O Bom pastor e seus comentários

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terça-feira, 17 de maio de 2011

Exposição 10 = Gálatas 3.15-22 - A Lei e a Promessa (Sem. Rogério Bernardes)


Contexto:
Paulo continua expondo “a verdade do evangelho” que vem mostrando desde os capítulos anteriores, isto é, que a salvação é um dom gratuito de Deus, recebido por meio da fé em Cristo, independentemente de qualquer mérito humano. Só que agora, tendo introduzido a idéia de promessa v.8, ele imediatamente reconhece a necessidade de discutir seu relacionamento com a lei.

Proposição:
Paulo nos mostra nestes versículos, a relação existente entre a Lei e a Promessa.

I. A PROMESSA É SUPERIOR À LEI (v.15-18)
É ridículo pensar que Deus seja menos ou até mesmo igual ao homem mortal. Então Paulo constrói um argumento que parte do menos importante para o mais importante, ou seja, do homem para Deus. O próprio Jesus usava vários exemplos humanos para assimilarmos o significado divino. Ao falar sobre aliança entre seres humanos, Paulo fala de coisas vividas a todo instante. Coisas que eles estavam acostumados a fazer, e que uma vez concretizada, não era revogada. O raciocínio de Paulo é: “se uma aliança humana – que é inferior a uma aliança divina – não pode ser revogada, quanto mais uma aliança feita por Deus.

a) O que significa “aliança”?
Aliança é um pacto de sangue soberanamente administrado que envolve compromisso com conseqüências de vida e morte.
Explicação:
“Fazer uma aliança”, no Antigo Testamento, significa, literalmente, “cortar uma aliança”. Esta frase não aparece isoladamente na Escritura, pelo contrário, ocorre freqüentemente por toda a extensão do Antigo Testamento. A lei (Gn 15:18; 21:27,32; 26:28; Ex 23:32,34; etc.), os profetas (Js 9:6ss; 24:25; 1 Sm 11:1,2; 2 Sm 3:12ss; etc.), e os escritos (Jó 31:1; Sl 50:5; etc.) todos contêm a frase de maneira repetida. Não somente as palavras, mas o ritual associado com o estabelecimento da aliança reflete o processo de cortar. O exemplo mais claro está em Gn 15. A divisão do animal simboliza um “penhor de morte”, no momento do compromisso da aliança. Os animais desmembrados representam a maldição colocada sobre aquele que violar a aliança. Isso mostra a seriedade de uma aliança estabelecida por Deus, estas vão até as últimas conseqüências.

b) Com quem foi feita esta aliança?
A Abraão e seu descendente “Cristo”
Explicação:
É interessante como Paulo enfatiza a palavra “descendente” como se referindo a somente uma pessoa. Essa ênfase não é sem razão, pois no hebraico, a palavra [r;z<, zera‘, “semente” ou “descendência” é um substantivo coletivo (Gn 15:5; 16:10; 22:17; 46:6; 2 Rs 11:1; 2 Cr 20:7; Ml 2:15; etc.). No grego spe,rmata, spermata, “semente”, tem o mesmo significado (Mt 22:24; Rm 4:18; At 7:6; 2 Co 11:22). Por isso Paulo enfatiza que se trata de um que é “Cristo”, para que não haja distorção da passagem. Sendo assim, é “em Cristo” que se cumpre a promessa feita a Abraão. Com essa ênfase Paulo nos mostra algumas coisas importantes:  Que as bênçãos prometidas não foram distribuídas indiscriminadamente entre um conglomerado indefinido de indivíduos;  Que a promessa de Deus a Abraão seria realizada em seu sentido mais rico e espiritual por uma pessoa específica, Cristo, a verdadeira semente;  Que todos aqueles – e somente aqueles – que estão “nele” são salvos;  Que estando tais promessas concentradas imutavelmente em Cristo, nada, nem mesmo a lei, é capaz de anular tal promessa. Se as promessas estão fundamentadas em Cristo não depende de qualquer atitude minha. Independentemente do cumprimento ou não da lei a promessa é mantida porque o seu fundamento é Cristo. O Dr. Heber Campos nos ajuda a entender isso ao explicar que o “pacto da graça” feito em Gn 15 é fundamentado no “pacto da redenção” feito entre o Pai e o Filho. Esse pacto da graça depende dos méritos de Cristo e não dos nossos. Por isso ele não depende da lei. c) Quem faz parte da aliança?
Os que crêem em Cristo Jesus.
Explicação:
Deus fez uma promessa, e o que foi necessário para Abraão herdá-la? Crer!
Observe a palavra “concedeu” em seu original a palavra enfatiza duas coisas: (1) é um presente, ou seja, de graça; (2) é para sempre. Deus não retrocede em sua promessa. Portanto, todo pecador que confia em Cristo crucificado para salvação, recebe, totalmente à parte de qualquer mérito ou boas obras a bênção da vida eterna, herdando assim a promessa que Deus fez a Abraão.
Não podemos esquecer a que conseqüências a aliança leva as partes envolvidas, ou seja, “vida e morte”. Assim, a não violação da aliança implica vida, e a violação implica morte. Por causa da violação da “aliança das obras”, os homens foram condenados a morrer. Mas Cristo morreu em lugar do pecador. Sua morte foi um sacrifício substitucional. Cristo tomou sobre si mesmo as maldições da aliança e morreu no lugar do pecador (Is 53:10,11).

