O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

17 = 2 Pedro 3.18 - Crescendo na Graça e no Conhecimento de Cristo (Lloyd-Jones)


O Progresso do Peregrino - inspirado no livro "O Progresso do Peregrino, de John Bunyan.

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Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Fortalecendo a Fé dos Cristãos
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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17 = 2 Pedro 3.18 – Crescendo na Graça e No Conhecimento de Cristo.       (26/12/2012).
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Introdução:
A igreja sempre corre o risco ser levada pelo erro dos ímpios e dos falsos mestres abandonando sua firmeza e se enfraquecendo na fé. A exortação insistente de Pedro é que nos aperfeiçoemos na vida piedosa respondendo ao chamado à santidade a fim de sermos fortalecidos na fé.
Crescer na graça e no conhecimento de Cristo é tanto maravilhoso quanto perigoso, pois há armadilhas e perigos no caminho.

I.         a natureza e o caráter do crecimento na graça e no conhecimento de Cristo dizem respeito à santidade e à santificação.

1.      A natureza da Vida Cristã Autêntica é crescer naturalmente.
a)      Ser cristão significa receber a nova vida.
Não pode haver crescimento se não houver nascimento (o novo nascimento – Jo 3.3,5). Todos os apelos ao crescimento na Bíblia só fazem sentido se nós já tivermos nos tornado cristãos. Melhoramento ético sem o novo nascimento e a vida nova é mero moralismo, não cristianismo. Para entrarmos no caminho do crescimento precisamos nos perguntar primeiro: “_ Estamos vivos?” A vida cristã não é igual à vida dos não cristãos com alguns melhoramentos ou exigências. Ela é totalmente diferente.

b)      Vida cristã autêntica produz conseqüentemente crescimento espiritual autêntico.
Podemos acrescentar coisas a objetos mortos, mas certamente não podemos fazê-los e nem vê-los crescer. Lutero e João Wesley testemunham que suas vidas cristãs antes de suas verdadeiras conversões a Cristo eram dotadas de bastante moralidade, mas não apresentavam verdadeiro crescimento espiritual. Acrescentar moralidade à vida cristã não é crescimento autêntico na graça.

c)      O processo de crescimento é vital, não mecânico.
Por isso deve ser julgado organicamente e não em partes separadas. Tendemos a confundir o que promove o crescimento com o crescimento propriamente dito. O crescimento nuca é alvo, mas resultado de outras ações. Não se pode produzir o próprio crescimento, ele vem de Deus, podemos simplesmente trabalhar e nos preparar para que ele aconteça de forma saudável.

d)      O processo de crescimento é necessariamente progressivo e gradual.
O crescimento acontece naturalmente e não subitamente. Ninguém salta da infância para a idade adulta, mas ela atravessa fases progressivas e contínuas até à maturidade.

2.      Os aspectos nos quais podemos crescer.
a)      Não significa que crescemos em amabilidade e na posse da graça.
Essas coisas estão inclusas, mas não definem o crescimento. Ser cristão não é primariamente ter a graça, mas ser introduzido na graça, no favor não merecido de Deus, ou melhor, num relacionamento não merecido com Deus.

b)      Significa sermos objetos especiais do favor e da bondade de Deus.
Quanto mais vivermos em Cristo e experimentarmos o seu favor, mais teremos crescido na sua graça! Crescer no conhecimento é crescer no entendimento da verdade cristã. O conhecimento não é apenas intelectual, mas é pessoal.

3.      Por que o crescimento é importante?
Porque é a única forma de sermos cristãos fortes, firmes e sólidos na fé. Quanto mais conhecermos a graça de Cristo, mas seremos capazes de sorrir diante das adversidades e contradições deste mundo.

II.   Como podemos crescer na graça e no conhecimento de Cristo?
O descaso para com a santidade tem produzido um rebaixamento moral acentuado na igreja e na sociedade secular. Isso se dá pelo fato do foco ter sido ampliado da vida cristã pessoal para a vida social. Acusa-se a igreja de que a preocupação com indivíduos produz egoísmo e pouco envolvimento social, todavia a história da igreja testemunha o oposto. Quando a preocupação da igreja com a santidade pessoal foi maior, o seu envolvimento social e redentivo foram também maiores. Exemplos como os de Oliver Cromwell no campo da administração pública e de William Wilbeforce na luta contra a escravidão são exemplos incontestáveis disso. Isso quer dizer que vida pessoal santificada produz vida social e nacional mais humanitária.

