O Bom pastor e seus comentários

O Bom pastor e seus comentários

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

07 = 1 Timóteo 3.1-7 - Os Supervisores da Igreja (Presbíteros)


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Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
07 = 1 Timóteo 3.1-7– Os Supervisores da Igreja.  25/09/2013
Grupo de Estudo do Centro – Agosto a Dezembro/2013

Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Adair Batista.
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A Mensagem de1 Timóteo – A Vida na Igreja Local – John R. W. Stott, ABU, p.88-99.
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Introdução:
“A saúde da igreja depende grandemente da qualidade, da fidelidade e do ensino de seus ministros ordenados” (p.88). Duas afirmações introdutórias precisam ser feitas:
1ª) Deus deseja que sua igreja tenha pastores (At 14.23; Ef 4.11, At 20.28). Ele constituiu bispos sobre a sua igreja para pastoreá-la. Essa era a tarefa de Tito (Tt 1.5) e de Timóteo tanto em Creta quanto em Éfeso (1 Tm 3).
2ª) Deus não estabeleceu especificamente o formato da supervisão pastoral, mas estabeleceu exigências quanto às qualificações para a mesma. Bispo e presbítero são termos intercambiáveis e complementares no Novo Testamento (At 20.17,28; 1 Pe 5.1,2; Tt 1.5-7). A palavra presbítero é de origem judaica e enfatiza a maturidade enquanto eu a palavra bispo é de origem grega e aponta para o papel de supervisão da igreja.

I - O Desejo Pelo Episcopado é Legítimo (V.1)

 1) Está em consonância com a fidelidade da Palavra de Deus.
A prescrição é bíblica, ou revelatória. Faz parte da vontade de Deus.

2) É uma excelente obra.
O desejo pelo cargo não é crime, mas um direito legítimo. O direito, porém, tem responsabilidades correspondentes, porque Paulo não está se referindo a uma ambição pessoal de prestígio e poder, mas ao reconhecimento de que o pastorado é uma tarefa nobre,pois envolve o cuidado do povo de Deus.
Todavia, como foi dito sobre 1.19, o ministério pastoral implica em três pontos: (1) O chamado de Deus, (2) a aspiração pessoal e a convicção do coração e (3) o exame criterioso e a aprovação pública por parte da igreja e sua consequente ordenação através do presbitério.

II – As exigências para o Presbiterato (V.2-7).

1)    É Necessário:
Aparece 2 vezes (v. 2 e 7). Uma vida digna não é uma opção ou um ideal, mas uma exigência. As circunstâncias da vida da Igreja as exigem, não o cargo em si.

2)    As Exigências Bíblicas:
São todas morais, exceto uma (“ser apto para ensinar”).
a)    Conduta Irrepreensível.
         Alguém que está além da reprovação, não só dos olhos humanos. (Ef 1.4 - 6 - perante ele). Não significa imune a erros, mas alguém que não apresente defeitos de caráter notáveis quanto à sua reputação. Uma reputação que possa ser publicamente verificada. John Stott coloca essa exigência como geral e as demais como 10 áreas em que essa irrepreensibilidade deve ser verificada antes da eleição.

b)    Fidelidade no casamento
®  Esposo de uma só mulher.  Traduções alternativas = “Casado uma só vez” ou “casado com uma mulher de cada vez”. O texto é enfático “uma só”. Quatro observações se tornam necessárias:
(1)                       Paulo não está excluindo os celibatários (que nunca se casaram), mas deixa claro que o casamento não só está aberto como é altamente recomendável aos presbíteros.
(2)                       Paulo exclui os polígamos. Não podem exercer o presbiterato os que mantêm mais de uma esposa simultaneamente.
(3)                       Paulo exclui os divorciados, que se casaram novamente. Existem inúmeros preceitos bíblicos contrários ao divórcio, portanto é razoável e correto esperar que um nível mais elevado seja prescrito para os pastores/presbíteros, que são chamados a ensinar através do exemplo de sua vida, tanto como pelas suas palavras (p.93).
(4)                       Paulo não exclui os que tendo se enviuvado, casam-se novamente. Embora os sacerdotes do Antigo Testamento não pudessem desposar viúvas (Lv 21.14; Ez 44.22) no Novo Testamento viúvos de ambos os sexos são permitidos casarem-se novamente com outro crente (Rm 7.1ss; 1 Co 7.39).
(5)                       Paulo exclui os infiéis no casamento (adúlteros). O pastorado deve ser exercido por aqueles que forem fiéis e devotados unicamente à sua mulher.

c)    Domínio Próprio
®  Temperante. O ponto certo do aço - têmpera. Equilibrado, moderado e vigilante quanto a si mesmo - com a mente limpa. Sóbrio
®  Sóbrio e auto-controlado. Sensato e disciplinado. Que sabe ordenar sua vida interior
®  Modesto.  Ordeiro. Que sabe ordenar sua vida pública (exterior).

