O Bom pastor e seus comentários

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quarta-feira, 16 de março de 2011

Exposição 02 = Gálatas 1.1-5 = A Autoridade do Apóstolo Paulo e Seu Evangelho


Introdução:
Uma exposição bíblica seqüencial é de grande valor tanto para o pregador quanto para a Igreja. Ela nos força a dar atenção ao texto como um todo não podendo negligenciar passagens mais difíceis ou desinteressantes para nós pessoalmente. Isso minimiza tanto a má interpretação quanto a má aplicação das escrituras porque o texto é visto e aplicado dentro do seu contexto próprio.
Mas também é útil para igreja, porque lhe dá uma visão equilibrada do todo, podendo perceber como as doutrinas se encaixam e se aplicam dentro da própria escritura inspirada pelo Espírito. Ensinamos e aprendemos as doutrinas bíblicas dentro do contexto em que o Espírito Santo as colocou ajudando-nos a aplicá-las com mais exatidão e reverência.
Por que dizer isso no início dessa exposição aos Gálatas?
Porque a igreja continua correndo o risco de dar ouvidos a doutrinas e ensinamentos particulares que nos afastam do verdadeiro evangelho. Essa é a preocupação inicial de Paulo ao resolver escrever essa epístola.

Contexto:
Paulo escreve essa carta a um grupo específico de quatro igrejas da região montanhosa da Galácia do Sul, na província romana da Psídia (Antioquia, Icônio, Listra e Derbe).
Essas igrejas foram fundadas durante sua primeira viagem missionária conforme Lucas narra em Atos 13 e14.

Proposição:
Já no primeiro parágrafo Paulo menciona dois temas aos quais recorrerá novamente no decorrer da epístola insistentemente: O seu apostolado e o seu evangelho. Ele defenderá a autoridade de seu apostolado e a genuinidade de seu evangelho contra os falsos mestres judaizantes. Vejamos:

I) A AUTORIDADE DE PAULO É DE ORIGEM DIVINA V.1,2:

a)Paulo é apóstolo de Cristo.
Paulo reivindica exatamente o título que os falsos mestres lhe negavam. Para os judeus um apóstolo era um mensageiro especial, com um status especial, desfrutando de uma autoridade e um comissionamento também especiais dados por alguém que era seu superior.
Jesus chamou o grupo de 12 discípulos que separou para estarem com ele sempre e para enviá-los a pregar de “Apóstolos” (Mc 3.13-17, Lc 6.13). Observe que esse grupo era pequeno e único.
A Escritura credita este título apenas aos doze, a Matias, a Paulo (como um nascido fora do tempo – I Co 15.8), a Tiago, o irmão do Senhor (Gl 1.19, I Co 15.7) e de uma forma bem mais limitada a Barnabé, Timóteo e Silas (At 14.4,14; I Ts 2.6). Os apóstolos, ao lado dos profetas do AT formam o alicerce da Igreja (Ef 2.20 e 3.5). Uma das principais credenciais do apostolado era ter visto o Senhor (I Co 9.1). “Um apóstolo era alguém enviado numa missão específica, na qual age com plena autoridade em favor de quem o enviou, e que presta contas a este”.
Por isso, nesse sentido, os apóstolos não tiveram sucessores. Observe no texto que Paulo faz diferença entre si “apóstolo” e seus companheiros “todos os irmãos meus companheiros”. Ele é apóstolo, mas os que o acompanham, não.

b) Não da parte de homens.
Paulo não deixa dúvida alguma quanto á natureza do seu apostolado. Ele foi chamado para ser apóstolo (Rm 1.1) pela vontade de Deus (II Co 1.1; Ef 1.1; Cl 1.1; I Tm 1.1; II Tm 1.1).
Todavia aqui ele acrescenta duas afirmações novas e contundentes. Seu apostolado é divino, não humano.

c) Nem por intermédio de homem algum.
Veio direto de Deus e não por intermédio de homens. Ou seja, quem o designou não foi um grupo de homens, como liderança da igreja. Ela veio de Deus. Também não houve mediadores, ela veio direta e totalmente de Deus.

