O Bom pastor e seus comentários

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Exposição 15: Os Afetos da Graça São Equilibrados e Dinâmicos no Crescimento.


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Uma Fé Mais Forte Que As Emoções
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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Exposição 15 = 10ª e 11ª Distinções: Os Afetos da Graça São Equilibrados e Dinâmicos no Crescimento. 23/11/2011.
Uma Fé Mais Forte Que As Emoções – Jonathan Edwards (p. 193-201)
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Sem. Adair Batista.
Introdução:

1ª Distinção: Os afetos espirituais verdadeiros são concedidos por Deus.
2ª Distinção: A Base Fundamental dos Afetos da Graça é a Excelência Transcendental e a Natureza Digna das Coisas Divinas.
3ª Distinção: Os Afetos da Graça se baseiam no deleite pela beleza moral do Próprio Deus.
4ª Distinção: Os Afetos da Graça Nascem de Uma Mente Espiritualmente Iluminada Por Deus.
5ª Distinção: Os Afetos da Graça Trazem Uma Profunda Convicção Das Verdades Divinas.
6ª Distinção: Os Afetos da Graça Nos Levam à Consciência de Nossa Insuficiência Pessoal.
7ª Distinção: Os Afetos da Graça Dependem de Conversões Que Transformam o Nosso Caráter.
8ª Distinção: Os Afetos da Graça Possuem a Gentileza de Cristo.
9ª Distinção: Os Afetos da Graça Suavizam o coração tornando-o mais sensível.
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Distinção 10 - Os Afetos da graça são consistentes e constantes

Edwards nesta distinção afirma que o equilíbrio de virtudes e afetos da graça nos santos não é perfeito nesta vida, entretanto, nas pessoas santas os afetos são equilibrados, pois são a marca da santidade, marca esta, dada pela imagem de Cristo totalmente impressa nelas. Isto quer dizer que estas pessoas despojaram-se da velha criatura e revestiram-se da nova. “Ao Pai agradou que toda plenitude habitasse em Cristo, de tal forma que toda graça existe nEle, que é pleno de graça e verdade”e, segundo Jo 1:14,16 afirma que “Todos recebemos da sua plenitude, graça sobre graça”. Daí que, alguns santos possuem aparentemente a mesma proporção bela que existe na verdadeira imagem de Cristo.

Os hipócritas, os homens do mundo, não são assim. São como Efraim de quem Deus reclamou muito a ponto de dizer “Efraim é um bolo que não foi virado (Os 7:8)”, isto significa dizer que são inconsistentes nos afetos, meio cru de um lado, queimado do outro, com qualidades fortes em alguns aspectos e a ausência em outros. Demonstram deficiência essencial em vários tipos de afetos religiosos, assim como desequilíbrio e parcialidade. Podem, por exemplo, fazer grandes demonstrações de seu amor a Deus, por um lado, e, por outro, não demonstrarem espírito de benevolência para com os que contendem, invejam, se vingam e falam palavras malignas. Muitos abrigam no coração espírito de inimizade, ressentimento e amargura. Há aqueles que mostram grande generosidade e bondade para com o semelhante, mas não ama a Deus. Alguns são efusivos nos afetos com os outros, mas seu amor é restritivo, são generosos com alguns e amargos com outros.

Alguns são inconsistentes no caráter do amor pelos outros no tocante às coisas exteriores. São generosos e liberais com os deuses desse mundo, contudo, não têm a menor preocupação com as almas de seus semelhantes; outros fingem grande amor pelas almas, mas absolutamente desprovidos de compaixão frente às carências da vida diária. Há fingimento naqueles que afirmam grandes realizações religiosas e deixam de falar dos feitos menores. Outros fingem entregar a Cristo tudo o que são, entretanto, não confiam em Deus o suficiente para entregar um pouco de seu bem-estar material para fins de caridade. Isso é falsidade.

