O Bom pastor e seus comentários

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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

08 = 2 Pedro 1.16-18 = O Testemunho Apostólico


Monte Tabor e Basílica da Transfiguração = Galiléia - Israel

Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
08 = 2 Pedro 1.16-18 – O Testemunho Apostólico.   (26/09/2012)
Grupo de Estudo do Centro – Fortalecendo a Fé dos Cristãos
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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2 Pedro – Sermões Expositivos – D. Martin Lloyd-Jones,PES, p. 111-121.
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Introdução:
As declarações de Pedro nesse parágrafo são fundamentais para a apologética cristã (defesa do Evangelho para os que são de fora da Igreja).
Visto que a preocupação de Pedro é fortalecer a fé de cristãos em agonia e sofrimento, ele argumenta que a segunda vinda de Cristo é a fonte de nosso consolo e segurança. Todavia, alguém pode objetar: Como podemos ter certeza de que esses fatos prometidos são reais e vão acontecer mesmo?
Pedro apela ao testemunho apostólico:

I.         o testemunho apostólico não é baseado em fábulas.

®    Havias muitos mitos e fábulas escritos na época de Pedro.
Fábulas são narrativas imaginárias fora da realidade que encerram aplicações morais. Uma característica das fábulas é seu caráter fantasioso, ou seja, elas se desprendem da realidade seguindo caprichos da imaginação. Na época de Pedro havia algumas estranhas enquanto outras eram maravilhosas; muitas até gozavam de aceitação geral, mas nenhuma era verdadeira, pois era fruto da inteligência e imaginação humanas.
Circulavam várias interpretações alegóricas do Antigo Testamento acrescidas de contos e fábulas judaicas. Havia inúmeros mitos, contos e fábulas sobre diversos deuses que tinham assumido forma humana e tinham habitado na terra (mitologia grega). Existiam vários evangelhos apócrifos que alegavam narrar detalhes da vida de Cristo na terra (Evangelho de Tomé, de Judas, de Pedro, de Tiago etc). Eles contêm relatos fantasiosos da vida de Cristo que contradizem as afirmações dos Evangelhos canônicos.


II. o testemunho apostólico e a profecia são nossas fontes de autoridade.

®    A verdadeira questão a ser debatida é: Qual a nossa fonte de autoridade?
            Pedro aponta nesse parágrafo duas fontes: O testemunho Apostólico (v.16-18) e a Profecia (v.19-21). Quanto ao testemunho apostólico três verdades precisam ser esclarecidas:

a)      Nossa autoridade não se baseia na natureza mais nobre e exaltada do ensino apostólico.
A fé no evangelho não é fruto de um trabalho de religiões comparadas que chegou a conclusão que o cristianismo é superior por causa da nobreza de seu ensino. Outras religiões ensinam valores elevados tanto quanto o cristianismo o faz. Não faz parte da pregação cristã detratar ou denegrir outras visões de vida e sua cosmovisão (p.115). Nossa fé no evangelho advém do fato de que ele é único em sua natureza.
O budismo e o islamismo possuem valores nobres e uma ética bem definida. Os filósofos gregos clássicos, alguns contemporâneos de Cristo disseram e escreveram de forma talentosa sobre valores e virtudes da vida. Não temos o direito de reivindicar para o evangelho de Cristo uma singularidade baseada unicamente em critérios éticos e morais, ainda que sejam nobres e elevados. Muitos rejeitam o evangelho exatamente por acreditar que seu ensino já se faz presente em outras ideologias, filosofias e religiões (Ex. Ghandi: “_Eu sinto o mesmo prazer ao ler os Vedas que sinto ao ler a Bíblia”).

b)      Nossa autoridade não se baseia na experiência pessoal ou nas suas conseqüências positivas na vida das pessoas.
Os homens querem provar com a ciência que milagres não podem acontecer. Muitos respondem a isso apontando para a sua experiência pessoal como prova da veracidade do evangelho. Para Lloyd-Jones isso é baratear o evangelho e destituí-lo de seu real poder. O Evangelho não é verdadeiro porque nós cremos nele, mas nós cremos nele porque ele é verdadeiro. Se basearmos nossa certeza na subjetividade de nossa experiência nos colocaremos em pé de igualdade com todas as seitas que assim o fazem.
Todas as religiões não cristãs podem tornar homens melhores do que eram antes. A Ciência Cristã, seitas e mesmo a psicologia podem elaborar exercícios comportamentais que ajudem as pessoas a serem pessoas melhores.

c)      Nossa autoridade se baseia na veracidade dos fatos testemunhados pelos apóstolos.
É vital compreendermos o caráter positivo e a natureza da apologética cristã. A sua base é o depoimento e testemunho apostólico de certos fatos tomados como verídicos. A base de nossa fé repousa solidamente em certos fatos dos quais os apóstolos foram testemunhas oculares e nos relataram. Os apóstolos expunham certos fatos que presenciaram a respeito de Jesus Cristo.
Atos 10 é um exemplo claro da importância desse fato. Pedro testemunha a Jesus de Nazaré com quem esteve e viu realizar várias obras comuns e milagrosas; depois foi morto numa cruz e por fim ressuscitou e foi assunto ao céu diante e seus olhos. O testemunho apostólico é que aquele homem de Nazaré é o Deus criador e salvador. Pedro relembra o que viu no monte da transfiguração e a voz que ouviu testificando a filiação divina de Cristo (Lc 9).
Toda a nossa apologética está galgada no seguinte ponto: Eu aceito ou não que a declaração de Pedro quanto à veracidade dos relatos bíblicos? Eu creio ou não nas escrituras como sendo verdadeiras e sagradas? Não estamos argumentando que milagres podem acontecer, mas que o testemunho dado pelos apóstolos é verídico ou não.
Pedro afirma que tinha estado com Cristo no dia de sua transfiguração e que tinha ouvido a voz de Deus dizendo: “_Este é o meu Filho, Nele eu tenho toda a minha alegria”.

