O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

quarta-feira, 18 de abril de 2012

10 = Chamados Para a Liberdade (Gl 5.1,13)

Tradução: O sermão de hoje será como nos vestir com modéstia numa época incrivelmente sem modéstia.

Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Graça Que Transforma
Liderança: Rev. Hélio O. Silva.
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10 = CHAMADOS PARA A LIBERDADE (I) 18/04/2012
Graça Que Transforma – Jerry Bridges, ECC, p. 117-125.
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Gálatas 5.1,13.
Gálatas é comumente chamada de Carta Magna da liberdade cristã. Todavia a liberdade que ela proclama não é liberdade de Deus, mas do legalismo como forma de vida cristã.

O Legalismo Evangélico.
O “legalismo evangélico” moderno não tem a ver mais com a circuncisão e a guarda da lei mosaica, mas com a forma como se vive a vida cristã.

(1) “O legalismo é qualquer coisa que fazemos ou não fazemos para merecer o favor de Deus” (p.118). Preocupa-se com as recompensas a serem obtidas ou com as penas a serem evitadas.

(2) o legalismo insiste em conformidade com regras e regulamentos feitos pelo homem e não por Deus. Muitas vezes ele é exigido dos outros ou permitido aos outros quanto a nós. A conformidade é com os outros pensam e não com o que a escritura realmente diz (Mc 7.6-8). O legalismo evangélico faz de nossas regras e práticas algo mais importante que os mandamentos de Deus.

As duas descrições do legalismo acima são intimamente relacionadas, porque muitas vezes tentamos obter o favor de Deus por meio de regras e nos sentimos culpados por não conseguirmos cumpri-las.

A observância de regras feitas pelos homens.
Nada podemos fazer para obter o favor de Deus, pois ele só nos é dado por meio da graça em Cristo. Deus nos chama a permanecermos firmes em nossa liberdade cristã. Essa liberdade nos foi dada graciosamente por Deus em Cristo. Nós não a conquistamos de Deus por méritos nossos. Em Gálatas 5.1,13 somos chamados tanto à liberdade quanto à perseverança em nela permanecermos.

O legalismo evangélico não promove a liberdade cristã genuína, mas é seu empecilho ao pregar uma conformidade a regras de desempenho. Os crentes precisam ser exortados a se conformarem a Cristo e não a uma cultura cristã particular. Isso acontece muitas vezes não intencionalmente, mas movidos por nossa preocupação com o abuso da própria liberdade. O legalismo cede à natureza pecaminosa porque gera hipocrisia e orgulho religioso enfatizando as regras externas de forma superficial.

Cercas.
Os fariseus faziam cercas para evitarem de pecar contra as leis de Deus por meio de regras de conduta que com o tempo foram igualadas aos próprios mandamentos divinos. Por exemplo, não ir à praia para evitar olhares lascivos pode ser uma boa medida pessoal contra as tentações, mas essa lei se aplica a todos em todos os momentos? Essa é uma cerca que pode se tornar uma regar legalista.

Muitas regras legalistas começam como esforço sincero para lidar com questões reais de pecado, depois elas ganham mais atenção que o próprio tratamento do pecado em si. Dessa forma nos concentramos na aparência externa do pecado e não do seu mal real no coração. A batalha se trava no lugar errado.

Então, não devemos construir cercas? Não exatamente. Muitas vezes elas ajudam e são necessárias. Elas nos ajudam realmente a lidar com os excessos e os abusos. O importante é não colocar a cerca à frente do mandamento que ela nos ajuda observar. Pais cristãos que estabelecem proibições a seus filhos devem lhes explicar claramente a razão e o propósito da proibição a fim de que os filhos não fiquem confusos quanto à verdade.

Também não sugerido o pular certas cercas só para debochar delas. Adotar ou rejeitar cercas é algo que exige dos cristãos discrição e amor à paz e à edificação dos outros (Rm 14.19).