Uma forma de responder a essa pergunta é comparar-se as visões católico-romana e puritana da santidade.
1.      A visão católica de santidade.
Considera a santidade como uma vocação pessoal. Quem quiser crescer na graça deverá tomar isso como um projeto exclusivo de vida, daí o surgimento do monasticismo e das ordens religiosas na idade média. Essa é razão da divisão dos cristãos entre religiosos e leigos. Os leigos só crescem na graça de forma indireta, recebendo méritos provindos dos que assumiram a vida espiritual como uma vocação para a santidade. Para o catolicismo, para o fiel ser santo ele tem de sair do mundo e tornar-se celibatário.
De acordo com essa concepção, crescimento significa crescimento é o objetivo pelo qual se vive, as pessoas vivem para crescer, como se a vida cristã genuína só pudesse se desenvolver numa estufa.

2.      A visão protestante (puritana) de santidade.
Segundo Lloyd-Jones, o protestantismo considera que o crescimento não é o alvo da vida cristã; o que se deve fazer é observar certos princípios que promovam o crescimento e que lhe são essenciais (p. 305,306). Quais são eles?
a)      A leitura pessoal da Bíblia (1 Pe 2.2).
b)      A prática contínua da oração (1 Ts 5.17).
c)      A participação nos meios de graça - pregação da palavra; participação na celebração da ceia  (Mc 16.16; 1 Co 11.23ss).
d)     A meditação – nas grandes doutrinas e promessas do evangelho.
e)      A leitura de boa literatura cristã (doutrinamento, biografias e história da igreja).
f)       Evitar tudo que é prejudicial à vida e ao crescimento espiritual (Literatura mundana e secularizante; diversões e prazeres mundanos; mídias poluidoras e degradantes [pornografia]).
g)      O exercício prático de tudo o que cremos. A vida cristã não é mero intelectualismo, mas envolvimento com as pessoas.
h)      Guardar repouso. Se não tivermos mentes tranqüilas não cresceremos. Podemos repousar porque compreendemos que fomos justificados pela fé e vivemos por ela. O bom serviço cristão também é fruto de um bom repouso conforme as prescrições bíblicas.

III.   como podemos medir o nosso próprio crescimento na graça e no conhecimento decristo?
           
1) Evitar e vencer a morbidez e a introspecção
A doutrina do crescimento na santidade é uma contradição quanto a qualquer visão perfeccionista da vida cristã. A igreja teve a sua maior influência no mundo quando teve o maior número de indivíduos cristãos. Não basta ter números, mas esses números refletindo a santidade de Deus no mundo. Crescer na graça não é um convite à morbidez e à introspecção, mas um chamado ao serviço cristão efetivo na sociedade para a glória de Deus.

Vencemos a morbidez de duas formas:
®    Vivendo para a glória de Deus.
Devemos ser santos para manifestar a glória de Deus nesse mundo e não para nos satisfazermos em nós mesmos.

®    Praticando o auto-exame consciente da justificação em Cristo.
Somos salvos unicamente pela graça de Deus em Cristo e nunca, jamais, por causa de qualquer obra realizada por nós, logo ficamos livres para sermos santos de forma bondosa e desprendida.

Erramos quando tentamos medir o nosso crescimento espiritual por meio das comparações com outros e do ativismo cristão; devemos medi-lo pelo ensino das escrituras sobre a imaturidade e a maturidade tendo como padrão o próprio Senhor Jesus Cristo.

2)     Sinais de uma vida cristã imatura.
A figura bíblica para ilustrar a imaturidade é o ser “criança em Cristo”.
®    Crentes imaturos são instáveis.
Pedro chamou os que se enfraquecem na fé de “inconstantes” (3.17). A criança é instável, muda com facilidade, fica deprimida, amedrontada e desanimada facilmente. O pânico acomete cristãos imaturos diante de qualquer dificuldade.

®    Falta de entendimento e capacidade de discriminação.
Efésios 4.14 fala do menino que é levado facilmente por qualquer vento de doutrina.

®    Exibicionismo.
A demonstração de um grande interesse por si mesmo e de falar de si mesmo para os outros, buscando ser o centro das atenções. Se a nossa humildade não for inconsciente, será exibicionismo.