Conclusão:
(1) Se acreditarmos nas filosofias modernas teremos de negar a veracidade dos milagres e, por conseguinte, das escrituras. O evangelho é único no sentido de que dá testemunho inequívoco dos fatos concernentes à encarnação, vida, morte, ressurreição e ascensão de Cristo.

(2) Tornar-se cristão não significa ter tido uma experiência e ter-se tornado uma pessoa melhor, mas se cremos nos fatos narrados nos evangelhos e nas escrituras sobre a redenção que nos é oferecida em Cristo, o Filho unigênito de Deus! Ou creio que são fatos e que, portanto, operam o que afirmam, ou são fábulas, puro entretenimento religioso.

(3) A ciência nunca pode remover fatos e/ou alterar acontecimentos ocorridos na história. Não peçamos desculpas por nossa fé reduzindo-a a menos que é.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

2 Reis 5.1-19 = A Postura do Homem de Deus Frente a Homens Públicos (Eleições)



Rev. Hélio O. Silva.
Data: 12/07/2002 (Revisão: 24/09/2012). 

Exposição feita à PIPGoiânia-GO em 23/09/2012.
Texto: 2 Reis 5.1-19.Tema: A Postura do Homem de Deus Frente a Homens Públicos.
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Introdução:
         Pensando em como orientar a igreja em tempos de eleições preparei há alguns anos atrás uma série de exposições de textos bíblicos chaves que versam sobre o assunto:
(1) Êxodo 18.21 = O Caráter dos Homens Públicos. Dos homens públicos se requer caráter e responsabilidade social.
(2) Juízes 9.1-21 = Os Políticos e Suas Campanhas. Quem promove campanhas espúrias ou delas se torna cúmplice beberá também do seu veneno e do seu castigo.
(3) 2 Crônicas 1 =  O Cristão e seu Envolvimento Político. Salomão pediu sabedoria a Deus, o resto é graça! Vem no pacote!
(4) Romanos 13.1-7 = Obediência às Autoridades Civis. Toda autoridade provém de Deus, seja civil seja espiritual. Nosso papel é participar com integridade e honra.
(5) 2 Reis 5.1-27: A Postura do Profeta de Deus Frente a Homens Públicos ou A Relação Igreja-Estado no Episódio Naamã/Eliseu. Nem a igreja é tutora do Estado e nem o Estado é tutor da Igreja. A Igreja é profeta do Estado.

Contexto:
O ministério de Eliseu é continuação do ministério de Elias. Mesmo assim, ambos são bem diferentes um do outro. Eliseu é um homem mais brando e cordato, se comparado com Elias. Ele é mais urbano e sociável; não mora nos desertos, mas numa casa própria em Samaria. Era muito mais acessível e fácil de encontrar que Elias.
          O evento de Naamã, segundo H. E. Ellison,[1] acontece provavelmente no reinado de Jeú ou um de seus sucessores mais próximos, colocando esse acontecimento após os acontecimentos do capítulo 6.
Mesmo assim, é possível colocar o ministério de Eliseu no início do período sírio de dominação sobre Israel, que foi de curta duração, apenas durante o reinado de Hazael, ungido rei da Síria pelo próprio Eliseu (cap. 8).
Por outro lado, também mantinha relações com o Estado político de Israel, ora auxiliando, ora confrontado os pecados dos reis e da nação.
Essa é a postura bíblico-filosófica do Calvinismo. Cremos que a Igreja deve auxiliar o estado em suas funções próprias (promover segurança, cidadania etc) enquanto que o Estado auxilia a Igreja em suas funções próprias (anunciar o Evangelho, formar bons cidadãos etc).
         Creio ser possível traçarmos um padrão de relacionamento entre os homens de Deus (representantes da Igreja) e os homens públicos (representantes do Estado) com base na postura de Eliseu.
  
Proposição:
         Para ser profeta de Deus para o Estado, especialmente em tempos eleitorais, a Igreja precisa:

(I) NÃO SE DEIXAR SEDUZIR PELA POMPA DO ESTADO  (v.5-11):


      a) Naamã leva presentes caros v.5.
Ø 10 talentos de prata =  300 Kg. (1 talento corresponde a 30 Kg).
Ø 6.000 siclos de ouro =  68,544 Kg (1 siclo = 11.424 g.). Pouco mais de dois talentos de ouro.
Ø 10 vestes festivais = 

b)  Naamã esperava tratamento “Vip” (v11).
Ø Pensava eu...
Ø Sairia a ter comigo...
Ø Um ritual pomposo
1.     Por-se de pé.
2.     Invocar o nome do Senhor (orar em voz alta).
3.     Mover a mão sobre o lugar = literalmente “erguer a mão sobre”[2], impor as mãos. Isso indica que ele esperava um exorcismo formal. Ele via a cura como um ato mágico.
4.     Restauraria o leproso
Esse comportamento é muito comum em representantes do Estado civil quando tratam com a igreja em tempos de eleição. Aquela velha conversinha mole do tipo: “_Você sabe com quem está falando?” Nas questões temporais há uma histórica briga entre igreja e estado para saber quem manda mais. No nosso tempo o Estado laico tem tomado a postura de achar que ele manda mais.

