O Bom pastor e seus comentários

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sábado, 21 de maio de 2011

Exposição 13 = Gálatas 4. 12-20 - O Objetivo da Pregação: Cristo Formado em Nós!


Introdução:
A gravidez é um dos momentos mágicos da vida de uma mulher. Em seu ventre está sendo formado um outro ser humano!
Mas a formação completa de um ser humano não acontece somente no ventre materno. O seu caráter será formado durante toda a sua infância até que chegue à maturidade.
É assim também com o evangelho. O novo nascimento não é tudo na vida cristã. Ele é apenas o começo de um processo que o Senhor Jesus chamou de “fazer discípulos” (Mt 28.20).

Contexto:
Nos parágrafos anteriores falou sobre a nossa relação com a lei e com o mundo traçando vários contratastes entre quem éramos antes e quem nos tornamos depois de conhecermos a Cristo. Éramos tutelados pela Lei presos e disciplinados por ela. Éramos como herdeiros menores que não podiam usufruir sua herança, mas obedecíamos e éramos vigiados por tutores.
A Lei foi nosso aio que mostrou a força do nosso pecado e nos apontou a Cristo como a única solução que poderia nos livrar de nosso jugo pesado e árduo.
Ele terminou o parágrafo anterior firmando ser uma loucura ter sido livre desse jugo por Cristo e agora desejar voltar à escravidão novamente. É um absurdo alguém ser filho e herdeiro, mas preferir viver como um escravo! Era por a perder todo o processo de discipulado iniciado na conversão deles!

Proposição:
Seu argumento chega agora a um clímax ao fazer um apelo no qual demonstra qual o objetivo da pregação do evangelho: Formar o Caráter de Cristo em Nós. O argumento de Paulo é duplo:


I. ELES DEVERIAM RETORNAR À VIDA CRISTÃ QUE TINHAM ABRAÇADO DESDE O COMEÇO (v.12-16):

a) Sede qual eu sou.
O apelo inicial de Paulo é que os gálatas sejam como ele em suas vidas cristãs. Vivam plenamente a sua liberdade em Cristo não se vendendo à antiga escravidão novamente. Que suas mentes não fossem conduzidas por falsos mestres, mas pela clareza do evangelho que conheceram em Cristo.
A vida cristã genuína produz uma liberdade, uma satisfação com Jesus Cristo e uma alegria em sua salvação que gostaríamos que todas as pessoas fossem como nós somos: Livres em Cristo.

Ilustração: Paulo disse algo semelhante ao rei Agripa em Atos 26.28,29: “... que todos que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou”. Ou seja, ele queria que o rei Agripa se tornasse não um prisioneiro como ele naquele momento, mas um cristão como ele já era.

Eles deveriam ser como Paulo porque Paulo havia se tornado como eles ao pregar-lhes o evangelho a primeira vez. Paulo não levou em conta o fato de ele ser judeu e eles gentios, mas pregou-lhes o evangelho com toda a liberdade.
Só poderemos ganhar as pessoas para Cristo se nos fizermos iguais a elas.
Citação: John Stott diz: “Para que elas se tornem iguais a nós em nossa convicção e experiência cristã, temos de primeiramente nos tornar iguais a elas em compaixão cristã” (A Mensagem de Gálatas, p.105).

b) Como receberam o evangelho a primeira vez.
Agora Paulo faz um contraste entre como o receberam no passado e como o recebem agora. Ele não tem queixas de como o trataram quando os evangelizou, mas suas queixas têm a ver com a atitude que tomaram depois que os judaizantes deturparam sua pregação e os seduziu com dissimulações e adulações.

No verso 13 Paulo lembra que pregou o evangelho na Galácia em meio a uma grave enfermidade. Não sabemos que enfermidade era essa, mas pela evidência do verso 15 é possível que tivesse a ver com os olhos (At 23.1-5; Gl 6.11). Paulo fala de um espinho na carne que o atormentava constantemente em II Coríntios 12.7. O fato é que essa o enfermidade o deixara tão desfigurado que os gálatas se apiedaram muito de Paulo e se aproximaram muito dele.

Aquilo fora uma tentação para eles no sentido de que poderia desacreditar o evangelho diante dos gálatas como hoje é o que vemos nas igrejas que pregam a prosperidade e a cura instantânea de todas as nossas doenças se recebermos a Cristo como nosso salvador. Apesar da doença, eles perceberam naquele Paulo fragilizado um anjo (um mensageiro) de Deus.

Jesus já havia dito aos apóstolos: “Quem vos recebe a mim me recebe” (Mt 10.40). A autoridade apostólica de Paulo não dependia de sua saúde ou prosperidade, mas dependia unicamente de quem o vocacionara, PIS quando somos e estamos fracos, então é que somos fortes (II Co 12.9,10). Faríamos bem se não nos esquecêssemos desse fato.

c) Eles perderam a verdadeira exultação do evangelho!
“_ Que é feito da vossa exultação?” é a primeira pergunta de Paulo no verso 15. A alegria da recepção do evangelho desvaneceu, porque eles não consideravam Paulo mais como um anjo de Deus, mas como um inimigo.
A razão dessa mudança é que Paulo os repreendera sinceramente e de forma direta por traírem o evangelho da graça e abraçarem novamente a escravidão da Lei.
A lição é clara, a autoridade do evangelho sobre as nossas vidas não muda porque a mensagem deixou de ser agradável. Eu não posso escolher partes prediletas nas escrituras e rejeitar as outras. A salvação nos é dada no evangelho todo e o evangelho todo deve dirigir a nossa vida toda. Não podemos tratar bem um pastor que nos ensina o que nos agrada e depois rejeitá-lo porque o ensino não nos agrada.

