O Bom pastor e seus comentários

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sábado, 1 de junho de 2013

15a = Um Deus Soberano e Pessoal - Continuação da 1ª parte


Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Fevereiro a Junho/2013
Liderança: Pr. Hélio O. Silva, Sem. Adair B. Machado e Presb. Abimael A. Lima.
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15a = Um Deus Soberano e Pessoal.                    15/05/13
Um Chamado à Reforma Espiritual – D. A. Carson, ECC, p.152 a 160.

Introdução.
Na semana passada este tema foi abordado, apesar disto voltaremos nele hoje para maiores esclarecimentos:

A soberania de Deus e a responsabilidade humana
Aqui estão enunciadas duas verdades que são continuamente ensinadas e demonstradas nas Escrituras.
1.     Deus é absolutamente soberano. As Escrituras afirmam que sua soberania nunca funciona para reduzir a responsabilidade humana.
2.     Os seres humanos são responsáveis. Eles escolhem, creem, desobedecem, respondem e em tudo o que fazem há significado moral. O ensino das Escrituras, por outro lado, diz que a responsabilidade humana nunca funciona para diminuir a soberania de Deus nem torná-lo absolutamente contingente.
Ambas as proposições são ensinadas e exemplificadas na Bíblia. Nosso problema está em não acreditarmos que ambas são verdadeiras. Tendemos a usar uma e depreciar a outra; enfatizamos uma à custa da outra. Entretanto, a leitura responsável da Bíblia proíbe esse reducionismo.
Cristo afirmou que se os pássaros são alimentados é porque o Pai o faz; as flores no campo são vestidas com esplendor exclusivamente pelo cuidado de Deus. Ele está por trás dos processos naturais. Ef 1.11. Deus “faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade”. De forma misteriosa, e sem ser maculado com o próprio mal, Deus se coloca por trás de assassinatos involuntários (Êx 21.13), infortúnio familiares (Rt 1.13), desastre nacional (Is 45.6,7), tristeza pessoal (Lm 3.32,33,37) e até mesmo do pecado (2Sm 24.1). Todavia em nenhum desses casos a responsabilidade humana é diminuída. Deus na sua ira incita Davi a fazer o censo proibido (2Sm 24.1), Davi é considerado responsável por suas ações.
A segunda declaração não é menos fortemente amparada nas Escrituras. Os homens recebem ordens de obedecer, de escolher e de crer, e são considerados responsáveis se falharem nestas coisas. Deus apela para que se arrependam, por que não tem prazer na morte do perverso (Is 30.18; 65.2; Lm 3.31-36; Ez 18.3032). O evangelho convida “Se, com tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”... . A Bíblia apresenta juntas essas duas proposições em diversas passagens. Aqui veremos sete delas.

Gênesis 50.19,20 – Jacó estava morto e os irmãos de José temiam que este se vingasse deles; preocupados procuraram-no para o arguirem a respeito disso, ao que José lhes respondeu: “Não temais; acaso, estou em lugar de Deus? Vós na verdade intentaste o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem...” . O que José efetivamente diz é que no episódio é que os irmãos intentaram o mal e Deus planejou o bem. A soberania de Deus salvou milhões de almas, sem, no entanto, diminuir a responsabilidade dos irmãos de José. Tanto uma quanto a outra são admitidas como verdade.

2 Samuel 24 – Deus, na sua ira, incitou Davi a realizar um censo, que era Ele proibira. Davi realiza e depois sente sua consciência acusá-lo e, no final, é obrigado a escolher entre três vereditos severos. 70.000 pessoas morrem. Algumas passagens como esta, mostra Deus, de algum modo, por detrás do mal. 1 Rs 22.21ss. Mostra os profetas de Acabe seduzidos e profetizando tolices; aparentemente, Ele está por trás dos sofrimentos de Jó; 2Sm 24 quando lido em conexão com 1Cr 21 conta a mesma história de maneira diferente, é Satanás, e não Deus, que incita Davi a realizar o censo. Da mesma forma, é Satanás, e não Deus, que aflige Jó. Em todos esses casos, Deus é apresentado como soberano, entretanto, o homem é responsável por suas ações. Ambas as proposições são aceitas como verdadeiras.

Isaías 10.5-19 – Deus usa o mais cruel poder militar para castigar as outras nações e diz: “Ai da Assíria, cetro da minha ira”. A história deixa claro que a nação contra quem a Assíria fora enviada é Judá, a nação da aliança. Deus estava irado com seu povo por causa do pecado deles e lhes enviara a Assíria como correção. Todavia, contra a Assíria proferira também juízo, enviando-lhe a tísica (tuberculose) contra os homens e fogo contra a sua arrogância e glória nacional. Os assírios podem ter sido instrumentos nas mãos de Deus, mas isto não lhes isentou da responsabilidade.

João 6.37-40 – No contexto do discurso sobre o “pão da vida”, Jesus declara: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”. Os eleitos, o povo escolhido de Deus, são um presente que o Pai dá a seu Filho, que os manterá consigo. Nunca serão afastados. Ele, o Filho, promete ressuscitá-los todos no último. Contudo, isso não faz de nenhum dos eleitos um robô. Mas uma vez as duas proposições são apresentadas como verdadeiras e nenhuma diminui a outra.

Filipenses 2.12,13 – Nesta passagem Paulo exorta os membros da igreja em Filipos que desenvolvessem sua salvação, isto é, que Deus está trabalhando neles, tanto no nível de suas vontades quanto no nível de suas ações, tornando-os mais santos a cada dia. Não somente a verdade de nossas duas proposições é assumida, como a soberania de Deus, se estende de maneira a incluir a nossa vontade e a nossa ação, funcionando como incentivo à nossa própria diligência na área espiritual.

Atos 18.9,10 – Argumento semelhante ao anterior é apresentado neste capítulo. Paulo chega desanimado em Corinto por causa do tratamento recebido Macedônia (fora perseguido sem tréguas). O Senhor fala a ele em sonhos e o anima: “Não temas, [...] fala e não te cales, porquanto estou contigo [...], pois tenho muito povo nesta cidade”. A expectativa de conversões animou Paulo em seu ministério naquela cidade. A soberania de Deus na eleição, longe de desencorajar o evangelho, torna-se um incentivo a continuar a tarefa. Mais uma vez, as proposições são admitidas como verdade.

Atos 4.23-30 – O contexto desta passagem é o da libertação de Pedro e João da prisão – um presságio das perseguições que viriam. Contaram-lhes o que acontecera. A reação deles é orar. Oraram os Salmos e ressaltaram a soberania de Deus. Lembraram que Jesus havia padecido sob Herodes, Pilatos e os sacerdotes de Israel, numa conspirata de gentios e judeus e, acrescentaram: “para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram” (4.28). A razão de Cristo ter ido à cruz foi para pagar a penalidade dos pecadores. Estes carregam responsabilidade moral verdadeira e culpa moral real pela qual a penalidade foi decretada. Deus é absolutamente soberano, apesar de sua soberania não diminuir a responsabilidade humana. No Calvário, todos os cristãos têm que admitir a verdade dessas duas declarações, ou devem desistir do seu título de cristãos.

Aplicação:
A reflexão dessa verdade pode ser inconveniente. Muitas vezes estamos atrás das bênçãos do Senhor, todavia, nem sempre queremos o Senhor das bênçãos. Fruí-Lo requer que assumamos as responsabilidades que nos cabem quanto a refleti-Lo nas nossas atitudes e pensamentos. Cada uma das nossas ações deve estar alinhada com a vontade dEle, para honrá-Lo e glorificá-Lo.


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