(II) NÃO QUERER IMPRESSIONAR O ESTADO COM MANIFESTAÇÕES ESPETACULARES.  (v.8-12):

®   Eliseu dá a atenção necessária, porém, não a esperada. (v.8,10).
            Eliseu quer mostrar-lhe que a cura nada tinha de mágico, mas era somente uma graça concedida por Deus a Naamã. A igreja não é o reino de Deus mas proclama o reino e suas virtudes, especialmente a sua graça salvadora!
Ø Chamou-o à sua presença.
Ø Enviou um mensageiro.
Ø Disse o que fazer.
Ø Era o suficiente.
O objetivo final de Eliseu era o de mostrar que há profeta em Israel. A Igreja é agente representante de Deus e do seu Reino na história secular. Ela foi chamada para proclamar as virtudes daquele que a chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (I Pe 2).
O primeiro ato de Eliseu é de resistência, não se deixar seduzir, o segundo é mais positivo, pois tem a ver com a mensagem do seu ministério. Deus não chamou a Igreja para impressionar as pessoas ou o Estado, mas para ministrar a sua palavra e anunciar a sua vontade.
         A Igreja apresenta mediante o seu conselho sábio o caminho da benção e da cura a Naamã, representante do Estado sírio. Ele recebe o necessário, o suficiente, nada mais, nada menos.

(III) NÃO SE DEIXAR SEDUZIR PELOS FAVORES ESTATAIS EM DETRIMENTO DE SUA MISSÃO.  V.15-17;

a)    Naamã volta consciente da presença de Deus com Eliseu.
A mudança de vida e pensamento só acontece quando conhecemos a
Deus de fato, e não apenas formalmente.

b)    Eliseu resiste à insistência pelos presentes.
Por que Eliseu não aceita os presentes, a “oferta”? Porque aquilo poderia levar Naamã a achar que fora merecedor de alguma coisa, quando na verdade na foi. E para que toda a honra da cura fosse e seja de Deus e nada dele, nem de Naamã e nem de Eliseu.
Será que a igreja não leu isso daqui? Porque a bajulação frente ao Estado denigre não somente a igreja perante aopinião pública, mas adenigre diante de seu verdadeiro Senhor!

(IV) NÃO FAZER DE QUESTÕES POLÍTICAS CAVALOS DE BATALHA RELIGIOSOS, ANTES, PROMOVER A PAZ.  (v.18,19).

a) A Igreja não é tutora do Estado secular, mas seu profeta.
Calvino defendia uma separação entre Igreja e Estado que não fosse plena. Essa relação com o Estado incluía tanto tensão quanto interação. Como o governo de Deus é sobre toda a criação, a Igreja deve sim participar positivamente na sociedade. Esta seria uma forma de demonstrar simpatia e sentimento de solidariedade em relação àqueles que são extra ecclesiam (fora da Igreja), na esperança de que amanhã possam ser acrescentados à Igreja.[3]
Igreja e Estado possuem esferas separadas e autônomas de atuação mantidas em cooperação. Os magistrados civis deviam manter a ordem cívica (segurança) e a uniformidade religiosa (liberdade de culto). A Igreja, por sua parte deveria formar bons cidadãos através de famílias estáveis e fiéis cumpridoras de seu dever civil.
O profeta anuncia a vontade de Deus buscando arrependimento, conversão e volta para Deus. Esse era o foco de Eliseu na sua relação com Naamã (v.8 = “e saberá que há profeta em Israel”).

b) O objetivo de Eliseu era mostrar a Israel que era profeta de Deus para Israel e não para a Síria (v.8b).
Eliseu não se intromete nas questões pessoais de Naamã porque seu foco estava na apostasia de Israel. De que nos adianta acusar o Estado de idolatria quando o próprio povo de Deus é tão idólatra quanto os pagãos?


c) A Igreja aceita a liberdade religiosa por amor à paz, mas dá testemunho inequívoco de Deus ao Estado.
Sabemos que nem todos virão ao evangelho. Por isso, nossa tolerância social acontece por amor à paz a fim de que Deus nos conceda oportunidades para a pregação do evangelho às pessoas.
Lembremos-nos de orar pela nossa cidade, porque ela tiver paz, nós teremos paz (Jr 29.7; Sl 122.6-8).

(V) NÃO FAZER DA MENTIRA INSTRUMENTO DE CONQUISTAS PESSOAIS, TIRANDO PARTIDO DA BOA VONTADE DE HOMENS PÚBLICOS.  (v.20-27).

a) Geazi foi motivado por cobiça.
A cobiça, como o maior pecado da Teologia da Prosperidade, tem sido o maior motivo de escândalo da igreja contemporânea perante a opinião pública.
Ele pediu um talento de prata (o dízimo da parta!) e duas vestes festivais. E buscou vantagem pessoal (receberei dele alguma coisa (v.20).

b) A mentira não passa despercebida diante de Deus.
A mentira, mesmo a que for dita por um homem de Deus, jamais passará despercebida diante de Deus. Geazi era servo de um grande profeta de Deus, mas agiu pior que um ímpio.
Ilustração: Um candidato à presidência da república no passado foi a uma igreja evangélica em São Paulo participar de um culto e tentar ganhar alguns votos. O pastor o recebeu, deu-lhe a palavra durante do culto e orou por ele e sua campanha impondo as mãos. Depois que o candidato saiu exclamou no microfone: “Aleluia! Deus colocou esse ímpio em nossas mãos e agora vamos extrair até o tutano dele!”
Essa bajulação predatória envergonha o evangelho. Ela persiste em nossas igrejas. A igreja evangélica brasileira deveria criar vergonha na cara! Ela nõa só se rebaixa perante os representantes do poder público que condena como corruptos, mas se tornou mais corrupta e corruptora do que ele!

c) Geazi leva consigo o castigo de sua cobiça, para ele e sua família.
A doença de Naamã se torna a doença de Geazi e de sua casa. Quem deseja a boa vida que a corrupção promove, ganhará de presente os males que ela gera.
Ilustração: O Sr. Marcos Valério que o diga. Operador do “Mensalão”, desviou mais de R$ 350 milhões sob promessas de impunidade de seus comparsas. Foi preso e julgado de vários crimes. Agora bota a boca no trombone e incrimina o próprio ex-presidente da República! (Veja 2247 ano 45, nº 38, p.62-68). Resta saber: Se é verdade o que disse, quando o sr. que disse inúmeras vezes “_ Eu não sei de nada” será indiciado por formação de quadrilha junto com os demais!?