®    Gostar do que é divertido, espetacular e excitante.
O imaturo gosta de entretenimento; sente “comichão nos ouvidos” por novidades, sendo avesso à meditação, à leitura e ao estudo sério das escrituras.

®    Mais interessada em personalidades do que no ensino (1 Co 3.1ss).
Embora Paulo tenha sido o grande missionário e doutrinador da Igreja primitiva, havia em Corinto um partido que reputava sua presença por fraca e sua palavra por irrelevante.

®    Maior interesse na experiência do que nas relações (Lc 10.20).

3)      Sinais de uma vida cristã madura.
®    Crescente consciência da própria pecaminosidade e indignidade perante Deus. Anseio pela libertação do pecado mais do que por alguns pecados específicos.
®    Crescente entendimento da natureza do conflito espiritual que ocorre neste mundo.
®    Entristecimento pela condição do mundo
®    O crescimento do amor por Deus e sua glória.

Aplicações:
1.      Já que o crescimento é orgânico, natural, progressivo e gradual, devemos crescer em tudo (Ef 4.15,16).

2.      Fazer uso consciente e premeditado dos meios que Deus colocou ao nosso alcance para o nosso crescimento.

3.      Conhecer a glória de Deus para viver para a glória de Deus.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

16 = 2 Pedro 3.15-17 - A Consolação das Escrituras (Lloyd-Jones)



Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Fortalecendo a Fé dos Cristãos
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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16 = 2 Pedro 3.15-17 – A Consolação das Escrituras.                                (19/12/2012)
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Introdução:
Pedro conclui a sua carta com um apelo à perseverança. A necessidade de perseverar na fé é um dos focos fundamentais do Novo Testamento (Hb 11; I Jo e Ap). A Fé é fortalecida quando há continuidade, persistência, perseverança. Não se pode desaminar, pois o desânimo traz grande perigo à fé.
Precisamos aprender a perseverar com os crentes primitivos porque eles, como nós, viviam num mundo difícil e contraditório, mas ficaram firmes, perseveraram e seguiram em frente apesar de tudo.
É falsa uma apresentação do Evangelho que transmite a idéia de que a vida cristã não enfrenta problemas, pois a vida cristã é retratada na Bíblia como um “combate da Fe” (Jd 1) e uma luta sem tréguas contra as trevas (Ef 6.10-18).

I.         POR QUE A PERSEVERANÇA É NECESSÁRIA?

a)      A demora da vinda do Senhor.
Essa demora é apenas aparente,pois a forma de Deus contar o tempo é diferente da nossa (2 Pe 3.8); o calendário de Deus é moral e não apenas cronológico.  Na época de Pedro e Paulo acreditava-se numa volta imediata de Cristo, mas isso não aconteceu.

b)     A obra e o ensino dos falsos mestres.
Pedro os chamou de escarnecedores nos versos anteriores e os chama de insubordinados no verso 17. Eles continuam conosco e muitas vezes com vez e voz, causando transtornos e sofrimentos à igreja.

c)      Nossa má vontade natural.
Precisamos reconhecer que nosso interesse por coisas materiais é muito mais aceso do que nossa lealdade às Escrituras sagradas. Quando não permanecemos e perseveramos na lealdade aos ensinos bíblicos, nossa fé é afetada pela instabilidade e pela indolência. A moralidade cristã está se secularizando tão rapidamente que tentar fazer um contraste entre o mundo e a igreja se tornou algo triste e patético (p.273).

II.   Como resistir às tentações?
Observemos primeiro o que Pedro não diz, e, depois, o que ele diz:
a)      O que a Bíblia não diz para fazermos.
®    Não é um apelo à nossa coragem.
Pedro não nos exorta a demonstra fibra. É perigoso aplicarmos num sentido material aquilo que nos foi dito num sentido espiritual. Nem sempre a nossa força está na varonilidade ou na fibra, mas na dependência de Deus.
®    Não é um apelo a ter uma visão filosófica do nosso sofrimento.
Não devemos racionar assim: “_ Que adianta queixar-se, o jeito é enfrentar a situação!” Aceitar  a situação como ela se apresenta é fruto de uma decisão filosófica que não leva em conta a esperança e a consolação das escrituras.
®    Não é um apelo à resignação mecânica.
Pedro não apela para que nos esforcemos diante do inesperado ou do dificultoso.
®    Não é um apelo para se viver de experiências passadas.

