O Bom pastor e seus comentários

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Exposição 09 = Gálatas 3.10-14 - Fé e Obras: Duas Alternativas


Introdução:
Você já teve de escolher entre duas opções? Você o fez sem observar as conseqüências de ambas?

Contexto:
Paulo avança no argumento comparativo entre a justificação pela Lei ou pela graça mediante a fé. No fim das contas as alternativas de justificação recaem sobre as obras ou sobre a fé.
A pergunta que Paulo continua respondendo é: Como um pode desfrutar o favor e a comunhão de Deus? Como um pecador pode ser justificado e receber a vida eterna?
Existem apenas duas alternativas. Paulo faz duas citações do Antigo Testamento; Habacuque 2.4 no verso 11 e Levítico 18.5 no verso 12. As duas declarações bíblicas, portanto inspiradas por Deus, declaram que aquele que praticar o que está escrito “viverá”. Todavia, apesar de ambas as passagens bíblicas prometerem a vida eterna, as mesmas falam de caminhos diferentes para obtê-la.

Levítico 18.5
Promete vida o praticante;
as obras são o caminho da salvação;
Nossa obediência completa pode nos justificar;
Fazendo;
Lei.

Habacuque 2.4
Promete vida ao crente;
A fé é o caminho da salvação;
Só Deus pode justificar;
Crendo;
Evangelho.

A conclusão a que Paulo nos levará é que a salvação nos dada e garantida tão somente ela livre graça de Deus.

Proposição:
Se for dessa forma, o que vem a ser essa maldição da Lei? Vejamos os dois argumentos de Paulo sobre essas duas alternativas: Fé e obras:

I. QUEM NÃO PERMANECE NA LEI ESTÁ DEBAIXO DA MALDIÇÃO DA LEI (v.10-12):

a)Quem procura a justificação nas obras da Lei está sob maldição.
 Quem não consegue praticar tudo é maldito.
Paulo abre o argumento citando Deuteronômio 27.26. Ali Moisés declarou uma solene maldição sobre quem fracassasse em guardar todos os mandamentos da Lei. Desobedecer à lei de Deus é colocar-se debaixo da maldição de Deus.
Ora, como revelação de Deus a lei expressa seu caráter e sua vontade; rebelar-se contra a Lei ou não alcançar suas exigências é afrontar a justiça de Deus. Visto que o que a Lei diz o que Deus diz, logo, o que a lei amaldiçoa, Deus amaldiçoa.
Estar debaixo da maldição da lei significa que nenhum pecado fica impune na presença de Deus. O significado de amaldiçoar é rejeitar. Se a benção de Deus produz justificação e vida, sua rejeição produz condenação e morte.
A maldição da lei é abrangente e aplicada sobre todos os que vivem debaixo do seu regime e não apenas às pessoas ignorantes de seu conteúdo. Os judeus acreditavam que somente os “am haeretz” (povo da terra, povo comum) é que experimentavam essa maldição por não conhecerem a lei com detalhes. O argumento de Paulo é que eles estavam equivocados e também estavam inclusos na universalidade do pecado (Rm 3.22,23). Somente Jesus Cristo ficou de fora da maldição da lei, porque foi único a jamais pecar.
O pecado é a transgressão da Lei (I Jo 3.4) e todos somos transgressores da Lei, pois não temos amado a Deus de todo o coração e nem ao próximo como a nós mesmos.

b)Ninguém é justificado por meio da Lei.
 Essa conclusão é evidente.
Paulo afirma que essa conclusão é evidente, porque somente quem viver inteiramente em obediência à Lei, por ela será justificado, mas ninguém jamais conseguirá viver obedientemente todos os seus preceitos.
Logo mais adiante Paulo mostrará que a função da lei era condenar e não justificar. Apesar de todo o nosso esforço em obedecer, nada nos livrará da maldição que recai sobre os desobedientes.
A estrada da obediência à lei como meio de justificação dos pecados é um beco sem saída.

c)O justo viverá pela fé.
 A verdadeira razão para o fracasso da justificação pela Lei.
Então, novamente, Paulo aponta para a justificação pela fé somente.

II. CRISTO NOS RESGATOU DA MALDIÇÃO DA LEI (v.13,14):

a)Cristo nos resgatou da maldição da Lei.
Na cruz Cristo fez por nós o que nós mesmos não poderíamos fazer, ele nos resgatou da maldição da lei, fazendo por nós e em nosso lugar o que jamais poderíamos fazer: Ele pagou a dívida de todos os nossos pecados contra a lei de Deus.

b)Cristo se fez maldição em nosso lugar.
Como ele o fez? Assumiu sobre si a nossa rejeição e condenação. Carregou nossos pecados e sua culpa sobre a cruz. A maldição foi transferida de nós para ele a fim de que ele nos libertasse dela.
É essa transferência das nossas culpas para ele que explica o seu brado de abandono e de solidão na cruz pouco antes de sua morte na cruz.
Paulo confirma essa afirmação citando Deuteronômio 21.23: “Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro”.
Na legislação mosaica a pena de morte era aplicada geralmente por apedrejamento e depois o morto era colocado pendurado numa estaca para ser visto publicamente como sinal da rejeição divina. Para Paulo, ser crucificado era o equivalente romano ao ato condenatório judeu.

c)Em Cristo a benção de Abraão chegou aos gentios.
Cristo não morreu por si mesmo, mas “por nós”. Foi em Cristo que Deus agiu para a nossa salvação, portanto é “em Cristo” que a receberemos. Quem não estiver em Cristo, não conhecerá jamais a sua salvação! (Jo 14.6).
Quem é salvo não está unido somente a Cristo em sua morte, mas também em sua ressurreição para a vida eterna. Então, o que é fé? Fé é tomar posse de Jesus Cristo pessoalmente (Stott, p.77) e encontrar-se com ele ali, na cruz.

d)O objetivo da obra de Cristo era que recebêssemos o seu Espírito.
Como vimos antes, Cristo nos justificou e se uniu a nós. Essa união é realizada na ação e presença do Espírito santo nos crentes a partir de sua conversão.

Conclusão:
1. Há dois caminhos.
Ou abraçamos o caminho da graça ou o caminho das obras. Ou vivemos pela obediência à Lei ou pela fé. Não existe nem meio termo, nem outra opção.

2. Há dois destinos.
A vida ou a morte.
O desafio de Paulo é direto. Devemos renunciar ao orgulho insensato de pressupor que podemos estabelecer nosso próprio cronograma de salvação com base na nossa própria justiça (ou justiça própria) para sermos aceitáveis a Deus. Devemos abraçar a salvação pela fé somente como nos oferecida em Cristo no evangelho da graça.

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