O Bom pastor e seus comentários

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

10 = Chamados Para a Liberdade (Gl 5.1,13)

Tradução: O sermão de hoje será como nos vestir com modéstia numa época incrivelmente sem modéstia.

Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Graça Que Transforma
Liderança: Rev. Hélio O. Silva.
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10 = CHAMADOS PARA A LIBERDADE (I) 18/04/2012
Graça Que Transforma – Jerry Bridges, ECC, p. 117-125.
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Gálatas 5.1,13.
Gálatas é comumente chamada de Carta Magna da liberdade cristã. Todavia a liberdade que ela proclama não é liberdade de Deus, mas do legalismo como forma de vida cristã.

O Legalismo Evangélico.
O “legalismo evangélico” moderno não tem a ver mais com a circuncisão e a guarda da lei mosaica, mas com a forma como se vive a vida cristã.

(1) “O legalismo é qualquer coisa que fazemos ou não fazemos para merecer o favor de Deus” (p.118). Preocupa-se com as recompensas a serem obtidas ou com as penas a serem evitadas.

(2) o legalismo insiste em conformidade com regras e regulamentos feitos pelo homem e não por Deus. Muitas vezes ele é exigido dos outros ou permitido aos outros quanto a nós. A conformidade é com os outros pensam e não com o que a escritura realmente diz (Mc 7.6-8). O legalismo evangélico faz de nossas regras e práticas algo mais importante que os mandamentos de Deus.

As duas descrições do legalismo acima são intimamente relacionadas, porque muitas vezes tentamos obter o favor de Deus por meio de regras e nos sentimos culpados por não conseguirmos cumpri-las.

A observância de regras feitas pelos homens.
Nada podemos fazer para obter o favor de Deus, pois ele só nos é dado por meio da graça em Cristo. Deus nos chama a permanecermos firmes em nossa liberdade cristã. Essa liberdade nos foi dada graciosamente por Deus em Cristo. Nós não a conquistamos de Deus por méritos nossos. Em Gálatas 5.1,13 somos chamados tanto à liberdade quanto à perseverança em nela permanecermos.

O legalismo evangélico não promove a liberdade cristã genuína, mas é seu empecilho ao pregar uma conformidade a regras de desempenho. Os crentes precisam ser exortados a se conformarem a Cristo e não a uma cultura cristã particular. Isso acontece muitas vezes não intencionalmente, mas movidos por nossa preocupação com o abuso da própria liberdade. O legalismo cede à natureza pecaminosa porque gera hipocrisia e orgulho religioso enfatizando as regras externas de forma superficial.

Cercas.
Os fariseus faziam cercas para evitarem de pecar contra as leis de Deus por meio de regras de conduta que com o tempo foram igualadas aos próprios mandamentos divinos. Por exemplo, não ir à praia para evitar olhares lascivos pode ser uma boa medida pessoal contra as tentações, mas essa lei se aplica a todos em todos os momentos? Essa é uma cerca que pode se tornar uma regar legalista.

Muitas regras legalistas começam como esforço sincero para lidar com questões reais de pecado, depois elas ganham mais atenção que o próprio tratamento do pecado em si. Dessa forma nos concentramos na aparência externa do pecado e não do seu mal real no coração. A batalha se trava no lugar errado.

Então, não devemos construir cercas? Não exatamente. Muitas vezes elas ajudam e são necessárias. Elas nos ajudam realmente a lidar com os excessos e os abusos. O importante é não colocar a cerca à frente do mandamento que ela nos ajuda observar. Pais cristãos que estabelecem proibições a seus filhos devem lhes explicar claramente a razão e o propósito da proibição a fim de que os filhos não fiquem confusos quanto à verdade.

Também não sugerido o pular certas cercas só para debochar delas. Adotar ou rejeitar cercas é algo que exige dos cristãos discrição e amor à paz e à edificação dos outros (Rm 14.19).

Opiniões Diferentes.
Se as cercas são antigas as opiniões divergentes também são. Paulo dedicou o capítulo 14 de Romanos exclusivamente a esse assunto; ele chamou essa questão de: “Discutir opiniões”. O verso 5 define exatamente a questão: Pessoas têm opiniões diferentes e divergentes sobre os determinados assuntos. Nós universalizamos experiências pessoais e as impomos sobre as outras pessoas. Mas não devemos prender a consciência de outros crentes com as convicções particulares que surgiram do nosso andar pessoal com Deus, mesma que tenhamos a convicção de qe deu nos tenha orientado nessas questões particulares.

Conclusão parcial:
John Owen disse certa vez: “só o que Deus ordenou em sua palavra deverá ser visto como obrigatório; em tudo o mais deve haver liberdade de ação” (p. 125). Não devemos permitir que as opiniões dos outros nos amordacem, nem devemos amordaçá-los com as nossas opiniões, devemos ficar firmes na liberdade que Deus nos deu em Cristo.

Aplicações:
Nosso problema real é saber diferenciar o que é essencial do que é secundário. Muitas vezes tentamos relativizar mandamentos explícitos da escritura em função do desejo de transigir com aquilo que é mais o desejo do coração que um mandamento claro de Deus.

Por causa de questões secundárias superestimadas e de questões primárias subestimadas e empurradas para a periferia da fé é que calorosos debates consomem a unidade da Igreja. Por essa causa, muitas vezes vemos aqueles que se diziam irmãos, tratarem com espírito azedo uns aos outros.

Em Romanos 14.7-12 demonstra que precisamos aprender a andar em amor, a fim de que questões de diferenças de consciência quanto a certos assuntos não tão bem elaborados na escritura sagrada não nos separem sem necessidade.

No final das contas, nenhum de nós vive para si mesmo (Rm 14.7), todos pertencemos a Deus (Rm 14.8), Cristo é o Senhor de todos (v.9) e todos serão julgados é por ele (Rm 14.10-12). Brigar pela liberdade cristã pessoal criticando os outros ou impor regras aos outros de forma legalista é viver a vida cristã a partir de nossa experiência pessoal e não a partir de Cristo, que é o argumento de Paulo em Romanos 14.7-12. A vida na graça só pode ser vivida em Cristo, que é o único que realmente nos santifica.

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