Conclusão:
Em tempos de eleição qual deve ser a postura da igreja?
1. Integridade.
Não se vender aos favores estatais visando promoção pessoal ou denominacional, mas sermos fiéis a Deus em tudo, o tempo todoe diante de todos.

2. Firmeza frente a pressões externas.
Não mudar o discurso, mas anunciar profeticamente a palavra de Deus com autoridade e foco.

3. Alvos bem definidos: (para que elel saiba).
As pessoas precisam saber que há Deus no céu e que ele é quem na verdad governa a terra. Não é a situação nem a oposição; Não são os empresários e nem os banqueiros; Não são os cientistas e nem os intelectuais. Quem governa é Deus!
Amém!


[1] H. L. Ellison, NCB, II Reis, p.374.
[2] H. L. Ellisen, NCB, II reis, p.374.
[3] Thimoty George, Teologia dos Reformadores, p.243.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

07 = 2 Pedro 1.16: A Doutrina e a Mensagem do Segundo Advento (Segunda Vinda de Cristo)



Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
07 = 2 Pedro 1.16 – A Doutrina e a Mensagem do Segundo Advento.              (12/09/2012)
Grupo de Estudo do Centro – Fortalecendo a Fé dos Cristãos
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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2 Pedro – Sermões Expositivos – D. Martin Lloyd-Jones,PES, p. 86-110.
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Introdução: 
        Pedro está escrevendo uma carta pastoral para cristãos em dificuldades com o objetivo de fortalecê-los na fé cristã (1.10). O tema central de sua epístola é a segunda vinda de Cristo (Segundo Advento). Esse verso é muito importante porque nos apresenta a doutrina e a mensagem do segundo advento.
A fé e o ensino da segunda vinda de Cristo é o que movia a fé da igreja para frente. É uma das doutrinas centrais da fé cristã. O conceito liberal da fé cristã diminuiu a importância das doutrinas bíblicas ao subtrair delas o seu aspecto sobrenatural. A fé evangélica defende a volta sobrenatural e real de Cristo novamente sobre a terra dando-lhe um lugar primário e central no corpo de suas doutrinas. O liberalismo quebrou o sentimento de urgência explícito no Novo Testamento quanto à segunda vinda de Cristo. O sentido de urgência do Novo Testamento fica explícito no entendimento cristão de que nesse momento vive em dois mundos, um passageiro e transitório e o outro eterno e permanente. A vida nesse mundo é apenas temporária. A pergunta a ser respondida é: Por que não somos dominados por essa certeza como os crentes do Novo Testamento eram?

I.         Uma Resposta Dupla às dúvidas concernentes à segunda vinda de cristo.

1)      Uma resposta geral: Há uma negligência generalizada dessa doutrina na vida da igreja.
A doutrina da segunda vinda de Cristo se tornou impopular porque as pessoas perderam o interesse por doutrinas, uma vez que seu anti-sobrenaturalismo entende as doutrinas cristãs como ofensas ao seu bom senso e algo ridículo para se crer. Para estes, o evangelho não passa de uma moralidade geral, uma vaga filosofia de vida. Cristianismo significa dedicar-se ao levantamento moral da sociedade, nada mais. Por causa disso, todas as doutrinas bíblicas sobrenaturais são atacadas e ridicularizadas: a trindade, a expiação vicária de Cristo, o Espírito Santo, o segundo advento, dentre outras. Há três razões para essa negligência:

a)      A ênfase da psicologia em questões puramente pessoais.
A psicologia ensina às pessoas que elas devem se preocupar somente com o seu próprio bem estar e deixar de lado os aspectos gerais da fé. Essa crença estimula o individualismo.

b)      Uma interpretação não literal da segunda vinda de Cristo.
Alguns propõe que a segunda vinda de cristo seja entendida como a queda de Jerusalém no ano 70 dC ou a vinda do Pentecostes conforme descrito em Atos 2. Para estes a segunda vinda já aconteceu e não será um evento ainda futuro. Essa posição favorece o hedonismo.

c)      O relaxamento indolente da fé cristã no decorrer da história.
A parábola das dez virgens em Mateus 25 nos relembra do quanto podemos ser letárgicos na perseverança e vigilância de nossa fé. Isso provoca o esfriamento da fé diante da pressão do tempo de espera.

2)      Respostas específicas: O esquecimento da doutrina e/ou a sua excessiva exposição.
Como visto acima o esquecimento é uma causa da negligência, todavia o oposto também é verdade: A super-exposição da doutrina. Algumas pessoas a enfatizam tão zelosa e descontroladamente que a doutrina verdadeira sofre em suas mãos. O interesse mórbido e doentio é tão perigoso quanto nenhum interesse. As pessoas se concentram tanto “nos tempos e nas estações”, fazendo contas sem fim, fundando novos movimentos com novas interpretações, praticando um dogmatismo irrefletido que a doutrina adquiriu má fama dentre os cristãos e a própria sociedade em geral. O interesse desmedido pelo “como” e pelo “quando” em detrimento do “fato em si” da segunda vinda depõe contra a verdade da fé cristã.

Dentro do cristianismo a doutrina da segunda vinda tem sido esquecida por causa da tendência geral de ignorar doutrinas como um todo, mas também pelo fato do temor de se estimular o que é falso devido a uma exposição desmedida e sem equilíbrio.

