O Bom pastor e seus comentários

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sexta-feira, 11 de maio de 2012

13 = A Suficiência da Graça (II)



Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO
Grupo de Estudo do Centro – Graça Que Transforma
Liderança: Rev. Helio O. Silva.
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13 = A SUFICIÊNCIA DA GRAÇA (II)                           09/05/2012
Graça Que Transforma – Jerry Bridges, ECC, p. 141-149.
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II Coríntios 12.7-9 = A minha graça te basta...
Como foi dito no estudo anterior, as palavras de Paulo nesse texto acima tem sido fonte de consolo para os cristãos há mais de dois mil anos! O próprio Paulo é testemunha da adversidade em sua vida e ministério cristão (II Co 6.4,5). Aqui ele menciona o que chama de “espinho na carne, mensageiro de satanás para esbofeteá-lo” (II Co 12.7). Não dá para adivinhar do que se trata; sabemos que satanás era o causador, mas que Deus detinha o controle de tudo. O objetivo divino nessa aflição contínua visava não deixar Paulo ficar ensoberbecido com “a grandeza das revelações de Deus” (II Co 12.7). As operações da graça não servem à vaidade, mas à humildade diante poder de Deus.

A SUFICIÊNCIA DA GRAÇA
Antes de aprendermos sobre a suficiência da graça temos de aprender sobre a nossa insuficiência (p.141). Quanto mais reconhecemos nossa pecaminosidade mais apreciamos a graça como favor não merecido da parte de Deus. Do mesmo modo, quando mais vemos nossa fraqueza, fragilidade e dependência, mais apreciamos a graça em sua condição de assistência divina. Esse contraste necessário e verdadeiro ressalta a suficiência da graça (Rm 5.20 – onde abundou o pecado superabundou a graça).

Em 2 Coríntios 12.9 Paulo equipara a graça com o poder de Deus, pois depender da graça é experimentar o seu poder que se aperfeiçoa na fraqueza. Esse poder que penetra misteriosamente a fraqueza é uma expressão concreta da graça a nosso favor fortalecendo-nos e capacitando-nos a enfrentar de modo piedoso todas as circunstâncias adversas (p.142).

Todavia, a graça nos é dada para a glorificação do nome de Deus, não para nos fazer sentir melhor. A pós-modernidade quer acabar com a dor e sentir-e bem. “Qualidade de vida” é uma expressão de nosso tempo. “Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa” é um jargão muito popular. Mas a grande questão na verdade é se honraremos a Deus em todo o tempo, em meio a todas as circunstâncias!
Paulo enfatiza a suficiência da graça divina em 2 Coríntios 12.9, pois a palavra traduzida por “basta” é a mesma traduzida por “estejamos contentes” em 1 Timóteo 6.8. Suficiência aponta para o necessário e não para o luxo, o esbanjamento. É claro que sendo Deus bondoso, ele costuma nos dar mais, contudo, isso não é algo com que podemos nos preocupar ou cobiçar, pois a bondade e a justiça de Deus sempre caminham lado a lado. Deus sempre nos dá o que precisamos, às vezes mais, mas nunca menos (p.143). Muitas vezes desejamos o luxo de não ter que enfrentar dificuldade nenhuma, mas nos diz para nos contentarmos com o fortalecimento para suportar a provação que pode vir na forma de sofrimento, privação e dor. A graça é diária para as necessidades diárias; repentina para as necessidades repentinas; sobrepujante para as necessidades sobrepujantes; ela é dada de modo maravilhoso e livre, mas nunca desperdiçado, insensato e cego.

A suficiência da graça é ilustrada de modo como Deus distribuiu o maná no deserto (Ex 16.16-21. Cada um colheu o de que tinha necessidade, não mais e nem menos. Quem cobiçosamente colheu mais, perdeu o excedente. Outro fato que chama a atenção é que deveria se colher porção dobrada na véspera do sábado, pois nesse dia não tinha maná; nesse caso o maná não perdia. E foi assim por 40 anos no deserto! A graça de Deus é tanto suficiente como maravilhosa, porque traz amplo suprimento, mas somente do necessário.