Opiniões Diferentes.
Se as cercas são antigas as opiniões divergentes também são. Paulo dedicou o capítulo 14 de Romanos exclusivamente a esse assunto; ele chamou essa questão de: “Discutir opiniões”. O verso 5 define exatamente a questão: Pessoas têm opiniões diferentes e divergentes sobre os determinados assuntos. Nós universalizamos experiências pessoais e as impomos sobre as outras pessoas. Mas não devemos prender a consciência de outros crentes com as convicções particulares que surgiram do nosso andar pessoal com Deus, mesma que tenhamos a convicção de qe deu nos tenha orientado nessas questões particulares.

Conclusão parcial:
John Owen disse certa vez: “só o que Deus ordenou em sua palavra deverá ser visto como obrigatório; em tudo o mais deve haver liberdade de ação” (p. 125). Não devemos permitir que as opiniões dos outros nos amordacem, nem devemos amordaçá-los com as nossas opiniões, devemos ficar firmes na liberdade que Deus nos deu em Cristo.

Aplicações:
Nosso problema real é saber diferenciar o que é essencial do que é secundário. Muitas vezes tentamos relativizar mandamentos explícitos da escritura em função do desejo de transigir com aquilo que é mais o desejo do coração que um mandamento claro de Deus.

Por causa de questões secundárias superestimadas e de questões primárias subestimadas e empurradas para a periferia da fé é que calorosos debates consomem a unidade da Igreja. Por essa causa, muitas vezes vemos aqueles que se diziam irmãos, tratarem com espírito azedo uns aos outros.

Em Romanos 14.7-12 demonstra que precisamos aprender a andar em amor, a fim de que questões de diferenças de consciência quanto a certos assuntos não tão bem elaborados na escritura sagrada não nos separem sem necessidade.

No final das contas, nenhum de nós vive para si mesmo (Rm 14.7), todos pertencemos a Deus (Rm 14.8), Cristo é o Senhor de todos (v.9) e todos serão julgados é por ele (Rm 14.10-12). Brigar pela liberdade cristã pessoal criticando os outros ou impor regras aos outros de forma legalista é viver a vida cristã a partir de nossa experiência pessoal e não a partir de Cristo, que é o argumento de Paulo em Romanos 14.7-12. A vida na graça só pode ser vivida em Cristo, que é o único que realmente nos santifica.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Bispo Católico se Manifesta Contra o Big Brother

Essa é a segunda mensagem de um Bispo Católico que posto em meu blog. Minha intenção é mostrar que quando falamos a favor do Evangelho bíblico, devemos falar a mesma lingua, a língua do Evangelho.


Por Dom Henrique Soares, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Aracajú-SE

A situação é extremamente preocupante: no Brasil, há uma televisão de altíssimo nível técnico e baixíssimo nível de programação. Sem nenhum controle ético por parte da sociedade, os chamados canais abertos (aqueles que se podem assistir gratuitamente)fazem a cabeça dos brasileiros e, com precisão satânica, vão destruindo tudo que encontram pela frente: a sacralidade da família, a fidelidade conjugal, o respeito e veneração dos filhos para com os pais, o sentido de tradição (isto é, saber valorizar e acolher os valores e as experiências das gerações passadas), as virtudes, a castidade, a indissolubilidade do matrimônio, o respeito pela religião, o temor amoroso para com Deus.

Na telinha, tudo é permitido , tudo é bonitinho, tudo é novidade, tudo é relativo! Na telinha, a vida é pra gente bonita, sarada, corpo legal… A vida é sucesso, é romance com final feliz, é amor livre, aberto desimpedido, é vida que cada um faz e constrói como bem quer e entende! Na telinha tem a Xuxa, a Xuxinha, inocente, com rostinho de anjo, que ensina às jovens o amor liberado e o sexo sem amor, somente pra fabricar um filho… Na telinha tem o Gugu, que aprendeu com a Xuxa e também fabricou um bebê… Na telinha tem os debates frívolos do Fantástico, show da vida ilusória… Na telinha tem ainda as novelas que ensinam a trair, a mentir, a explorar e a desvalorizar a família… Na telinha tem o show de baixaria do Ratinho e do programa vespertino da Bandeirantes, o cinismo cafona da Hebe, a ilusão da Fama… Enquanto na realidade que ela, a satânica telinha ajuda a criar, te mos adolescentes grávidas deixando os pais loucos e a o futuro comprometido, jovens com uma visão fútil e superficial da vida, a violência urbana, em grande parte fruto da demolição das famílias e da ausência de Deus na vida das pessoas, os entorpecentes, um culto ridículo do corpo, a pobreza e a injustiça social… E a telinha destruindo valores e criando ilusão…