3)      Qual o ensino geral da doutrina da Segunda Vida?

a)      Cristo voltará pessoalmente.
A vinda de Cristo novamente à terra é um fato real. O Novo Testamento ensina que Cristo virá pessoalmente e não como uma influência através da publicação da Bíblia e sua influência nas pessoas. Quem virá será ele pessoalmente.

b)      Cristo voltará fisicamente.
A sua vinda não foi a descida do Espírito Santo no Pentcostes (ainda que seja verdade que ele tenha vindo com o Espírito Santo. O Novo Testamento nos exorta a esperarmos o próprio Cristo (Tt 2.13). e não o Outro Consolador, que é o Espírito Santo.

c)      Cristo voltará visivelmente.
Todo o olho o verá (Ap 1.10). Ele será visto vindo entre as nuvens (Mt 24). Não como uma influência, não como um efeito espiritual, mas o mesmo que foi assunto ao céu diante dos olhos de seus discípulos.

d)     Cristo voltará repentinamente.
Embora ocorram sinais, os mesmos não determinam o momento exato. Ele virá como um ladrão e será como a chegada das dores de parto a uma mulher grávida (I Ts 5). Por isso existe o perigo real de dormirmos e não vigiarmos.

e)      Cristo voltará em majestade e glória.
Sua primeira vinda foi humilde, vindo em humilhação, como um servo e na semelhança de carne pecaminosa, mas sem pecado. Entretanto a sua segunda vinda será um acontecimento glorioso e pleno de sua majestade. Ele virá em poder, rodeado por seus anjos ao som de trombetas e na plenitude da Sua Pessoa divina.

4)      Qual o propósito de sua vinda?
O propósito da segunda vinda é liquidar os negócios e quefazeres desse mundo e dar cabo do tempo. O mundo não existe desde toda a eternidade e não durará eternamente como o conhecemos agora.
Ele virá para realizar a ressurreição final. Todos ressuscitarão, bons e maus; sua ressurreição será para o juízo final. Os inimigos de Deus serão condenados e definitivamente eliminados da vista de Deus. A criação como a conhecemos será destruída e haverá um novo céu e uma nova terra. Isso introduzirá o estado de glória eterna final na presença de Deus.

II.                a Mensagem fundamental da segunda vinda de cristo.

Por essa razão a doutrina da segunda vinda de Cristo é relevante no fortalecimento da fé dos cristãos. Ela lida com a incredulidade dos de fora e com a fé abalada dos de dentro da igreja. Para os de fora parece que a fé falhou e por isso a irreligiosidade e a falta de temor explicam o estado degradante da sociedade contemporânea. Na igreja muitos estão abertamente inquietos e definhando em sua fé.

O objetivo de Pedro é apontar a segunda vinda de Cristo como resposta a esses conflitos. Qual a mensagem da segunda vinda afinal?

1.        Ela é um pronunciamento do plano de salvação idealizado por Deus.
Temos ignorado a verdade de que Deus tem um plano idealizado quanto à salvação, o qual está presentemente em andamento na história da humanidade. Temos nos tornado muito subjetivos quanto a isso devido a situação do mundo e as contribuições da psicologia, que enfatizam os sentimentos das pessoas e sua necessidade de segurança pessoal no presente e ignoram o todo da vida.
Todavia a Bíblia revela o fato de que Deus arquitetou um plano de criação-queda-redenção e mapeou sua execução pelos caminhos da história. Deus vê o fim desde o princípio. Chamou a Abraão e com fez uma aliança; Livrou a Israel do cativeiro egípcio e o introduziu na terra prometida; Preservou o remanescente fiel em meio à apostasia israelita e judaica, mesmo durante o cativeiro babilônico e o período interbíblico. Na plenitude dos tempos (Gl 3) ele enviou o seu Filho como redentor do seu povo. Ele nasceu, viveu e foi crucificado, depois ressuscitou ao terceiro dia e ascendeu ao céu. O espírito Santo foi derramado no dia de Pentecostes como fora prometido.
A doutrina da segunda vinda enfatiza que esse plano de salvação ainda não terminou, mas encontra-se em execução. Tudo Fo previsto e cumprido segundo o programa divino; tudo o que Deus planejou foi cumprido, e o que ainda tem planejado acontecerá no tempo determinado por ele.
A salvação não é algo fortuito e contingencial, dependente e limitado por circunstâncias do mundo e do tempo. Nossa atenção deve se fixar no plano e não nas contingências do nosso tempo mundo, porque o fim é tão certo como o começo.

2.        Lembrar a realidade e o terrível poder do mal.
O poder do mal é tão grande que os crentes salvos seriam derrotados por ele, não fosse a segunda vinda de Cristo. Nenhum ser humano é suficientemente capaz de lidar com o mal; é preciso que o Senhor volte para que o mal receba o tratamento final. Nesse mundo há duas forças poderosas: O Reino de Deus e o reino de satanás. Essa verdade é deprimente e o mundo tenta suavizá-la ao máximo. O maior inimigo da humanidade e do evangelho é aquele indivíduo superficial que procura provar que as coisas não são tão más, pois ignora que a terrível realidade é o poder do pecado agindo corruptoramente no mundo.

3.        Enfatizar o inevitável conflito entre o reino de Deus e o reino do mal.
Deus e o mal estão em conflito. O poder do mal entrou nesse mundo, odeia a Deus e se contrapõe a ele. O único objetivo de satanás é destruir e arruinar (não somente danificar) completamente a obra de Deus. Por outro lado, Deus é bondoso e benéfico, permanecendo como o poder soberano muito acima do poder e ação de satanás.
Como satanás entra em confronto com Deus e o evangelho? (a) Pelos governos desse mundo; (b) Pelas religiões falsas; (c) Pelas filosofias de nosso tempo (materialismo, idealismo que exclui Deus; teorias políticas, econômicas, sociais etc).