       Não vivemos de memórias do passado, mas da fé viva no presente. A Fé não é um ingrediente de auto-ajuda, mas confiança e dependência de Deus. Nesse ponto, Lloyd-Jones defende que sua oposição à psicologia se dá somente quando esta “se coloca entre nós e aquilo que é verdadeiro. A sugestão e o tratamento psicológicos podem ser uma ajuda temporária para os que não são cristãos; mas o cristão consolar-se, firmar-se e fortalecer-se pelo uso da psicologia pode ser uma negação da verdade do evangelho” (p. 274). Não se pode promover a psicologia em lugar da verdade do evangelho.

b)     O que o evangelho ensina para nos dar firmeza a fim de enfrentarmos tribulações e tentações?
®    Infundir conhecimento em nós e nos apresentar a verdade.
As dúvidas e temores quanto à presente hora são-nos esclarecidas pela leitura atenta das escrituras. Crer na revelação nos dará a firmeza, o fortalecimento e a segurança necessários para o enfrentamento de um mundo perigoso e contraditório.

III.   Por que devemos crer nas Escrituras?
           
      Essa pergunta nos leva às razões da afirmação anterior:
a)      As Escrituras são a revelação dada por Deus.
As Escrituras são inspiradas por Deus, não vieram de particular elucidação humana, mas da mente do próprio Espírito Santo (1.21). Pedro alinha sua epístola, as de Paulo aos ensinos do Antigo Testamento como sendo partes da mesma Palavra de Deus a nós.

b)     As Escrituras nos dão plena informação concernente a todas estas questões acerca das quais tantas vezes somos exortados.
A nossa salvação está na longanimidade de nosso Senhor conforme revelado na Bíblia. A revelação bíblica é a única fonte de ensinamento da antiguidade que nos prepara para um mundo difícil. Todas as filosofias idealistas e humanistas do século XIX não foram capazes de prever duas grandes guerras mundiais em menos de três décadas uma da outra. A educação e a cultura avançadas de nosso tempo não conseguem explicar a impiedade e a imoralidade crescentes entre nós.
Por outro lado, Pedro deixa claro que a demora da vinda decristo não é outra coisa senão a nossa salvação (v.15). Deus é tão amoroso que ainda está dando ao mundo uma oportunidade para arrepender-se.

IV.  PRECISAMOS TER TODO O CUIDADO AO ABORDAR AS ESCRITURAS DE FORMA CORRETA.
            Per denuncia que algumas pessoas estavam interpretando equivocadamente as escrituras e ensinando o seu erro para os demais. Isso é fácil de perceber em todo o Novo Testamento. Paulo fala em Romanos de deturpadores da doutrina da justificação. Em 1 Coríntios denuncia os que deturpavam a doutrina da ressurreição. E 2 Tessalonicenses desmascara os que ensinavam que a ressurreição já havia ocorrido. Qual é a maneira correta de lermos a Bíblia?

a)      Ler a Bíblia cuidadosa e aplicadamente.
Não devemos ser apressados ou desatentos. A Bíblia é particularmente perigosa para os que a lêem superficialmente. Torcer os ensinos bíblicos é buscar para si a perdição.

b)     Ler a Bíblia como um todo.
Não ler apenas pequenas porções ou textos preferidos, mas ler a Bíblia toda, em sua inteireza.

c)      Ler a Bíblia com honestidade e mente aberta.
Não podemos ler a Bíblia para conformá-la a nós, mas para nos conformarmos a ela. É muito perigoso vir às escrituras tomado de pressupostos e idéias particulares.

d)     Ler a Bíblia com espírito humilde e prontidão para aprender.
Pedro é um exemplo disso. Foi confrontado por Paulo publicamente em Antioquia e desmascarado em seu erro (Gl 2). Agora reconhece a utilidade e biblicidade dos escritos e ensinos de Paulo. Devemos ir à Bíblia com a simplicidade de uma criança.

e)      Ler a Bíblia com atitude de oração.
Essa atitude nos dá conta de nossa fragilidade intelectual e da grandiosidade da revelação divina e da nossa tendência de não se deixar governar por Deus.
Devemos orar ao iniciar nossa leitura cotidiana e depois de terminar. Nossa oração deve ser súplice e reverente a fim de recebermos unção e conhecimento da santidade divina.
Nunca devemos nos esquecer que torcer as escrituras é perigoso para a nossa própria perdição.

