O Bom pastor e seus comentários

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segunda-feira, 15 de abril de 2019

Estudo 10 = Guiados Pela Mente de Deus

Igreja Presbiteriana Jardim Goiás
Estudos de Quarta-Feira – 1º Semestre/2019
O DEUS QUE NOS GUIA E GUARDA - James I. Packer - Ed. Vida Nova

Rev. Hélio O. Silva - 10/04/2019


ESTUDO 10 = Guiados Pela Mente de Deus (p. 139 a 153)

Introdução
Oque significa ser guiados pela vontade revelada de Deus? Dirigir-se pelos comandos de Deus, pelo Livro de Deus, pela Lei de Deus e pela mente de Deus. Trataremos do último ponto nesse estudo.

1º) Sim e não
          Embora a Lei de Deus seja uma expressão fiel da mente de Deus, temos de reconhecer que a revelação verbal nas Escrituras não abarca TODA a mente de Deus. Deus não cabe dentro de todas as palavras das Escrituras. A revelação verbal é suficiente para nos revelar a Deus, mas não o revela completamente a nós. A revelação especial é composta das escrituras inspiradas e da revelação do Filho de Deus na encarnação. 

Isso significa que embora as Escrituras sejam nossa única regra de fé e conduta nós adoramos o Deus das Escrituras e não as próprias Escrituras sagradas (Bibliolatria). Nós obedecemos às Escrituras para aprender a andar com Deus, glorificando-o e apreciando-o por toda a nossa vida.

2º) Situações mais complexas ou “belas confusões”
          Na vida cristã enfrentaremos situações mais complexas que exigirão mais que apenas saber textos bíblicos de cor para aplica-los a elas. Nesses momentos será preciso praticar um tipo de reflexão, alicerçada na oração e unida ao raciocínio iluminado por princípios bíblicos a fim de escolhermos o que promete trazer mais bem e menos mal.

          Esse tipo de discernimento complexo é orientado pelo grau de maturidade e profundidade de nosso relacionamento com Deus e com a Sua Palavra.


3º) Equilíbrio na distinção de princípios de conduta
1.     Entender a tradicional distinção entre lei moral e lei positiva.
A lei positiva é a lei promulgada como meio para atingir um fim, cuja força vinculativa provém inteiramente da decisão do legislador e que pode ser alterada por ele quando as circunstâncias favorecerem (Exemplos: limite de velocidade; alíquotas de imposto; poderes políticos). Essas leis preveem sanções inerentes a elas mesmas válidos pelo tempo em que estiverem em vigor.

Existem leis positivas na Bíblia, como as que Israel deveria praticar assim que entrasse na Terra Prometida, as leis civis, as leis referentes ao Tabernáculo, o sacerdócio e os rituais de sacrifício. Hebreus explica que todas essas coisas eram “tipos” (padrões antecipados e sombras que viria depois), pois apontavam para Cristo e foram todas substituídas por seu ministério quando inaugurou o verdadeiro relacionamento de fé, do qual é o mediador (p.141).

Packer situa como lei positiva tipológica os rituais de purificação de Levítico. Essa impureza ritual tipificava a contaminação espiritual causada por todas as violações da Lei de Deus, que tornavam os infratores abomináveis aos olhos de Deus. Essa foi a estratégia pedagógica de Deus para deixar evidente a presença do pecado e a abrangência de sua contaminação na vida de seu povo. Jesus insistiu que é o pecado e somente o pecado que nos contamina, e por isso cancelou a categoria de alimentos impuros (Mc 7.19). O Novo Testamento é inteiramente desprovido da ideia de algumas coisas criadas podem contaminar enquanto outras não (1 Tm 4.3,4). Logo, a lei positiva (ritual e política) instituída por Deus é cumprida e revogada pelo próprio Deus pois tinha, na mente de Deus um caráter temporário.

A adoração só é aceitável quando nos aproximamos de Deus com mãos e coração purificados pela confissão dos nossos pecados através da mediação de Jesus Cristo (1 Jo 1.9), visto que a Lei moral, que reflete o caráter moral de Deus é permanente e nunca muda.