4.        Falar sobre o curso do conflito entre Deus e o mal.
Há uma periodicidade na administração desse conflito. Há épocas de florescimento do evangelho intercalados com períodos terríveis de trevas e obscuridão. Deus sempre tem intervindo nesse ciclo com períodos de reavivamentos espirituais.
Por outro lado esse conflito recrudescerá e se tornará uma crise irremediável com um ápice apocalíptico. A Bíblia nunca proclamou um melhoramento gradual do mundo pela influência cristã, mas inequivocamente apontou para um conflito apocalíptico, escatológico e crítico da história humana na terra.

5.        Apontar para a certeza da vitória final de Cristo e sua causa.
O fim é certo, Cristo reinará; sem dúvida e sem incertezas.

Conclusão:
(1) Quando acontecerá a segunda vinda? Não sabemos (Marcos 13.32). O Novo Testamento ensina sobre o elemento inesperado e surpresa da segunda vinda, portanto, devemos estar preparados para ela. Isso parece incrível, mas é totalmente certo que será assim. Logo, devemos estar preparados e vigiar e orar; crer e ter consciência de sua veracidade bíblica. Não devemos cometer o erro de ignorar essa promessa, nem tampouco nutrir um interesse doentio e mórbido por ela.

(2) Qual a nossa tarefa então? Segundo Lloyd-Jones não tentar melhorar o mundo, mas anunciar-lhe o evangelho da salvação que nos desarraiga desse mundo perverso e nos coloca no reino eterno de Cristo (Gl 1.3-5).

(3) Como agir diante do mundo? Não ficarmos surpresos nem desconsolados e nem nos tronarmos inativos, mas viver e anunciar o evangelho transformador de Cristo perante  mundo e anelarmos o dia de sua vinda.

10º Encontro da Fé Reformada de Goiânia-GO = IGREJA: MULTIPLICAR, REVITALIZAR, CRESCER




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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

06 = 2 Pedro 1.12-15 - Coisas Que Jamais Devemos Esquecer




Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO

06 = 2 Pedro 1.12-15 – Coisas Que Jamais Devemos Esquecer.                              (12/09/2012)
Grupo de Estudo do Centro – Fortalecendo a Fé dos Cristãos
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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2 Pedro – Sermões Expositivos – D. Martin Lloyd-Jones,PES, p. 74-85.
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Introdução:
A principal tese de Pedro nessa epístola é que os cristãos estavam em angústia e desânimo porque tendiam a esquecer as coisas nas quais tinham crido à época de sua conversão a Cristo. Relembrá-las e firmarem-se nelas era fundamental para o fortalecimento de sua fé. Pedro stabelece 4 princípios gerais que jamais devemos esquecer na caminhada cristã:

I.         Uma das principais características da experiência humana é a tendência de esquecer .

a)      Esquecemos pessoas.
Prometemos não esquecer amigos que partiram com a morte, todavia, acabam sendo esquecidos depois de um tempo. Tentamos consolar os enlutados com a famosa frase: “o tempo cura tudo”, mas isso é muitas vezes apenas outro modo de esquecer.

b)      Esquecemos grandes e exaltados eventos.
Datas importantes na vida da igreja e datas importantes na nossa caminhada de fé são facilmente e freqüentemente esquecidas.

c)      Esquecemos votos e compromissos.
Como resultado de experiências com Deus fazemos votos e compromissos e depois os abandonamos. Dizemos que mudaremos nosso comportamento desse dia em diante e logo nos esquecemos disso. Pena! O grande idealismo que houve após a I Guerra Mundial, duas décadas depois já estava esquecido com o início da II Guerra.

A razão de tudo isso é o fato e a presença do pecado em nossa experiência cristã. Empre tendemos a esquecer exatamente o que deveríamos lembrar e achamos impossível esquecer o que gostaríamos muito de esquecer! Gostaríamos de esquecer atos grosseiros, motivos indignos, coisas ditas no calor do momento, coisas ruins que fizemos e que fizeram conosco, entretanto esses mesmos nos perseguem. Tudo isso indica a presença e a manifestação do pecado em nossa experiência cotidiana. O pecado se coloca entre nós e tudo o que é melhor a fim de nos esquecermos do que é bom e importante para nos digladiarmos com o que é ruim e corruptível e nossa natureza.

II.      há uma diferênça entre ter ciência de algo e realmente viver por isso (v.12).
Pedro afirma que seu esforço seria de trazer à lembrança aquilo que mesmo sendo conhecido precisava ser constantemente relembrado (v.12). Ele nos alerta para o perigo constante de acharmos que porque sabemos uma coisa, ela está em nossa memória e já faz parte de nossa vida. Mas pode não ser assim na prática. É como o estudante que lê algo, sabe que leu, mas não consegue explicar para o professor o conteúdo lido de forma coerente e clara. Ele sabe, mas não domina o conteúdo e por isso se sai mal nos testes de aprovação.

Da mesma forma, homens e mulheres de nosso tempo sabem que certos princípios governam a vida, mas não são cuidadosos em guardá-los na memória a fim de que dirijam a sua conduta diária. O pecado nos persuade de que, uma vez que conhecemos certos padrões morais, está tudo bem; o conhecimento vale pela prática. Todavia há toda a diferença do mundo entre saber o que é bom e praticá-lo (Tg 4.17).