E quando se questiona a qualidade da programação e se pede alguma forma de controle sobre os meios de comunicação, as respostas são prontinhas: (1) assiste quem quer e quem gosta, (2) a programação é espelho da vida real, (3) controlar e informação é antidemocrático e ditatorial… Assim, com tais desculpas esfarrapadas, a bênção covarde e omissa de nossos dirigentes dos três poderes e a omissão medrosa das várias organizações da sociedade civil – incluindo a Igreja, infelizmente – vai a televisão envenenando, destruindo, invertendo valores, fazendo da futilidade e do paganismo a marca registrada da comunicação brasileira…

Um triste e último exemplo de tudo isso é o atual programa da Globo, o Big Brother (e também aquela outra porcaria, do SBT, chamada Casa dos Artistas…). Observe-se como o Pedro Bial, apresentador global, chama os personagens do programa: “Meus heróis! Meus guerreiros!” – Pobre Brasil! Que tipo de heróis, que guerreiros! E, no entanto, são essas pessoas absolutamente medíocres e vulgares que são indicadas como modelos para os nossos jovens!

Como o programa é feito por pessoas reais, como são na vida, é ainda mais triste e preocupante, porque se pode ver o nível humano tão baixo a que chegamos! Uma semana de convivência e a orgia corria solta… Os palavrões são abundantes, o prato nosso de cada dia… A grande preocupação de todos – assunto de debates, colóquios e até crises – é a forma física e, pra completar a chanchada, esse pessoal, tranqüilamentedá-se as mãos para invocar Jesus… Um jesusinho bem tolinho, invertebrado e inofensivo, que não exige nada, não tem nenhuma influência no comportamento público e privado das pessoas… Um jesusinho de encomenda, a gosto do freguês… que não tem nada a ver com o Jesus vivo e verdadeiro do Evangelho, que é todo carinho, misericórdia e compaixão, mas odeia o fingimento, a hipocrisia, a vulgari dade e a falta de compromisso com ele na vida e exige de nós conversão contínua! Um jesusinho tão bonzinho quanto falsificado… Quanta gente deve ter ficado emocionada com os “heróis” do Pedro Bial cantando “Jesus Cristo, eu estou aqui!”

Até quando a televisão vai assim? Até quando os brasileiros ficaremos calados? Pior ainda: até quando os pais deixarão correr solta a programação televisiva em suas casas sem conversarem sobre o problema com seus filhos e sem exercerem uma sábia e equilibrada censura? Isso mesmo: censura! Os pais devem ter a responsabilidade de saber a que programas de TV seus filhos assistem, que sites da internet seus filhos visitam e, assim, orientar, conversar, analisar com eles o conteúdo de toda essa parafernália de comunicação e, se preciso, censurar este ou aquele programa. Censura com amor, censura com explicação dos motivos, não é mal; é bem! Ninguém é feliz na vida fazendo tudo que quer,ninguém amadurece se não conhece limites; ninguém é verdadeiramente humano se não edifica a vida sobre valores sólidos… E ninguém terá valores sólidos se não aprende desde cedo a escolher, selecionar, buscar o que é belo e bom, evitando o que polui o coração, mancha a consciência e deturpa a razão!

Aqui não se trata de ser moralista, mas de chamar atenção para uma realidade muito grave que tem provocado danos seríssimos na sociedade. Quem dera que de um modo ou de outro, estas linha de editorial servissem para fazer pensar e discutir e modificar o comportamento e as atitudes de algumas pessoas diante dos meios de comunicação.

8 e 9 = Santidade: Um Presente de Deus.


