O Bom pastor e seus comentários

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domingo, 2 de janeiro de 2011

Salmo 97 = Celebremos a Majestade do Deus Altíssimo.




Texto: Salmo 97.
Tema: Celebremos a Majestade do Deus Altíssimo.
Exposição bíblica aprsentada na Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia em 02/01/2011.
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Introdução:
Ontem (1º/01/2011) tomou posse a nossa primeira presidente da república mulher, a Sra. Dilma Rousseff. Um momento histórico para o nosso país e momentoso para todas as mulheres que se viram nela representadas.
Ela foi empossada e investida em sua autoridade de governo para presidir por quatro anos o nosso país, a nossa nação. Ela passou a ser a pessoa mais poderosa, em termos de governo, no nosso país. Esse ato foi simbolizado no momento em que o exército, a marinha e a aeronáutica depuseram as suas armas perante ela e ela passou em revista às tropas militares brasileiras.
Todavia, o que é o seu poder diante das nações mais ricas e militarmente mais poderosas do que a nossa? E mais, o que é todo o poder global diante da majestade do nosso Deus?

Contexto:
O Salmo 97 é o terceiro dos chamados salmos reais (95-100). Estes salmos têm como tema geral a alegria da adoração ao Senhor como o rei supremo sobre toda a criação e o Deus da aliança com Israel. Não há como definir com exatidão o contexto dos salmos reais. Tanto podem ter sido arranjados como estão no livro dos Salmos como uma cantata de coral (assim como os salmos 113-118 e 146-150), como podem fazer parte dos cânticos cantados pelos judeus na subida para o templo nas comemorações do ano novo.
O tom de todos os salmos é o da celebração da majestade de Deus apresentando as razões porque devemos celebrá-la publicamente:
Salmo 95 = Devemos louvá-lo por seu poder e paciência com o seu povo.
Salmo 96 = Devemos louvá-lo por sua glória e majestade.
Salmo 97 = Devemos louvá-lo por sua justiça.
Salmo 98 = Devemos louvá-lo por suas maravilhas (todos os atos de livramento de Israel da escravidão egípcia).
Salmo 99 = Devemos louvá-lo por sua santidade.
Salmo 100 = Devemos louvá-lo por sua bondade, fidelidade e misericórdia.

A frase chave dos salmos reais é a afirmação forte, convicta, cantante e alegre de que “O SENHOR REINA!” Por que ele reina?
 Porque é o Deus supremo que fez todas as coisas. Ele é o criador (Sl 95.3,5).
 Porque ele não tem rival entre os deuses, porque esses não passam de ídolos esculpidos pelas mãos de homens pecadores (Sl 96.4,5).
 Porque ele é o juiz de toda a terra e seu juízo é equilibrado, justo e fiel (Sl 96.10,13; 97.8; 98.9).
 Porque ele tem feito maravilhas, exemplificadas na libertação de Israel do cativeiro egípcio (Sl 98.1,3).
 Porque ele é santo e ama a justiça (Sl 99.3,9).
 Porque ele é bom; sua misericórdia e fidelidade duram para sempre.
 O salmo 97 acrescenta: Porque ele é o Deus altíssimo, sobremodo elevado acima de todos os deuses.
Os salmos 96 e 98 ressaltam a alegria de se pertencer a esse reino, enquanto que o salmo 97 expõe um lado mais sombrio do reinado de Deus, que é a condenação dos rebeldes ao governo de Deus. Eles serão confundidos, ou seja, envergonhados diante da presença de Deus, porque ele é o Deus altíssimo.

Proposição:
Somos chamados a celebrar com alegria a majestade do nosso Deus em função de duas realidades: A manifestação da presença e da justiça de Deus.