Conclusão:
1.      Crentes que conhecem a Bíblia não vivem caindo, vacilando e debandando da fé.

2.      Crentes que conhecem a Bíblia enfrentam com maturidade o sarcasmo e a hipocrisia dos falsos mestres e falsos cristãos.

3.      Crentes que amam e conhecem a Bíblia são tanto reverentes quanto diligentes no seu estudo e na pregação do evangelho. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O Mentiroso e A Mentirinha


Pastoral: 13/12/2012
Boletim da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO ano XXII, nº 51, 16/12/2012.

O Mentiroso e a Mentirinha.

No episódio de A Grande Família exibido no dia 15/11, Lineu (Marco Nanini) fica ansioso para comemorar o seu aniversário junto dos parentes e amigos. Mas a data só foi lembrada no dia seguinte e decidiu-se organizar uma festa para o patriarca. Na comemoração, todos os convidados inventam desculpas para fingir que se lembraram do aniversariante. A decepção pela enxurrada de mentiras descabidas o leva a fazer um pedido inusitado ao apagar as velinhas do bolo: deseja que todos falem a verdade e somente a verdade. A partir daí a trama segue construindo a ideia de que se todos falarem somente a verdade isso pode abalar amizades, casamentos e empregos (http://www.youtube.com/watch?v=SFC-rIUUjUY). Defende-se o conceito de que uma mentirinha aqui e ali não atrapalha a vida de ninguém e é até saudável.

É óbvio que o episódio foi inspirado no filme norte-americano “O Mentiroso” onde Jim Carrey é o protagonista das trapalhadas de um advogado mentiroso que sempre decepciona o seu filho. No dia de seu aniversário o menino Max pede que seu pai não minta por apenas um dia. Diferentemente da série brasileira, a personagem aprende a não mentir mais.

Essas duas produções cinematográficas espelham duas cosmovisões (como se vê o mundo) diferentes. Uma que ensina que não pode haver nenhum princípio que seja absoluto na condução de nossas vidas e outra que ensina que existem certos princípios que se quebrados nos causarão muitos problemas, como, por exemplo, dizer a verdade.

Na cosmovisão brasileira aprendemos a conviver com “mentirinhas inocentes”. Elas nos ajudam vender, comprar e conviver. Elas nos permitem não nos comprometermos diretamente com os outros. Essas “mentirinhas inocentes” se escondem em eufemismos, omissões e nas dissimulações que utilizamos em nossas relações interpessoais. No nosso país confundimos sinceridade com “petulância inconveniente” e a verdade é definida como “exagero hipócrita”. E dessa forma criamos uma casca ao redor de nós que não deixa sermos conhecidos verdadeiramente por quem somos, ou por quem deveríamos ser.

Entretanto, verdade é que são essas mesmas “mentirinhas inocentes” a causa de muitos problemas de relacionamento que destroem amizades, casamentos, empregos e igrejas. É fato que com o passar do tempo as “mentirinhas” se acumulam, aumentando de tamanho e gravidade. Somos atores o tempo todo; somos malabaristas de sentimentos, atitudes e ajeitadores de situações o tempo todo; só não somos os cidadãos, irmãos, pais e cônjuges que deveríamos ser o tempo todo!

O preceito bíblico é o prescrito por Paulo em Efésios 4.25,29: “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros... Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem”. Felizes são aqueles que ouvem a Palavra do Senhor e a praticam. Com amor, Pr. Hélio.         

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

15 = 2 Pedro 3.10-14 = A Visão Bíblica da História e a Bendita Esperança



Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Fortalecendo a Fé dos Cristãos
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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15 = 2 Pedro 3.10-14 – A Visão Bíblica da História e A Bendita Esperança.     (05/12/2012)
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Introdução:
            Pedro está tratando da segunda vinda de Cristo e do fim dos tempos desde o verso 16 do capítulo 1. O argumento de Pedro é que a história da humanidade está sendo conduzida por Deus rumo à bendita esperança cristã, o retorno e julgamento de Cristo. A incerteza e a dúvida são os sentimentos dominantes no nosso tempo. A sombra das duas grandes guerras mundiais não vão muito longe e o mundo continua sendo sacudido por conflitos bélicos orquestrados pelo terrorismo internacional e as desigualdades sócio-econômica-religiosas nacionais. Por isso entender a história é de crucial importância a fim de mantermos nossa fé firme e caminhando para o alvo.