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Graça Que Transforma
Liderança: Rev. Hélio O. Silva.
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8 e 9 = SANTIDADE: UM PRESENTE DE DEUS 28/03/2012
Graça Que Transforma – Jerry Bridges, ECC, p. 101-116.
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Hebreus 10.9,10.
O nosso grande erro é tentar encontrar em nós o que só pode ser encontrado em Cristo (paráfrase a A.W.Pink).

Viver pela graça é viver somente pelos méritos de Cristo. O nosso relacionamento com Deus é garantido por nossa união eterna com Cristo. Nossas melhores ações não podem nos avalizar diante de Deus (Is 64.6). Contudo Deus requer a perfeição (Mt 5.48; Sl 119.96).

Santificação é essencialmente conformidade com o caráter moral de Deus (p.102). A santificação é tanto um processo como também uma dádiva que já possuímos em Cristo. Nós já a temos em Cristo e nela devemos crescer mais e mais. Dessa forma a santidade é tanto objetiva (estar em Cristo) como subjetiva (produzida em nós pelo Espírito Santo). Todavia, mesmo assim, ambas são dons da graça de Deus.

1. Cristo: Nossa Santidade.
Nós os que cremos pertencemos a Cristo (I Co 1.30), mas ele também se tornou para nós justiça santidade e redenção. Veja: Cristo é a nossa santificação! Sem Cristo estamos definitivamente separados de Deus, mas nele a nossa sujeira moral também é removida. O fato é que a oferta única de Cristo na cruz proveu para nós também a santificação (Hb 10.10,14).

Nós somos objetivamente aperfeiçoados para sempre por meio da imputação da santidade de Cristo a nós e subjetivamente pela ação vivificante do Espírito Santo. A ação interna e subjetiva do Espírito Santo não é a base de nosso relacionamento com Deus, mas a obra objetiva e externa de Cristo a nosso favor. O papel do Espírito Santo é aplicar dentro de nós o que Cristo realizou definitivamente fora de nós (Ef 1.4; Cl 1.22). Quando Deus olha para nós não vê o nosso desempenho, mas o de Cristo, que é perfeito. A nossa união com Cristo é que nos torna aceitáveis na presença de Deus (Ef 1.6).

2. Santificação Vivencial.
O objetivo final de Deus é que nos conformemos à semelhança de Cristo plenamente (Rm 8.29, Tt 2.14). A santificação como um processo progressivo e crescente é instalada em nós no momento da justificação nunca depois. A santificação como mudança e crescimento começa na regeneração. Embora justificação e santificação sejam aspectos distintos da salvação, não podem ser separadas. Deus não dá uma sem a outra (são como calça e paletó de um terno).

A ação santificadora instantânea do Espírito Santo recebe várias descrições diferentes na Bíblia: “Lavar regenerador”; “dar vida”; “ser nova criatura” e “dar um coração novo” (Tt 3.5; Ef 2.1-5; 2 Co 5.17; Ez 36.26,27). Quando o Espírito nos dá a nova vida, adquirimos junto uma nova disposição para com Deus e a sua Lei (Sl 40.8). O ser nova criatura e o viver para Deus, tudo provém de Deus (II Co 5.17,18). A Bíblia deixa claro que a moral humana e a submissão à Lei de Deus são duas coisas completamente diferentes, pois pessoas podem ser muito religiosas e mesmo assim não conhecerem a graça de Deus em Cristo. A moral humana vem da cultura e da vivência familiar, a submissão à Lei de Deus vem do amor a como resposta à sua graça. A moral humana é tão hostil para com Deus quanto o mais endurecido pecador (p.108).

A santificação iniciada pelo Espírito em nós transforma a nossa atitude (Rm 7.22; 1 Jo 5.3)

3. Morremos para a Lei.
A razão dessa nova atitude é que morremos para a Lei. Embora pareça estranho afirmar isso diante do papel santificador da Lei, vale lembrar que a Lei exige obediência sem oferecer o poder capacitador para tanto. Nesse sentido ela é um jugo, provocando e nos incitando a pecar (Rm 8.7; 7.7,8) [p.108]. Nós morremos para essa Lei, como? (1) Como requisito para se obter justiça diante de Deus (Rm 3.20; 6.14); (2) Como maldição e condenação resultante de nossa incapacidade desobedecê-la perfeitamente (Gl 3.10). Estar sob a Lei significa estar sob a ira divina contra o pecado, mas estar sob a graça significa estar sob o perdão da justificação em Cristo. Logo, morrer para Lei significa morrer para todo o estado de condenação, maldição e alienação de Deus (p.109).

