O Bom pastor e seus comentários

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sexta-feira, 30 de março de 2012

A QUESTÃO DOS APÓCRIFOS


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A QUESTÃO DOS APÓCRIFOS

I.Definição:

O termo apócrifo quer dizer “oculto”, sendo um termo técnico aplicado à relação de um certo grupo de livros para com o Cânon do AT. Estes livros não foram aprovados, mas são importantes para auxiliar-nos na compreensão do contexto do período intertestamentário. Os apócrifos dizem respeito aos livros constantes em manuscritos da Septuaginta, bem como a outros lendários, históricos e teológicos, muitos escritos originalmente em hebraico e aramaico e posteriormente traduzidos para o grego, que é a forma nas quais chegaram até nós.

Sua posição diante da Igreja Cristã era meio ambígua, até o séc. XVI, quando o Concílio de Trento (instalado em 1545), incluiu alguns deles no cânon Católico Romano.

Os que constam nas versões católicas são:
I e II Macabeus, Baruque, Eclesiástico, Sabedoria, Judite, Tobias. Acréscimos a Daniel (Bel e o Dragão, Suzana, Cântico dos Três Jovens e a Oração de azarias), Acréscimos a Esdras (O Debate dos Três Jovens – entre 3.1 – 5.6)e Acréscimos a Ester (6 passagens).

II. Canonicidade:

Os principais argumentos em favor da inclusão dos Apócrifos no Cânon do AT estão relacionados com a autoridade atribuída aos manuscritos da LXX.

Observamos, porém, que os Targuns aramaicos e a Pesita siríaca e os grandes unciais do quarto e quinto séculos não contém os Apócrifos em seus manuscritos, mas somente a LXX. Mesmo na LXX sua presença é incerta.

Defende-se um “Cânon Alexandrino” paralelo ao “Palestiniano”, contudo é certo que nem todos os livros da LXX eram considerados canônicos entre os cristãos de fala grega. Filo de Alexandria era contrário à sua inclusão.

Apela-se às citações que o NT faz do AT, usando a LXX, mas percebe-se que nenhum Apócrifo é citado. Também é importante colocar que a mera citação não atesta a inspiração, visto que livros pagãos ( At 17.28 - Phaenomena de Arato; I Co 15.33 – Thaís de Menander) e até Pseudoepígrafos também são citados ( Jd 14,15 - I Enoque).

Códex Vaticano (B)
I Macabeus – não tem.
II Macabeus – não tem.
I Esdras – não canônico.

Códex Sinaítico (Alef)
Baruque – não tem.
IV Macabeus – não canônico

Códex Alexandrino (A)
I Esdras – não canônico.
III Macabeus – não canônico.
IV Macabeus – não canônico.

Pela LISTA acima, percebe-se que até mesmo entre os três manuscritos mais antigos da LXX há incerteza quanto à canonicidade dos Apócrifos.

Outro argumento são as citações dos Apócrifos feitas por alguns dos Pais Apostólicos. Contudo, a mera citação não garante que defendiam sua canonicidade. I Clemente, a Epístola de Barnabé e Agostinho de Hipona os defendiam. Agostinho de uma forma um tanto ambígua, ora defendendo, ora depreciando. Atanásio e o próprio Jerônimo eram contrários à inclusão.

Os Apócrifos recebem um tratamento contrário em muitos documentos importantes:
1) Contra Apionem 1.8 de Josefo:
“Desde Artaxerxes até nossos dias, tudo
tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tento crédito quanto aquilo que precedeu esta época”.

2) Prólogo Galeatus de Jerônimo:
“Este prólogo, pode ser aplicado a todos os
livro que traduzimos do Hebraico para o Latim, de tal maneira que possamos saber que tudo que é separado destes deve ser colocado entre os apócrifos. Portanto, a Sabedoria comumente chamada de Salomão, o livro de Jesus bem Siraque, e Judite e Tobias e o pastor (supõem-se ser o de Hermas) não fazem parte do Cânon... e assim, da mesma maneira pela qual a Igreja lê Judite, Tobias e Macabeus (no culto público) mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também sejam estes dois (Sabedoria e Eclesiástico {?}) úteis para a edificação do povo, mas não para estabelecer as doutrinas da Igreja”.

3) A Lista do Bispo Melito de Sardes:
Com a exceção da Sabedoria (que também pode ser Provérbios), não cita nenhum Apócrifo.

4) História Eclesiástica de Eusébio de Cesaréia:
Cita em VI.25 uma lista feita por Orígenes de Alexandria, onde com a exceção da aparente inclusão da Epístola de Jeremias é igual à de Josefo.

Um fato interessante é que a Igreja grega, em 1672, reduziu a quatro o número dos Apócrifos reconhecidos por ela ( Eclesiástico, Sabedoria, Tobias e Judite).

III. Alguns Erros Encontrados nos Apócrifos:

1. Salvação pelas obras: Tb 4.7-12; 12.8,9.
2. Aprovação do suicídio: II Mc 14.41-46.
3. Feitiçaria: Tb 6.4-8 (Tobias e o anjo).
4. Intercessão pelos mortos: II Mc 12.39-46 (purgatório).
5. Ausência de Inspiração: II Mc 15.38,39; I Mc 9.27.
6. Mediação dos santos: Tb 12.12; II Mc 7.28; 15.14.
7. Justificação pelas obras: Tb 4.7-11; 12.8.
8. Os fins justificam os meios: Judite.
9. O corpo como prisão da alma (Pensamento grego): Sb 9.15.
10. Origem e destinos estranhos da alma: Sb 8.19,20.
11. A sabedoria salva: Sb 9.18.
12. No Livro de Sabedoria:
A) Vingança.
B) O egoísmo: 38.16-24.
C) O gozar da vida: 14.14-17.
D) Panteísmo: 43; 29.
E) Tratamento cruel dos escravos: 33.26,30; 42.1,5.
F) Ódio aos samaritanos: 50.27,28.
G) Esmolas que expiam pecados: 3.33.

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