O que é verdade para os verdadeiros afetos de amor também vale para outros afetos religiosos. Os verdadeiros afetos são sempre equilibrados e proporcionais. Os verdadeiros cristãos anseiam por derramarem suas almas diante de Deus em oração secreta e fervorosa, e também desejam louvá-Lo e buscam viver mais para a glória dEle e ser mais parecidos com Ele. Ryle afirmava que os verdadeiros santos não percebem a própria santidade, no entanto, ela é visível para aqueles que olham para eles. A Escritura fala de “gemidos inexprimíveis”, anseio, sede e anelo por Deus. Enquanto os santos sofrem pelos seus pecados, os hipócritas apresentam instabilidade e inconsistência. Os santos são “seguem o Cordeiro aonde for que Ele vá”, com o coração firme, confiante em Deus (Sl 112:7), têm o coração cheio de graça (Hb 13:9) e se mantêm no caminho (Jó 17:9). Os hipócritas possuem uma religião falsa e agem por impulso. São como água de chuva torrencial que engrossam o ribeirão por algum tempo. Depois que a chuva passa o ribeirão quase seca, enquanto que o verdadeiro santo é como uma corrente alimentada por uma fonte viva que, embora seja engrossado pela chuva e diminua na seca, nunca para de correr. “A água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (Jo 4:14); “É como árvore plantada ao lado da corrente, que recebe água constantemente nas raízes, de modo que está sempre verde, mesmo na seca mais severa”(Jr17:7,8). Os verdadeiros santos são como estrelas, permanentes no céu, enquanto os hipócritas são como cometas, brilham intensamente, mas passam e desaparece.

Os santos sofrem por seus pecados longe de seus companheiros (Zc 12:12-14) e os consolos mais doces são recebidos em secreto (Sl 63:5,6). Cristo convida a Igreja a afastar-se do mundo para que possam ter comunhão mais profunda (Ct 7:11,12). Abraão firmou aliança com Deus quando estava sozinho (Gn 15); assim foi também com Isaque quando recebeu Rebeca (Gn 24); Deus se revelou a Moisés quando este se encontrava sozinho (Ex 3), outra vez no Sinai, durante quarenta dias e quarenta noites (Ex 19); assim aconteceu com Elias e Eliseu. Maria estava sozinha quando recebeu a visita do anjo Gabriel e o Espírito Santo (Lc 1:26-28). Tem sido sempre assim:m os que estão afastados e em secreto conversam com Deus e recebem bênçãos especiais.

Distinção 11 – Afetos da graça intensificam anseios espirituais

Característica distintiva dos afetos da graça: quanto mais intensos forem, maior será o apetite espiritual e o anseio pelo crescimento das bênçãos espirituais. Afetos falsos, pelo contrário, satisfazem-se com eles mesmos.

Quanto mais o verdadeiro santo amar a Deus, mais desejará amá-lo; quanto mais odiar o pecado, mais irá querer odiá-lo; quanto mais quebrantado o seu coração, mais quebrantado irá querê-lo; quanto mais sede e anseio por Deus e por Sua santidade, mais anseio terá e mais santidade irá querer.

As razões que levam a isso são que quanto mais as pessoas tiverem afetos santos, mais apreciarão o paladar espiritual. Quanto mais perceberem a excelência de Deus e apreciarem a doçura divina da santidade, quanto mais graça tiverem, mais verão que precisam da graça. Quanto mais descobertas o cristão verdadeiro fizer e quanto mais afetos possuir, mais fervoroso se tornará na súplica por mais graça e fruto espiritual.

Quatro motivos para explicar esse princípio de expansão:
1. Os deleites espirituais são de tal forma que os que os encontram entendem que nada se compara a eles. Jamais se contentam com menos;
2. Os deleites espirituais satisfazem a expectativa do apetite. Quanto mais esperados mais serão apreciados. Os prazeres mundanos causam decepção.
3. A gratificação e o prazer dos deleites espirituais são permanentes. Os prazeres mundanos saciam o apetite e acabam. Ao acabar a satisfação o coração permanece vazio e insatisfeito.
4. O bem espiritual sempre satisfaz porque sempre há o suficiente para satisfazer a alma em qualquer grau que ela for capaz de absorver.

A natureza dos bens espirituais é tal que quanto maiores forem, maiores serão o apetite e o anseio por graça e santidade, por outro lado, as alegrias e afetos falsos têm o efeito oposto. Quanto mais provocados, mais sufocam o anseio por graça e santidade e seus frutos são; arrogância, presunção e acomodação. Para o verdadeiro cristão a busca, a luta e esforços começam imediatamente após a conversão, já para o pseudocrístão as buscas e lutas não são para alcançar a santidade por ela mesma, nem a excelência moral e a ternura de Deus. Estas coisas não passam de meios para atingirem o que efetivamente querem: mais satisfação para si mesmo, gratificação na auto-descoberta e exaltação acima dos demais.

O anseio ardente do santo pela santidade é tão natural na nova criatura quanto o calor é natural para o corpo. “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e concluir a sua obra (Jo 4:34)”. Eles desejam o leite da Palavra, não para testificar o amor de Deus para com eles, mas para crescerem em santidade. O verdadeiro paladar espiritual valoriza a santidade. O hipócrita, por sua vez, não busca provar o amor de Deus, nem deseja estar no Céu, como fazem os santos que buscam a vida santa.

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