Qual o propósito de termos morrido para a Lei? Foi para que vivêssemos para dar frutos para Deus, para servirmos a Deus (Rm 7.6). Viver na graça não significa viver sob uma nova ética menos rigorosa, porque não é o conteúdo da Lei que muda, mas a nossa razão e capacidade para obedecê-la. Servir a Deus só é possível se vivermos pela graça e não pelas obras. Veja o contraste:


Diante do gráfico acima, como você se vê? Você pode identificar a graça agindo na sua vinda ou tenta “se virar” por meio do velho código? Morrer para a Lei e viver para Deus é a verdade do evangelho gracioso, não é algo que achemos ser bom demais para ser verdade! Rm 7.6).

Nossa natureza pecadora é tanto legalista como vendida ao pecado, logo, para vivermos na graça temos de resistir tanto ao legalismo como à tentação do pecado (p.111).

4. Crescer à semelhança de Cristo.
Quando Deus nos leva ao seu reino, não nos deixa por nossa conta, ele continua trabalhando em nós para nos tornarmos semelhantes ao seu Filho (Fp 1.6). A natureza progressiva da santificação após a justificação e a santificação inicial é ensinada claramente no Novo Testamento (Rm 12.2; 2 Co 3.18). A palavra chave nesses dois textos é transformar. Nos dois textos o verbo está no presente (continuidade) e na voz passiva (recebe-se a ação). A santificação é operada em nós e não por nós! Mostrar isso não nega a nossa participação ativa na santificação, mas enfatiza ação prerrogativa da graça divina no processo (Fp 2.12,13). Não podemos ler o verso 12 sem o verso 13 subseqüente. Podemos cooperar porque Deus está agindo continuamente em nós! Sem a ação do Espírito não conseguimos fazer a nossa parte, mas ele não depende de nós para fazer a sua parte.

Essa dependência do Espírito na santificação não é algo comum, mas uma necessidade premente. Sem a ação do Espírito simplesmente não conseguimos cooperar com ele. Se o Espírito Santo não produzir o seu fruto em nós, nós não o produziremos de forma alguma (Gl 5.22; Cl 3.12-15). A única “coisa” que sabemos e podemos produzir por nós mesmos são as obras da carne (Gl 5.19-21). Só o Espírito Santo pode orquestrar o nosso desenvolvimento espiritual.

Conclusão:
Na nossa santificação somos tanto responsáveis como dependentes; devemos nos revestir do caráter de Cristo e dependemos do Espírito para fazê-lo. Nossa santificação é objetiva, implantada de forma definitiva inicialmente pela ação do Espírito e se torna experimental na medida em que nos revestimos de Cristo dependendo da frutificação operada pelo Espírito em nós.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Lucas 8.19-21 = Quem é a Minha Família?

José com Jesus na Carpintaria

Texto: Lucas 8.19-21.
Tema: Quem é a Minha Família?


Introdução:
Nas minhas férias eu pude ler o livro apócrifo "Proto-Evangelho de Tiago" ou como é mais conhecido "O Evangelho da Natividade de Maria". As datas propostas para a sua escrita vão de 60 dC até o final do séc. II. Gozou de grande estima entre os primeiros cristãos, incluindo Clemente de Alexandria, Orígenes, Justino e Epifânio em função de sua contribuição para a formação do culto a Maria e a liturgia da Igreja.

