O Bom pastor e seus comentários

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A Verdadeira Religião Consiste Em Larga Escala de Afetos - Observações 5 a 8.


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Uma Fé Mais Forte Que As Emoções
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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Exposição 04 = A Verdadeira Religião Consiste Em Larga Escala De Afetos (Observações 5 a 8). 17/08/2011
Uma Fé Mais Forte Que As Emoções – Jonathan Edwards (p. 52-59)

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Edwards definiu "afetos" ou "afeições" pelas disposições do coração que nos inclinam para certas coisas e nos afastam de outras. Todas as nossas ações derivam dos nossos desejos. A verdadeira vida cristã depende do cultivo das inclinações certas da vontade e dos afetos na direção de uma vida santa. Após essa definição, Edwards faz 10 observações que comprovam a sua tese:

5. O amor é o afeto principal.
O amor é a fonte e o controle de todas as virtudes e afeições cristãs. O maior mandamento da Lei é amar a Deus e ao próximo (Mt 22.37-40). Amar o próximo é cumprir a Lei (Rm 13.8,10; Gl 5.14). O amor é o centro da religião verdadeira e o melhor aspecto dela (I Co 13). O amor é a fonte de onde procede todo o bem.
Esse tipo de amor inclui o desejo perfeito e sincero da alma por Deus e pelo semelhante. Mas inclui também o seu oposto, o ódio às coisas contrárias ao que queremos amar. Todas as coisas que desejamos nascem desse amor que busca a Deus e se afasta das coisas que nos afastam de Deus. Todas as demais afeições nascem desse amor dinâmico, afetuoso e fervoroso por Deus, assim como dele também nascerá o ódio ou aversão intensa ao pecado, o temor dele e o pavor de desagradar a Deus! Desse amor profundo por Deus nascerá o nosso amor profundo pelos homens e mulheres que ele criou para a sua glória.

6. Afetos santos caracterizam os santos da Bíblia.
Isso pode ser exemplificado na vida de três homens santos nas escrituras:
a) Davi:
Ele é chamado de “o homem segundo o coração de Deus” (At 13.22). Os salmos são um retrato vivo de sua fé. Eles exemplificam para nós a expressão e o exercício da devoção cristã. Os salmos de Davi são uma celebração agradecida pelo triunfo da graça na alma no favor, suficiência e fidelidade de Deus. Os salmos também expressam o amor e devoção de Davi pelos santos (Sl 16.3). Eles são repletos de expressões de afetos santos tantos individuais como por arte do povo santo de Deus.
b) Paulo:
Ele foi o escolhido de Deus para levar o evangelho aos gentios. Foi instrumento de Deus para revelar com clareza os mistérios do evangelho para esclarecer a igreja de todos os tempos. A fé que expressa em suas cartas está repleta de afetos santos, pois considerava todas as coisas descartáveis diante da excelência do conhecimento de Deus (Fp 3.7-9). Sua santa afeição por Deus o impelia a enfrentar todos os desafios por amor a ele (II Co 5.14,15).
Expressões de afeição santa em favor do povo de Deus são abundantes em suas cartas (II Co 12.19; Fp 4.1; II Tm 1.2). Seu amor pelas igrejas é o motivo de suas preocupações e orações por elas (II Co 2.4, Cl 2.1). Ele tinha profunda afeição por todos os irmãos (Rm 1.11; Fp 1.8; 4.1; I Ts 2.8; II Tm 1.4). seus afetos pela igrejas eram fonte tanto de alegria (II Co 7.4; Fp 1.4, Fm 7) quanto de suas lágrimas (At 20.19,31; II Co 2.4).
c) João:
Ele foi o discípulo amado, mais próximo e mais querido do Mestre. Um dos três presentes à transfiguração e citado por Paulo como um três pilares da igreja de Jerusalém (Gl 2.9). Foi o escolhido para receber as revelações das últimas coisas a fim de registrá-las no seu Apocalipse. O amor cristão é um tema forte em suas cartas e no seu evangelho, onde exorta-nos a amar uns aos outros.

7. O Senhor Jesus Cristo tinha o coração extremamente sensível e afetuoso.
Ele é o pastor que atrai para si as ovelhas; suas virtudes são vistas especialmente na prática de afetos santos. Em Cristo vemos o amor funcionando na prática e sem qualquer presença de pecado. O exercício de seu amor a Deus e por nós era mais forte que a própria morte. As escrituras apontam como causa de sua morte por nós o zelo com o qual ele se dedicava a cumprir a vontade do Pai (Jo 2.17). Ele sofria com os pecados dos homens ao seu redor e mesmo assim amava (Mc 3.5). Chorou diante dos pecado de Jerusalém ao avistar a cidade do monte das Oliveiras (Mt 23.37). Ele manifestava desejo intenso por cumprir as ordens do Pai, como no caso da celebração da Ceia com os discípulos (Lc 22.15). Ele era movido por compaixão (Mt 9.36;14.14;15.32; 18.27; Mc 6.34;Lc 7.13;). Seu carinho pelas pessoas é exemplificado de forma muito clara no episódio da morte e ressurreição de Lázaro quando nos é dito que ele foi a Betânia porque o amava e às suas irmãs (Jo 11). Seu último discurso no cenáculo (Jo 14-16) e sua oração pastoral em João 17 são permeados por seu amor pela igreja a quem veio salvar. Ali ele os preparou para a sua partida como quem fala carinhosamente a um grupo de criancinhas. A provisão do Espírito é a maior prova de seu amor afetuoso por seus discípulos (Jo 14-16).

8. A religião do céu consiste em grande parte de afetos.
A própria descrição da vida no céu nas escrituras está cheia de expressões de afetuosidade, amor, paz, alegria e gratidão. A religião praticada pelos santos no céu é da mesma natureza da religião praticada pelos santos na terra, ou seja, amor a Deus e alegria indizível e gloriosa (I Pe 1.8). Os textos bíblicos parecem mostrar haver diferença no grau de sua manifestação, mas não na sua essência (Pv 4.18; Jo 4.14; 6.40,47,50,51,58; I Jo 3.15; I Co 13.8-12). É irracional supor que o amor e alegria do céu sejam diferentes do tipo de alegria em Cristo que experimentamos antecipadamente na terra. Lá elas serão muito maiores, mas serão do mesmo tipo (Sl 16.11). A diferença é que lá todas as afeições e sentimentos serão perfeitos, porque a graça que há neles é a glória de Deus!

Conclusão Parcial:
Edwards mostrou um princípio bíblico claro quanto ao amor e as demais afeições e depois as exemplificou na vida de três homens bíblicos, em Cristo e na vida futura no céu.

A exortação de Paulo é que busquemos as coisas lá de cima e não as que são daqui da terra (Cl 3.1-5). Esse exercício não nos torna alienados do mundo, mas torna nossos pensamentos, nossos sonhos e projetos e nossas vidas mais santos.

Essas afirmações de Edwards também nos levam a refletir sobre a expressão de nossos sentimentos e afetos entre nós. Devemos orar para que o Espírito Santo que habita em nós nos santifique de tal forma que nos tornemos mais gentis, educados e afetuosos em nossa linguagem, substituindo expressões frívolas e mundanas por aqueles que sejam plenas das obras da graça (Ef 4.29,30).

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