d) Por Jesus Cristo e por Deus Pai.
Essa afirmação faz o contraste com as duas anteriores. Quem chamou e designou a Paulo foi Cristo e Deus, o Pai. O mediador de seu chamado foi o próprio Cristo e o Pai.
Essa defesa de Paulo é importante, porque se fica constatado que Paulo não fosse um apóstolo genuíno de Cristo, então as pessoas poderiam rejeitar o seu evangelho. Por isso, Paulo defende sua autoridade apostólica a fim de defender a mensagem do Evangelho.
Essas afirmações de Paulo afirmam a autoridade do Novo Testamento contra duas linhas de pensamento moderno:

1.A opinião radical: Os apóstolos eram simples testemunhas de Cristo no século I da mesma maneira que somos testamunhas de Cristo no século XXI. Se não gostam das opiniões paulinas a refugam dizendo que pensam diferente. Não podemos rejeitar a sua autoridade inspirada dessa forma.

2. A opinião católico-romana: para eles foi a igreja que escreveu a bíblia (os clérigos), logo ela está acima da Bíblia, podendo interpretá-la e fazer-lhe acréscimos. Os apóstolos não eram apóstolos da igreja, mas de Jesus Cristo.
É claro nas escrituras que os apóstolos derivaram sua autoridade de Deus por meio de Cristo, por isso sua autoridade é divina, não humana, nem eclesiástica.

II) O EVANGELHO DE PAULO É O ANÚNCIO DA SALVAÇÃO REALIZADA POR CRISTO NA CRUZ V.3,4:

Paulo saúda a igreja com a graça e a paz. Duas palavras chaves na compreensão da pregação do evangelho genuíno. A fonte da salvação é a graça como o favor livre de Deus e a sua natureza é a paz; paz com Deus, com os homens e consigo mesmo.
O evento histórico que tornou possível tanto a graça como a paz para nós foi a crucificação de Jesus Cristo, o Filho d Deus.

a) Cristo morreu pelos nossos pecados.

 Sua morte na Cruz foi expiatória.
“A morte de Jesus Cristo não foi primordialmente uma demonstração de amor, nem um exemplo de heroísmo, mas, sim, um sacrifício pelo pecado”. Quer dizer; morreu para tirar pecados (expiação). Ele ofereceu o único sacrifício pelo qual os nossos pecados poderiam ser perdoados e esquecidos.
O aspecto expiatório de Sua morte é visto nas referências bíblicas ao seu sangue derramado por nós.
Rm 3.25: ...Através do Seu sangue...
Ef 1.7: ... Trouxe-nos a redenção pelo Seu sangue...
Ef 2.13: ...Pelo Seu sangue trouxe-nos para junto de Deus...

 Sua morte na Cruz foi vicária.
Ele morreu por nós, a nosso favor. O lucro resultante de Sua morte foi para nós. Em Mc 10.45, o texto diz que Ele veio para dar sua vida em resgate de muitos...
Voluntariamente veio sob a “mancha do pecado” (Ladd), penetrou em suas mais profundas trevas, e compartilhou com os homens seu terrível peso e pena. Ele se tornou gente como a gente para demonstrar seu imenso amor e nos dar uma nova vida. Tudo isso Ele fez por você e por mim.

 Sua morte na Cruz foi substitutiva.
Ele morreu em nosso lugar.
“Pois morreu a nossa morte para vivermos Sua vida; nos trouxe grande salvação”. Ele não morreu apenas por mim, mas morreu em meu lugar. Ele morreu a morte que eu tinha de morrer, ou que vou morrer se não lhe entregar a minha vida hoje!!! O mais rápido que eu puder...
Mas, se eu creio, então eu não morrerei, mas viverei eternamente com Ele. Pois morri com Ele, para viver com Ele.
É hora de abraçar a Cruz. Ela é o instrumento da nossa paz com deus (Ef 2.14,15).

b) Cristo morreu para nos libertar deste mundo perverso.

“Mundo perverso” é uma referência ao sistema mundano em oposição a Deus que tenta nos prender longe de Deus. O evangelho é uma libertação. Merril Tenney intitulou seu comentário dessa epístola como: A Escritura da Liberdade Cristã (Vida Nova, 3ª Ed., 1983).
Segundo Stott, “mundo” (aiwnos) seria melhor traduzido por “dispensação”. Conversão cristã é a libertação da antiga dispensação para a nova dispensação. O propósito da morte de Cristo foi, além de nos perdoar de nossos pecados, dar-nos uma nova vida em Cristo.