III.   a memória é algo que precisa ser despertado e estimulado (v.13).
O que Pedro insiste em dizer é que certos princípios precisam estar presentes e ativos em nossas mentes. Psicólogos modernos costumam dizer que devemos evocar lembranças e depois e viver por elas. Não é esse o conceito cristão de lembrar, para nós lembrar é rememorar, fazer com que os princípios que governam os eventos nos governem também. Rememorar não é viver do passado, mas manter os princípios que foram verdadeiros no passado, também verdadeiros no presente.

A disciplina da vida cristã nos ensina que jamais deve passar um dia em que não nos lembremos de certas coisas. Não basta dizer que temos Cristo como nosso Salvador, ele tem que ser o nosso salvador todos os dias. Esse é o valor da leitura diária da Bíblia, da oração e da meditação. Não passaremos de neófitos (novatos na fé) se não descobrirmos que temos contra nós um sistema mal lutando contra nosso progresso na fé. A vivacidade desses princípios determina a vivacidade de nossa fé.

IV.   a principal tarefa da igreja quanto à vida crista é perseverar em lembrar-nos de certas verdades fundamentais e eternas (v.15).
Fica claro que a principal tarefa da igreja não a busca e a apresentação do novo para a sociedade, mas salgar a terra com as verdades fundamentais e eternas do evangelho. O mundo contemporâneo vive de idéias e ideais vagos que não se sustentam. A igreja tem por obrigação repetir o que é fundamental e central na vida da humanidade; a igreja deve lembrar ao mundo a verdade de Deus que se vê em Cristo Jesus. O interesse do mundo se move para as coisas gerais tais como a política, economia e a vida social deleitando-se naquilo que é imediato e passageiro. A igreja, por outro lado deve enfatizar as verdades eternas e que devem ocupar o centro de nossas vidas tais como:

1.        A vida propriamente dita
      A vida é revestida de grandeza e glória por Deus. O mundo tem um conceito baixo da vida. Novos tipos de cinismo e desesperança surgem a cada geração. Seu conceito do homem é aviltado e degradante, vendo-o apenas como uma manifestação biológica, materialista e sem objetivo. A Bíblia, entretanto, afirma que a vida é algo grandioso, importante e estupendo (Sl 139), pois o homem é criação especial de Deus, estampando em si mesmo a imagem do Deus glorioso. As religiões pagãs estão cheias de pessimismo e desespero, mas o evangelho cristão lembra-nos a verdadeira dignidade do homem.

2.        A natureza da vida. 
     Pedro afirma que estamos no mundo, mas não pertencemos ao mundo, somos peregrinos no mundo. Essa vida como a conhecemos tem natureza transitória. Nós “tabernaculamos” (armamos nossa tenda [Jo 1.13,14]) por aqui, mas este mundo não é o nosso lugar permanente de habitação. O materialismo nos faz crer que a vida aqui é a única vida que conheceremos e que por isso devemos viver uma existência puramente sensorial e imediatista, mas Pedro insiste que na, a vida é uma peregrinação e nós somos viajantes nela por um tempo apenas, depois partiremos para o lugar definitivo. A Bíblia nos lembra que vamos indo a um grande destino, a presença de Deus!

3.        O propósito geral da vida
      Se o conceito da vida é uma peregrinação, então o seu propósito fica claro, o homem deve glorificar a Deus na sua caminhada. Deus criou o homem para que a sua glória fosse manifestada através de sua existência. Logo, tudo o que fazemos nesse mundo e nessa vida é de grande importância; cada ato conta; cada momento é significativo e alguns são decisivos, pois deveremos prestar contas de nossa vida ao criador de tudo!

4.        A presença, o perigo e a ação do pecado
     O evangelho nunca deixa de nos lembrar que todos os problemas, tribulações e tragédias podem ser explicados pela presença e ação do pecado na experiência humana geral. O mundo odeia muito ser lembrado do pecado; porqe gosta de pensar em si mesmo de forma otimista, diminuindo a avaliação de sua realidade corrompida e corruptível. A causa de tudo é a má relação existente entre Deus e o homem em função do pecado na vida deste último. Não haverá esperança enquanto o mundo não reconhecer a Deus como o Senhor de tudo.

5.        A realidade da salvação e vida eterna em Cristo
    Todavia a palavra final não é essa; Pedro nos lembra que a nossa partida (morte) é um êxodo, a passagem da escravidão e do cativeiro do Egito para a nova terra, Canaã. Para o cristão o fim da vida não é um terror, mas o simples desmontar da tenda para voltar pra casa. Todavia não há nenhum otimismo superficial e leviano na Bíblia. Enquanto permanecer o pecado, haverá dificuldade. Há um dia gloriosos chegando no porvir, dia de consumação, de êxodo, de redenção final e defenitiva. Da mesma forma que a Bíblia aponta para o passado indicando a cruz como o instrumento único e cabal de nossa redenção, ela também aponta para o futuro como a consumação da promessa redentiva de Deus por meio de Cristo.

Conclusão:
O que jamais devemos esquecer é o sacrifício de Cristo e de sua ressurreição. Em Cristo, e somente em Cristo, temos uma verdadeira concepção sobre a vida. Nele nós triunfamos sobre a morte e o túmulo, e temos a vida eterna e sempiterna!

05 =2 Pedro 1.8,9,11 = Vida e Morte (Lloyd-Jones)



Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
05 = 2 Pedro 1.8,9,11 – Vida e Morte.                                       (05/09/2012)
Grupo de Estudo do Centro – Fortalecendo a Fé dos Cristãos
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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2 Pedro – Sermões Expositivos – D. Martin Lloyd-Jones,PES, p. 60-73.
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Introdução:
O que Pedro faz aqui é fornecer razões e motivos para ajudar os cristãos a porem em prática a sua exortação feita nos versos 5-7. Esses motivos são típicos do Novo Testamento quanto à santificação. Dois comentários podem ser feitos:

1.      O apelo do Novo Testamento para a santidade nunca é feito em termos da lei.
O Novo Testamento não nos trata como crianças oferecendo regras mecânicas que santificam. Quem tem uma visão legalista do Novo Testamento está longe do ensino bíblico sobre a santidade. Ele faz um apelo à nossa razão e entendimento de forma racional e razoável para que vivamos o que já nos tornamos em Cristo.