2.     Entender a verdadeira extensão e a unidade interna da lei moral.
Temos muita facilidade em praticar uma virtude ou imperativo em detrimento de outro, mas Jesus Cristo, que é o nosso modelo de obediência a Deus, personifica todas as virtudes divinas. O cumprimento da lei de Deus é a imitação de Cristo e vice-versa. Entendemos, por meio de Cristo, que a lei não está nos dizendo simplesmente para fazer isso ou aquilo, mas sim para procurarmos ser certo tipo de pessoa que se comporta de determinada maneira.

Para isso precisamos adotar um forte senso de quem somos em Cristo, uma forte consciência da grandeza da graça de Deus em nos salvar e de uma ardente paixão em honrá-lo, sabedores de que o cumprimento da lei pelo cristão também não é uma questão individual, pois precisamos ajudar uns aos outros a discernir o melhor curso de ação para uma vida piedosa e consagrada.

3.     Entender o princípio do ajuste cultural em contraste com adaptação cultural.
Uma adaptação normalmente envolve mudar a substância de alguma coisa para encaixá-la em um novo cenário. Um ajuste pode mudar a forma de fazer sem alterar a substância em sua essência. A substância do ensino bíblico é transcultural, contudo, sua forma é situacional e culturalmente condicionada.

Exemplo: a prática do ósculo santo (beijo) - Rm 16.16; 1 Co 16.20; 2 Co 13.12; 1 Ts 5.26; 1 Pe 5.14. O beijo entre pessoas do mesmo sexo em várias culturas é um cumprimento respeitável, comum e expressão de amizade. Noutras culturas o beijo é carregado de conotações sexuais que o afastam de ser uma expressão de amizade. Logo, J. B. Philips em suas cartas às Igrejas Jovens, uma paráfrase do Novo Testamento mudou a tradução para manter o significado pretendido; “cumprimentem-se com um caloroso aperto de mão”. No Brasil poderíamos parafrasear com “um afetuoso abraço”.

Outro exemplo seria o caso da idolatria. Embora muitas pessoas não se curvem em adoração a imagens de metal, fazem-no diante de imagens mentais (p.147). Calvino já dizia que nosso coração é uma fábrica de ídolos, para os chamados “ídolos do coração”. Todos aqueles que dizem “Minha concepção de Deus é...” ou “Eu prefiro pensar em Deus como...” já estão quebrando o segundo mandamento antes de chegar ao final de sua frase, pois rejeitam a revelação que Deus faz de si mesmo nas Escrituras, substituindo-a por uma particular.

4.     Compreender o duplo efeito ou as consequências não pretendidas e indesejáveis.
Nossas decisões, ainda que baseadas em discernimento baseado em critérios bíblicos, podem causar efeitos colaterais não pretendidos. Fazer o que é certo em algumas situações implicará em ter de fazer o que causará o menor mal possível. Sempre que algum mal for inevitável, escolher o mal menor é sempre a coisa certa a fazer (p.149).

Conclusão
          Seguir a direção de Deus com leal perseverança mais cedo ou mais tarde nos levará a problemas, tristezas e mágoas que, se tivéssemos seguido por outro caminho (não aprovado por Deus) poderíamos ter evitado. Consola-nos muito o fato de que a decisão por nossa redenção custou tão caro em sofrimento ao nosso Salvador, mas que depois de ver o fruto do penoso trabalho de sua alma, ficou satisfeito (Is 53.11,12). Nós também teremos de passar pelo Jardim do Getsêmani (Mt 26.36-46) algumas vezes, ou teremos de atravessar o vale da sombra da morte (Sl 23.4). Mas a verdade que não muda, é que se seguimos o caminho do nosso pastor, “não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo” (Sl 23.4).
  
Motivos de oração
1.     Ore por aprofundamento no conhecimento de Deus.

2.     Ore por despertamento no estudo das Escrituras.

3.     Ore por aprender a compartilhar seu crescimento e dificuldades com irmãos confiáveis dentro a família cristã.

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