I. ALTÍSSIMO NA MANIFESTAÇÃO DE SUA PRESENÇA V.1-6:

a) O que quer dizer ser Deus “O Altíssimo”? (v.9).
Deus é altíssimo porque reina sobre toda a criação. Mas também porque é sobremodo elevado acima de todos os deuses (que também pode ser anjos). Ele não pode ser medido e aprisionado num ídolo, numa imagem de escultura. Ele é o totalmente “absconso” (escondido, secreto). Deus só pode ser conhecido se ele mesmo se revelar a nós. Sua grandeza só se torna evidente àqueles a quem ele se dá a conhecer.
Calvino comenta que o salmista limita de tal maneira “as demais excelências” que não sobra qualquer espaço para se questionar que toda a majestade esteja unicamente em Deus. Ao chamar Deus de “altíssimo” o salmista nos diz que somente ele é excelente e que a majestade do governo só pode pertencer a ele.
Deus não pode ser comparado a nada. Ele é totalmente transcendente (separado) da sua criação.

b) O reinado de Deus (v.1).
O reino de Deus é o seu reinado, o seu governo, nunca o seu domínio geográfico. Além de seu direito de governar sua criação, inclui o estabelecimento de seu poder real de forma enérgica e verdadeira nos seus atos salvadores, na história de Israel e na história da igreja. O reino de Deus é sua autoridade manifesta.
O seu reino é redentor, porque nascer de novo significa obter o direito de entrar no reino de Deus (Jo 3). Deus estabelece o reino sobre nós para nos salvar e nos livrar dos poderes do mal de forma decisiva (I Co 15.23-28).
O seu reino é sobrenatural e entrou na história. Ele é o Deus do universo e de todos os poderes espirituais, mas ele é também o Deus da criação, do mundo; de Israel, da igreja e de todos nós e de cada um de nós. Deus é o nosso rei.
Participar e celebrar o reino são encontrar-se com a benção de Deus e com a alegria. É porque Deus reina que a terra pode regozijar-se.

c) A manifestação formidável e tremenda de sua presença (v.2-5).
Todavia fica claro que o reinado de Deus é alegria para alguns e desespero para outros. É alegria para os justos (os que foram justificados por Deus, salvos por sua graça). É vergonha para os que preferiram adorar e servir a ídolos. Para os primeiros, a manifestação da presença de Deus é formidável e tremenda. Para o segundo grupo ela é confusão, porque tornará clara a sua impiedade. Elas descobrirão que o seu equívoco impenitente as levará ao julgamento justo sob a ira de Deus.
 Deus é insondável.
 Deus é justo e juiz.
 Deus é puro e santo (fogo consumidor). Sua presença é acompanhada por sua justiça retributiva, que paga a cada um segundo as suas obras.
 Deus é onipresente. Sua presença não somente a de um expectador, mas a de um interventor. Segundo Francis Shaeffer, ele é o Deus que intervém.
 Deus é irresistível na sua manifestação. Toda a criação estremece, nem os montes podem prevalecer contra a sua vontade quando ele se revela e quando ele julga.

d) A revelação natural (v.6).
A própria criação manifesta a sua glória nas coisas que foram por ele criadas (Sl 19). A criação é como uma pintura que tem nos seus contornos a mão do seu pintor. Ela nos fala muito de quem é o pintor, mas a menos que sua assinatura esteja explícita nela, não poderá revelar claramente quem ele é. A revelação natural é suficiente para nos condenar, porque coloca claramente diante de nossos olhos as obras de Deus, mas não pode nos salvar, porque a salvação é um presente que só podemos ganhar no sacrifício de Cristo.