II. ELES DEVERIAM RECUPERAR O ZELO VERDADEIRAMENTE CRISTÃO QUE ESTAVAM PERDENDO (V.17-20):

Agora Paulo contrasta a atitude dos falsos mestres para com os gálatas e a sua própria atitude para com eles.

a) Cuidado com a adulação.
Paulo os acusa de serem aduladores (v.17). Já os havia chamado de dissimuladores em 2.13. Eles os bajulavam oferecendo mimos a fim de ganhar o coração da igreja e implantar o seu evangelho corrompido. Eles não eram sinceros, mas tinham o objetivo claro de afastar o coração deles de Paulo a fim de que não mais confiassem nele, e, por conseguinte, na sua pregação do evangelho.

b) É bom ser sempre zeloso.
Quando o evangelho é pregado e vivido como liberdade em Cristo as pessoas não ficam presas aos lideres de forma subserviente, sendo manipulados por eles. O seu desejo é servir a Cristo e tornarem-se maduros na fé nele. Mas quando o evangelho é transformado num saquitel de regras, ele se transforma em servidão legalista a regras e regulamentos e suas vítimas inevitavelmente ficam sujeitas e amarradas aos seus mestres, dependendo de lês para tudo, sendo controladas por eles em todas as suas decisões. (John Stott; A Mensagem de Gálatas, p.108).
O zelo verdadeiro não é o zelo supervisionado, mas o zelo que parte de convicções sólidas e pessoais para com Cristo e seu evangelho. Paulo os lembra que nosso compromisso é diretamente com Cristo e não com uma liderança que procura afirmar-se pela imposição de uma visão ministerial particular, muitas baseada em carismatismo ou poder social.

c) Novas dores de parto “até ser Cristo formado em vós”.
Paulo revela como foi a sua atitude para com eles. Ele os chama de filhos (v.19) e ilustra sua atitude como a de uma mulher grávida em trabalho de parto. Sua ênfase é no que sofreu e ainda sofre por eles.

Seu objetivo não é construir uma mega-igreja na galácia, mas ver Cristo formado neles. Paulo não deseja que Cristo esteja simplesmente morando neles, mas que ocupe todo o seu ser, o seu caráter! Que eles sejam como Cristo é.

Os falsos mestres queriam dominar eles mesmos. Paulo queria que Cristo os dominasse. Essa é a diferença entre o verdadeiro e o falso discipulado. O verdadeiro discipulado nos leva à obediência a Cristo, enquanto que o falso discipulado nos leva à obediência dos mestres humanos que querem nos explorar. Eles procuram somente o seu prestígio e posição, mas nunca se submetem a qualquer privação ou sofrimento pelo rebanho.

d) O afastamento do evangelho puro é a causa da perplexidade.
O relacionamento de uma mãe com seu filho recém nascido é primeiro de dor, por causa do parto, mas depois é de alegria e carinho. O anseio de Paulo é que as igrejas da galácia retornem ao evangelho a fim de que ele não sofra mais e eles possam gozar a alegria do relacionamento cristão coerente com o evangelho.

Conclusão:
Esse parágrafo nos ensina muito sobre a relação que deve existir entre os pastores e o rebanho de Cristo. É claro que os pastores não são apóstolos, mas pregam o mesmo evangelho que os apóstolos pregaram. Aqueles que tem reivindicado um novo apostolado têm mantido posições muito semelhantes às dos judaizantes que reivindicavam autoridade sobre as igrejas da galácia. Basta olhar para as fachadas das igrejas que fundaram e ver que suas fotos e “ministérios” aparecem mais do que Cristo e o evangelho que dizem pregar!
Mas por outro lado, os pastores têm obrigações para com o rebanho e o rebanho tem obrigações para com os pastores: Portanto o que devemos procurar nos pastores e nas igrejas?

1. O que os pastores devem observar no seu ministério.
“Se os ministros quiserem agir de maneira acertada, que trabalhem a fim de formar Cristo, não eles próprios, nos seus corações” (Calvino).
Não buscar prestígio pessoal, mas o progresso espiritual dos crentes.
Servir à congregação em vez de explorá-la para proveito próprio.

2. O que o rebanho deve observar no pastor.
Não se deve valorizar a aparência física, mas o conteúdo de sua mensagem. O pastor pode ser feio e deselegante, mas se é fiel deve ser ouvido e seguido, pois segue a Cristo.
Não se devem valorizar os caprichos teológicos do pastor, mas a verdade bíblica que ele prega. Quem prega a verdade não é nosso inimigo, mas ministro de Deus entre nós. Quem bajula e adula, geralmente nos engana e nos trai.
Não se deve valorizar num pastor o seu prestígio pessoal, mas a sua lealdade a Cristo e ao evangelho. Ninguém, por mais elevada que seja a sua posição na igreja visível é um apóstolo de Jesus Cristo como Paulo e os doze foram. Essa presunção tem levado muitos a rejeitarem a autoridade das escrituras escritas pelos verdadeiros apóstolos de Cristo. Não somos apóstolos, somos discípulos que seguem a doutrina dos apóstolos na qual devemos perseverar e ensinar fielmente (At 2.42). Quando um pastor fiel expõe as escrituras, a igreja deveria receber o seu ensino como de fato ele é, a palavra de Deus.

Os pastores deveriam procurar nas igrejas que pastoreiam não a sua boa vontade, mas o caráter de Cristo. As igrejas precisam de pastores que se preocupem com elas a ponto de trabalharem a fim de que o caráter de Cristo seja formado nelas. As igrejas deveriam procurar nos pastores não aparência, eloqüência ou elegância, mas se Cristo fala por meio deles!

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