O Bom pastor e seus comentários

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segunda-feira, 30 de junho de 2008

João Calvino: 508 Anos


Pastoral: Rev. Hélio O. Silva = 23/06/2008.

João Calvino 508 anos: (10/07/1509-27/05/1564).

No próximo dia 10 de Julho João Calvino completaria 508 anos. Ele é o nosso mais ilustre desconhecido. Ouvimos falar dele e de sua obra, mas sempre em citações passageiras e que muitas vezes desconsideram-no como a pessoa que foi. Minha primeira impressão sobre ele era que fosse um homem brilhante, mas inflexível e rígido demais quanto a seus princípios; um professor muito inteligente, porém de difícil relacionamento. Contudo, ao vê-lo mais de perto, descobri que foi tanto brilhante como piedoso. Calvino é um exemplo de fé cristã para nós. Ele nos dá um exemplo que precisamos aprender a seguir. O período que viveu como exilado em Estrasburgo (1538-41) retrata bem para nós quem foi João Calvino.


Calvino foi um pastor: Pastoreou refugiados franceses na pequena igreja de S. Nicolas, situada junto ao muro sul da cidade. Celebrava o sacramento da Ceia, dedicava-se à visitação pastoral e pregava quatro sermões semanais. Traduziu vários salmos para a métrica francesa para serem usados no canto congregacional. A igreja era pequena, mas cantava alegremente sob o seu pastorado.

Calvino foi um professor. Tornou-se conferencista das Sagradas Escrituras na escola secundária local, onde dava palestras três vezes por semana. Além disso, dava aulas particulares e advogava nas horas vagas. Seu salário era de um florim semanal, que recebeu a primeira vez com seis meses de atraso, o que também o forçava a vender parte de seus livros para sobreviver.

Calvino foi um escritor. Reeditou e ampliou as Institutas em agosto de 1539, e em 1541 editou a sua primeira tradução francesa. Publicou o Comentário aos Romanos (1539). Outros três trabalhos desse período são muito importantes: A Resposta a Sadoleto, o primeiro tratado apologético da Reforma Protestante, que foi responsável por sua volta a Genebra em 1541. A Forma das Orações e Hinos Eclesiásticos (13 hinos), direcionados à liturgia, constava da metrificação de Salmos. Calvino acreditava que acima de tudo era importante cantar a Palavra. O Pequeno Tratado Sobre a Ceia, como o seu primeiro esforço por chegar a uma posição intermediária entre a posição memorial de Zuínglio e a consubstanciação de Lutero quanto à presença de Cristo na Ceia.

Calvino foi um estadista da Igreja. Participou junto com Bucer e Capito, (reformadores contemporâneos) de várias tentativas para unificar os protestantes alemães e suiços, inclusive encontros entre católicos e protestantes, visando a unidade em Frankfurt, Hagenau e Worms. Desses encontros nasceram sua amizade com Filipe Melanchthon (luterano) e suas inúmeras correspondências com Bullinger (zuingliano). Desistiu de encontros com católicos após 1541 quando percebeu a inflexibilidade católica quanto a seus dogmas e doutrinas não fundamentados nas escrituras.

Calvino foi marido e hospitaleiro pai de família. Casou-se com Idelete de Bure, uma holandesa, viúva de um anabatista convertidos à fé reformada por intermédio do próprio Calvino. Ela tinha dois filhos de seu primeiro casamento. Era graciosa, porém de uma saúde muito precária, assim como Calvino também o era. Dessa união nasceu Jacques, nascido prematuro e morto ainda antes de completar um mês de vida. Nasceram mais outros dois, também mortos logo ao nascerem. Idelete faleceu prematuramente em 05/04/1549. Calvino nunca se casou novamente.

O que precisamos aprender com Calvino?
1. Fidelidade às Escrituras. Deixou claro que a teologia não pode e não deve ser especulativa, mas submissa ao texto bíblico. O que o texto bíblico diz está acima de qualquer interesse pessoal.

2. Amor para com a Igreja. Dedicou-se à unidade da Igreja enquanto via que era possível. Era amigo íntimo e conselheiro de vários reformadores, reis, nobres e membros perseguidos de várias igrejas.

3. Teologia engajada. A teologia de Calvino não era uma teologia de gabinete, mas de um trabalho pastoral intenso. As Institutas não são apenas um manual de teologia, mas um manual para a igreja viver e de uma igreja viva que busca se expressar. A boa teologia é um guia para a vida!

4. Glória só a Deus (soli Deo gloria). Não se sabe com certeza onde foi sepultado, pois pediu sigilo, a fim de que o seu nome não fosse exaltado, mas o de Deus, que fizera toda a obra por seu intermédio.

Com amor, Pr. Hélio.

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