II. A LEI É SERVA DA PROMESSA (v.19-22)
Podemos entender isso ao analisar as resposta que Paulo dá às duas perguntas que ele mesmo levanta sobre a lei.

a) Qual, pois, a razão de ser da lei?
A lei aponta o pecado
Explicação:
Paulo diz: “foi adicionada por causa das transgressões...”
Antes da lei, já existia o pecado, mas sem a lei é impossível ver o pecado (Rm 5:13). Então, para que homem tenha conhecimento do pecado, a lei é necessária (Rm 3:20). Por ela o homem pode ver o caráter real do pecado (Rm 7:13), bem como ele é abundante (Rm 5:20).
A lei não tem poder para refrear as transgressões, por isso os que estão debaixo da lei, estão debaixo de sua maldição. Mas os que estão “debaixo” de Cristo, não estão debaixo da maldição da lei. Cristo cumpriu a lei e todos os direitos que adquiriu são dados aos que crêem nele.

b) É, porventura, a lei contrária às promessas de Deus?
De modo nenhum!
Explicação:
Mérito e graça são opostos e se anulam. Ou um ou outro (Rm 5:4). “Se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida...” existiriam dois métodos opostos de justifica uma mesma pessoa. Aí sim elas seriam contrárias. A partícula “se” nos mostra que Paulo esta fazendo uma suposição. Em se tratando de suposição, para que a lei pudesse dar vida, ela teria que perdoar e também justificar os pecadores. Só que isso está além do alcance da lei. E não é essa a sua função, pelo contrário, o que a lei veio fazer, foi mostrar o estado do homem pecador, ou seja, morto.
Ao propor isso Paulo nos mostra que a inferioridade da lei em relação à promessa, não é devida a qualquer tipo de falha desta e cumpriu o seu propósito. A lei não pode dar vida porque não foi designada para isso, mas se tivesse sido, não seria inferior.
Mas a Escritura encerrou... Calvino comenta que ela encerrou todos os homens sob o pecado. Sendo assim, ao invés de dar justiça, a lei tira a justiça de todos os homens. Os judaizantes buscavam justiça na lei, mas a lei, por si mesma, com toda a Escritura, não deixa nada aos homens, exceto condenação; pois todos os homens e suas obras são declarados injustos.
Tudo isso para que?
“...para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que crêem”.
Lutero diz: “o ponto principal... da lei... é tornar os homens piores, não melhores; isto é, ela lhes mostrou o pecado deles, para que através do conhecimento eles se tornasse humildes, assustados, desanimados e quebrantados, e desse modo fossem levados a buscar a graça, sendo assim levados à semente bendita”

Conclusão:
Com duas verdades:
 Acerca de Deus: aprendemos que a sua palavra se harmoniza do início ao fim, e que do Gênesis ao Apocalipse, conta a história do propósito soberano da graça de Deus, seu plano-mestre de salvação através de Cristo.
 Acerca do homem: só depois que a lei nos fere e esmaga é que admitimos a nossa necessidade do evangelho para atar nossas feridas. Só depois que a lei nos aprisiona é que anelamos que Cristo nos liberte. Só depois que a lei nos tiver condenado e matado é que vamos clamar a Cristo por justiça e vida.

Aplicações:
O que fazer diante dessas verdades que aprendemos?
1. Se a lei não anula essa promessa, e se os seus herdeiros são os que crêem, nós que cremos devemos ter certeza de que nada vai nos impedir de viver essa promessa. Isso deve ou pelo menos deveria ser o motivo de toda nossa alegria. Por mais que o pecado nos entristeça, e as conseqüências dele sejam dolorosas, por mais que eu tente andar em conformidade com a lei e não consiga, mesmo assim nós temos motivos de sobra pra nos alegrar pois “nada nos separará do amor de Deus que está em Jesus Cristo”.

2. Por outro lado, se a lei serve a promessa, nós devemos agradecer a Deus por ela, e devemos buscar obediência, pois é ela que nos faz ver “o mal que habita em nós”, e nos faz ansiar pela promessa.

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