A obra narra o nascimento de Maria; os nomes de seus pais são Joaquim (I,1) e Ana (II,1); esta é estéril (II,1); Maria é consagrada ao Templo aos 3 anos de idade (VII,2)sendo criada pelos sacerdotes até completar 12 anos (VIII,2); José é então escolhido para ser o esposo de Maria (IX,1), embora fosse velho e tivesse filhos, por ser viúvo (IX,2); a anunciação feita por Gabriel é semelhante ao que lemos em Mateus e Lucas, acrescentando mais detalhes (XI); o mesmo se pode dizer de sua visita a Isabel (XII); em virtude de sua gravidez inesperada, é interpelada, juntamente com José, pelos representantes do Templo, dentre eles um certo sacerdote Anás, escriba do templo, e forçados a beber as águas amargas prescritas pelo Antigo Testamento, quando são inocentados e libertos (XV a XVI). Indo para Belém, em obediência ao decreto imperial, Maria dá à luz ao seu Filho em uma caverna e a parteira que acompanhou o parto (XVIII,1) ficou espantada com o fato de Maria permanecer virgem mesmo após o mesmo (XIX e XX). Narra-se a seguir a visita dos Magos e a morte das crianças a mando de Herodes. Zacarias, pai de João Batista, é assassinado no Templo, acusado de ter escondido seu filho (XXIII e XIV).

O objetivo da obra é justificar o conceito da perpétua virgindade de Maria e negar ou obscurecer a perfeita humanidade de Cristo. Há várias incoerências das práticas narradas com os seus respectivos mandamentos no Antigo Testamento e também no Novo. A narrativa destoa radicalmente da narrativa natural do Novo Testamento ao falar da riqueza dos pais de Maria e seu trânsito no templo.

A mistura inexplicável da história de Maria com a de Samuel e sua criação no templo, o que não era permitido para mulheres, não há precedentes na literatura que já li a respeito dos costumes da época de Jesus, mesmo a que foi escrita por católicos; também é estranho o fato de que Maria era bem conhecida dos sacerdotes e o Novo Testamento nunca menciona isso. Uma sucessão de relatos de milagres usados como âncoras para a divinização de Maria. Fica evidente que obra não pode ter sido escrita antes dos evangelhos sinóticos e a linguagem revela o tom gnóstico e docetista de sua abordagem.

Contexto:
Isso tudo é muito estranho, porque Lucas no prólogo de seu evangelho (1.1-4) afirmou ter feito uma acurada investigação sobre os fatos da vida de Cristo a fim de tornar o seu evangelho crível; nenhum dos eventos usados nesse evangelho apócrifo é sequer referido em sua narrativa!

Uma razão clara para Lucas não ter conhecimento dessas declarações é que elas não existiam quando ele escreveu o seu evangelho no final do primeiro século. São esses evangelhos apócrifos que fizeram uso de suas pesquisas e não o contrário.

O propósito de Lucas nesse evangelho é exatamente combater qualquer narrativa da vida de Cristo que procure sobrexaltar a divindade de Cristo em detrimento de sua perfeita humanidade. Em sua perfeita humanidade, Cristo vive todas as experiências humanas que nós também vivemos. É assim que ele nos salva; é assim que reaprendemos a nossa humanidade com ele.

Proposição:
Nesse texto o Senhor Jesus responde para nós qual é a sua família e estabelece o princípio revolucionário do evangelho estabelecendo o princípio que rege a família cristã. Vejamos essa questão com três afirmações fundamentais presentes no texto:

I . A HUMANIDADE PERFEITA DE JESUS INCLUI UMA FAMÍLIA (V.19).

a) Quem são os irmãos de Jesus?
Quando Lucas disse em 2.7 que Jesus era o primogênito de Maria e não seu unigênito (como afirma ser a relação de Cristo com Deus em Jo 3.16) ficou claro que Jesus tinha irmãos nascidos de José e Maria. Ele tinha irmãos e irmãs, dentre os quais era o primogênito (Lc 2.7; Mt 13.55,56): “Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas? Não vivem entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto?” Uma tradição antiga diz que o nome de uma de suas irmãs era Salomé; um outro apócrifo egípcio do IV século intitulado "A História de José, o Carpinteiro" diz que se chamam Lisia e Lídia (cap. 2). Esse fato fica mais claro ainda quando lemos Marcos 3.31,32; Jo 2.12 (sua mãe e irmãos estavam dentre os convidados das bodas em Caná); Jo 7.3,5,10 (seus irmãos o instigam a buscar fama.