II. ALTÍSSIMO NA APLICAÇÃO DE SUA JUSTIÇA V.7-12.


a) Sejam envergonhados os que não servem a Deus v.7.
Muitas pessoas servem a ídolos. Ídolos que elas mesmas criaram para si e desenvolveram sua religiosidade em torno deles. Esses ídolos podem ser imagens de escultura que galgaram espaço na sua fé. Podem representar pessoas que já morreram no passado e que a veneração de seus atos consagrados levaram outros a verem neles mais que a graça de Deus e por isso se apegam a mortos como devotos; coisas que a Bíblia afirma ser abomináveis a Deus.
Outros se apegam ao que David Powlison chama de “ídolos do coração” quando valores pessoais tomam o lugar de Deus e seu culto. Esses valores pessoais são controlados por sua vaidade, manifesta naquilo de que gostam e que não abandonam por nada nesse mundo. Essas vaidades podem se materializar em objetos materiais (casa, carro, bens) ou em valores abstratos (sucesso, status, conquistas pessoais). Em ambos casos se adora aquilo que não é Deus, porque a sua religião é a manifestação pública ou privada dessas vaidades e não a Deus.
Todos os idólatras ficarão confusos quando estiverem diante da verdadeira presença de Deus e sua divindade. Porque descobrirão que devotaram as suas vidas a valores passageiros, que não atravessam a eternidade e não persistem na presença de Deus.
Apocalipse 1.7 diz que todos se lamentarão sobre ele, mas não poderão se afastar, porque o juízo de Deus já terá caído sobre eles (Mt 24.30). A justiça de Deus é o horror dos corruptos, dos rebeldes e dos iludidos por sua falsa piedade, que para Deus é o mesmo que impiedade.
Diante de Deus todos os deuses estão prostrados, sejam ídolos, sejam seres angelicais do mal e os anjos de Deus.

b) A justiça de Deus é a causa de nossa alegria (v.1,8).
A manifestação da justiça justa e final de Deus é a alegria do seu povo!
O nosso tempo celebra a injustiça, na forma do jeitinho esperto como a melhor opção de vida. Chamam de justiça a valorização do individualismo hedonista àquilo que é moral, ético e correto.
A justiça justa é dar a cada um o que lhe é devido e não a igualdade de opções e oportunidades. Deus pagará retributivamente os atos de todas as pessoas.
Por que a justiça é a nossa alegria, porque estabelecerá o reino estendendo o domínio de Deus sobre todos e a todos definitivamente. A aplicação da justiça divina revela a sua excelência e majestade sobre todos e sobre tudo!

c) A justiça de Deus guarda a alma dos seus santos e os livra (v.10).
O verso 10 não deixa de ser uma advertência contra a impureza, bem como um chamado à consagração. O povo de Deus deve detestar o mal assim como Deus o detesta.
Também é uma alerta contra a nossa impaciência frente à injustiça alheia e contra nós. Se nós estamos debaixo da justiça divina, não perderemos nada e toda injustiça cometida contra nós se voltará contra aqueles que as praticaram.
Muitos de nós d tem azedado as suas vidas em ressentimentos e murmurações em função de injustiças cometidas contra nós. Todavia é consolador saber que o Deus altíssimo, justo juiz julgará a nossa causa; senão agora, no dia de seu retorno triunfal na volta de Cristo. Nenhuma injustiça cometida ficará se o seu devido julgamento da parte de Deus. Ele é quem guarda as nossas almas (mesma linguagem do salmo 121). Isso quer dizer que ele nos protegerá dos outros, mas também de nós mesmos, porque o mal também habita em nós.

d) A justiça de Deus é a nossa luz (v.11).
A justiça de Deus não é só um artigo da nossa fé e da nossa esperança, ela é também um guia para a vida. Nós não devemos detestar o mal, mas também devemos nos afastar dele. A justiça de Deus é uma luz na escuridão.
“Difundir” é traduzido por Calvino por “semear”, dando o sentido de crescimento e manifestação crescente até o seu apogeu. O que quer dizer que quanto mais amamos e nos dedicamos á justiça de Deus, mais ela fará parte de nosso caráter, atitude e atos que praticamos.

Conclusão e aplicação v.12.
O salmo termina numa nota de júbilo e louvor.
 Alegrai-vos no Senhor.
 Daí louvores ao seu santo nome.
Nós devemos nos alegrar em Deus como o nosso Senhor a quem obedecemos e amamos.

1. O reinado de Deus trás alegria (v 1,8,11 e 12).
2. O reinado de Deus evoca o nosso amor responsivo (v 10).
3. O reinado de Deus nos leva a adorá-lo com louvor (v 12).

Por tudo isso, celebremos a majestade do nosso Deus: Com alegria, com amor e com louvores!

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