d)    Hospitaleiro
         Literalmente = “amor pelos estranhos”. Ter sua casa franqueada aos viajantes (cristãos) e aos membros da Igreja em necessidade.

e)    Apto para ensinar. Única exigência funcional.
         Tenha capacidade de ensinar. Não quer dizer que deva ser um pregador de púlpito. Capacidade para ensinar implica em quatro procedimentos básicos:
·       Conhecimento da Palavra.
·       Lealdade à Palavra
·       Disposição para instruir
·       Vigilância contra o erro
5.17 - os que se afadigam na Palavra são dignos de dobrada honra (salários).
“O fato de que os que supervisionam a igreja têm de ter um dom de ensino demonstra que a igreja não tem a liberdade de ordenar quem quer que seja que Deus não tenha chamado e a quem Deus não tenha dado s dons necessários” (p.95).

f)     Não dado ao vinho (paroinoj - ao lado do vinho, escravo da bebida).       
Não é o uso do vinho em si, mas a bebedice que é proibida (3.8 = Diáconos e Tito 1.7). Ensinar a palavra e consumir bebidas alcoólicas são duas coisas que não andam juntas (p.95). O Antigo Testamento trás instruções restringentes quanto ao uso da bebida por líderes do povo de Deus para os sacerdotes (Lv 10.1ss (?)), os reis (Pv 31.4ss), os magistrados (Is 5.22,23) e os profetas (Is 28.7ss).
Embora hajam fortes argumentos sociais em favor da abstinência às bêbedas alcoólicas, a recomendação de Paulo aqui é a do uso moderado, como resultado do domínio próprio.

g)    O grau de autocontrole frente a provocações
®  Não violento, porém cordato. “Alguém que dá murros”. Brutalidade. Deve ser antes, cordato - longânimo, paciente, gentil, amável (2 Co 10.1 - como Jesus Cristo).
®  Inimigo de contendas. Sem lutas, não contencioso – trata-se de brigas de palavras. Pessoas exigentes e irritantes são verdadeiros desafios à temperança dos lideres da igreja, mas deve-se seguir o exemplo de Cristo e ser amável com todos.

h)    Atitude diante do dinheiro.
®  Não avarento. Não se dirige pelo amor ao dinheiro. Saber guardar o dinheiro (a bolsa) do povo de Deus. Miquéias profetizou contra os que oprimem religiosamente o povo de Deus por causa de dinheiro (Mq 3.11). Os pastores devem ser pagos de forma adequada (5.17), mas não devem por causa disso agir como mercenários!

i)      Disciplina no lar:
®  Governe bem sua casa. Criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (dignidade). Se não sabe cuidar dos seus não pode cuidar do povo de Deus. “Governar” significa dirigir e cuidar. Os filhos lhe obedecem e são crentes (Tt 1.6). Eli é um exemplo de como a falha nesse ponto pode ser desastrosa para uma família pastoral (1 Sm 2 e 3).

j)     Maturidade Espiritual:
®  Não neófito. Novo convertido - “uma árvore recém-plantada”. Os perigos são óbvios.
®  Soberba - Esta foi a causa da condenação do diabo. (2 Tm 2.26). tufwqeij - “estar cheio ou envolvido de fumaça”. Resultado do orgulho engendrado pela promoção rápida” (Kelly).[1]

k)    (Reputação) Bom testemunho dos de fora.
         Dos não cristãos. Não é só na igreja e entre os crentes que precisamos dar testemunho de vida transformada. É pelo caráter do pastor/presbítero que o  mundo tende a julgar a Igreja. Os de fora têm antipatia natural pela igreja, a não ser quando o seu testemunho é coerente com a sua fé. - “Cair no opróbrio” é cair na boca do povo.          Cair no laço do diabo é cair em suas armadilhas. Por isso o bom testemunho é uma necessidade.

Aplicações:
1.    Essas exigências têm longo alcance no cristianismo, pois elevam os padrões morais de nossa sociedade religiosa e secular.

2.    Revelam o equilíbrio das escrituras, pois servem tanto de estímulo para os fiéis quanto de desestímulo para os interesseiros. Desestimulam porque os padrões requeridos são elevados para o nosso tempo e a tarefa é árdua. A responsabilidade atemoriza aé mesmo os mais bem dotados e aos melhores cristãos! Estimulam porque o pastorado é uma função nobre, um belo encargo e ma ambição louvável.

3.    Exigências bíblicas são inegociáveis. Não podem ser subestimados e nem menosprezadas. Precisam ser cumpridas.

4.    Uma chamada à responsabilidade da liderança aos homens. Deus não abriu os ofícios da igreja às mulheres, embora as tenha cumulado de dons e serem muito úteis à igreja. Negligenciar o chamado de Deus e o preparo para desempenhar a tarefa é um grave pecado masculino e um perigoso rebaixamento nos padrões morais do cristianismo.

[1] J. N. d. Kelly, 1 e 2 Timóteo e Tito, Introdução e Comentário, Vida Nova/Mundo Cristão, p.?

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