I.         Os Conceitos de história mais populares não respondem às incertezas do tempo presente:

a)      O conceito de progresso inevitável.
Desenvolvido por Hegel no século XIX. Acredita que a história é um processo que avança gradativamente, desenvolvendo-se a partir de um grande princípio. A história e suas contradições se fundirão numa realidade única. A tese e sua antítese operam juntas produzindo uma síntese final levando ao desenvolvimento da humanidade. O otimismo da época vitoriana, na Inglaterra, e o marxismo alemão se alimentaram desse conceito. No final a história não terá contradições e diferenças, porque tudo se tornará único e perfeito.
Essa teoria gerou uma complacência para com a vida que tem gerado a maioria dos problemas da humanidade. Ela desconsidera a individualidade humana afirmando que o importante é a finalidade da vida: O progresso. Além disso, o progresso da humanidade não pode ser medido apenas pelos avanços tecnológicos, uma vez que apesar de tantas descobertas e melhoras, as relações humanas continuam se deteriorando.

b)     O conceito da história cíclica.
Criado pelos antigos filósofos gregos. Diz que a história e uma roda que gira em ciclos espirais sem ter fim. As nações experimentam fases de ascensão e prosperidade e depois entram em declínio, dando lugar a desenvolvimento de outras nações. Embora haja avanços, os ciclos da história são repetitivos. Para esse grupo, tudo é resultante do destino e acaso cegos.
Esse conceito não leva em conta as interações entre as nações que levam a progressos reais na humanidade. É evidente que a história é mais que uma troca de poderes mundiais devido a espirais cíclicos intermináveis.
c)      O conceito científico moderno.
Baseado na segunda lei da Termodinâmica afirma que a história terá um fim. O mundo é como um relógio ao qual foi dado corda, mas que aos poucos vai perdendo a sua força até parar. O universo e o planeta terra estão se cansando e chegará o tempo em que a vida se tornará insustentável, ocorrendo o fim dos tempos, da história humana na terra.
Esse conceito alimenta o hedonismo (busca pelo prazer a qualquer custo) e o materialismo (a vida é apenas a matéria, nada mais); ou ainda as visões totalmente negativas quanto à vida, tais como o cinismo, a anarquia e a apatia em favor do próximo.

d)     O conceito dos historiadores profissionais.
Para eles, a história é uma seqüência de acontecimento sem sentido, sem leis e sem forma. Os fatos são observados e ao serem contrapostos, busca-se um sentido lógico para eles.
Esse conceito é típico também da visão materialista da vida em seu pessimismo diante do futuro. Revela o ceticismo e o desespero do homem qe não aceita o ensino bíblico a respeito de Deus, do homem e do universo.
A seguir Pedro aponta o lado negativo e depois positivo de nossa bendita esperança:

II.                A história está antes e acima de tudo sob o controle definitivo de Deus (v. 10).

a)      A Bíblia declara que Deus controla a história.
Os eventos da revelação bíblica demonstram que a história tem um propósito. A formação de Israel como nação, a vinda do Messias e a história da igreja são expressões desse propósito divino para a história. Por essa razão é evidente que o mundo, suas teorias e suas filosofias estão completamente desnorteados e frustrados.
A revelação divina é ao mesmo tempo sobrenatural e essencialmente miraculosa, pois mostra que Deus irrompe na história intervindo em favor de seu propósito eterno.

b)     A chave para o entendimento da história é o pecado.
Deus criou o mundo e homem bons. Todavia, o homem se rebelou e pecou contra Deus. Em decorrência disso, todas as contradições, todas as dificuldades, todos os problemas da humanidade tem sua raiz na entrada do pecado na história da humanidade. A queda do homem no pecado afetou tanto a si próprio quanto toda a criação e a sua história. A história (a criação e a humanidade) estão sujeitas “em esperança” ao domínio do pecado até o tempo determinado por Deus na consumação de tudo (Rm 8.20-23).
Todas as vezes que o homem, vivendo no pecado tentou tomar para si o controle da história Deus interveio e despedaçou essa intenção (Torre de Babel – Gn 11.1-9). Sempre que a humanidade tenta ir avante sem Deus, Deus permite que o faça até certo ponto, é por isso que a história é contraditória, porque nunca há progresso ininterrupto e nem independência total de Deus.