Logo, Jesus não viveu como filho único e superprotegido, mas sua infância e juventude aconteceram dentro de uma vida familiar humilde (carpinteiros), porém digna e em pleno acordo com a vontade de Deus.

b) Todos eles vieram ao evangelho (Jo 7.5 e At 1.14).
João 7 nos conta que seus irmãos o incitavam a buscar ser conhecido e alcançar fama. João nos diz que eles faziam isso porque ainda não criam nele (v.5). Depois é o próprio Lucas que nos informa que todos eles estavam com os apóstolos em Jerusalém ao lado de sua mãe Maria (At 1.14) o que dá testemunho de sua conversão. Paulo afirma ter estado com Tiago, o irmão do Senhor em Jerusalém, e que ele era um reputado coluna daquela igreja (Gl 1.19; 2.9). Ele mesmo, porém se apresenta como servo de Cristo em sua epístola (Tg 1.1). Judas apresenta-se na sua carta como servo de Cristo e irmão de Tiago (Jd 1.1).

O apóstolo Tiago irmão de João foi o primeiro dos apóstolos a ser morto sob a perseguição de Herodes (At 12.1,2). Tiago, filho de Alfeu e Maria (Mc 15.40), o outro apóstolo. A tradição antiga diz que ele foi pregar o evangelho na Pérsia e lá foi crucificado.

II. NA SUA HUMANIDADE JESUS CONHECE O POSITIVO E O NEGATIVO NA FAMÍLIA (V.20).

a) O contexto de Mateus e Marcos.
Lucas não revela o motivo da visita inesperada de sua mãe e irmãos. Marcos 3.21,22 dá a entender que o motivo foi a preocupação com Jesus à vista das acusações dos oponentes dele de que estava possesso de demônios e que até mesmo os seus amigos o consideravam fora de si. O afeto natural de sua mãe e irmãos e sua preocupação com sua sanidade física e mental os moveu a tentar retirá-lo da vida pública e providenciar um lugar de repouso e restauração.
William Hendriksen diz que essa interpretação é a mais generosa.

b) Eles querem te ver.
Nós sempre corremos o risco de colocar os laços familiares acima dos laços do evangelho e de nossa união com Deus e com Cristo. A família de Cristo, ainda que bem intencionada, procurava retirar Jesus de cena:
1. Talvez por vergonha. Reputação?
2. Talvez por precaução.
3. Talvez por incredulidade quanto à sua verdadeira vocação.
Quando o critério da relação familiar não é claro a imposição (de costumes; de comportamento etc) são apresentados pela imposição.
Jesus conhece o lado bom da família (preocupação, cuidado, provimento, intimidade familiar), mas conhece também o lado negativo (intromissão, imposição, coerção social etc).

III. MINHA FAMÍLIA SÃO OS QUE GUARDAM A PALAVRA DE DEUS (V.21).

a) Uma aplicação prática da parábola do semeador.
Mateus e Marcos colocam a parábola depois desse fato. A resposta de Jesus aponta diretamente para o ensino da parábola do semeador (8.15). A semente que caiu em boa terra é a que ouve a palavra e a obedece.

b) A palavra de Deus está acima de todos os nossos relacionamentos.
A nossa lealdade à palavra dada por Deus está acima de todos os nossos relacionamentos de parentesco. Todos os nossos relacionamentos devem ser medidos a partir da palavra de Deus.

É por essa razão que o evangelho dividiu e continua dividindo famílias. Porque muitos amam muito mais suas relações com o mundo inclusive as familiares do que a Deus. A aceitação do Evangelho muda radicalmente as nossas lealdades, porque elas serão estabelecidas pelo mandamento claro de Deus expresso em sua palavra.

Vejamos dois exemplos, um negativo e outro positivo:
 (1Co 5:7-13 ARA)
7 Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado.
8 Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade.
9 Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros;
10 refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo.
11 Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais.
12 Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro?
13 Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor.


