalho não publicado, pdf.
[9] Alderi S. Matos, “Eventos Marcantes da História do Cristianismo no Brasil”. Em: Mark A. Noll, Momentos Decisivos na História do Cristianismo, ECC, p.334.
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