 A Sua morte é Redentora.
Seu efeito é nos livrar da condenação que o pecado traz sobre nós. Exelhtai - Subjuntivo aoristo médio: “tirar para si”, remover, livrar - levantando. A palavra fala de algo que é arrancado e sacode-se para que a terra caia de volta.
Deus nos salva para Si, para termos comunhão com Ele.

 Sua morte é Santificadora.
Ele nos arranca desse mundo perverso (Desse século presentemente mau). O “mundo” é esse sistema que pensa e age de acordo com os princípios e alvos de satanás.
Cristo derrotou também ao mundo pela Cruz. Abraçando a Cruz, eu não mais pertenço ao mundo, mas a Deus (Gl 2.20 e 6.14).
Não queira ter as suas raízes presas ao mundo, pois ele passa, e com ele todo o seu prazer. Abraçar o mundo, as coisas do mundo, os valores do mundo , é a mais insensatez, pois o que permanecerá será somente o que foi salvo pela Cruz.
O mundo só deseja seduzir, fascinar (ebaskanen - enfeitiçar, lançar um encanto).
Ilustração: No livro, A Cadeira de Prata, C.S. Lewis narra-se uma cena em que a feiticeira lança um feitiço sobre o fogo da lareira para seduzir os heróis a se conformarem com o mundo dentro de sua caverna, dizendo repetidamente “Só existe este mundo da caverna, não há outro”. A dor de um pé queimado retirou o feitiço.
A dor da cruz pendente entre o céu a terra é quem nos livra do mundo. Você precisa olhar para a cruz, e ver claramente o que aconteceu lá. Disso depende toda a sua vida. Sem a santidade da cruz ninguém verá o senhor (Hb 12.14).

a) Cristo morreu para cumprir a vontade de Deus.
Essa é a grande vitória da Cruz! A vontade do Pai foi cumprida e produzirá seus efeitos eternos! A origem da provisão para a nossa salvação foi a eterna e soberana vontade do Pai.

 Sua morte na Cruz foi Propiciatória.
Fazer propiciação é acalmar a pessoa que foi ofendida. Aplacar a ira.
A Bíblia diz que os nossos pecados ofendem a Deus e nos separam Dele.
Sem a Cruz, Deus não poderia ser o NOSSO Deus, e nos dar a salvação.
Como condenar o pecado sem destruir junto o pecador?
A resposta é Cristo e Sua Cruz. Na Cruz Deus exerce misericórdia e amor diretamente para conosco, condenando o pecado em seu Filho inocente, que voluntariamente morreu por nós.

Sua morte na Cruz é reconciliadora.
Rm 5.11 declara que isso é uma benção real e presente (para o agora, hoje).
Através da morte de Cristo, fomos libertos do julgamento, absolvidos de nossa culpa por causa do sangue derramado por cristo na Cruz.
Agora, muito mais que temido, Deus pode ser amado com todas as nossas forças. Aleluia!!!
Esta é a vontade do Pai: Trazer-nos de volta para perto Dele, para que possa cuidar de nós.

Conclusão v.5:
Paulo prorrompe em doxologia. Todo louvor deve ser dado a Deus e a Cristo, porque Deus providenciou a nossa salvação do começo ao fim de forma garantida e eficaz:
1º. Providenciou a morte de Cristo pelos nossos pecados.
2º. Designou o ministério apostólico autorizado para dar testemunho verdadeiro de Cristo.
3º. Deu-nos o dom da graça e da paz por meio de Cristo.
Em cada um desses estágios o Pai e o Filho agiram e continuam agindo juntos.

Aplicações:
1) A autoridade do evangelho não pode ser substituída por um evangelho falso.

2) Uma experiência genuína do evangelho só começa quando reconhecemos arrependidos a morte de Cristo como sacrifício suficiente por nossos pecados.

3) O evangelho nos alcança para nos libertar e assim mudar a nossa vida eternamente, partindo do presente.

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