Por outro lado, assim como houveram perdas, haverão ganhos,
 (Marcos 10:28-31 ARA)
28 Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos.
29 Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho,
30 que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna.
31 Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros.

c) Nossa nova família são os santos que estão na terra.

 Salmo 16.3 = santos – notáveis - fonte de toda a alegria.
3 Quanto aos santos que há na terra, são eles os notáveis nos quais tenho todo o meu prazer.

 Provérbios 18.24= Há amigos que se tornam mais íntimos que irmãos.
24 O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão.

 Romanos 12.10 = cordialidade – fraternidade – honra.
10 Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.

 I Pedro 1.22,23 = “pela obediência à verdade”
Fraternidade não fingida – amabilidade sincera e intensa – reciprocidade/mutualidade.
Por que? Porque fomos resgatados MEDIANTE a palavra incorruptível de Deus.
22 Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente,
23 pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente.


Conclusão:

Não há narração de reações.
Mas eu diria que o conceito é chocante: “Mãe para mim e irmão para mim, são todos os que obedecem à palavra de Deus” (tradução literal – Hendriksen).
Nos diálogos anteriores descritos por Lucas entre Jesus e os outros, Lucas quase invariavelmente narra a seguir suas reações. Mas aqui reina o mais completo silêncio.

Creio que é por causa da natureza completamente imprevisível do conceito. O evangelho nivela tudo e aproxima aqueles que jamais se aproximariam e divide aqueles que pensamos jamais se dividiriam. O EVAGELHO quebra todas as barreiras (familiares, sociais, étnicas, políticas, ideológicas, religiosas, todas... todas).

Por outro lado, sendo membros da família cristã, por que nos dividimos muitas vezes?
Porque nos preocupamos mais com as nossas famílias do que com o evangelho.
Porque amamos e odiamos mais as pessoas e seus pecados do que amamos o evangelho.
Porque não conseguimos entender e aceitar que o evangelho nos uniu em Cristo de uma forma muito mais íntima do que poderíamos conceber e aceitar (somos da família de Jesus – Ef 2.15). Não somos estranhos mais; não somos estrangeiros mais; não somos separados mais; não somos desconexos mais; mas somos irmãos em Cristo; filhos e filhas de Deus, o Pai!

Aplicações:

1. A seu tempo todos os irmãos de Cristo conheceram ao Evangelho (Jo 7.5 e At 1.14).
Isso nos dá esperança para com os nossos familiares. A vida na aliança nos dá a esperança de experimentar as bençãos da aliança.

2. A palavra de Deus é mandamento e orientação para a vida.
A Bíblia é a única regra de conduta dos cristãos.
Atente para isso antes de publicar qualquer coisa no seu facebook, blog, tumbrl, twither, Google groups, etc, etc, etc.

Atente para isso quando vir seus filhos fazendo coisas erradas e tiver medo de perdê-los para o mundo se corrigi-los. Na verdade o seu medo já é a prova de que perdeu; de que eles já não são seus filhos mais.
Atente para isso quando preferir defender a “honra” de sua família do que a verdade do evangelho.

O Senhor Jesus não desprezou a sua família, especialmente a sua mãe Maria. Na cruz ele, estando em agonia, pediu a João que a levasse para a sua casa e cuidasse dela como se fosse sua mãe (Jo 19.26,27).
Jesus não está dizendo que amar mais a palavra seja não amar nossos parentes, mas está dizendo que a forma correta de amar nossos parentes (especialmente pais e filhos) é fazê-lo através da palavra, praticando com eles, no seu relacionamento com eles essa palavra que veio de Deus!

3. O que fazer para enxergar e ser enxergado como membro da família de Cristo?
 Crer no evangelho e vir para a comunhão da Igreja – I Jo 1.3.
 Praticar e receber comunhão eficiente – Fm 7
a) Um amor que produz grande alegria.
b) Um amor que conforta nas tribulações.
c) Animar a fé dos outros continuamente.
d) Santidade – notabilidade – alegria nos outros.
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