A suficiência da graça como exposta acima não é inconsistente com a generosidade divina, pois o seu objetivo é nos manter conscientes de nossa dependência de Deus. Fomos criados para ser dependentes de Deus, mas a queda introduziu a nossa tendência de resistir a essa dependência (Dt 8.17,18 – Israel deveria se lembrar dessa total dependência no deserto, mesmo depois que se instalasse na terra prometida).

Uma atitude de auto-suficiência é completamente destruidora para o nosso relacionamento com Deus, por isso Deus permite a permanência de espinhos que nos obriguem a permanecermos humildes, dependentes e confiantes em sua ação graciosa (2 Coríntios 1.8,9). Sejam espinhos na carne ou crises profundas e graves, Deus os planejou para permanecermos conscientes de nossa fraqueza e fragilidade e da suficiência de sua graça e da adequação do poder capacitando-nos a enfrentá-las. Na verdade só temos prazer no poder de Deus por experimentar sua eficiência nas nossas fraquezas e insuficiências.

Logo, a atitude de Paulo frente à sua fraqueza incomoda nossa mente pós-moderna, porque desprezamos a fraqueza e enaltecemos a força, o poder. Ninguém quer encher um estádio para ouvir alguém falar de suas fraquezas como Paulo fala em 2 Coríntios 12. Na verdade lutamos contra nossas fraquezas sem sequer desejar entender os seus propósitos! Deus usa cada frustração, debilidade, obstáculo, limitação e oposição para moldar nosso caráter cristão à semelhança do de Cristo. É na fraqueza que encontramos força, a força que vem do Senhor (Ne 8.10).

A fraqueza humana e a graça divina andam de mãos dadas (2 Co 12.9,10). Paulo experimentou a ambas, mas não foi o único; Jeremias e Jó também experimentaram (Lm 3.19-23; Jó 23.8-10). Os Salmos são notadamente marcados por essa necessidade e dependência da ação de Deus em meio às nossas fraquezas (ex.: Sl 13, 27, 40, 130 etc.). Asafe no Salmo 73.3, 12, 13, 23, 26 aponta pela segurança alcançada pela assistência graciosa de Deus em meio às suas dúvidas desesperançosas.

APROPRIANDO-SE DA GRAÇA DE DEUS
Deus é o doador da graça, é ele quem nos diz que a sua graça nos basta (1 Co 12.9; 1 Pe 5.10). Isso, por outro lado, não significa que somos receptores passivos dela, devemos nos apropriar dela. Timóteo devia ativamente fortificar-se nela (2 Tm 2.1). O verbo está no modo imperativo no original grego indicando uma ação obediente, mas decisiva. Timóteo tinha de fazer algo, que era apropriar-se da graça que o fortaleceria.

Timóteo era tímido, mas Paulo lhe oferece o remédio da graça para a capacitá-lo a vencê-la a fim de desempenhar bem o seu papel pastoral no corpo de Cristo (2 Tm 2.17; 1 Co 16.10). Timóteo deveria procurar a graça já sabendo onde encontrá-la. Ela estava em Cristo Jesus. Assim como Israel deveria se juntar e colher o maná diariamente, nós também devemos confiar em Deus diariamente e trabalhar para que a graça seja experimentada em toda a Sua suficiência.

A graça de Deus é suficiente para todas as nossas necessidades. Ela nos bastará não importa a gravidade ou a severidade das circunstâncias que enfrentaremos. A colheita do maná foi cotidiana por 40 anos consecutivos. Assim é a graça de Deus, suficiente para tudo em todos os momentos, qualquer que seja a necessidade, qualquer que seja a quantidade. Ela nunca sobrará, mas também nunca faltará.



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