2.    Não há nada que seja tão totalmente ilógico e irracional como o cristão professo que faz objeção ao chamado do Novo Testamento para a santidade.
Não há surpresa em quem não crê no evangelho fazer-lhe objeção, mas quem crê proceder assim é uma incoerência descabida! A pregação do evangelho é loucura para os que se perdem, mas é o poder de Deus para os que por meio dele foram salvos (I Co 1.18-25). Matinho Lutero aconselhou Filipe Melanchton certa vez: “Pregue sempre de tal modo que, se os seus ouvintes não odiarem os pecados deles, odeiem você” (p.62).

            A seguir, Pedro nos oferece três razões principais para acatarmos à exortação de sermos diligentes na prática das virtudes cristãs enunciadas anteriormente a fim de confirmarmos nossa eleição e vocação. Duas são positivas e uma é negativa. Lloyd-Jones trata da negativa primeiro:

I.         Não Associar essas virtudes à nossa diligência é demonstrar ignorância do propósito fundamental da vida cristã.

Pedro chama de cego (míope, tem vista curta) quem não se consagra e se santifica a fim de confirmar sua eleição e vocação equipando sua fé para a maturidade. Este ignora o propósito fundamental da vida cristã, mas vive no imediatismo que o secularismo nos impõe, oferecendo o gozo da vida no aqui e agora sem se importar com a vida que está por vir. Está tão fascinado pela vida presente e suas possibilidades que se esqueceu do fim supremo da vida e de para onde vai.

O objetivo da vida, segundo o Novo Testamento é que vejamos Deus e nos alegremos nele para sempre (Mt 5.8; Hb 12.14;  1 Jo 3.2,3). O propósito da encarnação foi livrar-nos dos nossos pecados (Mt 1.21; Tt 2.14), por isso, se alguém quiser ver a Deus deverá purificar seu coração no sangue de Cristo e ficar tão longe do pecado quanto puder e odiá-lo como Deus o odeia! É exatamente isso que Pedro quer dizer com a expressão “aplicar toda a diligência em”.

II.      fazer essas coisas produz uma vida cristãativa e frutífera.

Pedro coloca essa verdade de forma negativa: “para que não sejais nem ociosos nem infrutíferos”. O grande problema da igreja contemporânea é que ela se tornou muito ociosa para com aquilo que é mais importante e totalmente ativista para o que não produz crescimento espiritual algum.

Ser um cristão verdadeiro é mais que apenas fazer subscrição a certas idéias e freqüentar ocasionalmente a casa de Deus a fim de participar dos meios de graça (pregação, sacramentos, orações...). Nossa atividade cristã deve ser sempre resultado do caráter, porque faz parte da natureza da santidade uma atividade que se envolve com o cuidado do próximo, a honra do nome de Deus e a piedade. O Novo Testamento condena o ativismo como forma de auto-realização, mas estimula uma atividade enraizada na gratidão a Deus e o amor ao próximo.

A atividade agitada é infrutífera, mas o cristianismo consagrado é frutífero e atrativo quando desenvolve o caráter cristão. Uma pessoa ativamente carnal jamais poderá oferecer uma boa razão para a sua atividade, mas o cristão mostrará seu caráter transformado como resultado da atividade divina em sua vida que o leva a servir. Lloyd-Jones enfatiza que esse ponto é exatamente o que torna o evangelho e nós mesmos atrativos: A transformação do nosso caráter, a santificação de nossas vidas pelo evangelho de Cristo.

III.   isso leva a um feliz e glorioso fim para a vida.

Quem começa do jeito certo, continua do jeito certo, certamente terminará do jeito certo. Quem não é diligente é míope e, por isso, só enxerga perto, não consegue ver o fim. A maneira como encaramos o fim determina o estágio de nosso crescimento e firmeza na fé.

A forma como encaramos a velhice e a morte é o que dá o valor correto da fé que vivemos. A velhice denuncia de forma cabal em que confiamos a nossa vida e atividades. Muitos morrem logo após a aposentadoria porque suas vidas perderam o propósito. O cristianismo não está imune a essa visão míope da vida porque é possível que vivamos também somente de nossa pregação em vez de vivermos de Cristo, ou seja, confiamos o sucesso do cristianismo em nosso ativismo, mas não na obra redentora de Cristo e nos esquecemos que a própria vida cristã nos foi concedida (1.1) por Deus e não galgada por nós mesmos. Na vida cristã, tudo é graça e pela graça do começo ao fim.

A morte para nós não é como lançar um navio no mar escuro sem a certeza de onde chegar; antes é ser levados a salvo e com segurança ao porto. O cristão não se sente solitário à porta da morte, porque Cristo está com ele. O cristão não faz objeção à morte e nem teme partir porque sabe exatamente para onde vai, e para Quem ele vai. Morrer para o cristianismo nada mais é que ir para casa! Voltar ao lar e viver com o Pai. Quando o cristã está entrando no porto, ouve a voz de Cristo a chamar: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo – entrai no gozo do teu Senhor”.

Conclusão:
Há somente um caminho que garante a abundante entrada no Reino eterno: Cumprir os mandamentos e Deus. Por isso, quem quiser experimentar essa abundante entrada no reino, precisa ser diligente em associar as virtudes cristãs recomendadas por Pedro a fim e confirmar sua eleição e vocação, vivendo em santidade e em santificação para Deus.
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