c)      Na Bíblia há uma história da Salvação.
A bíblia não é a história do mundo, mas a história da salvação, da ação de Deus no mundo. A criação, a queda, a redenção e a consumação são apenas episódios dessa história salvífica de Deus.

d)     Haverá uma última e final consumação.
O plano de Deus foi iniciado; está em andamento e alcançará o seu clímax na consumação de tudo! No tempo presente Deus está chamando o seu povo. A volta de Cristo trará o juízo final, quando o pecado, o mal e tudo quanto pertence a essa esfera serão destruídos. A criação, a terra e o mundo como os conhecemos hoje serão destruídos. Essa é a mensagem claríssima desse verso nº 10!
Então Deus remodelará o mundo num novo céu e numa nova terra. Os que são cristãos estarão nele para a sua habitação eterna com Deus; seus corpos serão glorificados, a fim de desfrutarem do seu final estado eterno desfrutando com Cristo a vida eterna que lhes foi prometida.

III.              Devemos aguardar e apressar a vinda do senhor vivendo vida irrepreensível (v. 11-14).
a)      Não há esperança para os ímpios.
Para os ímpios não há o que esperar a não ser o juízo e a destruição de Deus sobre si. Fora de Cristo não há nenhuma esperança. Quem amar mais o mundo que a Deus, passará com ele. “Nós, porém” aguardamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça (v. 13).
Temos ficado tão preocupados com a vida aqui na terra que temos nos esquecido da vida e da glória por vir. Às vezes fala-se tanto em introduzir o reino de Deus na terra que perde-se de vista a glória eterna com Cristo. O que Deus tem preparado para os seus, o coração do homem não pode penetrar (1 Co 2.9; Mt 19.28; At 3.19ss).
Devemos pesar e observar bem as palavras de Apocalipse 21 e contrastá-las com Gênesis 1-3:

Gênesis
Apocalipse
A criação
A nova criação
Lua, sol, estrelas
são trazidos à existência
A glória de Deus é a nossa luz. Não precisamos mais da luz deles.
Como se perdeu a o paraíso
O paraíso reconquistado em Cristo
O poder do diabo
A derrota definitiva do diabo
O homem se esconde de Deus
por causa do pecado.
Deus habita
com o homem redimido
O homem tendo desobedecido a Deus
Não pode comer da árvore da vida.
O homem tem a permissão de comer da árvore da vida
O homem é expulso
da presença de Deus.
O homem volta a morar com Deus eternamente.

b)     Qual a nossa reação à promessa de Deus?
®    Aguardar o dia do Senhor.
Outra tradução: “Olhando, à sua espera”. Pedro enfatiza o verbo “olhar”. A esperança e a expectativa do cristão não estão nesse mundo, mas no vindouro. O mundo vai perecer e as pessoas precisam se arrepender de seus pecados para poderem viver com Deus. O mundo já está condenado e não tem esperança de vir a melhorar à parte da graça de Deus. Deus já o condenou e preparou um novo céu e uma nova terra para os que se arrependerem e crerem no evangelho.
Isso não significa que não devemos nos preocupar com esse mundo, mas que não devemos perder a cabeça diante das prometidas e desejadas reformas sociais, porque elas não salvarão o mundo da destruição final. Reforma social sem a pregação ousada do evangelho é engodo, porque o melhor não é o que tentamos criar aqui, mas o que Deus está preparando para nós.

®    Preparar-se para o dia do Senhor.
A vida moral, a ética e a conduta cristã são definidas em termos da esperança cristã e não por elas mesmas. A prática da justiça aqui é uma implicação lógica da vida futura. Quem espera morar num lugar onde habita justiça, precisa aprender a praticá-la aqui na terra! I João 3 diz que somos herdeiros e filhos de Deus e que seremos semelhantes a ele, por isso, devemos viver a vidaque espera e ensina para nós.

®    Apressar o dia do Senhor.
Como apressamos o dia do Senhor? O fim virá quando as condições morais do mundo forem tais que Deus o julgue necessário (p.267). Podemos apressar a vinda do Senhor pregando o seu evangelho e falando de Cristo aos outros. O fim virá quando a plenitude dos gentios e a plenitude dos judeus forem cumpridas, quando todos forem resgatados, quando todos os remidos tiverem sido tirados do mundo. Por isso devemos pregar o evangelho e ajudar no sustento da obra missionária nacional e no exterior.

