O Bom pastor e seus comentários

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

09 = A Autoridade das Escrituras



Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
09 = 2 Pedro 1.19-21 – A Autoridade das Escrituras.                   (03/10/2012)
Grupo de Estudo do Centro – Fortalecendo a Fé dos Cristãos
Liderança: Pr. Hélio O. Silva e Sem. Rogério Bernardes.
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2 Pedro – Sermões Expositivos – D. Martin Lloyd-Jones,PES, p. 122-133.
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Introdução:
            Pedro argumenta que a base da autoridade do testemunho cristão é dupla: O testemunho apostólico histórico e as Escrituras Sagradas. O primeiro argumento foi apresentado nos versos 16 a 20. O segundo argumento também é duplo: Os acontecimentos que cumpriram as escrituras (v.19) e a natureza das próprias escrituras sagradas (v.20,21). Lloyd-Jones se concentra no segundo aspecto nesse estudo:

I.         as propostas de interpretação do que seja a profecia.
Uma rápida olhada na história da interpretação é útil aqui:

1)      Só a igreja (católica) pode interpretar as escrituras.
Nesse verso se baseia, em parte, a divisão entre católicos e protestantes. Visto que para o catolicismo o que Pedro está afirmando é que juízo particular a respeito das escrituras é algo a ser excluído rigidamente. Ninguém pode interpretar as escrituras de forma particular, pois nada é mais perigoso do que indivíduos fazer frente à Palavra e tentarem interpretá-la pessoalmente. A interpretação bíblica só pode se dar por meio de concílios, dos cardeais e do Papa. Dessa forma, a igreja tem proeminência sobre a Palavra.

2)      A interpretação de qualquer profecia particular não pode ser baseada nela mesma.
As profecias particulares devem ser interpretadas á luz de todo o corpo profético bíblico, mas nunca isoladamente. Nenhuma profecia sozinha pode ser tomada como base para qualquer doutrina ou corpo de doutrinas.

3)      Os profetas eram incapazes de entender tudo o que profetizavam.
Citam a 1 Pedro 1.10,11 para apoiar essa afirmação entendendo que “particular elucidação” significa não ter entendimento completo do que se diz numa declaração profética.

4)      A profecia nunca é a sua própria interpretação.
Ou seja, ela só pode ser entedida corretamente quando os eventos profetizados acontecerem, antes não.

5)      Ninguém que lê ou o próprio profeta consegue interpretr a profecia.
A interpretação só possível por meio de uma ação sobrenatural do Espírito Santo na mente do intérprete.
Todas essas considerações erram em tomar o verso fora de seu contexto imediato.


II. o sentido biblico da inspiração das escrituras.
1)      Os versos 20 e 21 devem ser interpretados juntos, como um todo.
O “portanto” (ARA) ou o “porque” (ARC) no início do verso 21 deve ser considerado na interpretação da afirmação de Pedro no verso 20, uma vez que explicam a afirmação feita.

2)      A Escritura tem sua origem em Deus.
A palavra “é” deve ser traduzida por “origina” ou “surge”. O conceito intencionado por Pedro é que a palavra veio à existência pelo expediente proposto por Deus e não pelo raciocínio humano. A origem da escritura não é um raciocínio particular, mas a determinação de Deus em comunicar-se com o homem.
Por que devemos confiar na profecia bíblica e nela basear a minha vida? Esta profecia foi cumprida na encarnação sendo mais que o registro da meditação, cogitação, do pensamento, do entendimento e do discernimento do homem; não se originou em nenhuma determinação vinda do coração ou da mente do homem. Ela não é a exposição de idéias humanas, mas a revelação da vontade de Deus.

3)      Os autores bíblicos foram “movidos pelo Espírito Santo”.
A palavra tem o sentido de alguém que é levado, conduzido, dirigido por outro. A mesma palavra é usada por Lucas em Atos 27.15 referindo-se ao navio ser arrastado pelo vento Euroaquilão. Lucas descreve que depois de tudo os que fizeram para manter o controle do barco, sendo arrastados, deixaram-se levar pelo vento. “Homes santos falaram da parte de Deus arrastados pelo Espírito Santo”.
Isso quer dizer que as profecias bíblicas jamais poderão ser consideradas como uma coleção de pensamentos e idéias de homens, pois não são fruto do entendimento ou discernimento humanos. Sua origem real é a mente de Deus. A Alta Crítica Bíblica tentou redefinir Profecia como discernimento e percepção, negando o aspecto sobrenatural da predição e previsão de futuro. Para os seus proponentes a profecia era a declaração intencional do discernimento dos próprios profetas diante dos fatos da vida. Todavia, a profecia bíblica não é o homem decidindo escrever o que pensa sobre isso ou aquilo, é mais que isso!
A grande afirmação de Pedro é que homens foram tomados por Deus em suas mãos e os conduziu no processo todo da inspiração e registro das escrituras. Os profetas bíblicos não dizem: “Foi isso que eu pensei”, mas dizem: “Assim diz o Senhor”.

