O Bom pastor e seus comentários

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sábado, 24 de setembro de 2011

Aula 22 = O Poder do Pecado (II)


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Classe de Doutrina II – Quem é o Homem Para Que Dele Te Lembres?
Professores: Pr. Hélio O. Silva e Presb. Baltazar M. Morais Jr.
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Aula 22 = O Poder do Pecado (II) (18/09/2011).
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Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto de suas ações” (Jeremias 17.9,10)

Na aula anterior vimos que o pecado que habita em nós é uma lei como a lei da gravidade, que nos permeia e perpassa, e que embora já tenha sido quebrado por Cristo como o aguilhão da morte (I Co 15.55,56) ainda assim é um inimigo perigoso para nós.
É preciso reconhecer que o pecado é:

1. Um morador inoportuno dentro de nós (Rm 7.21).
Se ele fosse como um visitante ou como um exército que ataca e depois recua, poderíamos ter descanso. Mas ele mora dentro de nós e conhece todos os cômodos da casa! Onde estivermos ele estará.

2. Como nosso inimigo, ele não guarda domingo e nem tira férias.
Ele estará presente nas nossas melhores obras e nas piores também. Paulo diz que o percebia exatamente quando estava pronto para fazer o bem. Ele não é apenas um morador permanente, mas também um intrometido miserável. Desejar ler as escrituras; separar tempo para a oração; fazer uma oferta generosa; ouvir um sermão atentamente; visitar um irmão ou ainda resistir á tentação. Lá estará ele tentando nos distrair ou impedir nossas boas ações. O desejo da carne é que não façamos a vontade do Espírito, mas a sua! (Gl 5.17,18).

3. Ele faz o seu trabalho sujo com muita persistência e facilidade, pois nos assedia constantemente (Hb 12.1).
Uma vez que habita em nós, tem livre acesso e tempo para nos assediar. Todas as nossas ações positivas serão contraditadas por ele.

A CASA MAL ASSOMBRADA.
Nosso coração é habitado por um fantasma.
a) O coração é um labirinto que só Deus pode decifrar (Jr 17.9,10).
Não conhecemos o nosso coração de forma completa. Só Deus pode “esquadrinhar”, tirar as medidas corretas do nosso coração usando um esquadro; pesquisar miudamente, entender profundamente.

b) O coração é enganoso (Jr 17.9).
O coração é tão complicado quanto insondável (“mais do que todas as coisas” – Jr 17.9). Nosso coração não apenas peca, ele também engana, mente; trapaceia para obter os prazeres transitórios do pecado.

c) O coração é instável e inconsistente.
Sua corrupção o contamina ao ponto do desespero. Paulo chama isso de “concupiscência” em Gálatas 5.16; um desejo incontrolável, insaciável. Sua corrupção o leva a desejar e ter prazer no pecado (Jó 15.16); o coração sem Cristo está cheio de maldade e desvarios (Ec 9.3). Sua corrupção é uma doença gravíssima que só Deus pode tratar de forma apropriada e que cura.
É preciso guardar bem o coração porque dele procedem as fontes da vida (Pv 4.23) e contaminado é fonte de todas as nossas maldades (Mt 15.19) de onde do mau tesouro se tira o mal (Lc 6.45).

DEVEMOS CRUCIFICAR A CARNE V.24:
Carne e Espírito são princípios atuantes e opostos dentro de nós. O propósito básico da habitação do Espírito em nós é derrotar a carne e suas paixões.

a) Porque pertencemos a Cristo.
Ao sermos comprados pelo sangue de Cristo, e sermos selados com o Espírito Santo (Ef 1.13,14) trocamos de lealdade. A escravidão da carne se tornou na liberdade da submissão ao salvador. “Porque vós sois dele, em Cristo Jesus” (I Co 1.30).

b) Crucificar a carne significa rejeitar a velha natureza pecaminosa. (Cl 3.5ss; Ef 4.17ss)
A figura da crucificação deixa clara a visão de que a substituição das obras da carne pelo fruto do Espírito será um processo difícil e doloroso e não tão simples como desejaríamos. Não é apenas declarar, profetizar ou decretar a morte da carne; é lutar contra ela até que ela morra!
Nos tempos de Paulo, a crucificação era aplicada como pena de morte aos piores criminosos. Quem era condenado à crucificação sabia que tinha um caminho só de ida para percorrer. Carregar a cruz (Lc 9; Mc 8.34) é a figura usada por Jesus para significar a vida de arrependimento, que é vivida dia-a-dia. Assim a crucificação da carne, como processo de substituição, se dá nas lutas do dia-a-dia de cada cristão.

Essa rejeição da carne:
 É uma tarefa nossa.
A crucificação da carne não é uma coisa feita a nós, mas por nós. Nós é que crucificamos a carne. A linguagem de Paulo aqui não tem a mesma aplicação de Rm 6.6 ou Gálatas 2.20, onde nós fomos crucificados com Cristo legalmente. Paulo não está dizendo que devemos morrer, mas que devemos “matar”.

 É uma tarefa impiedosa.
Impiedosa, não no sentido religioso do termo, mas militar. A crucificação não era uma forma agradável de morrer. Poderia levar dias e até semanas, mas a morte era certa. O costume de quebrar as pernas dos crucificados era uma forma de apressar o processo.
Citação: John Stott diz: “A carne não é algo respeitável que deva ser tratado com cortesia e deferência. Mas uma coisa tão maligna que nada mais merece a não ser a crucificação”. A carne é nossa inimiga, seu fim é a pena de morte; declarada e aplicada.

 É uma tarefa dolorosa.
Quem morria crucificado, morria debaixo de intensa dor, pois a Crucificação podia se estender por vários dias. Dessa forma fica mais fácil entender a linguagem de Hebreus 12.4: “na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue”.

 É uma tarefa decisiva.
Embora a morte por crucificação fosse lenta, era uma morte certa. A morte não era súbita, porém gradual. Não havia volta, era o fim. Quando Cristo se tornou o nosso Senhor e o Espírito veio habitar em nós a carne foi crucificada.
Note o tempo do verbo “crucificaram”; Staurôsan (staurwsan) é um aoristo indicativo ativo, indicando “uma ação completa no passado”.
Citação: “Quando vamos a Jesus Cristo arrependemo-nos. “Crucificamos” tudo que sabemos que está errado” (Stott). O arrependimento da conversão é tão decisivo quanto uma crucificação. John Stott argumenta ainda que: “se pecados insistentes persistentemente nos perseguem, ou é porque não nos arrependemos verdadeiramente, ou é porque, tendo-nos arrependido, não permanecemos em nosso arrependimento”, e tentamos retirar a nossa carne da sua cruz.

c) Com as suas paixões e concupiscências.
A carne não é crucificada sozinha, mas acompanhada de seus produtos, de suas obras. Donald Guthrie afirma que o antagonismo entre as obras da carne e o fruto do Espírito só pode ser resolvido por uma atitude drástica como a crucificação.

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Bibliografia: Kris Lundgaard, O Mal Que Habita Em Mim, ECC, p.17-20./ Russel P. Shedd, O Mundo, A Carne e o Diabo, Vida Nova, 49-83. / John Stott, A Mensagem de Gálatas, ABU, p. 137,138. / Donald Guthrie, Gálatas, Introdução e Comentário, Vida Nova, p. 181. / Fritz Rienecker e Cleon Rogers, Chave Lingüística do Novo Testamento Grego, Vida Nova, p.383.

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