Conclusão:
1.      O cristão deve viver à luz do ensino bíblico. O mundo não vai melhorar por meio de seus próprios esforços de viver sem Deus. Tudo vai piorar antes que venha o fim!

2.      O chamado de Pedro é para que sejamos realistas e coloquemos nossa esperança na provisão de Deus em Cristo para a nossa salvação.  Devemos seguir na história como quem anda na escuridão em direção ao nascer do sol (2 Pe 1.19), não no sentido contrário tentando cada vez mais para dentro da escuridão.

3.      O cristão não prende a sua esperança nesse mundo, mas no mundo porvir. Nossa bendita esperança é nossa herança em Cristo! O mundo, o diabo e o mal jamais poderão despojar-nos de nossa herança, porque somos filhos de Deus e herdeiros com Cristo, aleluia!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Filemon 17,18 = Lança Tudo em Minha Conta



Devocional da Família: Ano II. Edição nº 50
Boletim da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO - ano XXII, nº 50 - 09/12/2012

Lança Tudo em Minha Conta

Se, portanto, me consideras companheiro, recebe-o, como se fosse a mim mesmo. E, se algum dano te fez ou se te deve alguma coisa,
lança tudo em minha conta. (Filemon17,18 ARA)

E se...” Essa expressãozinha sempre nos lembra que há algo mais a ser dito ou feito. Ela abre a porta para possibilidades e surpresas. Ela nos ensina a lidar tanto com o inesperado quanto com o contraditório. Ela também faz parte do vocabulário da comunhão entre irmãos na igreja. E Paulo faz uso dela na sua conversa com Filemon em favor do ex-escravo, agora irmão caríssimo, Onésimo.

Paulo associa Consideração e companheirismo na mesma frase. A comunhão que se torna eficiente respira o ar do respeito, da consideração; porque trata de pessoas que foram aproximadas no amor e pelo amor de Cristo. Ela usa da proximidade para aplicar a eficiência do amor que põe para dentro quem estava de fora; que assume perdas e danos; que ousa acreditar. Somente uma amizade sólida pode quebrar o jugo da mágoa, promover a reconciliação, dar voz ao perdão e estabelecer a comunhão.

Recebe-o Como a Mim MesmoPaulo diz para Filemon. “_ Como se fosse eu!” Até que ponto estamos dispostos a interceder pelos outros com dano próprio? (Sl 15.4). Por a mão no fogo pelo outro tem se tornado uma experiência custosa porque tem sido difícil confiar nas pessoas. A “mentirinha inocente” é tão comum nos relacionamentos que estamos sempre com um pé atrás. Todavia, Deus quer que construamos por intermédio da comunhão uma confiança que não se abala e um caráter que não se nega ao respeito alheio, mas o incentiva de forma fidedigna.

Lança o Dano em Minha Conta”. Paulo pressupõe e confia na conversão de Onésimo. Isso faz pensar em nossos sacrifícios. O Bom Samaritano de Lucas 10.25-37 não só acudiu a um desconhecido, pondo em risco a sua própria segurança, como também, pagou despesas dele e garantiu o pagamento do que pudesse vir a faltar na sua ausência! Uma religiosidade falsa gira em torno somente da quantidade de afazeres religiosos e não da intensidade deles. Acumulamos dinheiro para comprar coisas para nós, ignorando irmãos necessitados; quanto mais assumir dívidas deles!

         Nossa comunhão deixa de ser eficiente e se torna deficiente e ineficiente, quando tratamos pessoas como se fossem coisas e as coisas como se fossem pessoas. Assim a Igreja fica “coisificada”, mas não pessoalizada. Quem é o meu próximo afinal das contas? Quem é o meu irmão? Quanto valemos uns para os outros?

         Paulo nos exorta a pensarmos no dano de forma positiva: Como posso cooperar para que o dano seja solucionado? Paulo nos convida a fazer uso da comunhão para fazer a comunhão crescer, pois somos companheiros uns dos outros. Paulo nos convida a ousar praticar um companheirismo que assuma danos e aja de forma decisiva e eficiente na resolução de conflitos, a fim de que estes acabem de vez.
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