4)      Em alguns casos eles foram movidos por Deus mesmo contra a própria vontade.
Uma outra frase usada pelos profetas é que “o peso do Senhor” estava sobre eles, referindo-se à mensagem colocada por Deus sobre eles, constrangendo-os, obrigando-os a dizer e a escrever o que Deus mandou (1 Pedro 1.10). Um exemplo é Jeremias, que manifestou a Deus sua recusa em profetizar o que lhe ordenara (Jr 15 e 20). Moisés, Jeremias e Jonas disseram abertamente que não queriam ser enviados com o recado de Deus, mas eles foram e disseram tudo que Deus havia mandado que fizessem e dissessem.
            Portanto, o que Pedro faz aqui é nos iniciar na grande doutrina da inspiração da revelação afirmando que aprouve a Deus em sua infinita compaixão e condescendência falar aos homens. Pedro afirma de forma clara e inequívoca que todos os outros livros religiosos são produção humana, mas há um livro que não: A Bíblia. Nela se registra a inspiração divina.
            A revelação é bastante minuciosa ao afirmar que o homem jamais chegará ao conhecimento de Deus sozinho por causa do estado de pecado no qual caiu, entretanto, foi do agrado de Deus conceder-lhe esse conhecimento por meio da revelação em Cristo e nas escrituras.
Essa revelação tem dois aspectos importantes: Ela acontece de forma geral na criação e no processo da história, mas em acréscimo a isso, se dá de formas especiais (1) nas teofanias que são aparecimentos de Deus e não encarnações de Deus. (2) Com palavras e atos e (3) com milagres. Nas escrituras Deus falou por meio de servos habilitando-os a registrar sua palavra. Na revelação bíblica temos a cosmovisão divina da vida e da existência.
O fato é que a verdade foi inspirada e o seu ato de registrá-la também o foi. O homem foi tomado e conduzido na certeira direção do registro fiel da revelação divina. Por isso nós cremos que as palavras registradas nas escrituras foram inspiradas pelo Espírito Santo. Os escritos não foram meros amanuenses que repetiam ditados, como se a inspiração se desse por um ditado mecânico; não eles foram tomados por inteiro em sua personalidade fazendo uso dela por meio de estilos diferentes e próprios entre um e outro escritor. Eles foram controlados de tal maneira que foram salvaguardados do erro. Dessa forma, tanto a verdade como forma como a expressaram fazem parte da inspiração das escrituras. O espírito Santo deu livre curso à sua personalidade, mas sempre debaixo de seu controle que os movia. A mente humana pode chegar por meio de seu raciocínio à crença na existência de um Deus, mas não poderia compreender que esse Deus é triúno e que Deus é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo a não ser por essa doutrina.
Nas escrituras Deus revela seu pensamento concernente ao homem, à vida e ao mundo; explica como o homem veio à existência e que todos os seus problemas são conseqüência da entrada do pecado no mundo e em sua experiência. Nela Deus afirma o que fez e o que fará com o pecado dando-nos uma explícita filosofia dos séculos e um mapa da história. Ela nos mostra o que houve e porque e o que vai acontecer nos dias futuros. A Segunda Vinda de Cristo é exatamente o tema que levou Pedro à doutrina da inspiração e autoridade das escrituras.

Conclusão:
Nossa resposta final é a seguinte:
(1) Este livro não é imaginação de homem algum, mas é Deus  Espírito Santo falando ao homem por meio de homens.

(2) Somos confrontados pelas escrituras a crer em Cristo e nas promessas de sua Segunda Vinda, pois ele voltará!

(3) Por causa disso, devemos basear nossa vida e nossa visão do futuro e nossas idéias no que está escrito nela e não em pensamentos e propostas seculares.

(4) Deus fala a verdade nas escrituras, logo, é sábio ouvir a Palavra de Deus (Ap 1.3, Js 1.8).

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